Corona

28 Boca Aberta


Notas iniciais
Hey nenês ♥ PRIMEIRAMENTE: FELIZ NATAL, GENTE ♥ Desejo a todos vocês, em quaisquer circunstancias que estejam, que seja ao menos uma noite tranquila e com boa comida - mesmo que seja uma lasanha congelada ♥ Agora, uns leitores desses, man ♥ CORONA chegou a 5k de visualizações! Têm noção disso? CINCO MIL PESSOAS PASSARAM POR AQUI ♥ Eu sei que algumas podem ter só batido o olho, outras podem não ter se engajado, mas, de uma forma ou de outra, a história saltou aos olhos, chamou atenção e ganhou uma chance, vingando ou não. E isso, cara, isso me faz MUITO FELIZ ♥ COMO PROMETIDO, hoje será atualização D U P L A, SIM! Agora, teremos uma quinta meta? Claro que sim, porque sonhar não dói UASHUAHSUASH' Apesar de CORONA estar na sua reta final (já tirando os dois capitulos de hoje da reta, só vão faltar mais QUATRO), se ela chegar a 200 comentários antes do penúltimo capítulo, o final vai ser duplo pra vocês outra vez ♥ Estamos em 181, impossível não é ♥ Não esqueçam de comentar nos DOIS capitulos que serão postados aqui, cada um deles foi escrito separadamente e gosto de receber feedbacks para cada um ♥ DE NOVO eu tô respondendo os comentários, sim? Os comentários do cap 27 vão ser respondidos todos ♥ VOLTANDO A PROGRAMAÇÃO NORMAL ♥ Obrigada a Ella Branco (Bella ♥), Luiza Avelino, JovanaSerafini e Amanda Pêra pelos comentarios lindos, perfeitos, pedaços do céu, maravilhosos e perfeitos² ♥ O cap é pra vocês ♥ Sem mais delongas, juro solenemente não fazer nada de bom ♥

Toda a situação já estava estranha o bastante apenas com nós dois parados ali, em plena madrugada, depois daquela conversa esquisita e promessas veladas. Mas é claro que tudo sempre pode ficar pior, minha vida inteira era um exemplo dessa frase. A pressa em que eu e Draco soltamos nossas mãos e nos separamos foi antinatural demais para não chamar atenção dos olhos claros de Daphne Greengrass, ou de uma reação de uma das sobrancelhas escuras de Blásio Zabini.

— Mas o que está acontecendo? — Blásio perguntou. Cansada demais de toda noite, entrei em sua mente por puro despeito. Ele era um bom amigo e estava esperando, meio acordado, meio dormindo, que Malfoy retornasse da detenção. Já Daphne apenas tinha um sono malditamente leve e uma terrível inclinação a cuidar da minha vida.

— Apenas mostrei ao nosso nobre como mãos trabalhadoras se parecem — devolvi com desenvoltura, balançando minha mão como as misses na TV, uma imitação grotesca do sorriso no meu rosto. — Ele precisava de um pouco de realidade depois de ficar reclamando de fazer caminhada na Floresta.

— Na Floresta Proibida? Te mandaram cumprir detenção lá?! — A atenção maliciosa de Zabini foi desviada da cena claramente interrompida para se concentrar no amigo. — Achei que eles iam te mandar fazer umas copias...

— Não seja fresco, Blás — revirei os olhos. — Não tem nada de mais lá, eu mesma vou sempre.

— Ninguém aqui é selvagem como você, Lewis — a voz usualmente entediada e fria de Draco fez um ponto entre meus ombros relaxar. Ele estava seguindo o roteiro como o garoto esperto que era... que horror, nem dez minutos depois e eu já havia elogiado o biltre arrogante. Falar de seu notável dote físico era uma coisa, mas ir mais fundo fazia meu estômago afundado. Escondi meu absoluto desconforto com desprezo.

