Cores do Meu Coração

38 Dobe 15.2 - Devolvo minha alma para o diabo


Notas iniciais
DiAngelo: Aqui, só deixarei essa para vcs refletirem um pouco: Ainda estou gritando q nem louca por causa desse cap! :') Vlw Flw o/ Nonna: Esse capítulo... Eu não sei o que dizer desse capítulo... Simplesmente eu não sei o que dizer, só posso pedir que leiam com calma, porque é AGORA! Vamo q vamo.

Dirigi rumo a minha casa com a cena de Shino chorando se repetindo em loop na minha cabeça. Deuses! Era muito coisa em tão pouco tempo. Eu realmente não sei como vou conseguir lidar com essa situação daqui para frente.

Meu cérebro? Já tinha desistido de entender as coisas há muito tempo, nesse exato momento é possível que ele já tenha se transformado em frangalhos. Meu peito? A cada instante eu sentia que doía mais, e dessa vez não era um aperto, mas aquele vazio voltando das profundezas do inferno para me destruir, aumentando a níveis alarmantes. Meus olhos? Marejavam e eu sentia uma agonia desesperadora. A dor era tão grande que eu não conseguia respirar.

Parei o carro, antes que eu batesse em alguma coisa, porque as lágrimas e a falta de fôlego não me permitiam continuar por muito tempo na direção. Saí do carro, desesperado, tentando puxar o ar para os meus pulmões com força, mas a dor no peito não deixava. Caí de joelhos, do lado da porta aberta do carro, me apoiando com as mãos no chão.

Fiquei ali, fitando o asfalto, me perguntando se isso era um castigo dos deuses por ter magoado mais uma pessoa devido a minha insensatez. Deve ser. Sabe o que é pior? Eu acho que mereço. E sinceramente, isso não é bom, não sou uma pessoa que sabe lidar bem com a culpa.

Assim que levantei meu rosto, procurando algo ou alguém que pudesse me ajudar eu vi aquela silhueta escura. Era a sombra de Sasuke, sempre em meu socorro. Vinha correndo da direção da casa de Shino e caíra de joelhos ao meu lado.

Eu ainda pensei em continuar me auto afogando em culpa e dor. Se era um castigo, eu merecia e tinha que aguentar, não é? Mas não dava! Tentei me apoiar em seus braços, forçando meus pulmões a puxar o fôlego que eu necessitava, mas nada de ar. As lágrimas não paravam de escorrer dos meus olhos. Eu ia morrer! Não podia nem falar que sentiria sua falta, porque se eu não tinha fôlego para respirar, imagina para falar. Só podia olhar para ele desesperado. Deuses, não acredito que isso esteja acontecendo!

A sombra olhou para o fim da rua, parecia procurar por algo. Ergueu-se e correu para a escuridão, desaparecendo depois de virar numa esquina. Não, não, não podia me deixar! Sozinho não, eu não quero morrer sozinho! Não sei como, mas consegui soluçar, o que não fez sentido nenhum para meu cérebro desoxigenado.

Meu choro silencioso acabou sendo interrompido por alguns soluços. Não acredito que quando mais preciso, Sasuke me deixa. O buraco no meu peito pareceu dobrar de tamanho e eu não aguentava mais suportar meu peso, cai no chão, com o rosto no asfalto.

De repente ouvi uma voz longe, era como um grito perdido. Tentei ver o que era. Com as poucas forças que me restavam eu vi novamente a sombra de Sasuke, mas ela não estava sozinha. O dono viera com ela. Não sei como consegui, mas esbocei um sorriso ao vê-lo.

— Sa… Sasuke… — tudo o que saiu foram sons soprados, tenho certeza que ele não ouviu. Estendi minha mão para ele.

— Naruto?! — falou, ao ficar bem mais próximo do começo da rua onde eu estava. — Naruto!!! — e acelerou para vir ao meu encontro. — Kami-sama!!! O que…?!

Então sua imagem estava perto de meu corpo, os olhos vermelhos e a respiração ofegante, e senti minha mão estendida ser apertada por ele. Fui virado repentinamente e senti meu peito ser pressionado. Não entendi o que estava se passando, mas só de tê-lo perto de mim, já me senti pronto para morrer. Arfei.

