Cores do Meu Coração
32 Teme 12 - O ciclo se quebra
Notas iniciais
— Sasuke… — Naruto gemeu, afundando o rosto no círculo que forma com seus braços ao redor do meu corpo — Mete mais um… Por favor… — seus lábios beijavam minha clavícula e eu sentia que estava molhado, só não sei se ele chorava ou se babava em mim.
— Empina mais um pouco. – disse bem baixo em seu ouvido e ele o fez, de modo que empurrei lentamente mais um dedo meu para dentro de si, movendo-os rapidamente. Naruto arfou quando sentiu minha outra mão acelerando a felação. Nos fitamos e seus olhos pediam por beijos, cujo pedido eu não pude negar.
Sua bunda se chocava com força contra a minha mão, os sons ecoando pelo quarto dele, a cama rangendo com seus movimentos necessitados. Pressionei sua próstata e Naruto gemeu alto, soltando meus lábios, mas logo voltou a me beijar, faminto. Saudades, essa é a palavra que explica porque ele está tão carente esta noite. Rolei na cama, deixando-o por baixo de mim e comecei a empurrar meus dedos velozmente dentro de si, sem dar tempo de ele tomar fôlego ou gemer qualquer palavra compreensível em qualquer idioma.
Seus braços voltaram ao meu pescoço, nossos rostos se aproximaram e eu pude ver que o que molhara o meu ombro fora suas lágrimas, poucas lágrimas de prazer. Nos beijamos com pressa de novo. Naruto afogava sua saudade em meus lábios e eu simplesmente reagia a isso de acordo com a postura de “Príncipe”, que eu assumira ao receber sua ligação horas antes.
Naruto viajara com Shisui para a Itália, ficara duas semanas fora, mas não passou um único dia sem me ligar, nem que fosse por cinco minutos. Notei que sua necessidade de estar comigo aumentara desde o dia no clube de banho, mas também suas exigências para comigo. Em contraponto, minha paciência para esse comportamento adolescente está chegando ao fim.
— Eu quero… — ele arfava, rebolando inconscientemente em meus dedos — Eu queria você dentro de mim… Eu queria te sentir em mim… — ele apertou o rosto numa face de tristeza.
Beijei sua testa gentilmente e pressionei sua próstata, fazendo-o gritar e esquecer aquele pedido tolo. Puxei-o para meu colo, sentando-me em meus calcanhares, e ele se aferrou ainda mais, distribuindo beijos pelo meu rosto.
— Tão carinhoso… — beijei seu pescoço, mas não o chupei para marcá-lo, como eu fizera tantas vezes antes. Não, Naruto já não me pertencia para que eu o marcasse como tal. Naruto estava ficando mais distante a cada dia que passava. — Goza para mim.
E assim se foi, ele me encharcando com suas lágrimas e seu sêmen. Aquela fora a terceira vez que ele fazia isso naquela noite. Depois disso acabou adormecendo e eu pude ir para o banheiro limpar meu corpo. Só a barriga sujara. Uma vez limpo, e vendo que ele dormia tranquilamente depois dos chiliques que dera quando eu cheguei para jantar, fui para a sala onde eu deixara minha valise. Sentei-me no sofá, ouvindo as ameaças de Kurama, liguei meu notebook, acendi um cigarro e voltei aos meus trabalhos interrompidos pela saudade de Naruto.
Não é que eu seja insensível e não sinta falta dele, mas não é aquela coisa de “Meu amor, eu preciso estar com você”, é mais aquela de ver uma pessoa com a qual você se acostumou e faz parte do seu convívio diário.
Pude trabalhar no silêncio por umas duas horas antes de ouvi-lo acordar me chamando.
— Estou aqui na sala. — falei — Com Kurama querendo me matar. — minha voz saiu indiferente, apesar de eu tentar fazer uma brincadeira.
Dois minutos depois ele veio e sua cara não estava boa.
— O que está fazendo? — ele me perguntou. Naruto estava trajando um dos seus pijamas azuis com listras brancas — Por que não ficou no quarto?
— Eu estou trabalhando. Eu te avisei que estava trabalhando. — relembrei-o sem tirar os olhos da tela do aparelho e fazendo algumas anotações na minha agenda.
