Coroada - A Seleção Interativa

79 hm... como nomear este capítulo?


Notas iniciais
The struggle is real. Eu realmente não sei como nomear o capítulo. ATENÇÃO: este não é o capítulo final, mas sim o capítulo do anúncio/proposta de casamento. O próximo vai ser postado amanhã, dia 31/03, e o último sairá no Dia da Mentira. Antes que vocês leiam, eu tenho algumas coisinhas para dizer. Então, yup. Mesmo este não sendo o capítulo final, é como se fosse. Neste lindo capítulo aqui, nós temos a conclusão da saga Coroada. Nós descobrimos quem é a Coroada de Arthur e o amor de sua vida, com quem ele vai passar sua vida, quem é a mãe de seus filhos. E, sem vocês, minhas pequenas tortinhas, esse capítulo sequer pensaria em existir. Então eu queria agradecer à você, leitora de Coroada, que esteve aqui me acompanhando durante esses dois anos. Coroada foi um aprendizado muito importante para mim, e eu espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu. Me desculpem as vezes que fui negligente quanto às suas garotas ou qualquer coisa do tipo, e me perdoem por ter feito o que fiz, mas não tinha mais jeito. Eu amo toda e cada uma de vocês, e espero vê-las mais por aí. Ok, eu ia falar mais, mas são 23:59 e eu tenho de acordar cedo amanhã para tomar banho antes da aula. Aproveitem o capítulo! P.S: looks da Lou, Meri e Hannie no meu poly, ms-america. Chequem, elas tão está di-vi-nas.

Arthur ajeitou a gola de seu uniforme pela milésima vez naquele fim de tarde. Ele não conseguia decidir-se entre a ansiedade e o receio, mas tinha plena consciência de que ambos estavam sendo bastante expressivos dentro de sua cabeça. Quando ele se colocou em frente ao espelho para checar o caimento da roupa pela décima vez nos últimos vinte minutos, ouviu dois toques rápidos na porta.

Ele andou a passos rápidos e abriu-a. Do outro lado do batente, elegantes e bem-vestidos, estavam Louise e Anthony.

Ele mirou sua irmã mais velha primeiro. Desde que ela dera uma chance para Lucas e decidira que podia parar de se vestir como a rebelde que era, Louise tinha ficado muito mais bonita do que antes. Mais que isso, muito mais madura. Ela, que antes parecia uma gótica o tempo inteiro, se vertia como uma mulher digna do título de duquesa que ela receberia. O vestido degradê brilhante, que começava sem alças num tom de prata e terminava em um azul-marinho, combinado com as joias e sapatos por si só, já lhe garantiriam um ar de nobreza muito maior do que o normal. Mas Louise parecia realmente estar de bom-humor naquele dia: ela estava usando sua tiara favorita.

Anthony, por outro lado, usava uma roupa parecida até demais com a de Arthur. Seu uniforme branco com calças azuis era o traje de passeio da aeronáutica, força militar da qual ele fazia parte. O quepe, também branco com detalhes em azul, estava em suas mãos enluvadas. Ele portava algumas medalhas em seu peito esquerdo, e Arthur sabia que, até o final de seu tempo de serviço, ele com certeza ganharia mais.

Louise lhe lançou um sorriso acolhedor. "Hey. Você está bem?", a ruiva perguntou.

"Eu sei lá", Arthur respondeu, simplesmente, coçando sua nuca. "Era pra estar?"

Anthony levantou as sobrancelhas em descrença. "Você vai pedir uma menina em casamento."

"E rejeitar a outra em rede nacional", Arthur devolveu, pegando seu quepe onde o deixara, em cima da cama.

"Claro. Vamos focar no lado ruim das coisas", Louise interrompeu, irônica. "Pense positivo, Archie. Você vai fazer uma garota muito feliz hoje. Se tudo correr bem, ela vai retribuir isso de um jeito bastante satisfatório em menos de doze horas."

Anthony fez uma careta. "Você realmente não tem vergonha, né?"

Louise revirou os olhos, ignorando o loiro. "Está pronto? Vai se atrasar para seu próprio noivado."

"Estou. Só tenho de pegar uma coisa", o ruivo respondeu, antes de correr até seu closet e achar uma pequena caixinha azul-marinho em cima de sua gaveta de meias. Ele pegou ela e deslizou-a para o bolso do uniforme antes de sair novamente.

