Cores do Meu Coração

45 Teme 17 - Caminhos de Cheshire


Notas iniciais
DiAngelo: Boa noite, pessoinhas. Então, devido a tretas da vida, ñ irei me estender nas notas, to com 0 ânimo para isso, - Nonna tá na mesma vibe, por isso ñ vai pôr as notas dela - então desculpem, mas pelo menos nós trouxemos o cap pra vcs! :) Enfim, o cap de hoje é dedicado a leitora Ayla Miyako q mandou o review mais lindo da vida cap passado! *-* Espero q vc goste, querida! :* PS: Nonna e eu criamos uma page no facebook para atualizar vcs das novidades das fanfics e para q vcs pudessem interagir com os outros leitores! Curtam, principalmente pq precisamos de pessoas para nossos planos de interações. Um spoiler: Alguns envolvem diálogos entre os personagens, corram lá para conferir: https://www.facebook.com/sociedadeprovadoresgaspacho/?ref=bookmarks

— Naruto. — chamei, enquanto terminava de ler o relatório que a minha secretária de bordo acabara de me entregar, vendo se realmente valia a pena continuar investindo no setor de cosmético dos Hyuuga. Suspirei, esfregando a minha têmpora esquerda, batendo a caneta em cima do papel. Eu acho que vou devolver essa merda para os antigos donos. Cansei de dor de cabeça.

Revirei meus olhos e fiz sinal para que tornassem a encher meu copo de suco. Maracujá, para transações que me enchem o saco. Por sorte, eu acho, eu me recordara de levar os fones de ouvido e nesse momento estou ouvindo a mais famosa do Nirvana, mas não alto o suficiente para me isolar do mundo exterior.

Decolamos, como eu prometera a Naruto, para o Japão, meu local de nascença e, obviamente, de moradia durante a minha infância nostálgica. Eu e meu namorado estávamos dentro do meu avião executivo, que uso quando preciso resolver algum problema das empresas. É um saco, eu sei, mas é o jeito. Esfreguei meus olhos, ao estalar a língua, e suspirei. Ainda bem que Maiko foi para uma aula de campo e só retorna em dois dias, foi com a turma de ballet cuja professora é uma grande amiga de mamãe.

Minha vontade era de queimar aqueles relatórios malditos, me esticar no carpete macio do avião e ficar vegetando até pousarmos.

— Hum… — ele respondeu distraidamente, rabiscando algo em um caderno de desenho e mascando um chiclete.

— Qual a sua descendência? — levantei-me, passando por ele, e fui para a mesa que havia no meio do avião, observando algumas planilhas projetadas no tampo de vidro que me servia de tela touch screen. É, eu vou dar as contas dessa empresa de cosméticos.

— Louca e misturada. — ele fez uma careta engraçada. — Mamãe veio do México, de uma família de ciganos, por isso ela era perigosa, com aquela personalidade forte. Papai era descendente de europeus gazos e japoneses.

Sorri de lado.

— Seu sangue é pior que o samba do criolo doido, Naruto. — comentei, mudando o centro de gravidade do meu corpo para a outra perna, talvez eu estivesse parecido com a forma como Naruto para no fim da passarela, com o diferencial que eu estava descalço e com papéis nas mãos, que brevemente serão queimados. — Isso explica muita coisa sobre você e sobre sua alma.

Caminhei até o bar do avião e busquei uma fruta para comer. Esse trabalho todo está me dando uma fome chata. Peguei algumas uvas, coloquei num prato e levei para ele.

— Tipo o que? — agora ele parecia interessado.

Até se posicionou melhor na poltrona para me ver.

— Tipo o fato da sua alma ser… — sorri de lado. — Até um tempo atrás, insaciável e, de quebra, compatível com quase todos os tipos de almas. Além de você ser explosivo, como dizia a sua mãe. — coloquei o prato numa mesa baixa e pequena, perto dele, ao lado da garrafa de água que eu entregara minutos antes. — E muito orgulhoso. Não sabia disso?

— E eu pensando que seria mais elogios… — ele me deu língua. — Não tenho culpa de ter sangue gitano¹. — falou, num espanhol fluente.

Yo te alabé, cabrón rubio². — devolvi no mesmo tom e na mesma língua. Ele riu.

— Obrigado, então. — falou e depois colocou uma uva na boca.

Pisquei um olho para Naruto e retornei para a minha mesa, para começar a transferência. Eu sei que Hizashi vai dar pulos de alegria ao ver meu email

— Mas porque a pergunta repentina? — indagou.

Fitei.

— Eu queria saber se você era de alguma família com história, sabe? — encostei a caneta na minha boca e dei de ombros — Se tipo… Como eu posso dizer sem parecer rude ou prepotente… Essa coisa de longas gerações, sabe? — suspirei — Eu queria saber se você vem de uma família tradicional, sem ofensas, é claro.

— Hum… a família da minha mãe tinha suas tradições, mas eu não me interessava muito, quer dizer, na infância. Mas depois que fui trabalhar para Sui comecei a gostar. Acho que por isso sempre quis ir numa sessão com Iruka... Essa coisa de misticismo e tal. — ele voltou a rabiscar. — Mamãe dançava muito bem. — me encarou e sorriu.