— Mas será que você não poderia dedicar alguns minutos desse seu precioso tempo para mim? – sua voz subira um tom — A gente nunca faz como é para ser feito, você está sempre trabalhando e quando a gente se vê é essa indiferença toda! — ouvi-o suspirar, entristecido — Olha para mim quando eu estiver falando, Sasuke! — vociferou.
Fechei o aparelho com força, joguei-o dentro da bolsa juntamente com a agenda e me coloquei de pé, encarando-o.
— Eu te avisei de tudo isso, Naruto, nada disso é novidade. Você aceitou me namorar sabendo que eu sou um homem ocupado, com as minhas condições e eu tenho feito o possível para ser um bom namorado, mas mesmo assim você nunca está satisfeito! — levei minhas mãos a cintura e meneei a cabeça negativamente. Eu não posso me estressar, não posso ser o Diabo, eu ainda estou de “Príncipe” nessa história toda. Respirei fundo e me acalmei — Só me diz qual é o problema, o que é que está te incomodando tanto, Naruto?
— Eu continuo não sabendo nada de você. – falou, nervosamente. — Você nunca me conta nada da sua vida... Eu nem sei se você gosta mesmo de mim! – sua voz ficava mais alta a cada palavra proferida.
Arqueei uma sobrancelha.
— E por que é que você quer saber sobre a minha vida? Já não é suficiente o que você sabe? – falei, indo para cima dele. Naruto recuava. Aquele tom de voz estava atiçando de novo aquele meu lado raivoso que pula na frente de caminhões só para matar alguém — Que eu sou um cara que matou doze pessoas por sua causa? Que eu te salvei quando tentava te matar? Que eu sou sua soulmate? Que sou pai e chefe da casa Uchiha? O que mais importa? — parei.
— Você é muito mais profundo que isso… — ele parecia um animal acuado. — Sei que não conheço nem um terço do que você realmente é!
Esse Naruto está de sacanagem comigo. De brincadeira, só pode. Eu estou muito velho para ficar ouvindo esse tipo escroto de conversa.
— E daí, Naruto? – falei, gesticulando com as mãos — E daí? Eu confio em você, você confia em mim, a gente se respeita e pronto! Eu ainda não estou conseguindo enxergar o problema!
A verdade é que eu enxergara o problema desde o dia em que eu lhe contara da morte de seus pais, eu vi em seus olhos aquilo que Iruka me dissera, eu vi que Naruto não me via como seu namorado, nem era como eu o via, Naruto me olhava com necessidade. Com uma vontade de preencher algo em seu peito, um buraco que fora aberto novamente com a morte de seus pais e buscava em mim aquilo que eles haviam lhe dado.
Isso era um “reemplazo”. Por isso que não transo com ele como se deve, por isso não o deixo entrar na minha vida, saber mais do que quer. Ele já sabe mais do que a maioria, mas, como disse, é só a ponta do iceberg. Não posso permitir que se envolva mais do que já está envolvido, visto que Naruto não tem certeza do que quer.
E eu? Eu estou apenas o ajudando, como profetizara Iruka. Quem diria?
— Um relacionamento vai além disso, seu idiota! — Naruto gritou, com raiva. — Você nem está sendo você mesmo!
Revirei meus olhos e me afastei dois passos dele.
— Se eu fosse ser eu mesmo isso nunca daria certo, Naruto. – falei, demorando a fitá-lo — Eu já percebi que você não é o tipo de pessoa que… Daria certo comigo. – encarei-o e cruzei os braços — Mas o que é que você quer mais de um relacionamento? Até onde sei, você está tendo muito mais que vários casais que eu vejo por aí.
— Se você sabe disso porque propôs esse namoro? — voltou seus olhos furiosos para mim. — Até hoje não entendo o que você ganha com esse relacionamento! Uma hora você diz que não supera essa vontade louca de me tomar, mas nunca o faz. O que você está tentando? Não consigo entender... Seria porque você é um covarde? – riu, com escárnio.
Estreitei meu olhar e mandei para a puta que pariu o “Príncipe do cavalo branco”.