— De novo não, deuses, de novo não!!! — ele me tocava e me olhava como se procurasse algo em mim. — NÃO OUSE MORRER, SEU IMBECIL!!! — ele gritou. — Você não vai morrer, não nas minhas mãos…! — seus olhos encontraram os meus. — Já fizemos isso antes, lembra?! Se concentra na minha voz, só na minha voz! — eu não conseguia mais sentir nada, apenas via o brilho de seus olhos e ouvia sua voz. — Não desiste, cara… Não faz isso com… Pense em… Nar... — sua voz sumiu completamente. Eu já não ouvia mais nada.

Senti minhas pálpebras pesarem. Pelo menos morrerei com a visão de Sasuke em minha mente, olhando para mim, preocupado comigo. Que bom, apesar de ser um jeito horrível de morrer.

De repente me vi num mar tão escuro que a luz parecia ser um mero sonho perdido num tempo bem distante de mim. Eu estava mergulhado e afundando nessa escuridão. Era denso, sufocante e assustador, era como se eu estivesse envolto em tudo o que há de ruim no mundo. Olhei para meu corpo e vi que a pouca luz que me permitia distinguir aquele lugar era a que vinha do meu próprio corpo, mas estava se apagando. Isso é morrer?! Não, não quero!

E de repente eu senti meu corpo ser violentamente empurrado e puxado ao mesmo tempo, num único sentido, no sentido da suposta superfície. Foi tão intensa e violenta a força aplicada em mim que mal tive tempo de entender todo aquele mal que queria me consumir.

Quando abri os olhos, eu flutuava numa imensidão azul, onde um sol intensamente belo brilhava atrás do ser que me puxava. Parecia com um anjo negro perdendo suas penas e em seu rosto, um brilho vermelho. Me virei lentamente e atrás de mim estava aquele mar de pixe, que parecia se alongar para me pegar, mas havia algo que o impedia. Era um ser grande, negro, com garras e algo parecido com uma cartola, ainda mais assustador que o mar, e quase impossível de separá-lo daquela escuridão. Fora ele que me empurrara, eu sentia isso.

Lentamente ele ergueu o rosto, ou que eu penso ser o rosto, e um raio de luz vermelho passou por onde deveriam ser olhos. Nesse momento eu pisquei firmemente e senti meu corpo pesar, quando enfim abri os olhos de novo, eu encarava o céu noturno. Pisquei um pouco. Não é o céu, são os olhos de Sasuke. Ouvi seu longo arfar e algo como uma fumaça branca e gelada saiu de sua boca, passando por meus lábios e indo até o fundo de meus pulmões.

Arregalei meus olhos quando senti meu corpo voltar ao normal como se um demônio saísse de dentro de mim, levando tudo que havia de doloroso em meu peito. Sincronizadamente, Sasuke se afastou e eu me sentei, olhando em volta. Eu o vi cambalear de pé, até se chocar contra um poste e deslizar até ficar sentado no meio fio, perto do meu carro. Sua sombra não passava de um borrão escuro, ao lado de seu corpo, nem havia o brilho rubro nos olhos.

Sasuke dobrara as pernas e apoiara os braços nos joelhos. Ele estava com a camisa aberta e muito suado, ao ponto que linhas de água se formavam em seu peitoral e gotas pingavam de seu nariz, pois sua cabeça estava abaixada. Seus dedos tremiam em espasmo involuntários e eu conseguia ouvir sua respiração pesada e ofegante.

— O que você fez? — perguntei a Sasuke, olhando para o seu rosto, enquanto me levantava lentamente, assustadíssimo.

— Nunca mais faça… — sua voz se aproximava a da época que ele ferira as cordas vocais. — Isso… — ele ergueu o rosto o suficiente para que eu visse o brilho de seu olhar poderoso. — Na caralha dessa sua vida... — ele me repreendeu baixo, enquanto tentava respirar, no mesmo momento a lâmpada do poste estourou, mas nenhum caco pegou em Sasuke. — Nunca mais… Ou eu mesmo termino de te matar! — ele ficou “escondido” atrás das luzes dos faróis do meu carro, no escuro da noite.

— Eu nem sei o que foi isso! — me defendi. — Estava tudo bem e de repente eu não conseguia mais respirar.

