Coroas e destinos
10 Véus, Fugas e Rendições
A noite caíra pesada sobre as torres do palácio de Forks. Os últimos ecos da grande festa de casamento dissipavam-se pelos corredores, dando lugar a uma penumbra silenciosa e envolvente. O destino dos dois casais, selado perante a corte e os bispos, agora marchava em direção às suas respetivas câmaras reais — contudo, a atmosfera que reinava em cada uma delas não poderia ser mais oposta.
No ala leste do castelo, os aposentos do Príncipe Taylor e da Princesa Carlie estavam suavemente iluminados pelo crepitar da lareira e por dezenas de pequenas velas perfumadas com óleo de jasmim. Pétalas de rosas brancas cobriam o tapete de veludo e a imensa cama de dossel trajada em lençóis de seda marfim.
Carlie estava parada perto da janela que dava para os jardins de inverno, ainda com a túnica leve do vestido de noiva. As suas mãos tremiam ligeiramente, não por medo, mas pela doce expetativa que lhe acelerava o peito.
Taylor fechou a pesada porta de carvalho com tranquilidade, trancando-a com um clique suave. Ele tirou o casaco de gala bordado, deixando-o sobre uma cadeira, e caminhou lentamente até à esposa. A sua presença transmitia uma segurança absoluta.
— Está nervosa, minha princesa? — perguntou Taylor com a voz baixa, aveludada e profunda, parando a poucos centímetros de distância.
Carlie virou-se devagar, erguendo os olhos luminosos para ele. Um leve rubor cobriu-lhe as bochechas.
— Um pouco... — confessou ela, num sussurro sincero. — Tudo mudou tão depressa, Taylor. Mas quando olho para você, todo o meu receio simplesmente desaparece.
Taylor sorriu com uma devoção que lhe iluminou o rosto. Estendeu a mão e, com uma delicadeza quase religiosa, tocou o rosto de Carlie, acariciando-lhe a pele macia com o polegar.
— Não há nada neste mundo que possa nos apressar, Carlie — declarou o príncipe, desfazendo com cuidado o nó do toucado de pérolas que prendia os caracóis loiros da esposa, deixando os cabelos dela caírem em cascata sobre os ombros. — Esta noite pertence-nos. Eu sou seu, completamente seu, e o meu único desejo é fazê-la a mulher mais feliz e amada de todas as terras.
Carlie assentiu, o coração aquecido pela sinceridade dele. Ela deu um passo à frente, encurtando a distância entre os dois e apoiando as mãos no peito largo de Taylor.
— Eu pertenço a você, Taylor — disse Carlie, a voz carregada de uma entrega pura e apaixonada. — Desde o instante em que nos vimos naquele salão, o meu coração soube que a minha vida começaria ao seu lado.
Taylor envolveu a cintura de Carlie com os braços fortes, puxando-a para si num abraço morno e protetor. Ele inclinou-se e selou os lábios dela num beijo suave, profundo e repleto de paixão contida. Carlie fechou os olhos, entregando-se ao calor do toque, sentindo o mundo lá fora desaparecer enquanto se perdia nos braços do seu príncipe. Naquela noite, entre carícias ternas e promessas murmuradas ao pé da orelha, a união de Carlie e Taylor consumou-se em pura harmonia, selando um amor perfeito e inabalável.
Enquanto o romance florescia na ala leste, na ala oeste do castelo a situação era de verdadeira estratégia militar.
Os aposentos destinados ao Rei Jacob e à Princesa Renesmee eram os maiores da comitiva real, dotados de uma antecâmara de estar, uma lareira monumental, uma varanda de pedra e o quarto principal. No entanto, o cenário parecia mais um campo de batalha do que um refúgio nupcial.
Jacob entrou no quarto com uma taça de vinho na mão, pronto para finalmente desfrutar da sua noite de rei. Contudo, ao dar o primeiro passo, deparou-se com uma barreira improvisada: duas pesadas poltronas de couro, uma mesa de centro de carvalho e um biombo de madeira trabalhada haviam sido empilhados bem no meio da passagem, bloqueando o acesso à grande cama de casal.
Atrás da barricada, vestida com uma túnica de noite de seda encorpada e segurando um candelabro pesado de bronze como se fosse uma clava de guerra, estava a Princesa Renesmee.
— Nem mais um passo, Vossa Majestade! — ordenou Renesmee, a voz firme e os olhos faiscando. — A fronteira da ala oeste está oficialmente fechada para o Reino de La Push!
Jacob estancou, piscou duas vezes para a barricada e depois olhou para a esposa. Uma gargalhada baixa e profunda escapou-lhe do peito.
