Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo
4 Entre Luzes, Valsas e Farpas de Prata
O Salão de Festas do Palácio de La Push resplandecia sob a luz de centenas de lustres de cristal. Guirlandas de rosas brancas e folhagens de esmeralda decoravam os arcos de pedra, enquanto a orquestra real preenchia o ar com melodias suaves. Nobres, generais e duques de toda a península conversavam animadamente, ajustando suas capas e vestimentas finas.
No topo da grande escadaria de mármore, as portas duplas se abriram, e o murmúrio do salão cessou instantaneamente.
A Princesa Jaqueline surgiu como uma verdadeira visão Real. Seu vestido de veludo verde-esmeralda moldava-se com elegância suntuosa ao seu corpo, com detalhes em bordado de ouro subindo pelas mangas longas até a gola delicada. Seus longos cabelos acobreados caíam em ondas impecáveis sobre os ombros, e a tiara de pérolas refletia a luz dos candelabros. Mas o que mais chamava a atenção era o seu olhar: firme, altivo e perigosamente belo.
Ao pé da escada, o Rei Jacob, trajando sua túnica real com o brasão do canino entalhado em ouro, estendeu a mão com o rosto radiante de orgulho paterno.
— Minha menininha virou uma mulher — disse Jacob, a voz embargada enquanto a conduzia até o centro do salão para a tradicional dança de abertura. — O tempo voa mais rápido que os ventos do mar, Jaque.
— Não comece a chorar agora, papai, ou o senhor vai estragar a sua reputação de Rei temido — debochou Jaqueline com carinho, apoiando a mão no ombro do pai enquanto a orquestra iniciava uma valsa majestosa.
Eles deslizaram pelo salão sob os aplausos da nobreza. Em seguida, Jacob a entregou com uma reverência ao Tio Taylor, que a girou com entusiasmo e risadas altas, preenchendo o ar com o calor da família. Logo depois, foi a vez de seu avô, o Rei Edward, conduzi-la com a graciosidade e elegância incomparáveis do sangue ancestral.
— Você está deslumbrante, minha neta — elogiou Edward com um sorriso calmo. — E possui a mesma chama rebelde que sua mãe tinha na sua idade.
— Uma chama necessária para não ser pisoteada pelos nobres chatos desta corte, vovô — respondeu Jaqueline, dando um sorriso irônico.
Quando os últimos acordes da valsa de Edward se dissiparam, o silêncio caiu por um segundo sobre a pista de dança.
Uma figura alta e imponente deu um passo à frente, saindo das sombras dos arcos laterais. Bernardo, usando o uniforme militar de gala azul-noite com dragonas de prata e uma capa sobre o ombro esquerdo, caminhou em direção a ela. O jovem Duque parecia esculpido em pedra: os ombros largos, a mandíbula bem marcada pela barba por fazer e os olhos cinzentos faiscando de intensidade.
A respiração de Jaqueline falhou por uma fração de segundo. Ele havia mudado. Aquele não era mais o garoto magricela e provocador que partira para a Itália; era um homem de presença esmagadora. Contudo, seu orgulho falou mais alto, e ela ergueu o queixo instantaneamente.
— Permite-me esta dança, Vossa Alteza? — curvou-se Bernardo, a voz grave e rouca ressoando mais profunda do que ela se lembrava.
— Se eu disser que não, o senhor vai embora para a Itália de novo? — rebateu Jaqueline, com o tom carregado de deboche, embora aceitasse a mão dele.
No momento em que os dedos de Bernardo envolveram a mão de Jaqueline e a outra mão dele pousou com firmeza na cintura dela, uma descarga elétrica pareceu cruzar o espaço entre os dois. A orquestra iniciou uma valsa rápida e intensa.
eles deslizaram pelo mármore com uma sintonia perfeita e quase violenta. Bernardo a conduzia com domínio absoluto, girando-a com facilidade enquanto seus olhos não saíam dos dela.
