Cores do Meu Coração

29 Teme 11 - A teia da Vida


Notas iniciais
DiAngelo: Alô alô Brasil! To postando o cap diretamente do cyber da faculdade... O q ñ faço por vcs, hein?! Bem, mas vamos as notas: Kurama aparece e com grande estilo, só digo isso. E o aviso de hoje é: preparem os lencinhos, pq o chororó vai ser grande, as merdas da vida da anta vão começar a ser reveladas e quem tá lá pra aparar? *aquela carinha* Pois é, é quem vcs tão pensando mesmo! :3 Enfim, vamo simbora, q a hora ñ passa, voa! Nonna: Acho que dá para dar uma sacada sagaz só pelo título sobre o que vai acontecer no cap de hj não é? Minha gente to sem computador, então me perdoem se eu não responder comentários pelas próximas semanas, mas deixo aqui algumas coisas: Sasuke ciumento é o diabo, se ele sente algo? Demoraremos a saber. E sim, BiaChan, eu faço Itachi, além de Sasuke e DiAngelo faz Shisui, além de Naruto, de modo que esse capítulo é seu, querida. Preparem-se porque nada acontece por acaso.

Aqui estava eu de novo de frente a casa de Naruto, fumando lentamente um dos meus cigarros enquanto ele tenta de alguma forma abrir a porta. Suas mãos trêmulas o impediam de encaixar a chave no buraco. Acho que ele ainda está traumatizado. Ajudei-o, desviando o cigarro de seu rosto e finalmente nós entramos. Mas antes eu apaguei a ponta do cigarro na calçada, soltei o trago e, só então, eu me dirigi para a porta.

Fui tranquilo, fazendo mentalmente as contas de quanto eu iria dar ao dono do boliche para as reformas, pois com certeza aquelas explosões fizeram estragos.

No entanto, eu não esperava pelo que aconteceu a seguir. Parei de caminhar no escuro do corredor de acesso ao interior da casa, porque havia algo impedindo a minha passagem. Algo pequeno, mas espaçoso, que sibilava baixo. Era o gato de Naruto. Ele se levantou e veio na minha direção, exibindo garras e dentes em sibilos cada vez mais altos e ferozes. Seu pelo arrepiado o deixou com o dobro de tamanho e só havia uma linha fina no lugar das pupilas de seus olhos.

O que ele fez? Pulou para cima de mim, rosnando como só gatos do mal fazem, tentando arranhar toda a minha cara e o que estivesse ao alcance de suas garras. Mas que porra é essa? Eu acabei de passar por um estresse envolvendo mortes e agora o gato está me atacando?

— KURAMA! Solte o Sasuke AGORA! Ele é o meu namorado e vai vim aqui quantas vezes quiser e se você não quiser me ver furioso, melhor deixá-lo em paz! — falou um Naruto muito irritado.

Devagar, meio temeroso meio injuriado, o tal Kurama parou e saiu de cima de mim, indo se enfiar em qualquer lugar da casa. Esfreguei minhas costas doloridas. Eu ainda podia ouvir seu miado ameaçador como se fosse o eco de um fantasma. Toquei meu rosto. Por pouco não fiquei cego, mas em compensação ganhei alguns riscos na minha bochecha direita.

— Eita ferro… — gemi, me levantando. Eu devo ter as costas de ferro, só pode. Alonguei-me para diminuir a dor e fechei a porta da casa.

— Desculpa, Sasuke, acabei esquecendo desse capetinha com tudo que aconteceu. — Naruto falou, examinando meu rosto, preocupado. — Ele não vai mais fazer isso. Argh, deu tudo errado! — resmungou, exasperado.

Sorri de lado.

— Isso é o que dá você querer algo que não pode ter. — falei, o fitando de lado, pois ele ainda analisava a minha bochecha ferida — Se tivesse pedido só um encontro comigo, com o diabo, provavelmente nada disso teria acontecido. — nos encaramos.

— Acho que você tem razão. — ele entortou a boca, em uma cara de desgosto. Droga, falei merda. Aí, eu não sirvo para ser namorado mesmo. Já me conformei, agora é só Naruto aceitar isso. Mas, tem o “Príncipe” para salvar a pátria. — Vem, vamos cuidar desse arranhão.

Ele me puxou pela mão casa a dentro. Então esse é o caos que reside na casa de Naruto que Itachi me falara? Havia de tudo um pouco em cada canto por onde passávamos. Pelo visto ele ama profundamente macarrão instantâneo, pois só o que vejo são os potes desse alimento. Ele tocou na maçaneta de uma porta, hesitou um pouco, mas abriu-a. Eu estava no cerne do furacão, onde a bagunça era louca. Reconheci duas coisas logo de cara: uma cueca laranja e um edredom branco muito grosso. Sorri de lado. Eu me lembro do caso desses dois.

