Cores do Meu Coração
22 Teme 9 - A sua alma é minha
Notas iniciais
Eu estava chegando perto do prédio onde eu comprara meu apartamento há uns dois anos, quando as viagens para Nova York ficaram mais frequentes. Fui para o estacionamento e guardei o carro que eu alugara. Busquei minha bolsa preta e fui para os elevadores. Naruto continuava em silêncio, ofegante, talvez tivesse corado até as orelhas, num martírio de aliviar a sua curiosidade respondendo a minha pergunta, ou não se deixar levar pela minha provocação. Tenho um palpite sobre o que vai acontecer. Entro no elevador e uma moça com um vestido inadequadamente decotado vem em seguida. Sinto seus olhos me analisando como se eu fosse um código de barras, ouço ela fazer murmúrios de interesse em mim.
Esse dia já começou errado. Fitei-a de lado, com um sorriso mínimo e provocador, fingindo estar dando uma vistoriada no conteúdo. Ela se aproximou de mim e esfregou os seios em meu braço.
— Naruto. — chamei. A mulher arregalou os olhos quando tentou se aproximar de meu pescoço.
— Calma, ‘to pensando se respondo o que você quer saber ou se digo que não é da sua conta! Aliás, por que o interesse?
— Digo já. — falei e fitei a moça — É que tem uma moça no cio aqui do meu lado, se esfregando em mim que nem aqueles cachorrinhos quando vê visita. Alguma sugestão do que devo fazer? — ela retrocedeu dois passos — Estou pensando em rasgar o vestido dela e dá uma surra nela enquanto fodo seu rabo, o que acha?
— Não ouse!— ele respondeu irritado, chegou até a rosnar. “Não ouse” ele disse? Eu acabei de ouvir uma crise de ciúmes? Esse moleque não sabe quem está provocando. — Quer saber, eu não vou responder nada. Acho que você ‘tá muito ocupado aí!
— Ei. — falei para a moça — Meu namorado não deixa eu te pegar. Se eu fizer isso, ele me mata e depois te mata. — se o diabo tem uma cara, é a minha com certeza.
Ela apertou um botão qualquer e saiu assim que a porta abriu, vermelha de raiva, tesão e ódio, murmurando palavras intraduzíveis. Eu gargalhei alto, até não ter mais forças e acabar me encostando na parede do elevador. Chorei de tanto rir da cara dela. Mas eu ria também dos resmungos de indignação que Naruto emitia.
— Do que você está rindo, seu imbecil?! A propósito, desde quando somos namorados?! Não lembro disso!!!— sua voz falhou no fim da sua fala.
Suspirei, me levantei e assim que a porta abriu eu segui para o meu apartamento.
— Deixa de ser otário, Naruto, eu só estava despistando uma interesseira. Vai me dizer que você nunca passou por isso. — abri a porta e dei uma olhada no lugar. Silêncio, sendo interrompido apenas pelo som da central de ar. — Olha só, se você me ligou só para encher o saco, é melhor desligar, little bitch. Agora… — sorri, retirando meu moletom — Se me disser se você dá ou recebe, a conversa pode melhorar.
— Qual a importância disso? Não vai mudar em nada sua vida… Além de que sua visão está sendo muito pequena.— ele deu uma risadinha sapeca.
— Ah, já entendi qual é a sua. — dei de ombros e abri a porta do quarto de Maiko.
Ela dormia desordenadamente entre lençóis, travesseiros e ursos de pelúcias. Sorri e fui para o meu quarto. Agora eu fiquei curioso: para que Naruto me ligou?
— Se não vai mudar nada, então para que você ligou?
— Porque eu queria falar com você, ora. Não pode?— ele estava envergonhado com toda certeza.
— Depende do assunto.
Se esse moleque soubesse o quanto estou me divertindo com isso, ele não teria retornado depois que eu desliguei.
— Eu respondi sua pergunta, não vai dizer o porque do seu dia ter sido perfeito?