— Vejo que o seu temperamento continua adoravelmente insuportável, priminha — provocou Bernardo no ouvido dela, com um sorriso de canto provocante. — Esperava que dezoito anos trancada num palácio calmo lhe trouxessem um pouco de doçura.
— E eu esperava que três anos no exército fizessem você aprender boas maneiras, mas vejo que o 'Duque Devasso' só aprendeu a usar túnicas mais caramente costuradas — devolveu Jaqueline, os olhos verdes faiscando enquanto o encarava bem de perto. — Fiquei sabendo que metade dos bordéis de Florença chorou a sua partida.
Bernardo soltou uma risada baixa, um som vibrante que fez o peito dele encostar no dela durante um giro mais ousado da valsa.
— Não acredite em tudo o que os mensageiros fofoqueiros dizem, Jaque. Mas admito... nenhuma italiana tinha o seu talento para tentar me matar com o olhar. Senti saudades desse seu fogo.
— Pois continue sentindo, Bernardo. Porque este fogo aqui vai queimar a sua mão se você tentar chegar perto demais — disparou ela, dando um sorriso debochado enquanto ele a inclinava para trás num movimento final e perfeitamente executado da dança.
O salão explodiu em aplausos entusiasmados. Vistos de fora, os dois formavam o casal mais belo e radiante que La Push já testemunhara: a força imponente do Duque e a beleza altiva da Princesa.
No patamar superior, observando a cena de camarote, a Rainha Renesmee franziu levemente as sobrancelhas, inclinando-se para a Rainha Carlie.
— Carlie... você viu a forma como eles se olhavam durante aquela valsa? — perguntou Renesmee, a voz carregada de uma desconfiança protetora. — Isso passa muito longe de ser apenas uma rivalidade de primos. Há algo... perigosamente intenso ali.
Carlie deu uma risadinha cúmplice, tomando um gole de sua taça de cristal.
— Ah, querida, eu notei isso desde o dia em que o Bernardo partiu. Eles acham que estão se destruindo com farpas, mas aquilo é pura atração disfarçada de orgulho. Dois vulcões prestes a explodir.
Antes que Renesmee pudesse responder, o Rei Edward caminhou até o centro da plataforma de honra e ergueu sua taça de ouro, pedindo a atenção de todos os convidados.
— Nobres de La Push e reinos aliados! — a voz de Edward ressoou com majestade pelo salão. — Hoje celebramos os dezoito anos da nossa Princesa Jaqueline. Uma jovem que carrega no sangue a força dos nossos ancestrais e a sabedoria da nossa terra. Que o seu caminho seja abençoado com coragem e honra!
O ancião Billy Black, assentado em sua cadeira de honra com o manto dos chefes, ergueu o seu cajado esculpido:
— Que os espíritos dos grandes lobos protejam a nossa neta e que a sua voz continue forte e justa como a brisa do oceano! À Princesa Jaqueline!
— À Princesa! — ecoou o salão em uníssono.
Jacob deu um passo à frente, abraçando Renesmee pela cintura enquanto olhava para a filha com os olhos marejados de emoção, apesar do sorriso largo.
— Filha — disse Jacob, a voz embargada —, você é o maior orgulho da minha vida. Que você nunca perca essa sua força, a sua teimosia e a sua capacidade de transformar este palácio num lugar cheio de vida. Nós te amamos mais do que as palavras podem dizer.
— Feliz aniversário, minha vida — completou Renesmee, com lágrimas de felicidade brilhando nas bochechas ao bradar a taça para a filha.
Jaqueline sorriu, emocionada com as palavras da família. Mas ao erguer os olhos no meio da multidão que brindava, encontrou o olhar firme de Bernardo do outro lado do salão. Ele ergueu a taça em sua direção, dando um último sorriso lento, desafiador e repleto de intenções veladas que prometiam que a noite dos seus dezoito anos estava apenas começando.
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