— Então esse é o seu esconderijo secreto? — comentei, dando uma rápida olhada nos móveis.

— Não é tão secreto, mas é onde me escondo sim. — ele riu.

Peguei o edredom e dei uma olhada.

— Acho que conheço esse daqui de algum lugar. — falei, erguendo-o de modo a meu rosto ficar escondido. Eu ainda estou de Príncipe, não de Diabo.

— É, acho que sim… — ele respondeu, parecendo envergonhado. — Já volto, vou buscar a caixa de primeiros socorros.

— É garantia de eu não me perder aqui dentro? — falei, tirando algumas roupas de cima de uma cadeira, pelo menos eu achei que era uma cadeira. Na verdade era uma banqueta.

— Meu quarto, minhas regras. — ele resmungou.

Sentei-me na banqueta e assenti. Naruto saiu sem me responder e sem me dizer quais eram as tais regras. Fiquei lá, sentindo minha cara arder com o corte superficial. Olhei em volta, dedicando minha atenção para a cama e o computador que estava lá. Sorri de lado. Eu fiz esse moleque sentir um pouco da minha possessão algum par de vezes, de tal forma que eu me divertia e relaxava mais fazendo Naruto enlouquecer do que transando com alguém.

Levantei-me e fui observar sua cama mais de perto. Roupas, peças íntimas, potes de rámen instantâneo, o computador, umas duas pastas e então um brilho que me chamou atenção. Um brilho sutil de uma superfície espelhada. Fitei a cabeceira da cama. Eu tive um vislumbre desse objeto da primeira vez que “masturbei” Naruto via skype.

Eu sabia que era um porta-retrato, só não consegui visualizar quem estava na foto. Olhei para a porta e notei que Naruto ainda demorava. Peguei o objeto, tirando-o de detrás de uma almofada, e aproximei das minhas vistas.

Era um foto de família. Naruto pequeno, talvez com oito anos ou menos, sorrindo do seu jeito, durante o que parecia ser sua festa de aniversário. Do lado direito uma mulher de longos cabelos vermelhos, olhar maternal e muito feliz, comemorando com ele. Era a mãe dele, eu tive certeza, pois eles eram idênticos de rosto. Mas o homem, o pai de Naruto, fora o que me chamou mais atenção. Era dele que Naruto puxava a cor dos cabelos e dos olhos.

— Não pode ser… — murmurei e levei o objeto para a luz — Esse é… Sim é! — lembrei-me dele, o homem que me incentivou a continuar treinando capoeira depois da morte de minha mãe, que sempre foi gentil comigo, que foi meu amigo. — Minato. — falei, arregalando mais ainda meus olhos. — Não é possível que...

— O que tem meu pai, Sasuke? — Naruto perguntou, ao entrar repentinamente no quarto.

No susto eu derrubei o quadro sobre a cama. Fitei-o, piscando algumas vezes, e só agora, depois de tantos anos, eu conseguia ver a semelhança entre os dois. Não era só o cabelo ou os olhos, mas a alma brilhante e a personalidade gentil, simpática, em quem todos poderiam confiar.

— Você é filho de Namikaze Minato? — perguntei, apressadamente.

— Sou. Pera… — ele franziu as sobrancelhas. — Como você conhecia meu pai? — Naruto falou, num tom mais alto.

Meu corpo pesou e caí sentando na cama, ao lado do retrato, com as mãos na cabeça, os olhos perdidos no passado. Não podia ser! Eu não conseguia sequer pensar na situação direito com todas aquelas imagens retornando numa explosão a minha mente.

— Eu.. Treinava capoeira com ele. — falei, ainda desorientado — Éramos discípulos de Mestre Zé, eu a mais tempo que ele, mas ele era um milhão de vezes melhor do que eu… — Naruto arregalou os olhos, chocado.

É com isso que Iruka dissera que eu iria ajudar a minha soulmate? Que nossos destinos já estavam entrelaçados como hábil teia de uma aranha? Então eu estava destinado a ajudar Naruto desde o princípio dos tempos? Obriguei meus pulmões a respirarem. Esfreguei lentamente meus cabelos, sentindo uma forte dor de cabeça. Por isso que eu me sinto, as vezes, tão bem ao lado desse idiota.

Senti minha alma ficar mais leve, minha respiração se ajustar, mas a dor de cabeça continuava. Esse ciclo não se encerraria enquanto eu não tomasse uma atitude.

— Ele nunca me falou de você, quer dizer… — se interrompeu, concentrado, talvez lembrando de algo. — Ele queria me apresentar uma pessoa, disse que treinava com ele e que o tinha como um filho… Kami-sama, era você, Sasuke! — ele tampou a boca, os olhos arregalando mais ainda.