— Eu sei. — sorri, cruzando as mãos ante o rosto. — Tive a oportunidade de ir a umas duas festas com seus pais… Era engraçado ver seu pai nervoso por causa do… — engoli em seco. Deuses me livrem de ser desrespeitoso com Dona Kushina. — Jeito dela.

Eu gosto de ouvir Naruto falar de si. Além de serem histórias interessantes, chega a ser terapêutico para ele, eu acho. Falar sobre si com alguém que não vai repreendê-lo. Vê-lo sorrir ao se lembrar de certas coisas, chegar ao ponto de, muitas vezes, sentir os mesmos sentimentos que sentia na situação mencionada, como se revivesse tudo. O que posso fazer? Eu gosto de ouvir história, gosto de ouvir as pessoas contarem um pouco de seus causos de vida.

— O caso é que você vai conhecer a minha família, ou os ecos passados dela. Eu queria saber se havia mais alguém dos Uzumakis ou dos Namikazes para eu conhecer, além de você e da minha ex-esposa. — soltei sem sentir. Quando percebi, Naruto me encarava num misto de surpresa e raiva por eu ter mencionado-a.

— Como? Não entendi. — ele me olhou como se eu fosse louco.

Comecei a rir baixo da coincidência e do quanto Iruka tinha razão. Parece que eu realmente estava destinado aos Uzumakis, mais especificamente a Naruto. Não é possível que eu tenha conhecido todas as pessoas dessa família. Quero dizer, Karin me contou que seus pais a deixaram num orfanato, de modo que ela não sabia deles.

— Bom… Não sei se você sabe, mas Karin é sua prima. — falei numa boa. — Acho que de segundo grau, algo assim. — dei de ombros.

O email de resposta dos Hyuuga chegara, eu comecei a ler. Parece que eu mais uma vez adivinhei: queriam o quanto antes a posse do segundo ramo da família. Eu acho que o som de engrenagem e o cheiro de fumaça que eu estou sentindo deve ser a cabeça de Naruto maquinando alguma coisa, porque ele, de repente, ficou quieto demais.

— Você tem alguma foto dela aí?

— Duas, só. — falei, pegando meu celular e jogando para ele. — Está na pasta “Invisíveis”, pode procurar. — Naruto o pegou no ar e me fitou. — Tranquilo, pode olhar… E para a sua tristeza, não tem nudes aí, nunca teve e nem vai ter, não meus pelo menos.

Ele se demorou investigando meu celular, mas vi pela mudança do seu semblante que ele encontrara as fotos e agora as observava com muita atenção, como se procurasse por algo num mapa perdido. Parei o que eu estava fazendo e fiquei assistindo seu comportamento indignado mudar para surpreso, curioso, confuso e, por fim, incômodo. Fico imaginando a quantidade de palavrões que ele deve estar pensando agora.

— Certo, quem é? Fica difícil adivinhar, Sasuke! — ele perguntou, impaciente.

— A ruiva de óculos. — falei, teclando rapidamente e esperando a resposta do email.

A secretária veio me deixar a cópia do documento de transação e eu fui lê-lo.

— Puta que pariu! — ele largou o celular no colo e esfregou o rosto com força. Detalhe: eu tomei um susto com sua atitude repentina. Encarei-o — Isso é muito azar, Kami!

— Por qual motivo? — que eu não saiba ainda, Naruto. Pensei, voltando meus olhos para o documento. Eu queria saber se estava tudo nos conformes.

— Ela é ruiva, Sasuke! — ele franziu o nariz. — Uzumaki definitivamente ela é! Eu vou chorar! — grunhiu com raiva.

— Claro que é Uzumaki! — eu ri baixo — Eu saberia se não fosse… Inclusive ela tinha uma mania igualzinha a uma que você tem. Uma das tantas que você tem. — eu ainda não o olhava.

— Eu não acredito que a vadia da sua ex-mulher é da MINHA família, desculpa falar assim, mas ela era uma vadia sim! — trincou os dentes.

Ai, ai. Lá vamos nós. Peguei o documento, mais uma caneta, fui para a poltrona dele, fiz um gesto para que se levantasse — ele o fez, muito contrariado — me sentei e o chamei para meu colo, foi como mágica: foi só Naruto se aconchegar para sua cara de indignação virar uma expressão dengosa de ciúme. Esse moleque é muito manhoso e muito mal acostumado.

Depois vou dar uns puxões de orelha em Shisui.

— Você a conhecia? — perguntei, abraçando sua cintura com um braço e segurando os papéis com o outro, alternando em olhá-lo e lê-los.

— Graças a Kami, não!

— Isso é curioso porque ela gostava de colo e de morder os lábios quando queria me beijar igual a você. — comentei por alto, enfiando minha mão, meio que sem perceber, por dentro de sua camisa, dedilhando de leve em suas costas.

— Você está tentando me irritar? — ele estreitou os olhos.

— Não. — virei-me para ele. — Eu estou te apresentando um parente seu.

— Não quero ser apresentado a ninguém! — respondeu, ríspido.

Dessa vez eu que estreitei meu olhar.

