Cores do Meu Coração
39 Teme 14 - Bem-vindo ao meu mundo, little bitch
Notas iniciais
Não que eu estivesse me preparando para uma ocasião especial, mas digamos que seja a mais importante reunião que eu irei presidir na minha vida, com certeza. Então, para prestigiar o momento único, eu resolvi desenterrar duas peças que eu comprei obrigado e imaginei que jamais usaria de novo. Uma camisa social azul bem claro e uma gravata também azul, porém num tom mais fechado. Tudo isso dentro de um terno preto “comum”. Sim, voltei a ver cores, não que isso me emocione, com ou sem cores, as coisas dariam certo do mesmo jeito. Uma vez pronto, com direito a chapéu Fedora combinando com as roupas, deixei Maiko na escola e fui para a Rebú.
Hinata me recebeu com seu sorriso lindo e me acompanhou até a minha sala.
— Deixe tudo o que eu tiver para hoje em suspenso. — comentei, cumprimentando alguns funcionários. — Eu tenho uma reunião emergencial importantíssima e não sei que horas terminará.
— E quem eu devo anunciar, Sr. Uchiha?
— Uzumaki Naruto. — falei, sorrindo de lado e ela assentiu. — Prepare meu escritório de análises, peça que o Ichiraku faça almoço para dois e mande deixar aqui ao meio-dia. — ela tomava nota de tudo rapidamente. — Deixe no frigobar, água, refrigerante e bebidas. Na mesa, café, chá e um suco extra concentrado de maracujá para mim, porque eu acordei com os problemas infernais de Asuma com a Akatsuki e estou com os olhos latejando.
Hinata colocou uma mão em minha testa, antes de se sentar em sua mesa, apertou os lábios numa expressão de reflexão e sorriu.
— Não está doente, só incomodado. — disse, e eu só pude concordar, porque era isso mesmo. — Eu mesma farei o suco. Mais alguma coisa, Sr. Uchiha?
Fitei-a de cima a baixo e sorri gentilmente.
— Linda como sempre, honey. Por hora é só e obrigado pela gentileza. — ela corou, sentando-se atrás de sua mesa, e eu entrei, mas antes de fechar a porta, lembrei-me de algo. — Ah! Avise a Lee que hoje é dia de mudar o treino, mas só poderei falar com ele amanhã.
Ela assentiu e já foi levando o telefone ao ouvido, prendendo-o entre o ombro e a cabeça e abrindo a agenda preta: minha agenda de reuniões.
Parece que Hinata já entendeu o motivo da minha exigência. Por isso que trabalhar com gente competente é outro nível. Fui resolvendo algumas coisas enquanto Naruto não chegava. Aliás, eu resolvi várias coisas quando vi minha sombra me avisando que ele estava estacionando o carro no subterrâneo. Fitei meu relógio de bolso, por dentro do meu paletó. Dez horas e 46 minutos.
Nem um pouco atrasado. Só muito. Pedi a Hinata que preparasse a sala e voltei para a minha mesa, para terminar de ler o relatório mensal. Graças a Deus e a mim, a empresa voltara aos eixos, o escândalo que os Hyuuga tentaram só me rendeu mais motivos para receber pelo processo que se arrasta há dez anos e eu estou quase tocando fogo no meu conselho. Ou seja, tudo está de volta aos seus eixos, para a paz em minha família e em minha cabeça.
— Senhor. — Hinata entrou.
Levantei meu olhar do computador. Eu estava lendo a análise que Kakashi me enviara sobre a nova proposta de acordo que os gêmeos mandaram para ele. Fitei-a.
— Sim?
— O Sr. Uzumaki já chegou e eu tomei a liberdade de guiá-lo ao escritório. Ele já o espera.
— Finalmente! — revirei meus olhos e saí, seguindo-a. — Se perguntarem por mim, eu estou indisponível, incomunicável e inalcançável.
— Sim, senhor.
Segui-a pelo corredor até uma parte mais “baixa” do andar, onde ficavam os escritórios dos setores de Análises Financeiras, de Direito Trabalhista, Empresarial, Comercial e Tributário, além da minha gerência de sistemas. Esse é o chamado “Boss Location”, porque só os chefes ficam nesse andar. Até Hinata é chefe: ela é a responsável pelo setor de Recursos Humanos.
Entrei numa sala, perto do setor de Análises, onde fica o meu escritório para discutir projetos com os chefes de cada setor. É uma sala muito parecida com a minha, exceto pela falta de estantes abarrotadas de arquivos. Ela é menor e seus móveis são de madeira, tais como os de minha sala, porém são de madeira mais clara e reflorestada. Só tem uma mesa com tampo digital, minha “cadeira”, mais duas na frente e entre essas duas existe outra mesa, numa formação em T de perfil em relação a porta. A parede de frente a porta é toda de vidro reforçado, dando uma bela vista para o bosque de Konoha, enquanto as outras são brancas e com quadros de paisagens diversas. Um local tranquilo para se debater.
— Sr. Uzumaki. — Hinata chamou e Naruto se virou, pois estava sentado na cadeira que fica de costas para a porta, mas de lado para a minha mesa. — O Sr. Uchiha está aqui.
Eu entrei e o cumprimentei com um aceno de cabeça. Hinata saiu e eu fechei a porta. Fui até ele e dei-lhe um beijo rápido. Nossa, ele está cheirando a manhã de sábado no campo. Muito suave e muito amadeirado. Muito bom. Fui para a minha cadeira, vendo-o sorrir. Parece que alguém está muito feliz essa manhã. Eu também estou, então não vou dizer mais nada sobre isso.
Ajustei meu terno ao me sentar e fitei-o. Lindo, como sempre, algo meio social, com colete, gravata e camisa social, meio despojado, calça jeans dobrada até os tornozelos, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos e sapato marrom, em suas roupas me cativara o olhar. Ele me fitou e sorriu, corando levemente as bochechas. Voltei-me para a jarra sobre uma bandeja, que estava entre nós, e me servi de suco.
— Bom dia, Naruto. — falei, tomando um breve gole e constatei que realmente Hinata faz o melhor suco do mundo. Ainda bem que ela trabalha para mim.