— Não, não, não, não, não!!!! — comecei a andar de um lado para o outro, desesperado, com as mãos ainda na cabeça. Esse simples grau de parentesco muda tudo agora! Nada mais é como eu acreditava ser sobre Naruto, sobre a morte de Minato e Kushina. Soquei a parede com força — Não, não, não, não!!! — encostei minha cabeça nela e esmurrei a parede de novo.

Era como se naquele instante parte da minha alma se desfizesse em milhões de pedaços.

— Sasuke! — Naruto se aproximou, preocupado. — O que foi? O que está acontecendo? — a angústia era palpável em sua voz.

Agarrei seus ombros e no ato puxei-o para um abraço apertado.

— Naruto… Eu não só conheci seus pais… — afundei-o na curva do meu pescoço — Sua mãe morreu nos meus braços, no hospital. — senti que ele prendeu a respiração.

Ele se desvencilhou dos meus braços, se afastando.

— Não seja bobo, Sasuke. Eu te contei o que aconteceu. — sua voz saiu trêmula. Ele falava, mas parecia que não acreditava no que dizia. — Eu te disse que...

— Eu estava lá, Naruto! — retirei minha jaqueta, juntamente com a camisa social e desci o zíper da minha blusa até abaixo do diafragma. Apontei para a cicatriz que eu tenho perto do meu coração — Eu estava lá, eu vi tudo e ainda levei um tiro tentando salvar seu pai! — apontei para a marca — Seu pai levou um tiro perto do coração, igual a mim, mas eu não sei como sobrevivi. — virei-me de costas e mostrei o “resto” da cicatriz, baixando aquela parte correspondente — A bala atravessou o meu corpo e chegou em seu pai!

Lágrimas silenciosas escorregaram de seus olhos paralisados, enquanto ele caia de joelhos. Naruto estava em choque. Peguei minha camisa social, vesti-a apressadamente, e corri para perto dele, ficando de joelhos e puxando-o para meu colo. Como os deuses permitem que tamanha atrocidade aconteça com um inocente? Por que tirar de pessoas tão amáveis o direito de viver perto daqueles que eles mais amam? Que humor doentio é esse que deixa um pai longe de seu filho? Trouxe completamente Naruto para meu colo e sentei-me em posição de lótus, tentando acalmar seu choro copioso.

— O que… aconteceu? Por favor, Sasuke… — implorou, em meio a pequenos soluços.

Fitei-o. Ele merece saber.

— Não foi uma tentativa de assalto, Naruto, foi uma tentativa de sequestro. — contei.

— No fim eles queriam a mesma coisa… A PORCARIA DO MEU DINHEIRO! — Naruto se levantou, desorientado, me empurrando de vez e jogando tudo que via pela frente enquanto chorava com fúria e gritava enlouquecido.

Se eu estivesse como Diabo um mero grito com toda a minha autoridade era suficiente, mas eu estou de “Príncipe”. Eu não posso simplesmente forçar minha imponência e a minha arrogância sobre ele, como se ele fosse um cachorro. O momento pede uma atitude que eu só tomaria por Maiko, ou talvez por Itachi, dependendo da situação.

Ergui-me e agarrei seus braços, ele se debateu e gritou alto, tentando bater nos móveis próximos a nós. Envolvi seu corpo, prendendo seus braços e seu tronco, empurrei-o contra a parede de modo leve e o mantive ali. Naruto gritava a plenos pulmões, sacudindo as pernas e o corpo como um peixe fora d’água, completamente fora de si, colerizado. Virei-o para mim e ele começou a me bater, querendo que eu o soltasse. Suspendi-o no ar, empurrando-o de novo contra a parede e me ajoelhei, trazendo-o para o meu colo de novo.

Coloquei-o sentado em minhas coxas, as pernas de cada lado do meu corpo, agarrei suas mãos e deixei-as contra a parede, forcei minha testa na sua e encarei-o.

— Shiiii… — murmurei baixo. — Shiiii… — ele começou a perder as forças. Beijei seus lábios com demora, permitindo que ele afogasse suas mágoas em minha boca. Soltei suas mãos e imediatamente ele abraçou meu pescoço. — É doloroso, mas você precisa superar… — mais beijos mesclados com seus soluços — Seus pais nunca te deixaram, eles estão com você. Nada lhe foi roubado, porque eles ainda estão com você. — recostei minha testa na sua.

