Notas iniciais
Nossa, a música não tem bulhufas a ver com o capítulo. Deus, a coisa tá feia de verdade. Maaas, é Lost Boy, da Ruth B, uma das minhas favoritas no momento. Hm, o capítulo tá meio pequeno, mas é isso mesmo. Eu já sabia que ele iria ser menor, então, yyup. Espero que gostem!

POV Aurora Petra Bocchi

Eu pude ouvir a música saindo da sala de música de longe, na quietude do Palácio, muito embora suas portas estivessem bem fechadas. Como era domingo e os corredores estavam terrivelmente vazios de qualquer maneira, andei até lá para ouvir melhor.

Percebi, então, que era um piano acompanhado de violão, indicando que duas pessoas estavam lá dentro. O piano tocava uma melodia meio complicada, de notas baixas, enquanto o violão era a adaptação daquelas notas para um instrumento de cordas. A voz fina mas forte que eu sabia pertencer à Louise começou a cantar.

"There was a time, I was alone, nowhere to go and no place to call home. My only friend was the man in the moon, and even sometimes he'd go away too", a princesa cantou, com certa tristeza que parecia ser própria da música. Eu não consegui reconhecer a melodia ou a letra, o que me fez concluir que aquela era uma composição de Anthony e Louise. Encostei meu ouvido na porta para ouvir melhor. Louise continuou cantando: “Then one night as I closed my eyes, I saw a shadow flying high. He came to me with the sweetest smile, told me he wanted to talk for a while. He said, Peter Pan, that’s what they call me. I promise that you’ll never be lonely. And ever since that day…”

Sua voz foi subindo de tom a cada palavra, para que Anthony entrasse e abaixasse a nota de novo. A voz do príncipe, como eu esperava e sabia, era mais firme e um pouco mais grave do que a de sua irmã; “I am a lost boy, from Neverland, usually hanging out with Peter Pan. And when we’re bored we-“, ele parou abruptamente, o que fez Louise parar de tocar também. A sala ficou em silêncio por alguns segundos.

“O que houve?”, ela quebrou o silêncio, e deduzi que encarava seu irmão.

“É que...”, ele começou, meio sem-jeito. “Tem alguém escutando.”

“Não, Anthony, não tem.”

“Tem sim. Atrás da porta”, ele afirmou, e eu me surpreendi. Como é que ele-

“Como você sabe?”, Louise verbalizou minha pergunta.

Eu ainda não via nada, mas tinha quase certeza que ele deu de ombros. “Eu ouvi os passos chegando, mas nunca indo. Além do mais, se você prestar atenção, dá pra ver a mudança de sombreado na fresta da porta, de um vermelho cor-do-tapete para... Aquilo é azul?”

Ela suspirou. “Tony, não tem ninguém ali.”

“Abre a porta, então.”

Engoli em seco. Por algum motivo, eu achava que seria melhor que ninguém me visse ali. Com passos leves e na ponta do pé, fui rapidamente até o corredor perpendicular, me escondendo na esquina. Assim que saí de vista, as portas foram abertas.

“Viu?”, Louise perguntou, triunfante. “Não tem ninguém aqui.”

“Mas...”, Tony pareceu meio perdido. “Eu tenho certeza que-“

“Tony”, sua irmã o chamou. “Você deve estar cansado, estivemos trabalhando nessa música a manhã toda. Vamos descansar um pouco e depois do almoço a gente retoma, pode ser?”

Ele balbuciou algo como ‘está bem’, e pude ouvir os passos de Louise se distanciando pelo outro lado do corredor. Anthony, porém, ficou ali parado até que sua irmã fosse ouvida descendo as escadas.

“Eu sei que você está aí, Aurie. Aparece”, ele disse, e eu saí de onde estava. Anthony ainda estava de pé em frente às portas, as mãos atrás do tronco, o cabelo bagunçado de domingo. Eu estremeci de leve ao vê-lo, mas me controlei. “Por que se escondeu de Louise?”

Dei de ombros. “Parecia errado estar ouvindo atrás da porta.”

“Você já fez pior”, ele sorriu para o chão, e um silêncio desconfortável se instalou.

Isso estava acontecendo mais do que seria considerado normal ou saudável ultimamente. Antes, falar com Anthony era a coisa mais simples do mundo para mim. Nós éramos bastante parecidos em questão de personalidade, e o assunto parecia nunca acabar. Mas, desde que A Elite começara, essa tensão havia descido entre nós. Pra te ser bem sincera, às vezes eu achava que ele estava tentando... Me evitar.

