Cores do Meu Coração

28 Teme 10 - Encontros e desencontros


Notas iniciais
DiAngelo: Hello, pessoinhas! Antes q o fds acabe, tá aí o cap de NMD! E olha, hoje o negoço tá tenso: É o dia do encontro! Cs conhecerão "Príncipe", verão o Diabo pedindo conselhos a Zé Lerdeza, a anta sendo anta, pra variar, só q ñ e a cena épica de ciúmes, q é pra apimentar a treta! Vou nem falar mais nada, vamo simbora, Nonna? Nonna: Vamo que vamo DiAngelo. Todo mundo arrumando os cabelos, separando as roupas mais bonitas, pq hoje é dia de encontro. O capítulo de hj tem de tudo, menos lemon, pq eu sei que tem gente ainda se recuperando do último capítulo. Por isso que ele é dedicado a quem? A tu mesmo, peste do meu coração! Kagamine, sua linda que anda fazendo umas divulgação da fic por aí, esse capítulo é seu! Se preparem, liguem suas motocas e simbora de capítulo!

Maiko estava sentada sobre a cama, observando as opções de roupas que eu colocara ali e esperava eu terminar de calçar as minhas botas pretas. Como os cadarços simplesmente estavam consumindo minha pouca paciência, eu deixei-os pela metade, com as botas semi abertas. Levantei-me e me olhei no enorme espelho triplo. O jeans um pouco apertado estava de acordo com as botas, só me restava a parte de cima. Vesti uma camisa preta de zíper, fechando-a, ressaltando ainda mais os músculos que eu levara anos para lapidar.

Achei que estava faltando algo. Eu não estava parecendo um… Não acredito que vou dizer isso, romântico namorado prestes a ir a um encontro.

Quanto tempo faz desde a última vez que me preocupei com a minha aparência? Em tentar repassar uma determinada ideia com a minha forma de me vestir? Esfreguei meus cabelos. O dia do meu casamento. Foi a última vez que fiz isso, depois disso, estar impecável, sempre imponente, tornou-se algo comum, algo automático, algo próprio da minha personalidade, da minha forma de agir, de ser Sasuke, o diabo, a cada dia da minha vida.

Mas Naruto me fizera isso. Não, não foi ele. Fui eu. Eu fiz a proposta, eu tomei as rédeas da situação e agora eu tinha que seguir adiante. Eu o tornei meu namorado porque fazer de Naruto meu submisso não era justo com alguém tão inocente, tão puro, tão… Ele merece alguém como Itachi para si, não como eu.

Relembrei-me das minhas cicatrizes e olhei para a tatuagem no meu antebraço. “Foda-se o mundo”. Naruto se dissera delinquente, mas ele não sabia o que era a real delinquência, mas eu também não tenho nenhuma intenção de mostrar isso a ele. Não, também não era delinquência, simplesmente minha alma era negra e ardia como o inferno.

Eu tenho tantas cicatrizes que eu poderia contar toda a história da minha vida só com elas. Naruto não precisava vê-las, não precisava saber os significados delas, não precisava saber os sentimentos que elas carregavam, das situações em que estavam envolvidas. Naruto não precisava me conhecer, só precisava do Sasuke que lhe dava o que ele queria. Nada mais.

Por isso, eis-me aqui nessa indecisão cruel sobre que roupa usar.

— A social vinho, papai. — Maiko trouxe até mim e eu a coloquei — Mas não fecha! — ela correu para a minha cama e buscou uma das minhas jaquetas de tecido pesado, fosco e preto — Com isso por cima! — coloquei e me fitei.

É. Ficou bom. Muito bom. Eu pareço mais… Romântico agora.

— Eu estou parecendo com alguém que você viu na televisão, certo? — ela assentiu e eu sorri, me curvando para abraçá-la e beijá-la — Papai ficou bonito?

— Lindo! — ela apertou o abraço e nós rimos — Papai vai ser bonzinho com o tio Naruto, não vai?

Assenti. Pois é, Maiko sabe o pai que tem e como ele lida com as outras pessoas. Desci com ela para o hall da mansão Uchiha e me deparei com Hinata já me esperando em companhia de Shikamaru. Ela sorriu enquanto o preguiça fez uma cara de admiração.

— Está muito bonito, senhor Uchiha. — ela sorriu ainda mais.

— Obrigado, Hinata.

— Parece e não parece com você. — Shikamaru comentou.

— Eu não sei se isso foi elogio, mas mesmo assim obrigado. — levei Maiko para eles e beijei sua testa mais uma vez — Obrigado por cuidarem dela por esta noite.

— É por uma boa causa.

— Boa noite para vocês também. — peguei os dois objetos que eu deixara no sofá e fui para a porta.

Saí sorrindo e pensando se seria uma boa causa mesmo. Depois dos meu delírios de febre provocados pela exaustão e pelo estresse, somados a uma crise repentina de abstinência por… Como eu chamaria aquilo? Crise de abstinência de tortura sexual? Enfim, eu tinha que cumprir a minha promessa e para um Uchiha, sua palavra é sua lei. Montei em Marley, uma das minhas paixões pessoais, acelerei seu motor e fui para a casa de Naruto. Quem é Marley? Marley é só a minha moto de estimação, uma linda Harley Davidson VRSCDX Night Rod, preta com linhas e detalhes vermelhos, que faz meu coração chorar sempre que seu motor ronca.

