Cores do Meu Coração
16 Teme 7 - De volta aos eixos
Notas iniciais
Eu sei que cara é essa que você está fazendo. Está pensando que eu me apaixonei por Naruto, não é, e que por isso eu fiz o que fiz. Conheço essa expressão de longe. Só de ruim, não vou te dizer porque eu fiz o que fiz e quase abri os pontos da minha barriga. Depois de ouvir um sermão de Itachi, de Shisui, de Hinata, de Kakashi, do meu vice-diretor, de todos os meus médicos, de minha filha, de mais uma porrada de gente, eu voltei aos meus tratamentos e duas semanas depois do “ocorrido” eu estava de volta ao meu lar.
Claro que eu voltei mancando. Se eu me incomodo por andar com um colete para fraturas torácicas e um imobilizador de joelho? Mas é claro que não, continuo incrivelmente lindo e deliciosamente perigoso assim. Na manhã seguinte a minha alta, depois de passar um dia inteiro mimando e matando a saudade da minha menina, eu voltei para o banco.
Eu tinha uma reunião importante com alguns acionistas, que estavam loucos com a minha ausência de dois meses. Claro que eles estavam loucos, se eu morresse eles poderiam tomar de conta de tudo, eu aposto que fizeram até trabalho de magia para eu morrer, mas eis me aqui entrando na recepção do prédio com mais de trinta andares, vestido em jeans preto com alguns rasgos nas pernas, camisa de botões azul com riscos de giz branco por cima do meu colete, mas por dentro de uma camisa de lã pura preta e botas Timberland marrom bem claro.
Retirei meus óculos escuros, deixando toda a minha presença superior fazer seu trabalho e estirei minha mão, cobertas pelas minhas “sempre de couro” luvas pretas e recebi de Hinata, que já me esperava no saguão, os relatórios mensais atrasados.
— Demitiu o gerente de Suna? — perguntei, olhando para os papéis, enquanto mancava com mais habilidade para o elevador. Hinata vinha ao meu lado.
— Tudo foi feito conforme o senhor ordenou. — ela sorriu, percebi pela sua voz que ela sorria — Inclusive o processo está perto de se encerrar.
— Muito bom. — entramos no elevador, vazio, e Hinata apertou o botão do meu andar. Fitei-a. Usava um vestido creme com um suéter cor de rosa bem claro por cima, um cinto marrom escuro marcando sua cintura, sapatos de salto azuis caneta, os cabelos estavam como sempre e ela trazia uma maquiagem leve no rosto — Está muito bonita, Hinata.
Ela me fitou, seus olhos cinzas quase brancos arregalaram-se e ela corou.
— Perdão? — ela disse timidamente.
— Está muito bonita hoje. — disse novamente, cruzando as mãos atrás do corpo.
— Obrigada. — seu rosto serenou e ela sorriu docemente — O senhor está muito charmoso, como sempre. — as portas se abriram e nós saímos — Mesmo com esse aparelho. — sua caneta apontou para a minha perna direita e sorri de lado.
— É o toque final, honey.
— Sim senhor, com certeza é.
Acho que eu posso esclarecer um pouco os motivos por eu ter esse nível de intimidade com essa mulher tão bela no auge dos seus 28 anos. Hinata é uma Hyuuga, uma grande família tradicional do Japão, e pior do que os Uchihas, eles obrigam que soulmates na família se casem, mesmo sem se gostar. Por causa do tamanho da família, ela atualmente tem dois chefes que controlam os dois negócios que traz tanta riqueza para eles.
Hiashi, o cara que fez esses suportes para mim, cuida do “negócio mais rentável”, a Hyuuga’s Prosthesis. Ele é o mais velho dos dois irmãos chefes e pai de Hinata. Hizashi, gêmeo de Hiashi e caçula, foi designado a presidência da Hyuuga’s Cosmetics. Ele é tio, obviamente, de Hinata e o único filho dele, Hyuuga Neji, é a soulmate de Hinata. Agora vem a parte boa da história: Hinata e Neji, primos em primeiro grau, não sentem nada um pelo outro, exceto respeito, porém eram obrigados a se casar. Hinata, por ser mulher e filha da linhagem principal, não teve escolha senão aceitar ou seria expulsa de casa com uma mão na frente e outra atrás, tratada pior do que uma prostituta de cabaré. Neji ainda teve o direito de ter uma amante por ser homem, mas desde que garantisse a linhagem Hyuuga com um filho.
