Notas iniciais
Oie! Então, eu descobri que não consigo ficar muuuuito tempo sem postar. Eu fico deprimida, e me repreendo por deixar vocês sem capítulo por tanto tempo. Aí, num acesso de criatividade, eu resolvi sentar e escrever. E acabei fazendo esse capítulo em, tipo, uma tarde. Música? The Scientist- Coldplay. Demorei muito pra achar uma música que me inspirasse, 'cês não imaginam. Espero que gostem!

“Droga, droga, droga.”, Arthur dizia repetidamente, andando em círculos.

Logo após o ataque malsucedido, seu pai veio a ele. Dissera que iria acalmar sua mãe, e Arthur deveria descobrir como eles entraram no meio da noite. Até agora, tudo o que ele conseguira fora um grande e belo nada.

Estava no Pequeno Conselho, com seus mais fiéis escudeiros: Anthony, Daniel, Marcus e Dade. O Pequeno Conselho era um escritório embutido na Sala de Jogos, e, sempre que Arthur devia realizar algo para seu pai, devia realizar lá.

“Mas você não tem nenhuma ideia sobre como isso pode ter acontecido?”, Daniel perguntou, ao passo que Arthur balançou a cabeça.

“Os portões estavam trancados. Os túneis de entrada e saída foram destruídos no início do ano. Os muros estavam guardados e os corredores sendo patrulhados.”, Arthur disse, e olhou para Marcus.

“Sim, de fato. Eu e meu pai checamos todas as torres, e ele foi se deitar. Eu mesmo fiquei no portão durante o primeiro turno.”, o moreno devolveu.

“E não os viu entrar?”, perguntou Dade. Marcus balançou a cabeça, e Tony se mexeu desconfortável em seu assento.

“Isso implica algo importante, Archie.”, disse o loiro, e Arthur meneou a cabeça para que ele continuasse. “Eles tiveram a ajuda de alguém de dentro. Alguém que conheça caminhos por entre os muros, e esconderijos nas torres mais altas.”

Arthur limpou a garganta, considerando a ideia. “Anthony está certo. Não conseguiriam entrar sem alguém de dentro.”

“Mas quem?”, Dade perguntou. “As assessoras são quem melhor conhecem o Palácio, mas nelas podemos confiar. Nunca fariam algo como isso.”

“Tenho confiança em todo e cada um dos guardas. Meu pai nos interroga mensalmente para verificar sua lealdade, e nós juramos por nosso sangue proteger o Palácio. Somos uma grande irmandade. Nenhum deles nos trairia.”, Marcus se pronunciou.

“Temos o pessoal da cozinha, da limpeza, da administração...”, Daniel disse.

Arthur suspirou. “Poderia ter sido Yoren, não é mesmo?”, ele soltou uma risadinho, referindo-se à um conselheiro. Os outros sorriram. “Ficaria feliz em ver aquela aranha na rua.”

Daniel sorriu. “Apesar de tudo, ele só é um grande devoto do seu pai.”

Você é um grande devoto do Rei.”, Dade brincou, apontando para o Woodard. “Yoren é um louco.”

Eles se recostaram nas poltronas, imersos em seus pensamentos. Alguém de dentro fizera aquilo. Isso perturbava a Arthur. O Palácio sempre lhe parecera tão sólido em seus ideais, tão unido... E agora a realidade lhe dava um tapa na cara. O Palácio é dividido, principezinho. Há um traidor aí dentro. O mundo não é um de seus livros.

Bom, na verdade, o mundo era um de seus livros. Uma série deles: As Crônicas de Gelo e Fogo.

Exasperado com sua impotência, ele se levantou.

“Onde vai, Arthur?”, Marcus perguntou, assustado com o movimento repentino do ruivo.

“O padrinho disse que deveria ficar aqui até resolver a questão.”, Daniel disse, e Arthur o xingou mentalmente pela devoção ao seu padrinho, o rei.

“Vou só tomar um ar.”, ele disse, andando até a porta. “Vamos andar em círculos por tempo demais se ficarmos aqui.”

E saiu.

Sabia que, em alguns segundos, a porta voltaria a se abrir. E sabia que Anthony o seguiria, bom irmão que era.

Normalmente, Arthur gostaria de conversar com o irmão. Anthony, apesar do que todos dizem, sempre tivera um sensibilidade enorme. Era um ótimo conselheiro. Mas aquela não era uma ocasião normal. E, pela milésima vez desde o início d’A Seleção, tudo o que Arthur queria era ficar sozinho.

