Cores do Meu Coração

23 Trouxa 1 - Enfim, o grande dia vem - parte 1


Notas iniciais
DiAngelo: Hello pessoinhas! A vida anda corrida, faculdade voltou e voltou com tudo, em breve estarei estagiando pelas instituições da vida. Mas enfim, vejamos o cap de hoje, q é narrado novamente por Itachi. E temos "aquela" surpresa novamente... CAPITULO DUPLO, MOÇADA! o/ E só pra frisar, leiam o cap com bastante atenção, pq pequenos detalhes do passado de nossos protagonistas serão revelados e sinto q muitos cérebros irão explodir, então segurem os forninhos! Nonna: Ando meio ruinzinha de saúde, mas não se preocupem, Nonna vai superar essa. E é nesse clima de superação que vamos para o capítulo de hoje. Tem de tudo, menos lemon. Não ainda, não se preocupem - eu sei o que vcs querem, conheço vcs - de modo q todos acompanhem Itachi e Naruto nessa loucura que a preparação do casamento. Apesar do cap passado ter poucos comments, nós decidimos que o de hj será dedicado a Lyly, sua linda, porque Sasuke mexe com a sanidade da pessoa.

Faz mais ou menos umas três semanas desde que pedi Shisui em casamento. Eu sou cardiologista, mas acho que vou acabar infartando com toda essa felicidade, como Sasuke sempre me disse em seus momentos de brincadeira comigo. Mas nem tudo é um mar de rosas: ontem eu liguei para meu irmão, confirmando sua presença na cerimônia matrimonial, mas tudo o que ouvi foram incertezas furiosas. Os problemas com a firma estavam extrapolando seu senso de paciência e isso é muito perigoso. Ele me dissera que a cotação do dólar também não estava ajudando, de modo que talvez Sasuke não aparecesse.

Eu me sinto triste por isso. Quero dizer, ele esteve comigo em todos os meus momentos ruins, queria-o presente nos felizes também. De toda forma, prometi que cuidaria de Maiko quando ela chegasse para o casamento e que filmaria tudo para que ele pudesse ver depois. Sasuke disse que gravaria seus votos de felicidade para nós e nos enviaria assim que pudesse. Ainda me disse que mandaria seu presente de casamento.

Se eu pudesse escolher, queria que a presença icônica do meu irmão fosse seu presente.

— Deixa de ser dramático, Itachi! — fiz uma careta, me olhando no espelho do meu banheiro, terminando de me vestir. Eu passara a noite ajudando nos plantões e recebi alguns dias de folga — Por acaso você é uma virgem casando? — tentei imitar sua voz. Meu Sasuke imaginário aflorara e eu podia vê-lo sentado na minha cama, fazendo uma careta engraçada de raiva — Seu babaca, tem muita gente que depende de mim! Não seja bobo…

De repente seu rosto sorriu e eu me senti voltar vinte anos no tempo.

— Eu estou sempre com você. — eu disse, respirando fundo para não chorar — Quem é o mais velho? Quem é o suporte de quem? — fitei-me no espelho — É você. — ele sumiu — Sou eu.

Terminei o que tinha para fazer e fui para a casa de Naruto. Motivo? Eu quero comprar as alianças, mas não tenho certeza de qual escolher, de modo que pedi ajuda ao modelo número um, o xodó pessoal de Shisui. Fui a pé, vulgo correndo, para diminuir um pouco a minha tensão, para a casa dele e cheguei em vinte minutos.

Bati na porta e esperei. Ele me apareceu sorrindo. Já me esperava, essa que é a verdade. Entrei e enquanto ele terminava de alimentar o gato, observei um pouco de sua residência e de repente o meu Sasuke imaginário falou. “Por mim tocava fogo nessa casa e começava tudo de novo! Que classe de bagunça é essa?”. Eu ri sem que Naruto visse. Alguns minutos depois eu estava no banco carona do Camaro laranja, berrante, devo ressaltar. Torci a boca por causa do estranho gosto do modelo. E seguimos rumo ao centro de Konoha.

Notei-o constrangido com algo. Será eu? Não. Talvez a minha presença o tivesse lembrado de algo, mas o que poderia ser? Algo me dizia que tinha haver com Sasuke. Não importa, não agora, porque tenho uma lista de coisas para fazer.

— Temos que começar indo no aeroporto, Naruto. – comentei, observando a minha agenda e confirmando os horários pelo relógio de treino.

