Notas iniciais
Deuses, estou inspirada hoje. E se eu tirar uma nota horrenda na pluridisciplinar, a culpa é sua, tortinhas! Pois é, um capítulo novo em folha. O último que toca nas garotas em algum tempo. Muahuahuahuahuahuahuah! Músicas? Come Together(The Beatles, mas prefiro o cover do Doo Wop Shop) e And So It Goes(Doo Wop Shop de novo. Amo esses caras, sério). Vai ter um momento para colocá-las, então, não se apressem. E fiquem à vontade para amar eternamente o The Doo Wop Shop, desde que saibam que o loirinho fofo da gravata verde que canta Tarzan é meu. Enjoy!

Eu estava profundamente entretido com meu livro quando um furacão ruivo invadiu a biblioteca. America Singer? Podia parecer, mas aprendi a saber que não. Era a mãe passada na máquina de xerox, Louise Singer. Suspirei e fechei o livro, vendo que lá se ia minha rara tranquilidade. Baixei os óculos que uso para ler.

“Nem pense em fazer essa cara de intelectual, Tony.”, minha irmã disse. “Eu e toda Illéa sabemos que você não é assim.”

“Ai, Louise...”, eu sorri. “Não me confundo com você. O quer por aqui?”

“Alguém para conversar.”

“Fale com Tammy.”

“Foram ver as avós, em Kent.”

“Mamãe está por aí.”

“Não vou conversar com mamãe.”

“E Hannie, pobrezinha?”

“Anthony, estou procurando alguém que me dê papo.”

“Archie lhe dará papo.”

“Está ocupado demais resolvendo as coisas que papai lhe fala para resolver.”, ela me devolveu, parecendo distraída. “Só sobrou você, loiro.”

“Ai, que delícia.”, me espreguicei, levantando de minha confotável poltrona. Repousei o exemplar de Game Of Thrones na mesinha ao lado do assento, e Louise se pôs ao meu lado. “Onde quer ir?”

“A qualquer lugar, Tony.”, ela fez parecer óbvio.

“Então por que não ficar aqui?”

“Aqui não conta, querido loiro.”

Pus a língua pra fora. “Então, Louise, me diga onde!”

“Tá, tá.”, ela disse. “Que tal nadar?”

“Não podemos, se lembra?”, eu devolvi, cínico. “Só se Archie e seu arém forem junto.”

“Podíamos ir para a Sala de Jogos.”, ela tentou, e eu ri.

“Louise, você está mais que proibida de entrar no paraíso geek, sabe disso.”

Ela deu de ombros. “Eu tentei.”

“Principalmente depois que discutiu com Charlotte e acabou destruindo-“

“Não destruí porcaria nenhuma.”

“Tá, quase destruindo o Ateliê. Hannie teve um ataque.”, me corrigi, sabendo que estava certo: Louise e Charlotte- Princesa da França, embora estivesse sendo mantida bem longe da coroa- brigaram sobre algo bobo como se Marius era mais apto à coroa que Charlotte ou o quê. Coisas de garotas. Mas, afinal, todos sabemos: Marius é mais apto à coroa do que a cobra arrogante da irmã dele. Do mesmo jeito que todos sabemos que Arthur vai ser um Rei muito melhor do que eu jamais seria- Mamãe diz que o país entraria em caos. Mas ela está, é claro, brincando. Nunca diria algo assim na minha cara.

“Ela teve o que mereceu.”, Lou disse. “A cobrazinha arrogante... Ainda me paga.”

Eu ri. Charlotte mereceu mesmo o que Louise a fez, e muito mais. A loira era uma cobra mesmo, assim como toda a Família Real Francesa. Menos Marius, o herdeiro. E não, eu não estou falando isso só porque ele me mataria se eu falasse qualquer outra coisa. Só porque ele é legal mesmo.

“Quer cantar, Lou?”, perguntei, depois que ela se acalmou.

“Claro que sim, Tony!”, ela se animou, e entramos na Sala de Música. “O que vai ser hoje?”

“Estava pensando em testar um arranjo que eu fiz pra Come Together.”, devolvi, procurando a letra nas pastas. “É uma A Capella.”

(N/A: Coloquem Come Together agora.)

“Você faz os vocais dessa vez, então.”, Louise me disse, e limpou a garganta. “Ch-ch-ch-ch-ch-ch-channing tatum.”

Me levantei durante a música, usando meu orpo nas notas mais fechadas e abertas. Sabia que meu rosto se contorcia em várias expressões diferentes, mas não estava nem aí. A música era tão feliz e descontraída que elevou o meu astral. Na última nota, me deixei cair no banco do piano. Lou assobiou.

