Cores do Meu Coração
48 Dobe 18 - Tudo ao mesmo tempo
Notas iniciais
Eu estava uma pilha! Super empolgado com o lançamento da nossa coleção, minha e de Shisui, e para mim isso era uma novidade, meu trabalho até hoje era só desfilar, de repente me vejo criando moda. Não vou nem comentar que o fato de ter uma companhia na passarela dessa vez, me deixa em êxtase. Eu não poderia estar mais realizado profissionalmente falando, mesmo que eu estivesse para me aposentar. A propósito, esse seria meu último desfile.
Mas nem tudo são rosas, eu estava maluco com Sasuke. Desde nossa viagem, há um mês, ele está de certa forma estranho. E eu não faço a menor ideia do que esteja acontecendo. Já tentei conversar com ele várias vezes e tudo que ele me fala é : “isso é uma fase ruim por causa do trabalho, você não deve se preocupar”. É óbvio que é impossível eu não me preocupar, não sei o que meu namorado tem!
Conversei com Itachi e Shisui e tudo que eles me disseram era que eu estava arrumando sarna para me coçar, mas eu consigo ver que Sasuke não está bem, ele continua o mesmo no geral, mas sei que tem algo errado. Ele não tem mais a mesma vivacidade, parece um zumbi. É tanto que ele nem perde mais tempo repreendendo minhas “narutices”, o que as vezes faço apenas para ver se ele vai reagir.
Nossa vida sexual anda… Normal. Sim, isso mesmo. Normal. Quase tradicional. A questão é que depois que Sasuke ficou sabendo que eu era um masoquista em ascensão, achei que estava dando carta branca, que ele poderia soltar o leão da jaula, mas tudo que aconteceu foi ele ter reforçado as correntes, o que não faz sentido nenhum para mim. Não é algo que chegue a me frustrar, estou mais preocupado em saber o que se passa com meu namorado.
Sinto que os papéis se inverteram, agora eu que cuido dele, não que eu ache ruim, para mim é encantador cuidar de Sasuke, mas para ele isso não é natural. Ele que controla tudo. Sinto tanta falta do meu diabo que essa noite tive um sonho muito, como posso dizer… Interessante? É, talvez. Acho que Sasuke que ia adorar. Quem sabe não conto para ele, para ver se ele reage a isso.
Bem, enfim, não lembro exatamente como a coisa aconteceu, mas eu estava encolhido em um sofá, tipo aqueles de lanchonete, dormindo… Em um bar. Não me pergunte, não sei de nada. Então, eu estava lá, provavelmente bêbado, porque só estando nesse estado eu concordaria com o que vai acontecer a seguir, e Sasuke chegava do nada e puxava minhas pernas, arrancando minhas calças no processo, me colocava de quatro, afundando meu rosto no estofado e sem mais nem menos, me penetrava com força, e eu nem vi a hora que ele abriu a própria calça!!!
Eu não sei o que as pessoas em volta diziam, faziam ou para onde olhavam. Só sei que eu só podia gemer mais e mais, pedindo para ele ir com mais força, mais fundo, mais rápido. Imaginem como eu acordei. Pois é, a vida não ’tá fácil pra ninguém.
— Naruto… Você ainda está nesse mundo? — era Itachi, me oferecendo um pouco de suco de limão num copo. Ele sentou-se ao meu lado e sorriu. — É por causa do desfile esse seu voo tão longe?
— Obrigado. — bebi um gole. — Também. Só estou preocupado com umas coisas. — dei um sorriso sem dentes.
— Posso te ajudar em alguma coisa? — ele arqueou uma sobrancelha. Shisui estava do outro lado do avião, fazendo um milhão de ligações e um milhão de coisas, com Sasuke o ajudando com sua “autoridade” superior.
— Não, tudo bem. Como Maiko está? A última vez que vi ela, parecia um esquilo que tinha tomado café misturado com energético. — gargalhei.
— Dormindo. — Itachi cruzou as pernas e apontou para Sasuke com o queixo. — Não existe nada que aquela coisa não consiga. Fazer a cria dormir é uma delas. — ele riu baixo e bateu no meu joelho. — Se precisar de algo pode contar comigo, certo?
— Tudo bem.
Neste exato momento, rumamos, todos os Uchihas e eu, para Roma, onde vai acontecer o lançamento da coleção. Logo em seguida teremos uma coletiva de imprensa, que com toda certeza, vai abalar o mundo da moda. Estamos indo no avião de Sasuke, que fez questão de nos acompanhar e ver tudo em primeira mão.
Suspirei e me estiquei na poltrona, tentando dormir, mas claro que eu não ia conseguir. Meu cérebro não dava um minuto de trégua. E para piorar, eu estava começando a ficar irritado. Motivo: fome. Minha dieta tinha ficado ditadora nas últimas semanas e eu nunca estava totalmente satisfeito. Gemi, frustrado, minha vontade era sair correndo e gritando até não aguentar mais.
— Sui, me deixa comer só uma tigela de rámen! Por favor… — falei, manhoso.
— NÃO! — ele me encarou com os olhos vermelhos, furiosos. — Você não pode nem pensar em comida. Se aquiete! Vá tomar um suco, comer uma barra de cereal, sei lá. — se virou e continuou a trabalhar.
Sasuke levantou o rosto, estava sentado em sua mesa, lendo a pilha gigantesca de documentos burocráticos que Shisui arrumara e eu não entendia. Ele arqueou uma sobrancelha e me fitou.
— Shisui. Naruto tem que comer. — ele falou de modo grave. — E não desconte seu estresse nele, se quer descarregar, descarrega em quem aguenta. — era quase como se ele dissesse “em mim”.
— Você cai nessa? Esse é o maior truque dele! Fazer cara de cachorro abandonado. — olhou para mim com os olhos cerrados. Naquela cara de “Eu sei o que você está fazendo”.
Encarei-o de volta e pedi silêncio com o indicador, dando uma risadinha em seguida.
— Faz o seguinte: você — ele apontou para Shisui. — Termina o que está fazendo e você... — apontou para mim. — Vai comer alguma coisa. — já me levantei na felicidade. — Mas se eu sentir cheiro de rámen, eu queimo a sua cara na água quente.
— E eu pensando que você estava do meu lado… — resmunguei, com um bico emburrado. — É isso o que recebo por todo o amor que dou! — falei dramaticamente, colocando a mão no peito e fazendo uma expressão de dor.
Ele me fitou com uma cara de indiferença.
— Se continuar reclamando, vai ficar sem comer até chegarmos em Roma. — ele suspirou cansadamente. — Vai comer, criatura.
Dei língua para ele e fui até a cozinha.
Resolvi não extrapolar a dieta, não era novidade nenhuma para mim essa vida de “insatisfação alimentar”. Então só pedi um sanduíche de peixe e bebi um pouco de vinho, enquanto a copeira preparava minha refeição. Senti uma mão no meu ombro e me virei. Era Sasuke, pegou uma cerveja e serviu-se, pedindo um sanduíche de frango com muita pimenta, ele só ama comida apimentada. Sentou-se ao meu lado, tomou um gole e me fitou, piscando um olho para mim. Pegou uma maçã e cortou-a em pedaços, para comer.
— O que foi? — bebi um gole da minha taça.
— Olhei para a sua cara e fiquei com fome. — ele comeu um pedaço de maçã, sem me olhar, porque estava prestando atenção na copeira.