Naruto se encolheu em meu peito, abafando seu choro no meu corpo e tudo o que fiz foi abraçá-lo com ainda mais carinho. Não sei quanto tempo ficamos daquele jeito, ora ele surtando e destruindo tudo, ora eu o mantendo aferrado a mim. Houve um momento em que pisquei e ao abrir os olhos, o sol começava a raiar. Eu estava encostado na parede, ao lado da cama dele, com uma perna esticada e a outra dobrada, meu braço esquerdo se apoiava na perna, enquanto o direito abarcava as costas de Naruto, que por fim adormecera em meu colo.

Ele estava completamente encolhido entre as minhas pernas e o rosto em meu ombro, voltado para mim. Suspirei de alívio ao perceber que sua expressão suavizara. Olhei o quarto. Agora sim um furacão passara por ali, destruindo tudo.

Senti seu corpo se mexer. Ele acordou e me fitou. Os olhos inchados por ter chorado uma noite inteira, a esclera avermelhada por causa da irritação, o azul quase sem o brilho natural.

— Ele me avisou… — falou, com a voz rouca, provavelmente de tanto gritar.

— Quem? — sussurrei. Ele deve estar com muita dor de cabeça.

— Iruka. Ele disse que um acontecimento que me trazia muita dor seria finalmente esclarecido e de uma forma inesperada.

— É… — arfei — Talvez eu deva te contar o que houve naquela noite… — ergui meu rosto, recostando na parede — Acha que consegue ouvir?

— Ele também disse que eu não estaria sozinho, alguém estaria aqui por mim. — sorriu, meio triste. — Tudo bem, acho que posso ouvir...

Beijei-o, numa tentativa de lhe dar mais forças.

— Eu estava voltando de uma reunião… Tinha ido buscar Itachi no hospital, pois seu plantão acabara e nós estávamos indo para casa. — afaguei seus cabelos — A caminho eu vi duas pessoas sendo atacadas por alguns bandidos encapuzados. Eu reconheci de imediato. Era Minato e Kushina… Eles não reagiram porque os bandidos estavam armados. — fechei meus olhos, revendo a cena — Seus pais estavam contra a parede e os bandidos mais próximos do meio fio, atrás de um carro. Eu não pensei duas vezes: gritei a Itachi que jogaria o meu carro em cima dos bandidos, numa tentativa louca de salvá-los. Itachi pulou antes e quando dei por conta, eu estava saindo das ferragens do meu carro que se chocara contra o outro parado, esmagando dois dos homens encapuzados e lançando um terceiro contra um poste.

“Seus pais ficaram vivos e eu pensei que tudo ficaria bem, mas Itachi gritou quando os disparos iniciaram e eu entendi que ninguém estava realmente a salvo. Minato protegeu Kushina, mas eu não podia deixá-lo morrer, não sabendo que ele era pai e amava profundamente o seu filho. Levantei-me como pude e me lancei sobre o seu corpo. Nós fomos alvejados. Eu levei um tiro de doze a queima roupa… A bala atravessou meu corpo, estourou nas costas de Minato e os estilhaços atingiram sua esposa desacordada.

Eu pensei que havia morrido na hora, então me desesperei. Eu senti que meu corpo desfaleceria, mas uma força assustadora se apossou de mim, um sentimento violento, feroz, diabólico, um desejo por vingança da forma mais cruel que se possa imaginar. Ergui-me e tomei a arma do atirador, explodindo sua cabeça logo em seguida com um tiro. Ainda consegui matar os outros dois que tentaram fugir enquanto Itachi tentava salvar Kushina.

O hospital era perto e não havia tempo para ambulâncias. Tomei-a em meus braços e corri. Itachi foi na frente para avisar da emergência, mas quando eu cheguei lá…”

Respirei fundo, controlando as minhas lágrimas.

— Ela me disse que estava feliz… Que agora estaria para sempre na mesma luz acolhedora que Minato estava… — apoiei meu rosto na mão que antes estava no joelho — Morreu sorrindo, agradecendo aos deuses pelo filho e pelo marido que tivera. Morreu nos meus braços… Ninguém sabe como foi que eu sobrevivi, nenhum médico soube explicar, pois eu perdera muito sangue e a bala acertara um pulmão, uma costela e quase o coração… — suspirei pesadamente.

— Obrigado… — Naruto falou, calmamente, com lágrimas nos olhos. — Obrigado por ter tentado salvá-los. Obrigado por ter me contado a verdade. — sorriu. — Obrigado por não ter ido com eles. — e me abraçou com força.

Recebi-o de novo em meu colo, naquele abraço de eterna consolação, trocando mais alguns beijos que claramente Naruto necessitava. Acabamos dormindo daquele jeito de novo, por mais algumas horas, exaustos, mas com os espíritos em paz. Quando acordei, eu estava praticamente debaixo da cama, de barriga para cima, sozinho e com uma puta dor de cabeça dos infernos.