Andar nela é um ritual sagrado que exige respeito e concentração. Uma obra de arte. Uma representação automobilística dos poderes mais significativos dos deuses. É melhor eu parar de falar dessa moto, ou vou ter um orgasmo enquanto sinto as vibrações, provocadas pelo motor funcionando, percorrerem o meu corpo.

Pela manhã, enquanto eu me recuperava do surto e da doença na base do repouso e da vigilância de Itachi, pois ele tirara o dia de folga só para me controlar, Naruto me ligara informando a que horas começaria o nosso encontro de “namorados apaixonados”. Passei o resto do dia conversando com Itachi sobre como agir “apaixonadamente” com alguém porque, sinceramente, eu só sei ser eu.

— Sasuke. — ele disse, me assistindo andar de um lado para o outro. — Você não pode ser você enquanto estiver com Naruto. Tem que ser gentil, tranquilo, alegre e carinhoso.

Encarei-o e revirei os olhos, bufando como um cavalo.

— Esse é o tipo de reação que você deve evitar. — ele disse rindo — Naruto quer se sentir amado, ou pelo menos confortável ao seu lado, então tente ser mais parecido comigo.

Parei e destinei a rir tenebrosamente.

— Um cara que faz tudo o que o esposo manda? Um pau-mandado? Um sem-moral?

— Obrigado pelas boas palavras. — ele comentou, fechando a cara — Não sou nada disso do que você disse, eu apenas faço o que faço porque amo Shisui e quero vê-lo feliz. O nome disso é “pensar no próximo sem querer vantagens”.

— Sem querer… Vantagens? — arqueei uma sobrancelha.

— Nada de sexo no encontro. — ele foi firme e eu arregalei levemente os meus olhos — Eu sei que você já anda fazendo o que sabe fazer de melhor. — sorri de lado — Manipular. Não pode fazer isso com Naruto, não durante o encontro. É isso mesmo que está pensando: um clichê de filme adolescente, gostando ou não.

Sentei-me no sofá, diante dele e suspirei cansado. Droga, isso está me roubando toda a diversão. É por essas e outras que não gosto de namorar.

Mas, para essa noite de lua cheia e poucas estrelas, eu tenho que gostar, “El Diablo” deve ficar dormindo, “eu” tem que ser enjaulado e uma pessoa que criei durante a tarde vai assumir. Um homem que ri de piadas idiotas, que anda de mãos dadas, que sussurra palavras doces, pede para fazer amor de forma tímida, mas desejosa. Chamo esse cara de “Príncipe”.

Vamos lá, Sasuke, você pode fazer isso.

Dez minutos depois eu estava chegando no quarteirão da casa de Naruto, mas havia uns cinco carros estacionados naquela calçada, de modo que tive que deixar Marley quase na esquina, bem longe das minhas vistas. Fui caminhando e fumando com calma para preparar o espírito.

Fiquei observando o ir e vir dos carros naquela rua perto do centro, enquanto Naruto não aparecia fazendo seu costumeiro estardalhaço. Mulheres e homens passavam me encarando, cada qual com suas intenções pessoais que não me importavam, uns demorando mais do que outros, simplesmente porque Uchiha Sasuke, o terceiro magnata mais importante do mundo, estava fumando na calçada de outra pessoa durante a noite. Fitei meu relógio por cima das minhas luvas de couro preto. Pontualíssimo. Sete, nem um minuto a mais, nem a menos.

Parei diante de sua porta e toquei a campainha.

— JÁ VAI! — escutei de dentro da casa. É claro que ele gritou. Novidade nenhuma até agora. Revirei meus olhos ao dar um trago. Só espero que ele não tenha inventado nenhuma programação que vá me deixar doente de tanta raiva depois.

Dez minutos e outro cigarro depois, a porta foi aberta.

— Desculpa a demora, tive que dar um jeito de enganar Kurama. Ele está armado desde cedo. Parece que adivinhou que você vinha. — ele falou, enquanto olhava para trás, desconfiado.

— Vai ver você disse a ele. – comentei, soltando a fumaça um pouco para o lado, para que Naruto não tivesse um acesso de tosse por causa disso.

Encarei-o dos pés a cabeça. Ele vestia um jeans escuro com a bainha dobrada, uma blusa de botão azul claro e um casaco longo marrom claro, com as mangas puxadas até o cotovelo, que combinava com o coturno de mesma cor. Até que ele está bonito. Sorri minimamente.

— Boa noite. – falei, fitando seu rosto, que estava claramente feliz. — Como está?

— Boa noite. — ele mordeu o lábio inferior enquanto sorria. — Bem, mas vamos logo, antes que Kurama apareça.

— Certo. — joguei o cigarro no chão e apaguei-o com o calcanhar. Indiquei a direção da minha Marley e saí caminhando na frente, meio que de boa. — Vem. — chamei.

— ‘To indo! — ele deu uma corridinha até onde eu estava.

Fiquei parado perto da esquina, esperando. Quando ele chegou perto, peguei minha chave e desacorrentei os capacetes de onde eles estavam, entregando um para Naruto. Ele ficou me olhando com sua típica cara de bobo idiota, tocando o capacete como se estivesse em câmera lenta. Seus olhos estava focados na minha Marley, embaixo do poste de luz.