— Haha, você é mesmo um comediante! — ironizei.
Ele só sorriu de lado e deu de ombros.
Vou chacoalhar esse zumbi um pouco. Um, porque nós nunca falamos desse assunto e dois, porque quero ver se ele reage.
— Maiko disse que aceita nosso casamento. — falei, enquanto olhava minhas unhas.
Ouvi-o tossir como se tivesse se engasgado. Opa, uma reação. Deu certo.
— Casamento? — ele me fitou e até a copeira estranhou o que eu dissera. — Como assim?
— Ah, você sabe, aquilo de trocar anéis e tal. — encarei minha taça, tentando conter o riso.
— Maiko quer que nós casemos? Mas que história… — ele riu e fitou o meu prato com o sanduíche pronto, que a copeira acabara de me entregar.
Não aguentei e cai na gargalhada.
— Eu ‘to brincando, teme. — bati em suas costas de leve com a mão.
— Essa menina me inventa cada coisa. — ele recebeu o seu sanduíche e tomou um gole da cerveja. — Até parece que alguém quer se casar comigo. Nem pelo dinheiro o povo quer se casar comigo, porque eu sou insuportavelmente incapaz de viver em sociedade.
Respirei fundo, mordi meu sanduíche e mastiguei.
— Podemos falar sério agora? — falei, assim que engoli a comida.
— À vontade. — ele pegou uma faca e cortou o sanduíche em dois, para comer uma das bandas. — Qual é o assunto de hoje?
— De fato ela disse que me aceitava como “seu novo papai”. — o encarei, fazendo aspas com os dedos. — Você me perguntou se eu queria casar com você há um mês e eu não disse nada, embora você saiba a resposta. — suspirei. — E eu não queria Sasuke, quero dizer, sempre achei que você não quisesse, não que eu ache que você mudou de ideia, mas ela me fez acreditar… — olhei para o prato, me sentindo exposto, mas me forcei a olhar para ele, para ver sua reação.
O maxilar dele ficou rígido e seus olhos desviaram um pouco da linha dos meus. Ele pensava sobre o que eu dissera, eu tenho certeza. Como eu queria que ele fosse o diabo, dissesse alguma piada sugestiva, ou brigasse comigo, ou me ignorasse. Mas ele só ergueu o olhar para mim, num suspiro e sorriu de lado, vazio, oco.
— Crianças sonham, não é? Maiko te ama muito… — ele deu de ombros. — Seria interessante, não é? — não havia malícia ou a ideia de esperança. Era vazio, uma fala vazia.
— Não são só crianças que sonham, Sasuke, e você sabe disso. — me levantei, peguei meu prato e minha taça e sai da cozinha, beijando seus cabelos antes.
Eu sinceramente não sei o que fazer com esse Sasuke zumbi. O que ele tem? Como posso ajudá-lo? Me sinto tão perdido quanto cego em tiroteio. Ele comeu quieto, mas parecia que a qualquer momento se engasgaria com o lanche. Depois veio para sua mesa e continuou seus trabalhos burocráticos. Shisui olhou-me e depois olhou para ele, ficou nessa de olhar para mim e olhar para o diabo até que Sasuke fechou a cara e o mundo voltou a rodar.
Sasuke me olhou pelo canto dos olhos e sorriu minimamente, uma tentativa de me dizer que “Estava muito bem”. Eu só consegui negar com a cabeça, não acreditando em sua “fala”. Me estiquei em uma poltrona, assim que terminei de comer, e consegui dormir até o pouso do avião.
Finalmente chegamos a Roma e eu já me sinto mais empolgado. Resolvi deixar de lado a “questão Sasuke“ e focar no meu trabalho, pois se tem uma coisa que aprendi com Shisui, foi a ser profissional acima de tudo. E não seria dessa vez que eu o decepcionaria. Passamos o resto do dia no hotel, descansando e terminando de resolver os últimos detalhes. Eu fiquei em um quarto sozinho, o que foi até melhor, principalmente depois da minha última conversa com Sasuke. Depois que confirmei com Shisui que ele não precisaria de mim, voltei a meu quarto, tomei um comprimido para dormir e me deitei. Liguei para Kiba e conversei por longos minutos, esperando o efeito do remédio começar. Mal lembro de ter desligado o celular.
Acordei na manhã seguinte com batidas insistentes na porta, era Maiko, que não parava quieta um minuto. Suspirei, pedi para ela esperar um pouco com seu pai enquanto eu tomava um banho para acordar. Ela concordou e se foi. Sentei na cama, olhando para o nada, tentando espantar a preguiça e de repente senti falta do meu gato rabugento. Sorri e fui tomar banho.
Depois de me vestir, fui buscar Maiko no seu quarto, mal falando com Sasuke e a arrastei até o quarto de Shisui. Ele estava num bom humor tão grande, que seu rosto chegava a brilhar.
— Hum… Acho que a noite foi boa. — sussurrei no ouvido dele.
— Não que isso seja da sua conta, não? — ele respondeu brincalhão, mas o tom avermelhado de seu rosto o entregava.
Sorri e ainda dei mais algumas alfinetadas nele e em Itachi, que tentava esconder sua cara vermelha de alguma forma, mas no fim das contas, ele acabou rindo, contido e fez uma cara de “fazer o quê?”. O dia passou razoavelmente rápido, com Maiko quase nos enlouquecendo por causa do nervosismo. Eu fui o mais paciente possível enquanto explicava a ela como se portar. No fim das contas, logo depois de Sasuke conversar um pouco com ela, finalmente a menina se acalmou.
Agora, estamos Maiko, Sui e eu no backstage, esperando o desfile começar. A princesinha vai entrar comigo e estamos todos felizes com essa novidade. Ela não para de me olhar com os olhinhos brilhando e o enorme sorriso no rosto. Shisui entrou na passarela e anunciou o início do desfile da nova coleção da Fashion Walker, com uma participação especial que ele revelaria na coletiva logo a seguir.
Começou a tocar “Vogue” da Madonna, peguei a mão de Maiko e a apertei, para passar conforto e segurança, ela respirou fundo e sorriu para mim, devolvi o sorriso e seguimos passarela adentro. Maiko vestia um vestido vermelho de lã, de mangas de renda branca, com uma saia interna de babados, legging preta e uma bota cujo cano ia até o meio de suas canelas. O cabelo feito em cachos, negros, ficaram lindos com as plumas vermelhas na mesma tonalidade do vestido. A maquiagem era suave, pois, mesmo sendo Uchiha, Maiko é só uma criança.
Eu estava de calça de veludo vinho, uma camisa preta de botões por cima de uma branca estampada, que mal dava para ver através dos primeiros botões abertos, e uma jaqueta de couro preta com uma gola de um tipo sintético de “pele de animal” — nem Shisui, nem eu aprovamos a matança de animais só para fazer roupas — , a bota que eu usava era de cano médio, preta. E para finalizar o look, uma boina azul marinho sobre meus cabelos.