— Você não respondeu, você driblou. – falei, indo para o banheiro — Nem disse se dava, se recebia, ou se fazia via de mão dupla. — tirei os fones e deixei no viva-voz — Ei, little bitch, vai ter que falar mais alto que eu vou tomar banho agora. Se não, desliga essa porra e vai dormir. – falei, rindo.
— Eu deveria ter ligado pelo Skype, isso sim.— ele gargalhou. — Se você insiste, tudo bem. Eu acho que entre quatro paredes vale tudo. Tudo mesmo!
Fiquei olhando o telefone e imaginando os tipos de estragos que eu poderia fazer com Naruto entre quatro paredes, desde os sacanas até os ruins de verdade. Fui até meu computador e liguei-o, acessei o Skype e ativei a videoconferência.
— Estou online, Naruto. — falei sugestivamente — Fique a vontade para matar a saudade. — ouvi que ele arfou do outro lado da linha.
— Você ‘tá brincando, não é? — perguntou, desconfiado.
— Não. — falei indiferente — Por que eu faria brincadeira disso? Foi você que sugeriu o Skype e eu sei que você tem o meu email. — busquei algumas roupas e fui para o banheiro — Se ouvir água, não é chuva, sou eu no chuveiro.
Me afastei. Liguei a ducha quente um pouco forte e deixei a água fazer sua mágica. Cada músculo do meu corpo relaxou completamente e eu me senti revigorado. Depois desse banho, eu posso passar a madrugada inteira torturando verbalmente Naruto até ele se desmanchar. Demorei-me meia hora debaixo do chuveiro, aproveitando o vapor da água limpando os meus poros e a minha alma. Depois de um dia perfeito, nada melhor do que o banho perfeito. Saí do box e vesti meu short de dormir branco, desses que parecem ser de surfistas, coloquei minha camisa de botão, verde escura, aberta e saí com a toalha enrolada na cintura, cobrindo o short.
Fitei o computador em cima da cama. Lá estava ele, com sua cabeleira loira desgrenhada, mordiscando uma das unhas, enquanto vasculhava o quarto pelo pouco que a câmera permitia, talvez admirando a mobília, talvez me procurando. Quem sabe?
Me aproximei e fitei-o, curvando meu corpo para frente. Sorri e pisquei um olho quando seus olhos focaram na minha imagem projetada pela câmera. Ele tomara um leve susto, mas já estava recomposto, do seu jeito, é claro. Esperei Naruto se manisfestar, mas ele parecia atônito demais.
Esse cara se deixa impressionar muito fácil.
Suspirei, já que ele não reagia, e endireitei minha postura, deixando propositalmente minha cintura no foco da câmera. Meus dedos foram para o nó da toalha. Seus olhos se arregalaram imensamente e eu o vi se aproximar inconscientemente da câmera.
— Está fazendo o quê? — não existe nada mais divertido nessa vida do que fazer sua vítima ter consciência de sua situação torturada.
— Assistindo você…— suas bochechas tinham um tom tingido de vermelho e sua voz estava levemente rouca.
Sorri de lado e me afastei, deixando só minha cara fora do foco da câmera, virei-me de costas e retirei a camisa sem pressa, como se eu fosse trocar por outra peça. Posicionei-me de frente ao espelho e toquei minhas cicatrizes com alguma indiferença. Ouvi Naruto arfar. Esfreguei meus cabelos e voltei para a câmera, dando uma de homem cansado.
— Você está com cara de quem está esperando por algo. — comentei com a voz baixa, de propósito, só para eu me satisfazer com seu leve contorcer seja lá onde ele estivesse, na cama, na cadeira, no chão, no sofá, onde fosse. — Quer alguma coisa?
— Alguém já te contou a sua classificação no inferno?— falou sem ar.
— Já. – falei, encaixando um dedo no nó da toalha, bem abaixo do meu umbigo — Quer acrescentar mais uma classe para mim, Naruto?
— Incúbus… Você é o Incúbus!— seus olhos tinham um toque meio febril.