— É o quê?! — alterei minha voz, avançando dois passos. Ele retrocedeu na mesma medida. — Covarde?! Covarde?! COVARDE?!?! — gritei — Um! — ergui um dedo — Eu não estou te namorando para ganhar porra nenhum, Naruto, porque diferente de você, eu não tenho ganância nem necessidade nenhuma para ficar catando gente no mundo para me dar o que eu não consigo sozinho!!! Dois, eu quero sim, te foder até você jorrar sangue pelo rabo, mas eu não vou fazer porque você nem merece e nem faz por onde merecer, agindo feito uma adolescente idiota de 15 anos doida pra perder a porra da virgindade!!! Eu só estou tentando ter um relacionamento com uma pessoa depois de passar quinze anos sozinho, seu porra, dá para entender isso, caralho?! Não precisa ser um vidente nem um investigador para entender essa merda toda!!! — eu ofeguei — Faz a caralha de quinze anos que eu não assumo um compromisso com ninguém e no dia que me aparece a oportunidade, tu me vem com uma sacanagem dessa!!! E ainda me chama de covarde, seu merda?! Mas que porra era que você estava esperando de mim?!
Retomei meu fôlego. Não me lembro de ter falado alto com alguém assim em anos. Geralmente uma leve alteração resolve, mas Naruto extrapolou todos os sensos de bom juízo que existem me chamando de covarde. Eu? Covarde? Depois de tudo o que fiz e passei, eu sou covarde?
— Dar o que não consigo sozinho? – perguntou, chocado. — Do que você está falando, imbecil? E eu não sou a porra de uma adolescente de 15 anos querendo perder a virgindade. — agora ele falava indignado. — Pessoas fazem sexo, não sei se você sabe disso!
— Então é por isso que está comigo? Por isso aceitou namorar comigo? Por causa do sexo? — falei logo, diminuindo perigosamente o meu tom de voz. Eu sabia que tinha a porra de uma intenção sexual nisso tudo. Esse babaca de merda brincando comigo desse jeito, enquanto eu pensava que ele era um moleque puro e gente boa.
— POR ACASO VOCÊ ESTÁ ME CHAMANDO DE PUTA?! — gritou e se aproximou de mim como se quisesse me matar.
E lá vamos nós de novo. Naruto já vinha para cima de mim com o punho fechado, pronto para me socar. Revirei meus olhos e segurei seu punho antes que ele me acertasse, apertei-o e curvei-o para baixo, provocando dor em toda a extensão de seu braço.
— Não disse isso, Naruto. – falei, aproximando-o de mim — Foi você que disse que as pessoas fazem sexo! Isso significa que a sua frustração está no fato que você não me montou ainda! Se não é isso — empurrei-o para longe de mim — Que porra é então?!
— Eu falei várias coisas, você só prestou atenção nessa parte? – falou, magoado. — Você viaja demais, trabalha demais, não tem paciência comigo, as vezes se irrita com algo e eu nem entendo o que foi que fiz ou disse. – tentou se explicar, com o cenho franzido.
Ah, eu desisto dessa merda toda. Eu não aguento mais. Eu não tenho idade, saco, paciência e tempo para um relacionamento infantil desse nível.
— Puta que pariu, Naruto, sério mesmo, puta que pariu! — falei alto — Você não pode ser tão demente a esse ponto! Mas você não pode mesmo! — eu gesticulava como há muito tempo não o fazia. Eu acho que só falei assim quando era moleque.
— EU NÃO SOU DEMENTE, VOCÊ QUE É RIDÍCULO! – ele continua gritando. Adoro quando ele faz isso… Isso foi sarcasmo, caso não tenham percebido. Eu vou matar essa praga.
Meneei a cabeça negativamente e acertei uma tapa segura na cara dele, fazendo ele se chocar contra a parede. Dei outra tapa na sua cara, do outro lado, com a outra mão. Naruto me fitou, furioso, e veio para cima de mim, mas eu dei outra tapa em sua cara, estalando alto pela casa e segurei-o contra a parede.