Assim que aparecemos, a multidão parou, chocada, os desfiles da Fashion Walker nunca envolveram crianças, mas no final foram arrebatados com a beleza de Maiko e bateram palmas vigorosamente. Paramos no final da passarela, onde Sasuke e Itachi estavam sentados, assistindo nossa performance. Ele sorria de lado, daquele jeito dele, provavelmente muito orgulhoso da filha e Itachi aplaudia, repuxando um pouco os lábios para então sorrir de verdade. Eu mordi o lábio, encarando Sasuke e pisquei o olho, sorrindo em seguida, ele me respondeu com aquele olhar que me deixa todo arrepiado, em chamas. Suspirei e vi que Maiko sorria para o público, nós viramos as costas para a plateia ao mesmo tempo e prosseguimos com o desfile.
Maiko ainda entrou mais duas vezes comigo e para finalizar, o que as pessoas ainda não sabiam era que literalmente aquilo seria um final, desfilei sozinho. Com um sobretudo cinza fechado, uma calça preta, uma bota, da mesma cor que a anterior e um cachecol de um roxo muito escuro, enrolado no pescoço.
Dessa vez eu acenei para o público, sorrindo emocionado, sentindo as lágrimas encherem meus olhos, mas um pouco e eu estaria chorando. Foram quase quinze anos da minha vida devotados ao mundo da moda, não que minha carreira estivesse acabando de verdade, mas eu nunca mais voltaria as passarelas. E de certa forma eu me sentia triste e feliz ao mesmo tempo. Era um sentimento agridoce. Parei no fim da passarela e vi Sasuke sorrindo de forma mais aberta, batendo palmas com força e aí senti a primeira lágrima descer. Sequei rapidamente, respirei fundo e senti uma sensação de paz. Tudo isso só posso agradecer a meu pai, que me ajudou a tomar a melhor decisão da minha vida.
Voltei ao backstage e senti Sui me abraçar, soluçando.
— Ei, quem devia ‘tá chorando era eu! — falei, brincalhão.
— Só cala a boca! — ele respondeu ríspido e eu dei uma risadinha, apertando mais meus braços em volta dele.
— Você é o filho que nunca tive, Naruto! — ele afagou meus cabelos. — Kushina e Minato devem estar tão orgulhosos de você agora...
Não consegui mais me segurar, logo eu estava chorando e soluçando também. Não sei se por causa de Sui se dizer um pai para mim ou pela fala de que meus pais estariam orgulhosos, no fim, acho que foi pelas duas coisas.
— Vamos com calma, ou vocês vão estragar as maquiagens que Kurenai levou o dia para fazer. — Itachi nos abraçou ao mesmo tempo, mas recostou sua cabeça na minha. — Você teve uma carreira linda, Naruto e vai ser mais linda ainda ao lado de Shisui. Se seu nome brilhava com você desfilando, vai brilhar ainda mais com as pessoas desfilando para você.
— Como você quer que eu pare de chorar falando assim? — resmunguei, fungando. Tenho que admitir que aquelas palavras me trouxeram conforto e eu não poderia estar mais agradecido.
— Sorrindo, cara! — ele apertou a minha bochecha de leve. — Não existe melhor forma de encerrar do que sorrindo, Naruto, do seu jeito! — e fiz o que ele disse, sorri.
Encerramos a noite com uma coletiva baseada em três pilares. Um, Uzumaki Naruto estava se aposentando da carreira de modelo, a mídia enlouqueceu nesse minuto, todo mundo falando ao mesmo tempo. Parecia o apocalipse.
Dois, Shisui anunciou sua parceria comigo, trabalharíamos em conjunto nas criações da Fashion Walker, nessa hora todo mundo se calou, olhando chocados para a gente, talvez preocupados que eu não tivesse o dom para a criação e foi aí que Sui falou que a coleção que acabara de ser lançada era obra minha também. Os queixos foram ao chão, foi quase impossível falar alguma coisa depois disso.
Terceiro, e não menos importante, foi anunciado a nova via de moda lançada pela Fashion Walker para crianças, representada por Maiko. Aí todo mundo foi a loucura de novo.
— Quem era a menina que desfilou ao seu lado, Sr. Uzumaki? Inclusive, deixou a todos encantados e surpresos. — perguntou uma das repórteres.
— Vou passar a falar para o Sr. Uchiha. — segurei o sorriso quando olhei para Sasuke. Bem, era uma coletiva, eu não podia chamá-lo de outra forma, podia?
Mas o silêncio foi quase sepulcral. Para Sasuke, perguntavam, o dono da Rebú? Eu continuei me segurando para não rir.
— Então… — a repórter pigarreou dado o olhar sério de Sasuke. — Quem é a pequena?
— Minha filha única, Maiko. — o mundo desabou em surpresa. — Mas antes que me perguntem, ela não tem pretensão de ser modelo, só tem oito anos, não vou mencionar quem é a mãe e não, eu não vou falar mais nada sobre ela. — ele sorriu e piscou um olho.
É ou não é o diabo? Todos engoliram em seco de modo comunitário e se entreolharam, procurando ou um buraco para se enfiar dentro ou assunto para continuar.
— É verdade que vocês se separaram por um tempo, Sr. Uzumaki e Sr. Uchiha? — um repórter se pronunciou.
— Sim, é verdade. — franzi o nariz. Sério que agora vão querer falar do nosso relacionamento?
— Algumas fontes comentam que a separação está relacionada ao desentendimento que o Sr. Uchiha teve com um estagiário da Konoha’s Enterprises. É verdade? Poderiam comentar um pouco a respeito? — falou um repórter absurdamente bem informado.
Senti um arrepio frio. Olhei com o canto do olho e vi a cara de pouquíssimos amigos de Sasuke. Isso o que eu estou vendo é ciúme? Arregalei meus olhos, eu não pude me conter. Sasuke com ciúme?! Com CIÚME de mim?! É possível isso, Kami?
— Chama aquilo de desentendimento? — Sasuke falou com o tom severo. — Foi uma coincidência, pois na época eu nem sabia que Naruto estava com alguém e se ele estivesse, não era da minha conta, pois ele é adulto e faz o que quiser com a própria vida. — estreitou o olhar. — Mas, se amanhã vocês vão colocar nos tabloides de vocês que eu e Naruto terminamos por causa de ciúmes, acho bom procurarem empregos novos.
PUTA QUE PARIU, esse é o meu Sasuke. Finalmente alguma coisa tinha que reviver o diabo que me encantou e me laçou e me… Não vou comentar. Eu senti meus olhos brilharem e meu sorriso esquentar com aquela carranca de raiva. Quanto tempo faz que eu vi essa cara? Mais de um mês. Ele soltou o ar devagar durante um lento piscar.
— Só um recado. — ele fitou uma câmera. — Você, e você sabe que eu estou falando de e com você, da próxima vez que passar por mim, se curve, no mínimo.
De novo aquela sensação desconfortável pairou no ar e eu me senti bem. Por quê? Porque esse é o meu Sasuke, que me faz enlouquecer! Só por isso! Alguns repórteres se entreolharam, fizeram anotações e depois nos fitaram, preocupados com as próximas perguntas.
— Como o relacionamento de vocês está dando certo se a quase um ano ocorreu aquela… — o repórter pigarreou, desconfiado. — Tentativa de assassinato no acidente com o caminhão?
— Somos soulmates! — respondi rápido, antes que Sasuke de fato matasse alguém ali, tentando a todo custo desviar a pergunta. Shisui me olhou com os olhos arregalados, provavelmente pensando o mesmo.
