Coroas de Ferro e Veludo
2 Sussurros e Sedução
Enquanto as velas de cera de abelha queimavam silenciosamente em seus suportes de bronze, a mansão de Elowen Styles exalava um perfume de jasmim e sândalo. Diferente da frieza das salas de trono, aquele lugar era um santuário de prazer e segredos.
Elowen estava sentada diante de um espelho de prata, penteando seus cabelos escuros, quando um de seus mensageiros de confiança entrou discretamente, entregando-lhe um pergaminho selado com o brasão real de Valerius.
Ela rompeu o lacre e leu as palavras rápidas e autoritárias de Richard:
"Prepare a casa. Traga o melhor vinho e as melhores sedas. Amanhã à noite, você receberá o Rei de Aethelgard. Dhorwack é um homem de apetites exigentes e tédio profundo. Quero que ele conheça a verdadeira joia da minha capital. E essa joia, como bem sabemos, é você."
Um sorriso enigmático brincou nos lábios de Elowen. Ela dobrou o papel e o aproximou da chama de uma vela, observando as bordas escurecerem até virarem cinzas.
— Um Rei entediado... — murmurou ela para o próprio reflexo. — São os meus favoritos. Eles sempre têm muito a entregar quando finalmente encontram algo que os faça sentir vivos.
O Banquete Real
No salão principal do castelo, a música das harpas tentava, sem sucesso, preencher o abismo de silêncio entre Richard e Catarina. Dhorwack observava a cena enquanto girava uma taça de vinho entre os dedos. A opulência de Valerius era inegável, mas a tensão era quase palpável.
— Você governa um jardim de pedras, Richard — comentou Dhorwack em voz baixa, inclinando-se para o irmão enquanto Catarina conversava com uma dama de companhia. — A comida é excelente, mas o clima... sinto que posso cortar o ar com uma adaga.
Richard soltou um suspiro curto, sem olhar para a esposa.
— Casamentos arranjados são contratos, não poemas, irmão. Catarina cumpre o papel dela, e eu o meu. Mas, como eu disse, a noite de amanhã será diferente. Já enviei a mensagem. Elowen está nos esperando.
Dhorwack arqueou uma sobrancelha.
— Você fala dessa mulher como se ela fosse uma divindade, não uma cortesã.
— Em Valerius, ela é as duas coisas — Richard sorriu de canto. — Ela é a única que não se curva perante a coroa com medo, mas com inteligência.
Encontros Inesperados
Enquanto os reis discutiam seus planos, Claire MacKenzie explorava a periferia do banquete. Ela detestava a rigidez da mesa principal e preferia observar as pessoas. Foi quando seus olhos encontraram um homem que parecia tão deslocado quanto ela, embora estivesse impecavelmente vestido.
Ele estava afastado, analisando um documento com uma expressão de concentração severa. Claire, com sua habitual audácia, aproximou-se.
— Analisando as finanças do reino em pleno banquete? Isso é dedicação ou apenas falta de uma companhia interessante? — perguntou ela.
O homem levantou o olhar. Seus olhos eram astutos e calmos. Ele fez uma reverência perfeita, mas sem a bajulação comum dos nobres.
— Provavelmente um pouco de ambos, princesa Claire — respondeu ele com uma voz firme e melodiosa. — Sou Gaspar Heraldrick, conselheiro real de seu irmão.
— Gaspar... o homem que mantém as engrenagens de Valerius girando enquanto os reis se perdem em taças de vinho — Claire sorriu, genuinamente intrigada. — Richard me falou que você é a mente mais afiada desta corte.
— Sua Majestade é generoso em suas palavras — Gaspar fechou o documento. — E você, se me permite dizer, é exatamente como as histórias contam: uma MacKenzie que não aceita o silêncio como resposta.
O olhar entre os dois durou um segundo a mais do que o protocolo exigia. Ali, entre o tilintar de talheres e a música suave, uma nova aliança — ou talvez um novo conflito — começava a ganhar forma.
Dhorwack, ao longe, observou a irmã conversando com o conselheiro e depois voltou sua atenção para Richard. O tédio estava começando a dar lugar a uma curiosidade perigosa. A noite seguinte prometia ser o divisor de águas de sua estadia em Valerius.
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