Saí dali e dei uma olhada ao redor. Ele não estava por ali. Procurei-o pela casa e o achei na cozinha, tentando preparar algo.

O cheiro de queimado me disse que estava dando errado o que quer que ele estivesse inventando àquela hora do dia. Fui até ele, tomei as panelas de suas mãos, joguei-as na pia com água corrente em cima e encarei-o, sentindo meu cérebro querer sair correndo. Apaguei as bocas do fogão antes que mais alguma coisa acontecesse e a casa entrasse em chamas.

— Você está bem? — perguntei, tentando manter um dos olhos aberto.

— Em paz. Você é que não parece muito bem. — Naruto afagou minha bochecha.

Sorri e curvei-me para beijá-lo. Outra coisa que eu tenho que admitir: essa boca de Naruto é muito boa para beijar, independente do beijo que se queira. Recostei-me na pia, depois de fechar a torneira, trouxe Naruto para mais perto de mim e recostei minha cabeça em seu ombro.

— Estou com uma dor de cabeça digna do diabo… — murmurei, abraçando suas costas.

— Acho que tenho algum remédio lá dentro. — ele passou a mão em meus cabelos.

— Desde que faça essa dor passar, aceito qualquer coisa. — suspirei, afastando-me dele para que Naruto fosse buscar o tal remédio — Naruto. — chamei, um pouco mais alto.

— Sim?

— Não me deixa fazer nenhum estripulia dessa vez contigo. — falei, indo para o sofá — Se eu fizer, com certeza baixo no hospital… — joguei-me em cima do estofado.

Olhei para o braço do sofá, pois eu ouvira um chiado. Kurama me fuzilava com seu olhar felino. Droga, eu não estou em condições de me defender.

— Por incrível que pareça, nem pensei nisso. — ele riu. — Já volto.

— Menos mal… — comentei e depois dediquei minha atenção para o gato com olhos assassinos — Não me mata. — falei, olhando para o gato — Eu passei a noite toda controlando seu dono, cuidando dele… Não me mata porque eu estou com uma dor de cabeça que ninguém merece.

Kurama desceu do braço para se deitar em cima da minha barriga, esticando-se todo e acariciando meu rosto com sua cauda macia. Suspirei cansadamente. Acho que hoje esse gato me deu uma trégua. Não fiz nada. Deixei que ele ficasse do jeito que quisesse em cima de mim, ronronando baixo e massageando meu abdômen com suas patinhas, naquela mania estranha que os gatos tem de apertar tudo o que eles querem, como se isso fosse terapêutico para eles.

— Sasuke, eu achei os remédios… — ele me encarou e eu fitei-o por baixo do meu braço — Como assim?! — ele apontou para Kurama.

— Não sei e não consigo pensar em mais nada…

Naruto deu-me o remédio e eu apaguei depois de alguns minutos sendo observado por ele. Dormi como um pedra, em meus sonhos eu fazia uma autoanálise. Era como se eu estivesse flutuando num globo da morte, que por sua vez flutuava na vastidão escura do Universo, cada ligamento da armação correspondia a uma memória minha, de modo que os espaços entre as hastes de um brilho fosco prateado eram mínimos. Eu via tudo preto e branco sempre que tocava em um dos “ferros” e estes projetavam as informações que continham como se fosse um filme.

Até as mais recentes lembranças estavam em preto e branco, mas não me senti angustiado ou assustado, na verdade eu me vi confortável, me vi, talvez, como os budistas se sentem em relação ao mundo ao meditarem. Eu estava em harmonia com meu mundo interior, tudo tinha um sentido monocromático perfeito, até mesmo no caos e na morte.

Lá, não havia “Príncipe”, ele era apenas mais uma lembrança ligada ao hexágono formado por todas as lembranças relacionadas a Naruto. Lá eu era Sasuke, eu era o Diabo, eu era apenas eu, sem censuras e nem limites. Então tudo aquilo deu lugar ao pico do Everest, que eu só conhecia por imagens. Eu estava sentado no topo do Everest, fumando um cigarro, era noite e as estrelas dançavam uma estranha valsa regida pela lua cheia.

Eu sorria e aquilo tudo era inexplicavelmente bom. Era a paz, a suma paz divina. Acordei sentindo minha alma retornar leve a mim, como se eu tivesse retirado todas as impurezas do meu corpo, do meu espírito e da minha alma.

Abri meus olhos e respirei fundo. Senti um estranho peso, não um peso insuportável, mas um peso de calor agradável, que ressonava. Olhei para frente e vi uma cabeleira loira, seguida por um rosto sonolento e um corpo aferrado ao meu. Naruto dormia sobre mim, apertando com força minhas roupas em seus dedos, como se achasse que eu iria fugir correndo e assim me impedisse de cometer tal ato. De vez em quando ele esfregava seu rosto em meu peito.

