Notas iniciais
Cheguei num ponto que assumi o fato de que demorei porcaria nenhuma daí não vou pedir desculpas. Coincidentemente, é um ponto no qual eu decidi parar de tentar escrever notas que prestam e também escolher músicas que tenham necessariamente a ver com seu capítulo. A desse é Thief, do Imagine Dragons. Boa leitura!

POV Sofia Delacour

Olhando pela janela enquanto falava ao telefone, notei que o sol brilhava intensamente naquele final de tarde, o que me deixou um bocado nostálgica. Em Sumner, minha província natal, o sol tinha aquele mesmo brilho, embora fosse dez vezes mais quente do que em Angeles; preciso dizer. Quando eu era pequena, mamãe e papai haviam me contado que Sumner uma vez havia sido o estado do Texas*, um dos maiores e mais quentes em todo o antigo país. Eles me contaram que o Texas era um lugar com muitos rodeios e peões, além de vários animais de fazenda. Ah, como eu sentia a falta de papai e mamãe.

“Sofia?”, Marius perguntou ao telefone, me arrancando do devaneio. “Você ainda está aí?”

“Hã?”, eu disse, surpresa. Parabéns, Sofia, pelas suas impressionantes técnicas na arte de encantar um garoto. “Sim, me desculpe. Eu estava só... Pensando.”

“Ah, sim”, ele deu uma risada pelo telefone. “Sem problemas.”

“Mas você estava dizendo..?”

“Eu dizia que minha ir-“, ele se interrompeu e eu pude ouvir alguém gritando em francês no fundo. Uma menina, provavelmente. Meu chute? Charlotte. Ela tinha essa mania de gritar com ele, eu havia aprendido. Marius respondeu em sua língua natal, que eu ainda me esforçava para aprender: “Je ne sais pa, Charlotte! Dis a papa que je vais dans une seconde!**”

Enrolei o fio do telefone em um dedo. “Eu só entendi o je, vou admitir.”

Eu não o via, mas tive a impressão de que ele sorriu. “Ah, fala sério. Só?”

Sorri também. “E o Charlotte. E o seconde, mas aí não vale porque é cognato.”

“Se você continuar achando razões pra dizer que não sabe, aí é que nunca vai saber”, ele brincou. “Mas, sério, eu tenho de ir. Tivemos uma pequena complicação com alguns documentos, ao que parece, e eles precisam de mim.”

“Ah. Ok”, eu disse, embora estivesse um pouco chateada. Com os dias de tédio intermináveis, conversar com Marius era o ponto alto da minha semana.

“Eu também lamento”, Marius devolveu, como se adivinhasse o que eu estava pensando. “Mas infelizmente, sou o príncipe por aqui e tenho lá minhas responsabilidades. Mesma hora semana que vem?”

“Claro”, esforcei-me para sorrir, embora ele não pudesse me ver. “Salve o dia, Marius.”

Senti outro sorriso brotando no rosto dele. “Au revoir, Sofia.”

Ouvi ele colocando o telefone de volta no gancho, deixando a linha vazia, e lentamente fiz o mesmo. Abracei meu próprio tronco, sem nenhuma razão específica, enquanto saía da sala. Da primeira vez que Marius ligou, eu precisei ir guiada até a pequena sala, mas, ultimamente, passava uma boa parte do meu tempo perto da porta, na esperança de que o telefone tocasse logo; então já havia decorado o caminho. Naquela tarde, enquanto retornava ao meu quarto para me preparar para o jantar, encontrei Arthur escorado em um dos corredores. Ele parecia me esperar, porque endireitou a postura e sorriu quando me viu.

Olhei para ele, sorrindo de volta, embora estivesse meio confusa. Por que diabo Arthur estaria me esperando?

Quero dizer, nós havíamos tido alguns encontros e ele era bastante generoso para mim, mas não é como se eu fosse alguém que ele fazia questão de ver constantemente. Eu era grata por tudo que ele me fazia, até porque somente um desalmado não seria, mas não é como se ele fosse mais do que um amigo meio distante para mim. Para te ser bem sincera, eu não tinha ideia de por quê eu ainda estava na competição.

“Oi”, ele disse, sorrindo de leve.

“Oi”, eu devolvi, meio sem-graça.

“Se importa de andar comigo?”

“Eu tenho escolha?”, brinquei.

“Não”, ele devolveu, divertido, e eu me emparelhei com ele.

“Aconteceu algo?”, perguntei, olhando para ele, que olhava para o chão.

“Não”, ele se apressou em dizer, como se visse as pequenas nuvens de preocupação se formando acima de minha cabeça. “Não, nada aconteceu. Sua irmã está bem.”

“Como sabia que eu falava de Bianca?”

“É você, Sofia. Ela é tipo, sua maior e única preocupação.”

Touché”, eu brinquei, e então quis pegar a palavra de volta. Não parecia certo pensar em Marius quando eu estava com Arthur, por isso afastei o pensamento. “Algum motivo especial pelo qual você queria me ver então?”

“Acho que não”, Arthur admitiu à medida que nos aproximávamos do meu quarto. “Algo que você queira me dizer?”

Suspirei, brincando com meus próprios dedos. Eu tinha, tinha sim. Mas seria eu corajosa o suficiente para perguntar?

“Seu silêncio já é uma resposta”, ele disse, como se pudesse realmente me ler.

“É uma pergunta”, contei.

“O que você quiser.”

Respirei fundo antes de realmente indagar: “Por que eu estou aqui?”

Ele pareceu ter sido pego com sua guarda baixa, então respirou fundo e passou a mão por seu cabelo. “Porque é uma competidora em potencial, como todas as outras.”

“Anos nas ruas te transformam em um detector de mentiras ambulantes, sabe?”