— Deixa de ser moleque, Naruto. — ele sentara e cruzara os braços, querendo me dar as costas, mas sem poder, porque da última vez que ele fez isso levou uma cintada de cinto de couro que o fez perder um desfile por não poder andar. — Ela fez parte da minha vida, você querendo ou não, tal como sua mãe fez e agora você faz. Para o bem ou para o mal. — revirei meus olhos, voltando a ler. — Dane-se… — resmunguei.

— Não estou sendo moleque. Eu não gosto dela. Não sou obrigado a gostar de ninguém. — ele suspirou. — Não somos assim, Sasuke. As pessoas acreditam nesse estereótipo idiota que os ciganos são pessoas de mau caráter, mas não passa disso, um estereótipo. Ela não merece esse sobrenome.

Meu deus, como é bobo esse homem. Tão bobo que chega a ser lindo. Coloquei o papel sobre a mesa e puxei-o para um beijo, fazendo-o quase se deitar como um macaquinho sobre mim. Fitamo-nos e nos beijamos mais um vez.

— Não foi isso o que eu quis dizer… — beijei-o de novo. — Eu disse que tive momentos bons e ruins com os Uzumakis. Sua mãe fora uma pessoa incrível na minha vida, Karin foi uma praga e você…

Suspirei, satisfeito com seu semblante se acalmando.

— Eu o que? — falou, tentando não sorrir.

— Você… — dei de ombros. — É meu. E eu tenho muito bom gosto, só quero o melhor dos melhores para ficar comigo. — beijei-o devagar, saboreando seus lábios carnudos. — Não acha?

— Que bom que finalmente encontrou o Uzumaki certo. — sorriu divertidamente. — Mamãe ia ficar maluca se visse… Peraí… — ele fez uma cara surpresa. — Ela viu nas cartas!!! Por isso a insistência.

— Cartas? — franzi as sobrancelhas.

— Sim, cartas de tarot. Porque você acha que ela queria te casar comigo?

— Sua mãe era sensitiva? Essa é nova para mim.

— Não exatamente. Ela sabia ler cartas, e na verdade era péssima. Mas quando ela acertava, acertava em cheio. Ela tirou as cartas para mim uma vez, foi no dia que ela te conheceu. Desde então ela surtou com essa história de Pelinegro. — explicou, fascinado.

Eu não pude conter a minha cara de surpresa.

— Ela leu sua sorte no dia que me conheceu? — cocei meus cabelos, em claro sinal de confusão. — Como isso é possível? — não me lembro de ter visto Naruto em outro momento do meu passado exceto quando eu tinha vinte anos.

— Foi antes do treino de papai. Eu fui com mamãe buscá-lo, mas no caminho pedi para ficar na casa de um amigo. Quando ela veio me buscar tinha um sorriso enigmático no rosto. — ele gargalhou. — Iruka deve se divertir muito mais com a gente do que se divertiu com meus pais.

— Tem razão. — falei baixo, contemplando seu rosto brilhante de alegria.

Beijei-o para só então tirá-lo do meu colo e ir saber com o piloto quanto tempo faltava para chegarmos ao nosso destino. Pelo caminho fui ouvindo discretamente os comentários dos meu funcionários sobre Naruto: desde comentários baixos, como “ele só é mais uma puta sugando o dinheiro dele. Não vai demorar para que esse viado dê o golpe do baú” até os mais encorajadores “O Sr. Uchiha merece ficar com alguém tão bom. Vocês sabiam do projeto para crianças de rua que Naruto sustenta?”. Eu só podia rir.

Duas horas, e uma transação bem sucedida, depois, nós chegamos ao aeroporto de Tokyo. De lá, nós dois fomos de helicóptero para as regiões montanhosas mais afastadas dos arquipélagos. Alguns minutos depois chegamos ao heliporto mais próximo das terras da minha família. Tivemos que ir de carro até que, enfim — pois Naruto estava um emburramento só, indignado pela demora — depois de mais duas horas, nós chegamos.

Desci do carro, fui buscar uma mala comprida demais. Coloquei a mala no chão, a minha de “guerra”, e abri-a, retirando de lá algumas roupas. Tirei minha camisa e vesti a pulôver preta de zíper que havia lá, arregaçando as mangas, depois troquei meus sapatos sociais por um par de botas para trilhas. Peguei um casaco, amarrando-o na cintura, e tudo isso eu observando a entrada para as minhas antigas terras de nascença.

Pus minhas luvas de couro, prendi meu cinto de “utilidades” — um em que ficava preso na coxa esquerda o meu punhal de caça, duas bolsinhas pequenas traseiras para colocar qualquer coisa e um espaço para o cantil — e por fim eu retirei de lá um arco e um estojo com 64 flechas. Pendurei tudo em mim e fitei Naruto.

— Pronto? — perguntei, sorrindo de lado com sua cara de admiração.

— Vamos caçar no caminho? — ele arqueou a sobrancelha.

Acabei rindo.

— Talvez. Sabe caçar? — guardei a mala e peguei a mochila de Naruto, entregando-o.

— Sasuke, eu sou modelo. A máquina de matar aqui é você! — ele riu.

Meneei minha cabeça negativamente e comecei a andar, indo para o portal que indicava o começo da suposta trilha que levava a minha antiga casa.

