Coroada - A Seleção Interativa
36 Eliminação, III
Notas iniciais
Arthur abriu os olhos. Eram aproximadamente 9 horas da manhã, e ele deveria ter acordado às 8. Mas, impressionantemente, sua mãe não estava ali. Isso só podia significar uma coisa, e ele já sabia que esse era o dia.
Hoje era dia de ser carrasco.
Hoje era dia de eliminação.
Ele se sentou, ainda esfregando os olhos. Estava fazendo um dia ensolarado- um dia bonito, um propósito feio. Virou a cabeça para a outra parte do quarto onde encontrou Safira sentada com Alice e Tony.
“O que diabos-“, ele começou, confuso.
“Nem me diga, Arthur.”, Anthony bocejou. “Essas duas loucas chegaram aqui às oito, e decidiram que queriam me tirar do meu sono.”
Alice revirou os olhos. “Preguiçosos.”
“Nem me diga.”, Safira acrescentou. “Bom, senhores dorminhocos, vocês são príncipes. Deveriam acordar mais cedo.”
“Tá, que seja.”, Arthur disse, vestindo seu short de pijama por baixo das cobertas. Maldita mania de dormir só de cueca. “O que querem aqui?”
“Elas sabem que hoje é dia de carrasco, Archie.”, Tony declarou.
“Como?”
“Tia Ames contou pra gente.”, Alice disse, satisfeita. “E mandou a gente acordar vocês dois.”
“Mas preferimos te deixar dormir mais um pouco.”, Safira disse rápido. “Sabemos como você ficaria mau-humorado.”
Elas diziam uma coisa atrás da outra, sem nenhuma pausa para a resposta de Arthur.
“Contudo, tia Ames nos nomeou carracas. Disse que devemos fazer o anúncio às gaotas.”, Alice assentiu para si mesma.
“Disse que uma delas vai ser nossa prima, e que temos que nos habituar com elas.”, Safira confirmou, imitando a voz da Rainha.
“Mas, para isso, precisamos saber quem são.”, Alice terminou.
Arthur se boquiabriu. “Estão mesmo dispostas a fazer os carrascos?”
“Bom, vai ser divertido.”, Safira comentou.
“Sua mãe disse que devemos conversar com as garotas depois.”, Alice declarou, para o silêncio dos príncipes. Esperou dois minutos, e então continuou. “Quem é que sai hoje, Archie?”
Arthur suspirou. “São quatro.”
“Perguntei quem, não quantas, querido.”, Alice retrucou. “E, a menos que queira fazer o serviço você mesmo, vai ter que dizer.”
Arthur riu. O tempo passava, e sempre passaria; mas Alice sempre seria Alice.
***
“Wow. Vocês são um grupo bem... hm, diverso.”, Alice disse, quando as Selecionadas haviam sido reunidas no Salão das Mulheres. “Bom, como algumas de vocês talvez saibam, meu nome é Alice Singer O’Connor, sobrinha da Rainha America.”
“E eu Safira Workwood Tunys, filha da melhor amiga da Rainha.”, Safira acrescentou.
“E nós temos notícias pra vocês- uma boa e uma ruim.”, Alice continuou, e pôde ver as assessoras se preocupando ao canto da sala.
“Elas fizeram algo de errado?”, Lux irrompeu.
“Bom, Lux, isso é algo a se perguntar ao Príncipe Arthur, não à nós.”, Safira respondeu.
“Nós somos só os carrascos do imprestável.”, Alice acrescentou, e algumas das meninas riram. “Qaul querem primeiro?”
“Acho que ficamos com a ruim.”, Amandla se adiantou.
Safira sorriu, triunfante, para Alice. “Eu te disse.”
A ruiva revirou os olhos. “Que seja, então. Hoje, infelizmente, é dia de eliminação.”
Um burburinho se levantou.
“E o imprestável príncipe em questão nos colocou como carrasco.”, Safira complementou.
“Estamos denegrindo a imagem dele, Safi.”, Alice falou, mordendo o lábio. “Foi tia Ames que nos colocou aqui.”
“Tia Ames?”, uma das selecionadas- Alice não conseguiu identificar qual, no meio da multidão.
“Sim, tia Ames.”, ela repetiu. “Digo quem é se a garota se apresentar.”
Duas garotas se apresentaram. Ambas baixinhas, uma branquela e outra bronzeada, uma morena e outra loira, uma de penetrantes olhos azuis e outra de curiosos olhos castanhos. Amandla, a assessora das duas, sorriu. “Estas são Celina Blanco e Victoria Gardner.”
Alice sorriu largamente. “Bom, garotas, tia Ames é a Rainha America.”
“Você chama a Rainha de tia Ames?”, Celina tornou, meio incrédula. Alice assentiu, e Safira se juntou à ruiva.
“E, se tudo correr como o esperado, uma de vocês vai chamar ela de sogra.”, Amandla falou.
“Na verdade..”, Safira e Alice começaram juntas, mas Alice deu espaço para a morena. “Ela vai deixar que a chamem de mãe.”
Outro burburinho se levantou, e Celina e Victoria voltaram para dentro da massa de meninas.
“E, por isso, é que o nosso trabalho é triste.”, Alice faloubaixo, deixando que as garotas conversassem, e chamou Amandla de canto. “Diga à Charlotte Duncan, Audrey Lancaster, Emy Mary Hellfield e Victoria Gardner que elas partem amanhã após o almoço.”
Amandla assentiu e foi falar com as outras assessoras. Alice e Safira se acomodaram em um dos sofás, e, aos poucos, as garotas foram puxar conversa com elas.
“E o que você está se preparando para fazer, Alice?”, uma delas perguntou. Isla Timber Davis, Alice reconheceu.
“Bom, essa é a parte excitante.”, ela comentou, passando os olhos por cada uma das garotas. “Eu vou ser algo como uma conselheira da vencedora da Seleção e mulher de Arthur.”
“Então a garota que ganhar não vai poder escolher sua própria assessora?”, Sarah Campbell se assustou, e Alice riu.
“Vai, vai sim.”, respondeu Safira.
“Só que a coroada provavelmente vai escolher alguma de suas amigas, e com toda a razão.”, Alice disse.
“Mas ela também vai precisar de alguém com experiência no Palácio.”, Safira confirmou.
“E esse alguém é você.”, Alyssa Swan adivinhou, e Alice sorriu.
“Isso mesmo, garotinha perspicaz.”, ela disse. “Eu vou ajudar a coroada com assuntos menos pessoais, mais regenciais.”
“Mas a Rainha America não teve isso, teve?”, Celina perguntou, meio insegura.
“De fato, ela não teve.”, Safira respondeu. “E é por isso que estão preparando Alice- com America subindo ao trono sem experiência nenhuma ou ninguém para lhe ajudar, ela percebeu que isso era necessário. E fez questão de providenciar.”
Com isso, as garotas voltaram-se para seus pensamentos. No final, afinal, quem é que seria a coroada?
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