— Na Harley? — ele riu. — Você não poderia ter escolhido melhor. Vai entender do que estou falando. — e deu uma piscadela.

Franzi o cenho, apesar de sorrir, e fitei-o. Aqui vamos. “Príncipe” em ação.

— Naruto. – chamei, antes que ele encaixasse o capacete na cabeça.

— Sim? — ele me encarou.

Dei um passo para perto dele e beijei sua bochecha.

— Está muito bonito esta noite. — falei sem conotações, ao meu estilo natural. Montei em Marley, pus meu capacete e esperei ele vir para a garupa. Três milhões de insinuações safadas vieram a minha cabeça só por causa daquilo.

Fitei-o.

Ele estava parado, com o capacete na altura do peito, os olhos esbugalhados, o rosto levemente corado e as mãos trêmulas. O que foi agora? Deu pane no sistema operacional dele? Respirei fundo, relembrando os conselhos que Itachi me dera, e saí da moto, indo até ele.

— Tudo bem? — eu deixara o capacete pendurado no guidão e por isso pude tocar em suas mãos.

— Sim… e você? — ele me olhava desconfiado.

— Bem, obrigado. — pisquei, recordando-me de outro conselho — Inclusive eu queria te agradecer por ter cuidado de mim quando estive doente e me desculpar… — pigarrei. Não eu não quero me desculpar por isso, porque eu não me desculpo de coisas boas! — Pelo meu comportamento indecente. Eu sei que estava sob o efeito dos remédios e da febre, mas isso não justifica o fato de eu ter te manipulado para que eu fizesse sexo oral em você.

— Ah, entendi. Você ainda está doente, né? — ele tocou meu rosto, tentando medir minha temperatura.

Afastei-me dele, indo para o poste, respirando fundo e contando até dez. Soquei o cimento do poste e pisquei com firmeza. “PUTA QUE PARIU ESSA CARALHA TODA!” eu gritei mentalmente. Ele me pede um encontro romântico e quando eu estou tentando ser romântico, esse animal fica agindo que nem o animal idiota que ele é. Será que Itachi se sente assim? Claro que não, ele gosta de ser assim com Shisui e Shisui não é retardado que nem Naruto.

Esfreguei meus cabelos, refiz o meu mantra mental e me virei para Naruto, com um semblante forçadamente tranquilo.

— Eu estou bem, Naruto, Itachi me deu alta hoje. — fingir rir da minha piada de mau gosto. — Não se preocupe comigo. Que tal irmos? — apontei para a moto.

— Vamos sim. — ele suspirou. — E pare de se desculpar por uma coisa que você não se arrepende. Eu, muito menos. — ele revirou os olhos.

Kami, estou aceitando um raio na minha cabeça, obrigado.

Montei na moto já com o capacete na cabeça e senti-o sentar na minha garupa, com minha mente se revirando em putarias por causa disso, liguei a chave e deixei que Naruto abraçasse o meu peitoral para se segurar.

— Para onde vamos? — tentei parecer o mais amigável possível. Sorte que meu rosto de forte ira está coberto pela viseira preta do capacete, enquanto a dele é transparente, deixando seus enormes olhos azuis bem destacados.

— Pensei em jantarmos no Le Bistro, não estou afim de aparecer em outra manchete. — ele entortou a boca.

Assenti e me dirigi para lá. Menos mal. Chega de ser notícia por esse ano. Já está passando da minha cota aceitável. Fui devagar, pilotando com calma, aproveitando a sonoridade do motor e o vento frio contra o meu corpo. Fora outro conselho de Itachi: deixe-o aproveitar cada instante, inclusive os de translado. Permiti que Naruto me abraçasse de vez em quando, geralmente nas curvas, e que seus uivos de emoção não me irritassem.

Chegamos em pouco tempo.

Eu sabia onde era, mas não me recordava exatamente da aparência do lugar. Estacionei a moto, acorrentei os capacetes e me deixei ser guiado por Naruto para o restaurante. Sua entrada ficava mesclada com o parque que circundava-o e para chegar até ele, seguíamos por uma trilha de pedras sobrepostas que subia sutilmente.

Era como um chalé perdido no meio do bosque, cujas luzes amareladas e brancas lhe davam um tom de cabana de inverno. A chaminé deixava uma fumacinha escapar pelas copas das árvores, atraindo as pessoas com seus aromas de comida francesa. As janelas com umbrais de madeira estavam cobertas por cortinas brancas, que escondiam o conteúdo daquele lugar. As portas duplas, a única forma de se ver o interior sem entrar, eram guardadas por dois garçons bem ao estilo da França, que sorriam para cada pessoa que pisava na madeira envernizada do piso.

Sorriram para nós também e notei a surpresa deles ao nos ver juntos. Algo como “Não esperava o casal mais famoso de Konoha aqui!”. Fomos para o hall de entrada, onde o gerente atendia e recepcionava os cliente com termos franceses e sorrisos abertos demais, para o meu gosto claro.

Naruto adiantou-se quando nós chegamos ao balcão.

— Bonsoir messiours! — o sotaque dele era muito forçado.

— Boa noite. – Naruto respondeu.

— No nome de quem devo procurar a reserva? — arqueei uma sobrancelha com aqueles “r”s caricaturados demais.