Em cima dele, deitado em suas costas, com as patas completamente abertas, de cada lado do corpo de Naruto, e a cauda enroscada em um dos braços do loiro, estava Kurama, camuflado na camiseta laranja de Naruto.

Só pude rir para não acordá-lo. Mas eu tinha que sair daquela posição porque o sofá de dois lugares deixavam a minha cabeça mal posicionada e minhas pernas penduradas no outro braço. Eu estava começando a sentir o formigamento nos meus pés provocado pela má circulação do sangue. Olhei para a janela. O crepúsculo ocorria, não o filme, mas o momento do sol.

Movi meu braço que estava na minha cabeça para cima do corpo de Naruto e afaguei a lateral da sua cintura, porque as costas estavam completamente ocupadas por Kurama. Ele se mexeu, se ajustando mais ao meu corpo, como se fosse um macaquinho agarrado a sua mãe, suspirou profundamente e deixou seu rosto embaixo do meu queixo.

— Naruto… — chamei. Kurama levantou a cara só para mudar a posição da dormida, ficando de barriga para cima e as patas de uma forma que só os gatos conseguem ficar. — Ei… — chamei-o de novo, com a voz baixa.

Nada. Estiquei minhas pernas, sentindo meus joelhos estalarem, depois estiquei meus braços e finalmente o formigamento passou. Naruto aproveitou esse momento para abraçar o meu peito.

— Naruto… — chamei, sorrindo com aquele enroscado todo.

— Hum… — resmungou, ainda sonolento.

— Levanta. — pedi. Eu estava encarando o teto, cruzei meus pés e os movi num ritmo de uma música que só tocava na minha cabeça

— Não! ‘Tá tão bonzinho aqui. — ele falou, manhoso.

Eu ri e vi que Kurama me fitava intensamente, me pareceu ser ciúme. Parece que alguém acordou enfezado, mas não era minha culpa. Quero dizer, não é minha culpa se eu sou irresistível. Os pelos de Kurama começaram a se arrepiar e eu ouvi o seu sibilo baixo.

— Seu gato quer me matar, Naruto. — comentei, indiferente, afagando as costas dele onde não era mais ocupado pelo corpo espaçoso de Kurama.

— Ele não vai fazer nada, não é mesmo, Kurama?! — Naruto levantou sua voz um tom e o gato recuou um pouco. De súbito, ele tomou impulso, correndo por cima de Naruto, pisou firme na minha cara e saltou para o chão, sumindo casa a dentro.

Só não mato esse gato porque ele tem dono e o dono é meu namorado.

— Naruto… Ele pisou na minha cara… — comentei por alto, só para ver se isso era motivo suficiente para ele se levantar.

— Vou tomar as devidas providências. Prometo pensar em algo, ele vai se comportar como um anjo da próxima vez que você vir aqui. — ele suspirou, ergueu-se um pouco e beijou minha bochecha. — Tenho que levantar mesmo? — me mostrou um bico emburrado, mas seus olhos tinham um brilho de diversão.

Sério, qualquer hora dessas eu vou morder esse bico.

— Tem. — fiz uma cara falsa de seriedade, pois eu sorria minimamente — Eu preciso de um banho, e não tem como eu fazer isso aqui no sofá.

— Hum… Tudo bem. — respondeu, mordendo o lábio.

Sorri de lado e fui acompanhando seu movimento de se levantar. Naruto ficou montado em mim alguns segundos, talvez pensando que eu o deixaria voltar a dormir sobre mim, mas acabou ficando de pé. Levantei-me e num movimento veloz, sem que ele esperasse — é claro — suspendi-o em meus braços, na posição de “donzela salva!” e comecei a caminhar com ele pela casa.

— Onde fica o banheiro? — perguntei sem olhá-lo, mantendo uma pose meio sério.

— Meu quarto...

Fitei-o como um verdadeiro amante cafajeste e fui lentamente sorrindo. Segui para lá. Olhei para o caos e com um giro rápido nos braços, fiz Naruto sair da posição de “donzela salva” para “vou te comer no meu colo e em pé”. Dei sustentação a ele com um braço e com o outro busquei uma toalha que eu vi largada em cima da cama e não parecia ter sido usada.

Naruto apontou para uma porta ao lado de seu closet e eu fui para lá, carregando-o, mas sem fitá-lo, de modo que eu não consegui saber que expressão ele fazia, mas suspeitando que sua cara estava da cor de um tomate. Pendurei a toalha no ombro desocupado e abri a porta do banheiro. E só nesse momento eu o observei.

Deslizei minha mão por suas costas, seguindo até a sua nuca e puxei-o para um beijo leve.