Sou o Incúbus, é? O demônio masculino da luxúria? Levantei um pouco o computador com uma mão, focando em meu rosto e curvei um pouco o torso. Retirei a toalha e joguei-a num ponto onde ele pudesse ver, mas não revelei o fato de eu estar vestido. Caminhei pelo quarto com o computador na mão, busquei meus cigarros e o isqueiro e levei Naruto para um passeio perto da piscina do meu apartamento. Sentei-me naquelas cadeiras grandes para se bronzear, encostei o aparelho na minha barriga e acendi um cigarro.
Estávamos só eu, a piscina, Nova York, seus ventos frios e Naruto. Eu vi pelo movimento de seus olhos que ele queria saber se eu estava nu ao ar livre ou não. Isso está muito bom.
— Você parece meio doente, Naruto, andou se excedendo no trabalho? – perguntei, dando um tragada, fazendo a luz da ponta do cigarro iluminar meu rosto.
— Eu estou bem. Eu acho... Gostei da sua tatuagem.— deu um sorriso sapeca, ele tinha a expressão de uma criança que tinha acabado de aprontar algo.
Menino danado.
Ele mencionara a tatuagem de corvo de asas abertas que ocupava meu ombro esquerdo e aquela parte mais próxima das costas, uma das asas chegava ao meu pescoço, enquanto a cauda terminava na cintura. Ele parecia ser feito de rabisco a carvão e suas penas soltas se espalhavam pelo resto da palidez da minha tez. Numa das penas, a que parecia flutuar para perto do observador, havia escrito “I am the Darkness. I am the Immensity. I am the Evil. I am Greatness. I am Freeman.”. É a descrição do que eu sou, na minha vida.
— Faz uns quinze anos que eu a tenho. – falei, ficando mais confortável na cadeira. Eu a fiz, me recordei, quando conquistei o meu primeiro “Um milhão de dólares”. — Você está nu, Naruto? – perguntei, observando seu peito desnudo.
— De cueca.— ele arqueou uma sobrancelha.
— Deixa eu ver. — falei sério, soltando a fumaça na tela do computador.
— Pera, só ‘tá acesa a luz do abajur.— vi que ele sumiu por um tempo.
As luzes se acenderam pelo cômodo e eu fui apresentado ao quarto de Naruto. Uma palavra: zona. Roupas para todo lado, pude ver seu closet aberto e revelando um caos que me fez fechar a cara, eu vi em sua cabeceira dois potes de macarrão instantâneo abertos e caídos. Do lado deles havia uma tigela laranja com desenhos em espirais e algo parecido com um porta -retrato, onde eu só conseguia distinguir a silhueta de uma mulher naquela distância. A câmera foi virada quando eu pensei em decifrar quem era ela e então vi o resto do quarto, com Naruto parado bem no canto mais afastado, perto da porta.
Ele estava de costa. Se virou num giro de calcanhares e, como se isso não fosse esperado, ele desfilou até a câmera, exibindo sua cueca laranja com o elástico preto — onde seu nome estava gravado — com um orgulho que só me fez rir. Ele fez pose, perto o suficiente para eu dar uma bela checada em sua bunda, depois se afastou parando num giro e mandando um beijo para mim.
Ah, miserável. Eu sorri de lado com esse “desfile particular”. Naruto jogou-se sobre a cama, quase derrubando o computador no chão. Focou o objeto em si e sorriu.
— É para eu bater palmas? – perguntei, encaixando o cigarro na boca.
— Se quiser, fique a vontade! — ele piscou um olho.
— Não. — falei indiferente, decepcionando-o — Bela cueca. Combina com sua tatuagem. – comentei, tirando o cigarro da boca. — Você já posou para a G magazine? — perguntei.
Alguém com uma bunda de responsa daquela, deveria mostrá-la ao mundo. Só acho. Minha humilde opinião de uma pessoa que contempla bundas. É, eu gosto de bundas.
— Pelo menos umas três vezes por ano me enviam uma proposta nova, nunca aceitei.— ele deu de ombros. — Mas então, querido diabo, você já tentou desfilar? Podia tentar agora, não? — ele sorriu e seus olhos brilharam divertidos.
— Quer me ver nu? — perguntei sério, com um tom provocante. — É isso o que eu entendi agora?
— Seria o justo, se bem me lembro, você já me viu como vim ao mundo.