— Um bando de riquinhos mimados, é terrível quando me lembram disso — chiei enquanto me afastava, indo em direção a Greengrass e, por sua vez, a porta do dormitório. Nunca na minha vida eu quis mais uma cama. — Essa noite já durou mais do que deveria, eu vou dormir. Daphy?

Ela demorou alguns segundos antes de me seguir para baixo, seus olhos claros ainda passando de mim para Malfoy. Ela não deu boa noite aos meninos, e nem eu. Em silêncio fomos até nosso dormitório e, em silêncio, ela me deixou ir para o banho tirar toda a terra e a sujeira da floresta. Geralmente, eu saia da água direto para as aulas, mas hora eu teria um pouco de sono, apenas um pouquinho de sono merecido, então vesti minha calça de flanela e meu suéter Weasley (apesar de ser primavera, as masmorras eram frescas o bastante para me permitirem isso).

Daphne, por sua vez, era inteligente o bastante para saber que eu não responderia nada do que ela perguntasse. Nem sobre Malfoy, nem sobre ter, de novo, me enfiado na floresta. Mas isso não foi o bastante para que a menina rica tirasse sua bunda da minha cama, já tendo deixado de lado o robe rosa claro com que tinha se resguardado ao sair do dormitório. Sentindo minha pele queimar e enxergando uma borda vermelha no mundo, me sentei ao lado dela com uma sobrancelha levantada.

Greengrass ficou bastante tempo olhando para mim no escuro, procurando algo em meu rosto que lhe desse qualquer pista de uma mentira. Porém eu era boa demais em esconder minha natureza e ainda tinha as sombras ao meu favor. Finalmente ela desistiu de buscar por si mesma qualquer resposta e concentrou seus olhos claros nos meus, verdes azulados, da mesma cor das águas do lago negro no verão, suas profundezas refletindo o sol da superfície. Eu gostava dos olhos dela – me lembravam que sempre é possível achar luz, mesmo ao fundo.

— Você está bem? — Sua voz não passava de um sussurro para não acordar nossas companheiras. Desenhei um sorriso no rosto, ou ao menos o que eu poderia conseguir estando tão exausta. Tinha impressão de que os cinco minutos que tive com Draco haviam sido o bastante para drenar todo o resto de energia que eu ainda tinha e mais um pouco.

— E quando eu não estou bem, Daphne?

O olhar que ela me lançou já dizia que poderia listar, ao menos, uma dúzia de situações onde eu já havia mentido sobre meu bem-estar, seja físico ou emocional. O jeito com que sua boca se torceu me pareceu que iria fazer com que eu aguentasse algum sermão sobre sinceridade e respeito a sua preocupação, mas todos haviam decidido serem estranhamente compreensivos hoje. Greengrass apenas se estendeu para mim, beijando minha testa antes de se afastar, o olhar muito mais calmo e os lábios muito mais relaxados.

Já deitada na minha cama, tinha a impressão de que duas noites de sono ainda não seguirem o bastante para me fazer pronta para o que quer que havia acontecido na noite anterior. Quando acordei vi que estava enganada: eu precisaria de cinco. Ao menos Daphy agia normalmente, mas não era com ela que eu estava inquieta. Eu queria ir ver Potter e saber direito o que tinha acontecido, o que Hermione e Rony haviam achado de tudo, mas tive que esperar já que Draco Malfoy estava me esperando na saída do dormitório.

Bem vestido em suas roupas de primeira mão feitas sob medida e impecável com seu cabelo penteado para trás, o menino assustado e desalinhado da noite anterior poderia passar como um sonho distante. Até mesmo seus olhos estavam tão gelados como deveriam ser, seu rosto construído sem erro para não mostrar nada que ele tenha de bom. Soltei o ar pelos dentes ao vê-lo, mas não parei de andar. Não era do meu interesse deixar que toda a casa de Sonserina viesse o desenrolar disso em um show particular antes do café da manhã.