E foi nesse caos de sentimentos que eu conheci Hinata. Ela só tinha dezessete quando eu me interessei por ela e nós começamos a sair. Também conheci Neji como consequência, e eu não gostei dele assim que pus meus olhos nele. Acontece que meu namoro não durou mais do que dois meses, porque acabamos percebendo que éramos mais amigos do que namorados. Mas a verdade é que Hinata estava apaixonada por outra pessoa.
Os dois primos já sabiam que eram soulmates e estavam de casamento marcado quando Hyuuga Hiashi e Hyuuga Hizashi compraram briga comigo. Por quê? Porque eu acobertei e protegi Hinata quando ela fugiu em pleno casamento. Escondi-a em minha casa e, durante as três semanas de guerra judicial que travei com os dois, ela foi o ninho de amor dos meus melhores amigos. Hinata havia se apaixonado pelo meu parceiro de faculdade, Nara Shikamaru, um nerd altamente preguiçoso. Como eu podia deixar que alguém tão pura e gentil como ela fosse forçada a perder a própria vida por causa de uma porcaria de regra envolvendo soulmates?
É claro que eu banquei o leão e caí para a porrada judicial contra os dois. Nesse meio tempo Hinata e Shikamaru se casaram, inflando a fúria de Hiashi e me dando mais motivos para seguir em frente com a contenda. Resultado?
Um processo que me rendeu 150 milhões de dólares de lucro, a felicidade de uma boa amiga com o meu melhor amigo, a melhor AP — Assistente Pessoal — que eu poderia querer e uma intriga especial com a família Hyuuga. Sabem aquela coisa que eu disse que todo que me quer morto vem depois implorando pela minha ajuda? Adivinha quem vendeu a alma ao diabo por causa de uma dívida absurda que um irmão provocou na empresa do outro?
Pois é. Eu amo as ironias da vida. No meio desse caos, Neji me apareceu pedindo ajuda da mesma forma dois anos depois do casamento de Hinata. Queria a mesma proteção que eu dera a Hinata, jurou fazer qualquer coisa por mim se eu o livrasse do casamento obrigado que seu pai o impusera.
Ele me dissera que se apaixonara por uma jovem que estava se formando em enfermagem, enquanto ele se formava em medicina. Concordei, desde que ele conseguisse que 60% das ações da Hyuuga’s Cosmetics fosse minha. Foi rápido a minha posse, como também foi rápido para eu arrumar dois intercâmbios para os jovens pombinhos, longe dos chefes. Três anos depois, Neji se casara com Sakura, cuja soulmate nunca foi encontrada, e a Hyuuga’s Cosmetics se tornou referência mundial graças aos meus investimentos, me tornando o acionista mais importante da família Hyuuga, mais importante que os próprios donos.
Eu, rico? Imagina. Sou só dono de meia Konoha, nada de mais.
— Senhor Uchiha.
— Sim, Hinata? — eu estava em minha sala lembrando de tudo isso, quando ela entrou sorrindo.
— A sala já está pronta, estão esperando por você.
— Obrigado, honey. — levantei-me e a acompanhei até a sala ao lado da minha. Lá, todas as minhas reuniões aconteciam. — Eu espero que você esteja pronta.
— Para que, senhor? — notei um leve temor em sua voz.
— Para esta empresa, você é a nossa maior referência para a prestabilidade e o bom atendimento, bem como o cuidado com os clientes. Vou precisar de você para a publicidade.
— Eu, senhor? — notei que ela corara, mas sorrira.