— Você ia se decepcionar. – comentei, dando de ombros — Sério, vai até ficar com raiva de mim. É melhor evitar maiores constrangimentos.
— Modéstia não faz seu estilo, Sasuke.— ele falou meu nome lentamente enquanto arqueava uma sobrancelha.
— Ok. Depois não vá me xingar. — comentei e segurei o aparelho nas mãos.
Virei-o para piscina, me divertindo com a cara de expectativa que ele criara e contornei a cadeira. Peguei-o de novo de modo que já ficasse focado no meu rosto.
— Pronto? – perguntei, sorrindo abertamente. Acho que dava para contar todos os meus dentes.
— Há muito tempo.— ele mordia o polegar.
— Três, dois, um e... — baixei o aparelho, focando em minha cintura.
A bermuda branca apareceu, bem abaixo do umbigo até acima do joelho, com listras finas pretas nas laterais e o nome BodyTrainning gravado em uma das pernas. Levantei a câmera, forçando uma expressão idiota na minha cara. Ele ficou da cor de um pimentão vermelho.
— Gostou? – perguntei, fingindo inocência.
— Não teve a menor graça, seu idiota!— Ui, parece que ele ficou irritado!
— Eu te disse que você ia se decepcionar. – falei, pendendo a cabeça de lado, voltando para dentro de casa depois de apagar meu cigarro.
Deitei-me na cama e fiquei admirando sua cara emburrada. Ele fez um bico que implorava para ser mordido por mim. Se ele soubesse, nunca mais faria esse bico.
— Tenho certeza que eu não ia, mas com sua babaquice, sim. Muito decepcionante!— ele bufou.
Acho que posso dar um agrado para esse filhotinho que quer tanto a minha atenção. Apoiei o computador de modo que ele fitasse as minhas pernas e o meu baixo ventre. Ouvi-o arfar de surpresa. Vamos ver.
Primeiro o estímulo: trafeguei meus dedos pelas dobras do meu abdômen e brinquei com o cordão que amarra a minha bermuda. Outro suspiro. Segundo, a confirmação da entrega: enfiei meus indicadores no cós da peça de roupa e fingir baixar, ouvi Naruto resmungar irritado. Último, o petisco ao cãozinho obediente: esperei cinco segundos e levantei o máximo que pude meu short, revelando minha box preta pouco iluminada pela luz do computador.
O silêncio da expectativa superada, da surpresa inesperada. Virei o aparelho e encarei-o. De novo, vermelho, a respiração ofegante, a cara de quem está febril.
— Que foi? — perguntei cinicamente.
— Nada. Não foi nada. Você ‘tá enrolando. Diz logo que não vai mostrar!— ele falava manhoso. Quase choramingando.
— Claro que não. — respondi imitando sua manha — Eu acho que só minha mãe e a menina que tirou a minha virgindade viram meu corpo completamente nu, do jeito que Kami quis que eu fosse. Por que eu te mostraria?
— Você disse que tomou minha alma, voltaria para tomar meu corpo. Pretende fazer isso vestido? — ele arqueou uma sobrancelha.
Esse cara não percebeu que acabou de admitir que quer ser fodido por mim. Ai, ai, esse Naruto não perde por esperar. A expectativa em suas palavras, provavelmente se permitindo sonhar com o momento da consumação do ato, ele de olhos fechados se perguntando o que eu poderia estar fazendo. Não, Naruto não está imaginando, posso ver pelos seus olhos. Só a mínima ideia de ter seu corpo tomado pelo meu o faz retroceder por causa das convenções que ele criou para mim em sua mente arteira.
Seu medo e sua raiva alimentados pelo nosso passado e pelas atuais circunstâncias o impedem de atravessar as barreiras do pudor e se deixar levar pelas ondas de prazer que o simples imaginar de uma determinada situação sexual induzida por meras palavras provoca.
Naruto, eu já conheço seu ponto fraco e isso vai te ferrar muito.
— Já fez sexo de olhos vendados? — perguntei com a voz sugestiva, me esticando feito um gato sobre a cama.
— Não, mas pressinto que isso não continuará assim.