Ele subiu várias escadas, até chegar à torre mais alta do Palácio. Lá, ele poderia ficar sozinho, uma vez que ninguém mais conhecia o caminho para o lugar.

Doce ilusão.

Arthur se surpreendeu ao encontrar Caroline Hudson olhando a paisagem de Angeles. Como ela havia chegado lá?

“Caroline?”, ele perguntou, e a morena se virou. Sorriu. “O que faz aqui?”

Ela deu ombros, se apoiando novamente na amurada. “Precisava dar um tempo no falatório das outras. E gosto da vista.”

“Como chegou aqui?”

“Descobri esse lugar um tempo depois de ter chegado. Logo antes de...”, ela olhou para seu próprio pé.

“Entendo.”, ele se apoiou também. “Ninguém nunca vem aqui.”

“Você vem.”

“Eu sou ninguém, Caroline.”

“Melancólico. De onde tirou isso?”, ela sorriu.

“Da minha própria cabeça.”, ele sorriu de volta.

Um silêncio se deitou sobre eles por alguns segundos. Arthur reparou que a garota observava os portões. Previu a pergunta que viria. “Como eles entraram?”

O ruivo sorriu. “Não sabemos... ainda.”

Carol assentiu, e ficou calada durante exatos 15 segundos antes de voltar a falar. “Seu pai falou de nortistas.”

“Como sabe?”, Arthur se surpreendeu. O Rei falara aquilo pra acalmar a Rainha, como sempre fizera. Mas falara muito baixo. Carol nunca poderia ter ouvido.

“Leitura labial.”, ela deu um sorriso tímido. “Mas os nortistas não existem mais.”

“É, não mesmo.”, Arthur confirmou. “Meu tio August dissipou a organização assim que meu pai e minha mãe subiram ao trono.”

“Do que ele falava, então?”, seus olhos cinzentos brilharam com curiosidade.

“Dos rebeldes, Carol. Os rebeldes menos radicais.”

“Menos radicais?”, ela exclamou. “Melissa Onuki achou que fosse morrer!”

“Não preciso que me lembre disso.”, Arthur desviou o olhar. Ainda se sentia culpado por Melissa. “De qualquer forma, sim, menos radicais. Eles só querem matar toda a minha família.”

Carol arregalou os olhos. Quando falou, sua voz indicava cautela. “E o que os mais radicais querem, então?”

“Começar a Sexta Guerra Mundial.”, ele respondeu, sombrio. Carol engoliu em seco.

“E eles vão conseguir?”

“Não se depender de Illéa.”, o Príncipe riu, seco. “Mas, obviamente, não depende.”

“Às vezes, não dá pra salvar todo mundo. Tem que se contentar com o que pode fazer, mesmo que seja pouco.”, Carol devolveu.

“Sábias palavras.”, ele disse, e fez uma imitação de Caroline: “De onde tirou isso?”

Ela riu durante um tempo, mas respondeu. “A diretora da minha escola falou isso pra minha amiga uma vez. Mas não adiantou nada.”

“Porque diz isso?”

“Ela entrou pro recrutamento. Virou delegada.”, Carol disse, e foi a vez de Arthur rir. “Mas isso é sério, Arthur.”

“O que quer dizer?”

“Arthur, você é um ótimo cara. É altruísta, pensa nos outros antes de pensar em você próprio... Será um ótimo Rei.”, Carol disse, séria. Ela o olhava nos olhos.

“Obrig-“

“Ainda não terminei.”, ela o cortou. “Você tem que aprender a controlar isso. A realidade é que existem muitos problemas. Aqui em Illéa, milhões. Nem me atrevo a estimar um número para o resto do mundo. E você não pode resolver todos eles.”

Aquelas palavras surtiram em Arthur o mesmo efeito de um tapa na cara. Se não mais eficiente. Ele inspirou, contendo sua raiva. Não era culpa de Carol- ela só lhe dizia a verdade.

“Você só pode fazer a sua parte, Arthur. Não mais que isso.”, ela fez uma pausa. “Não estou lhe desafiando, desmerecendo ou chamando de impotente. É só a verdade. Como Príncipe, eu lhe respeito. Como futuro Rei, eu me curvo. Mas, como amigo, eu lhe aconselho: você não pode resolver todos os problemas do mundo.”

Arthur engoliu sua raiva. “Está bem, Carol. Obrigado pela companhia.”

Ele abriu a porta e desceu as escadas. Decidiu que o dia não estava para ele, e fez o que podia: foi dormir.

Notas finais
Não considerem isso um encontro. Porque não foi. Eu só precisava de alguém para explicar a situação dos rebeldes, e só. Hm, acho que é só. Beijão, queridas!