— Sim. — pisquei um olho e ela estremeceu. Nós entramos na sala. — Eu quero alavancar a publicidade da Rebú e vou precisar dos meus melhores funcionários, além dos dons mágicos do meu primo mais amado do mundo inteiro! — falei, abrindo os braços para receber Shisui.
Nos fitamos e ele estreitou o olhar sorrindo.
— Está bem? De verdade? — assenti — Menos mal.
Fitei a mesa. Da minha esquerda para a minha direita, sentados a mesa, estavam Konan, toda ansiosa para mostrar a proposta que eu aprovara depois que eu fizera alguns ajustes, uma cadeira vazia que foi logo ocupada por Hinata, Shikamaru, meu vice-diretor e consultor pessoal, Shisui e por fim eu. Sentei-me com cuidado e cruzei as mãos sobre a mesa.
— Convoquei vocês aqui porque estaremos envolvidos, na próxima semana, no projeto da nova imagem da Rebú. — iniciei — Cada um terá seu papel fundamental para a publicidade da empresa, de modo que eu quero cooperação total. — eles assentiram — Nós, e eu estou falando de mim, de Shikamaru e de Hinata, nunca estamos a frente publicamente da empresa, de modo que vamos ter que mudar um pouco isso.
— Como assim? — indagou Shikamaru.
— Eu proponho uma parceria para esse projeto entre Konan e Shisui.
Eu vi meu primo arregalar os olhos. Durante aquela manhã, nós discutimos o que seria feito, ouvimos a proposta de Konan e depois de muito debate, ela foi aprovada com uma tímida unanimidade. Porém todos foram bem convictos em aceitar Shisui como chefe dessa operação, pois ele era a pessoa mais indicada para isso. Avisei a ele que iríamos almoçar para rever algumas particularidades.
Shisui me disse que chamaria Naruto, por ser o modelo mais experiente de sua companhia. Não fui contra, afinal eu dei a ele carta branca, certo? Ouvi-o conversar com o cara pelo telefone e tomei um discreto susto quando ouvi o grito de felicidade que Naruto deu ao ser convidado para almoçar no Ichikaru. Nós ficamos rindo enquanto seguíamos para o saguão.
— Precisa que eu vá buscá-lo? — perguntei, indo para o meu carro.
— E você pode dirigir? — Shisui perguntou, contornando o meu jaguar vermelho de estimação. Faz pouco tempo que eu descobri que ele é vermelho.
— Como acha que eu cheguei aqui? — respondi rindo e entrando no carro, depois de por meus óculos aviador de lente escura. — Vamos buscar o traste?
— Vamos. Eu disse que ia mesmo. — ele colocou os próprios óculos oakley e partimos. — Naruto fez birra e disse que está com o pé doendo demais para dirigir.
— Sei.
Acelerei e segui as indicações de Shisui para a casa dele. No caminho peguei Maiko e fui deixá-la na casa de Itachi. Ela tinha que ir no médico e eu não tinha tempo, de modo que Itachi se propôs a levá-la já que o médico era um conhecido seu.
Não demorou muito para chegarmos até o seu bairro, tranquilo e com pouca movimentação, meio afastado do centro de Konoha. Pedi a Shisui que fosse buscá-lo, que eu ficaria esperando no carro, ouvindo um pouco de música. Recostei-me no banco e com um comando de voz fiz o som tocar a música "Beautiful", do Akon. Essa música é muito boa. Repeti-a umas cinco vezes até que ouvi os dois se aproximando. Acho que vou fazer um pouco de charme.
Aumentei o som do carro e saí de dentro dele, fitando diretamente esse loiro tão cheio de manha, notei Shisui parar de andar e cruzar os braços. Não sou bom dançarino, mas posso fazer alguma coisa só para verem as pessoas pirarem de fascínio. Comecei a dublar Akon, retirando meus óculos devagar e me encostando no carro, me movimentando ritmadamente de acordo com a batida da música. Sempre que o cantor dizia “You’re so beautiful! Só damn beautiful!” eu olhava para Naruto com uma cara, eu acho, sensualmente tímida.