Tentei o afastar o pensamento, mas, como sempre quando o assunto era Anthony, falhei. Engoli em seco.

“Por que você está me evitando?”

“O quê?”, ele perguntou, surpreso.

“Você me ouviu”, eu acusei.

“Eu não estou te evitando.”

“Ah sim, você está.”

“Não estou.”

“Então por que está na defensiva?”

Ele jogou as mãos para cima. “Isso é ridículo.”

“Ah, eu estou de pleno acordo.”

“Aurora do céu, eu não estou te evitando.”

“Anthony, nós dois sabemos que você está.”

“Não, eu não estou”, ele disse, firme, e apontou um dedo para mim. “Essa conversa termina aqui.”

“Ótimo. Vai lá e corre para seus amiguinhos feito o covarde que você é.”

“Me chamou de quê?”

“Está com problema de surdez? Eu disse covarde.”

“Aurora, se você ao menos-“

“Não”, o interrompi. “Não quero ouvir à qualquer porcaria que você tenha a dizer.”

“Aurora-“

“Cale a boca. Eu não quero ou vou te ouvir, Anthony”, rosnei, e ele inspirou tremulamente.

“Quer saber? Que seja”, ele falou, como se desistisse. “Discutir com você é inútil.”

“Está certo”, eu concordei ácida, e me virei para ir embora. Antes de virar uma esquina e descer as escadas, porém, olhei para trás mais uma vez. “Você sabe onde eu fico. Procure-me quando decidir parar de mi-mi-mi e fazer algo.”

E saí andando para o meu quarto. Tive a certeza de ouvir Anthony bufar e me chamar, mas ignorei. Eu estava oficialmente dando um gelo nele.

No caminho para o quarto, encontrei Alasca, que andava pelos corredores como se estivesse sem rumo. “Olá, Aurora”, ela me cumprimentou, sorridente, ao que eu acenei com a cabeça. Seu sorriso diminuiu-se em uma careta de dúvida. “Aconteceu algo?”

“Não”, eu resmunguei, sem mudar meu curso, de maneira que ela começou a me seguir.

“Tem certeza?”, minha amiga insistiu. “Porque parece que você brigou com alguém.”

Eu queria contar para Alasca, porque deveria ser bom ter alguém opinando sobre aquilo, mas não podia. Era um risco muito grande, e não era segredo só meu pra contar pra quem eu quisesse. “Tá, tá. Eu estava no telefone com meu pai.”

“Ah. Claro”, Alasca falou, como se aquilo explicasse tudo, o que realmente deveria fazer. Eu já tinha contado à ela sobre minha péssima relação com meu pai, então sempre que algo acontecia e eu não queria comentar, colocava a culpa nele. “Quer falar sobre isso?”

“Não se incomode”, me apressei em dizer. “Só vou te chatear, e você parece até bastante feliz.”

“É. Eu estou”, ela admitiu, e se lançou numa narrativa sobre como Arthur a levara para assistir um filme no cinema. Parecia ter sido uma comédia romântica ou algo assim, e ela estava bem alegre, provavelmente tendo esquecido a raiva e do ciúme que sentira na semana anterior, quando ele levara Delancy para o lugar. Alasca rinha essas variações brutais e esquisitas de humor, mas eu já estava acostumada, então deixei minha mente vagar durante seu relato.

Eu havia de fato brigado com Anthony, a única razão de eu ainda estar no Palácio. A razão de eu ter ido para o Palácio, para começo de conversa. E agora? O que eu faria?

Notas finais
Só pra constar, eu me esqueci de falar sobre nome de shipps. É o seguinte: tem os shipps paralelos, tipo Aurony (Aurora e Anthony), Austina (Austin e Celina), Dadyler (Dade e Skyler), Sofius (Marius e Sofia) ou Marbelle (Marcus e Isabelle); tem os bromances, tipo Arthony (Arthur e Anthony), Marthur (Marcus e Arthur), Larthur (Louise e Arthur) ou Lanthony (Louise e Anthony); e tem os shipps com Arthur, que no presente momento são (ordem alfabética) Arlasca/Artasca (eu esqueci qual tinha sido escolhido, mas é Arthur e Alasca), Artiope/Arlliope (Arthur e Calliope) e Delarthur (Arthur e Delancy). Tudo claro? Espero que sim xD Digam-me, nos comments, quais vocês shippam mais! P.S: NÃO SE ESQUEÇAM DA COISA DOS CASAMENTOS, É SÉRIO!