— Quem disse isso? – perguntei, me deitando de perfil — Que você vai ter sexo comigo?
— E quem disse que eu estava falando de você, querido diabo? — ele respondeu irritado.
Suspirei com aquela cara de “é tão óbvio”. Quem faria isso com Naruto, quando é claro que ao se envolver com qualquer outra pessoa, ele toma o controle da situação? Para que isso aconteça, Naruto tem que se deixar dominar, mas seu orgulho não permite. Ele quer passar essa estranha sensação de controle para si e para os outros.
É óbvio que, eu não sou modesto, fiquem sabendo, só eu poderia fazer isso com ele.
— Certo então… — dei de ombros — Já que não quer nada comigo, então acho melhor dar essa conversa por encerrada. – falei, me erguendo da cama e sumindo do foco da câmera.
— Você é bipolar?— escutei ele perguntar.
— E se eu for? — falei alto — Qual é o problema?
— Problema nenhum para você, porque eu não entendo mais nada. Você é muito confuso para mim.— ele suspirou audivelmente.
De todas as pessoas da terra, os deuses escolheram a mais inocente, mais burra e mais inexperiente do mundo para ser minha soulmate. Odeio quando o Magnetismo tem razão e diz que os opostos se atraem. Saco, ter que ficar explicando tudo para ele.
— Certo, certo, Naruto. — revirei meus olhos, impaciente. Tem hora que é divertida essa burrice dele, mas tem hora que extrapola.
— Tudo bem, pode ir, eu tenho um assunto a resolver aqui.
— Uma hora dessa? — olhei o relógio. Duas e sete da manhã — Que homem ocupado você é. Pior do que eu. — comentei por alto, voltando para a cama.
— Pois é o que parece, sou muito ocupado mesmo. Você não ia sair?
Encarei-o. Ele estava com as mãos escondidas, o olhar baixo e corado.
— Eu não mencionei tal ideia. — falei.
— ”Já que não quer nada comigo, então acho melhor dar essa conversa por encerrada.”— ele fez uma imitação muito ruim da minha voz.
— Isso não quer dizer que eu ia embora. – falei, arqueando uma sobrancelha. — Foi a deixa para você se deslogar. — franzi o cenho e notei que ele realmente está estranho — O que é que você tem? Está mais estranho que o normal.
— Não é da sua conta!— ele falou, corando violentamente.
Naruto esfregava as mãos, enfiadas entre as pernas, ao que me pareceu ao olhá-lo durante alguns segundos. Eu sorri de lado, entendendo claramente o que se passava com ele. Vou ensinar uma coisa para ele, um pouco do que eu sou capaz de fazer. Respirei fundo, sério como um touro, chamando atenção dele para mim.
— Apaga a luz. — ordenei baixo. Naruto se levantou e o fez rapidamente. Voltou. — Põem fones. — ele o fez. Sorri de lado. — Vai fazer tudo o que eu disser, Naruto. — falei lentamente.
— Sim, diabo!— ele enfatizou com a cabeça, acenando freneticamente.
— Errado. — repreendi — É senhor Uchiha. – falei, sorrindo sadicamente. — Ouviu, little bitch?
— Sim, Sr. Uchiha.— ele tentava esconder o sorriso.
Vou te dar um motivo para nunca mais ter uma transa decente na sua vida.
— Fecha os olhos e se abrir eu desligo o computador. — Naruto assentiu e cerrou os olhos. — Você não está sozinho, Naruto, eu estou com você, bem perto, você pode sentir a minha respiração te provocar arrepios na sua nuca corada. Diga-me onde estou. — contive um sorriso por causa do seu tremor breve. Ele mordeu o lábio, pensando.
— Hum... Em um carro.
— E você está no meu colo? – pergunto, baixando o meu tom de voz. — Sentindo-me por baixo do seu jeans apertado?
— Ôh sim, Sr. Uchiha.
Ele se contorceu.
