Coroa

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Um Karaoso que eu consegui depois de um tempo lutando para escrever outra coisa sem sucesso. Espero que gostem ♥

Quem conhecia não tinha dúvidas: nenhum Matsuno era igual ao outro.

Contudo, Osomatsu, por ser o encarregado de sempre olhar para frente, devia ter sido o último a notar como tudo havia se alterado entre os irmãos desde a infância. Desse modo, quantas surpresas desagradáveis. Todos pareciam tão longe, até mesmo seu melhor amigo Choromatsu tentava se esquivar dele como uma praga. Oso não estava preparado para aquelas mudanças. Entretanto, isso não lhe impediu de se ver cercado por estranhos em sua própria família.

Karamatsu também era um estranho, diferente de como costumava agir, mas ele ainda permitia o seu contato. “Estava sentindo pena dele” foi o que tinha imaginado em uma mistura de sentimentos, os mais fortes sendo a vergonha, a raiva e a confusão. Oso não estava pronto para perder a sua coroa. Dessa forma, ele se tornou um tirano, mais do que um dia já havia sido.

O exemplo mais certo dessa característica foi quando em um período de aula, em que tinham se ausentado de propósito para irem pescar, Oso disse, abraçando o braço do outro de maneira possessiva, sua vara de pesca a uma distância considerável:

— Se você quer tanto assim passar um tempo comigo, não se aproxime de mais ninguém, ouviu, Karamatsu?

Eles não eram namorados e mesmo como namorados uma atitude como aquela não precisava ser tolerada. Entretanto, Kara, olhando rapidamente para a vara de pesca que tinha em mãos de forma a ver se tinha pego algo, não demorou em voltar a olhá-lo para, depois, abrir um sorriso e bagunçar os cabelos de Oso ao dizer:

— É mesmo? Então eu não tenho choice. Não quero ter que desapontar my big brother.

Karamatsu tinha os olhos tão transparentes que lhe ficava difícil dizer o que estava pensando. Era como uma presa fácil que de tão fácil vinha a dúvida se o que se apresentava diante dele era real ou uma ilusão. Kara era um desafio, mais do que qualquer outro que pudesse encontrar. Isso lhe causava receio.

Osomatsu preferia trabalhar com certezas nos assuntos humanos, porque, diferente de uma aposta em cartas, ele não perderia apenas um dinheiro que poderia voltar a conseguir.

— Está brincando comigo? — Osomatsu arriscou, esperando cenários ruins.

Não queria ter de desfazer o abraço por conta disso, não quando tinha a tanto custo reunido coragem para fazê-lo.

— Acha que estou? — Karamatsu respondeu com outra pergunta, um sorriso divertido.

— É sério, Karamatsu! — Osomatsu disse com um início de irritação.

Don't worry. Vou fazer o que me pediu. — Kara respondeu, pensativo. — Mas, em troca, você não vai poder desistir, understand? Ninguém desistiu de você ainda, Osomatsu. Então, não se esqueça deles, please. Se fizer isso, vou bater em você, really.

—... que segundo irmão mais confiável! Eu fico até envergonhado! — Osomatsu disse com o coração um pouco mais leve.

— Então estamos entendidos, brother. — Karamatsu disse, voltando a sua atenção totalmente para a sua vara de pesca, um sorriso confiante em seu rosto.

— Sim... e por que mesmo você fica usando essa carta como isca? — Osomatsu perguntou, mais distraído.

—... é um segredo que apenas quem já amaram podem entender.

Osomatsu inclinou a cabeça um pouco sem entender. Depois deu de ombros. Eles tinham um acordo e nada mais devia importar além disso.

Dessa forma, o tempo passou, e tudo permaneceu o mesmo ou era o que tentava se convencer. De repente, Oso não poderia mais negar para si mesmo em como achava o corpo do segundo irmão atrativo. A voz mais profunda... quanto notou as diferenças dele e de Kara, do físico até forma de pensar, principalmente aquele otimismo com que o outro encarava o mundo, lhe atraiu tanto quanto uma bebida em suas mãos.

Chegou a um ponto que apenas vê-lo de longe, mesmo tão perto, não era o bastante. Veio a sua mente que trabalhava em ilusões que poderiam afastá-lo do material real. Depois, vieram aqueles impulsos que, após serem permitidos pelo outro, lhe mergulharam naquela onda que era Karamatsu para levá-lo ao mar profundo.

Guiado pela melodia que lhe embalava, Osomatsu estendeu a mão para o segundo mais velho para que entregasse a sua coroa e o coroasse seu rei.

Tinha vezes que se arrependia tanto, pois não eram poucas as ocasiões em que se sentia sufocar pelos sentimentos que tinha pelo outro. Chegava ao nível de acabar por rejeitar Karamatsu com todas as suas forças para que a sensação de sufocamento sumisse. Então, Oso via a si mesmo como uma pessoa ingrata por Karamatsu continuar ali mesmo com as palavras que tinha dito.

—... sério, talvez fosse melhor encontrar alguém que cuide melhor de você. — Osomatsu disse, depois de pensar muito a respeito, coisa que fazia apenas em casos muito sérios, para que Karamatsu, dessa forma, lhe abraçasse com força.

Seus olhos se abriram em uma não surpresa que o entristecia. Entendia que Kara pensava diferente do que tinha dito.

Osomatsu não foi tolo em ignorar a permissão da onda para alcançá-la. A voz de Karamatsu, às vezes, era tão doce que lhe parecia uma melodia suave e encantadora. De vez em quando, era um suspiro rouco e decadente pela forma como os dois se abraçavam, e se amavam, e se uniam, e se perdiam.

A raiva do outro, a discordância, lhe enlouquecia, transmitia uma adrenalina que poderia destruir mundos, pois quem Kara achava que era para tentar mudar o que sentia no momento?

A coroa tinha deixado o seu dono. Contudo, seus traços continuavam ali, sem serem superados de forma adequada. Porém, pelo menos naquele momento, Osomatsu dizia aquilo pensando no outro e não nele mesmo. Quis se afastar, as coisas não deviam terminar daquela forma.

Todavia, uma dor se espalhava nele como se estivesse quebrando e aquele era o seu melhor remédio. Dessa forma, restava uma transparência que o impedia de fugir. Kara estava lá com ele e para ele. Eles lidariam com sua insegurança, e frustração, e ciúme, e carência.

Foi quando Karamatsu segurou o queixo do primeiro irmão ternamente, assim que se afastaram um pouco, para que, desse modo, beijasse a bochecha de Oso com cuidado. Osomatsu tinha perdido aquela batalha.

Notas finais
Nos vemos! (Como estou meio ocupada posso demorar um pouco a voltar, aproveitei um tempinho para postar isso q)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!