— Uzumaki. Gostaríamos do lugar mais reservado que você tiver. Não preciso explicar o motivo, certo?

— No! Claro que não! — ele riu e foi caminhando na nossa frente, nos guiando por entre as mesas até uma escada — Eu preciso dizer que o Le Bistro está emocionadíssimo com a presença de celebridades tão importantes de Konoha! No! Do mundo! — ele mexia os braços demais. Tive a impressão de ele parecia um boneco de posto de gasolina.

Naruto estava animadíssimo, de vez em quando me olhava para saber se eu estava curtindo o momento e tudo o que eu podia fazer era sorrir forçado, uma gentileza incoerente, mas, por sorte, que eu conseguia habilmente convencer.

No primeiro andar, havia mesas iluminadas apenas por velas, castiçais e uma lua cheia muito brilhante entre duas árvores que serviam de vista. Contei dois casais e um boêmio naquele espaço com cara de filme de drama. Respirei fundo e sorri de lado. Naruto tem bom gosto, tenho que admitir, pois esse é, de longe, um lindo lugar para se jantar.

— Então é verdade que vocês estão… — ele deu um risinho que pedia para levar uma tapa na cara enquanto juntava as mãos — Namorando?

Fitei Naruto. Queria saber se ele ia ter o ímpeto narutesco de responder. Ele só deu uma olhada significativa para o homem, do tipo “Porque você não some daqui?”. Revirei meus olhos e encarei o gerente.

— Me faz um favor. — falei e ele assentiu — Quando você trouxer o cardápio, me traz também uma dose de “Não é da sua conta” com bastante gelo. — ouvi Naruto segurar seu riso quando o homem apressou-se em sair e nos deixar a sós.

As pessoas presentes riram e me aplaudiram. Eu só dei uma teatral reverência e fui me sentar, puxando a cadeira para Naruto primeiro, que sentou-se sorrindo, com as bochechas levemente coradas, e depois me coloquei em meu lugar, de frente a ele. Cruzei minhas mãos na frente da minha boca e fitei-o. Droga, posso nem me insinuar só para me divertir.

— Isso foi demais! — ele deu uma risadinha. — Pensei que você ia passar o resto da noite esquisito. — Naruto parecia aliviado.

— Não estou esquisito. – comentei, observando a chama da vela tremeluzir com a brisa suave que passou por nós, trazendo o cheiro das damas-da-noite que se abriam em algum lugar do bosque.

— Qual é. Você está esquisito sim, nesse exato momento já deveria ter tentando alguma coisa muito constrangedora. — ele arqueava a sobrancelha.

Suspirei.

— Só esquece, certo? – disse, antes que eu resolvesse soltar El Diablo e a noite terminasse comigo virando lobisomem e comendo a Chapeuzinho Laranja.

— Não acredito que você vai me obrigar a dizer isso. — ele corou. — Eu gosto de você do jeito que você é. — baixou os olhos para a mesa.

Acho que o Príncipe pode fazer algo que acalme os humores de El Diablo. Levantei-me, arrastei a minha cadeira, colocando-a exatamente ao lado de Naruto, sentei-me, transpassei um braço por seus ombros, toquei seu queixo com a outra mão e dei um daqueles beijos que vemos em comédias românticas, só os lábios se tocando com alguma pressão. Fitei-o, afagando seus cabelos com a mão cujo braço estava apoiado em sua cadeira.

— O Diabo não gosta de encontros de casais apaixonados, Naruto. — contei com a voz baixa, para que as outras pessoas não ouvissem. Devo admitir: o rosto desse cara fica lindo a luz de velas — Não faria sentido algum eu ser eu nesse momento.

Outro beijo, mais rápido, porém não menos bom.

— Entendi, mas acho que ele ainda vai aparecer hoje. — seus olhos brilharam divertidos.

— É melhor que não. Do contrário, vai estragar a sua noite. – comentei, sorrindo de lado. — Vai por mim… — era como se eu dissesse a mim mesmo — Você vai preferir o príncipe do que o diabo.

E como se fosse uma assombração, o gerente apareceu com o cardápio, suando um pouco.

— Obrigado. — sorri falsamente. Fitei Naruto — O que vai querer? — não acrescento o comer, porque isso daria margem para eu idealizar o que realmente quero comer.

Para encurtar, nós jantamos e conversamos amenidades. Basicamente o tema foi o tempo em que fiquei em Nova York: Naruto me falava do que ele fizera por aqui e eu comentava sobre o que eu fazia por lá. De vez em quando, em momentos que eu julgava ser apropriado para um encontro romântico, eu roubava seus lábios em beijos rápidos.

Ao fim, caminhávamos para o estacionamento.

— Para onde agora? – perguntei, observando-o se aproximar de Marley.

— Boliche. — Naruto falou com aquela empolgação típica dele. — Era disso que falei mais cedo. Parece que você adivinhou para onde íamos.

— Estou com dificuldade de entender a relação “moto e boliche” – falei, entregando o capacete a ele — Mas isso não importa. É o do shopping da Zona Sul ou aquele na Perimetral? – perguntei, montando e esperando ele vir.

— Cara, como você é sem graça! Eu estou dizendo que parece aqueles filmes trash, você até está vestido como um bad boy! — abri meus braços e fiz a cara de “Qual foi?”.