— Espero que tenha se abastecido de comida para dois dias. — falei, subindo os dois primeiros degraus e fitando-o. — Porque é um longo caminho. — subi mais um degrau e me virei de novo, lembrando de algo. — Sugiro que sempre me siga. Não sai de perto de mim, porque… — sorri sombriamente. — As histórias são reais.

Ele se apressou em ficar perto de mim, ajustando atrapalhadamente a mochila em suas costas. Começamos a subir a escadaria com tranquilidade, apesar dos olhares apreensivos que Naruto me mandava depois de inspecionar a mata. Nós seguíamos por dentro de um túnel feito por árvores côncavas, de folhas bem verdes e cipós que pareciam querer esconder algo.

— Por favor, diz que essas histórias não envolvem fantasmas ou algo do tipo. — ele arregalou os olhos e estremeceu.

Não teve como eu conter a minha risada tenebrosa.

— Exato, meu caro, fantasmas de pessoas que se perderam. Fantasmas vingativos que querem que todos tenham a mesma sina que a deles. — fitei-o, arregalando os olhos. — Ficar para sempre numa floresta amaldiçoada por demônios noturnos.

— Eu já posso voltar? — choramingou.

Parei de subir e apontei a entrada, vulgo saída, que ainda era visível, pois andávamos em linha reta, subindo sutilmente.

— Pode ir. — falei tranquilamente. — Você tem o número de Juugo. Ele pode vir te buscar e te levar para o hotel que costumo ficar. Vai. — estirei o lábio, apontando mais uma vez para a saída.

Ele grunhiu, irritado e me olhou feio.

— Espero que sua sombra trabalhe dobrado! Vamos logo. — saiu pisando duro. Depois parou e me encarou, enquanto esfregava a nuca. — É melhor você ir na frente.

— Quer segurar a minha mão? — acompanhei-o e entrelacei meus dedos nos seus, mesmo sem ouvir sua resposta, puxando-o pelos degraus.

Caminhamos assim durante trinta minutos, dentro desse túnel agradável e um pouco frio, de natureza tranquila, cheia de recordações antigas que fazia minha mente divagar, mas não se perder, pois o aperto que Naruto aplicava em minha mão a cada som que ecoava pela mata não me deixava mergulhar profundamente nas energias daquele lugar.

Por fim chegamos ao fim da escada, onde havia um paredão de pedra lisa que se erguia a quinze metros do chão, sumindo depois das copas das árvores, coberto por lodo e musgo. Havia algumas linhas molhadas indicando que chovera recentemente. Suspirei e olhei para cima.

— Fica aqui, Naruto. — falei, indo até uma árvore e subindo-a rapidamente. Até isso me trouxe recordações dos meus tempos de fuga. Olhei para baixo e vi a cara de preocupação que meu namorado tinha no rosto por não conseguir me ver. — Naruto. — chamei.

— O que? — falou alto.

Afastei um galho que ficava em meu caminho para vê-lo melhor.

— Pode me ouvir bem? — ele me achou e sorriu. — Porque eu vou sumir de suas vistas por um momento. — eu estava apoiado em um galho, meio sentado, meio pendurado.

— Posso… Você não vai demorar, não é?

— Não. — sorri e tornei a subir. — Vou conversando com você, se isso lhe deixar mais tranquilo. — fui tomando cuidado com os galhos apodrecidos, mas fora isso, era exatamente igual ao meus tempos de moleque. Parece que o caminho ia se abrindo aos toques das minhas mãos.

Enfim cheguei ao encontro das copas das árvores mais baixas. A ponte ainda estava lá. Dois galhos grossos que se entrelaçaram com o tempo, um da árvore que eu subi e o outro de uma tombada numa fenda perto do paredão. Transpassei o arco em meu peito, abri meus braços e me equilibrei passo a passo pelos poucos metros que a ponte tem.

Cheguei a fenda e comecei a escalá-la com alguma dificuldade por causa da pedra molhada e da falta de cipós seguros para eu usar como corda.

— Maiko me fez um interrogatório digno de uma Uchiha da última vez que esteve lá em casa. Cara, aquela menina podia ser facilmente da polícia. — ele riu.

— Ela não gosta de policiais. — acabei rindo e dei uma olhada para baixo. Eu podia vê-lo, mas Naruto não podia me ver. — Ela acha a profissão assustadora. O que ela te perguntou?

— Se eu gostava de você de verdade. Aquele papo de quais são suas intenções com meu pai. — ele pigarreou.

Empurrei meu corpo para cima e finalmente subi a fenda, indo para as pedras que se encaixavam como num amontoado estranho, formando um caminho bom para se escalar. Subi com mais cuidado, por causa da superfície encharcada. Mas ao fim, eu cheguei ao alto do paredão. Desviei de alguns troncos caído no caminho, busquei o cipó mais forte que encontrei, amarrei num pedaço de madeira ainda “jovem” e fui para onde Naruto estava em relação ao paredão.

Nunca achei que fazer uma escalada curta pudesse me trazer tantas memórias, tantos momentos tristes, sombrios, quantas vezes eu fizera indo e voltando aquele caminho de árvores e pedras, fugindo, procurando, vivendo. Eu podia me ver caindo pela primeira vez daquele paredão, que me fez quebrar o braço e me fazer a atual tatuagem “Foda-se o mundo”, eu tinha só cinco anos e fora a minha primeira tentativa de fugir de meu pai. A primeira tentativa fudida.