— Sabe o que faço agora, para te deixar suado? — ele negou — Eu estou chupando seu pescoço e beliscando os seus mamilos. — nem precisei ordenar: ele já estava acariciando a região depois que eu a mencionara — Sua respiração no meu ouvido só me deixa com mais tesão. — ofeguei. — Eu desço lentamente minhas mãos para a sua virilha, mas temos um problema, Naruto.
— Qual, Sr. Uchiha? — franziu as sobrancelhas.
— Tem roupas desnecessárias no caminho das minhas mãos. — falei com um tom mais firme — Não acha isso errado?
— Sim, muito errado, Sr. Uchiha.
— Então tira as roupas do caminho, que eu quero te tocar. — eu vi Naruto mexer-se na cama e então uma peça alaranjada foi colocada de lado, porém seu baixo ventre estava coberto pelos lençóis, impedindo-me de ver. Interessante. — Já está assim, Naruto? — falo sussurrante — Pingando? Por que você está assim? — eu o vi se contorcer por baixo dos lençóis.
— Porque você é muito gostoso, Sr. Uchiha…— ele respondeu gemendo.
Ri baixo, provocante.
— Eu estou te envolvendo, Naruto, sou possessivo e odeio quem quer tocar no que é meu. — apertei meus dentes e falei, estimulando-o — Você só vai gemer para mim, só para mim, enquanto eu te masturbo com força.
Ouvi Naruto arfar e então se encolheu, seu braço se movia com pressa. Seu rosto veio até ficar na linha do meu olhar, como se ele quisesse me ver através da escuridão das pálpebras, me implorando por mais. Sua boca aberta clamava por um beijo.
— Enfio minha mão bem lá no fundo de suas pernas, afago seus testículos, acaricio sua glande e te faço gritar. — então ele gritou, virando o corpo para o outro lado. Eu espero, sinceramente, que ele more sozinho, porque Naruto gritou muito alto — Você me quer dentro de si?
— Por favor, Sr. Uchiha!— ele choramingou.
— Você foi mal, Naruto, por ser indeciso. — aproximei meus lábios do microfone e sussurrei bem baixo — Não tem o direito de me ter dentro de si. — a felação estava mais rápida, seus olhos estavam apertados doloridamente e eu podia ver lágrimas querendo cair — Mas você é gentil… Eu serei, só desta vez, gentil com você. — afastei minha boca e mudei o tom para autoritário — Enfie três dedos dentro de si e empurre devagar.
Ele ficou de bruços e eu vi sua mão indo para seu traseiro. Naruto gemeu ao me obedecer, gemeu de dor, gemeu de prazer. Eu sorri, satisfeito com suas reações.
— Quer que eu seja gentil, little bitch?
— Gostaria que você fosse você mesmo, Sr. Uchiha.
Eu ri diabolicamente.
— Empurre a mão toda. — ordenei seriamente. Naruto parou, tenso. Aos poucos seu corpo assumiu uma coloração desbotada. Medo. Tão fácil de se reconhecer — Por que não quer que eu empurre minha mão dentro de você? Quer que eu te largue aqui? — falei severo — Não vai me obedecer, Naruto? — disse seu nome lentamente.
— Quero obedecer, Sr. Uchiha, mas não consigo.— sua voz estava trêmula.
Sorri de lado.
— Tudo bem, tudo bem. – sussurrei. confortando-o — Eu vou deixar passar dessa vez. Eu vou colocar apenas dois dedos, bem devagar em você, vou entrar e sair enquanto esfrego seu pênis na mesma velocidade. — ele fazia, esfregando o rosto nos lençóis — Rebola na minha mão, Naruto, porque eu sei que você quer rebolar...
Vi sua bunda se empinar e então começar a girar. Eu respirei fundo e forcei um arfar longo, como se eu estivesse me masturbando também.
— Naruto, você é tão quente por dentro. — sussurrei — Galopa agora. — ele mudou a posição, ainda sem deixar que eu visse algo, penetrou-se pela frente e começou a mover-se para frente e para trás — Droga… Você não sabe como eu estou aqui por você… — falei com alguma pressa. — Essa calça que eu estou usando já não é tão folgada quanto antes. Se esfrega em mim.