Andou com Louise e Anthony, entre os dois irmãos, até o Grande Salão. Vários conselheiros e nobres de toda a sorte estavam ali para o anúncio, então um lugar ainda maior que o estúdio se fez necessário. Sua mãe, pai, irmãos e irmãs se sentavam em tronos mais no fundo, não tão altivos quanto de costume no intuito de lhe conferir maior destaque. Ele pôde ver o resto de sua família na primeira fileira, animada e falante, e viu bem quando Austin lhe deu um aceno de boa sorte.

Na segunda fileira, as famílias de Alasca e Delancy esperavam ansiosamente. O contraste entre as duas era bastante peculiar. Enquanto os que ele achava que deviam ser os Young eram dois ruivos e altivos indivíduos; ele reconheceu os Lewis como os cinco morenos, três dos quais eram pequenas meninas maravilhadas, um garoto sério e pensativo e uma senhora de idade que conversava com a mãe de Austin, Kenna. O resto dos convidados, porém, ele não notou, uma vez que Dade chamou-lhe para repassar o roteiro.

Daí para frente, ele não poderia narrar muito. Sabia que Delancy e Alasca haviam entrado no palco, ambas majestosas, cada uma tomando um assento ao seu lado. Sabia que Dade explicara que, após o anúncio, uma ou duas semanas decorreriam antes do casamento e da coroação, que seriam televisionados. Sabia que seu pai havia dito algo sobre a grande responsabilidade que era aquela e sobre como, no meio de seu próprio anúncio, um ataque rebelde estourara. Mas, por mais que tentasse, não conseguia lembrar-se do que exatamente acontecera até o momento que Dade o chamou.

"E agora, Vossa Alteza, o Príncipe Arthur", ele ouviu o loiro dizer, e se deu conta que deveria ficar de pé. O microfone em sua bochecha soltou um estalo, o que significava que ele estava ligado. Era agora ou nunca.

"Durante os últimos quatro meses, minha vida foi virada de ponta-cabeça", ele começou, andando pelo palco. "Trinta e cinco meninas vieram morar em minha casa. E, embora eu não vá ser o que vai reclamar disso, não é fácil manter trinta e cinco garotas. Dá mais trabalho do que qualquer um gostaria de admitir", o ruivo continuou, até que parou no meio, onde o púlpito de seu pai ainda estava. "Dá muito trabalho. Pelo menos, até o momento em que você realiza que, na verdade, você só tem de manter uma. Mas, para dispensar trinta e quatro e manter uma, você precisa fazer uma escolha. Possivelmente a escolha mais difícil que você teria de fazer em toda sua vida", ele suspirou antes de voltar a andar, desta vez em direção às garotas. Ele havia passado aquele texto mil vezes, tentando torná-lo o mais mecanizado o possível, mas então ele reparou que não era para ser mecanizado. E, quando reparou isso, sua boca foi preenchida por uma sorriso que não poderia ser contido. Seu coração pulou uma batida quando ele levantou os olhos, que haviam estado no chão, e viu sua Rainha sentada ali. "Eu fiz a minha escolha. E essa escolha é você, senhorita..."

— & -

Ansiedade não lhe era uma coisa normal. Na verdade, na maior parte do tempo, ela era uma garota segura de si. Não tinha medos ou insuficiências, sabia cuidar de sua própria vida. Nos últimos meses, porém, ela sentia a situação escapando de seu controle como grãos de areia por entre seus dedos. Tinha controle quase nulo sobre suas alterações de humor, embora atribuísse isso aos hormônios. Seu coração parecia estar tentando aprender a dançar, e ele tentava mostrar seus melhores e mais rápidos passos sempre quando Arthur estava por perto.

Ela sentiu sua presença antes de, de fato, poder vê-lo. Como estava deitada em sua cama, encarando o teto, e o corredor já estava silencioso novamente depois da algazarra que as garotas haviam feito mais cedo naquela noite; pôde praticamente contar seus passos. Quando as batidas soaram em sua porta, ela se colocou de pé num só pulo e se olhou no espelho antes de abrir a porta, ajeitando seu cabelo para que não parecesse recém-saída de uma briga de gatos.