— O que vamos fazer lá? — ele perguntou, com uma expressão curiosa no rosto.

Fitei meu celular, confirmei a hora pela décima vez e sorri.

— Vamos buscar Maiko. – falei, respondendo a mensagem de Shisui me perguntando se o voo da menina havia chegado. “Essa noiva é muito preocupada”, meu Sasuke imaginário falou e eu acabei rindo baixo, cobrindo o rosto com a mão.

— Maiko está vindo para cá? Sasuke vem também? — sua voz aumentou um tom por causa da empolgação contida.

— Sim. Ela vai ser a daminha. Quanto a Sasuke… — suspirei, recordando-me da conversa que eu tivera com ele — Ainda é incerta a sua presença. Infelizmente.

— Incerta? O que aquele idiota tem na cabeça? Não é todo dia que o irmão dele casa! – falou, indignado. — Ele que manda na porra toda, um dia de folga não vai matá-lo. Ah, mais ele vai ver!

Eu acabei rindo da sua sinceridade. Tudo bem, não posso culpá-lo, ele não entende as proporções das responsabilidade que meu irmão acabou adquirindo com o tempo. Eu compartilho de sua indignação, mas diferente de Naruto, sei que Sasuke está sofrendo por não poder vir e pressioná-lo não ajuda em nada.

— Não precisa falar assim, Naruto. — tentei acalmar a situação — Ser dono de qualquer coisa não torna as coisas mais simples. – falei, com a voz branda — Sei que entende, porque você acompanha a rotina de Shisui com a marca de roupa. Não fique irritado com isso. — ele acenou com a cabeça e suspirou. — Deixa de ser bobo, Naruto. — brinquei.

Estar no ápice do amor te faz agir como um bobo, então, eu acho, que sou a pessoa que mais te entende Naruto, de todas as pessoas da terra.

— O que mais vamos fazer além de comprar as alianças e buscar Maiko? — ele perguntou, depois de um tempo de silêncio.

— Buscar um pacote nos correios que Sasuke mandou para mim. – falei, lendo a agenda — Depois eu e você vamos alugar os nossos ternos. — suspirei — Confirmar com o espaço para a cerimônia e a festa, além de irmos ver Iruka.

É muita coisa, pensei, mas ter Naruto vai me ajudar um bocado, pois segundo Shisui, Naruto é rápido no volante e conhece bem Konoha.

— Iruka? Kami, não, eu não preciso daquele maluco me falando sobre a sombra de ninguém de novo. Juro que Kurama nunca mais foi o mesmo depois do meu último encontro com o Gurú! — falou rápido, quase desesperado.

Acabei rindo contidamente, de Naruto e do que meu Sasuke imaginário dissera. “Não vou com a cara daquele gato.”. Imagino o que vai acontecer se um dia esses dois se encontrarem. Não quero nem ver. Sacudi de leve a minha cabeça. Tinha que me concentrar.

Tal como me dissera Shisui, não demorou para que chegássemos ao aeroporto. Fitei o relógio: faltavam quinze minutos para Maiko chegar. Naruto estacionou o carro e nós fomos para a plataforma onde Sasuke me dissera que ela ia desembarcar, eu observava o quadro de aviso dos voos, a fim de saber se atrasara de última hora, porém nada. Estava tudo certo. Fomos para a sala de espera e nos sentamos, observando o túnel de desembarque.

— Seria bem inesperado se Sasuke aparecesse por ali de mãos dadas com ela. – comentei, riscando da minha lista a primeira tarefa.

— Cara, o apelido dele não é de brincadeira. Você ‘tá tentando invocá-lo, né? — Naruto brincou. Eu acho.

— Quem? Eu? — ri — Não sou eu que está tentando invocá-lo. — estreitei meu olhar — As vezes basta o pensamento sincero para fazê-lo aparecer. — sorri de lado.

— É… — resmungou, pensativo.

Esse Naruto. Ainda não se dá conta do que faz. Observei meu relógio e a moça da rádio anunciou que o voo de Maiko chegara. Levantei-me e me aproximei do túnel, observando o contingente notável de pessoas saírem dali. Naruto estava ao meu lado, com uma expectativa palpável em seu olhar. Era evidente que ele queria que Sasuke aparecesse, sorrindo e abrindo os braços, como só ele sabe fazer.