— Não fui eu que escolhi o programa. – rebati, sentindo seu peso na moto — Diz logo qual é.

— O que você preferir. Para mim tanto faz.

— Não gosto de boliche. — rápido como um corte de navalha. — E aí? — ele continuava esperando que eu dissesse algo. — Sério. Eu não gosto de boliche e não sei qual dos dois ir. Qual você quer?

— E sua rabugice voltou. — mas o quê? Será que expressar meus gostos é ser rabugento? Nunca mais, se depender de mim, nunca mais eu participo de um “encontro romântico” de novo. — Vamos para o da Perimetral mesmo.

— All right, man. – respondi, dando partida.

Vinte minutos depois nós chegamos ao tal lugar. Uma música tocava tão alto que dava para se ouvir nitidamente do lado de fora. Era Scorpions. Finalmente algo que me agrada de verdade. Naruto foi na frente e eu me demorei nas passadas, curtindo a música que ia ficando mais alta e mais intensa à medida que eu me aproximava. Acho que o Príncipe pode permitir Sasuke curtir um pouco de seus gostos musicais.

Fingi tocar uma guitarra imaginária e comecei a dublar o vocalista. Naruto me fitou, riu e começou a tocar numa bateria imaginária no ritmo da música. Cantamos, apesar de sermos observados.

— Here I am! — eu forçava a minha voz a ficar rasgada, enquanto Naruto fazia o back vocal — Rock like Hurricane! C’mon! — fiz o microfone e apontei para Naruto se sacudindo na minha frente no ritmo louco da guitarra — Oh yeah, baby!!! That’s it! — voltei para a guitarra — Here I am! Rock like hurricaneeee! — arregalei meus olhos enquanto ele aguçava sua voz para subir duas notas acima e pirei na guitarra imaginária.

Quando a música acabou, não pudemos conter a crise de riso que se seguiu. Naruto apoiava-se em mim para não cair e eu abafava minha gargalhada em seu ombro. Parecíamos dois bêbados, eu sei, mas quem é você para julgar a felicidade alheia?

— Até que você não é tão rabugento assim! — ele sorriu para mim.

Abracei sua cintura e o beijei com, como posso dizer, mais dez centavos de emoção.

— Sua culpa. — sussurrei em seu ouvido — Foi você que quis assim.

Soltei-o e caminhei para dentro. Ele veio logo. Eu me senti entrando num filme tosco para adolescentes da década de 80. Pelos pneus da minha Marley, onde foi que eu amarrei o meu jegue? Acompanhei Naruto até o local onde trocávamos nossos calçados pelos sapatos que se usa nas pistas de boliche. Quer dizer, combina muito com minhas roupas um sapato da década das roupas coladas e brilhantes de academia. Quem não usaria no dia-a-dia preto e vinho com um calçado azul caneta bic, vermelho rapariga e branco desbotado? Alta moda.

Pelo menos combinava com a personalidade de Naruto. Fomos para uma das pistas e ele foi logo pegando uma bola. Sorri como se aquele fosse ser o jogo do século. Sentei-me no banco e revirei meus olhos assim que ele se colocou de costas.

Em sua primeira jogada ele só derrubou um, dos dez pinos. O da esquerda, por pura sorte, porque ele ainda bambeou para não cair. Segurei minha crise de riso. Sua cara de frustração era impagável, com olhos teatralmente chorosos.

— Para de fazer essa cara! Eu só ‘to aquecendo. Faz tempo que não jogo. — fez um bico emburrado. Porra, deixa eu morder esse bico.

— Que cara? — entrei na brincadeira — Eu estou só olhando! Eu nem sei jogar essa porra.

Seus olhos brilharam, percebendo a suposta vantagem.

— Não se faça de bobo, você está tentando segurar a risada. — ele apontava para mim.

— Vamos fazer assim. — levantei-me e peguei a bola, estranhando o seu peso — Se você fizer um strike, é strike que chama? — ele assentiu — Enfim, se você fizer um strike, eu te dou uma coisa. Se eu fizer um strike, você fica sem essa coisa até fazer um strike. Feito?

Estendi minha mão para ele como faziam os antigos cavalheiros britânicos. Ele apertou minha mão com empolgação, pelo jeito ele estava muito confiante. Bom, eu realmente não sei como funciona esse jogo, então tenho a leve impressão que Naruto possa ganhar.

Fui para frente da pista e fitei Naruto.

— Ei, como é que faz um strike? – perguntei, encaixando meus dedos na bola de modo aleatório.

— Você tem que derrubar todos os pinos em uma jogada só.

Assenti e dei um passo para frente. Meus pés deslizaram. Retrocedi e dei um passo de novo, escorreguei mais uma vez, mas consegui parar, voltando para o ponto inicial. Fitei os outros jogadores fazendo poses e mais poses para lançar a bola. Observei um cara que fez um strike e saiu gritando de felicidade. Acho que entendi, acho.

Mirei no local onde estavam os pinos, dei dois passos para pegar impulso, deslizei e lancei a bola pela pista, me permiti fazer até uma careta de precisão. Endireitei minha postura e vi a bola preta derrubar sete dos dez pinos. Virei-me para Naruto. Ele respirava aliviado.