— Eu só queria saber como você está — o menino soltou logo que passamos a parede falsa. Não me olhava, e eu não me atrevi a buscar sua mente. — Você estava um pouco... enfim, ficou falando coisas sobre a volta do Lorde das Trevas e pensei...

Voldemort — cortei sua voz, sentindo um prazer doentio ao vê-lo titubear com o nome. — O que foi? Pensei que sua família fosse intima o bastante para não ter medo de um simples nome.

— Não sou meu pai, Lewis — Draco estancou no lugar, o gelo rachando em seu rosto e dando lugar a algo como exasperação. — Eu não conheci o Lorde das Trevas, eu não fui um Comensal da Morte, eu nunca fiz magia negra, foi ele. Não espere de mim algo que vem dele.

Gloriosa masmorra, sempre tão evitada por todos – a menos quando se era necessário. Tirando nas aulas de poções, apenas os namorados buscavam as câmeras vazias daqui de baixo para um pouco de privacidade e era cedo demais para qualquer um dos dois. Respirei fundo e relaxei meus ombros, pois detestava ser injusta. Estava o tratando mal e, diferente das outras vezes, ele não merecia isso. Não agora. Minha consciência era algo que eu prezava, ao menos o que restou dela.

— Espero que não seja, Draco — respondi olhando em seus olhos antes de tomar folego e balançar a cabeça. — Eu estou bem, obrigada. Mas não era só eu que estava fora dos eixos ontem, se bem me lembro, pequeno lorde.

— Está falando de Potter? É, eu acho que ele ainda deve estar encolhido na cama, se quer saber — sua voz debochou enquanto seus olhos brilhavam. Havia sido uma tentativa honrosa de mudar o foco da conversa, mas se ele não havia me dado chance de fuga ao me esperar na porta do dormitório, não seria eu a mostrar piedade. Quando o sorriso arrogante dele finalmente foi substituído por uma coisa fraca, Malfoy encolheu os ombros. — Achei que não ia conseguir dormir, mas só achei. Tem ideia do que era aquela coisa?

— Uma — murmurei, para só então me deparar com sua expressão ansiosa e perceber que falei alto. Mordi os lábios e coloquei os ombros para cima, enterrando tudo dentro de mim como era boa em fazer. Sorri para ele com o máximo de animação que consegui e balancei a mão, como quem enxotava aquele assunto. — Esqueça. De noite todos os gatos são pardos, já ouviu isso? É um ditado trouxa que diz que as coisas sempre ficam confusas, distorcidas e traiçoeiras. Não temos nem tempo para perder pensando nisso. Ainda precisa de ajuda para os exames?

Malfoy, como o ser sensato que era, não queria perder mais tempo pensando no pesadelo real da noite passada e aceitou a distração de bom grado. Era uma criança feliz em voltar para sua vida rica e acomodada, onde teria que se preocupar apenas com os exames finais na próxima semana. Ele havia avançado muito durante os estudos, mas mesmo os últimos tempos de dedicação intensa não eram o bastante para garantir notas de dar orgulho, afinal, havia sido um ano inteiro de negligencia. O garoto sabia que levaria resultados medianos para casa e estava nervoso com isso, porém conformado. Sabia que teria a mãe ao seu lado para o poupar do pior, também conhecido como seu pai.

Ao sentar ao seu lado na mesa do café da manhã, ignorei com louvor os olhares de Hogwarts inteira. Não era segredo nossa inimizade, afinal, e me preparei para o interrogatório vulgo acusação que enfrentaria de Pansy e Daphy, e dos sorrisos muito largos e cheios de malicia de Blás. Eu lidaria com todos eles depois, no momento, estava preocupada apenas com um olhar confuso – olhos verdes esmeralda me encaram na mesa oposta do Grande Salão.