Dei de ombros e vi uma cabeleira longa negra se aproximar correndo. O grito anunciador de sua presença e eu me curvei para receber um caloroso abraço. Era Maiko, lindamente vestida em roupinhas de cores mais opacas, puxadas para os tons de outono, tons de terra e de floresta, apertando seus bracinhos ao redor do meu pescoço. Mais uma pessoa a seguia, puxando uma mala de carrinho, usando terno branco e quepe preto. Notei Naruto impaciente, pois o rosto do homem não se revelava por causa da multidão de pessoas.

Ele parou a caminhada, atendendo o celular e se virou de costas, sem que pudéssemos ver seu rosto. Naruto parecia que ia sair correndo a qualquer momento.

— Maiko, você veio sozinha? — Naruto estava quase tendo uma coisa. Sequer olhou para a menina quando se dirigiu a ela.

— Não. — ela disse sorrindo e colocando as mãos atrás do corpo — Papai me disse que é errado uma menina linda que nem eu viajar sozinha.

— Com quem você veio então? — agora ele virou o rosto para Maiko, relutantemente.

— Com ele. — ela aponta para o homem de quepe.

Eu estou lutando com todas as minhas forças para não rir. O homem alto, de claro porte físico avantajado, veio até nós retirando seu quepe. Eu senti que Naruto estava quase tendo um chilique por causa de todo esse suspense desnecessário. Uma cabeleira ruiva apareceu, desapontando o modelo.

— Bom dia. — o homem falou gravemente — Sou Juugo, piloto particular do Sr. Uchiha. Ele me incumbiu de acompanhar a senhorita Uchiha até que ela se encontre com o médico. — ele me fitou — O senhor é Uchiha Itachi?

— Sim. — coloquei-a no chão, para retirar minha carteira e entregá-la a ele.

Juugo deu uma rápida olhada em meus documentos, os devolveu para mim e colocou o quepe de volta a cabeça, acenando rapidamente e desaparecendo no meio da multidão, provavelmente retornando para o jato que trouxera Maiko. Naruto foi pesarosamente para o carro, decepcionado, mas fingindo felicidade por ver a pequena Uchiha. Rapidamente deixamos Maiko com Shisui, para ele preparar a roupa dela, e mais rápido ainda zarpamos para os correios.

— Me pergunto o que será que Sasuke me mandou. – falei, confirmando por mensagem se as alianças estavam prontas com o joalheiro.

— Ele não se mandou dentro de uma caixa. Isso eu garanto! — Naruto estava irritado.

Franzi o cenho.

— Para que essa raiva, Naruto? – perguntei, assim que ele estacionou e nós fomos adentrando ao prédio antigo dos Correios de Konoha.

— Nada. Só ‘to estressado. Daqui a pouco passa! — ele acenou com a mão, fazendo pouco caso.

— Estressado com o quê? — fitei a atendente — Oi, bom dia, Uchiha Itachi. – falei, entregando minha carteira de motorista — Pacote de Nova York.

— Sim, senhor! — ela sorriu e se levantou, devolvendo-me o documento — É só seguir o corredor.

Nós fomos e eu ainda queria minha resposta. Sério, eu fui sempre apaixonado por Shisui, mas eu não me lembro de ter agido dessa maneira, feito criança. Não sei se era porque Sasuke sempre cortava o meu barato.

— Você é mesmo irmão dele, não nega. A curiosidade é a mesma. — revirou os olhos. — Você sabe porque estou assim… Não sei porque está fingindo que não sabe!

— Não estou fingindo. – retruquei, abrindo a porta para a sala de pacotes — Eu pensei que você tinha entendido a situação. Isso é por causa do Shisui ou por sua causa? — fui firme.

Sério, essa brincadeira já está passando dos limites. Quantos anos ele tem? Quase trinta, já era hora de agir feito adulto. Revirei meus olhos e fomos para o balcão receber a minha entrega.

— Você não sabe?! — ele parecia espantado. — Achei que o Sasuke já tinha te contado. — franziu o cenho. — Estamos “namorando”. — ele fez aspas com os dedos.

— E é?! — agora quem está espantado sou eu. — Sério? Tipo, namoro mesmo? — não pude evitar minha careta de assombro. Entreguei minha CNH e esperei o atendente retornar com o meu pacote. — É sério mesmo, Naruto?!

— É claro que é sério. Porque eu brincaria com isso? Ele disse algumas condições, mas não sei como isso vai funcionar. — deu de ombros.

