Coroas de Ferro e Veludo
4 O Peso da Coroa e a Leveza da Seda
O quarto de Elowen era um universo à parte, onde o tempo parecia curvar-se à vontade dela. Assim que a porta de carvalho pesado se fechou, o som abafado das risadas de Richard e Gaspar lá embaixo desapareceu, deixando apenas o estalar da lareira e a respiração pesada de dois estranhos que se reconheciam pelo desejo. Dhorwack, acostumado ao comando absoluto, sentiu uma estranha rendição quando Elowen se virou para ele. Ela não esperou por uma ordem; aproximou-se com a calma de quem domina o próprio território, levando as mãos ao fecho da pesada capa de Dhorwack.
— Aqui, o peso da sua coroa não entra — sussurrou ela, deixando o veludo cair no chão com um baque surdo.
Dhorwack a envolveu pela cintura, puxando-a para perto. O choque do corpo quente de Elowen contra o seu foi o primeiro golpe em sua armadura emocional. Ele a beijou com uma fome que vinha de meses de isolamento em seu próprio trono. Era um beijo intenso, com gosto de vinho e urgência, onde as línguas se buscavam em um duelo de descoberta. Elowen respondeu com a mesma força, suas unhas cravando-se levemente na nuca do rei, desmanchando a postura impecável que ele ostentava no banquete.
Enquanto se moviam em direção à cama de lençóis de seda escura, as roupas iam ficando pelo caminho, descartadas como futilidades. Dhorwack a admirou sob a luz bruxulante das chamas; ela era uma obra-prima de curvas e suavidade, mas seus olhos ainda mantinham aquele brilho de inteligência que o fascinara desde o primeiro momento. Ele a deitou com cuidado, mas a entrega foi selvagem. Seus lábios desceram pelo pescoço dela, marcando a pele clara com uma possessividade que ele nunca sentira antes. Elowen arqueava o corpo, soltando gemidos baixos que eram música para os ouvidos do rei, guiando as mãos dele com uma maestria que só uma mulher que conhece os segredos do prazer possui.
— Você é sempre assim, Majestade? — ela arquejou, enquanto ele explorava a curva de seus seios. — Tão decidido a conquistar tudo o que vê pela frente?
Dhorwack parou por um segundo, olhando-a profundamente nos olhos antes de se entregar novamente ao calor dela.
— Eu não vim para conquistar você, Elowen. Eu vim para me perder — respondeu ele, sua voz rouca de desejo.
O encontro foi uma coreografia de pele contra pele, um ritmo que começou lento e exploratório, cheio de toques suaves e descobertas silenciosas, para então crescer em uma intensidade avassaladora. Dhorwack sentia que cada fibra do seu ser estava desperta, livre das amarras da etiqueta e do dever. Quando finalmente se tornaram um só, o mundo lá fora, com seus reinos, guerras e casamentos arranjados, simplesmente deixou de existir. Havia apenas o som de suas respirações uníssonas, o calor compartilhado e a sensação de que, naquele quarto mergulhado na penumbra, um rei e uma cortesã haviam encontrado a única verdade que importava. A entrega foi total, um clímax que deixou ambos exaustos e preenchidos, selando um primeiro encontro que mudaria irremediavelmente o destino de Dhorwack MacKenzie.
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