— Falei que não sei jogar. — disse levantando as mãos — Sua vez.

Naruto pegou a bola, encarou-a com seriedade, murmurou alguma coisa e a lançou. Fiquei olhando ela ziguezaguear de leve e, ao que pareceu ser um golpe de sorte, todos os dez foram ao chão cambaleantes. O loiro comemorou ao seu jeito pitoresco e veio para mim, triunfante.

— Sua vez.

— O que vai querer de mim? — perguntei indo buscar a bola.

— Mais tarde falo. — seus olhos brilharam intensamente.

“Nesse mato tem raposa”, pensei, indo para a pista. Respirei fundo, lembrei-me do cara que fizera o strike e lá fui eu de novo: dois passos, a deslizadinha e a bola rolando reta. Encarei-a como se guiasse sua rota e então dez pinos ao chão.

— Seja lá o que for. — falei dando de ombros — Vai ter que fazer outro para ter.

— Argh. Eu disse antes, tem alguma coisa que você não saiba fazer? — ele parecia chateado. É uma criança mesmo.

— Eu não sei jogar boliche. — comecei a enumerar — Não sei fazer crochê, não sei andar a cavalo e nem montar móveis de casa. — sentei-me.

Naruto meneou a cabeça negativamente boquiaberto e foi pisando duro para a pista com a bola em mãos. Ele estava determinado, queria ganhar, o que significa que ele quer me pedir algo deveras interessante. O jogo, devo admitir, foi acirrado por dois motivos: eu não sei jogar e Naruto estava errando demais para quem se dizia bom no jogo.

No fim, empate. E era a minha vez.

— Essa bola definirá tudo. — falei para ele – Se eu errar, você terá mais uma chance, mas se eu acertar… Bom, já sabe, né? — Naruto assentiu e cruzou os dedos.

Lancei-a, mas um barulho alto de motores potentes chamou a minha atenção. Depois de perceber de relance que eu fizera o meu quinto strike — posso afirmar que é um recorde pessoal — eu fitei a porta. Fui até Naruto, para olhar melhor, e percebi uma estranha movimentação naquela parte: pessoas se afastando, alguns até deixando o lugar e outros estremecendo de medo. Fitei Naruto e ele deu de ombros, entendendo menos ainda o que estava acontecendo.

Um grupo de pessoas se aproximou, talvez umas quinze ou mais, cuja a única coisa em comum, que me informava que aquilo era um conjunto, ou uma trupe, era o fato de usarem jaquetas de couro pretas com uma nuvem vermelha estampada nas costas delas. Pelas janelas vi alguns estacionarem suas motos e entrarem no estabelecimento. Uma gangue de motoqueiros? Que interessante. Ainda bem que deixei Marley num local estrategicamente escondido.

Dei de ombros e fui para lanchonete. Aquele jogo todo me deu sede. Naruto veio apressadamente atrás de mim, acompanhando-me na escolha do refrigerante. Ele tentava, a todo custo, ficar exatamente na minha frente, como se, dessa forma, pudesse sumir da linha de visão de alguém. Alguém que estava atrás de mim.

Fitei minhas costas e só vi a tal gangue da nuvem vermelha se aproximando aos brados. É oficial: eu fui teletransportado para um filme da década de 80 da Sessão da Tarde. Meneei a cabeça negativamente ao ver toda aquela demonstração desnecessária de anarquia e poder que eles repassavam ao derrubar alguns objetos e provocar furdunço.

— Aqui está, senhor. — a moça da lanchonete me entregou os dois refrigerantes e eu dei um a Naruto. Ele pegou-o e correu para o outro lado do balcão, pois esse era um retângulo, cujo um dos lados estava na parede e o outro se voltava para a tal gangue, se abaixando ali. Fui até ele, sem entender a razão daquele comportamento.

— Ei. — chamei.

— O que? — ele sussurrou. Naruto sussurrou? Definitivamente tem alguma coisa errada.

— O que você está fazendo sentado aí? – falei, colocando o refrigerante no balcão e o levantando a força com um braço. — Porra, é uma criança que tem medo de gente de jaqueta de couro?

— Não! Eu ‘to tentando salvar nossa noite! – respondeu, assustado. — A gente pode ir agora? — seus olhos imploravam.

— Só me explica o que é que vai estragar essa noite, para eu não descarregar a minha raiva em você e depois ficar me dizendo que não tinha culpa. – falei, enquanto era empurrado para a única saída, que era a entrada, por trás de todos os bancos e todas as pessoas.

Fomos para fora, para o estacionamento pouco iluminado pelos postes e pelo letreiro.

— Eu não sei se você lembra, mas eu ERA dessa gangue. — neguei. Eu não sabia que Naruto fazia parte de gangue alguma — Não lembra do dia que nos conhecemos?

— Lembro. — cruzei meus braços.

Seus olhos me disseram que ele estava prestes a desistir de me contar.

— Sasuke, só vamos embora, depois te conto o que você quiser saber.

— Raposinha! — aquela voz fez Naruto estremecer de tal forma que eu pensei que ele iria cair no chão. Girei lentamente meu corpo e encarei o dono da voz. Um homem ruivo, um pouco mais baixo que eu, talvez da altura de Naruto, meio magro meio gordo, com piercings espalhados pelo rosto inteiro e andava com sua jaqueta posta sobre seus ombros, como se fosse uma capa — Quanto tempo, não é?