— Bem a cara dela. Maiko é muito ciumenta. Mesmo não sendo minha filha biológica, ela puxa mais a mim do que a Itachi. O que você disse, Naruto? Quais suas intenções para comigo?

— Ah não, de novo não! Eu é que pergunto quais são as intenções de vocês com esse papo! — ele bufou, cruzando os braços.

Eu ri, jogando o cipó por cima da árvore que servia de teto, fazendo a madeira descer devagar, como numa roldana, em que eu era a engrenagem de captura.

— Sinceridade. — falei, fitando-o. — Para Maiko só existe eu. Se ela me perder, eu sei que ela enlouquecerá… Uma vez ela me disse que se eu morresse, ela morreria junto comigo. Esse é um dos maus que assolam a raça Uchiha. Nos apegamos de corpo e alma às pessoas… Já devo ter dito que quando minha mãe morreu, eu quase morri também. — suspirei, meio nostálgico, ouvindo através do vento o riso carinhoso dela. Ah, mamãe, quão orgulhosa está de mim depois de tudo o que fiz nesses anos?

Suspirei mais uma vez, desfazendo o nó na garganta e fitei Naruto. Ele também é solitário, cuja mãe foi uma figura muito intensa em sua vida. Esse Iruka nunca teve tanta razão sobre um par de soulmate e suas vidas entrelaçadas. Por mais que seja difícil para alguém como eu admitir, minha alma é a plena completude da dele e eu herdei parte da bondade da minha mãe: eu não posso deixá-lo sofrer, não depois de tudo o que eu soube sobre sua vida e de sua família.

A madeira chegou ao chão, bem ao lado dele, levando o cipó consigo.

— Vai subir, Naruto?

Ele não me via, mas eu o via.

— O QUE? — ele olhou para cima, me procurando. — Você enlouqueceu?

— Segure-se no cipó que eu te puxo. — sorri de lado. — Use a madeira como apoio para os seus pés. — vi-o encarar a “corda verde” ao seu lado. — Se me obedecer, eu te dou um beijo. — ele corou de leve e eu acabei rindo da minha própria proposta.

— De que adianta ganhar um beijo se eu tiver morrido? — falou, emburrado, mas já se ajeitava para que eu pudesse o puxar.

Revirei meus olhos e comecei a içá-lo no ar, devagar para que ele não se assustasse tanto. Eu sei que ele é adulto e tal, que já viu muita treta nessa vida de merda, mas Naruto tem medo, pânico extremo de fantasmas e a minha história inicial o deixou, como posso dizer, vulnerável, então não o julguem por estar tão… Dependente assim. Quando ele se acostumar, passa.

— Não confia em mim, little bitch? Não acha que eu tenho forças para te trazer até mim? — falei o mais sugestivo que a situação me permitia. Vi-o corar mais um pouco. Acho que ele entendeu.

Apoiei meus pés numa raiz enfiada, eu não sei como, na pedra para que meu corpo não deslizasse e assim eu tivesse um apoio melhor para puxá-lo.

— Confio em você, mas não na gravidade… — ele olhou para baixo e gemeu, choroso.

Tenho que distraí-lo, porque eu sei o quão alto é essa estrutura natural.

— Deixa que com a gravidade eu me resolvo, só confie em mim. — tentei confortá-lo. — Então, Maiko perguntou algo a mais? Fez mais algum comentário no estilo Uchiha?

— Ela me contou que fugiu de casa. — ele parecia desconfortável por falar naquele assunto.

Parei de puxar por causa do estremecimento que lembrar dessa época me deu. Respirei fundo e tornei a puxar. Naruto já estava na metade do caminho.

— Todo pai tem sua época sombria com os filhos. — foi tudo o que eu disse e sei bem que Naruto me entendeu, pois acabou sendo uma referência inversa a ele próprio. — Não é algo de se orgulhar, mas eu fiz o possível para não abandoná-la… Ela só tinha cinco anos. Eu não podia simplesmente deixá-la ir… Aliás, independente da idade, eu jamais deixaria Maiko fugir de mim.

— Essa é a parte que mais gosto em você — ele olhou para cima e sorriu.

Eu nada disse, apenas apliquei mais velocidade. Por fim, Naruto passou pelos cumes e eu estava a suas vistas agora. Ele só estava a um metro e meio, eu acho, de distância de mim, isto é, do paredão para o cipó em que Naruto estava pendurado. Enrolei o cipó em meu braço, apoiei melhor meus pés no chão e segurei-o ali.

— O Sasuke pai? Essa é a parte que mais gosta? — decidi amarrar o cipó na raiz abaixo dos meus pés e, quando ficou bem seguro, eu caminhei para a outra ponta do paredão.

Fui até a árvore curvada, subindo e me equilibrando nela. Naruto me acompanhava com o olhar, ora curioso, ora preocupado. Realmente, estamos a quinze metros de uma bela queda.

— Não. O Sasuke “defendo o que é meu com garras e dentes”. — ele corou.

— Esse é, também, o mais perigoso. — sorri, enquanto ia para o galho perto de onde Naruto estava pendurado. — Também conhecido como El Diablo.