— Esse é o seu problema, Naruto... — eu só conseguia ver os olhos vermelhos de Sasuke, e sei que não me olhavam, pois todo o resto se mesclara com sua sombra. — Você não se toca do que acontece… Nunca te disseram que você pode se afogar em suas mágoas… — eu o vi se levantar com dificuldade, quase caindo sobre meu carro. — Seu sofrimento foi tão forte que se apossou de seu corpo… Você quase morreu...

Ele ficou apoiado no capô de meu carro, tentando respirar normalmente.

— A dor da alma… Pode matar… E é mil vezes pior… Que a dor do corpo. — ele arfou pesadamente. — Se estiver com um problema… Desses que te deixam mentalmente em caos, não enfrente sozinho… Se não puder… Procure alguém que… — ele estalou a língua. — Fale comigo… Eu sou sua soulmate, Naruto, o que você sente, eu sinto.

Sasuke começou a caminhar, na direção de onde viera. Ia devagar, passo a passo, e mesmo que estivesse contra as luzes do meu carro, eu sabia que ele estava exausto, esgotado, no seu limite, apesar de não entender bem como ele chegara a esse ponto. Eu o vi se escorar em outro posto e a luz dele queimar. Sasuke continuou caminhando e a luz tornou a acender. Devagar, ele ia se afastando, cambeleando, eu já via a hora dele cair desmaiado.

— Para onde você está indo, imbecil?! — perguntei, irritado. Sério, o que esse retardado tem na cabeça?

— Farmácia… — tentou falar alto e apontou para a esquina do segundo quarteirão. — Eu preciso de aerosol… — ele disse mais algo que não pude ouvir dada a distância.

O que?! Como assim? Ele pretende ir como? Se arrastando igual a uma cobra? Só pode! Revirei os olhos de impaciência enquanto entrava no carro e o ligava novamente, dirigindo até Sasuke e parando o veículo ao seu lado.

— Deuses! Entra no carro então, eu te levo! — Sasuke simplesmente abriu a porta do veículo e entrou, forçando o peito a respirar.

Rapidamente levei-o para a farmácia e pedi o tal aerosol. Sasuke sentou numa cadeira e ficou inalando por alguns instantes, eu fiquei de pé, ao seu lado, vendo-o aos poucos recobrar as forças e a capacidade de respirar. Dez silenciosos minutos depois, o diabo “ressuscitara” e agora caminhava de camisa aberta e cigarro nos lábios para fora da farmácia. Como a pessoa mal consegue voltar a respirar normalmente e já está fumando? E ainda por cima andando seminu pela rua, fato esse que resolvi ignorar. Eu até pensei em perguntar qual o problema mental dele, mas resolvi deixar para lá.

O que porra foi isso tudo?!

— Sua sorte era que eu estava por perto. — falou, depois de soltar um trago. — Sério, você deu muita sorte, Naruto. São raras as pessoas que escapam vivas desses surtos. E mais raras ainda são aquelas que sabem salvar quem surta desse jeito. Geralmente, só os gurus sabem como salvar alguém do que você acabou de passar… — desviou o olhar e colocou uma mão no bolso, pois a outra ainda sustentava seu cigarro.

— Obrigado por salvar minha vida… De novo. — suspirei. — Espero sinceramente que isso não se torne um hábito.

Ele deu mais um trago.

— Eu não me importo se isso continuar… Você é uma das poucas vidas que conheço que merecem ser salvas. — disse com a cabeça meio baixa e eu pisquei os olhos, espantado. — Mas me diz… O que rolou antes de você surtar e quase morrer? — ele se encostou em meu carro e tornou a me fitar.

— Posso fazer uma lista se você realmente quer saber. — resmunguei e ele negou, rindo baixo. — O que? Qual a graça? — revirei os olhos. — Sério que você quer mesmo saber? — fiz uma careta. Não é que eu não queira falar, só acho que vai ser uma merda falar tudo o que aconteceu desse jeito. Que tosco!

— Se quiser me contar, eu posso ouvir. Sou bom ouvinte. — deu um trago e falou, enquanto soltava a fumaça. — Além de que eu estou intrigado para saber o que quase te matou.