— Caramba. Eu acho que Sasuke não namora desde o divórcio. – comentei, assinando o documento de recebimento.

O homem colocou sobre o balcão uma caixa com quase um metro de comprimento, feita de madeira, algo como um baú feito de tábuas lixadas sobrepostas. Desamarrei os barbantes, mas antes que eu pudesse abrir, o atendente me entregou um envelope. Nas costas dizia “De mim para você”. Eu tive que rir. Abri-o e havia um bilhete.

“Só porque só restamos eu e você, não quer dizer que não possamos viver um pouco das tradições. Mesmo que eu não apareça, leve isto para o casamento. Sabe do que eu falo”.

— Divórcio? — Naruto tossiu. Depois me olhou como se eu fosse um dinossauro. — O que? Ele já foi casado? — Como ele não sabia disso? Onde ele mora?! Todo mundo sabe disso. Porra, foi escândalo a nível mundial a separação.

— Sim. Foi só por três anos. — pensei um pouco — Acho que isso tem uns quinze anos. Eles viveram muito pouco tempo juntos. — comentei. — Sério que você não sabia?

— Você sabe quantos anos eu tinha na época? — ele continuava me olhando como se eu fosse um extraterrestre ou algo do tipo. — 13! É claro que eu não sabia.

— Então você não assistia televisão na época. – rebati, abrindo a caixa. Seu conteúdo estava escondido por longos tufos de palha industrial, próprios para proteção contra impactos. Investiguei rapidamente, atrás do que quer que fosse que ele me enviara.

— Qual adolescente perde tempo para assistir esse tipo de coisa, eu estava curtindo por aí. Imagino que Sasuke tenha te contado isso. — ele gargalhou. Depois parou de rir de repente. — Ok, isso não tem mais graça. — seu rosto corou e ele baixou os olhos.

— Enfim… Ele se apaixonara por uma mulher, uma bem louca, sabe? Que o ensinou várias coisas… — pisquei, é melhor eu não dizer sobre os “hobbies” de Sasuke — E então eles se casaram, ficaram juntos por um tempo, mas aí você explodiu o prédio dele e ela largou ele, pensando que Sasuke ficaria falido.

Onde diabos está o que ele me enviou? De repente meus dedos bateram em algo sólido, uma superfície lisa, talvez polida. Enfiei mais a mão e agarrei o que parecia ser o cabo de algo.

— Você está dizendo que ele se separou por minha causa? – perguntou, chocado. — Maldito Iruka! Ele não deixa nada passar! As coisas estão começando a se encaixar. – ele bateu o punho na palma da outra mão, como se tivesse feito a descoberta do ano e seu rosto se iluminou.

— Não acredito… — murmurei, sentindo meu sangue parar de circular e aquele típico frio que sentimos quando passamos por algo assombroso. Tive receio de puxar para fora e acabar com a ilusão que minha mente criara naqueles segundos — Não pode ser… Ele não fez isso.... — eu sorria, apesar do tom dramático que eu usava na voz.

— Fez o que? – Naruto perguntou.

Respirei fundo e puxei de vez o objeto, espalhando a palha pelo chão. Era linda e perfeita. Uma katana de cabo e bainha branca, feita de uma madeira refinada de Ho, um trabalho com certeza feito a mão, uma arte. Desembainhei-a e apontei sua lâmina para Naruto, que se assustou com minha ação.

Havia desenhos ao longo do fio, algo parecido com ondas do mar. Respirei fundo, contendo as minhas lágrimas. Observei a empunhadura com cuidado, alisando os relevos com o polegar e vi uma marca especial, algo parecido com um V bem curvado nas pontas.

— Esse bastardo… — resmunguei, embainhando-a de novo — Como ele pode fazer isso comigo?!

— Isso o que? O que ‘tá acontecendo aqui? — Naruto só franzia as sobrancelhas, muito confuso por sinal.

Sorri e guardei a katana. Peguei o caixote já fechado e voltamos para o carro. Coloquei-o no banco de trás e nós partimos.

— É uma tradição na minha família que o líder forje uma espada para os filhos quando eles se casam. – expliquei, contendo as minhas lágrimas — É uma forma simbólica que a partir daquele dia, ele deverá proteger sua família com a honra dos samurais. Mas meu pai nunca fez isso. — revelei. — Naruto só abriu a boca em um o, admirado. — Na cerimônia de casamento, pai e filho fazem a “Lâmina do Deus Trovão”, para mostrarem a família que o pai aprova a dignidade do filho como novo varão e senhor da sua família. Mas...