Naruto arfava, vermelho, trêmulo de ansiedade, de modo que só aumentei meu sorriso. Devagar, eu fiz meu braço que o sustentava escorregar por seu corpo, fazendo Naruto descer e ficar finalmente de pé nas próprias pernas. Fui para dentro do banheiro.

— Valeu! — forcei um sorriso bobo e fechei a porta de vez. Escorei-me nela, esperando a tempestade. Houve um minuto de silêncio. — Três, dois, um… E... — murmurei para mim.

— SASUKE, SEU IMBECIL! — ele esmurrou a porta e eu comecei a rir com o estremecimento da madeira contra o meu corpo. — O que você pensa que está fazendo? — ele rosnou, furioso.

— Eu vou tomar um banho. — falei, rindo entre as palavras.

— Argh! — sua voz ficou mais distante, acho que ele saiu do quarto.

Abri a porta só para ter certeza que ele não estava e realmente ele fora embora. Fechei a porta, pendurei a toalha num torno, comecei a me despir e fui observando o local. Por incrível que pareça, o banheiro era todo arrumado, limpo e muito organizado. Rapaz, me admirei com isso. Uma vez nu, fitei-me pelo espelho da pia, que só mostrava meio corpo meu, e sorri de lado.

— Sorry, bitch, but you can’t see my naked body.¹— falei, indo para debaixo do chuveiro e senti a ducha fria relaxar cada músculo meu.

Quinze minutos depois, limpo e vestido, com meu casaco amarrado na cintura e as mangas da camisa vinho dobradas até os cotovelos, eu fui ver em que estado de raiva Naruto se encontrava. Procurei-o na cozinha e não o vi. Chamei-o e ele não respondeu. Vi um recado na geladeira “saí para comprar rámen no supermercado, chego em meia hora”. É, ele está muito puto.

— Rámen...? — fitei a pia e o fogão. — Eu acho que sei fazer isso…

Coloquei o casaco pendurado num gancho, peguei o avental tosco — e laranja — retirei minhas luvas, colocando-as nos bolsos de trás, lavei minhas mãos e comecei a investigar seus armários.

— Macarrão… Macarrão… Macarrão… Não tem. Vou ter que fazer. Pelo menos tem farinha... — pus a água para ferver enquanto começava a preparar a massa para fazer o macarrão, como minha mãe me ensinara. Fui rápido, e tão logo eu estava puxando a massa entre meus dedos para fazer os fios do macarrão. Na água fervendo, coloquei os legumes para escaldar, os pouquíssimos que haviam na geladeira dele.

Procurei por uma faca devidamente amolada.

Só havia uma próxima disso e nem era um cutelo, retirei meu cinto, prendi-o no chão com meu pé, puxei-o para cima com a mão e comecei a amolar a faca enquanto assistia as “peles” dos legumes se desgrudarem e a massa esfriar. Depois de afiada, liguei o som do celular e coloquei uma música qualquer para tocar, pois minha mãe me dissera que é sempre bom cozinhar de bom humor para a comida contagiar quem a come. Tocou “Hey ya” de OutKast. Eu movia a cabeça no ritmo da música e a coloquei para repetir, um milhão de vezes se fosse preciso, ao passo que eu cortava os legumes escaldados.

— Heeeeey yaaaaaa! — cantei, jogando os pedaços, que estavam em cima da tábua de cortar carne, dentro da panela depois que eu colocara outra água para ferver — Heeeey yaaaa!!! — cheirei o ar e comecei a colocar os temperos, enquanto fritava alguns petiscos que eu temperara numa frigideira. Ele não tinha peixe, então quem não tem cão caça com gato.

Coloquei o macarrão para cozinhar com os legumes e em alguns minutos o tal rámen estaria pronto. E falando em gatos, eu ouvi um miado manhoso e senti um certo gato se esfregar em minhas pernas. Olhei para baixo.

— Agora eu sou gente boa, né, Kurama? — ironizei e ele miou alto de novo — Toma, para você não me matar da próxima vez que eu vir aqui. — coloquei um pedaço de petisco assado num pratinho e ele comeu avidamente.

Dois minutos depois o rámen estava quase no ponto que eu queria, a casa impregnada com o doce aroma de uma comida bem feita, mas fazia quarenta minutos que Naruto não aparecia. Dei de ombros e terminei de preparar os petiscos. Dispu-los num prato e coloquei-os na mesa. Olhei em volta, procurando por pão.

— Tem pão aqui? — perguntei a Kurama.

O gato subiu na bancada e caminhou imperiosamente até um armário.

— Obrigado. — falei, lhe dando outro pedaço de petisco. — Heeeeeey Yaaaaaa!