— Bom dia, Sasuke. Desculpe o atraso, mas quando eu estava saindo de casa Shisui me ligou e eu tive que dar uma passadinha rápida no estúdio, ele queria me fazer uma proposta. — ele tentava se conter, mas sua empolgação era evidente.
— Entendo. — sorri e peguei uma caneta no bolso interno do meu paletó e puxei algumas folhas de ofício que foram deixadas perto da bandeja. — No tempo certo, me contará. Sirva-se de algo.
Continuei fazendo minhas anotações, enquanto o vi servir-se de chá e espremer duas rodelas de limão dentro da xícara. Quando percebeu que era observado enquanto misturava o limão com o chá usando uma colherinha, Naruto me abriu um lindo sorriso e eu tive a impressão que a sala ficara ainda mais iluminada. Ri silenciosamente, terminando de anotar alguns pensamentos.
— Então, Naruto, eu notei que o fracasso do nosso relacionamento se deu por falta de conhecimento. — eu iniciei, cruzando minhas mãos sobre a mesa e fitando-o. — A gente se respeitava, mas não se entendia, sabe?
— Entendo sim. Você não poderia estar mais certo. — ele tomou um gole de seu chá e fechou os olhos, como se apreciasse a experiência.
— Devia parar de amaciar o meu ego. — eu sorri. — Essa reunião só está acontecendo por sua causa e, detalhe, eu nunca fiz isso para um parceiro ou uma parceira minha, quiçá ex. — recostei-me. — É mérito seu, Naruto. Todo seu. — pisquei um olho.
— Cuidado, Sasuke. — deixou uma risada suave escapar. — Desse jeito vão começar a achar que você gosta de mim de verdade. — brincou, sorrindo. — Mas o que está na pauta de hoje? — perguntou, se mostrando muito interessado. Curioso, até.
— Se eu gosto ou não de você, isso é problema seu. — disse, fingindo indiferença de maneira bem teatral. Ele balançou a cabeça negativamente e voltou a beber seu chá, ainda me fitando. — O fato é que marquei essa reunião com você para falar sobre nós. Não “nós” namoro, mas eu e você, dois homens que são soulmates um do outro. Mesmo que eu seja muito bom em analisar o ser humano e descriminá-lo, isso não significa que sei de tudo só de olhar e você… — suspirei, girando a caneta entre meus dedos. — O que sabe de mim? Além de que sou conhecido como diabo, sou parente do seu chefe, sou pai solteiro e dono dessa zona? — apontei para o nosso redor. — O que quero dizer é que essa reunião vai nos servir para por as claras dúvidas, frustrações, angústias, essas coisas. — dei de ombros.
— Hum… — apoiou o queixo na mão e ficou quieto por um instante. — Eu gostei da ideia, mas… — franziu as sobrancelhas. — Por que aqui?
Suspirei, apertando as minhas mãos cruzadas e baixei meu olhar, encarando meu copo de suco.
— Há seis meses eu te disse que nunca superei minha vontade de te foder. — aproximei minhas mãos de meus lábios. — Quando a gente terminou, há dois meses, eu disse que queria transar contigo ao ponto de te fazer sangrar… — suspirei de novo. — E eu estou bebendo um suco concentrado de maracujá, além de que eu nunca transei com você. Imagine o que aconteceria se eu não estivesse no meu local de trabalho?
Pressionei um dedo contra meus lábios e de repente uma lembrança de uma das nossas “noites” me ocorreu. Estremeci sutilmente e sacudi a cabeça, para então tomar um gole do suco. Calma, Uchiha Sasuke, calma.
Naruto deixou um choramingo escapar.
— Por que diabos você não pode mentir de vez em quando?! — falou, num tom choroso. — Sei lá, qualquer motivo era válido. Obrigado mesmo por desviar minha atenção! — ele deitou a cabeça na mesa e deu leves batidinhas com a testa.
Eu ri de sua atitude, diminuindo completamente a tensão que a minha confissão provocara em mim.
— Mas essa é a razão dessa reunião. — afaguei seus cabelos, fazendo-o me fitar. — Eu vou ser franco e verdadeiro com você. Vai poder me perguntar o que quiser e eu responderei. E espero que seja de igual forma comigo.
Ele me fitou com uma cara de surpresa que não pude deixar de achá-la engraçada. Era como se ele tivesse acabado de ouvir algo que esperava a muito tempo. Como uma revelação bombástica. Parei de rir e me recostei preguiçosamente na cadeira macia, movendo-a para lá e para cá, vendo Naruto se recompor e endireitar sua postura. Uma das vantagens de tê-lo por perto é que posso relaxar e ficar mais tranquilo.
— Eu sei que isso é uma coisa muito boba, mas eu sempre quis saber… — sorriu, meio tímido. — Também sei que você gosta de seu mundo preto e branco. Hum… Você tem alguma cor favorita? — perguntou, ansioso.
Suspirei e pensei um pouco.
— Mesmo que vermelho seja a minha cor, depois do preto, obviamente… — sorri de lado. — A cor que mais aprecio é lilás.
Naruto sorriu, daquela forma encantadora, olhou para a mesa por alguns segundos e voltou a me fitar. Alguma emoção muito forte podia ser percebida em seus olhos. Ele pegou o celular no bolso da calça, mexeu nele por algum tempo e o empurrou para meu lado.
— Assim? — perguntou, suavemente.
Fitei-o e não pude conter meu sorriso.
— Lilás… — sussurrei. — Coincidência sua mãe ter os olhos da cor da flor que minha mãe mais gostava. — entreguei-lhe o aparelho.
Ele pegou o celular e suspirou, ainda sorrindo.
— Minha vez ainda? — indagou, enquanto espremia mais uma rodela de limão na xícara de chá.
— Sua vez de responder. — sorri, voltando a minha posição relaxada. — Você me odiava por que eu tinha batido nos seus amigos que tentaram me roubar? — sempre quis saber a razão do ódio dele. Quero dizer, ele tentou me roubar, teve sorte que não mandei-o para o reformatório passar o resto da adolescência lá.
— Sasuke, eu era um adolescente sem noção, na minha cabecinha insana, você que era o vilão da história. — deu de ombros e levou a xícara aos lábios. — Provavelmente porque sou muito orgulhoso e o fato de apanhar de um completo desconhecido, sem falar no ódio que senti quando vi o estado que Kiba ficou, me deixou maluco. — ele falava calmamente, como se essa lembrança não o afetasse mais. — E eu nunca havia parado para refletir sobre esse ocorrido, não até você surgir de novo na minha vida.