Então esse cara conhece Naruto e Naruto conhece esse cara? Faz sentido, já que ele disse tão enfaticamente que fizera parte daquela gangue — com o sentido de que não fazia mais — e parecem ser íntimos, visto o apelido. Mas qual a razão de todo esse medo? Não é só um cara?

— Ah, oi, Yahiko, que surpresa te encontrar por aqui. — começou a me empurrar. — Mas já estamos de saída. — não vou contrariar, não ainda. Comecei a andar.

Ele correu e puxou Naruto pelo casaco, tirando-o de perto de mim. Fitei as minhas costas e depois vi Naruto sendo abraçado por aquele cara. É o quê? Virei-me para eles e coloquei as mãos nos bolsos, tentando entender que porra era que estava acontecendo.

— Sentiu minha falta, raposinha? — ele deu um riso safado enquanto uma de suas mãos descia para o seu traseiro. — Claro que sentiu. Eu te fiz viver momentos memoráveis.

— Me lembro de você me mandando deixar de ser tão infantil, seu imbecil. Agora, me solta! — ele falou com os dentes trincados enquanto tentava se afastar do ruivo, forçando seus braços no peito do outro. Mas aquele tal de Yahiko não o soltava.

— Você sempre foi uma raposa arisca! — ele lambeu os lábios — Mas agora, se tornou uma raposa arisca deliciosa. — então a bunda de Naruto foi apertada — A minha garupa pode ser sua, se você voltar para mim, Naruto.

O resto da gangue começava a se aglomerar perto de nós, isto é, perto de Naruto.

— Não volto para você nem morto, seu doente! — ele grunhiu.

Continuei assistindo aquela cena, analisando cuidadosamente cada informação, ponderando-as.

— Ora, Naruto! — ele tentou beijá-lo, mas o loiro socou sua cara e conseguiu se afastar um pouco, pois fora impedido por outro dois homens, um costurado e outro de cabelos pintados de branco — Merda, cara! Mesmo assim você continua delicioso! Não entende, não é? — ele foi até Naruto, que era segurado pelos dois caras. — Eu e você temos uma conexão! Desde o dia em que você entregou de bom grado esse seu cuzinho pela primeira vez para mim.

OI?! É O QUÊ, MEU FILHO?! Esse maluco zicado tirou a virgindade de Naruto?!

— Com licença. — pigarrei alto.

Chamei a atenção de uma parte deles para mim. Yahiko me fitou enquanto uma mulher de cabelos multicoloridos murmurava algo em seu ouvido. Ele deu um passo em minha direção e os homens que seguravam Naruto se viraram também. Se Maomé não vem até a montanha, a montanha vai até ele. Aproximei-me mais, ficando em distância corpo-a-corpo.

— Então você é o cara cheio da grana? — falou com desdém — O tal de Uchiha Sasuke?

Sorri diabolicamente, apresentando meus olhos vermelhos a ele. Num giro de corpo, acertei o calcanhar da minha bota em sua mandíbula. Ele foi aparado por dois homens, mas não teve tempo de ficar de pé, pois eu acertei uma voadora de dois pés em seu peito, jogando ele e os dois homens contra as motos que estavam atrás deles.

Eu vi no chão um cano abandonado. Peguei-o, arregacei as mangas das minhas roupas e acertei com todas a minha força as barrigas de mais dois que tentaram me atacar por trás, eles caíram cuspindo. Continuei indo até Yahiko. Girei o cano e deixei a gravidade fazer o estrago, mas ele escapou rolando por cima de um dos que eu derrubara e correu para longe.

— Ficou louco, playboy?! — ele abriu os braços, sua fala saiu com dificuldade — Você não sabe com quem está lidando, seu merda!!!

— Você também não. — rebati com a voz grave. Joguei o cano no chão e puxei de detrás da minha calça algo que eu escondera bem. Engatilhei-a e comecei a disparar nos outros membros da gangue, que corriam para todos os lados, tentando subir nas motos ou correr para longe.

Mirei em uma das motos e atirei no tanque. Ela explodiu levando mais três motos consigo, numa explosão digna da Segunda Guerra Mundial. No susto, Naruto foi solto, jogando-se no chão para se proteger, e eu me virei, atirando na cabeça de um e na cintura do outro. O primeiro caiu morto e o outro se arrastou como pode para longe. Encarei Yahiko, jogando o pente vazio de balas no chão, retirando outro de onde estava a arma e recarregando-a.

Atirei de novo no que se arrastava, matando-o. Eu acho que uns três escaparam correndo para a fronteira que separava Konoha de Suna. Virei-me para Yahiko e sorri.

— Eu não sou Uchiha Sasuke. — falei com um tom perigoso — Não, eu não sou. — atirei em sua perna, ele gritou de dor — Eu sou o namorado de Naruto! — arregalei meus olhos e dei uma coronhada em sua cara — E adivinha? — agachei-me, sorrindo feito… — Eu sou o diabo!

Ele gritou mais alto e eu atirei em sua boca, espirrando sangue na minha cara. Fechei meus olhos e respirei fundo. Merda. Soltei El Diablo. Eu não devia ter feito isso. Busquei um lenço em meu bolso, fui para uma torneira que tinha perto da pista, retirei meu casaco, que não se sujara milagrosamente, e comecei a lavar meu rosto e as minhas mãos depois de guardar a arma.