— O que não garante nada. — Sasuke rebateu, me fitando e depois dedicou um olhar fuzilante para todos. — Se resume a bebida, nervos alterados, trânsito ruim e dois homens lutando deus sabe lá por que motivo. Se não fosse vocês, eu nunca me lembraria daquela noite porque eu estava tão bêbado que tive sorte de ter sido levado para o hospital porque eu tenho certeza que erraria o caminho de casa.
Da mesma forma que todos ficaram constrangidos com Maiko, assustados com o assunto de Shino, todos caíram na gargalhada com a “desgraça” que ocorreu com Sasuke bêbado.
— Eu descobri que era soulmate dele. — continuou. — Da forma mais natural que pode existir entre dois homens: brigando. Só que a minha tentativa de matar Naruto não tem nada haver com esse fato inegável. Acontece é que foi graças ao “acidente”... — ele fez aspas com os dedos, completamente confortável com o microfone. — Que eu descobri que gosto desse idiota e o tratei por muito tempo como meu amigo. O namoro foi só consequência da convivência conturbada. — ele sorriu. — É um filme tosco para adolescente, em que o cara fica com a pessoa que odeia, é, mas e daí? Foda-se. — e brindou com o seu costumeiro foda-se sorridente.
Sasuke foi aplaudido de pé. Brincadeira como esse homem consegue manipular as pessoas ao seu bel-prazer e ainda mais estando como “está”. Imaginei que ele daria alguma resposta idiota, aliás, eu pensei que ele nem responderia por causa do seu humor depressivo, mas olha só como as coisas são de se surpreender: aqui está o homem por quem eu me apaixonei, como se aquele estranho vazio nunca tivesse existido.
— É mentira! Ele me pediu em namoro porque não resistiu ao meu charme! — brinquei.
— Isso é verdade. — ele deu de ombros, recostando-se na cadeira. — Inclusive, quero que fique claro que ele só está se aposentando porque eu sou um louco possessivo e não quero ninguém mais olhando para ele! Então podem parar de olhar para ele de agora! — todo mundo caiu na risada com seu tom de brincadeira.
Até mesmo Sasuke riu de sua forma de falar “tal inverdade”.
— Não entrega, Sasuke! — olhei para ele como se estivesse o repreendendo.
Ele sorriu e piscou um olho para mim.
— Mas vocês não se apaixonaram logo de cara, certo? — outra repórter, com cara de ser de revista de fofoca, perguntou.
— Vocês já viram alguém se apaixonar da noite para o dia? — indaguei e as pessoas negaram. — Pois é, não somos diferentes de ninguém! — senti um nó na garganta.
Sasuke nunca disse que me amava, quer dizer, teve aquela ilusão quando ele levou Maiko para o estúdio, no dia seguinte a viagem ao Monte Uchiha. Eu lhe dissera, como tantas vezes o meu coração mandara, que eu o amava, sem esperar qualquer resposta ou reação, mas naquele dia foi diferente. Juro que vi ele respondendo que também me amava. Não dormi naquele dia, tentando me convencer que era só minha imaginação.
Não me convenci e nem vou me convencer: eu vi Sasuke dizer “Eu também te amo”. Ilusão ou não, eu vou viver o resto dos meus dias acreditando que Sasuke dissera que me ama. É o que me faz continuar mantendo essa chama linda em meu coração.
— Vocês pretendem casar, assim como Shisui e Itachi? — o mesmo repórter da pergunta anterior se pronunciou.
Olhei atônito para Shisui e depois para Sasuke, com o canto do olho. Ele estava inerte, sem expressão nenhuma, como uma estátua, sumira completamente aquele homem brincalhão.
— Está muito cedo para tomarmos uma decisão tão importante. Ainda estamos aproveitando esse momento de conhecer um ao outro. — dei meu melhor sorriso, mas por dentro eu só queria sair correndo dali.
Ouvi Sasuke suspirar, irritado, esfregar de leve o rosto e encarar todos.
— Antes mesmo da gente decidir se vai pensar em casar, vocês já vão estar anunciando os padrinhos. Por que diabos vocês perguntam isso para a gente, eu é que devia perguntar a vocês se a gente casa um dia. — eles riram, mas eu senti o sarcasmo pesado e a arrogância em seu tom de voz.
— Ok, estamos todos cansados. Foi um dia longo, então encerramos por aqui a coletiva. — Shisui veio em nosso socorro e nos salvou de um provável assassinato.
Sasuke já foi se levantando e me tomou gentilmente pela mão, paramos para mais algumas fotos e então finalmente saímos da sala de imprensa.
— Vem, vamos andar por aí, antes que você tente matar alguém! — brinquei, apertando sua mão.
Ele assentiu, meio contrariado e lá fomos nós para as ruas de Roma.
E aqui está o Sasuke zumbi de novo! Será que se eu der alguns socos nele, isso passa? Provavelmente não, só vou conseguir irritá-lo mesmo. Ele buscou seus cigarros, se afastou uns míseros centímetros de mim e começou a fumar sem pressa, degustando, como ele sempre diz, observando a paisagem que margeia o rio Tibre.
— Gostaria que você me levasse para o seu treino de capoeira… — falei, como quem não quer nada.
— Certo. Quando voltarmos, te levo para conhecer Mestre Zé. — falou, durante um trago. — E se quiser poderá praticar um pouco.
Isso me irritou profundamente. Num dia normal, Sasuke estaria muito orgulhoso de mim por finalmente me disponibilizar a conhecer algo que meu pai gostava tanto, mas tudo que ele fez foi dizer um “Tudo bem, eu te levo.”.
— Por Kami, Sasuke, eu juro que se você continuar assim, não me responsabilizo pelos meus atos! — explodi, frustrado. Eu não estava mais suportando esse projeto de Sasuke.
— O que foi que eu fiz agora, Naruto? — ele falou, meio marrento, revirando os olhos.
Parece que está voltando, ressurgindo, devagar, como a fênix.
— Não se faça de louco, porque você não é! Só eu percebo, aparentemente, que você virou um zumbi! — trinquei os dentes e apertei os punhos, tentando não o xingar ou voar no seu pescoço.
— Claro que não sou louco… — Sasuke acelerou seus passos, fumaçando, literalmente. — Eu sou esquisito! — falou alto, por estar há uns dez passos de distância de mim. — Você mesmo disse que eu sou esquisito! — ele alterou a voz, como fazia tempo que eu não ouvia.
Não se enganem. Sasuke só grita quando o que está dentro dele está prestes a explodir e nem ele é capaz de conter a sua voz. Então não me admira que eu tenha me surpreendido um pouco com sua voz alterada, que faz tanto tempo que não ouço.
— Eu nunca te chamei de esquisito! — sério, eu juro que não estou entendendo onde ele quer chegar com isso.
Ele se virou, cuspindo o cigarro no chão como se fosse um escarro e me olhou com raiva. Nossa, quanto tempo faz que não vejo esse olhar?
— Chamou. Dizer que o que eu faço é esquisitice é o mesmo que me chamar de esquisito, seu idiota. — ele falou, para então se virar de novo. Parece que ele ainda está se contendo, para não… Explodir em cima de mim? O que isso quer dizer?
— Sasuke, do que diabos você está falando? — insisti, porque eu realmente não estou entendendo nada. — Quando eu disse isso?
Sasuke se virou lentamente e eu vi seus olhos cintilarem de raiva. Raiva não, fúria. Ele apertava com força os punhos, como se segurasse o próprio ímpeto de me bater com toda a sua força.
