Coroada - A Seleção Interativa
67 Fly Away
Notas iniciais
Arthur estava sozinho na sala do quarteto quando Marcus entrou. O ruivo mirava a TV, onde uma garota ruiva de olhos azuis brilhantes e um belo sorriso conversava com America. Ele pôde reconhecê-la: Alyssa Swan, a eliminada. Sentou-se ao lado do amigo no sofá, que sequer o cumprimentou.
“Hey, Archie”, ele disse, e o ruivo olhou para ele. “Tá tudo bem?”
Arthur suspirou antes de responder. “Acho que sim, né. Eu estou inteiro. As meninas estão no Salão. Alyssa está bem.”
“Alyssa parece feliz, Arthur. Achei que isso fosse o que importava.”
“E é. Se ela está feliz, eu estou satisfeito. É só que eu achava que significava mais para ela.”
“Eu tenho certeza que você significa muito para ela, cara. Mas você e ela conversaram. Os dois já tinham aceitado que não era pra ser.”
“É. Você está certo, eu acho”, Arthur admitiu, sorrindo de lado e voltando os olhos para a tela. “Ela ganhou o próprio programa de entrevistas, sabe?”
“Sei. É a nova estrela em ascensão de Illéa. Todos sabem”, Marcus respondeu, e observou o amigo encarar a tela. Pôs-se de pé bruscamente, o que fez com que o ruivo voltasse os olhos para ele.
“O que houve?”, o príncipe perguntou, alarmado.
“Levanta desse sofá. Nós vamos lá para fora”, seu amigo disse, determinado.
“Marcus, eu não quero ir lá pra fora.”
“Mas você vai. Você tem de sair de qualquer jeito, ar fresco vai te fazer bem”, Arthur ainda não levantara, então Marcus suspirou e olhou fixamente nos olhos castanhos de seu melhor amigo. Os Singer–Schreave eram bastante determinados quando queriam, mas nada nunca bateria a persistência de um Leger. “Levanta. Desse. Sofá.”
Arthur se pôs de pé, engolindo em seco. “O que raios você quer fazer lá fora?”
Marcus sorriu, abrindo a porta. “Lembra dos velhos tempos, quando éramos menores?”
Arthur sorriu de leve, se lembrando. “Nós costumávamos jogar baseball toda quarta e sexta. Era compromisso tipo reunião do Conselho. Se alguém faltasse, era ignorado por todos por uma semana.”
“Pois é. Nós tínhamos um nome, se lembra? Acho que era-“
“A Clave”, Arthur comprimiu os lábios ao segurar uma risada. “Éramos eu, você, Anthony, Dade e... Quem mais?”
“Daniel Workwood, Austin e os filhos de alguns conselheiros, eu acho”, Marcus completou o amigo. “Vêm. Vamos chamar os outros.”
E eles de fato foram. Anthony pôde ser encontrado em seu quarto, aparentemente compondo no piano após uma aula com o Conselheiro Cooper, e Dade no estúdio, acabando de organizar tudo para o Jornal do dia seguinte. Austin estava em uma de suas aulas com Yoren, mas os quatro simplesmente o arrancaram de lá, embora o Workwood aparentemente estivesse resolvendo coisas fora do castelo junto à mãe e as irmãs. Arthur pediu à um mordomo que levasse as bases para o lado de fora e trouxesse tacos, bolas e luvas; coisa que o funcionário fez com eficácia. Alguns minutos depois, os cinco estavam do lado de fora, jogando.
Austin estava com a bola, no centro das quatro bases posicionadas em um quadrado amplo, e se preparava para lançar. Na base-casa, Marcus segurava o taco com força e o girava atrás dos ombros, Arthur atrás dele para o caso do amigo errar a tacada. Do lado do diamante, Anthony esperava por sua chance de jogar, mas, para matar o tédio, narrava o jogo.
“Austin Orders recolhe a perna... Ele está prestes a lançar a bola... Leger olha com atenção para ele enquanto movimenta o taco acima dos ombros... Vai lançar... Lançou! E Leger rebaaate! Essa vai longe, hein!”, ele torceu, mencionando o time do Leger e de Austin enquanto o loiro corria de base à outra e Dade tentava pegar a bola. “Fadaye tenta alcançar a bola, Leger já passou pela primeira... Vai ser homerun... Ah, não, elepegou... Foi uma dupla!”
Arthur se virou para o irmão quando a jogada acabou e Marcus estava descansando na segunda base. “Anthony, quantos anos você tem?”, perguntou, mas o loiro pôs língua. “Esquece. Só vem pra cá, é sua vez de rebater.”
“Ahn, gente, eu tenho uma pergunta”, Austin chamou a atenção dos amigos, pegando outra bola. “Se essa não for uma homerun, quem é que vai rebater?”
Os cinco se entreolharam antes de começar a rir, mas foi Anthony quem respondeu. “Você sempre foi o racional, Austin. Mas não se preocupe: Marcus vai baixar nessa jogada.”
“Topetudo”, ele acusou o primo.
“Ele tá certo”, Dade concordou, ajustando o fecho da luva.
“Sobre o jogo ou Tony ser topetudo?”, Arthur devolveu, divertido.
