Notas iniciais
Hey, queridas! Só pra deixar vocês informadas: meu iPad bugou, e eu perdi um capítulo. Estou tendo que escrever no computador de casa, mas não tenho muito tempo. Fora que, como algumas sabem, vou mudar de casa no final do mês. Isso talvez- com certeza -gere complicações. Música que me inspirou? I See Fire- Ed Sheeran. É, meu ursinho ruivo- assim como da Bella Malfoy Potter. Planeta? Saturno. Sinto muito, Danica Valdez, mas a Giulia Valdez tinha falado antes. Portanto, Senhorita Sofia Delacour, peço que se apresente.

Sofia andava sem rumo pelo jardim. Ela não conseguia pensar em absolutamente nada que não fosse Bianca- estava sem notícias da irmã faziam quase duas semanas. Como ela estaria? Onde estaria? Estava dormindo na hora? Penteando o cabelo e escovando os dentes? Perguntas para as quais Sofia não tinha resposta.

Acabou se vendo sentada numa mesinha, num coreto verde. De início, quase não distinguira o lugar- ele parecia se camuflar com a vegetação do jardim-, mas, quando finalmente reparou no pequeno ambiente, se encantou. Tinha murada baixa, que se mesclava com pedras, apesar de ser verde com detalhes orientais. O teto também era verde, e lembrava muito o Oriente. Sofia não sabia ao certo, mas parecia que o lugar fora retirado da Nova Ásia e colocado ali.

Como uma adoradora da mais renomada arte oriental, o sushi, Sofia adorou aquilo.

Ela brincava com os seus dedos e olhava para o nada. Captava, sem reparar, todos os detalhes da parte do Palácio em que se encontrava. Bianca com certeza iria querer saber absolutamente tudo sobre sua estada lá.

Como que surgido do nada, uma mancha vermelha e branca apareceu dentre as árvores. Sofia, sem querer, desviou sua visão para o ponto em que aparecera.

Seus cabelos ruivos, ela reparou, estavam bagunçados; e ele parecia aliviado em vê-la. Andava em sua direção, com um maço de papel nas mãos. A gravata estava mal-arrumada e torta sobre a blusa azul-bebê, mas Sofia mal reparou. Só conseguia pensar em como um Príncipe poderia andar por aí com o cabelo bagunçado.

“Meu Deus.”, Arthur disse, se sentando à sua frente. “Quando você não quer ser achada, não há quem consiga fazê-lo.”

“É bem por aí.”, ela deu uma risadinha. “Me procurava?”

“Dã.”, ele devolveu, revirando os olhos, e colocou o papel em cima da mesa.

“O que é isso?”

“Surpresa.”, ele sorriu, e meneou a cabeça.

“Posso...?”, ela estendeu a mão em direção ao papel.

“Vá em frente. É todo seu.”, ele sorriu ainda mais largamente.

Sofia leu e se espantou com o título. “Você disse que era contra as regras.”

“Não consigo negar favores à maioria das pessoas.”, ele deu de ombros, e ela tornou a ler. Devorava cada informação dali, respondendo à todas as suas perguntas sobre Bianca. Ela comia bem. Dormia bem. Aprendia bem. Era, como Sofia, uma Três. Quando acabou de ler, deu um abraço no ruivo, e estalou um beijo em sua bochecha. “Então você gostou?”

“Eu amei, Arthur. Não podia viver sem saber como está Bianca.”, ela respondeu, ainda o apertando.

“Os professores dizem que ela é uma ótima aluna.”, ele comentou, quase sufocando. “Todos no internato gostam dela, apesar de algumas a invejarem.”

“Não me importa mais. Não se ela está segura e bem.”, ela o apertou mais.

“Sofia.”, ele disse. “Estou sufocando.”

“Ah, sim.”, ela disse. “Me desculpe. Eu realmente não estou acostumada com gentileza.”

“Entendo perfeitamente.”, ele brincou, massageando o pescoço. “Deve ser duro ser Oito, não é?”

