Notas iniciais
Pessoal, pessoal. Peço desculpas pela demora. Eu não abandonei a fic (nem pretendo) mas muita coisa aconteceu. Até mesmo minha outra fic está atrasando se isso serve de consolo. O problema aqui é especificamente bloqueio criativo. Não sei o que fazer, não sei como fazer. A linha do tempo está bem definida, uma coisa crua. Transformar isso em uma história são outros quinhentos. Por esse motivo, vim aqui colocar um capítulo extra. Ele não faz parte da narrativa principal, por assim dizer, mas muito do que acontece nele está amarrado nas alianças e armadilhas feitas na arena. Espero que sirva como um pedido de desculpas pela demora. Odeio quando levo mais de 30 dias pra atualizar, que dirá 45...

A pequena sala de reuniões estava muito menos movimentada do que nos anos anteriores. Era difícil precisar o motivo exato do desinteresse dos mentores das diferentes regiões por aquela edição dos jogos; apesar disso, quatro deles se reuniam mesmo assim na grande sala dedicada a eles, mantendo viva a velha tradição informal.

— Os nomes da primeira noite já foram anunciados, a primeira rodada de apostas foi encerrada. — A pessoa mais jovem dentre os quatro, a qual vencera os jogos apenas três anos antes, pronunciou-se — E lá se foi minha chance de fazer dinheiro.

— Você é da zoeira mesmo, Ren.

A jovem que respondeu sorria, como se já soubesse o que teria como resposta.

— Claro, eu sabia que você ia achar graça de eu ter apostado em Ransei esse ano, Verônica. Mas saiba que o garoto ainda está vivo.

— Só que você não apostou nele, não foi? Qual o nome do rapaz, Peter se não me engano.

— Isso porque a gente não pode apostar no próprio tributo. Estou confiante no Tony.

— Cala a boca! — A outra mulher do recinto se fez ouvir, também achando graça da situação, sem deixar de se revoltar. — Pelo visto você não entendeu o porquê de apostarmos.

— É para que o vencedor das apostas se sinta menos mal por ver seus tributos morrerem… — Ren retrucou. — Até parece que você se importa com eles, Hanna.

— É por causa de crianças como você que os outros não querem mais participar do jogo. E sim, ainda me dá um aperto no peito toda vez que tenho que passar por isso. Quinze anos esperando por uma vitória de Almia para eu poder viver a minha vida, me aposentar desse trabalho ingrato.

— E eu estou aqui já tem vinte e nove. — o último membro do grupo, já com as marcas da idade em seu rosto, se mostrou paciente mesmo com o baixo nível que a discussão tomava. — E nem era para eu ter entrado nos jogos, já que sou nativo de Unova. Você falando assim nem parece que matou sete nos seus jogos, Ren.

— Está bom, Naoki, eu já entendi. — murmurou, baixando a cabeça.

— Agora que já nos acertamos — Verônica interveio, na esperança de retomar o assunto inicial — quero saber quem apostou em quem.

— Fiz duas apostas dessa vez. — Hanna comentou.

— Você disse que simpatizou com os tributos de Kanto, apostou nos dois de lá? — Ren perguntou.

— Eles parecem interessantes, sim, só que não dá para esperar muito da Jamie. Ela é minha favorita, mas não acho que consiga vencer. Em compensação estou acreditando que o investimento que fiz no Sergei vai valer cada yen.

— E se você não apostou nela, está confiando em quem mais?

— Coloquei um dinheiro naquela menina que foi sem Pokémon.

— Para de graça, Hanna. — Verônica se intrometeu. — Eu aqui apostando nos dois de Sinnoh outra vez mesmo que não pague muito e você jogando dinheiro fora?

— Ela está viva ainda, não está?

— Tenham calma, o jogo só começou. — Naoki sorriu. — Mas meus tributos vão vencer, pode ficar tranquila.

— Usando espécies que obtiveram ilegalmente, qualquer um consegue. — Ren tornou a argumentar. — Vocês de Sinnoh sempre usam golpes baixos quando se trata dos jogos.

— Já disse para não se exaltar, moleque!

— E eu já te falei para não me chamar desse jeito!

— Não sei como uma criatura tão fresca quanto você conseguiu vencer. — exaltou Naoki apesar do tom de voz deveras tranquilo, dando ênfase na neutralidade da expressão que usou. — Na arena você foi macho o bastante para sair matando todo mundo, mas agora que ganhou deixou de ser?

— O que aconteceu no passado fica no passado, até me desfiz do Mence depois dos jogos. E pelo visto você está tendo dificuldade em entender o que significa gênero fluido!

— Pessoal, pessoal, vamos parar de brigar que isso não leva a nada! — Hanna se intrometeu.

— Tem razão, não vale a pena. — Ren recuou; percebendo que estava prestes a agredir Naoki. — Amanhã eu volto. Ou não. — e saiu, batendo a porta.

— Eu falei que não era uma boa ideia fazer as apostas com ele… ela… ah, vocês entenderam — Verônica comentou, após a saída de Ren do recinto. — Esses acessos de raiva não são normais, deve ter surtado por conta dos jogos e ninguém se deu conta…

— Continuo achando que é frescura. — Naoki resmungou. — Já vivi demais para perder tempo com essas coisas.

— Acho que foi por isso que te mandaram com a família pra Sinnoh. — respondeu Verônica. — Você tem a cabeça muito fechada para entender o que significa liberdade.

— É engraçado falar em liberdade enquanto assistimos a crianças se matando por ela, não acha?

Fez-se o silêncio após essa declaração de Naoki. Era óbvio que ele estava certo, ao mesmo tempo a verdade lhes parecia tão inconveniente ao se lembrarem de sua origem…

— Vou conversar com a Cynthia — continuou ele, levantando-se para sair e efetivamente encerrando aquele encontro. — Discutir estratégias, negociar com os patrocinadores, aquela farofa de sempre. Aliás, não vejo vocês fazerem isso, até parece que não se esforçam para que eles vençam…

Sua saída foi interrompida por uma última pergunta, de Hanna.

— Afinal, em quem você apostou? Na menina do Vibrava?

Naoki virou-se, surpreso pela súbita curiosidade da colega.

— Não. — ele fez um breve suspense antes de revelar a resposta. — Pus meu dinheiro no Klaust, aquele rapaz de Johto. Se meus tributos não vencerem essa, vai ser pelas mãos dele.

— Eu pensei que você valorizasse o trabalho em equipe. — retrucou ela. — Não foi assim que venceu a sua edição dos jogos?

Ele deu um breve sorriso antes de finalmente sair.

— De que adianta liderar uma equipe se você não está jogando?

Notas finais
Curto demais, eu sei. Espero que sirva pra eu conseguir retomar a história em si. Já coloquei personagens demais para abandoná-los