“Tá pensando em mostrar isso pra mamãe?”, minha irmã perguntou. “Ficou legal.”

“Não acho que ela iria gostar.”, devolvi. “Mamãe é mais erudita.”

O que era verdade, e por isso Lou assentiu. “Mas papai gostaria, eu acho.”

“Concordo.”, disse, e ouvi passos vindos da porta. Imaginei que fosse um guarda ou alguma criada, então gritei: “Parado aí!”

Quando me virei pra olhar, quase corei. Aurora Bocchi minha, hm, conhecida de longa data, estava em pé lá; junto à Sofia Delacour e Carol Hudson. Eu, obviamente, ouvira o som da muleta de Carol. Aurora colocou as pequenas mãozinhas branquelas na cintura- não que eu estivesse reparando em suas mãos ou cintura, claro, mas ela colocou as mãos na cintura. Ah, não, eu... Quer saber? Esquece.

“Ou o quê, Vossa Alteza?”, disse, desafiadora. Vi Lou segurando o riso atrás de mim. “Vai me prender?”

“Poderia.”, ponderei. Aurora era puro jogo de palavras, e isso eu sabia jogar. “Mas acho que será mais produtivo lhe perguntar qual é o motivo de estarem aqui.”

Sofia se adiantou um passo. “Ouvimos vozes, e eu as convenci a vir. Peço perdão, Alteza.”

“Não se preocupe, senhorita Delacour.”, Louise disse. “Deixamos a porta aberta, de qualquer jeito. Qualquer um poderia ver.”

“Se me permite, Anthony, seus vocais andam melhorando.”, Aurora comentou cordialmente. Calma, isso foi um elogio? Onde está a Aurora que eu conheço?

“Muito obrigado, Aurora.”, devolvi.

“Que música era essa?”

Come Together, é seu nome.”, Lou respondeu. “Muito antiga, de uma banda antigamente muito famosa.”

“O arranjo é seu?”, Carol perguntou, os olhos cinzentos cintilando.

Encolhi os ombros. “É, eu fiz.”

“Devo dizer que é um ótimo arranjo, Alteza.”, a morena devolveu. “E sua voz é muito forte, carregada de emoção.”

“Estou comovido, Carol, mas não me chame por Alteza.”, eu disse, assumindo o tom diplomático e intelectual que papai me ensinara a usar com as garotas.

“Como queira, Alteza.”, ela repetiu, dando ênfase ao Alteza. Quase me virei para a ruiva ao meu lado e perguntei: Agora já posso estrangulá-la? Mas claro que eu não faria isso, por dois motivos 1) Carol era uma fofa; e 2) Aurora me estrangularia. E eu gosto da minha vida.

Louise pareceu se lembrar de algo subitamente, batendo a mão na testa. “Que avoada, eu! Esqueci que Hannie me pediu para pegar um livro na biblioteca, mas nunca acharia nada lá dentro.”

“Podemos te ajudar.”, Sofia e Carol devolveram juntas, e eu prendi a respiraçãoo. Louise não poderia estar fazendo aquilo. Não de novo.

“Têm certeza?”, ela disse. “É velho e Hannie odiaria se alguém o estragasse.”

A cara de Carol dizia suas palavras: “Agora é questão de honra. Nunca estragaríamos um livro.”

“Se dizem, senhoritas.”, ela deu de ombros nada inocentemente. Eu a fuzilei quando ela se virou para mim. “Tony, Hannie deve vir me procurar aqui. Você e Aurora poderiam esperar aqui e avisá-la?”

Dei de ombros, irritadiço com minha irmã. Idiota. “Claro que sim, Louise.”, me surpreendi com minhas próprias palavras, e as três fizeram o caminho que eu e Lou fizéramos antes. Aquela crápulazinha...

“Então, Tony, o que tem no seu repertório?”, Aurora me perguntou quando em me sentei ao piano, com vontade de esmagar as teclas uma a uma. Respirei fundo. Não podia vacilar na frente de Aurora.

“Tudo o que puder imaginar, milady.”, devolvi, pensando em uma das minhas preferidas. “Quer ouvir algo?”

“Obviamente.”

(N/A: E, agora, coloquem And So It Goes)

Fui apertando as teclas do piano e cantarolando baixinho a música, num tom grave e expressivo. Via que o queixo de Aurora caía, mas não me importava. Estava afundando naquela música, segurando a porcaria das lágrimas.

Meu dedos corriam pelo piano como se tivessem vida própria, e eu vivia a música. Profundo e triste, totalmente diferente de Come Together.