— Prossiga, por favor. — Naruto sorriu.

— Meu pai me desertou. — falei — Me disse que jamais me forjaria uma katana do aço Uchiha e da madeira de Ho por eu ser “indigno”. Eu sei que você vai dizer que eu não deveria me importar com isso, mas imagine que essa espada é a festa de debutante dos homens Uchihas.

Voltamos para o centro. Íamos ao joalheiro de confiança da família, que fazia, dentre tantas coisas, as joias que Sasuke usava, bem como todos os adornos que minha mãe usara. Entramos na loja, sendo bem recebidos pelo joalheiro e ele nos guiou para a ala VIP da loja.

— Quem manteve a tradição então, já que seu pai não está mais aqui. — ele se calou, depois voltou a abrir a boca, a fechando em seguida. — Ele te perdoou, será que ele faria isso se não tivesse morrido? – falou, de repente.

— Não. — sorri — Meu pai só me perdoou por causa de Sasuke. — suspirei e tomei um gole do chá gelado que as ajudantes do joalheiro nos servira enquanto esperávamos o seu retorno — Meu irmão fez aquela katana para mim, toda a mão, cada etapa especial, como se me dissesse que mesmo sem meu pai, ele me reconhecia como varão. – sorri, sentindo minhas bochechas corarem — Aquele diabo bastardo arrumou tempo para forjar uma katana para mim. — esfreguei meu rosto — Odeio quando ele faz essas coisas por mim.

O joalheiro nos trouxe o mostruário e nos deixou para escolhermos. Notei que havia algo no peito de Naruto, como um pingente grande demais para sua tentativa vã de escondê-lo.

— O que é isso? — perguntei curioso, apontando para seu pescoço.

Naruto estava observando cada joia como se elas fossem tigelas de rámen quando perguntei. Ele parecia não saber do que eu falava. Repeti a pergunta e toquei a região destacada de seu peito.

— O que é? — indaguei.

— Ah, isso! O Iruka me deu para que eu pudesse ver a sombra de Sasuke. Acho que se trata de um cristal. – mostrou-me o pingente de perto.

Observei o objeto sem tocar e sorri.

— Isso é um Olho do Deus Tsukuyomi. — falei — E não é cristal. É diamante. — fitei-o — Provavelmente vale uns dez milhões só pela pedra, mas levando em consideração o objeto em si, chegue a uns 100 milhões, no mínimo. — comentei por alto. Naruto arregalou os olhos.

— Qual é a dessas pessoas que ficam dando essas joias de valores absurdos? – falou, atônito. — Nem faço questão de ver uma assombração me perseguindo.

— Isso não serve para ver assombração. – falei, voltando meus olhos para os anéis — Esse pingente pertenceu ao meu avô, que deu a minha mãe e em seu leito de morte, ela entregou-o a Iruka para guardá-lo para dar a quem ele julgasse merecedor. É uma joia mística.

— Okay… — falou lentamente — Então, outro dia liguei para o Sasuke e assim que nos despedimos, ele disse ia estar comigo mesmo quando eu acordasse. De manhã, Kurama estava prestes a atacar algo, mas não tinha ninguém, exceto eu, no quarto… — fez suspense. — Daí, peguei o pingente e olhei através dele. Sabe o que vi? — estremeceu. — A sombra de Sasuke sentada ao meu lado na cama, acariciando meus cabelos! — Eu gargalhei alto.

— Esse objeto serve para você ver as sombras dos Uchihas, Naruto, porque alguns de nós temos uma alma tão… — como poderia explicar a ele? — Digamos que alguns de nós nascemos com a capacidade de projetar nossas almas para perto de algumas pessoas, como uma forma de proteção. Os animais podem ver. — mostrei meus olhos vermelhos a ele — Esses olhos também, mas sem esse anel, você nunca viria a sombra de Sasuke. É assim que ele sabe das coisas.

— Isso não deixa de ser assustador! – falou, emburrado.

— É porque a alma dele é negra. — sorri e vi “o anel” que só me fazia ver o sorriso de Shisui — Se você olhar para mim, provavelmente vai ver um feixe de luz perto do meu coração. — comentei — Senhor, quero ver esse daqui.