— Se você soubesse o tamanho do meu ódio por essa sua maldita desatenção, você nunca mais esqueceria o que diz, pelo menos o que é importante. — falou baixo. — Há exatos um mês, dois dias e oito horas você me pediu para parar com uma esquisitice, lembra? — seu tom era ácido e severo, coisa que eu nunca experimentei antes.
Fitei-o longamente. Finalmente entendendo do que ele estava falando. Mesmo assim eu ainda não consigo compreender o porque de todo esse alarde. Definitivamente, Sasuke ficou louco, porque essa é a única explicação lógica para esse comportamento insano.
— Eu não te chamei de esquisito. — falei firme, numa postura séria. — Eu disse que você estava se comportando de forma estranha. — pensei em me aproximar dele, mas desisti antes mesmo de dar o primeiro passo. — No sentido de não ser algo habitual. — suspirei. — Você estava se preocupando bem mais do que o normal… Desculpa pelo que vou dizer, Sasuke, mas dessa vez você que entendeu tudo errado.
— Certo. Seja igual a todos os outros e ache que o fato de eu ser protetor demais é um erro. Você não é diferente de nenhum outro que já esteve comigo, exceto pelo fato de ser minha soulmate. — ele virou de costas. — Não sei porque ainda tento… Eu já devia ter aceitado que nasci para viver sozinho. — olhou-me. — Eu não sirvo para você no fim das contas…
Sasuke tornou a caminhar, as mãos nos bolsos, andar decidido, se afastando vários metros. Como alguém com raiva pode andar tão rápido? Eu tive que dar uma corridinha para acompanhá-lo, mas desisti, pois Sasuke parara, se escorando ainda de costas para mim num poste de luz, mas ainda estava longe de mim. Ele recomeçara a fumar.
— Pare de colocar palavras em minha boca, Sasuke! — resmunguei, levemente irritado. Ignorando aquela vozinha que mandava eu me afastar dele em vez de me aproximar. — Eu nunca disse que qualquer coisa em você fosse um erro, sempre deixei bem claro que goste de você exatamente do jeito que você é. — parei, atrás dele, um pouco distante. — Você não serve para mim ou sou eu que não sirvo para você? Porque é o que parece que você está dizendo…
— Naruto… — ele falou, cansado, sem se virar. — Eu tenho certeza que não sirvo. Já tentei de tudo para deixá-lo bem comigo, para que não sofra com o que eu sou, mas você nem se dá ao luxo de me entender. Mas eu que sou um idiota por achar que… — não disse, apenas tornou a fumar, pois eu via a fumaça dos tragos subirem.
— Quem sabe o que é melhor para mim sou eu. — disse simplesmente. O que estava acontecendo? Não estava tudo bem há dois minutos? Sasuke quer terminar? É isso?
Ele não disse nada, continuou sem me olhar, quieto, fumando, de costas, sem me deixar ver que tipos de expressões ele fazia.
— Eu não acredito que você vai terminar comigo de novo… — sussurrei, horrorizado.
— Eu sou um homem de palavra, Naruto. Vou até o final com isso… — falou gravemente, como se tivesse passado horas chorando e só agora tivesse se acalmado. — Só terminaremos quando você quiser. Não se preocupe mais com os meus problemas, eles não vão mais te afetar, eu garanto. — disse, numa tentativa de se virar que fora abandonada.
— Você é a pessoa mais idiota que eu conheci nessa vida. — explodi, quase gritando. — Qual a dificuldade de entender o que eu falo?! — puxei meus cabelos. O que. Está. Acontecendo. Aqui?! — Por que você sempre leva para o lado negativo?! Eu não estou te julgando! Eu só quero saber o que está acontecendo, porque eu não estou entendendo mais nada… — terminei meu discurso quase aos prantos, me sentindo um poço de vulnerabilidade.
Ele se virou bruscamente. Olhou-me feroz e começou a caminhar devagar, em volta de mim.
— Você nunca é claro comigo e espera que eu leve cada merda que você fala na esportiva, como se fosse interessante brincar com os gostos das outras pessoas. — ele cutucou meu peito com força. — Você diz ser masoquista, mas a verdade é que só gosta de transar comigo, você não gosta de sentir dor, não gosta da dor, em nenhuma das instâncias dela. — se afastou. — Se sou eu que entendo tudo errado, então seja claro, me faça entender. — de novo aquela acidez.
Fitei-o, meu corpo tremeu de tanto ódio que eu senti. Quem ele pensa que eu sou para estar falando algo sério de forma tão banal? Se eu disse que gosto ou não gosto de algo, é porque é a mais pura verdade.
— Por que você não testa? — virei meu rosto para ele. — Vamos, Sasuke! Bata em mim!
Ele ficou me olhando e negou.
— Não vou fazer isso. — disse. — Não tenho porque fazer isso. — suspirou. — Nem eu sinto prazer na dor, por que você sentiria? — admitiu, caminhando e voltando a se encostar no poste. — Desculpe… É que as vezes… Eu fico paranoico...
O que eu via? Um homem destruído, sorrindo para a própria má sorte, enquanto lágrimas ralas escorriam por seu rosto. Sasuke deu de ombros, batendo as mãos no corpo, em claro sinal de desistência. Sasuke chorava, apertando os lábios, como se tentasse fugir de si mesmo e, como eu nunca achei que veria, eu vi o homem mais forte do mundo fragilizado.
— O que você está escondendo de mim? Qual o problema? O que posso fazer por você? — me aproximei devagar, me sentindo horrível por não saber lidar com esse novo cenário. O que posso fazer? Se eu abraçá-lo ele vai me afastar? Estou tão perdido… — Não sou bom para você? — perguntei, com a voz rouca, por causa do choro que eu tentava segurar com todas as minhas forças.
— Bom? — Sasuke choramingou. — Só duas pessoas nessa vida me causaram a felicidade que você me causou, Naruto. Mamãe e Maiko. — ele esfregou o rosto. — Só vocês conseguiram me fazer humano de novo. — ele arfou e deixou as mãos cairem ao lado do corpo. — Ninguém pode fazer nada por mim… Ninguém mais...
— Então para que eu sirvo? Me diz! — apertei minha roupa na altura do peito, tentando amenizar a dor horrorosa que me afligia. Em vão, devo dizer. — De que adianta ter uma soulmate que não te acrescenta em nada? Que não pode ajudar quando a pessoa mais precisa? — fitei-o, desesperado. Eu era tão inútil. — Porque você é tudo para mim. Mas e eu? Eu não sou nada! Eu não posso fazer nada por você! — me entreguei e deixei o choro vir. — Grande soulmate eu sou!
— É isso o que eu sou, essa é a minha maldição por ser completo, perfeito, negro! — ele continuava chorando. — Você me traz paz, você me dá descanso, você me lembra que sou apenas um homem, mas esse é o meu castigo, Naruto! A solidão, a dor, a expiação constante! Nem mesmo minha mãe me salvou disso, e não quero que passe pelo o que eu passo… — arfou, enxugando suas lágrimas. — Ninguém pode me salvar…
Assenti, mas por dentro eu sentia como se uma revolução estivesse acontecendo. Sasuke não merece viver assim. Ele é a pessoa mais amorosa que já conheci nessa vida. Ele, acima de qualquer outra pessoa, merece ser feliz e se eu puder fazer isso por ele, dou meu sangue se necessário.