No final, Aurora cantava comigo, apoiada no piano. Conseguia sentir o calor de sua bochecha a alguns centímetros da minha testa, e não me importava. Via sua mão pender para as minhas, e não me importava. Nada que não a música me importava.

Na última nota, levantei a cabeça. Aurora parecia perdida em sru olhar, inexpressiva. “É linda, Tony.”, me disse. “E, de quebra, uma das minhas favoritas.”

Sorri de lado, desajeitado. Sim, eu, Anthony Schreave, o galinha; sorri desajeitado. “Que bom que gostou.”

“Como não gostar, Tony?”, ela se sentou ao meu lado, pousando sua mão na minha. “Como não-“

“Tony, você viu L-“, Arthur apareceu na porta. Devia ter reconhecido a minha voz, como bom irmão que era. Me levantei, soltando a mão de Aurora da minha. “Aurora?”

“Arthur.”

“Que fazem aqui?”

Dei de ombros. “Louise pediu que esperássemos por Hannie.”

Arthur me disse com o olhar: Mas não era isso que você estava fazendo, idiota. Mas não falou nada- ele provavelmente gostava da vida dele tanto quanto eu da minha. Se sim, era um idiota por convocar A Seleção. Na verdade, era um idiota em todos os aspectos possíveis. E eu, mais idiota ainda, amava aquele praguinha.

“Se me permitem, Altezas, vou me retirar.”, Aurora disse, e saiu de fininho. Arthur meneou a cabeça para ela; e, quando ela se foi, abriu a boca para falar. O cortei no ato.

“Nem fale nada.”, disse, mas ele não sorriu. “Já conversamos sobre isso. Não tenho nem vou ter nada com Aurie ou com qualquer uma das outras 29.”

Meu irmão suspirou. “Sabe, Tony, você é estranho.”

“Sou seu irmão, Archie.”

Ele riu um pouco, e pareceu ponderar a questão Aurora Bocchi. “Anthony, eu poderia dispensá-la. Você poderia conversar com ela como se fosse uma garota descompromissada.”

O sorriso esguio que tenho na maioria do tempo tomou meus lábios com certo esforço. “Relaxe, Archie. Aurie é sua, pelo menos até você enxotá-la.”

“Quer que eu a mantenha, então?”

“Você mantém quem quiser, cara.”

“Ela não quer voltar pra casa, sabe?”, o ruivo se recostou no piano. “Não quer nem olhar na cara do pai.”

Suspirei. “Eu sei. Mário não é exatamente tolerante, carinhoso ou compreensivo.”

Ele levantou as sobrancelhas para mim. “E...?”

O olhei, meio cético. Queria Aurora bem, só isso. Era uma grande amiga, e eu não queria que ela sofresse. Assim como Arthur. “Mantenha-na. Se ela quiser sair, com certeza dirá. É um bom partido, de qualquer forma.”

“O que direi a papai e mamãe para mantê-la?”

“É um bom partido.”, repeti.

“Não é o bastante.”

“Diga que... Que quer mantê-la aqui pois o pai a maltratará. Mamãe entenderá.”, eu assenti para mim mesmo.

“Dirão que devo mandar embora todas que não tiverem chance, Anthony.”, Arthur disse.

“Ela tem uma chance.”, eu devolvi, esperançoso. Uma vozinha na minha cabeça insistia em dizer: É, loiro, mas não é contigo. E outra, meu cérebro, dizia: Eu sei, eu sei. Mas cale a boca, se é que tem uma.

“Como queira, Tony.”, meu irmão disse, pensativo. “Como queira.”

Deixei o silêncio correr por um ou dois minutos, e disse: “Eu e Lou estávamos querendo uma festa na piscina.”

“É uma ótima ideia!”, Arthur se alegrou.

“Quando será?”

“Em breve, loiro...”, o ruivo disse, enigmático. “Assim que passarmos para A Elite.”

“Rápido assim?”, brinquei.

“Pra mim, parece um eternidade.”, Archie devolveu. “Papai e mamãe querem duas eliminações antes disso. Mas não pretendo me demorar.”

Levantei as sobrancelhas. “Wow, falou o Grande Rei Arthur!”

“Cale a boca, Anthony.”

“Quantas garotas vão para A Elite, querido irmão?”

“O Conselho disse seis.”, Arthur tornou, soturno. “Mas eu farei o possível para aumentar esse número.”

“Sete, o número fantasma?”, comentei, e ele meneou a cabeça em meia concordância. “Tem certeza?”

Mais tarde, eu não me lembraria da resposta de Arthur. Mas aquele número, Sete, pairou na minha mente até muito tempo depois.

Sete.

Sete.

Sete.

Notas finais
O que me dizeeeeeem?