Por um segundo bem pequeno desejei que Potter pudesse ler minha mente para que eu pudesse lhe explicar o que estava acontecendo, mas explicar o que? O desejo foi embora tão rápido como veio e, com ele, reforcei meus muros apenas um pouquinho mais. Não, não queria ninguém ali, bisbilhotando e se intrometendo na minha vida. Tudo relacionado à Malfoy era apenas verde demais, com pancadas demais uma atrás da outra, sem deixar tempo de me recuperar, apenas de seguir em frente. Não poderia responder se éramos amigos agora e nem queria. Nem para os outros e nem para mim.

Contou a eles?

A distração foi um sucesso em varrer aqueles sentimentos perigosos de Harry – curiosidade, perplexidade e uma pitada de traição e inconformismo. Se o menino, que era o mais gentil, se sentia assim, eu fiquei feliz em me manter longe da mente de Weasley, seu rosto não era nada agradável todo trancado daquela forma. Hermione era mais amena, mas ainda sim confusa. Ah, maldita hora em que deixei terceiros se enfiarem na minha vida, em que permiti que outros invadissem um lugar que era apenas de Lagrum – uma cobra que não se importava com nada além de me manter pronta sobreviver.

A simples ideia de ter que dar explicações a todos eles fazia o monstro dentro de mim me rasgar ao meio em punição. Ridículo. Patético. Vergonhoso. Em que momento passei a me preocupar com o os outros achavam, com o que sentiam? Em que momento passei a agir com cautela, não por mim, mas em nome de outros? A sensação fazia minha pele queimar, formigar, meu coração bater pesado. Errado. Estava tudo errado. Quem se importava se eu estava ou não falando com Draco Malfoy? Sentando com ele? Conversando? Rindo? Sempre vivi a minha vida respondendo apenas a mim e não seria agora que isso iria mudar. Eu tinha minhas próprias feridas com o pequeno lorde, tinha sim, e elas estavam sendo devidamente analisadas sob a visão dos novos acontecimentos. Minhas.

O sentimento de traição só se devia se, a princípio, sua lealdade é dada a algo ou alguém. Não me permitiria que esse sentimento se apoderasse de mim ao lembrar de todas as vezes que Draco foi um biltre nojento ao lembrar a Potter que o garoto era órfão, ou insultado a família de Weasley. Talvez desse último, apenas talvez, pois o suéter que a senhora Weasley havia feito para mim, mostrando um coração enorme e aberto, ainda me esquentada e me fazia sorrir. Fora isso, eu era leal apenas a mim. A mim e a Lagrum, a mais ninguém, a mais nada.

Hermione e Ronald não haviam dado muita importância ao relato ansioso que Harry lhes dera na noite passada. Seguindo em frente na teoria de "Snape do Mal", a coisa se desenrolava de modo que o professor agora estava trabalhando para Voldemort, em busca da pedra para dar ao seu mestre. Mesmo que nenhum dos dois tenham dito que era mentira, também insistiram bastante para Potter não se preocupar. Afinal, se era Voldemort atrás da pedra, não havia lugar mais seguro do mundo, mesmo. Não com Alvo Dumbledore aqui, o único bruxo que, dizem, o Lorde das Trevas temeu e nunca ousou enfrentar.

Mas eles não estavam lá. Eles não viram aquela coisa na clareira, não sentiram sua presença, não poderiam entender. Se Voldemort estivesse buscando um meio de retornar, não tinha dúvidas que uma das primeiras coisas em sua lista (se não a própria) seria eliminar seu maior assunto inacabado, seu fracasso, sua vergonha: Harry Potter. E ele já estava a meio caminho andando ao tomar o sangue de unicórnio. Tudo que ele precisava era da pedra...

De qualquer forma, como eu vou sempre lembrá-los, Hogwarts é uma escola. E uma das boas. Então, sem nenhuma surpresa, o pouco tempo que restava até os exames finais passou sem qualquer tempo para investigações ou preocupações paralelas. Bom, Harry estava uma pilha de nervos, é verdade. O menino pareceu ter desenvolvido uma espécie de paranoia e vivia olhando para os cantos como se esperasse o maior bruxo das trevas da história pular no meio do corredor, ainda disfarçado de uma das armaduras, rindo histericamente para mata-lo. Cheguei a compartilhar isso com ele e consegui fazer com que risse, o rosto vermelho e os olhos brilhando através dos óculos.