Dei um fim definitivo a distância que nos separava e passei os polegares em suas bochechas, secando suas lágrimas.
— Tudo bem, meu amor. — sorri. — Eu vou te ajudar. Te salvar é o meu novo objetivo de vida. — e encostei nossas testas, como tantas vezes ele fez comigo.
Sasuke arregalou os olhos, me encarando e então tossiu. Uma crise assustadora de tosse se apossou de seu corpo e quando pensei que passara, ele começou a respirar com dificuldade, procurando por ar para seus pulmões. Ele se apoiou na mureta de segurança do rio e obrigou seus pulmões a se inflarem. Olhei ao redor. As luzes dos postes estavam se apagando em pares, ao passo que a sombra dele se extendia absurdamente pelo chão.
Havia pessoas na escuridão… Pessoas que caminhavam lentamente em nossa direção, como aquelas lendas urbanas sobre o povo das sombras. Olhei para Sasuke, ele tossia… SANGUE!!!
Ai não Kami, eu já vi isso acontecer antes. Não, não, não, não, não, com Sasuke não. Eu não sei o que ele fez para me salvar! Eu não sei o que fazer! Não posso perder mais ninguém!
Corri até ele e o abracei, desesperado.
— Não faz isso comigo, idiota! Não sei fazer isso! — o apertei em meus braços. — Ei, você é o diabo! Deveria estar aterrorizando alguém por aí… — dei uma risadinha nervosa.
Sasuke caiu sentado, respirando com muita dificuldade, como se houvesse um apito dentro da sua garganta, apertando meus braços. Seus olhos se ergueram para mim e eu vi a negritude da iris se espalhando por todo seu olho como se fosse uma doença. Ele respirava cada vez menos, seus dedos pareciam que iam furar o tecido das minhas roupas a qualquer momento.
— Não, não, não, não, não… Não faz isso comigo. Eu te amo, Sasuke! — o abracei e comecei a embalar seu corpo. — Não me deixa. Não ouse me deixar! Eu juro que vou te buscar até no inferno! — falei ríspido, frustrado, impotente.
Estava ficando escuro, só havia a luz de mais três postes, contando com a que estava nos iluminando. Seu corpo foi ficando pesado, ele foi se deitando e eu fui com ele, abraçado em seu peito, ouvindo seu coração bater cada vez mais devagar. Ele tossia sangue, o rosto virado para o outro lado, como se ele não quisesse me sujar com seu sangue escuro. Sasuke forçou-se mais a respirar, seu peito subindo e descendo mais rápido, seus braços me soltaram e então ele arqueou as costas, o negro se apossando completamente de seus olhos.
Sasuke parou. Parou de respirar, junto com batidas de seu coração, de me apertar, de se mexer. Parou. E tudo ficou escuro, pesado, denso, como as orbes negras dele me fitando.
— BASTARDO!!! — bati em seu peito com meus punhos fechados, mal sentindo as lágrimas cairem. — Você é um babaca mentiroso, disse que estaria comigo! — comecei a soluçar. — MENTIROSO!!! Mentiroso, mentiroso, mentiroso… — minha voz ia morrendo, tomada pelo choro e pelos soluços altos.
Meu corpo caiu sobre seu peito e eu chorei, desesperado, gritando. Talvez eu só tenha sofrido assim na morte dos meus pais. Apertei suas roupas entre meus dedos, inspirando seu cheiro como se fosse dizer adeus, mas eu não queria. Sasuke nunca me dissera adeus porque sempre estava comigo, mas agora, de repente, por causa de uma razão que eu desconheço, ele morreu em meu braços sem poder dizer nada e sem eu poder fazer nada.
Tomei seu rosto frio entre meus dedos, fechando seus olhos em seguida e fitei-o, minhas lágrimas banhando suas bochechas e seus lábios completamente manchados daquele sangue escuro.
— Eu te amo tanto… — sussurrei, aproximando-me, recostando minha testa na sua, como tantas vezes ele fizera. — Você é tudo para mim… — repeti. — Não me resta mais nada, Sasuke… Não me deixa… Por favor, eu não quero… — encostei meus lábios nos seus, frios, e senti o gosto amargo da morte ali. E isso doeu tanto, tanto, tanto… Aqueles lábios que me enchiam tanto de vida estavam mortos. — Não quero ficar sozinho...
Curvei-me sobre seu corpo, o rosto recostado em seu pescoço, procurando aquele acalento que ele me dava sempre que eu precisava. Aquele carinho gentil, aquela mão grande que afastava toda a dor de mim e me deixava a salvo da realidade. Eu entendo Itachi: eu também não tive forças para cuidar e salvar Sasuke, ao contrário dele, que carregou o mundo nas costas.
— Volta para mim, meu amor… — minha voz saía dolorida, as lágrimas caiam sem o menor esforço, meu corpo tremia e eu soluçava. Eu só o quero de volta. Por que os deuses foram tão ruins comigo? Por que eles me levaram Sasuke também? — Eu te amo...
Eu estava agarrado ao seu corpo, numa tentativa vã de mantê-lo comigo. O mundo é frio, cruel e escuro, sem Sasuke. Não quero mais ficar nele. Se for para viver sem Sasuke, prefiro ir junto com ele, não tenho motivos para continuar nesse mundo.
Senti algo cutucar a minha testa. Abri os olhos. Dois dedos trêmulos de fraqueza tocavam a minha testa. Olhei para baixo, Sasuke de olhos fechados ainda. Seu braço caiu de lado e só naquele momento eu percebi que a luz do poste se acendera. Mais duas se iluminaram. Será que… Será que ele…? Será…? Mas o coração parou, eu senti! Será que…?
— Sasuke…? — sussurrei.
Ele abriu um olho, completamente desnorteado e ficou tentando abrir o outro.
— Mãe… — gemeu, quase sem voz. A mãe dele sempre foi um porto seguro para Sasuke, pena que ela não estava aqui para ajudá-lo. — Na… ruto… — meu coração palpitou. — Naruto… — sua voz soou mais nítida. Ele me chamava. — Naruto… Naruto.
— Aqui, eu estou aqui, meu amor. — afaguei sua bochecha, sorrindo.
Ele fixou os dois olhos em mim e franziu o cenho. Suas mãos tatearam os meus braços, depois que ele expeliu uma quantidade escura e grossa de seu sangue pela boca, e Sasuke me puxou para um abraço forte, talvez tentando se convencer que eu estava aqui mesmo. Senti-o aspirar meu pescoço e folgar um pouco o abraço.
— Que bom que você esteja aqui… — ele sussurrou para que só eu ouvisse.
Ele sentou-se no chão, escorado no poste de luz, parecia mais calmo, mais vivo, e esfregou seus cabelos com demora, parecendo pensar em algo. Todas as luzes se acenderam e as silhuetas assustadoras sumiram, ficando apenas Sasuke e eu naquela rua deserta. Sasuke retirou um lenço de dentro de seu paletó e começou a limpar a boca.
— Desculpe. — disse por fim. — Não tive a intenção de morrer por dois minutos. — ele esfregou o rosto e suspirou. — Só fico te dando dor de cabeça, desculpa… — resmungou.
— É bom mesmo, porque se fosse intencional eu mesmo te mataria! — reclamei e depois segurei delicadamente seu rosto. — Você está bem? — perguntei, preocupado.