Enquanto eu analisava o anel, eu vi que Naruto me observava através do anel. Sorri de lado, me perguntando que tipo de impressões ele teria ao ver a “sombra” de Shisui, aliás, não é bem uma sombra, mas um reflexo do brilho encantador de seus olhos e de seu sorriso. Bom, foco.

— O que acha dessa? — era uma aliança um pouco fina, de ouro 18k, com uma linha suave feita de diamantes lapidados.

— Acho que você acertou em cheio, Sui vai derreter no altar! — sorriu bobamente.

— Então é essa! – falei, sorrindo também e entregando o anel para o joalheiro. Logo ele retornou com a maquineta para cartão e a caixinha contendo as alianças. — Débito. – falei, impressionando Naruto, que não parava de encarar a etiqueta de preço.

Cinco minutos depois, Naruto acelerava para o local da cerimônia. Não nos demoramos lá, fora até mais rápido do que eu esperava. Dali, fomos para a loja especializada em ternos que Naruto me indicara para comprar nossas roupas para o casamento. Sorte ter Naruto aqui, porque eu não entendo patavinas desse tema. A dona do lugar era, ao que me parece, amiga íntima dele e logo nós dois estávamos no gigante provador recebendo vários modelos diferentes de terno.

— Kami… — sussurrei — Como vou saber qual usar?

— O mais apropriado? — Naruto falou, como se aquilo fosse óbvio, o que na verdade era.

Só não era para mim, que sou leigo nisso.

— O problema é que eu não sei. – confessei, meio frustrado.

— Deixa eu ver então! Como vou saber qual o melhor sem ver você vestido nele? — ele riu.

— Qual devo vestir, então? – falei, olhando para a quantidade assombrosa de ternos.

— Você é um dos noivos Itachi! Um smoking, não menos que isso. — ele revirou os olhos. — O que Sui viu em você? Kami, é ele que te veste?

— Bom… — corei um pouco — Ele sempre gostou de me ver usando jaleco. Isso ajuda? — Naruto estapeou a testa.

— Você pode guardar esse fetiche dele para a lua de mel. Agora, pegue um smoking! — assenti e escolhi aleatoriamente um deles.

Demorei-me dez minutos para sair pronto e parar de frente a Naruto, diante dos espelhos, esperando alguma luz que iluminasse a minha angústia. Era preto, com faixas prateadas na lapela, e colete de mesma cor das faixas. Simples, ao meu ver, mas estranho.

— Sui vai dar na sua cara. — Naruto fingia lixar as unhas. — O que você acha? ‘Tá afim de ser espancado em público? — ele olhou para mim, sugestivo.

Neguei, escolhendo aleatoriamente outro modelo e voltando para o provador. Dez minutos depois retornei. Esse era um tom estranho de cinza, quase prata, brilhante e a gravata era branca com listras pretas verticais. Respirei fundo e girei no meu próprio eixo.

— E aí? – perguntei, um pouco envergonhado.

— ISSO! — os olhos de Naruto brilharam. — Agora, provavelmente, ele vai tentar arrancar suas roupas no altar mesmo. — gargalhou histericamente.

— Que é isso? — abanei as mãos — Não quero que isso aconteça, pelo menos não em público.

— Acho que você não conhece seu noivo. — Naruto deu um sorriso estranho. — Não se esqueça que o diabo é primo dele. — ele continuava com aquele sorriso a la mona lisa.

— E é meu irmão. — rebati com altivez, observando-me no espelho — Cabelo solto ou preso? – perguntei, tocando as pontas da minha longa cabeleira escura.

— Você vive com ele preso, solta logo isso, homem!

Assenti e suspirei meio pesaroso ao retirar a liga do meu cabelo. Soltei-o, sacudindo de leve a minha cabeça para que cada fio se acomodasse como pudesse. Virei-me de frente para Naruto e esperei ele terminar de me analisar.

— Assim? — passei os dedos por eles, jogando-os para trás.

— Uau! Assim. — ele enfatizou com a cabeça, que balançava freneticamente para cima e para baixo. — Sui vai me agradecer eternamente. – murmurou, com um olhar sonhador.

— Eu também. — fitei a dona da loja — Vou levar este. — ela assentiu e se afastou — E o seu Naruto? Você vai ser padrinho.