Cheguei ao cipó, isto é, perto dele o suficiente para segurá-lo com os meus braços e o empurrei para perto do paredão, fazendo Naruto se aproximar.

— Vai, pula.

Ele assentiu e logo estava na segurança da pedra. Fiz o caminho de volta e logo nós dois estávamos devidamente seguros na superfície fria. Aprendi essa manobra, vulgo mão de obra, toda com Itachi: era assim que fazíamos quando eu não sabia escalar as pedras. Eu ofegava um pouco, enquanto Naruto era só sorrisos de alegria. Retirei meu arco do meu corpo e o segurei na mão.

— Estou esperando… — sorriu de forma sapeca.

Coloquei o arco no chão, segurei a mão de Naruto, puxei-o e ele ficou naquela posição de “princesa de filme romântico vai ser beijada durante a dança”. Aproximei nossos rostos, enquanto minha mão apertava sua coxa perto da minha cintura, e por fim nos beijamos. Fui endireitando a nossa postura, Naruto afundava seus dedos em meus cabelos e a minha língua dançava com a dele sem se incomodar com nada.

Dei alguns selinhos de brinde e sorri de lado, soltando com calma a sua perna.

— Viu como vale a pena confiar em mim e me obedecer? — mais um beijo.

Sério, eu devo estar viciado nessa boca porque quanto mais eu beijo, mais eu quero beijar.

— A propósito, sua filha também disse que já sabe que “fazemos coisas de casados” e que queria um papai lindo e de olhos azuis. — ele deu algumas batidinhas no meu peito.

— Eu acho que você não sabe como é a concepção de casados de Maiko. — eu acabei desfazendo o abraço, rindo brevemente, peguei o arco no chão e indiquei uma passagem entre duas árvores. — Para Maiko, duas pessoas que se beijam na boca são casadas. Isso é o “coisas de casados” que ela falou, seu pervertido.

A trilha subia sem degraus de pedra. Agora estávamos em total contato com a floresta. Eu tive que escolher o caminho mais longo por ele ser menos “venenoso”. Essa mata é conhecida pelos espinhos venenosos que podem dar todo tipo de sorte tenebrosa ao infeliz picado.

— Ufa, que alívio! — Naruto colocou a mão no peito. — Eu quase tive um troço quando ela disse isso.

— Acha mesmo que eu te como para o mundo inteiro ficar sabendo? — encarei-o, meneando a cabeça negativamente. — Eu sou a pessoa mais discreta que eu conheço e odeio quem fica se metendo na minha vida pessoal, quem fica me dizendo que é errado dá umas tapas boas na bunda que eu estou fodendo com gosto. — virei-me para frente. — Eu posso com uma merda dessas? Claro que não, né, little bitch!

Prendi o arco de novo e busquei o punhal para cortar alguns galhos finos, para abrir caminho.

— Você é tão romântico, Sasuke. — ironizou.

— Quando eu sou romântico, você me quer ruim, quando sou ruim, você me quer romântico! Vai ser bipolar assim na China. — falei, rindo, ajudando-o a descer uma raiz coberta de musgo.

— Eu devo ter nascido do sexo errado. O que posso dizer? — deu de ombros.

Que cara bobo por pensar isso.

— Não. — abracei-o assim que ele chegou ao chão. — Creio que não… Se você fosse mulher, provavelmente ou eu iria te achar um porre fraco demais para beber ou uma puta muito frígida… — beijei-o. — Prefiro você assim, um macho que quer me desafiar todos os dias. — soltei-o e recomeçamos a caminhada. — Chega a ser motivador!

— Ah, para! Assim eu gamo! — ele brincou, mas seu rosto estava vermelho.

Eu ri, deslizando por cima de um tronco caído. Agora descíamos. Em breve retomaríamos a trilha e chegaríamos a clareira onde seria o acampamento improvisado para passarmos a noite, tudo isso antes do pôr do sol.

— Já era, little bitch, você já está gamado em mim. É meu, só meu. — ele parou com um pé em cima do tronco que eu acabara de descer. — Que foi? — perguntei, vendo sua hesitação.

— Como desço disso? — ele coçou a cabeça.

— Senta e escorrega. Eu te pego.

Abri meus braços, como todo pai faz ao ver seu filho pequeno descer pela rampa do escorregador, rindo gostosamente da brincadeira.

— Isso tudo é um programa de índio, como diria meu pai. — ele negou com a cabeça e sentou no tronco, depois escorregou.

— Te peguei. — falei, ao tomá-lo pelos braços e levantá-lo do chão. Afaguei seus cabelos. — Vamos… Ainda temos que andar um pouco antes de escurecer.

Eu ouvia as vozes da natureza, os ventos soprando as copas das árvores. Respirei fundo e olhei para o alto, mesmo com dificuldade, eu conseguia ver o céu. Estreitei meu olhar e antes que eu pudesse dar qualquer aviso, praticamente movido pelo antigo instinto de fuga, eu pendurei o arco no meu corpo, corri, pisei numa raiz mais alta, tomando impulso e estiquei-me como uma onça para alcançar o galho mais próximo e subir.

— Wow! Você é o que? O Tarzan? — Naruto perguntou, admirado.