— Você é um moleque, Naruto! — dei outra — Você é um moleque! — empurrei-o de novo contra a parede — O que foi que você fez todo esse tempo, seu merda?! Você age que nem um babaca e não quer que eu fique com raiva?! Você é um moleque! — aproximei-me dele, cutucando seu peito com força — Deve ser por isso que você fugiu de casa, deixou seus pais, porque é moleque demais para entender a vida, vivendo nesse seu mundo imaginário de merda onde tudo é muito simples e muito lindo! — isso é sarcasmo de verdade. Na sua forma mais clara.
— VOCÊ NÃO SABE DE NADA. CALA A BOCA! EU NÃO FUGI DE CASA… Eu não fugi de casa… — ele começou a sussurrar. — Eu não os deixei. Eles me amavam, seu idiota! — ele fazia muito esforço para não começar a chorar.
Chega, para mim deu dessa merda toda.
Meneei a cabeça negativamente e o soltei, indo para a minha valise, ajeitando-a. Depois peguei meu casaco no hall e o vesti, para só então pendurar a bolsa no ombro. Sério, eu não sou obrigado por lei nenhuma, nem pelas divinas, a ter que aturar esse tipo de merda.
— Deu para mim, Naruto. — falei mais calmo — Se você não consegue resolver os próprios problemas, não consegue aceitar as merdas que você fez na vida, como posso esperar que você me entenda? Eu não sou seus pais, para te dar o que você quis perder por causa de uma rebeldia idiota.
Naruto estava pálido. Deslizou pela parede devagar, sem o mínimo de forças nas pernas, caindo no chão, sentado, os olhos cheios de lágrimas. Ele respirava com dificuldade e tremia, assustado. Eu sei como é, Naruto, o choque que a realidade te dá quando você não está preparado, mas cedo ou tarde, isso teria que acontecer.
Quando eu pensei em falar, o gato dele voou na minha cara com toda a sua fúria e eu me choquei contra a parede. Tive que jogar o gato contra o sofá, mas acabei recebendo um puta arranhão no olho esquerdo, que ardeu para caralho. Ele sibilava enquanto ia para perto de Naruto, claramente protegendo seu dono. Respirei fundo e deixei passar.
Não sou de descontar minha raiva em animais. Peguei um lenço e cobri meu olho ferido.
— Acabou, Naruto. – falei, abrindo a porta — Quando você crescer, eu te procuro.
Fechei a porta e fui para meu carro. Antes de sair de lá, avisei a Kiba do estado que Naruto estava e dos motivos por ele ter ficado assim, não omiti nada porque não havia razão para isso. Ele me xingou alto, rogou milhões de pragas em mim, mas ao fim concordou com a minha atitude e disse que cuidaria de Naruto, levando-o ao hospital se fosse preciso. Dali parti para o Hospital Geral de Konoha atrás de duas coisas: dar uma suturada na minha cara e conversar com Itachi, pois eu preciso garantir que meus dias não se tornem um inferno por causa de um Shisui super-protetor. Afinal, Naruto é o xodó de Shisui.
Dirigi com dificuldade, mas cheguei. Fui atendido por Neji, que me fez a gentileza de chamar Itachi, já que meu irmão estava tirando uma pausa para o horário do jantar. Enquanto Sakura terminava de fazer o curativo no meu olho, me deixando com cara de pirata, Itachi chegou.
— O que foi que você fez dessa vez, Sasuke? — ele perguntou, vendo meu olho tapado — Pelo amor de Kami, ele não ficou cego, ficou Neji?
— Não. Apenas um arranhão. O corte foi um pouco profundo na região da testa e da bochecha, mas nada comprometedor na região ocular.
— Que bom… — ele tocou o ombro de Neji e o casal saiu, me deixando a sós com meu irmão. — Então, como foi que você ganhou mais essa?
— Um gato me atacou. — ele fez um cara de espanto — O gato de Naruto.
— Por que ele chegaria a esse ponto? Eu sei que ele te odeia, mas por que te atacaria?
— Porque eu terminei meu namoro com Naruto e num momento de raiva, num momento de surto, eu dei na cara dele, só uns tapas, mas com força. — admiti logo. Não tenho porque mentir ou ficar acanhado com meu irmão.