— Por todas as coroas de Forks... — riu Jacob, colocando a taça de vinho sobre uma mesa lateral. — Você construiu uma muralha no meio do nosso quarto de núpcias, Renesmee?
— Construí uma linha de defesa! — corrigiu ela, erguendo mais o candelabro. — O facto de o arcebispo ter colocado um anel no meu dedo não significa que você tenha livre acesso aos meus aposentos!
— "Nossos" aposentos, minha cara rainha — provocou Jacob, dando um passo em direção à pilha de móveis e cruzando os braços com um sorriso descarado. — Nós casámos hoje. A corte inteira espera que a nossa união seja consumada, e você está aqui armada com um castiçal de bronze!
— A corte que espere sentada! — rebateu a princesa, contornando a barricada e recuando para perto da varanda. — Eu avisei que você se arrependeria de ter assinado aquele tratado. O seu lugar esta noite é no divã da antecâmara, e é lá que você vai dormir!
Jacob deu uma risada de canto, sentindo o sangue pulsar de puro divertimento. Ele adorava a garra dela.
— Um rei não dorme no divã das visitas, Renesmee — disse ele, começando a contornar a pilha de poltronas com passos lentos e calculados de caçador. — Especialmente quando tem uma esposa tão linda do outro lado do salão.
— Fique onde está, Jacob! — advertiu ela, apontando-lhe o dedo.
Quando Jacob deu mais um passo decisivo, Renesmee não hesitou: agarrou numa das almofadas de veludo do sofá e atirou-a com força certeira contra a cara dele. Jacob esquivou-se no último segundo, mas Renesmee já estava em movimento. Ela correu em direção à porta da antecâmara para tentar trancá-lo do lado de fora.
— Ah, não vai fugir não! — gritou Jacob, disparando atrás dela com a agilidade de um felino.
Renesmee agarrou na maçaneta de bronze da porta dupla, mas antes que pudesse girá-la, Jacob envolveu-lhe a cintura por trás, erguendo-a do chão num movimento rápido.
— Largue-me, seu selvagem de La Push! — esbravejou ela, rindo e protestando ao mesmo tempo, debatendo as pernas no ar enquanto tentava soltar-se. — Isso é uma violação da etiqueta real!
— A etiqueta ficou no Salão dos Banquetes, Princesa! — respondeu Jacob, girando-a nos braços e prendendo-a suavemente contra a porta de madeira, mantendo os braços bloqueando as saídas de ambos os lados.
Renesmee encostou a espinha à porta, arfando pelo esforço da corrida. Os seus cabelos acobreados estavam desalinhados, caindo em ondas selvagens sobre os ombros, e as suas bochechas estavam coradas pelo calor do confronto. Ela ergueu o queixo, encarando-o com todo o orgulho dos Cullen, mas quando os seus olhos encontraram os dele, o sorriso provocador de Jacob tinha uma intensidade tão quente e magnética que fez o ar faltar nos pulmões da jovem.
Jacob aproximou-se devagar, o olhar descendo para os lábios dela e voltando para os seus olhos.
— Você pode atirar almofadas, criar barricadas e inventar mil fugas, Renesmee... — sussurrou Jacob, a voz caindo para um tom rouco, íntimo e arrebatador. — Mas nunca vai conseguir fugir do facto de que fomos feitos um para o outro. Eu vi o jeito que você me beijou no altar. Você não me odeia.
— Eu... eu apenas estava a cumprir o protocolo — mentiu ela, a voz fraquejando ligeiramente pela primeira vez, sentindo o calor do corpo dele a cobrir o seu.
— Mentirosa — provocou Jacob com doçura, tocando-lhe o queixo com os dedos e erguendo o rosto dela. — Você adora essa guerra tanto quanto eu. Mas esta noite, minha rainha... eu não quero lutar.
Renesmee segurou no braço dele, pronta para desferir mais uma alfinetada, mas ao sentir a firmeza e o carinho com que ele a segurava, a sua armadura defensiva começou a ruir.
— Você é insuportável, Jacob Black — murmurou ela, embora o tom fosse agora um desarmado e doce render de guarda.
— E você é a mulher mais incrível que já pisou nesta terra — respondeu ele, inclinando-se e selando os lábios dela num beijo lento, ardente e avassalador.
Desta vez, Renesmee não recuou, não protestou e não tentou fugir. A paixão represada sob a fachada de farpas e provocações explodiu entre os dois. As mãos de Renesmee subiram até ao pescoço de Jacob, puxando-o para si, enquanto o rei a segurava nos braços, levando-a finalmente para além da barricada que ela própria havia construído.
A noite de núpcias da Casa Cullen e da Dinastia Black terminou não com guerras ou divisões, mas com duas coroas unidas pelo amor e pela paixão, marcando o início de uma nova e lendária era para ambos os reinos.
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