Ele olhou para Shisui desconfiado, e depois olhava, quer dizer, tentava olhar para mim. Vi um leve rubor nas suas bochechas, mas foi muito rápido. Acho que ele estava indeciso acerca do que fazer, deve ter decidido, porque levantou a cabeça, empinou o nariz e me encarou com firmeza.
— Vejo que está bem, Sasuke. — constatou o óbvio.
Esse moleque não sabe quando desistir e se deixar levar pela tentação.
— Estou. — pensei em chamá-lo pelo apelido carinhoso, mas tem certas coisas que só devem ser ditas a dois. Abri a porta do carro e esperei eles virem — Ladies.
Shisui riu e entrou primeiro, no banco de trás, porque Naruto usava aqueles imobilizadores na perna. Sua calça caqui estava com uma das pernas dobradas, por causa do imobilizador, e eu não sei se foi coincidência ela estar meio apertada, principalmente na bunda. Usava mocassins amarelos e uma blusa de manga longa em v na gola, também apertada. Parece que alguém acordou hoje querendo provocar e esse sou eu.
Naruto entrou e sentou-se com uma cara de gato desconfiado. Eu dei só um sorriso, coloquei meus óculos, circundei o carro e entrei. Dei ignição, coloquei essa maldita música para tocar de novo — droga, essa música é muito boa! — e partimos. Fui cantando baixo e movendo minha cabeça no ritmo. Shisui só ria atrás, principalmente da cara de peixe fora d’água que Naruto fixara.
— Como você está? — perguntei a ele, para ver se ele voltava a essa órbita. Nada. Franzi o cenho e fitei-o rapidamente — Naruto. — nada, ele continuava com os olhos fixos na estrada — Naruto. — sério que ele vai me deixar no vácuo dentro do meu próprio carro? — Naruto! — dei um leve peteleco em sua testa quando parei no sinal vermelho.
— Ah, oi?! — ele parecia atordoado.
— Está em que planeta? — perguntei acelerando o carro.
— Nesse. O que foi?
— Não parece estar nesse planeta… — vou alfinetar. Sorri de lado — Estava pensando em alguém em especial?
— No meu gato, ele parecia muito estranho ainda a pouco. — ele demorou um pouco para responder.
— Dizem que os animais podem ver coisas que não vemos. — falei dando de ombros — Eu tive um cachorro que via espíritos na antiga casa que eu morava. Você lembra de Hidan? — perguntei, olhando para o retrovisor.
— Lembro. — Shisui respondeu, cruzando emburradamente os braços — Como eu posso esquecer aquela praga louca e tarada?
— Não diz isso do meu finado Hidan! — falei brincando — Só porque ele gostava de transar com as suas pernas não quer dizer que ele era um mal garoto. Só quer dizer que ele tinha bom gosto.
Acabei rindo da cara de raiva que Shisui manteve. Fitei Naruto de novo.
— Eu perguntei se você está bem. — indiquei sua perna com a mão na hora que ia passar a marcha.
— Estou sim, só continuo usando o suporte porque se eu tirar Shisui conta para a Sakura e você já viu aquela mulher com raiva? Prefiro me atracar com você de novo em um algum bar por aí.
Sorri de lado me recordando de todas as coisas que eu sabia e já vivenciara com Haruno Sakura, algumas boas, outras ruins e algumas raras nada puritanas.
— Sei de coisas sobre ela que te fariam preferir se enroscar com ela num bar do que comigo. — falei, lhe dando um fatal olhar sacana. Eu vi Shisui arregalar os olhos em repreensão — Que foi? É verdade e você sabe disso! — encarei-o pelo espelho.
— Mas não precisa ficar falando desse jeito da amiga do Naruto!
— Ora mais essa. — eu ri — O melhor amigo dele é um garoto de programa e você me vem com esse papo escroto? Sério que você conhece bem ele? — perguntei, apontando para Naruto.