“Provavelmente os dois”, Marcus falou, ainda da segunda base. “Vamos jogar logo!”
Eles deram de ombro e Anthony pegou o taco que Marcus havia largado no chão. Por ser canhoto, se posicionou do outro lado da base, esperando a bola de Austin vir.
Quando o loiro arremessou, porém, uma voz distraiu Anthony – e todos os outros. Era Aurora Bocchi, que saía para o jardim marchando junto à Skyler Smith, as outras garotas (Celina e as Selecionadas) um pouco atrás.
“Não acredito que vocês reuniram A Clave de novo e não me chamaram!”, ela acusou, e Marcus prontamente respondeu.
“Você era membro honorária, Aurora. Não te devemos explicações.”
“Vai plantar batata, Marcus”, a garota devolveu, fazendo uma careta para ele.
“Deixa a gente em paz, então!”, Marcus disse de volta, e ela fez uma cara de desafio.
“Com uma condição”, a italiana disse, e Anthony engoliu em seco. Aquilo era quase uma reprise de quando eles tinham oito anos. Ele quase rezava para que Aurora não tacasse uma bola no rosto de Marcus de novo. “Você tem de rebater uma bola minha. Se você conseguir em menos de três tentativas, eu saio daqui e nunca mais te desafio.”
Ah, ótimo. O trem do desastre apitava.
Marcus fez uma cara determinada. “Que seja. Anthony, me passa o taco.”
Aurora sorriu antes de ir para o centro, tomando o lugar e a luva de Austin, enquanto o loiro pegava o taco das mãos do príncipe. As garotas se sentaram na amurada onde Anthony estava antes, acompanhadas por Dade e Austin, enquanto Arthur se agachou novamente atrás do rebatedor. Colocou o capacete que o mordomo trouxera para essa rebatida: ele realmente não queria ser acertado pelo taco de Marcus caso Aurora acertasse seu rosto como da outra vez. As garotas torciam por Aurora, que mirava Marcus compenetrada, e os meninos gritavam incentivos para Marcus; enquanto Anthony, um pouco atrás do irmão, fazia a narrativa.
“Ela está se aquecendo... Jogou o cotovelo para trás... Vai lançar... E lançou! Strike um!”, o loiro gritou, para o desapontamento de Marcus e a comemoração das garotas na amurada. “Foi uma bola rápida e com efeito, não havia a menor chance de um inexperiente como Leger rebat-quer saber? Vamos à segunda bola!”, exclamou, então, depois de o amigo lhe fuzilar com os olhos. “Bocchi está medindo o peso... Ela joga para cima e pega atrás... Se recolhe... Lança! Striiiike dois!”
As garotas comemoraram mais uma vez, e Aurora levantou as sobrancelhas para o Leger. Aquela era a tacada fatídica. Da última vez que essa situação acontecera, Marcus saíra com um nariz quebrado, Arthur com um corte profundo na língua e outro na bochecha e Aurora com um castigo de uma semana. Provavelmente se lembrando disso, ela fitou o Leger.
“Ainda dá pra desistir, sabe? Não precisa passar pela humilhação da terceira bola”, disse, se gabando enquanto jogava a bola para cima.
Marcus cuspiu no chão à sua frente e ficou em posição, sério. “Nunca. Vamos até a última bola.”
“Você é quem sabe, Leger.”
Anthony não teve a ousadia de narrar dessa vez. Ele praticamente não respirou até o momento em que a bola repousou, sã e salva, na mão de Arthur., que parecia estar inteiro e bem. Marcus suspirou, chateado, e meneou a cabeça em consideração à garota. Ele sabia bem, desde o início, que aquele era um desafio que perderia. Por melhor rebatedor que fosse, somente Anthony conseguia rebater as bolas de Aurora, talvez por ser o melhor entre os cinco, talvez por ela mandar mais fraco. Arthur se pôs de pé e levantou o capacete antes de chamar a atenção de todos.
“Vamos tirar times?”, o ruivo perguntou, com um sorriso no rosto, e eles logo começaram a se dividir, um time liderado por Arthur e o outro por Austin. Calliope, Sofia e Celina, porém, preferiram só assistir; sob alegações de que não sabiam jogar, o que colocou Delancy na posição atrás do rebatedor.
Algumas rodadas e trocas de posição depois, eles já haviam perdido a conta do placar. Arthur só conseguiu se dar conta de quando suas bochechas doíam de rir quando, após sem querer fazer com que Austin caísse em cima dele (ora, ele havia andado para trás sem olhar quando Arthur estava entrando na base), o mordomo alertou-lhe que ele deveria ir, pois haveria uma reunião do Conselho em breve e suas roupas estavam terrivelmente sujas. Arthur sorriu ao se despedir dos amigos, Austin e Marcus andando consigo até a parte de dentro do Palácio.
Naquele dia, o príncipe descobriu algo valioso: não é porque você vai seguir em frente que precisa esquecer seu passado. Não é porque está passando por um processo que te faz criar novos hábitos que se é preciso largar os velhos. Ainda mais importante, não é por causa de novos relacionamentos que se precisa desistir dos velhos. Agora que ele sabia disso, seria algo que ele nunca esqueceria.
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