Sasuke me puxou para perto de si, limpou meus lábios também e, se apoiando em meus ombros, se colocou de pé. Levantei-me e dei sustentação ao seu corpo, como quando ele passara mal no hospital por causa da nossa estripulia particular. Seu rosto veio até meu pescoço e eu senti que ele enchera os pulmões, de novo, com o meu cheiro.
— Vou ficar. — ele sorriu, sem mostrar os dentes. — Você disse que vai me salvar e foi por sua causa que voltei… Agora eu sei porque odeio ver você chorar, porque não gosto quando te fazem sofrer… Porque fiquei tão paranoico. — Sasuke descansou o rosto, escorando-o ao meu. — É porque eu estou apaixonado por você, Uzumaki Naruto. Seu amor me desarmou e me conquistou. — ele me olhou. — Eu me apaixonei por você. — repetiu.
Meu mundo parou. Será que tudo isso não foi uma alucinação? Eu estava tão desesperado pelo seu amor que comecei a ter essas alucinações? É isso? Por que, pelo que bem me lembro, o diabo não se apaixona, não é? Mas assim que olhei para os seus olhos, vi que era tudo verdade.
Brilhantes, intensos, com aquela convicção forte que Sasuke sempre tem.
— Não acredito que você ia me deixar, seu babaca! — o abracei o mais forte que consegui. — Não quando escondia isso de mim!
— Minha mãe não me abandonou, por que eu te abandonaria, quando estou ligado para sempre a você? — ele tomou meu rosto entre as mãos. — Quando eu te digo que eu estarei com você amanhã, é porque vou estar, independente do hoje.
Ele me deixou afundar o rosto na curva de seu pescoço e acalmar o meu coração.
— Você não é esquisito… — falei, meio emburrado, perto de sua pele, sentindo meu rosto esquentar. — E eu gosto quando você é protetor demais… — me encolhi mais em seus braços. — Só para você saber.
Ele suspirou e quase perdeu o equilíbrio, se eu não estivesse ali, segurando-o firmemente. Sasuke se virou devagar, me abraçando, se apoiando em mim, descansando em mim. Devo dizer que o peso que senti não foi o do corpo dele, mas tudo o que Sasuke é e foi a vida inteira. Era o peso do mundo em suas costas, era o peso de seu nome, era o peso de sua vida. Sasuke se ergueu um pouco e tossiu, desviando o rosto de mim para não me sujar com sangue. Até nesse estado, ele é cuidadoso comigo, preocupado comigo. Depois de alguns instantes, ele recuperou o fôlego e desamarrou o rosto de dor que tinha.
— Nunca vai desistir de mim, não é, Naruto? — ele apoiou-se em mim de novo e eu senti sua mão tremer um pouco.
— Por que eu desistiria da melhor coisa que me aconteceu? — sorri, meio bobo. — Posso ser lerdo, mas não sou burro, Sasuke. — brinquei.
Ouvi-o rir. Mesmo de pé, ele estava pálido, com a aparência fraca e fragilizada, mas ali estava ele, de pé, resistindo, firme e forte, abraçado ao meu corpo com os restos de forças que tinha, usando-me como seu apoio. Era isso que eu queria: ser um apoio para ele.
— Eu também não vou desistir da melhor coisa que me aconteceu desde o dia que Maiko nasceu. Se a morte não me separou de você, provavelmente mais nada vai te livrar de mim… — ele riu fracamente.
— Fico feliz em saber disso. — sorri, me sentindo estupidamente aliviado.
Sasuke buscou seu celular no bolso e discou rapidamente.
— Juugo? Venha me buscar. — olhou em volta. — Não sei. Aqui é o rio Tibre, procura aí, caramba. — me fitou. — Naruto e eu. Venha logo, eu estou cansado, pela hora da morte, com a porra da boca cheia de sangue e quero beijar Naruto. — desligou e arqueou uma sobrancelha.
— Gosto do jeito que você fala, mas temos mesmo que esperá-lo chegar? — olhei para seus lábios com gula.
— Acho melhor… Nicotina, álcool e sangue não formam o trio maravilha do sabor. — ele deu de ombros. — E outra. — soltou-se de mim e se apoiou na mureta, quase sentando. — Tem algo a mais que preciso te contar, agora que… — ele tossiu de novo, porém com menos força. — Sinto as coisas se ajustando dentro de mim.
— O que? — perguntei curiosamente.
— Gosto quando sua boca tem gosto de rámen. — sorriu, ainda cansado. — Apesar de eu achar que rámen não é lá essas coisas todas, então, comprei isso para você… Num lapso de juízo, quando estávamos... — outra tosse. — Vindo para cá. — ele procurou algo no celular e me entregou.
Era uma foto. Eu salivei no automático. Três potes grandes de rámen, do meu sabor favorito, me esperando no quarto de Sasuke. ESSE CARA ME AMA DE VERDADE!!! EU QUERO CASAR COM ELE AGORA!!! Encarei-o e depois a foto, depois ele e depois a foto, e depois ele e depois a foto. Sasuke se afastou da mureta, vindo mais para perto e abriu os braços.
— Eu já disse que te amo? — sorri bobamente e o abracei, esfregando meu rosto em seu peito, como um gato.
— Acha que acabou? — ele falou, passando um braço pelos meus ombros e me levando até a esquina, onde seu carro parara e Juugo aparecera em seu terno branco e seu quepe de marinheiro.
— Tem mais? — olhei para ele com a boca aberta, encantado. — Meu coração não aguenta tanta emoção!
Ele assentiu e nós entramos no carro. Por sorte o hotel não fica longe, logo chegaríamos e eu poderia comer os meus potes de rámen. Sasuke se recostou em mim e suspirou, cansado, começando a recuperar a cor natural.
— Vai ter que aguentar, porque alguém vai ter que dormir comigo hoje. Afinal, eu quase morri... — ele me olhou. — Além de que Shisui não pode ver você fugindo da dieta… Acho que vai ter que dormir comigo, enquanto Maiko vai ter que ficar com a babá, não quero que ela me veja assim.
Menos de dez minutos de viagem, nós chegamos ao hotel e eu levei Sasuke discretamente para o quarto dele com a ajuda de Juugo, que levou Maiko para o quarto da babá, antes de Sasuke e eu entrarmos. Enquanto eu admirava os meus potes, ouvi Sasuke tomar seu banho com calma e, depois de sair vestido e com uma toalha na cabeça, ele se sentou na cama.
— Não acha que devemos falar com Itachi? — tentei, porque eu já sabia qual seria sua resposta. — Ele pode te examinar.
Sasuke negou, começando a esfregar lentamente os cabelos para enxugá-los.
— Não precisa. Assim que eu descansar, vou ficar bem. — suspirou e terminou de enxugar os cabelos, para então se deitar. — É um mal da alma, não se preocupe. — ele me mostrou uma planta parecida com uma erva medicinal e deixou-a sobre o peito. — Vou ficar bem.
— Eu ficaria mais tranquilo se você fosse ao médico… — torci os lábios, meio desgostoso. — Pode fazer isso por mim?
— Se eu chamar Itachi, Shisui virá junto e seu segredo já era. — suspirou. — Mas prometo ir ao medico amanhã, se isso lhe deixar mais tranquilo. O que me diz? — ele se aconchegou na cama, usando calça e camisa de mangas longas, ficando mais confortável e calmo.