Ouvi sua pergunta como um comentário distante, minha mente estava presa a natureza, mergulhando no passado, em que eu era um moleque assustado, temia sombras e fantasmas, cada canto, subia aos cumes para fugir das trevas e emergir na luz. Foi nesse exato momento, na réstia do sol sendo engolido por nuvens densas, meio acinzentadas no centro. Respirei fundo, sentindo o frio dos ventos cortantes, zunindo nos meus ouvidos e chicoteando meus cabelos contra o meu próprio rosto. Iria chover. Olhei para frente e ao redor.

As réstias do sol tocavam a floresta densa como tubos de luz. O sons dos animais, o cantar de pássaros reativaram a minha infância e eu me aquietei, apoiando-me como podia nas ramas esparsas de folhas. Fechei meus olhos e suspirei, completamente imerso. Eu tinha oito anos de novo, eu não tinha medo das sombras, mas queria sentir o sol contra meu rosto. Eu era apenas mais um fantasma errante da floresta.

Ouvi uma voz. Eu não sabia de onde vinha, mas parecia me chamar. Olho em volta, procurando de que lado da montanha vinha a voz. Ficou mais alta. Abri meus olhos, piscando várias vezes, como se eu acordasse de um transe. Respirei fundo, e ouvi mais alto.

— SASUKE! — olhei para baixo. Um pingo de água acertou a minha nuca quando me virei, olhei o céu de novo e sorri de lado. Essa deve ser a forma mais linda de receber boas-vindas.

Segurei-me nos galhos e me empurrei para baixo. Desci, saltando de um galho para o outro, como se eu estivesse descendo uma escada escrota. Abaixei-me num galho, apoiando-me no tronco e fitei Naruto. Ele parecia indignado.

— Cara, eu te chamei umas cinco vezes! O que foi isso? — ele perguntou, preocupado.

— Nostalgia. — respondi. — Vem aqui. — apontei para a raiz que eu usara para me dar impulso.

Ele se aproximou e me analisava com atenção, procurando algo no meu rosto.

— Perdeu alguma coisa? — perguntei, sorrindo e maquinando como eu desceria sem machucá-lo. Eu tinha que me apoiar, não poderia arriscar um salto porque eu estou consideravelmente longe do chão, então eu usaria o corpo dele, mas como? — Quantos quilos você aguenta com os braços? — perguntei, me sentando com as pernas penduradas.

— Acho que uns quarenta. Por que? — me olhava com curiosidade.

Encurtei meu olhar e revirei meus olhos. Que droga. Que eu acerte um local fofo.

— Saí de perto. — falei, me posicionando para pular. — Serve pra nada, esse moleque. — resmunguei, rindo. Vi um ponto entre duas raízes, com um pouco de folhas.

Talvez ali eu não me lasque muito.

— Você fala moleque como se eu ainda tivesse treze anos! — revirou os olhos e se afastou um pouco.

— Você tem treze anos. Ninguém nunca te disse isso?

— Haha! Você é hilá… — começou a falar, mas aí ele arregalou os olhos. Provavelmente percebeu minha intenção.

Joguei-me, cruzando os braços na frente do meu corpo. Foi direto no encontro das duas raízes, de costas na folhagem, de braços abertos e as pernas em cima da raiz. Arfei, rindo da merda que eu fizera, pois eu me esqueci que estava com o arco encaixado nas costas. Vocês não têm noção da dor que eu estou sentindo na minha cervical. A dor é tão escrota, que eu não paro de rir. Respirei lentamente, inflando meus pulmões e ouvindo minhas costas estalar.

— Eita ferro… — consegui falar com demora. — Essas minhas costas se ferram demais...

— Sasuke! — Naruto correu até mim e se agachou ao meu lado. — Qual é a sua, seu idiota? ‘Tá tentando se matar? — encarei-o e empurrei seu rosto com a mão, virando-o de leve.

Depois empurrei minhas pernas por cima do meu corpo, dando uma cambalhota para trás e parei de cócoras, com os punhos no chão. Levantei-me com cuidado e tirei o arco, olhando-o. Estava inteiro, perfeito, ao contrário das minhas costas. Apoiei minhas mãos na cintura, empurrei-a para frente e ouvi minha coluna estalar alto. Eu ri com a dor.

— Eu sou o diabo. — comentei, girando o tronco. — Não morro, eu sou exorcizado. — pisquei um olho para ele. — Estou de boa. Vamos, que vai chover.

— Estou falando sério, Sasuke. Não me venha com essa de diabo! — ele bateu o pé no chão, irritado. E esse galego ainda quer me dizer que não é moleque de treze anos? Não mudou nada.

Transpassei um braço por seus ombros, puxando-o para perto de mim e dei uma cheirada demorada em seu pescoço. Eu ri com seu arrepio. Chupei a pele ali e me afastei. Depois dei uma cutucada marota em sua barriga ao me adiantar dois passos.

— Essa sua irritação infantil me lembra uma piada que eu fazia com um dos meus submissos que tive antes de você. Um moleque que nem você, só que com dezoito anos e muito vigor. — vou fazer isso só para sacanear o meu namorado. Eu tenho que desnortear a minha mente da dor nas minhas costas. Vou andando, ouvindo seus passos firmes atrás de mim. — Entre Madara e eu, sabe com quem seria melhor você ficar?