Assenti, exibindo uma expressão facial que deixasse claro que eu estava surpreso e que havia entendido bem sua resposta. Isso significa que de certa forma Naruto teve uma infância normal, teve suas rebeldias, seus momentos de loucura, mas tornou-se um adulto de boa índole. Isso corresponde como luvas às minhas expectativas. Tomei um gole de suco e fiz um gesto com a mão para que ele prosseguisse. Acho que ele entendeu que vai ser um jogo de perguntas e respostas. Dei uma olhada no relógio, conferindo rapidamente se já era hora dos meus pedidos chegarem.
— Sabe, eu te vejo como uma pessoa de muitas facetas, é sempre fascinante saber qualquer coisa sobre você ou sua vida, até as coisas mais simples. — Naruto apoiou a cabeça na mão, de lado e me fitava com um sorriso bobo nos lábios. — E de fato, o que sei sobre você? Quase nada. Por que não me fala dessas coisas simples? Tipo: você gosta de ler? O que gosta de fazer quando não está aqui, atolado de trabalho? Sente falta de fazer algo que não tem mais tempo? E bichos, parece que gatos não são sua praia, mas você gosta de algum? Sei lá, coisas assim, entende? — ele falou tudo de forma meio ansiosa, muito afobado. Naruto é tão curioso.
Eu sorri, achando encantador e cativante essa sua curiosidade para comigo, e baixei meu rosto. Não consegui evitar que meu rosto esquentasse e, consequentemente, corasse. Ninguém nunca havia me feito esses tipos de perguntas. É sempre Uchiha Sasuke pai ou Uchiha Sasuke diabo, nunca simplesmente Sasuke. Mexi-me, inquieto, dada a minha repentina timidez de falar sobre mim. Nossa, quantos anos faz que senti isso? Timidez. Deuses, faz muito tempo, tempo demais.
— Eu… Bom, eu… — ri, meio desconcertado. — Desculpa. É a primeira vez que alguém me faz esse tipo de pergunta. Nossa… — suspirei. — Faz tanto tempo que não falo de mim mesmo que nem sei por onde começar.
Cocei meus cabelos e me aproximei da mesa, cruzando meus braços sobre ela e suspirando, realmente sem saber o que fazer. Acho que é melhor eu simplesmente responder e ponto final.
— Eu gosto de ler, apesar de só ter aprendido a ler e escrever com oito anos. Quando não estou trabalhando ou com Maiko, eu gosto de dormir. — olhei para ele com um sorriso de “pode acreditar”. — Gosto muito de dormir, se eu pudesse, eu dormiria o dia todo sem medo de ser feliz. E gosto de animais, apenas de não gostar do seu gato.
Eu acabei rindo internamente por causa do que eu dissera. Eu sei que o gato me odeia por causa das minhas “habilidades sobrenaturais”, mas que culpa tenho eu? Eu nasci assim, não posso evitar.
— Você é formado, Naruto? — perguntei, sorrindo de lado.
— Em Fashion Design, pela Esmod, a mesma universidade que Sui estudou. — falou, todo orgulhoso. — E você?
Eu ri baixo.
— Nunca fui para a escola. — comentei, empurrando a caneta aleatoriamente. — Não tenho formação acadêmica. — eu ri mais. — Não tenho nem o primário. — esperei sua reação. Ele arregalou os olhos, numa expressão admirada.
— Uau! Então quer dizer que você é um tipo de gênio autodidata como Steve Jobs? — se inclinou sobre a mesa, como se quisesse se aproximar mais de mim.
Eu ri mais uma vez.
— Fui escravo de meu pai. — eu disse tranquilamente. — Ensinou-me tudo o que sei sobre essa empresa e sobre como lidar com as pessoas. Depois que vim morar aqui, quando conheci minha ex-esposa, foi que aprendi como era a “realidade” de fato. — suspirei, arqueando as sobrancelhas. — Eu dei… — fitei-o, me perguntando que tipo de reação ele teria ao saber o que direi. — Minha liberdade a Itachi para que ele fosse feliz ao lado de Shisui. — sorri. — Sacrifiquei o que não tinha para dar tudo ao meu irmão.
Naruto voltou seus olhos para a mesa, curvando os lábios num sorriso pequeno, quase triste.
— Você sempre viveu por quem ama, não é? — murmurou, baixinho.
— Sempre. — olhei para o lado. — Foi a única maneira que encontrei para resistir a esse mundo escuro e sem cor, Naruto. Foi assim que mamãe me ensinou a levar a vida. — dei de ombros. — Mas me diz, do que você gosta? — pendi a cabeça.
Ele voltou a se recostar a cadeira e mordeu o polegar por um instante.
— Eu gosto de comer, embora não possa fazer isso tanto quando eu gostaria… — falou, emburrado. Sei como é querer fazer uma coisa sem poder. — As vezes papai ficava assustado com a quantidade de comida que eu ingeria. — riu. — Adoro bichos, inclusive não adotei um cachorro porque viajo muito. — deu de ombros. — Kurama foi uma boa porque ele adora ficar com Kiba na casa dele, então não preciso me preocupar se o gato está se sentindo só. Amo o Natal, embora não seja muito fã do inverno, prefiro o verão. Hum… — refletiu por um momento. — Não tenho mais tanto tempo como gostaria, mas adoro jogar bola. — me lançou um olhar sapeca. — Ah, sim, também gosto de você. — sorriu.
Estreitei meu olhar e senti aquela tensão se dissipar com sua fala final. Então é isso. Vou fazer algo por ele, algo que não fiz a nenhum dos meus “parceiros”. Naruto merece, no saldo final. Hinata chegara nesse exato momento avisando do almoço, eu pedi que ela mandasse preparar a sala. Levantei-me e fui até a parede de vidro, abri uma porta escondida por mal se ver os umbrais e fui para fora fumar, Naruto veio comigo. Ventava e era quente, por causa do sol do meio-dia.
— Desculpe. — eu disse, acendendo o cigarro e dando um trago. — Por ter te batido naquele dia… Eu me excedi mais que o aceitável.
