Coroada - A Seleção Interativa
49 FourFiveSeconds
Notas iniciais
O Rei Marius respirou fundo. Por mais que quisesse chegar em Illéa o mais rápido possível, odiava voar para lá desde que era pequeno. Seu filho, Valentin, passou ao seu lado e olhou para a cara de frustração do pai. "Que foi, pai?"
"Odeio voar", ele revelou.
"Mas achava que o senhor já havia feito esse caminho muitas vezes", sua irmã mais velha, Marie, riu do banco atrás.
"Nem tantas, mas fiz."
"E pra quê fazer de novo, se tanto odeia, pai?", Louis, o mais novo, resmungou de seu banco.
"A Seleção é um evento muito importante para Illéa, Louis", a mãe das crianças disse, entrando no avião. "Ainda mais uma como esta. Não podemos deixar de dar nossa contribuição."
As crianças riram, e Valentin tomou a palavra. "Mãe, você mente muito mal. Todos sabemos que você adora Illéa."
"Ora, Valentin", ela disse, arrumando o cabelo do filho enquanto sorria. "É preciso cultivar suas raízes."
🌚🌚🌚
As Selecionadas e Família Real Francesa haviam, por um motivo que Danica desconhecia, sido reunidas no Grande Salão naquela tarde de sexta. Vários tipos de chá e biscoitos de toda a sorte estavam nas mesas espalhadas pelo lugar e cobertas por um pano salmão. No início, Skyler relatara, a situação estava bastante constrangedora. Mas quando Danica chegou, meio atrasada, as pessoas conversavam em pequenos grupos, cada membro da Família Real com um pequeno grupo de garotas diferente.
Danica se juntou à Helena, Alyssa e Vênus, que ouviam algo da princesa francesa. "Ah, aquela apresentação! Então você erra a garrota que fez Odette?"
"Pensei que você fosse a segunda bailarina", Alyssa estranhou para Vênus.
"Eu era. A primeira bailarina da companhia era Cara Washington, uma loirinha adorável de 14 aninhos", Vênus se explicou.
"Mas Odette é o papel principal", disse Danica para a morena. "Como o conseguiu?"
"Cara havia torcido o tornozelo na apresentação que fizemos na Argentina, e tive de tomar a liderança", explicou-se calmamente. "Normalmente eu faria uma audição para o papel de Odile ou seria um dos cisnes.”
“Faz sentido”, Alyssa admitiu. “Foi a única vez que fez Odette?”
“Não”, Vênus a respondeu, bebericando o chá. “Fui ela de novo nas apresentações que fizemos na Rússia e na Alemanha, até que Cara pudesse acabar a fisioterapia.”
“Interresant”, disse Charlotte, com nariz empinado. “Imagino que já tenha deixado o ballet?”
“Infelizmente, Vossa Alteza, existe uma idade limite no sub-17. E, bom, é 17 anos”, Vênus constatou, e as selecionadas puderam notar a ironia velada em sua voz. “Eu teria que tentar as audições para o professional, e estas são extremamente difíceis. Fora que só acontecerão em outubro, e eu não teria fonte de renda até lá.”
“É uma pena que tenha desistido de sua paixão, senhorrite Petrov”, Charlotte devolve, dissimulada, e as meninas repararam que ela estava prestes a fazer uma fala longa. “Me lembrro de quando meu pai exigiu que eu saísse do esgrrima…”
Danica suspirou enquanto a princesa francesa continuava a falar sobre como era ótima na esgrima. Olhou em volta discretamente, e viu como as únicas que de fato haviam tido alguma sorte eram Sofia, Helena, Skyler e Beatrice; que conversavam dinamicamente com príncipe francês.
“Então sua irmã só está interessada na coroa, Alteza?”, Sky perguntou, com uma risadinha.
“Vocês nem imaginar, mademoiselles”, ele respondeu, e o uso da palavra francesa fez algumas perceberem o quão sedutora a língua poderia ser. Marius, por sua vez, só poderia pensar no quanto os illeanos xingariam ele se soubessem que estava fingindo ter um sotaque forte. “Charlotte diz que ama esgrrima, e é por isso que quer continuar; mas na verrdade ela pensa que algum dia poderrá me desafiar parra um duelo pelo trrono.”
“E como Vossa Alteza vem a saber disso?”, Helena perguntou, moleca.
“Ora, senhorrita Sobrine”, Marius brincou, inclinando a cabeça. “Não podem me culpar por minha irmã ter esquecido o diário aberto em cima da cômoda.”