— Kami-sama, porque você não pode fingir respeito uma vez na sua vida?! O que Kiba faz ou deixa de fazer não é da minha, muito menos da sua conta. E o TRABALHO, porque é um trabalho sim, dele não interfere em nada em sua personalidade. Que é muito mais amigável que a sua, bastardo de uma figa! — ele me olhava com fogo nos olhos.
Aí eu não aguentei, gargalhei até meu peito começar a doer. Por sorte já estávamos chegando ao restaurante. Acho que eu ainda fiquei uns cinco minutos rindo dentro do carro enquanto Shisui e Naruto iam para dentro do local, mas ficaram na porta, me esperando. Saí depois de estacionar o veículo, e fui até eles.
— Reserva para três. — falei ao gerente.
— Em nome de? — indagou, checando algo na agenda em sua mão.
— Meu. — falei simplesmente. O homem me fitou e se sobressaltou. Apontou-nos uma direção e nós seguimos para um local mais reservado.
— Reserva, cara? Que antiquado. — Naruto falou e foi direto até a cozinha.
Revirei os olhos e fiquei parado no meio do restaurante. Simplesmente todo mundo parou o que estava fazendo e me observou. Pois é, Naruto tem razão numa coisa sobre mim: eu não sou muito amigável. Cruzei meus braços e esperei-o me fitar. Nada, continuava seguindo para a cozinha do restaurante.
— Deixa ele! Naruto conhece todo mundo por aqui. — Shisui murmurou no meu ouvido. Fitei-o severamente e ele foi para a mesa que eu reservara. Voltei meu olhar para Naruto, parado diante da porta da cozinha, ouvindo o que o chefe do lugar tinha a dizer.
Ele me fitou e teve um susto repentino ao se deparar com a minha cara. Pendi meu rosto de lado e coloquei uma mão na cintura, esperando ele vir. Nada. Respirei fundo e bufei irritado.
— Naruto. — chamei, quase perdendo a pouco paciência que minha mãe me deu.
Ele falou rapidamente com a outra pessoa e veio até mim, com uma cara de poucos amigos, se aproximou bastante e sussurrou, o que foi espantoso, visto que ele definitivamente não sabe falar baixo.
— O que você pensa que está fazendo seu imbecil? Não sou propriedade sua, faço o que quero, portanto não comece com o chilique.
— O que você pensa que está fazendo, seu retardado? — falei no mesmo tom que ele. — Estamos a negócios aqui, não para um almoço de domingo. Senta a porra dessa bunda nessa cadeira porque temos trabalho a fazer — falei, indo para o meu lugar — Muito cuidado com o que vai dizer.
Eu sei que ele vai me rebater, ele sempre rebate. A sorte dele é que eu ainda estou debilitado por causa das costelas, porque se não o fosse, eu daria um jeito nele, mesmo com o joelho ainda ferrado. Saco dos infernos, esse cara não sabe ser profissional nem uma única vez na sua vida? Tem sempre que agir que nem um moleque? Sentei-me com dificuldade e fitei-o. Ele ainda estava de pé, me olhando em desafio. Eu apertei meus punhos e fechei mais um pouco a cara. Seja lá quem for o deus da calma e da paciência, por favor não faça esse cara me ver realmente furioso, porque se isso acontecer, eu não respondo pelos meus atos.
— Olha Sasuke, por incrível que pareça, você não é o dono do mundo. E fique sabendo, que só estou aqui porque Shisui precisa de mim e em respeito a ele, vou deixar essa passar. — ele pedia desculpa com os olhos para o meu primo. E finalmente sentou o rabo na cadeira.
Porra, minha paciência está por um fio muito fino e curto. Chamei o garçom e pedi logo um whisky duplo sem gelo, para acalmar os meus nervos. Shisui parecia um inocente no meio do fogo cruzado. Não demorou para a bebida vir, até porque todo mundo no restaurante percebeu como eu estava prestes a explodir em cima de alguém.
— Naruto… — eu senti a voz de Shisui temerosa — Eu tenho um novo trabalho para você. Para você e mais alguns modelos, mas principalmente para você… Bom...