— Já escolhi faz tempo. Desde a sua primeira prova. — e apontou para um cabideiro. Ele se levantou e foi para o provador levando as peças consigo. Quinze minutos depois retornou vestido e sorrindo, quase desfilando de maneira involuntária, com a mão no bolso.

— Nossa! – comentei, impressionado. Modelo é outro nível. — Desse jeito, as pessoas nem vão me notar. — eu sorri.

— Duvido muito. Mas obrigado pelo elogio. Já tinha falado com Sui sobre isso, ele sabe que odeio usar terno, então não viu problema nenhum. — deu de ombros, ainda sorrindo.

Naruto vestia uma blusa de botões cinza, com um casaco de tecido liso por cima, muito parecido com um cardigã, da mesma cor da camisa, mas um tom mais escuro. A calça era branca e apertada, marcando bem suas pernas, as barras estavam dobradas no tornozelo, um cinto de couro trançado rodeava sua cintura e por fim um cachecol, marrom terra, com as pontas soltas nas extremidades rodeava seu pescoço. Era um look descontraído para um casamento, mas ele estava impressionantemente muito bem vestido.

— Bem… — eu não tinha o que dizer. Sou leigo no quesito moda. Fitei meu relógio. Terminamos tudo bem a tempo. Trocamos de roupas e a dona embalou tudo para viagem, de modo que já estávamos de volta ao “Laranjamóvel”, como dissera o meu Sasuke imaginário. — Acho que é só isso que temos para hoje. – comentei, riscando o resto da minha lista.

— Preferia não lembrar, mas você não está esquecendo da pessoa que vai celebrar o casamento? — Naruto arqueou as sobrancelhas.

— Verdade! — bati na minha própria testa — Você sabe onde é a casa dele?

— Sei sim. — suspirou. — Vamos agora?

Assenti e zarpamos. Recostei-me no banco e respirei fundo, relaxando. Por sorte, tudo estava resolvido graças aos meus verões de estagiário para Sasuke, quando eu fazia medicina, e aprendi a me organizar como um verdadeiro empresário para eventos durante aquela época. Trinta minutos depois eu estava diante da casa do famoso gurú, toda branca e trabalhada em espelhos e vitrais. Naruto suspirou derrotado.

— Que foi? — perguntei indo para a porta, observando-o demorar-se perto do carro. — Naruto? — chamei, ele estava olhando para os próprios pés, com as mãos nos bolsos.

— A última vez que estivesse aqui, fiquei sabendo que ia encontrar minha soulmate num bar. Ele disse que o encontro seria conturbado, deu no que deu. – deu de ombros.

— Nossa… — arregalei meus olhos — Shisui já veio se consultar com ele, mas nunca me disse o que Iruka lhe dissera. Esse cara deve ser muito bom. — toquei a campainha.

Esperamos, quero dizer, eu esperei, porque Naruto continuava perto do carro. Alguns segundos depois a enorme porta se abriu e um rosto sorridente me recebeu. Era Iruka, alguns centímetros abaixo de mim, usando roupas parecidas com os dos monges praticantes de kung fu.

— Itachi! Que surpresa! — ele tocou a minha mão e abriu os olhos — Eu aceito. — disse.

— O quê? — não pude evitar o meu espanto.

— Celebrar o seu casamento, foi para isso que veio, não é? – assenti, encantado com seus dons. Iruka fitou Naruto por cima dos meus ombros — Parece que alguém ainda está desconfortável com o próprio destino que procurou a vida inteira. — ele falou num tom alto o suficiente para Naruto ouvir. O modelo ergueu o rosto, meio reflexivo.

— Claro que sim, minha soulmate ocupadíssima está em Nova York. Me “pediu” em namoro por Skype! Isso não se faz! – falou, meio chateado, meio indignado.

Eu abri minha boca para defender meu irmão, mas Iruka me impediu e caminhou para perto dele, eu o segui um pouco de longe e fiquei observando a cena. Então era essa toda a motivação da raiva dele? O fato de ainda não estar próximo de sua soulmate como todos os outros casais? Suspirei, compreendendo sua dor. Sei bem como é querer viver coisas que os outros vivem e não poder por causa de situações que estão além do seu controle.

— Mas não é coerente com sua soulmate? Esse comportamento? — ele estreitou o olhar e tomou as mãos de Naruto — Pensei que sua vontade era ter alguém para si tão intenso quanto você. Acaso eu errei nesse ponto? Enganei-me?