— Eu terminei com Shino. Foi uma merda porque ele acabou comigo e com toda razão, devo ressaltar. — ri. — Sabe o que é pior? Não tinha nem como eu rebater, porque ele estava certo sobre tudo. — comentei, meio chateado. — Você sabe: Eu sou estúpido e tal. — gesticulei e ele só assentia enquanto terminava de fumar. — Descobri que ele está apaixonado por outro cara ao mesmo tempo e isso não foi nenhum pouco agradável. — bufei, tentando esconder meu ciúmes. Ainda era estranho saber que mais alguém gostava de Sasuke.

— Só não me diga que era eu. — disse, jogando distraidamente a ponta no chão e apagando com o calcanhar. — Porque aí é demais. O cara que se apaixonar por você e por mim ao mesmo tempo é doente! — ele me fitou e eu desviei meus olhos para qualquer lugar, menos para ele.

Eu odeio quando ele faz isso! Sério, Sasuke podia facilmente substituir Iruka, porque ô desgraçado para gostar de dar uma de vidente! Respirei fundo e me voltei para ele com os olhos cerrados, deixando claro eu estava MUITO desconfiado.

— Por acaso você anda me perseguindo?! — indaguei, revoltado.

— Eu estava de brincadeira. — ele franziu o cenho e cruzou os braços. — É sério?! O cara era apaixonado por mim?! Só tem doente gostando de mim nesse mundo! — ele se desencostou do meu carro e coçou os cabelos. — Acho que você e a minha família são os únicos que escapam. Mas sério… — ele me encarou, pensou em dizer algo e desistiu. — Dane-se, não quero vê-lo nunca mais, já basta de gente enchendo o meu saco!

— Hum… Acho que foi só isso… — resmunguei, baixinho. Deuses, isso não pode estar para acontecer!

Sasuke assentiu, deu de ombros e procurou seu celular no bolso. Ao encontrá-lo, disse-me que ligaria para seu motorista vir buscá-lo, de modo que eu não tinha que me preocupar mais. Ele ficou ali, parado perto do carro, observando algo em seu aparelho, até que tornou a se encostar no capô. Sua postura era praticamente um convite para eu me aninhar ali, mas eu sei que deve ser coisa só da minha cabeça, porque ele nem me olhar está me olhando.

Mas eu quero tanto… Tanto esse calor, esse carinho, esse colo… Eu sinto meu corpo clamar pelo dele, eu sinto em cada célula do meu ser.

— Chega! — falei, de repente. Ele tomou um susto, ficando de olhos arregalados. — Isso é torturante, Sasuke! Para mim já deu! — resmunguei, esfregando os cabelos nervosamente. Foda-se! É agora ou nunca.

— O que foi agora? — falou, em “modo de defesa”.

— Eu não consigo, ok?! Ser só seu amigo é horrível! — fitei-o, apertando minhas têmporas. — Parece que eu estou sendo testado a cada segundo!

— Mas que porra é essa, homem? Do que é que está falando? — ele se levantou do capô e se aproximou um passo de mim. — Cara, se você acha insuportável ser meu amigo, devia ter dito logo. — ele esfregou os cabelos. — Por que eu acho que não é disso a que você está se referindo...

Respirei fundo e o fitei intensamente, me decidindo. Eu vou lutar dessa vez, como o verdadeiro Uzumaki que eu sou. E com tudo o que está ao meu alcance.

— É insuportável porque minha pele queima, desesperada pelo seu toque. — comecei a me aproximar dele, ansioso. — Porque meus olhos te procuram a todo instantes. — visualizei todo o seu rosto e voltei a fitar seus olhos, febrilmente. — Porque meu corpo parece frio sem o seu calor. — estremeci. — Porque meus lábios necessitam dos seus. — ofeguei, assim que o alcancei, descansando minhas mãos sobre seu peitoral. — Porque eu sinto falta de seus braços. — encostei minha cabeça sobre seu peito e fechei os olhos. — Porque eu estou fudidamente apaixonado por você e eu não aguento mais tentar esconder isso, Sasuke.

Suas mãos vieram para os meus bíceps e ele me olhou com um nível de intensidade que eu mal conseguia distinguir sua pupila de sua íris, de tão negras que estavam. Seu rosto foi se curvando e sua testa tocou a minha, deixando as pontas de nossos narizes se roçando. Nessa hora meu coração já estava batendo tão rápido que eu achava que ia ter infarto ali mesmo. Eu sentia seu hálito gelado mesclado ao sabor forte do uísque contra os meus lábios. Suas mãos subiram dos meus bíceps para os meus ombros, desceu pela linha das minhas costas, como se sentisse cada músculo, até chegar a minha cintura.