Ver Arthur atrás de sua porta foi uma das maiores alegrias de sua vida. Ela sabia que, se àquela hora, ele estava em seu quarto e não no da outra, era porquê ela era a vencedora.

Vencer. Havia muito ela não pensava na Seleção somente como um concurso. Era como se ela já fizesse parte de sua vida, só mais uma experiência pela qual ela passava. Ela riu desse pensamento, observando consigo mesma que nada nunca havia sido como a Seleção em toda a minha vida.

"Sei que está aí.", a voz de Arthur lhe arrancou de seus devaneios. "Vai me deixar entrar ou o quê?"

Ela revirou os olhos de leve e abriu a porta, sorridente. E lá estava ele, sozinho no corredor, as mãos atrás do tronco. Ela concluiu que a festa deveria ter sido só para as ex-Selecionadas, ela e a outra: nunca vira Arthur Schreave mais sóbrio. Ele parecia, assim como ela, receoso e ansioso. Como se o próximo passo dado, as próximas palavras ditas, pudessem mudar o curso da política internacional mundial.

Se bem que, nesse caso em específico, provavelmente mudaria.

Ela saiu da frente da porta e fez sinal para que ele entrasse. No momento em que Arthur entrou, ele começou a dar voltas dentro do quarto, o que a deixou mais ansiosa ainda. Ela sentou-se na cama, esperando que ele dissesse qualquer coisa.

Depois de algo como um minuto, então, ela perdeu a paciência. Nunca havia sido muito conhecida por sua calma, de qualquer maneira. "Tive a impressão que queria falar comigo, Alteza”, debochou.

Ele parou e sorriu para ela. Um sorriso meio de lado e muito ansioso, mas ainda assim um sorriso. Sentou-se no banco da penteadeira, posicionado de frente à ela. "Teve, senhorita?"

"Pois sim.", ela devolveu. "Caso contrário, uma outra Selecionada ansiosa provavelmente lhe espera dois corredores à esquerda.", brincou, então, mas doeu um pouco dizer aquilo. Mais uma vez, ela realizou que realmente queria vencer aquele concurso. Ser a esposa e Rainha de Arthur. Ser sua Coroada.

Ele pareceu notar a dor em seu rosto, pois abrandou a voz. "Só tenho interesse em conversar com ela após resolvermos nosso assunto pendente, senhorita."

Ela comprimiu os lábios para segurar um sorriso, tentando não cantar vitória antes de ter certeza do quê o príncipe estava para lhe dizer. Assentiu, então, e apoiou a face nas mãos numa postura atenta.

"Bom, por onde começar?", ele se perguntou, deixando o embrulho que tinha em mãos em sua perna e segurando as mãos dela. Os dedos do príncipe carinhosamente percorreram as hábeis mãos da Selecionada, e ela reprimiu um arrepio. "Me lembro, senhorita, do dia em que você me contou que o amor era uma maldição, um assassino. Talvez você não tenha percebido na hora, mas eu fiquei pasmo. Desde então eu tento, sem sucesso, definir o amor. Eu não sou Anthony para cantar o que ele é, ou Hannie para pintar o que ele é; então me vi sem opção. Eu não sou um artista, querida, mas acho que você já sabe disso.", ele fez uma pausa, sem lhe olhar nos olhos ainda. Seu olhar fora fixado em sua mão sem qualquer adorno, nem mesmo uma pintura na unha. "Então eu percebi que teria de falar para você. A oratória, graças a Deus, é um dom que me veio naturalmente; o que facilita o desafio. Mas eu também não sou filósofo para definir o amor em palavras. Não estou numa situação favorável para demonstrar isso no número de gestos que eu julgo necessários, então me parece que realmente vou ter de definir em palavras.", ele suspirou, e ela teria rido se não fosse a tensão. Onde Arthur queria chegar? "O amor é a melhor coisa da qual se pode se desfrutar. O amor é um sentimento que nos toma por inteiro, nos faz transbordar de calor, mas jamais é quente demais. Eu poderia dizer mais, mas são três da manhã e amanhã será um longo dia.", ele me fitou, então. "Eu poderia dizer que amor é o que sinto por você- mas não faria jus ao sentimento, nem de longe. Ultrapassa o amor, a paixão. Às vezes, eu quero te trancar numa caixinha para que ninguém mais possa te ter, só eu- mas sei como isso é egoísta, e com você mesma aprendi que o egoísmo é um grande pecado. E, ao mesmo tempo, quero te colocar sob holofote, para mostrar para o mundo que você é minha e só minha. Quero guardar esse sentimento tão grande e avassalador para mim, mas, ao mesmo tempo, gritar para o mundo que te amo. Porque não há palavras para definir, Delancy, o que eu sinto por você."