Abaixei-me e empurrei um tronco para cima, tirando-o de nosso caminho. Era oco, leve, quase podre, então nem senti o peso.

— O que?! — guinchou. — Kami, acho que você bateu a cabeça na queda!

Nem dei ouvidos a sua reclamação.

— Sabe com quem? — eu ri.

— Com seu avô que não era! — ele bufou.

— Com Ino. — acabei rindo e tremendo os ombros.

Não que realmente fosse engraçado, Ino é muito puta, mas mesmo assim é melhor que nós dois, não que eu seja ruim de cama ou que meu avô fosse também, mas quanto a questão de personalidade, de pessoa, Ino era bem melhor.

— Olha, até que é interessante. Ela sabe uns movimentos bem legais! — ele acabou gargalhando.

— Você tem que ir para cama com ela para confirmar isso. — fitei-o de modo sacana. — Eu sei a resposta. Kakashi também, Itachi, Juugo, Tenten, Shikamaru, um vizinho que eu tinha, meu avô, o cara que vendia pão, meus três ex-secretários… — tomei fôlego, erguendo o indicador.

Fitei sua cara vermelha de indignação e raiva.

— Ei, pode parar com isso. Ela é legal! Com quem ela dormiu ou deixou de dormir, isso não diz respeito a você. — ele me olhou feio.

Meneei a cabeça lentamente, sorrindo de lado e pisquei um olho. É sério. Eu sei que sou sadomasoquista, então não questionem o fato de eu simplesmente gostar de ver Naruto furioso, louco para me dar uma surra.

Intencionalmente dei um apertão no traseiro dele ao ajudá-lo a subir uma pedra coberta de musgo verde vivo. Naruto me fitou, arregalando os olhos, mas depois sorriu, mordendo o lábio inferior. Quando eu subi na pedra, nós acabamos nos beijando demoradamente. Empurrei-o contra uma árvore e chupei com vontade seus lábios macios, esmagando sua bunda entre minhas mãos enquanto Naruto gemia baixo, remexendo-se entre meus braços.

Ainda bem que na guerra entre eu e Madara, eu saí com o melhor prêmio, por assim dizer, porque puta que pariu! Boca deliciosa do inferno!

Nossas pélvis próximas se esfregavam por causa dos movimentos de nossas cabeças. Parece que Naruto se aproveitou disso para começar a rebolar contra as minhas mãos, como se quisesse que meus dedos tateassem sua zona erógena. Eu parei de beijá-lo e fui ocupar-me de seu pescoço delicioso.

— Que fogo é esse, Naruto? — raspei meus dentes ali, fazendo-o se arrepiar e tremer. Dei uma tapa em sua bunda e subi minhas mãos para suas costas. Ele resmungou, contrariado. — Bora se acalmar, little bitch? Ou quer ser comido aqui na mata?

— Foi você que começou! — ele se defendeu, apesar de estar muito quente.

— Então é melhor eu mesmo parar, certo? — sussurrei, fitando-o, sacana, olhando seu rosto de cima a baixo, admirando o leve vermelho que se apossara dele. Ele só resmungou em resposta. — Isso foi um sim, um não, um talvez, ou um “continua só um pouquinho mais”?

Fui me soltando dele, mas sem me afastar. Mantive a distância entre nossos corpos. Coloquei as mãos na cintura e estreitei meu olhar, esperando a resposta.

— Isso foi um vamos andando.

Só pude concordar e tornar a caminhar.

— Isso tudo é pressa em conhecer meus parentes ou medo de ficar perdido por aqui? — perguntei, enquanto começava a subir de novo, a trilha indo para um local mais alto da mata.

— Está ficando escuro e estou começando a ficar cansado… — ele suspirou.

Assenti. Mesmo que eu achasse que fosse, esse não é o melhor lugar para transarmos.

— Vem, daqui a algumas horas vamos parar e acampar. — falei, observando-o subir. — Trouxe barraca e colchonete? — observei sua mochila não tão grande.

— Acho que sim…- ele coçou a têmpora e franziu o nariz. — Você sabe que sou meio bagunceiro, então pedi ajuda a Sui para arrumar a mochila. Avisei a ele que colocasse. Não acho que ele tenha esquecido. — sacudi a cabeça de um lado para o outro, como um pêndulo, pensando a respeito. Particularmente eu espero que sim, por ele.

A floresta, a medida que nos aprofundávamos, ia ficando escura, o manto da noite caía devagar, como sombras escorregando pelos troncos, como demônios engolindo todo o verde, aliás, toda e qualquer cor viva que havia. Olhei em volta, concentrando-me nos sons da mata, os animais noturnos nos vigiando atrás do que foram as árvores e os arbustos. Naruto aproximou-se de mim, mas manteve uma postura “corajosa” ao meu lado, não querendo deixar transparecer o seu claro medo da floresta. Parei e estiquei um braço, fazendo Naruto parar.

Então uivos altos ecoaram na escuridão.

Notas finais
DiAngelo: Gostaram? Sentiram o suspense desse final? O.O Uma palavra: TRETA! Já sabem, né? Comentem, favoritem, recomendem e curtam nossa page, só assim pra melhorar nosso ânimo! :') Vlw Flw o/ ¹ cigano. ² Eu te elogiei, bastardo loiro.