Fatiei os pães que tinham ali, passei manteiga nos dois lados e, aproveitando o azeite quente da frigideira, assei-os como se fossem panquecas. Enquanto eu me remexia ao som do meu celular, eu movia a colher na panela de rámen e mexia a frigideira.

Foi nesse momento que ouvi a porta se abrindo e por ela passando um Naruto resmungão, que bateu a inocente porta com força, talvez para anunciar sua chegada. Fitei o gato e ele me fitou, meio que dando de ombros juntamente comigo. Continuei curtindo o som e o cheiro que a minha comida exalava. O sabor deve estar ótimo.

Senti Naruto se aproximar. Confirmou-se com Kurama indo até ele. Esperei sua reação, no mínimo, escandalosa. Não vai demorar, ainda mais com esse cheiro delicioso no ar e a minha pessoa de avental. Três… Dois… Um… E...

— O que é isso? Remorso? — bufou.

Virei-me para ele e mostrei o meu mais tranquilo semblante.

— Eu tenho cara de sentir remorso de alguma coisa? — derrubei os pães assados e amanteigados num prato e fui desligar o fogo da panela de rámen.

Lavei minhas mãos, desliguei meu celular, procurei pratos fundos e talheres e fui arrumando a mesa, enquanto Naruto se sentava.

— Você tem cara de quem gosta de torturar… — ele se aproximou da comida em cima da mesa, a olhando com muito interesse. Praticamente babava.

— Gostar? — eu ri — Sou PHD em Manipulação. Minha arte é Tortura. — pisquei um olho para ele e carreguei a panela de rámen para o meio da mesa, abrindo a tampa e deixando seus olhos brilharem ao contemplarem o que ele comia todos dias, feito, literalmente, a mão.

O barulho das sacolas sendo largadas no chão e ver os potes rolando foi o sinal que eu precisava saber para me garantir de que ele não estava mais com raiva.

— Está com fome? — perguntei, tampando a panela de novo e retirando o tosco avental.

— Praticamente morrendo! — ele falou, alvoroçado.

— Então vá tomar um banho. — cruzei meus braços — Do contrário você vai me ver comer tudo isso e, detalhe pouco importante, sozinho. — sorri larga e falsamente.

— Por que você é tão mau? — Naruto fez manha.

Arqueei uma sobrancelha e fitei o gato sentado ao meu lado.

— Vai sobrar para você Kurama. — o gato me fitou — Porque eu estou achando, algo meio incerto, que um certo rapaz vai ficar sem janta hoje. — arregalei meu olhos.

— ’TÁ! To indo. — resmungou, com um bico emburrado. Muito insolente esse moleque! — Mas me espera! — estreitou os olhos.

Ele não me escapa dessa vez e que vá para a puta que pariu o “Príncipe”.

— Vem aqui só um instantinho. — ele veio, ainda emburrado, o bico muito mais ressaltado.

Agarrei sua cintura com força e mordi seu lábio inferior de leve, raspando os dentes em sua pele. Naruto ficou sem saber como reagir, mas logo amoleceu em meus braços e me pediu por mais quando larguei sua boca. Arqueei uma sobrancelha, peguei firme em suas coxas, coloquei-o sentado na pia e abocanhei seu pescoço, chupando com vontade a pele, para marcá-lo pelo resto da semana, se fosse possível.

Desci-o e dei um empurrão de leve em suas costas, para que ele fosse ao banheiro.

— Não demora. — pisquei um olho para ele. — Não vai querer que as coisas esfriem.

Ouvi um sibilo perigoso. Encarei Kurama morrendo de ciúmes e revirei os olhos. Movi os lábios formando a frase “Vá tomar banho, seu nojento”.

— Se você está tentando me frustar… Parabéns! Obteve sucesso. — Naruto deu um sorriso estranho e saiu da cozinha pisando duro.

É melhor ele se tocar logo antes que isso acabe em merda, numa bem pior que a de ontem.

Notas finais
¹ Desculpa, bitch, mas você não pode ver meu corpo nu. DiAngelo: Pera, q ainda to enxugando os olhos... :') Gente, q treta maligna foi essa? Eu ainda to no chão! Cs ñ esperavam por esse, né? Nem eu!!! E esse Kurama tretando com o capeta? Aí é macho, viu?! E esse final? Sasuke tá pra zuera, só digo isso! kkkkkkkkkkk Gostaram? Quero comentários! Vlw flw o/ Nonna: só eu notei que Sasuke se envolveu de alguma forma com todos os Uzumakis do planeta? Coincidência, destino? O q dizer? Minha gente vcs sabem qual é o nível de estrago de um disparo de espingarda calibre 12? Deixo essas perguntas para vcs pensarem em quão mau é Sasuke. Té negada.