Delancy abriu um sorriso trêmulo. Nunca pensou que o excesso de alegria, de prazer, pudesse ser motivo para que não conseguisse sorrir direito. Em uma tentativa de mostrar-lhe o que sentia, então, fechou a distância entre os dois, sentando-se ao lado dele na escrivaninha. Seus narizes se tocavam, uma vez que os dois realmente estavam muito próximos, mas não era próximo o suficiente para Delancy. Sua necessidade de ter Arthur era tamanha que ela sentia que nunca conseguiria se sentir satisfeita. Arthur foi quem engoliu a distância entre os dois, selando os lábios de Delancy com os seus, seu nariz roçando a bochecha da garota. Antes que pudessem reparar, estavam ambos sem ar após um beijo digno do cinema hollywoodiano. A morena tentou formular uma frase, mas Arthur fez um sinal para que continuasse quieta. Ela obedeceu. Não havia nada melhor de ouvir do que suas doces palavras – a não ser, talvez, beijá-lo; mas ambos tinham a mesma fonte, de qualquer maneira.

“É difícil para mim, Delancy. São muitas responsabilidades com as quais lidar, uma rotina puxada, uma exposição constante. Não é exatamente a vida que toda garota deseja para si, embora vocês possam achar que é. Eu não conseguiria lhe forçar a fazer algo que não quer nem mesmo se eu quisesse muito – o que eu não quero – então entenda que eu não estou lhe dando uma ordem. Não, Dya, eu estou lhe pedindo. Suplicando-lhe, implorando-me, ajoelhado aos seus pés. Pedindo-lhe que me dê a honra de ser seu esposo”, ele pausou por um segundo antes de continuar. “Pedindo-lhe que me faça o homem mais feliz do mundo, por ter a melhor mulher dentre todas; que seja minha Rainha e companheira, que seja a mãe de meus filhos. Pedindo que me traga as tardes tranquilas e noites agitadas, os beijos e as brigas. Pedindo que me proporcione a alegria de ver uma criança com traços meus e seus, e as lembranças marcadas por documentos sujos de geleia e pasta de amendoim. Pedindo, Delancy, que você me ajude a construir minha própria família.”

Quando ele acabou de falar, lágrimas ameaçavam escorrer pelo rosto da selecionada. Ela nunca chorava, nunca mesmo, mas sua couraça dura e resistente havia sido jogada em algum poço fundo e escuro. Ela viu, então, que ele havia aberto a caixinha e lhe oferecia o anel. Delancy soluçou.

“Haverá, como você sabe, uma cerimônia formal amanhã no final da tarde. Lá, eu lhe perguntarei algo sério e, bem, formal”, Arthur continuou, segurando uma das mãos da garota. “Agora, porém, eu tenho uma pergunta um tanto quanto mais pessoal para lhe fazer, Delancy. E eu gostaria que você a respondesse com certeza e sinceridade.”

Ela assentiu de imediato, balbuciando um “O quê você quiser saber.” Arthur levantou sua face com a mão livre, olhando-a no fundo de suas pupilas claras, e perguntou; “Se eu disser que te amo, como você vai responder?”

Há dois meses, ela teria zombado dele por isso. Mas, há dois meses, amor era algo inviável para Delancy Lewis.

Como a Delancy de dois meses atrás era imatura.

“Eu te amo mais”, ela sorriu, e beijou Arthur antes de ele colocar o anel em seu dedo. Foi um beijo um tanto quanto salgado, por conta de suas lágrimas, mas ela não ligava. Ela não ligava para mais nada. “E não se engane, eu não vou te decepcionar. Prometo ser a melhor Rainha que você poderia desejar.”

Arthur sorriu também, sua testa contra a dela. “Rainha Delancy Lewis-Schreave de Illéa…”, ele brincou com as palavras, apreciando seu som enquanto as dizia. “É. Eu posso viver com isso.”