— Essa parte entendi. Só não sei o que o diabo faz aqui… — ele olhou para mim com desgosto evidente.
Terminei de virar meu drinque e pedi outro do mesmo jeito, enquanto o almoço não chegava.
— É que… — Shisui parecia temeroso em falar.
— Você vai trabalhar comigo. — falei por ele, tomando um gole — Se aceitar o trabalho.
— Tudo bem, posso saber pelo menos do que se trata, antes de aceitar ou não? — ele parecia interessado.
Sorri de lado e tomei outro gole. Peguei meu celular, que vibrara em meu bolso e fitei as mensagens que meu computador me enviara. Oh saco, eu não tenho sossego nem no almoço.
— Vamos dar uma alavancada na imagem da Rebú. — falei, franzindo o cenho para o meu celular — Uma proposta da Konan, acho que a conhece, ela é bem intrometida. — arqueei uma sobrancelha — Vamos apostar nos dotes de moda que Shisui tem. Vamos mostrar ao mundo do que as pessoas mais importantes da Rebú são capazes.
— Que tipo de publicidade? — agora ele parecia profissional e isso foi uma surpresa.
É por isso que eu acredito em milagres. Sério, sem zueira nenhuma. Busquei o meu outro celular no outro bolso, joguei minha carteira em cima da mesa no movimento, meio desleixado eu sei, mas é que o problema que eu estou resolvendo está me roubando a paciência. Fitei Naruto por um momento e disse:
— Nós vamos aparecer, o Tripé da Rebú. Mas não entendemos, eu particularmente, nada sobre posar para fotos publicitárias, que irão aparecer em revistas, outdoors, comerciais e essas coisas, mas Shisui entende e você também. E é aí que você entra. — uma ligação — Só um minuto, Naruto. — atendi — Eu estou almoçando. — falei gravemente — É o quê? Quer que eu resolva ou vai dar um jeito? — fitei o rosto de Naruto. Ele parecia um pouco apreensivo. Mas eu nem estava alterando a minha voz ainda — Se eu der um jeito, seu emprego vai para outra pessoa, já sabe. — desliguei na cara da pessoa e tomei um gole do drinque — Como eu dizia, é aí que você entra.
— Isso chega até a ser cômico. Eu aceito sim. Preciso ver isso em primeira mão. — ele sorria divertido.
Nossa, estou realmente impressionado. Quem diria que ele aceitaria de primeira? Mas eu sinto que de alguma forma ele vai tentar arma alguma pegadinha comigo. Eu sinto que isso vai dar em dores de cabeça para mim. Sacudi de leve a cabeça e deixei para lá. Um passo de cada vez. Nosso almoço chegou. Ramén extra absurdamente grande para Naruto e comida “normal” para mim e Shisui, a exceção de que a minha era extra apimentada.
— Naruto. — chamou Shisui — Você vai ensinar a Sasuke e a mais duas pessoas como se comportar diante das câmeras. — ele falou num provocativo e eu sei que era para mim.
— Sasuke e mais quem? — ele perguntou de boca cheia.
— Nara Shikamaru, o vice-diretor da Rebú e a esposa dele, Hyuuga Hinata, a AP de Sasuke. — Shisui respondeu com sua típica animação para novos projetos.
— Uau, a famosa Hyuuga? — Naruto parecia extasiado.
— Ela mesma. — respondi, mordiscando o filé que eu pedira. — Ela é absurdamente tímida, então vai pensando num jeito de fazê-la se soltar. — falei para Naruto apontando o garfo, mas sem parecer tanto mandão, como é de meu costume inconsciente — E Shikamaru é a encarnação da preguiça, então ele vai te dar muito trabalho. Se disser para ele fazer uma coisa, você tem que pegar no pé dele que nem cachorro no cio.
Naruto soltou uma gargalha alta, batendo com força o punho na mesa. Eu tive que segurar meu prato e o meu copo para ele não derrubar na crise repentina de riso. Eu chamei a atenção para o mal e ele chamou para a zorra. Eu pressinto que essa vai ser uma experiência inesquecível, esse negócio de posar para fotos.