— Estou sendo bobo, não estou?

— Se eu respondesse sim, isso implicaria que existe algum momento em que não é.

Weasley brigou sozinho por um tempo, mas logo percebeu que estava fazendo cara feia para as paredes. Isso o fez recuar, ainda extremamente rabugento e com olhares feridos, mas me senti liberta das minhas correntes ao não sentir nada sobre isso. Granger foi mais categórica, sempre direta e inteligente, ao levantar uma sobrancelha para mim enquanto seu cérebro potente trabalhava.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim.

E não falamos mais no assunto, fazendo minha afeição por ela aumentar ainda mais. Mione era apenas inteligente o bastante para saber que eu não mudaria de tratamento com Malfoy por nada, e me conhecia o suficiente para não tentar arrancar isso de mim. Eu tinha meus motivos, ela sabia, e eles deviam ser bons, pois a menina tinha confiança em meu julgamento. Aquele pequeno gesto foi o bastante para outra tonelada sair de cima de mim ao aprender outra lição sobre a irritante amizade: confiar uns nos outros.

Também, não vamos exagerar, não era como se eu e Draco estivéssemos saltitando de mãos dadas por aí. Na verdade, a única grande mudança que havia acontecido no dia a dia era que agora o menino se sentava no meio de nosso grupo às refeições, trazendo Zabini (muito feliz), Nott, Crabbe e Goyle consigo. Também conversávamos com mais frequência, e me surpreendi com a curiosidade dele. Malfoy era inteligente. Tinha um pensamento rápido, um olho observador e uma memória boa. Com tudo isso era uma surpresa que não competisse comigo e com Granger como melhor do ano. Seu erro fatal era a preguiça: enrolava tanto que, quando finalmente fazia os trabalhos, não entregava nem metade do que poderia. Estudos, então? Sempre deixava para depois, na firme convicção que teria tempo, até não ter.

Quando finalmente a semana de provas começou, tive pena dos que não estudaram o suficiente ou que tinham problemas de nervosismo, pois com certeza o calor nas salas de exames escritos não seria de ajuda para concentração. Todos, sem exceção, haviam recebido penas novinhas em folha encantadas com feitiço anticola, o que me deixou muito tentada a colar apenas para descobrir o que aconteceria. Será que ela explodiria na minha mão? Ou rabiscaria toda minha prova? Teria que tirar essa curiosidade em outro momento, um que não arruinasse meu histórico de Ótimo, de preferência.

A melhor parte para mim eram os exames práticos. Eram um terror para muita gente (estou olhando para vocês, Hopkins e Nott), pois ele dependia inteiramente do que você realmente podia fazer. Nada de decorar frases de livros, era hora de se mostrar. Diferente dos meus colegas, eu entrava nas salas quase saltitando, desesperada para mostrar aos professores como era boa e não havia nada no mundo que pagasse a sensação de ver a aprovação e satisfação no rosto dos professores: Flitwick me pediu para fazer um abacaxi sapatear na mesa, então conjurei uma gravata borboleta, um chapéu coco e uma bengala para tornar o número completo. Minerva observou enquanto eu transformava um camundongo em uma caixa de rapé, fazendo aparecer uma tão prateada que brilhava, com o símbolo da sonserina entalhado e orgulhoso, os detalhes verde esmeralda fazendo-a piscar. Severo até tentou intimidar, farejando no meu cangote, mas fui a primeira a terminar sua poção do esquecimento.

— Não acha que terminou rápido demais, Lewis?

— Venha aqui e comprove se acha que fiz besteira, professor, mas é melhor anotar sua data de aniversário em algum lugar antes.