— Tudo bem. — suspirei, vencido. — Mas se você passar mal de novo, vou chamá-lo.
— Se você vir se deitar aqui e me deixar aproveitar o seu calor, eu tenho certeza que vou melhorar. — ele estirou o braço.
Assenti, sorrindo, e fui até ele, me deitei de frente para Sasuke e o abracei.
— E agora? — fitei-o. — Já posso te beijar?
— Deve. — sorriu, afagando as minhas costas.
E foi o que fiz. Beijei-o lentamente, sentindo o gosto de menta da pasta de dente, o que foi um pouco revoltante. Julguem-me, prefiro o gosto natural de Sasuke. Puxei delicadamente seus cabelos, acariciando sua nuca enquanto encostava mais meu corpo ao dele. Sasuke foi me trazendo mais para si, procurando aprofundar o nosso beijo e o nosso abraço, afagando as minhas costas, e eu senti aquilo que ele chama de “ajustar a alma”: minha alma ficou mais leve, pois eu sentia a alma dele se acalmar. Fui deitado de lado e aconchegado mais a si, parando um momento para tomar fôlego para continuar.
Não sei quanto tempo passamos assim, mas foi tempo suficiente para Sasuke se recuperar. Com as luzes apagadas, apenas a televisão rodando um filme tranquilo, Sasuke me deixou comer meu rámen em seu colo, pois ele simplesmente não me soltava e eu também não me importava de sentir novamente seu abraço possessivo. Eu já ia no segundo pote, o filme já estava com uma hora de seguimento e Sasuke tomava um chá que ele mesmo fizera com ervas medicinais.
— A gente deveria fazer isso mais vezes. — falei, depois de terminar de mastigar o que tinha na boca.
— Ver filme? — ele indagou antes de tomar um gole de chá, me olhando de perto, dada a pouca luz que havia no ambiente.
— É. Fazer nada, sabe? — sorri.
— Tem razão. Quem sabe… — Sasuke colocou a xícara de lado, no criado-mudo, e me fitou, sorrindo de forma faceira. — Rápido, esconde o rámen debaixo da minha cama e deita por cima de mim, Shisui está vindo. — ele se jogou para trás e escondeu o pote que eu ainda não comera.
Fiz o que ele disse e escondi o rosto em seu peito, tentando segurar a gargalhada. É difícil ver Sasuke tão… Livre? É, acho que é isso mesmo. O trabalho sempre o consome demais. Nos beijamos e então ouvi a porta ser aberta, enquanto isso. Olhei de lado, como um adolescente pego no flagra e me deparei com o olhar desconfiado de Shisui.
— Boa noite… — Sasuke murmurou, distribuindo beijos pelo meu pescoço e passando sugestivamente a mão em meu corpo, para dar a ideia que nós faríamos algo a mais em poucos instantes.
— Está tudo bem por aqui? — ele perguntou, enquanto dava uma olhada muito suspeita no quarto.
Eu fazia um esforço sobre-humano para não cair na gargalhada.
— Vai ficar melhor daqui a pouco. Quer trazer Itachi e tentar algo diferente? — senti um aperto leve na minha bunda e acabei deixando uma leve risada escapar. Merda!
— Não, obrigado. — Shisui bufou. — Dispenso. Enfim… — ele começou a fechar a porta do quarto, mas voltou. — Eu estou de olho em vocês. — estreitou os olhos e saiu.
Não aguentei mais. Afundei o rosto no peito de Sasuke e comecei a rir, como se não houvesse amanhã. Sasuke tapou a minha boca e fez um movimento para que eu silenciasse. Piscou um olho e deu um soco forte no travesseiro, fazendo um som abafado.
— Você gosta não é? — outro soco abafado. — Naruto… — ele me deu um beliscão por baixo da camisa e eu gemi. — Não vai fazer isso…! — Sasuke deixou a voz um pouco grave. — Vou empurrar em você. Se empina para mim. — falou um pouco alto e eu finalmente entendi.
— Sasuke… — gemi, depois tampei a boca com a mão, voltando a rir. Ele moveu os lábios na seguinte frase. “Me pede para fazer algo ou ele não vai embora”. Respirei fundo, tentando dissipar o acesso de riso. — Isso… — ofeguei com força. — Mete fundo… — gemi mais alto.
Sasuke ficou batendo a mão na cama e arfando de vez em quando, olhando para a porta. Ele estreitou o olhar e me tirou de cima de si, retirou a camisa e deu alguns pulos sem sair do lugar, mexendo-se um pouco. Ele sussurrou para que eu ficasse de bruços e de bermuda abaixada. Fiz isso enquanto ele ia até a porta, abriu e olhou para o lado. Aproveitei e belisquei meu traseiro para ele ficar um pouco vermelho.
— Tem certeza que não quer participar? — ele fingiu ofegar e então Shisui deu uma rápida olhada por cima do ombro de Sasuke, me encarando ainda desconfiado.
Sasuke me olhou e sorriu de forma sacana, piscando um olho para mim, por causa da nossa encenação. Quem diria que ele seria capaz disso so para esconder o fato de que eu estava fugindo da minha dieta?
Shisui arqueou a sobrancelha, voltou a encarar Sasuke e depois saiu, sem dizer mais nada. Sasuke demorou-se a fechar a porta. Finalmente fechou a porta e revirou os olhos, sorrindo. Acabou.
— Enfim… — ele riu vindo para a cama, buscando sua camisa. — Aprenda com o mestre como enganar Shisui. — sorriu e se deitou ao meu lado.
Dessa vez ri sem maiores empecilhos, me contorcendo sobre o colchão, sentindo o rosto molhar devido as lágrimas. Assim que consegui voltar a respirar sem achar que ia morrer, me voltei para Sasuke, sorrindo.
— Senti falta de você… — suspirei.
— Desculpe ter bancando o morto-vivo por um mês. — ele ficou de perfil e deu uma tapa leve na minha bunda descoberta. — Prometo ficar bem vivo agora. — riu.
— E agora? Podemos continuar a fazer nada?
Sasuke se jogou para frente, na cama, ficando de bruços e arfou.
— Já estou em modo preguiçoso. — suspirou, esfregando o rosto no edredom na cama. — Vai terminar de comer seu rámen. Eu te aviso se ele voltar. — Sasuke me olhou com carinho. — Ou prefere dormir comigo?
— Você ainda pergunta? — sorri, ajeitando minha roupa e indo para o seu lado. — Eu sempre prefiro dormir com você.
Nos aconchegamos, desliguei a televisão e dormimos pesadamente, um com saudade do outro, abraçados. Quando o dia raiou e nos preparávamos para ir embora, Sasuke me deu um chupão e um fim ao pote que eu estava comendo ontem, como um assassino dá fim a um corpo. Shisui acreditou na farsa e investigou minha mala atrás de algum resquício da minha fuga, mas o terceiro pote ficara na mala de Sasuke. Eu fico feliz em saber que agora Sasuke confia em mim como nunca ninguém confiou. Sinto-me parte dele, de verdade, e isso é gratificante. Até meu sócio estranhou porque estávamos tão juntos na viagem de volta. A resposta de Sasuke? Não poderia ser menos vindo do diabo. “Ontem a noite foi… Só participando para saber.”.
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