Ele fez um gesto de descaso com a mão e revirou os olhos.
— Mas me conta, há quanto tempo você fuma? Quando vou ter que começar a me preocupar com câncer de pulmão?
Eu ri, me virando para ele e meneando a cabeça.
— Acha mesmo que eu sendo bilionário não mandaria fazer uma limpa nos meus pulmões todos os meses? — olhei para o cigarro, cujo papel que envolvia o tabaco era preto. — Desde os quinze. E você? Já usou? — dei outro trago.
Naruto riu um pouco e olhou para o chão.
— Só maconha. — sussurrou. — Mas se Shisui souber… — voltou a me encarar e riu de novo. — Provavelmente serei um homem morto.
Eu gargalhei alto.
— Tem um narguilé na minha casa. Se Itachi souber, ele me mata e Shisui me ressuscita só para me matar de novo, por causa de Maiko. — sussurrei, aproximando-me um pouco dele. — Ninguém é sem por cento puro. — pisquei para ele. — Todo mundo pode ser condenado pelo seu próprio passado.
— Podíamos fazer isso qualquer dia desses… — colocou as mãos no meu peitoral, olhando para os lados, com aquela expressão de garoto que vai aprontar, depois me fitou e sussurrou de novo, como se me falasse um segredo. — Fumar maconha.
— Não fumo maconha. — sussurrei em seu ouvido. — É fraca. Prefiro algo mais forte… — fitei-o. — É o mal de ter nervos de aço. — sorri de lado. — Mas posso te deixar dar uma tragada demorada no meu narguilé.
Ele arqueou uma sobrancelha, negou com a cabeça e depois a encostou no meu peito. Hinata nos chamou e ele foi na frente, pois eu ainda terminava o meu cigarro. Fiquei observando suas costas, quando de repente ele estagnou. As pessoas que estavam organizando a sala saíram e então ele gritou continente e se virou bruscamente. Eu terminei meu cigarro e fui até ele.
— Que foi? — observei a comida. Normal: era exatamente o que eu pedira. Rámen de legumes, o mais leve do cardápio para ele, e para mim bolinhos de arroz. — Sério, o que foi, Naruto?
— Você é tão fofo, Sasuke. — ele veio até mim, beijou-me a bochecha e depois foi se sentar, praticamente devorando a comida com os olhos.
Fiquei sem entender a relação “ramén/fofura”, dei de ombros e fui me sentar. Observei alguns papéis que Hinata deixara junto do meu almoço. Eu comecei a ler enquanto comia distraidamente, fazendo algumas anotações no próprio papel.
— Shisui quer que eu seja sócio dele. — Naruto falou de repente.
Encarei-o, com a boca cheia. Ele também estava com a boca cheia quando percebeu que eu o encarava. Mastiguei e engoli.
— Sócio? Em que exatamente? — não, eu não entendo nada de moda.
Ele terminou de comer, limpou a boca com um guardanapo e respondeu.
— Eu vou me aposentar da carreira de modelo, Sasuke. Já estou ficando velho para as passarelas. — deu de ombros. — Sui quer que eu o ajude nas criações da Fashion Walker… Eu seria um estilista também. — falou, de forma tímida, meio inseguro.
— Velho? — olhei-o de cima a baixo, até me curvei para dar uma observada no seu corpo. — Velho? — encarei-o. — Kurenai faz milagre, hein? Porque eu vou te dizer, você tem a mesma cara de treze anos, mas com um corpo… — engoli a fala.
Não posso dizer “coisas inadequadas” ainda. Vai haver o momento certo para tocar na tensão. Sacudi a cabeça e tornei a comer e a ler.
— Ei! Que milagre o que?! Eu nem maquiado estou! — falou, fingindo que havia se ofendido. — E eu disse que estava ficando velho para as passarelas… Você não vê modelos trintões por aí. — bufou. — Enfim, foi para isso que ele me chamou hoje… Eu aceitei a proposta. — ele voltou a comer, mas muito atento a mim, como se esperasse algo.
— Quantos anos você tem? — franzi o cenho. Quantos anos esse moleque tem? Sério, ele está na casa dos trinta?
— Vinte e nove.
Suspirei cansadamente, sentindo a idade pesar. Eu soltei os papéis ao lado do meu prato e apertei uma parte do meu pescoço, sentindo os nós de estresse latejarem. Deuses, como eu estou velho. Quando Naruto tiver a minha idade, eu já vou estar com quase quarenta e cinco. Eita ferro… Não está fácil viver com a rotina ligada no 220 que eu levo.
— Novo… — sussurrei, ao mover meu pescoço para os lados e ouvindo estalar alto. Arfei, de olhos fechados, ao sentir a tensão diminuir. — Sua vez. — servi-me de mais suco e tomei um gole generoso.
— Hum… Itachi me falou algo sobre eu ter acabado com seu casamento. — ele franziu o nariz e se remexeu na cadeira, desconfortável. — O que ele quis dizer com isso?
Pensei um pouco a esse respeito.
— Há dezesseis anos, você explodiu o estacionamento da minha empresa. Além do prejuízo estrutural, me deixou em coma por um mês e internado por mais dois, de modo que a empresa ficou sem minhas orientações por tanto tempo que criou um rombo financeiro e tributário que levei cinco anos para saldar e mais cinco para reerguer a empresa. — ele abriu a boca em “o”, chocado. — Karin, minha ex, achou duas coisas: que eu morreria e, se não morresse, faliria e ficaria pobre. Então ela deu entrada no divórcio enquanto eu me recuperava. — tornei a comer. — Eu era apaixonado por ela, fazia qualquer coisa por aquela mulher, então lutei até as últimas instâncias para não perdê-la. Mas… — engoli. — Descobri que ela era uma vadia que me traía com toda sorte de homem desde o dia que me conheceu até o divórcio. No último ano de nosso casamento, eu a fiz se arrepender de ter brincado com os meus sentimentos.