Ele sorriu de canto. “Eu sou tão-“

“Legível assim? Pode apostar”, eu o cortei, sabendo que estava tentando desviar do assunto. “Arthur.”

Ele suspirou. “Eu sempre me esqueço que vocês não leram a pesquisa.”

Fiz cara de ponto de interrogação. “Pesquisa?”

Arthur não me respondeu, só entregou um envelope do correio real. Reconheci a letra de Bia do lado de fora, o que me fez praticamente arrancar a carta dele. “Isso vai te dar algumas respostas, se realmente quiser a verdade. Mas não conte para ninguém.”

“Arthur?”, eu perguntei, de pé na porta, enquanto ele caminhava para longe.

“Sim?”

“Não é dia de correio.”

“Por essa e por outras, Sofia, que é um segredo”, ele sorriu em cumplicidade para mim antes de virar a esquina e sumir.

Rolando os olhos, entrei no quarto e abri a porta. As criadas me cumprimentaram, dizendo que meu banho já estava quase pronto, e eu agradeci. Sentei-me à escrivaninha e rasguei o envelope. A primeira coisa que reparei foi como a caligrafia de Bianca havia melhorado, e ri com minha observação, lendo o que minha irmã me enviara.

“Querida Sofia,

Eu sei que essa carta provavelmente vai chegar junto com a que escreverei no final de semana, mas tinha de escrever ou esquecer-me-ia de tudo. Minha colega de quarto, Rilee, está dizendo que ninguém escreve esquecer-me-ia, embora eu realmente fosse esquecer, mas estou ignorando ela. Vou direto ao ponto, pois sei que não gosta de enrolação:

Sofia, você sabia que é uma das favoritas ao trono? É sério! Pelo que você me escreveu nas outras cartas, parece que eles não deixam vocês lerem todas as revistas, mas é verdade! Eu li na Crônicas de Illéa que Rilee recebe toda semana. Eles fizeram uma enquete, ao que parece, para ver o que a população acha das Selecionadas, recentemente, e você está lá no topo! Em primeiro lugar, junto com Calliope Rosier e Skyler Smith! Eu mal me contive de tanta felicidade quando as meninas me contaram. Imagina, você, uma princesa?

Eu sei o quê você pensa sobre ser princesa e morar no Palácio, mas não pude me conter. Todos por aqui já me conheciam como sua irmã, a irmã da Selecionada, antes, mas agora? Eu sou quase uma celebridade! (Não que eu ligue para isso, de qualquer jeito.)

Suponho que você esteja curiosa sobre o resto da pesquisa, então vou te contar mais um pouco. Eles disseram que as pessoas gostam de você por ser educada e de uma das camadas mais baixas, fazendo com que todo mundo se identifique contigo (o que eu particularmente não gostei de, já que definir alguém pela Casta é horrível. Imagina se fosse a Bailee, aquela menina que conhecemos na rua? Seria uma ladra sem caráter e todos a amariam por causa da Casta!). Segundo a matéria, Calliope parece ter conquistado todo mundo (inclusive eu e você que eu bem sei) com sua nobreza e modos impecáveis, enquanto Skyler é extrovertida e inteligente. Também falam que Delancy Lewis, em segundo sozinha (já que Alyssa foi eliminada), é concentrada e parece ter o necessário para manter o país na linha, além de ser engenhosa; que Victoria Young está mais abaixo por causa de seu gênio ruim e boatos de mau-humor (alguns exagerados, pelo que você me conta dela), e Aurora por último, sob acusações de boicote. Se você me perguntar, as melhores opções além de você própria são Delancy e Calliope, que parecem ser ótimas, embora Rilee esteja dizendo que suas apostas são Victoria e Skyler. Sim, ela é bem excêntrica. Está gritando comigo que colocaria dinheiro nisso, mas eu estou a ignorando de novo.

Deus, já é tarde. Tenho de ir, Sof, porque estão chamando para o jantar.

Um beijo grande da irmã que te ama,

Sua Bianca.”

Se eu me surpreendi pelos dados da pesquisa? Nem tanto. Calliope e Skyler constituíam a maior parte das apostas, e Delancy costumava vir logo após aquilo. Eu já havia ouvido rumores sobre Alasca e Aurora, tanto de funcionários como de outras Selecionadas, e parece que eu sempre meio que fui a candidata do povo. Eu só não sabia que aquele era o único motivo de eu estar ali, e o resto da população provavelmente também não. A informação me chocou um pouco, e eu tive de matutá-la por alguma quantia de tempo.

Bom, então era isso. Eu era somente um agrado para o povo. Eu queria sentir rancor de Arthur, mas não conseguia. Eu sabia que não havia nada entre nós, além do que, como futuro governante, ele tinha de fazer política e deixar sua população o mais alegre possível.

Dei de ombros e me pus de pé ara entrar no banho, mas não antes de dizer, para ninguém em particular. “Pelo menos, ainda posso usar o telefone.”

Notas finais
Então, só por curiosidade mesmo (mentiraaa mas quem liga): escolham duas ou três personagens randômicas que não sejam Skyler ou Sofia e me digam: se elas fossem se casar, qual vocês acham que seria o tema do casamente delas (exemplo: outono, classy, vintage, floresta encantada, luau, outono, winter wonderland, etc)? Vale ser criativa e viajar, além de mandar links para mim, ok? Considerem um desafio, juro dar um jeito de recompensar quem ganhar. (also, Alyss, welcome back sweetheart!) * Isso é fato comprovado pelo mapa feito pela Kiera, está no livro 'Felizes Para Sempre'. ** tradução: 'Eu não sei, Charlotte! Diga ao papai que vou em um segundo!", oui je parle un peu de français. Mas é só um pouco, já que estou no segundo semestre de aulas agora, então me perdoem por qualquer gafe.