Um outro exame pratico que deixou bastante gente nervosa (pobre Granger e Neville) foi o de voo. Antes de nos liberar como bruxos minimante capazes de se segurar em uma vassoura, Madame Hooch queria que jogássemos uma pseudo-partida de Quadribol. Ela sequer liberou o pomo ou a goles. Apenas queria que montássemos na vassoura e ficássemos no ar, sem ser parados, por alguns minutos... há pouco mais de vinte metros de altura. Nesse tempo, você podia fazer basicamente o que quisesse – desde que montado em uma vassoura e sem derrubar outra pessoa, com a pena humilhante de, no ano que vem, voltar a ter aulas de voo no meio dos primeiranistas.

Mesmo que alguns tenham permanecido tímidos e controlados em suas vassouras, indo apenas de um canto ao outro de forma calma como Mione e Longbottom, e outros tenham gastado seu tempo tentando fingir que não estavam tentando se matar, como Malfoy e Weasley, eu estava no grupo dos que aproveitaram a aula livre e estavam felizes em se exibirem, mesmo que com aquelas vassouras horríveis da escola – depois de subir em uma Nimbus 2000, montar aquelas coisas era quase uma tortura, mas mesmo assim fiz giros, mergulhos e voltas o bastante para terminar o teste descabelada e sorrindo.

A descontração, porém, nem daquele momento e nem de outros, era compartilhada por Potter. Depois de dois dias vendo-o levar a mão à cicatriz na testa e a apertar como se quisesse arranca-la, entrei na sua mente o bastante para sentir enjoo. Não que a dor fosse estranha para mim, ah, não mesmo, mas aquilo... o latejar dilacerador que vinha da cicatriz do menino me fez levar ao coração apenas para me certificar que ele ainda batia. Fui obrigada a puxar Harry para um canto e perguntar qual a bosta do motivo dele estar sofrendo tanto tempo em silêncio. Apesar de momentaneamente contrariado, o menino não ficou surpreso ao me ter em sua cabeça, seu bom coração o dizendo que eu havia feito em nome da preocupação.

— Ela já doeu antes, não é nada demais.

— Desse jeito? Com essa intensidade e frequência?

A falta de resposta dele era tudo que eu precisava para enfiar em sua mão um dos frascos de poção para dor de cabeça de Hermione. Eu os usava cada vez menos, me acostumando com as pancadas, minha mente se calejando, mas ainda os mantinha à mão para o momento em que Snape decidisse avançar para outro nível de insistência, mostrando com mais clareza suas habilidades. Potter aceitou a poção com relutância, mas ele não me conhecia. Fiquei em pé, na frente dele, até que tomasse tudo de uma vez e só então deixei que o garoto seguisse a própria vida.

Ainda me indignava o fato de Ronald e Hermione ligarem tão pouco para o que o amigo tinha lhes dito, mas Potter era mais compreensivo do que eu. A figura de Voldemort os assustava, ele sabia, como o vilão de alguma história infantil, como o monstro de uma mitologia sombria. Eu só achava que eles deviam se lembrar que, para Harry, esse monstro era bem real e muito próximo: havia atingido sua vida diretamente de tantas formas que sua presença era notável. Sempre muito gentil e com um coração bom, o menino da cicatriz não se ressentia pela obvia falta de tato de seus melhores amigos. Eu, por outro lado, não era assim tão nobre e tinha vontade de empurrá-los em direção a lula gigante do lago algumas vezes.

Na sexta feira, o último exame foi de História da Magia. Era o exame teórico mais temido, pois estudar para sua matéria era difícil por natureza tendo o professor que tinha. Quase ninguém conseguia se focar em Binns e, graças a isso, até mesmo estudar por conta própria era um obstáculo: sequer sabiam por onde começar. Era claro que eu não tive nenhuma dificuldade, na verdade, fiquei até mesmo decepcionada. O teste era ridiculamente simples e curto, pedindo apenas que você não fosse um trasgo ao se lembrar das sociedades magicas antigas e seus itens de relevância. Porém, estavam todos muito ansiosos para que tudo terminasse, o bastante para a sala explodir em vivas dos retraídos sonserinos quando o teste acabou.