Ele deitou-se de novo, engatinhou de ré até a barra de ferro que fazia parte das armações da cama, retirou seus dedos, e ficou subindo e descendo o traseiro contra o ferro.
Sua pele inteira estava completamente suada e corada. Sua respiração estava descompassada, seus olhos estavam quase fundindo as pálpebras, sua boca estava vermelha de tanto ele mordê-la, eu pressenti que seu corpo já se movia pela inconsciência elétrica do ato, envolvido completamente, os pensamentos vazios, apenas a minha voz o preenchendo. Naruto abriu a boca, quase se afogando em seu próprio fôlego. Ele quer gozar. Sorri de lado e então eu grunhi pesadamente, fazendo-o estremecer.
— O que você quer, Naruto? — sussurrei ofegante.
— Ôh Sr. Uchiha, por favor, por favor… Me deixe gozar!— ele estava quase chorando.
Naruto voltou para perto do computador, enfiando dois dedos por contra própria.
— Você merece, Naruto. — arfei — Eu vou colocar mais um dedo em você, eu estou indo rápido, nossos pênis juntos numa felação quente, frenética, louca, com o único desejo de nos unirmos num só. — ele estava de barriga para cima, sem saber o que fazer com o próprio corpo — Não tenha medo, se deixe levar, goze para mim. Grite meu nome enquanto deixa fluir!
E ele gritou, desesperado. Rosnei alto, fingindo gozar também.
Lambi meus lábios, completamente satisfeito. Não transei hoje, mas ver Naruto fazendo tudo isso para mim, se mostrando desse jeito, valeu a perda de tempo. Seu corpo foi tomado por espasmos, enquanto ele se encolhia por debaixo do grosso edredom. Alguns minutos depois, como uma borboleta saindo do casulo, ele apareceu, a princípio envergonhado. Enroscou-se no edredom e desapareceu das minhas vistas pelos vinte minutos seguintes, foi o tempo de eu fumar outro cigarro. O que será que se passa na cabeça desse tonto?
Naruto retornou, vestido num pijama azul claro e listrado, com uma cara de vergonha mesclada com satisfação. Ele me fitou sem erguer o rosto, abraçou os joelhos e suspirou. Acho que ele notou que eu continuava deitado de perfil, tal e qual. Ele ajustava sua respiração e repentinamente esfregou seus cabelos molhados do recente banho.
— Kiba tinha me falado de você. Mas claro que ele não mencionou nomes.
— Hn. E o que ele disse? — eu sabia que Kiba não mencionara nada que pudesse me entregar.
Até parece que eu ia esquecer um moleque que vivia pintando a cara feito índio e que quando cresceu fez tatuagens no rosto iguais aos desenhos.
— Que você o fez gozar sem ao menos tocar nele. Eu achei isso incrível e disse a ele que queria que minha soulmate fosse assim também. A ironia não chega a ser nem coerente!— ele franzia as sobrancelhas.
— Talvez você estivesse invocando um demônio para sua vida sem saber. — comentei por alto — Quem sabe? Mas… — a cartada final — Foi como você esperava?
— Foi melhor que o esperado, você é o Incúbus, não teria como ter errado.— ele riu por um tempo, mas depois ficou sério. — Não sei você, Sasuke, mas eu não tenho para onde fugir. Iruka já havia me avisado que nossos destinos haviam se encontrado em vários pontos.
Sorri triunfante, deixando-o com um bico, que implorava para ser mordido, de raiva, na cara virada de lado. Estalei a língua, reprovando esse seu gesto. Não é bonito provocar o diabo.
— Só me lembro de um. — falei sincero — Se você acha que não tem para onde fugir, eu não posso fazer muita coisa por você. Quero dizer, você me odeia, mas não consegue ficar longe de mim, eu só posso dizer que você está muito ferrado.
— Não ‘to te forçando a nada, quer dizer, isso nem é possível. Mas acho que isso pode mudar… — ele olhava para baixo, sem conseguir me encarar.
Só há uma solução para esse problema dele. Não que eu não ache justo vê-lo sofrer por todas as coisas que ele já me causou, mas tudo tem limite, inclusive a minha paciência e a minha cota de ver os trabalhadores do meu primo sofrendo.
