Coroas e destinos

18 O Baile da Maré Alta e a Tempestade de Açúcar



​O Salão do Sol Nascente resplandecia sob o brilho de centenas de tochas flutuantes e archotes ornamentados com conchas e madrepérola. O Baile da Maré Alta era a festividade mais radiante do litoral, e o ar estava impregnado com o perfume de jasmim, maresia e as notas harmoniosas dos alaúdes, harpas e tambores de pau-brasil.

​No centro do salão, a nobreza e o povo misturavam-se numa dança vibrante. No entanto, todas as atenções convergiam para o casal soberano que dominava a pista.

​Jacob e Renesmee moviam-se com uma sintonia impressionante. Ela trajava um vestido de seda azul-marinho que fluía como as ondas do oceano a cada giro, coroada com uma tiara de pérolas negras. Jacob, impecável num casaco de veludo escuro bordado a fios de prata, mantinha a mão firme na cintura da esposa, conduzindo-a pela dança com um sorriso apaixonado e triunfante.

​— Se me permite a observação, Vossa Majestade — provocou Jacob, inclinando-se até que os seus lábios quase roçassem a orelha dela —, a senhora dança com uma graciosidade perigosa. Quase me faz esquecer que passou a manhã a ameaçar metade dos nobres do sul.

​Renesmee soltou uma risada melodiosa, enredando os dedos na nuca dele enquanto giravam sob o olhar da corte.

​— Alguém precisa de manter a disciplina neste reino, Jacob Black — respondeu ela, os olhos faiscando de afeto e malícia. — E, pelo que vejo, o meu rei parece bastante satisfeito em ser governado por mim.

​— Totalmente dominado, minha rainha — confessou ele com voz rouca e sincera, puxando-a para mais perto e selando um beijo rápido e ardente nos seus lábios em pleno centro da pista, arrancando vítores do povo.

​Ao lado da pista, o restante da comitiva real observava a cena com evidente alegria.

​O Príncipe Taylor conduzia a Princesa Carlie numa valsa suave e graciosa. Carlie, num vestido lilás-suave, encostava a cabeça no peito do marido com um sorriso radiante.

​— Veja só, Taylor — murmurou Carlie, admirando o casal soberano. — Olhe para a Renesmee e o Jacob. Nunca vi a minha irmã tão feliz... Nem o seu irmão tão completamente apaixonado.

​— A tempestade finalmente encontrou o seu porto, meu amor — respondeu Taylor com doçura, beijando-lhe a testa. — E eu encontrei a minha paz ao seu lado.

​Perto do grande banquete, a folia era comandada pelos cavaleiros e anciãos. Lorde Paul Lahote empunhava uma enorme coxa de javali assado enquanto discutia animadamente com Lorde Quil Ateara e Lorde Embry Call.

​— Eu aposto três moedas de ouro que o Jacob cai aos pés dela antes do fim da noite! — troçou Paul, dando uma gargalhada ruidosa.

​— Perdeste a aposta, Paul! — atalhou Lady Rachel Black, dando um beliscão carinhoso no marido e servindo-se de uma taça de hidromel. — O Jacob já caiu aos pés da Renesmee no dia em que ela o jogou na lama! Ele só demorou a admitir!

​Mais ao lado, Lorde Sam Uley e Lady Emily Young conversavam pacificamente com o antigo Rei Billy Black e a Rainha-Mãe Sarah, enquanto Sir Seth Clearwaters e a destemida Lady Leah dividiam uma travessa de tortas de marisco.

​— Admite, Leah — provocou Seth com o bico do garfo —, até tu estás a achar este baile inesquecível!

​— Apenas porque o vinho de amoras está excelente, Seth — respondeu Leah, cruzando os braços com um meio-sorriso. — Mas devo admitir... ver a cara daquela Duquesa Genevieve emburrada no canto da sala vale cada segundo desta festa.

​De facto, num dos patamares superiores da galeria, a Duquesa Genevieve e o Lorde Silas observavam a celebração na penumbra. Genevieve apertava o copo de cristal até os nós dos dedos ficarem brancos, ao ver Jacob erguer a taça e fazer um brinde público a Renesmee diante de todo o reino.

​— Aproveitem cada segundo dessa felicidade de vidro... — sibilou Silas nas sombras da galeria, ajustando o pergaminho falso sob o manto. — Pois quando a lua atingir o topo do céu, a armadilha estará selada.

​Alheios à sombra que os espreitava, Jacob e Renesmee escaparam discretamente da pista de dança, refugiando-se na grande varanda de pedra que dava para o oceano. A brisa da noite era morna e o som das ondas trazia uma calma hipnotizante.

​Jacob envolveu Renesmee por trás, abraçando-a pela cintura e apoiando o queixo no seu ombro.

​— Cansada, minha rainha? — perguntou ele suavemente.

​— Nem um pouco — respondeu ela, recostando-se no peito largo dele e entrelaçando os seus dedos nos dele. — Eu nunca imaginei que vir para La Push me traria algo assim, Jacob. Deixei o meu lar com medo e raiva... mas hoje, olhe para nós.

​Jacob virou-a devagar nos seus braços, encarando os olhos acobreados e brilhantes da esposa sob a luz da lua.

​— Eu prometo a você, Renesmee — disse Jacob, a voz profunda carregada de uma devoção inabalável —, por cada estrela no céu e por cada gota de água deste mar: enquanto eu respirar, este reino será o seu lar, o meu peito será o seu escudo e o meu coração será inteiramente seu. Eu amo você.

​Renesmee sentiu os olhos marejarem de pura emoção. Ela ergueu a mão, acariciando a pele quente do rosto dele com imenso carinho.

​— E eu amo você, meu rei selvagem — sussurrou ela. — Para sempre.

​Eles uniram os lábios num beijo profundo, lento e repleto de juras puras de amor, envolvidos pelo calor do momento e pela certeza de uma união inquebrável — sem imaginar que, a poucos metros dali, nos seus próprios aposentos, o veneno da conspiração acabara de ser plantado sobre a mesa de carvalho.