Ela fechou os olhos, e as lembranças vieram à tona – todos os anos que ela e Bianca haviam passado na rua; a dor, o frio, o sentimento de abandono... Sofia quase chorou. “Ser Oito é horrível, Arthur. Aterrorizante. Não ter uma casa de verdade, pensar que vai chegar em casa e não vai ter o que comer... É uma das piores coisas que pode acontecer a alguém.”

Arthur suspirou. “Você devia levar uma vida difícil.”

“Você não tem ideia.”, ela concordou. “Mas erámos menos miseráveis que a maioria dos Oito, para te ser sincera. As pessoas se apiedam mais de duas garotinhas órfãs do que de... hm, inválidos.”

“Garotinhas órfãs, vocês.”, ele soltou, mirando o nada. “Duas garotinhas, sem pais, sozinhas no mundo lá fora.”

“Sim, de fato. Eu sempre temi por Bianca, por ela ser tão nova. Nunca teve nem ideia de como a vida poderia ser.”

Ela esperou que ele falasse algo, mas Arthur continuou mirando o nada. Ele pensava na história que sua mãe um dia lhe contara, sobre a garota chamada Paige. Ela lhe contara que vira de perto as coisas no mundo real. Arthur sabia qual era a realidade do país, mas ouvi-la como Sofia estava contando era infinitamente mais impactante. Ele se sentia assustado.

Sofia, por fim, sorriu. “Mas agora temos do bom e do melhor.”, disse. “Bianca está estudando num ótimo internato, tendo uma vida mais que digna de uma menina como ela. Ela sempre mereceu mais que as ruas, minha irmã. Sempre mereceu uma família que a amasse, lhe desse carinho e tudo o que precisasse.”

“Ela tinha você.”, o ruivo voltou a olhar para Sofia, seus olhos castanhos profundos como um poço.

“Uma família de verdade.”, Sofia rapidamente acrescentou. “Não só uma irmã mais velha que sequer podia lhe alimentar.”

“Não fale assim. Você fez mais do que podia ou devia, Sofia. Dedicou sua vida à sua irmã.”

“Porque é isso que imãs mais velhas fazem.”, Sofia olhou dentro dos olhos de Arthur. “Você não faria isso por Anthony, Hannie ou Phillip? Ou até mesmo por Louise?”

“Claro que faria.”, ele devolveu, sem pensar. “Mas é diferente. Eu sou, bem, homem. Tenho condições físicas melhores.”

“Não seja machista ou otimista.”, ela devolveu, cínica. “Sua forma física não duraria nem uma semana, Arthur.”

“...”

“Mas, continuando; Bianca tem tudo o que sempre mereceu. E eu, bom, eu estou morando aqui.”, ela gesticulou, indicando o ambiente à sua volta. “Quer lugar melhor?”

Arthur, então, teve uma luz. Ele sabia de um lugar melhor, embora não pudesse revelar aonde. “Realmente, eu adoro minha casa. É quase perfeita- fora o fato de ser grande demais. Vivo me perdendo.”

Sofia se sentiu um pouco indignada. Sua casa era grande o bastante para que ela e a irmã dormissem no chão e tivessem um espaço minúsculo para comer e conversar. Só.

Arthur pareceu notar o incômodo da garota. “Quero dizer, mil desculpas. Não era o objetivo me gabar.”

“Eu entendo.”, Sofia disse, porque realmente entendia. Deveria parecer natural para Arthur falar aquilo, muito embora ele não fosse arrogante ou exibido. “É só que... Você tem ideia de qual era o tamanho de minha casa?”

“Do tamanho deste coreto?”

“Quem dera.”, ela devolveu, triste. “Muito menor. A vida era triste, Arthur.”

“E por que você continuou aguentando calada?”

“Pra quem não tem tudo na mão, a vida tem dessas coisas. As dificuldades nos fortalecem, nos tornam mais resistentes. É como tomar água da torneira- quanto mais você toma, menos perigoso é para você.”, ela sorriu, e se levantou. Chegou ao lado do Príncipe, e sussurrou em seu ouvido: “Continue a nadar.”

Estalou um beijo em sua bochecha e foi embora, relendo os papéis.

Notas finais
O que acharam? Eu, particularmente, gostei bastante. Me digam TUDO nos comentários, ok?