— Mas por que vocês terminaram? Eu sei que vocês tinham os seus engalfinhamentos, mas eu notei que você tinha interesse nele… — Itachi suspirou — Naruto até me confessou estar apaixonado por você.
Arregalei meus olhos e bati uma mão na minha testa. Oh, merda. Como foi que eu não percebi isso antes? O problema é ainda maior. A confusão de sentimentos que ele fez é ainda pior do que eu esperava e seria bem mais trabalhoso para eu lidar. Apaixonado por mim, procurando receber o que perdera ao deixar seus pais na adolescência, ainda com uma fome sexual admirável, que eu fizera o favor de estimular. Realmente, Naruto não sabe o queria comigo.
— Não daria certo, Itachi. Naruto é muito criança para ficar comigo. E de filho para criar, eu só quero a minha Maiko mesmo. – falei, sorrindo — Claro que tinha aquela atração sexual, não posso negar que Naruto é muito gostoso e eu continuo com vontade de fodê-lo do jeito que eu realmente faço, mas… — suspirei, colocando-me de pé, saindo da maca onde eu estava antes — Eu já não aguentava mais fingir ser você, Itachi, sem ofensa, claro.
— Eu entendo. Não me ofendi. — ele deu um soco de leve no meu ombro — Talvez não fosse ele, não é? Talvez Naruto seja sua soulmate, mas não seja realmente sua alma gêmea.
Eu sorri.
— Eu sou uma frigideira, Itachi, não uma panela. — dei um peteleco de leve em sua testa, fazendo-o rir — Então, quanto tempo eu devo ficar assim?
— Acho que em uma semana você pode tirar o curativo. – comentou, cruzando os braços e me fitando — Acha que Naruto vai ficar bem? Shisui me contou que de uns tempos para cá ele projetou um porto seguro em você.
— Vai, vai sim. Pelo menos eu acho. Ele tem muita coisa para ocupar a cabeça: moda, passarela, fãs, vocês dois, as novas amizades que fez, os projetos que Shisui o colocou para chefiar. Ele vai me esquecer — dei de ombros — A gente não transou mesmo.
— Não transaram?! — ele alterou a voz, espantado. — Como assim você não…?
— Não sou vidente, mas entendo os sinais. – disse, deixando-o atônito no corredor, com cara de tacho.
Fui para casa, sumi pelo resto da semana. Fiz todos os meus trabalhos em casa e Maiko foi minha enfermeira particular, quando não estava nas aulas de balé. Uma semana sem ouvir a voz de Naruto, uma semana sem ter que me preocupar em como reagir ante as situações daquele pseudo-namoro, uma semana longe de ações desnecessárias, uma semana de paz.
Senti minha alma voltar aos eixos novamente, exatamente como ocorrera depois do surto de Naruto ao saber de seus pais. Dediquei-me a descarregar todas as minhas energias acumuladas de tensão sexual, estresse, raiva, e todo resto nos meus treinos. Tirei folga para retomar meus treinos de movimentação pela cidade com Rock Lee, meu personal de Parkour e de Kick Boxing.
Segui mais uma semana assim, então quando dei por mim, já havia passado um mês e eu estava extremamente ocupado, não me permitindo pensar em Naruto. Não porque fora uma experiência ruim e eu quisesse esquecer de vez. Não. Namorar Naruto não foi de todo ruim.
Eu me diverti muito com ele, recebi beijos maravilhosos e tive alguém que se preocupava comigo que não fosse parente meu, mas ele poderia ter feito tudo isso sendo meu amigo. Até mesmo as partes mais “confidenciais”. É só que Naruto ainda está procurando o testo da sua panela e eu sou uma frigideira, seria difícil dar certo.
Eu não quis pensar nele porque minha alma não necessitava disso, de ficar remoendo em meu interior, como uma vaca ruminante, aqueles sentimentos negativos provocados pelo término. Não, eu não me permiti que isso estragasse a bela imagem que eu recriei de Naruto em minha mente, a imagem do garoto pueril que conquistou o mundo por causa do seu jeito único.
