Cores do Passado
1 Cores do Passado
O sol descia lentamente, pintando o céu de laranja e dourado. Ela observava, sentindo o peso das memórias. Cada cor trazia um momento esquecido, um sorriso perdido no tempo. O vento soprava leve, trazendo consigo um aroma familiar, como se o passado sussurrasse ao ouvido.
Fechou os olhos e deixou-se envolver pela nostalgia. Quantas vezes tinha visto este mesmo pôr do sol? Quantas vezes, naquele mesmo lugar, sonhara com o futuro?
Inspirou fundo, abraçando a saudade. O sol desaparecia no horizonte, mas sabia que voltaria. Assim como as memórias, sempre vivas dentro de si. Caminhou pela areia, sentindo o frio suave da tarde. Cada pegada desaparecia com as ondas, como os dias que se esvaíam sem aviso.
Lembrou-se das risadas, das conversas, das promessas feitas sob aquele mesmo céu alaranjado. As vozes do passado pareciam ecoar na brisa. O tempo passava, levando tudo consigo, mas deixava marcas invisíveis. Olhou para trás, vendo apenas a praia vazia.
Mas dentro de si, cada passo ainda existia, gravado na alma. O sol, já quase oculto, tingia o mar de vermelho. Partia, mas amanhã voltaria. Tal como as lembranças, sempre à espera de serem sentidas.
O velho rádio ainda funcionava. Ligou-o e deixou a música encher o ar. Aquela melodia trouxe de volta uma tarde distante, risos ao vento e pés descalços na terra quente.
A música era uma ponte para o passado, um portal para momentos que já não podia tocar.
Fechou os olhos e sorriu. Sentia quase tudo outra vez: o calor do sol, o cheiro das flores, o coração acelerado. A canção terminou, mas a emoção permaneceu. O tempo levava os dias, mas nunca as sensações. Algumas memórias eram eternas, como uma melodia que nunca se esquece.
O sol já era apenas um brilho fraco no horizonte. O céu escurecia, tingindo-se de roxo e azul. Ficou ali, imóvel, apreciando os últimos instantes do dia. Sempre adorara esta hora, quando a luz se despedia suavemente, sem pressa.
Pensou nas despedidas que já vivera, nas pessoas que partiram, nas histórias que ficaram incompletas. A noite trazia silêncio, mas o coração continuava cheio de vozes do passado. Suspirou, aceitando a escuridão.
Afinal, cada pôr do sol anunciava um novo amanhecer. E, tal como a vida, tudo era um ciclo de chegadas e partidas, de luz e sombra. A noite caiu, e as estrelas começaram a brilhar no céu escuro. Sentiu-se em paz.
O passado nunca desapareceria, mas não precisava de ser uma âncora. As lembranças eram parte de si, mas não definiam o seu caminho. Inspirou fundo, deixando a brisa fresca renovar os pensamentos. Virou costas ao mar, os pés afundando levemente na areia fria.
Amanhã, o sol nasceria outra vez, trazendo novas cores, novos momentos. Não sabia o que o futuro lhe reservava, mas uma coisa era certa: estaria lá para ver. Porque, tal como o pôr do sol, a vida estava sempre a recomeçar
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