Elas riram um pouco mais alto, e Sofia decidiu falar. “Sua irmã parece ser impossível.”
“Mademoiselle Delacour, nem imagina o quanto”, ele devolve. “As únicas pessoas que ela odeia mais que eu são os illeanos. Eles semprre brrigam quando nós passamos férrias aqui ou eles lá.”
“Mas, Alteza, ela sempre sai impune?”, perguntou Beatrice.
“Bom, senhorrite Winchester, a vida nem sempre é justa”, Marius deu de ombros. “Charlotte é, queiramos ou não, a favorrita em minha família. Mas, bem, há informação sobrre isso em tabloides por toda a Frrance. Contem-me sobrre vocês, senhorrites. Como você, mademoiselle Delacour. Tem família?”
“Uma irmã, Alteza. Ela tem dez anos ainda, e está num internato enquanto eu estou n’A Seleção.”
“Num internato, Sofia?”, Beatrice a interrompeu. “Mas e seus pais?”
“Eu e Bianca somos órfãs, Beatrice. Meninas de rua. Temos a educação de livros achados no lixo, e Bia é bem inteligente”, ela explicou. “Mas A Seleção vai mudar tudo. Vamos ser Três, e ela vai poder acabar de estudar de verdade. Além disso, eu vou poder finalmente fazer uma faculdade, e vamos viver de verdade.”
“Parrece bom”, Marius comentou, observando a garota sob um novo ponto de vista. Sofia não parecia se sentir incomodada ou exposta por sua condição, só radiante pelo futuro à sua frente. Ela não era a pobrezinha da história, a coitadinha. Sorriu, concluindo que Sofia era uma ótima pessoa.
“Será”, ela devolveu, confiante.
🌚🌚🌚
Assim que pisou for a do Salão, Marius foi flanqueado por quatro garotos. Todos illeanos, todos altos, todos bem-vestidos. Todos com urgência no semblante.
“Bom, Vossa Alteza, entendemos que o traseiro real talvez não esteja acostumado a tanta correria”, Dade Fadaye disse. “, mas temos um anúncio a ser feito amanhã.”
“E você está sendo convocado para a reunião que decidirá o futuro de várias garotas por aqui”, Anthony continuous, sério, enquanto os quatro guiavam o estrangeiro para a sala do Pequeno Conselho.
“Já fizemos algumas decisões”, Marcus explicou, abrindo a porta. “Algumas definitivamente tem que sair. Sério”, completou, pensando em uma morena em especial.
“Outras, por exemplo, com certeza vão ficar”, Arthur se pronunciou, enquanto eles se sentavam. “Ainda tenhos vários mistérios a desvendar.”
“Portanto, amiguinho, sugiro que leia esta pequena lista”, disse Tony, colocando um papel à sua frente.
“E, por favor, nos deleite com seus palpates”, coloca Arthur. “Afinal, os franceses são o povo do amor.”
Marius espera cinco segundos, no sentido de ver se algum deles ainda tem algo a dizer, antes de finalmente falar. “Vocês, illeanos, são muito agitados”, comenta, confuse. “ISso tudo foi combinado, né?”
“Poxa, Marius, não subestime nossas habilidades de improviso”, Marcus se fingiu de ofendido.
“É claro que foi, nem o Quarteto Dourado é tão sincronizado assim”, Arthur joga, e todos riem. “Agora, Marius, se pudesse…”
“Por que raios é tão urgente assim?”, Marius pergunta, e aponta para Arthur. “Afinal, você deveria estar descansando. É seu aniversário amanhã.”
“E o prazo final para A Elite, caro francês”, Arthur diz, se segurando para não ser impaciente. “Agora, se pudesse…”
O príncipe subitamente se interrompe, num rompente de sua síndrome. Anthony é o primeiro a perceber o que está acontecendo com o irmão, e faz com que os outros três se afastem um pouco. Depois de apertar as costas da cadeira até que alguns fios se soltem, Arthur desce a mão sobre a mesa de vidro. Em cacos ela fica, e a mão do ruivo sangra deliberadamente.
“Archie”, o loiro diz, depois de alguns segundos. “Você está bem?”
“Umas bandagens vão resolver”, ela arranca os cacos da pele.
“O que quer dizer que você não está bem”, Marius disse.
“Archie, você tem certeza absoluta de que está tomando os remédios?”, Marcus pergunta.
“Porque, cara, você não parece nada b-“
“Eu vou ficar”, o príncipe diz, imponente. “Todos vamos.”
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