Coroada - A Seleção Interativa
47 It's Time
Notas iniciais
Delancy estava sentada em sua cama, as pernas cruzadas, enquanto Violette desfazia seu penteado do dia. Suas mãos repousavam no lugar onde seus pés se cruzavam, quietas como nunca antes.
"Senhorita, tem certeza de que está bem?", Violette perguntou. Ela era uma ótima ouvinte, e Delancy apreciava isso.
"Não, Violette, eu estou péssima", admitiu. "Desde o ataque rebelde, no aniversário da princesa, eu me sinto morta."
"Só há um jeito de mudar isso", Aurora, na cama ao seu lado, saiu do quarto.
Delancy olhou para a criada da italiana, que deu ombros. As três riram da impulsividade de Aurora, que saíra do quarto, à noite, indo para sabe-se lá onde, somente de camisola. Um momento depois, ela voltou e pegou seu roupão.
Violette acabou de tirar todos os grampos, e deu uma sacudida no cabelo para que ele voltasse ao natural. Delancy se pôs de pé, colocou a camisola e logo depois o roupão-ela sentia frio, e se sentia como a qualquer momento alguém fosse tirá-la do quarto.
Bem verdade. Quando Aurora voltou, Arthur estava com ela. Delancy ficou surpresa ao ver o príncipe de pé, ali, já que Aurora não tinha falado nada sobre trazê-lo ao quarto. Ele parecia quase tão atônito quanto, mas Aurora provavelmente lhe dissera o que estava fazendo.
"Boa noite, senhoritas", ele fez um meneio com a cabeça para as quatro. "A senhorita Bocchi disse que a senhorita Lewis poderia fazer uso de uma conversa. Quer passear?"
Ela não podia recusar. Estava nas regras, ela deveria de fazer o que ele lhe pedisse. Calçou as sapatilhas. "Claro, Alteza."
Ela enroscou o braço no braço dele, que estava estendido, e ele se pôs a conduzi-la pelo lugar. Ficaram em silêncio durante um bom tempo, até que Arthur achou coragem para perguntar. "Como está?"
"Péssima", confessou. "Mas vou sobreviver."
"Isso é por causa de Caroline?", perguntou o ruivo, e ela assentiu. Sentia-se como se devesse chorar, mas as lágrimas já haviam se esgotado havia muito. "Sinto muito."
"Não sinta.", ela disse, fria. "Eu sabia que algo assim iria acontecer. A vida é dura com alguns, Arthur, e fantasmas existem para que não se erre duas vezes."
"Delancy, você tem uma visão muito pessimista do mundo", ele disse, no tom mais suave que pôde.
"Eu estive lá, Arthur. No mundo.", ela devolveu, vagamente. "Você é que é otimista, eu? Eu sou realista."
"Alguém realista diz que não existem príncipes encantados, não que o amor é um assassino."
"Mas não é a verdade?", Delancy subitamente adotou um tom mais baixo, mais triste. "Eu amei Caroline, Arthur. Ela era minha melhor amiga, a primeira amiga que eu tive. E, bom, ela está morta. O amor que eu tinha por ela está me matando."
"O amor não mata, Delancy. O amor dá vida", retrucou. "Eu sou um fruto do amor. Você também é."
"Sou o fruto de um erro.", ela o corrigiu.
"Você é difícil, sabia?"
"A vida é pior. Se não está pronto para lidar com uma garota deprimida, como pretende ser Rei?", ela devolveu. Arthur se sentiu meio ferido, mas sabia que a intenção não era lhe machucar.
"Um cara que não está pronto para lidar com uma garota deprimida não passaria por nem meia Seleção.", ele parou de andar, e se virou para ela. "E mais: eu sei exatamente como lidar com você."
Por um segundo, Delancy pensou que ele fosse beijá-la. E pensou que ele definitivamente não sabia lidar com uma garota deprimida.
Porém, ele encostou os lábios em sua bochecha. Delancy estava atônita demais para ver que suas mãos se dirigiam à sua barriga, onde ele rapidamente começou a fazer cócegas.
A selecionada começou a rir descontralavelmente, e tentava correr dele. Arthur, porém, brincava daquilo com Hannie desde que ela havia nascido. Ele gostava do som da gargalhada de Delancy, um som totalmente novo para ele. Ela começou a estapeá-lo em seu desespero, e ele aos poucos a soltou.
"Então..?", ele perguntou, um sorriso triunfante no rosto.
O canto da boca de Delancy forçou seu caminho para cima, até parecer-se com um sorriso. "Okay. Você ganhou essa."
Ele comemorou com um 'yes', e eles ficaram se observando em um momento tenso.
"Eu devia voltar para o quarto.", ela disse, coçando a cabeça.
"Devia. Vou lhe acompanhar.", ele concordou, apressado para sair daquela situação tensa. Ofereceu seu braço, que ela novamente aceitou, e se viraram.
***
Seus pais haviam lhe chamado em seu quarto assim que ele deixou Delancy. Estava, agora, junto à seus seis irmãos esperando as notícias que seu pai poderia ter.
"Vocês devem fazer as malas o mais rápido possível", seu pai disse, bagunçando o próprio cabelo. Sua mãe, sentada na cama com Hannie e Louise, segurava Kaden; enquanto Tony segurava Phillip perto do berço de Karen. "Estamos voltando para Angeles amanhã."