Sabe quando você sente que um peso saiu de suas costas? Foi isso o que senti ao me abrir com Naruto sobre meu casamento conturbado. Fora algo tão ruim em minha vida, tão doloroso, que só se equipara ao dia que perdi a minha mãe. Karin, para mim, era meu porto seguro, a mulher que julguei ser a minha alma gêmea, meu primeiro amor, a mulher para quem eu me entreguei de corpo e alma, mas, para ela, eu não era mais do que um cartão de crédito e um poço de oportunidades para ascensão social. Falar sobre isso foi como se finalmente eu tivesse fechado o ciclo de minha alma sobre Uzumaki Karin. Agora sim. Não tenho mais nada dentro de mim que me fere em relação à ela.
Naruto engoliu o que mastigava e empurrou a tigela, sem mesmo terminar de comer. Suas sobrancelhas se franziram, junto com seus lábios. Respirou fundo e começou a massagear as têmporas.
— O que aconteceu com a vadia? — perguntou, irritado. Depois estalou a língua. — Desculpa, com sua ex. Um raio acertou a cabeça dela? Foi atropelada por um trem? Diz que sim, por favor. — juntou as mãos em prece, me fitando com olhos revoltosos.
Eu ri tenebrosamente, terminando de comer. Limpei meus lábios e suspirei, afastando o prato para o lado e tomando um gole de suco.
— A morte é muito pouco castigo para o que ela fez comigo, Naruto. — pendi o rosto de lado, ao me recostar na cadeira e cruzar as pernas. — Poderá encontrá-la bem viva na ala de pacientes perigosos, confinada para sempre no Manicômio Estadual de Konoha, sofrendo de Esquizofrenia Paranoide. — sorri abertamente. — Ela diz que um demônio negro a quer morta. Acredita nisso? — pisquei um olho para ele.
Ele estremeceu, temeroso, mas suspirou alguns segundos depois, parecendo aliviado.
— Sua vez. — falou.
Ele tocou em uma ferida e a curou, acho que posso tocar numa dele e ver no que vai dar.
— Se você amava tanto seus pais, se eles eram tão bons para você, Naruto, por que fugiu de casa? — toquei sua mão de leve.
— O que te falei sobre ser um adolescente sem noção? — suspirou. — Então, como você já sabe, eu fazia parte daquela gangue e inventei de me “apaixonar”... — fez aspas com os dedos. — Pelo líder dela, ele não estava nem aí para mim, mas aí completei 13 anos e achei que podia chamar a atenção dele de alguma forma… — Naruto olhou para a mesa e começou a tamborilar os dedos no tampo, nervosamente. Apertei sua mão entre meus dedos, fazendo-o me olhar. — Resumindo, depois disso, meio que ele se mostrou “interessado”. — fez o mesmo gesto com os dedos. — Mamãe descobriu que eu estava saindo com Yahiko e exigiu, junto com papai, que eu saísse da gangue e esquecesse ele, porque eu só me machucaria no fim das contas. Fiz o que achei ser certo na época… — deu de ombros.
Levantei-me, ignorando a ideia de reunião, puxei seu corpo para o meu e o afundei contra meu peito, num abraço. Que se dane, eu matei o cara, quase respondi por um processo judicial por causa dele, mas não vou permitir que faça uma alma tão pura sofrer de novo. Abracei-o e beijei de leve seu rosto, em algumas partes, para só então fitá-lo.
— Vou te dizer uma coisa e, como sua soulmate e seu namorado, quero que grave na sua mente. — segurei seu rosto entre minha mãos e ele me fitou, sem mal conseguir piscar. — Você era só uma criança, só isso. Estava crescendo e se descobrindo, aquele merda miserável se aproveitou da sua doçura e isso nem eu faria, por mais que te odiasse. — afaguei suas cicatrizes. — Foi sua decisão fugir de casa? Foi, isso é fato, mas sua intenção era pura, era boa, ele que te envenenou. Entendeu? Seus pais sabiam disso e por isso nunca deixaram de confiar em você. — soltei-o e suspirei. — Mas Yahiko está morto. E é isso o que importa sobre ele.
Naruto sorriu e voltou a me abraçar.
— Obrigado, Sasuke. Eu precisava ouvir isso… — falou, emocionado.
Ele aproximou seu rosto do meu, ainda abraçado ao meu corpo, sorrindo, com os olhos mais brilhantes que o normal, de lágrimas não derramadas, e beijou-me nos lábios. De forma suave, quase inocente, como que para concretizar o agradecimento. Droga, senti falta desse sabor, o gosto da boca de Naruto, o calor suave que ela emana. Seus braços subiram, envolvendo meu pescoço, seus dedos massageavam minha nuca e as vezes se entrelaçavam nos meus cabelos. Antes que eu me desse conta, Naruto já me puxava com força, quase desesperado, se espremendo contra meu corpo, gemendo de satisfação por estar em meus braços. Não consegui resistir. Agarrei suas ancas, suspendendo-o no ar e o coloquei sentado na mesa, seu corpo colado ao meu, enquanto praticamente nos “comíamos” durante o nosso beijo saudosista.
Uma mão foi para sua bunda e a outra para a sua nuca, mergulhando os dedos entre seus cabelos macios. Ele enlaçou a minha cintura com a pernas e me impediu de sair de perto de si. Caminhei com ele em meu colo, beijando-o avidamente, sentindo meu ego inflar com os gemidos desejosos que ele deixava escapar entre os beijos, até uma parede e o encostei ali. Segurei suas mãos acima da cabeça com uma única mão, porque a outra afagava sua bunda exatamente onde você está pensando, e desci para seu pescoço, mas parei. Sério, parei. Parei porque não está dando certo isso aqui, minha gente.
— Não, Sasuke! De novo não! — choramingou. — Por favor, continua!!! — ele se contorceu no meu colo, tentando se esfregar em mim.
Respirei fundo, descendo-o lentamente de meu colo e o fitei.
— Local de trabalho, lembra? — ele mordeu o lábio, para me provocar ainda mais, e eu apertei os punhos. — Não me provoque, Naruto, não ouse me fazer ir até o meu limite. Você sabe como estou em relação a nossa tensão. Por favor… — saí de sua frente e suspirei, recostando-me na parede.
— Kami! E por que diabos não podemos fazer sexo nunca? Você é celibatário por acaso?! — perguntou, irritado. — Porque se for, eu juro que vou fingir que não sei e vou te amarrar!
Eu gargalhei, balançando negativamente a cabeça.