Eu só quero que ele seja egoísta e pense “A fila anda! Se Sasuke não me quis, tem quem queira!”. Vai ser muito mais fácil para ele superar e fechar esse ciclo da sua vida. Pois a vida é isso, uma constante abertura e fechamento de ciclos.
Numa manhã, no entanto, dois meses depois do término, Hinata entrou em minha sala um pouco nervosa, talvez constrangida, eu não soube dizer de cara o que era.
— Sr. Uchiha.
— Sim, Hinata. — desviei meus olhos da tela do computador.
— Tem alguém na recepção querendo falar com o senhor. — ela engoliu em seco — Dissemos que é preciso marcar hora, mas ele disse que irá esperar o horário do seu almoço para lhe falar. Eu achei por bem informá-lo disso.
— E quem é?
— É o senhor Uzumaki, senhor.
— Pede para ele vir até aqui. — ela assentiu e saiu. Medo de enfrentá-lo? Não, nenhum. Na verdade, eu achei que Naruto demorou a se manisfestar, mas cada um precisa do seu tempo, certo? Não liguei, não mandei mensagens, nem nada, pois fora eu a tomar a atitude.
Alguns minutos depois, eu estava de pé, escorado na mesa da minha sala, observando meu terno preto altamente alinhado ao meu corpo, quando uma batida leve na porta e a voz de Hinata anunciando a chegada de Naruto me fez ficar ereto com as mãos nos bolsos. A porta se abriu e ele entrou, lindo como sempre, apesar de sua expressão abatida.
— Olá, Naruto. — indiquei a poltrona ao meu lado para ele se sentar, caso ele quisesse.
— Oi, Sasuke. — ele negou com a cabeça, aparentemente preferia ficar de pé.
— Como você está? – perguntei, voltando as mãos para os bolsos da calça.
— Melhor do que o esperado… eu acho. Mas não vim falar de como estou. Vou ser direto como sempre. — ele respirou fundo e eu apenas concordei. — Você tinha razão. Todo o tempo. — me encarou com firmeza.
— Sobre? — eu preciso saber se ele realmente cresceu.
— Você não pode os substituir. Ninguém pode. – ele falou, com um sorriso pequeno no rosto, um sorriso de dor, de tristeza. – Eu não podia falar de você quando nem eu sabia o que queria de verdade, para falar a verdade, acho que ainda não descobri o que quero.
Sorri gentilmente. Deixei uma criança e o revejo como um homem. Isso sim é crescimento.
— Eu sei que você vai descobrir, Naruto, você é inteligente e determinado. – contei, cruzando os braços de forma calma.
— Sim, acredito que sim. Aparentemente você sempre tem razão. — brincou. — Queria me desculpar pelo meu comportamento infantil. – falou, enquanto me encarava envergonhado.
— Se não fizesse, não seria você. – suspirei, sorrindo — Mas eu vejo que algo em você mudou, você está com um brilho especial apesar desse seu rosto que não combina com seu estilo. – ele fez um gesto de descaso com as mãos.
— E você não é de todo mal, apesar de ser o diabo. Gosto de você e gostaria que você permanecesse na minha vida. — ele mordeu o lábio inferior. — O que acha de sermos amigos?
— Pensei que já fôssemos desde o dia que minha carteira quase foi levada. — tirei a dita cuja do meu bolso e mostrei a ele, sorrindo mais abertamente.
Realmente eu me sinto feliz por ele ter conseguido superar tudo isso.
— Cara, se você trata seus amigos assim, tenho medo de ser seu inimigo! — gargalhou.
— Não tenho inimigos vivos para você se espelhar. – falei, cutucando minhas unhas depois de guardar a minha carteira no bolso. Fitei-o, curtindo aquela gargalhada espontânea. Lindo, sem sombra de dúvidas, Naruto é um homem lindo e merece uma pessoa que valorize isso. — Minto. Tem dois ainda vivos.
— É melhor eles tomarem cuidado então! – fez uma careta, fingindo horror. Depois voltar a sorrir, me fitando com suavidade. — Minhas cores desbotaram... Sabe o que é estranho? Me sinto confortável com isso.
Bati palmas, sorrindo.