Shisui tocou no braço dele e o acalmou. Para que tanto estardalhaço? Minha nossa. Depois de se acalmar, pudemos voltar a comer como pessoas decentes.
— E você Sasuke? Faz qual estilo? — ele deu um sorriso de lado e depois me deu uma piscadela.
O que isso? Usando meu artifício contra mim? Não vai funcionar, little bitch.
— Não sei. — falei cortando um pedaço de… Eu não sei que coisa verde clara é essa, mas tem um gosto bom. — Shisui que diga. Ou você sabe? — fitei-o sorrindo minimamente.
— Não. O que me diz, Sui? — ele estava se divertindo as minhas custas.
Muito fácil de fazê-lo rir. É como se eu estivesse lidando com Maiko. Shisui deu de ombros.
— Vai ter que descobrir, Naruto. — ele piscou, como se estivesse se recordando de algo — E aí, como vão indo vocês dois?
— Como assim? — perguntei, tomando um gole da água que o garçom trouxera.
— Vocês são soulmates agora, quero saber como estão lidando com isso?
— Não tenho certeza, mas acho que de mal a pior. — respondeu Naruto, desconfiado.
Controlei meu ímpeto diabólico de rir até perder as forças. Ah, isso está ficando muito bom. Fitei Shisui e dei uma piscada marota de olho. Ele arregalou os olhos numa expressão sorridente de surpresa e depois fitou Naruto. O loiro não sabia para quem olhava, se para mim ou para ele.
— Dá para vocês, Uchihas, saírem de seu mundo da depravação e me explicar o que estão pensando? — Naruto falou indignado, corando até as orelhas.
— Você sabe o que eu estou pensando. — falei, arqueando uma sobrancelha.
Shisui cruzou os braços e fez aquela cara que vocês estão fazendo agora.
— Sei… Mas porque você está falando da gente, quando você ainda está empacado na mesma? Desse jeito Itachi vai acabar desistindo. — Ele apontava os hashis para Shisui. Como ele é infantil, um Uchiha nunca cairia nessa.
Eu sinceramente espero que Naruto não se apaixone por mim ou por qualquer Uchiha da face da terra — que são poucos: eu, Itachi, Shisui, Maiko e meu avô, só, para ser feliz e bater palmas — porque se isso acontecer, ele está muito ferrado.
— Eu não estou empacado. — Shisui falou mexendo a cabeça como uma mulher americana que se acha e fazendo um bico de lado — Você não sabe da missa um padre-nosso. — ele estalou os dedos no ar. — Comigo e Itachi, o buraco é mais embaixo!
— Hum, diva! — completei e fitei Naruto fazendo uma careta parecida com a de Shisui — Lacrou! — falei estalando meus dedos no ar e mexendo a cabeça, sem mover o pescoço.
Naruto mergulhou num poço de constrangimento, que eu simplesmente acho graça sempre que me lembro da cara que ele fez. Terminamos de comer, Shisui e Naruto conversando amenidades e eu só ouvindo com alguma diversão. É bom relaxar de vez em quando do jeito mais aceitável pela sociedade, apesar de ser não muito a minha praia.
Respirei fundo e esfreguei meus cabelos, vendo que já era hora de pagar a conta e irmos. Paguei, mesmo com Naruto bufando aos quatro ventos que ele queria pagar a parte dele depois de descobrir que era eu que iria arcar com tudo, deixei Shisui e o loiro no estúdio do meu primo e retornei para o Banco. Ainda tinha uma dor de cabeça para resolver.
— Droga… — resmunguei enquanto dirigia sozinho — Eu estou a dois meses sem sexo… Preciso descarregar essa tensão toda. — disquei rapidamente um número e depois de dois toques a pessoa atendeu rindo — Vai se ferrar. — fui logo dizendo com uma sobrancelha arqueada — Não pense que porque eu ainda estou de atestado você vai me montar. Eu te busco as dez. Não atrase. — falei e desliguei.
Vai ser um longo dia.
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