— Naruto, você é uma figura! — comentei, rindo, e caminhei pela sala, de braços cruzados. — Não. Se eu fosse celibatário, eu não teria transado com Kiba. — disse, me virando para ele, que retorceu a boca em desgosto. — Por duas semanas ele foi “meu”. — fiz aspas com os dedos.
— Certo. Então por que não podemos fazer sexo em canto nenhum? — indagou, ainda irritado.
Suspirei e me encostei a mesa, ainda de braços cruzados. Agora chegamos ao ponto alto da reunião, ao motivo que me levou a sugeri-la. Não esperava que um dia eu contaria isso a uma namorada ou a um namorado, no caso. É tão meu, tão eu, que só de pensar me faz sorrir. A resposta a essa pergunta simplesmente me define.
— Só me responde uma coisa e então eu vou te explicar tudo, ok? — ele assentiu, ainda indignado. — Quando você vai para a cama com alguém, você gosta de fazer algo em especial, tipo uma posição específica, um determinado carinho, um tipo x de preliminar ou um fetiche? — ele assentiu de novo — Do que você gosta? Eu quero saber o tipo de coisa que se você fizer, ou fizerem em você, e não vale penetração, vai se sentir realizado.
Esperei. Apesar de seu rosto levemente enrusbecido, Naruto parecia refletir seriamente enquanto mordia a ponta do polegar. Chegou a caminhar de um lado para o outro, pensando de sobrancelhas franzidas. Então ele parou e me fitou.
— O contato visual é importante, me deixa mais excitado e eu gosto de fazer sexo oral. Hum… — voltou a morder o polegar. — É difícil escolher uma posição favorita, mas… Eu gosto de cavalgar. Enfim, onde você quer chegar com isso? — perguntou, ansioso.
Eu abri um largo sorriso sacana e assenti.
— I am a Dominator. — arqueei uma sobrancelha, sustentando o sorriso sacana. — Sabe o que é BDSM? — me levantei, caminhando com as mãos nos bolsos, sem parar de olhá-lo intensamente. Ele assentiu. — Eu gosto de provocar dor, eu sinto prazer em ver o sofrimento pela entrega total, eu gosto de sexo violento, eu gosto de levar meus parceiros ao limite, eu sou dono dos meus parceiros. — toquei seu queixo, fechando sua boca. — Só transo com submissos, Naruto. — aproximei meus lábios de seu ouvido e sussurrei. — Se eles fizerem por merecer…
Me afastei, sorrindo de lado e indo me sentar. Coloquei-me relaxado ali e repousei minha cabeça na mão do braço que estava apoiado na mesa. Deixei-me estar assistindo a surpresa atordoada de Naruto. Acho que alguém já deveria estar suspeitando, por causa desse meu jeito controlador. Não é o que dizem? Costume de casa vai a praça.
— Deixa eu ver se entendi. — falou, com as sobrancelhas franzidas, levantando o indicador. — Só podemos fazer sexo se eu for seu submisso, mas isso não é garantia que a gente vá fazer? — ele me encarou com uma cara de completa confusão.
— Isso. Se você se tornar meu submisso e quiser ter sexo comigo, vai ter que entender uma coisa: dentre tantas funções, a primordial de um submisso é a de agradar o seu dominador, realizando todas as suas vontades de maneira obediente, simplesmente por se sentir bem com isso. — dei de ombros. — É um fetiche, como qualquer outro.
Naruto esfregou o rosto com as mãos, com força e voltou a se sentar.
— Vou ser sincero com você, Sasuke. — me encarou, com um olhar firme. — Eu estou num nível de estresse que se você mandar eu me jogar de uma ponte é capaz de eu me jogar. Obedecer realmente não vai ser problema. O problema é você continuar nessa negativa. Eu juro que não estou aguentando mais! — sua fala foi terminada quase em um tom choroso. Ele abaixou a cabeça e deixou-a pousada na mesa.
Suspirei e cruzei minhas mãos sobre a mesa, assumindo uma postura mais firme.
— Naruto, eu sei, porque provavelmente estou muito pior que você, mas veja bem… — puxei de leve seus cabelos só para que ele me olhasse. — Eu tenho quatro submissos e dou conta de cada um deles. — ele estreitou os olhos, claramente não gostando da informação. — Se você se entregar a mim e for além de meu namorado, meu submisso, eu vou deixá-los e ficar só com você. Acha mesmo que pode suportar? — perguntei seriamente. — Não estou dizendo que você não é gostoso ou que não é bom de cama, estou dizendo que sou um homem insatisfeito procurando o submisso perfeito.
— O que não posso suportar é saber que você pode transar a qualquer momento com um desses aí, mas comigo não! — ele se levantou e começou a andar para lá e para cá, de forma furiosa, ora remexendo os cabelos, ora passando a mão no rosto.
Revirei meus olhos, achando que era óbvio o motivo. Encarei-o e cruzei os braços.
— Você é modelo, Naruto, sua aparência é sua ferramenta de trabalho. Imagina o que Shisui faria se descobrisse que você estaria incapacitado de se mexer e com hematomas por toda a pele por minha causa? — arqueei uma sobrancelha.
Levantei-me e agarrei seu braço, fazendo-o parar.
— Todos os meus submissos foram profissionais do sexo, Naruto. — falei firme. — Eu nunca tive um submisso fora disso porque eu sei que posso ferrar a vida de alguém simplesmente por me dá tesão. — ele me encarou de olhos arregalados. — Eu sei que você não vai deixar sua vida profissional, conquistada com tanto trabalho duro, por causa de sexo comigo. — toquei seu rosto, num carinho gentil. — Eu destruiria sua carreira, Naruto, e sei que não me ama ao ponto de aceitar tranquilamente isso.
Naruto se afastou e ficou de costas para mim, de braços cruzados.
— E eu nunca tive um namorado sério. Me recuso a dividir. — nossa! Que moleque possessivo! Sou tão gostoso assim para ele me querer só para si? — Sasuke, eu disse a você que vou me aposentar, inclusive vai ser ainda esse ano. — ele suspirou e se voltou para mim, com uma expressão cansada, quase magoada. — Você está complicando as coisas e foi você que aceitou essa nova tentativa...
Assenti.