— Welcome to my world, man! — ri — Eu sempre fui acostumado com o preto e branco, mas tenho impressão que vou sentir faltar dos meus olhos vermelhos e dos seus azuis. — falei por alto e vi que ele corou. — Acho que foram as únicas coisas que eu realmente gostei.
Suspirei e me aproximei dele. Eu vou sentir falta de outra coisa, tenho que admitir, mas não é nada que vá me impedir de seguir adiante. Toquei seu rosto com uma das mãos. Imediatamente voltei a ver a cor intensa de seus olhos. Provavelmente aconteceu o mesmo com ele.
— Posso te beijar? Como uma forma de pormos um ponto final definitivo nesse ciclo? – perguntei, afagando sua bochecha com as costas dos dedos.
— Acho que eu não conseguiria negar, Sasuke. — sorriu de lado.
Toquei sua nuca e o trouxe para aquele que me pareceu o último beijo das nossas vidas. Eu ainda senti em sua boca aquela vontade de não deixar acabar o que começamos, como uma fagulha de esperança que jamais se apagará em seu peito até que os ventos do tempo resolvam fazer o que é preciso. Beijamo-nos com carinho, com respeito, sem conotações provocantes ou sexuais, nos beijamos porque simplesmente precisávamos.
Nos fitamos e ele mordeu de novo o lábio. Esse golpe baixo inconsciente que ele dá é uma puta sacanagem comigo, mas tudo bem. Mais um beijo e eu me afastei.
— Como sempre, delicioso. – falei, sorrindo de lado e me encostando na mesa novamente.
— Você sempre tenta seduzir seus amigos? — ele riu com vontade.
— Não estou te seduzindo! – falei, rindo contidamente — É sério, eu não estou te seduzindo. Você que está se deixando seduzir pelo seu amigo. – ele revirou os olhos.
— Eu estou brincando, Sasuke. É óbvio que você não está tentando me seduzir, se estivesse, não estaríamos conversando nesse exato momento.
Eu só pude concordar com suas palavras tão verdadeiras.
— Vou nem comentar o que eu pensei agora. – falei, contornando a mesa e me sentando — Precisa de alguma coisa, Naruto? Assim, de ajuda em alguma coisa? — sorri de lado — Não é que eu não goste da sua companhia, você sabe que eu adoro brigar com você e depois te masturbar, mas é que eu tenho que ferrar com a vida de alguns investidores agora.
— Quer saber, eu vou embora. Desse jeito não vou a lugar nenhum! – resmungou, fingindo irritação, mas eu conseguia ver a diversão em seus olhos. — Foi bom te ver de novo, teme. — e piscou, charmosamente.
Ah, o moleque virou homem mesmo.
— Se precisar de um amigo pau para toda obra pode me chamar, dobe. — rebati a altura. — Tem certos trabalhos que nem todos sabem fazer do jeito que você quer, certo? — cruzei minhas mãos na altura do meu queixo e fiquei encarando-o com uma sobrancelha arqueada.
— Juro que não consigo ver intenções boas ou puras nisso. Kami! Você não muda mesmo. — ele riu e balançou a cabeça negativamente.
— É porque eu sou o Diabo. Não tem. – pisquei um olho, sagazmente.
A vida é bem mais simples assim, não é? Eu sendo eu e ele crescendo, espiritualmente falando, sem deixar de ser essa pessoa admirável que ele é. As coisas fluem com mais sentido e harmonia quando tudo está de acordo com a realidade. É o branco no preto, o preto no branco.
— Sim, você é. Mas agora tenho que ir, não é só o diabo que trabalha.
— Tenha um bom dia, Naruto. – falei, dando um breve aceno de cabeça e me voltando para a tela do meu computador.
Ele devolveu o aceno enquanto sorria e saiu da sala. Sua feição havia melhorado nos poucos minutos de conversa, ele parecia mais leve, em paz, eu diria. Respirei fundo e fitei o lado de fora: o mundo voltara a ser o que era e isso me deixava extremamente feliz, pois mesmo sendo preto e branco, parecia que toda a realidade mudara para melhor com a mudança de Naruto.
— Que ele seja feliz, agora. – murmurei, voltando ao trabalho.
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