— Você quer ser meu? — sugeri.
— Pensei que já fosse. Foi o que você deixou bem claro antes de ir embora.— agora me olhava confuso. Naruto tem que aprender a prestar atenção nos que as pessoas dizem a ele.
Neguei.
— O diabo nunca toma nada de ninguém à força. — sorri — O homem sempre se entrega de boa vontade, num ato louco e desesperado. Sua alma é minha, mas você poderia reavê-la. — ele finalmente piscou, talvez entendendo — Você só será meu quando se entregar de bom grado.
— Meus pais se olhavam como se o outro fosse a coisa mais preciosa do mundo, muito parecido com Hinata e Shikamaru. Não estou pedindo isso, embora seja o que eu quero. Só… não brinque comigo, Sasuke.— ele falava angustiado.
É, eu sei, posso ver por seus olhos. Ele já é meu, totalmente meu, completamente orbitando ao redor de mim, sem poder jamais fugir. Naruto segurava-se para não exprimir sua dor.
Apaguei meu cigarro no cinzeiro ao lado da minha cama, coloquei o maço e o isqueiro sobre o criado mudo e suspirei.
— Desculpe, Naruto. — falei e ele me encarou — Nunca brinquei com você, aliás, raramente brinco com os sentimentos de alguém. Eu nunca vou te olhar como Shikamaru olha para Hinata, eu nunca vou te olhar como Itachi olha para Shisui, porque sempre que sentir meus olhos em si, seu corpo arderá em chamas e você saberá que me pertence. — ele franziu o cenho — Acha que aguentará ser tratado assim?
— Posso tentar.
Sorri. O esforço dele é louvável. Acho que posso fazer um pequeno sacrifício por ele.
— Façamos um acordo então. — incitei-o. — Eu vou conter os meus demônios, tentarei ser gentil com você, seremos quase como — fiz aspas com os dedos — “Namorados”, nas seguintes condições: se me provocar, ou se me irritar, ou se agir de forma inconsequente, eu vou ser o diabo; vai ter que suportar todas as minhas vontades particulares, sem reclamar, sem fugir, vai aguentar minhas possessões de bom grado; se eu te pegar com outra pessoa… — eu sorri furioso — Vai desejar que eu tivesse morrido esmagado pelo caminhão.
— Me admira você não saber disso, mas nunca me envolvi em um relacionamento sério. Mas pode ficar tranquilo, se tem uma coisa que prezo, é a fidelidade. — Naruto pensou um pouco e depois me fitou. — Devo esperar isso de você também?— ele parecia preocupado.
— Isso é uma exigência ou apenas uma expectativa sua? – perguntei, estreitando meu olhar.
— É apenas uma pergunta, Sasuke.
— Só posso garantir fidelidade se você der conta. – falei, dando de ombros — Eu sofro de “Insatisfação crônica”. — arqueei uma sobrancelha, sorrindo — Então, temos um acordo?
— Temos sim e daremos um jeito em você também.— ele deu seu sorriso de menino.
Ele vai se arrepender amargamente de ter pensado isso. Coitado. Tudo bem, eu posso adestrá-lo, mesmo que seja meu maior desafio.
— Ei. — chamei com a voz baixa.
— Sim?— ele estava atento.
— Dorme bem. — falei e ele se admirou — Descansa, tenha bons sonhos. – sussurrei, sorrindo gentilmente — Depois do que passou, você merece dormir. Fecha os olhos. — ele o fez — Eu estou contigo, Naruto, deitado ao seu lado, te abraçando devagar. Acabamos de transar e eu quero você dormindo comigo. — ele sorriu e foi se deitando — Eu digo para você e só para você: eu ainda estarei aqui quando acordar.
Naruto deitou e eu aproveitei seu breve deslize para desligar o computador. Suspirei e me estiquei na cama. Vai ser interessante namorar depois de tantos anos. Será que ainda sei fazer isso? Encontros, ligações noturnas, beijos às escondidas, presentes e declarações de amor, carinhos e andar de mãos dadas. Saberei agir assim? Talvez, só o futuro dirá.
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