"Oi?", Louise perguntou, debochada. "Como assim, pai? O que tá havendo?"
"Ótima pergunta.", Arthur concordou, apoiado na parede.
"Eu sei, eu sei.", Maxon disse, tentando acalmar os filhos. "A Família Real Francesa vai nos fazer uma visita."
"Em quanto tempo?", Hannie perguntou, já que sua irmã estava ocupada demais resmungando.
"Daqui uma semana", o rei anunciou.
"Nunca vamos ter tempo de preparar uma recepção, pai. Da última vez que vimos o nosso palácio, ele estava devastado.", Anthony anunciou.
"Deveríamos falar para eles cancelarem a viagem.", Louise disse, como se fosse a melhor ideia do mundo.
"Não podemos.", Arthur entendeu. "É importante que eles façam uma visita durante A Seleção, e anunciar A Elite enquanto eles estão aqui daria a impressão de que a aliança está em ótimas condições."
"É por isso que ele vai ser rei, não eu", Tony voltou a brincar com Karen.
"Idiota", Arthur esbarrou com o ombro no irmão.
"De qualquer modo, Arthur está certo. Por isso, vocês vão ter que desviar toda a sua atenção para preparar um evento para a chegada deles.", o rei confirmou os temores de Louise.
"Todos vêm?", a mais velha perguntou, esperançosa.
"Sim, todos. Inclusive, Louise, seu noivo", America disse, e a filha torceu o nariz antes de sair marchando no quarto.
"Ela sempre foi a mais temperamental", Maxon murmurou, como que para si mesmo. "Enfim. Era isso. Partiremos amanhã após o almoço."
"As Selecionad-"
"Sim, Arthur, avisamos todas as criadas. Elas já devem estar prontas."
"Bom, que seja então. Até amanhã, família.", o ruivo disse, e deixou o quarto. Do lado de for a, encostada na parede, econtrou a última coisa que esperava. “Lou? Você está… chorando?”
Ela limpou as lágrimas que lhe escorriam pelas bochechas sardentas. “Não, idiota. Estou suando pelos olhos.”
Ele se sentou ao lado da irmã. “Não é de mim que você está com raiva, então não finja que é.”
“Argh. Odeio quando você tem razão.”
“Também te amo”, constatou, mantendo suas mãos para si. Garotas chorando já o desconcertavam, sua irmã mais velha e durona então… “Isso tudo é por causa do Lucas?”
“Não. É por causa da Charlotte”, ela devolve, sarcástica. “É claro que é por causa do Lucas, Archie. Eu não quero me casar com ele.”
“Por quê?”
“Porque não quero ser vendida como se fosse um anel simplesmente para comprar a aliança com a França.”
“Você culpa o papai?”
“Não. Ele fez o que tinha de fazer. Eu o entendo.”
“Então você culpa o Lucas?”
“Culpo.”
“Por quê?”
“Porque ele é o meu estúpido noivo, Arthur, e eu não quero me casar.”, ela disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
“Já parou pra pensar que não foi ele quem selou o acordo?”, Arthur disse. “Ele só teve de aceitar a situação, como você, Lou. Por que você o culpa?”
Ela suspirou, ponderando o que seu irmão havia dito. Por que diabos ela havia nascido a mais velha e não Arthur?
“Porque eu não sei mais quem culpar.”, admitiu.
“Você ao menos já deu uma chance para ele?”, perguntou, e ela negou com a cabeça. “Já conversou com ele?”, ela negou de novo.
“Eu estava sempre com raiva demais para pensar em olhar para ele.”
“Uma raiva mal-direcionada te cegou, Lou.”, Arthur constatou. “Conversa com ele, quando vierem para o palácio.”
“Como ele é?”
“Gente fina. Divertido, engraçado… E contestador.”, o ruivo declarou. “Você vai adorá-lo.”
“Assim espero, ruivo.”, com uma última fungada, ela se pôs de pé. Abraçou seu irmão. “Obrigada, Arthur. Você é o melhor irmão do mundo.”
“Eu faço o que posso”, ele disse, abraçando com força sua irmã.
***
Por mais que se esforçasse, Arthur tinha dificuldades em ver os benefícios dessa visita. Eles teriam que trabalhar que nem loucos para fazer uma recepção digna, ele teria de parar de enrolar e anunciar a Elite, seria forçado a conviver com Charlotte… A única parte boa no meio do furacão era Marius.
Arthur se sentia perdido. O que ele faria agora? O dia que ele temia estava finalmente chegando, e ele não sabia se teria coragem de fazer o que precisava. Ele já sabia quem iria e quem ficaria, mas, ainda assim… Aquilo era difícil. Bem mais difícil do que ele imaginara.
Só uma coisa o fazia seguir em frente: seus pais. Eles haviam se conhecido n’A Seleção, e isso era o que consolova a Arthur quando ele pensava que não conseguiria. O amor. Amor, doce amor. Ele era, sim, um fruto do amor. Se ele conseguisse ao menos uma pequena parcela de todo o amor que sua mãe e pai nutriam um pelo outro, ele sabia que seria feliz.
E, bem, todas as suas chances estavam bem ali. Ele só precisava procurar mais, e acharia o que precisava-na verdade, bem mais do que ele jamais julgou que teria.
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