Era verão, então fomos todos para fora. Uma vez lá, meus olhos pararam imediatamente no trio sentado debaixo da sombra de uma arvore na beira do lago e meus pés me levaram até eles, sem me despedir de meus colegas de casa. Nenhum deles tentou me impedir ou reclamou – já estavam acostumados com o fato de, pelo visto, Malorie Lewis fazia o que queria, doa a quem doesse.

— ... E Neville vai jogar Quadribol na equipe da Inglaterra antes que Hagrid traia Dumbledore — peguei o final do discurso de Weasley, o que me fez arquear uma sobrancelha pela comparação estranha, mas justa.

O Weasley não me respondeu, preferindo me olhar com a cara fechada. O garoto ainda não havia me perdoado completamente por estar "amiguinha daquele nojento", como ele mesmo colocou. Eu não poderia ligar menos, pois não havia nada que ele fizesse que poderia influenciar na minha vida, principalmente seus bicos. Se Mione e Harry não tivessem me entendido com tanta "facilidade", tenho certeza que o garoto não estaria sequer falando comigo.

— É o Harry — Hermione respondeu por ele, olhando-o com uma cara de poucos amigos que foi devidamente ignorada. — Ele continua insistindo naquela história de Você-Sabe-Quem voltando ao poder a qualquer minuto sendo que Fofo ainda está no terceiro andar e Snape, depois da primeira vez, não deve tentar de novo tão cedo.

— Não é uma história, Mione — Potter estava um pouco magoado. — É minha cicatriz, ela nunca doeu assim... não estou doente, já disse. Eu acho que é um presságio, está me dizendo que algo ruim vai acontecer, algo muito ruim.

— Isso são os exames — minha amiga insistiu, fazendo com que a indignação crescesse no garoto. — Acordei a noite passada e já tinha lido metade dos meus apontamentos sobre Transfiguração quando me lembrei que já tínhamos feito a prova.

Potter tinha certeza absoluta que aquela dor não tinha nada a ver com estudos e ficou mais do que aliviado ao encontrar meus olhos e ver que pelo menos alguém o estava levando a sério. Na verdade, acho que esse era um dos motivos do menino não ter se concentrado na raiva quando me viu ao lado de Draco – no momento, eu era a única do lado dele e seria demais perder sua fonte de certeza de que não estava louco. Os olhos dele se perderam ao longe por uns segundos antes de sua mente começar a gritar, trabalhando com tanta rapidez que virei meu pescoço para encara-lo de frente.

— Harry...

Mas ele já se tinha posto de pé em um salto, branco como um cadáver e com os olhos brilhando de tanta energia. Senti minha pele arder outra vez ao me aprofundar naqueles pensamentos, acompanhando seu raciocínio salto por salto, amaldiçoando o álcool com todas as forças.

— Onde é que você está indo? — Rony perguntou, bastante sonolento e preguiçoso de seu lugar. Se não estivesse tão concentrada, teria lhe dado um chute.

— Acabei de me lembrar de uma coisa — e ele me olhou outra vez, muito ciente da minha presença em sua mente. Talvez tivesse esperanças de que estava inventando coisas, que a dor estivesse fazendo com que ele distorcesse os fatos, mas não tinha. Na minha mente clara, apenas balancei a cabeça em concordância e observei seu rosto ficar lívido e então endurecer. — Temos que ver Rúbeo agora.

Notas finais
Então, gostaram? ♥ Deixem nos comentários, adoro falar com vocês ♥ ♥ LEMBRANDO que eu estou respondendo os comentários do cap 25 ♥ Malfeito, feito! ♥