— Façamos o seguinte, então, Naruto, porque eu realmente não quero ferrar com a sua vida. — coloquei minhas mãos nos bolsos. — Vou te dar uma leve amostra do que é realmente sexo comigo, para que possa decidir com sensatez. — ele foi lentamente arregalando os olhos. — Eu não vou ser gentil, talvez você não consiga o direito de ser penetrado, talvez eu não seja nada do que sua cabeça espera de mim, mas… — dei de ombros. — É uma chance. É meio retórico o que vou perguntar, mas é preciso, porque tudo comigo deve ser consentido. — fitei-o e sorri de lado. — Quer dar um fim a essa tensão toda na sua cama?
Ele riu gostosamente.
— Que tipo de pergunta é essa? Você já sabe a resposta! É óbvio que quero! — falou, ainda rindo.
Mantive o sorriso e o chamei com um dedo. Ele veio, todo faceiro. Agarrei-o, pressionando-o contra meu corpo e devorei sua boca. Naruto enlaçou meu pescoço com os braços e afundou os dedos em meus cabelos da nuca, querendo de alguma forma se esfregar em mim para me dizer o quanto estava desejoso. Massageei seu traseiro e ele gemeu, empinando-se em resposta ao toque. Chupei lentamente sua língua, num beijo muito longe de ser casto, para então sugar seus lábios. Ele é muito delicioso, Kami! Desci para seu pescoço e agora sim eu raspei de leve meus dentes na pele já arrepiada. Naruto se contorcia em meus braços, completamente satisfeito. Ocupei-me de beijar a parte da frente de seu pescoço e fui subindo, lambendo seu queixo, até retornar a sua boca, onde fui gulosamente recebido.
Eu ri em seus lábios e o trouxe para meu colo de uma vez, levei-o até a parede, segurei suas mãos acima de sua cabeça e enfiei minha mão dentro de sua calça, por trás, apertando demoradamente suas nádegas. Ele gemeu, abafadamente, em minha boca, se contorcendo, choramingando, querendo mais.
— Quando chegar em casa… — sussurrei em seu ouvido, em tom de ordem. — Vai se masturbar pensando em mim, little bitch. — enfiei lentamente um dedo em sua entrada, movi-o devagar e Naruto se contorceu em meu colo, gemendo baixo. — Vai se imaginar na sua cama, todo para mim, eu te fodendo como se fosse a primeira vez. — ele arfou alto quando meti mais um dedo. — E vai gravar tudo para que eu veja sua performance depois. — encarei-o. — Quero saber se está sendo um submisso obediente, um submisso merecedor. — movi com mais velocidade os dedos em seu interior, só na borda de seu cu.
Soltei suas mãos e desabotoei um botão de seu colete, folguei a gravata, abri dois botões de sua camisa, tudo isso habilmente e sendo encarado por um Naruto ofegante. Naruto agarrou as minhas roupas de forma desesperada, como se ao me soltar eu fosse fugir. Abocanhei a região exposta e chupei com força, enquanto empurrava fundo os dedos nele, sem parar de olhá-lo nos olhos. Ele me encarava com uma expressão chorosa de prazer, carente. As vezes mordendo o lábio para evitar que seus gemidos fossem ouvidos.
— Eu faço tudo o que você quiser! — resmungou, quase desesperado.
Lambi aquela parte e tornei a chupar, insatisfeito com a marca que eu criara. Movi meus dedos em tesoura e ele rebolou na mesma velocidade. Eu sentia sua ereção se esfregando contra a minha barriga e sorri de lado. Ele não pode sair daqui assim. Tirei sua gravata e os dedos de dentro dele. Desci-o de meu colo e amordacei-o, enquanto ele esfregava sua virilha em minha coxa e me ajoelhei.
— Não tire a gravata. — falei, desfivelando seu cinto e abaixando sua calça. — Já fizemos isso uma vez, então relaxe. — ele me fitou, sem entender.
Engoli-o completamente e coloquei suas pernas em meus ombros. Num movimento rápido, ergui os 80 quilos deliciosos de Naruto no ar, ainda o chupando bem devagar e o levei até a minha poltrona, sentando-o ali. Enquanto eu o chupava, indo e voltando, indo e voltando, indo e voltando, meti dois dedos em seu interior, encarando-o intensamente.
— Isso é por ter te batido, sem você merecer. — falei ao tirá-lo de minha boca e massagear sua zona erógena. Ele se contorceu, mordendo a gravata — É aqui, não é? — apertei de novo aquela região.
Ele assentiu, enquanto lágrimas silenciosas escorriam por sua face. Se ele soubesse como essa cara me deixa em brasa, Naruto não precisaria se esforçar muito para me seduzir.
— Eu nunca me esqueci do que você gosta, de cada ponto de prazer do seu corpo… Passaram dois meses, mas você ainda reage a mim como se nunca tivéssemos terminado. — curvei-me para beijar e lamber a região entre seu ânus e seus testículos.
Ele se contorceu, revirando os olhos, quase me dando uma chave de perna, apertando com força o estofado da cadeira. Droga, eu quero ouvi-lo, eu preciso ouvi-lo, ou não vou aguentar até o dia certo. Beijei e chupei cuidadosamente suas bolas, para não machucá-lo e segui para seu pau escorrendo pré-gozo. Beijei-o, chupando a pele, a caminho de sua glande e lambi sua fenda.
— Tira a mordaça, eu quero te ouvir. — mandei e tornei a chupá-lo, sem desconectar meus olhos dos seus. Eu investia lento e forte em seu interior e ele estremecia com isso.
Ele fez o ordenado e inspirou fundo, mal ele soltou o ar e um soluço lamurioso escapou de seus lábios. As lágrimas continuavam a se derramar ininterruptamente, enquanto ele tentava se agarrar a cadeira. Naruto gemia baixinho, provavelmente com medo de chamar a atenção de algum curioso.
Tirei os dedos de dentro de si e parei de chupá-lo, eu o puxei para meu colo, de costas para mim e abracei-o. Levantei-me junto com ele e me sentei na cadeira. Fitei-o, quando ele se encostou em mim. Beijei Naruto demoradamente, pois seu olhar me pedia desesperadamente por um beijo e, é claro, que eu não o neguei.
