Coroada - A Seleção Interativa
56 Oh Cecilia
Notas iniciais
Evan ajeitou sua gravata. Ele estava suando, e se segurava para não tremer. Tinha uma reunião com o conselho agora-e seu futuro dependia completamente dela. Respirou fundo antes de sentir a mão de sua irmã em seu ombro. Se virou para ver Euphemia, agora com um rosto maduro e imponente. A coroa na sua cabeça parecia pesada, mas ele sabia que a irmã nem a sentia mais.
"Calma, Archie. Vai dar tudo certo", ela o confortou, e o príncipe sorriu.
"Bom, assim espero", concordou, e as portas se abriram.
Ele esperou que a irmã tomasse seu lugar de direito à cabeceira da mesa, e então entrou. Seu lugar era à direita dela, de frente para sua mãe. A mulher sorriu, decadente mas bonita. Evan odiava ver o que a morte do pai fizera à ela.
Eles começaram por assuntos superficiais, assuntos aos quais Evan já não precisava prestar atenção. Um conflito aqui, uma rebelião ali, uma morte acolá. Sua cabeça aprendera a entrar num tipo de 'modo avião' sempre que as reuniões eram sobre isso. Eventualmente concordava com a irmã, mas só. Nestes dias, principalmente, sua cabeça estava em outro lugar.
"O foco desta assembleia, no momento, não é discutir política ou economia, conselheiros", sua irmã lembrou, dura como uma pedra. "Eu já lhes disse, no início. Devemos falar sobre o casamento do Príncipe Evan."
"Neste caso, Majestade, é uma pena que ele ainda não tenha noiva", um dos conselheiros alfinetou.
"Nem namorada", outro completou.
"Sequer uma pretendente", disse um terceiro. "Tem certeza de que algum dia vai se envolver, Alteza?"
"Se me dão licença, conselheiros, estou alguns passos a frente dos senhores", ele assumiu a postura pomposa e meio metida que tinha de ter com os hipócritas conselheiros. Por que sua irmã os mantia? Ninguém dentro do Palácio sequer os respeitava. "Já ouviram falar de Illéa?"
"Um belo lugar, um ótimo parceiro comercial e o país mais poderoso do mundo", um conselheiro disse. Scott Hood, reconheceu. "É claro que já ouvimos falar."
"O Príncipe William, seu primo, é até mesmo casado com a primogênita illeana", completou outro. "Onde pretende chegar?"
"Então, de fato, conhecem a Princesa Eadlyn Schreave."
"Ah, a ruiva. Geniosa, aquela lá. Qual é sua pretensão, Alteza? Não creio que nossa união precise de um laço com Illéa a ponto de outro casamento, não com William e Caroline casados.", Hood rebateu.
"Não pretendo pedi-la em casamento, muito menos trazê-la para morar conosco", ele se explicou. "Na verdade, Vossa Alteza nunca aceitaria. Ela não quer se casar por aliança, devem ter ouvido."
"Ela vai passar por sua própria Seleção, é verdade."
"Uma Seleção com príncipes do estrangeiro, e talvez venha a reinar em Illéa", Evan terminou, e respirou fundo para dizer seu desejo. "Peço a permissão deste conselho para me inscrever, com a possibilidade de ser príncipe-consorte em Illéa. Caso eu perca a competição, o conselho pode me atar a qualquer dama que lhe agrade."
Um burburinho começou, e Evan preferiu imaginar que era de aceitação. Realmente lhe agradava a ideia de ser consorte de Eadlyn, a garota o deslumbrava. Ele se encantou pela beleza da princesa, com os cabelos ruivos, olhos verdes e lábios grossos; mas a sua personalidade o ganhou. No momento em que leu que Eadlyn queria escolher seu próprio destino em vez de ser atada em matrimônio a um estranho, ele decidiu que faria qualquer coisa para ganhar seu coração.
"Está bem. Este conselho decide, a partir do presente argumento de Vossa Alteza, que o Príncipe Evan está autorizado a se inscrever n'A Seleção da Princesa Eadlyn Schreave; se for do desejo de Sua Majestade", o primeiro-ministro anunciou, e os olhos recaíram sobre Euphemia. Ela olhou para o irmão, que estava suplicante, e os cantos de sua boca subiram um pouco.
"Que a papelada esteja no quarto de meu irmão assim que possível."
Evan teve de se segurar para só abraçar a irmã com força depois de sair do conselho e de perto dos conselheiros. Ela riu de sua alegria boba, mas não teve tempo de fazer mais nada: ele saiu correndo para seu quarto preencher tudo antes que qualquer um pudesse pará-lo.
'Se prepare, Eadlyn', pensava, enquanto segurava a caneta e preenchia as lacunas. 'Se eu entro numa competição, é pra ganhar.'
Fale com o autor