— Não. – respondeu, emburrado. — Intensidade é o sobrenome de Sasuke. — corou.

— O que impede sua conformidade com ele? — Iruka era tão gentil que parecia ser pai de Naruto. Acabei sorrindo. Talvez ele tivera sido assim com Shisui.

— Ele está lá a quase um mês. — falou triste. — Esperava que ele voltasse pelo menos para o casamento. Mas aparentemente, o trabalho não deixa… Sei que a culpa não é dele.

— Que bom que entende. — ele afagou o rosto do modelo — Saiba que cada soulmate tem o seu desafio pessoal para estar com a sua metade perfeita. Itachi e Shisui, por coincidência do destino, compartilhavam do mesmo destino, cujo desafio jamais puderam vencer, pois não cabia a eles. Agora é o seu momento de descobrir qual o desafio imposto a você para estar com sua soulmate.

— Tenho vagas ideias. — o loiro suspirou.

Iruka sorriu e afagou os cabelos de Naruto.

— Confie em seu coração, como fazia quando tinha 13 anos. — ele estreitou o olhar e o soltou — Confiar nele te fez encontrar Shisui naquela época. O que dirá nos dias de hoje?

Iruka veio até mim e segurou a minha mão, confirmando a sua presença no meu casamento. Fomos para o carro e dali partimos para a minha casa. Estava meio em desordem porque Shisui decidiu se mudar para ela e adiantou alguma de suas coisas, então pedi que o modelo não se importasse com as caixas espalhadas pela sala. Naruto me ajudou carregando o caixote da minha katana, enquanto eu carregava o meu terno.

— Então… — vi seu rosto mergulhar de novo naquela frustração. Suspirei, deixei meu terno sobre o sofá, retirei o caixote de suas mãos e segurei sua cabeça. Puxei-o seu rosto para perto do meu.

— Er… O que você está fazendo, mesmo? — seus olhos estavam levemente arregalados e me olhavam com medo.

Sorri e recostei nossas testas. O corpo de Naruto é quente, tem um aroma suave e uma maciez gentil na pele amorenada. Acho que consigo imaginar alguns motivos para Sasuke seguir adiante com esse “relacionamento”. Todo o corpo de Naruto é sincero: o leve arrepiar denuncia seu medo, mas a não resistência, mostra sua confiança em mim.

Nos fitamos. Seus olhos azuis trêmulos era praticamente uma obra de arte. Realmente Sasuke tem muito bom gosto em suas escolhas.

— Todos os Uchihas fazem isso, Naruto, caso não tenha percebido. – sussurrei, descendo minhas mãos para seus ombros tensos — Isso quer dizer “Eu estou contigo”. — ele sorriu, parecia lembrar de algo, pois seu olhar estava distante. — Sasuke já fez isso com você? – perguntei, me afastando.

— Sim. — sorriu. — No hospital, no dia que ele teve os pontos rompidos.

— Então foi por sua causa que ele rompeu os pontos? — eu vi Naruto corar violentamente e começar a gesticular uma desculpa desesperada — Ele tinha me dito que tentara mudar a cama de lugar e por causa do esforço abrira os pontos. — estreitei meu olhar — O que vocês andaram aprontando nas escondidas?

— Nada! — ele falou depressa e exageradamente alto.

— Sei. Devem ter feito estripulias. É a cara dele.

— Sim, a cara dele. — ele continuou corando.

— De toda forma, a vida íntima de vocês não me importa. — acompanhei-o até a porta — Obrigada por tudo, me ajudou muito, Naruto. — abri-a.

— Por nada, foi um prazer acompanhar meu futuro cunhado. — e piscou um olho.

Eu tive que sorrir como só Sasuke faria.

— Se vai tentar casar com Sasuke, eu acho melhor começar a lutar de ontem. – comentei, empurrando-o para fora da minha casa aos risos — Só te digo uma coisa, conselho de irmão do diabo: vale muito a pena casar com Uchiha Sasuke.

Fechei a porta, sem ver sua reação. Fitei o relógio. Faltava duas horas e dois dias para o casamento.

Notas finais
DiAngelo: Mia gente, o q é esse Itachi? O homi é meio perturbado, ñ acham? Quem se ligou na zuera do passado? *aquela carinha* Mas ñ vou me estender, sei q vcs tão loucos pro próximo, então corram, plmdds! Nonna: Não se esqueçam dos presentes dos noivos, negada. Nos vemos no casamento!