— Dedo no cu ou punheta? — sussurrei em seu ouvido, buscando de meu paletó uma camisinha e colocando nele. — Como quer gozar, little bitch? — girei a cadeira para que ficássemos de frente a parede de vidro.
Chupei e beijei sua orelha, enquanto minhas mãos, por dentro do colete, massageavam seus mamilos por cima da camisa. Ele fica muito sensível quando está excitado e isso é ótimo.
— Dedo no cu, Sr. Uchiha. — sorri ao ouvi-lo me chamar assim e me curvei para chupar mais uma vez a região exposta de seu pescoço, porém em outro ponto.
— Mãos na cadeira. — ele as colocou. — Olhe para seu reflexo no vidro. — ele o fez e me viu metendo um a um os três dedos que ele mereceu levar.
Movi-os rápido, pela frente, ouvindo os gemidos contidos de Naruto no meu ouvido. Com a outra mão eu apertei seu mamilo pro cima da camisa, obrigando Naruto a me beijar para abafar um gemido mais alto.
— Sábado à noite, a partir das dez, você vai ser meu, Naruto, e ninguém vai me impedir. Eu não serei gentil, vai doer, mas eu quero muito te foder com gosto. — sussurrei em seu ouvido e eu o ouvi gemer longamente ao gozar, encolhendo-se em meu colo. Fitei sua virilha: ele ainda estava duro. — Vai ser um bom submisso para mim, não vai? — peguei-o e coloquei seu tronco sobre a mesa, a barriga para baixo e a bunda para mim. Continuei metendo meus dedos em seu interior apertado, chupando a pele de sua bunda macia.
— O melhor, Sr. Uchiha. — falou num fôlego só, antes de voltar a choramingar.
Sorri de lado, levantei-me, puxei seu tronco para mim, endireitando a sua postura, tirei sua camisinha e comecei a masturbá-lo, parando de penetrá-lo. Ele me olhou e eu pisquei um olho. Peguei meu copo de suco e bebi o resto. Deixei o copo diante dele e acelerei a felação. Seus gemidos estavam ocorrendo em intervalos cada vez menores e isso é música para os meus ouvidos. Naruto beijava o meu queixo enquanto afagava os cabelos da minha nuca, como formas de me agradar e de vez em quando eu lhe dava beijos carinhosos como forma de dizer que estava gostando de seu comportamento.
— Estou com sede. — disse, vendo-o olhar-me desesperadamente. — Eu quero beber a sua porra. Vamos, goza para mim. — continuei encarando-o, mas parando de tocá-lo.
Escorei-me na mesa, ao seu lado e esperei, ora encarando-o, ora o copo vazio. Naruto agarrou o próprio membro e continuou a masturbação, enquanto olhava-me febrilmente, gemendo meu nome, mas não se demorou muito naquela brincadeira, ele já estava no seu limite.
— Tudo, little bitch, eu quero tudo. — segurei seus cabelos com firmeza e o beijei. — Me dá tudo. — lambi suas lágrimas. — Porque você é muito delicioso.
Ele gemeu, se segurando em mim para não cair, com a mão livre, e gozou. Suas pernas fraquejaram e eu o sustentei, abraçando-o por trás, enquanto ele continuava movendo a mão e despejando todo o seu sêmen dentro do copo. Quando finalmente terminou, eu o beijei enquanto subia suas roupas. Ele estava ofegante, corado, um pouco suado, mas feliz, pois sorria.
Sentei-o em minha cadeira, para descansar, e bebi o conteúdo do copo, sem desviar meu olhar do seu. Naruto me pareceu hipnotizado enquanto eu tomava o que ele me dera. Bebi tudo, arfei, lambi meus lábios e cruzei meus braços diante de si. Ele respirava pesadamente.
— Só piora. — comentei, observando o fundo do copo. — Espero que aguente.
Dei de ombros, apertei alguns botões digitais no tampo da mesa, que eu ativara depois do ato, e uma lareira embutida apareceu atrás de uma parede falsa. Ela se acendeu e eu fui até ela. Joguei a camisinha no fogo e o copo contra a parede interna da lareira, fazendo os cacos caírem nas chamas. Retornei e o fitei.
— Quer me fazer mais alguma pergunta? — sorri de lado ao perceber que ele tentava encontrar algum lugar em suas roupas para esconder a gravata babada.
— Você fica estupidamente sexy de azul claro. — falou, sorrindo bobamente para mim.
— São seus olhos. — caminhei para a porta, rindo baixo e ele veio, assim que se estabilizou mais.
Antes de eu abrir a porta e deixá-lo ir, beijei-o de novo, com mais carinho. Beijos sentidos, beijos de namorados com saudade um do outro. Naruto nem se importava com o gosto da minha boca, só queria saber de corresponder “adequadamente” aos meus lábios, o que acontecia sem esforço.
— É bom te ter de volta. — sussurrei, acariciando seus cabelos. Naruto me traz paz, por mais que seja difícil de acreditar.
— Vou me esforçar para ficar dessa vez. — prometeu.
Eu o soltei e abri a porta.
— Você tem minhas marcas, Naruto, e agora que sei que vou ter tudo... — pisquei um olho. — Eu é que não vou te deixar ir, principalmente se você for quem eu procuro. — sorri de lado. — Te vejo no sábado e espero as gravações por email.
— Kami, você quer acabar comigo? — falou, fingindo horror e depois riu. Puxei-o para um beijo rápido e ele me fitou. — Mais tarde eu envio, tenho que voltar para o estúdio agora, antes que Sui me ligue para saber porque diabos ainda não voltei. — suspirou, sorrindo em seguida. — Vou aguardar o sábado ansiosamente.
E assim ele foi. Naquela mesma noite recebi o vídeo que eu pedira, que inclusive estava de primeira qualidade, e um desabafo indignado de Shisui sobre Naruto ter um roxo na clavícula. Me dizia que não sabia como ele podia gostar de mim e deixar que uma mulher possessiva que ele conhecera numa festa o marcasse assim. Eu disse que era só charme, que ele queria passar na minha cara que não me queria mais. Isso surtiu efeito e Shisui acreditou, concordando, inclusive, comigo. Depois que desliguei, eu ri até chegar em casa e dormir.
Naruto está fazendo por onde merecer, então acho que vou me esforçar para corresponder suas expectativas. Sábado vai ser espetacular.
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