— Merda… — resmunguei, olhando para o lenço todo vermelho. — Belo príncipe...

Ouvi outra explosão, dessa vez menor. Levantei-me e fui ver em que estado catatônico Naruto ficara depois da minha breve “explanação”. Pois é, eu disse que a delinquência de Naruto não era nada comparada aos meus surtos raivosos.

— Foi pior do que eu imaginava… — Naruto gemeu. – Merda, Sasuke, o que você fez?

— Matei eles. — falei tranquilamente, ajudando-o a se levantar.

— Exato! – falou, atônito. — Não acha que já tem problemas demais para estar envolvido com assassinatos?

Suspirei, tomei sua mão e puxei-o para perto da minha moto. É hora do Príncipe entrar em ação de novo. Enlacei a cintura de Naruto com um braço e com a outro trouxe seu rosto para mim, iniciando um beijo lento, com as línguas começando aquela dança serpenteosa, para só então eu intensificar, pressionando seus lábios contra os meus.

— Tudo bem, Naruto. – sussurrei, trazendo-o para o meu peito — Eu sou um homem jurado de morte, é óbvio que mais cedo ou mais tarde eu me envolveria em assassinatos, mas não se preocupe… — beijei-o de novo — Eu sou o diabo, esqueceu?

— Seu idiota. — ele me deu um soquinho de leve no peito. — Muitas pessoas dependem de você. E Maiko? E Itachi? E eu…? — sua voz transmitia uma profunda angústia.

Peguei os capacetes e entreguei um deles a Naruto.

— Vamos sair daqui. – falei, montando na moto — Vamos para sua casa.

— De qualquer forma você acabou fazendo um favor ao mundo. Esses babacas nunca trouxeram nada de bom para ninguém. — falou com nojo, assim que subiu na moto também.

Eu não disse mais nada. Acelerei e fui ouvindo o vendo batendo contra minha viseira enquanto seguia para a casa dele. Droga, matei doze pessoas e por vontade própria, de consciência limpa e tudo por quê? Porque um idiota de merda filho da puta vindo da casa do caralho no último círculo do inferno disse que tirou a virgindade de Naruto a pedido seu! Acelerei mais, chegando a 120 km/h. Não que eu me importe com quem ele ande transando, mas Shisui contratou Naruto quando esse animal tinha quinze anos, e eu o conheci aos treze, isso quer dizer que Naruto era só uma criança, indefesa, maluca das ideias, com prováveis problemas com os pais e esse tal de Yahiko só se aproveitou disso!

E ainda por cima, estilo a cereja do bolo, o babaca pega naquela bunda que é minha e tenta beijar naquela boca que me pertence. Mas ele era muito louco por não saber que ninguém, absolutamente ninguém, deve se meter com o que é do diabo. Respirei fundo e pensei em Naruto, na minha garupa, apertando o abraço, com medo da aceleração.

Desviei do centro e segui para a rodovia externa, um caminho mais longo, porém encantador de se ver a noite. Retirei meu capacete sem parar a moto, e coloquei-o no braço. Fui devagar, permitindo que Naruto se acalmasse, que meu espírito se acalmasse. Os sons da mata, o cheiro da terra molhada, os barulhos do riacho próximo, as sensações da brisa fria da noite, tudo isso fora como um anestésico na minha alma. Retirei uma da minhas luvas de couro, ficando com ela presa entre meus dentes, e toquei a mão trêmula de Naruto em meu peito.

— Calma. – disse, mesmo que ele não pudesse ouvir — Estamos vivos e estamos juntos agora, não tem porque sentir medo. — entrelacei seus dedos, diminuindo mais um pouco a velocidade. Eu ia 40km/h agora. — Só… Esqueça. Deixa que isso eu carrego por você.

Acho que posso ser um “Príncipe” de vez em quando, de certa forma, eu vejo que causa boas reações nas pessoas. Meu peito relaxou e eu senti minha alma flutuar. Mais um ciclo se encerrara em mim, fechando-se num anel perfeito. Eu não tinha porque me preocupar.

— Juntos… — ouvi seu murmúrio.

Sorri, soltando devagar a sua mão e voltando a controlar Marley, fazendo seu motor roncar alto, de modo rasgado, na direção da casa de Naruto.

— Dessa vez não, Naruto. Dessa vez não.

Notas finais
DiAngelo: Quem curtiu o Príncipe? Eu ñ, num vô mentir, prefiro o capeta mesmo! E esse ciúme diabólico/matador do capiroto? É aquele velho momento q a pessoa corre pras colinas, com medo até dele escutar a respiração da pessoa! O.O Sério, to sem fala aqui. E aí? Cs gostaram? Quero saber tudo! Então comentem. Vlw Flw o/ Nonna: Quem disse que o diabo não podia ser um príncipe? Uuuuhhhh gostaram, num foi? Eu sei que foi! Podem admitir: Naruto arrumou um cabra hômi, escroto, perigoso, que NINGUÉM vai querer se meter depois dessa, foi não? Com um macho desse, Naruto casa! kkkkkkkkkk Bora afiar as facas, que essa história ainda não acabou. *puff* deixei essa no ar. Té