Seus olhos não pararam de me fitar de uma forma como se quisesse me tragar, mas ainda senti suas mãos grandes tocarem com lentidão o meu bumbum, como se verificasse cada centímetro do meu corpo ao seu alcance. Sasuke guiou uma mão para frente enquanto a outra subia para a minha nuca e eu senti algo ser retirado do meu bolso.

Quando eu entendi o que se passava, eu já estava dentro do meu carro e Sasuke estava no volante, zunindo pelas ruas de trânsito tranquilo de Konoha. Notei-o ficar ofegante, tornando a suar, dirigindo com muita habilidade, porém pressa. Logo estávamos subindo um estacionamento até o terraço, assim que lá chegamos, ele estacionou, quase fazendo um cavalo de pau com meu carro. Sasuke desligou o carro e saiu, com cuidado, mas logo ficou andando de um lado para o outro, do lado de fora, parecia com Shisui quando começava a pensar em um milhão de coisas ao mesmo tempo.

— Naruto, eu… — falou, ao parar, de costas para mim, com o peso apoiado em uma perna e com as mãos na cintura. — Eu não te amo… Eu não estou apaixonado por você e te considero um bom amigo. — ele se virou para mim no momento que saí do carro e ergueu os braços. — Eu gosto de você e sinto sua falta, mas não é nada que me impeça de viver, Naruto. O que eu sinto por você não é dez por cento do que sente por mim… Claro que eu tenho um tesão enorme por você, mas… — ele colocou as mãos na cintura de novo e desviou o olhar. — Eu não quero que sofra, Naruto, nas minhas mãos por essa falta de reciprocidade. — virou-se de costas, esfregando os cabelos e deixando as mãos sobre a cabeça. — Eu ainda estou tentando entender como você se apaixonou por mim.

Pode parecer uma rejeição, mas estamos falando de Sasuke. Ele só está explanando as coisas, o seu ponto de vista, deixando tudo claro para mim. Não me entristece saber que ele não me ama, aliás, saber não, porque eu já sabia disso. Por isso que guardei esse sentimento só para mim, mas eu realmente cheguei no meu limite. Não vou desistir.

— Você é muito modesto, Sasuke. — sorri, mesmo que ele não pudesse ver. — Qualquer pessoa que te conhecesse poderia facilmente se apaixonar… — suspirei. — Eu sei que você não ama, eu sempre soube… — dei de ombros. — Mas e daí? É muito pior ficar longe de você. — ele se virou, colocando-se de perfil e os ventos da noite sacudiram suas roupas e seus cabelos. — Eu quero tentar de novo. Se você me permitir, claro. — fitei-o, um pouco nervoso. — Me deixa tentar mudar isso…

Sasuke virou-se completamente para mim e cruzou os braços, ouvindo-me e me olhando com muita atenção. Ele caminhou um pouco até ficar a uma distância de prováveis cinco passos de mim, descruzou os braços e colocou as mãos de volta na cintura. Estava sério, mas não como se desgostasse das minhas palavras, sua seriedade era concentração. Ele prestava atenção unicamente em mim e eu podia ver isso pelo seu olhar.

— Mudar? Me mudar? — perguntou, numa tentativa de me entender.

Sorri e revirei os olhos.

— Não, bobo. — ri. — Por que eu iria querer que você mudasse? — arqueei a sobrancelha. — Estou dizendo que… Você pode ser conhecido como diabo, mas nunca conheci pessoa mais amorosa. — olhei para o chão, provavelmente corado. — Você pode me amar também, não pode? — Merda! Estou com medo de sua resposta. Kami, me dê forças!

Ouvi Sasuke se aproximar. Eu vi sua mão tomar a minha e foi erguendo-a devagar, acompanhei o movimento com o meu olhar e vi a palma de minha mão ser pressionada contra seu peito, um pouco mais para o lado esquerdo. Senti de novo aquela corrente elétrica que eu sentira quando nossas cabeças se chocaram na briga de bar, mas dessa vez não me causou dor ou desconforto, era como se fosse uma carga poderosa de vida em mim. Fechei meus olhos por um momento e eu ouvi um coração forte batendo contra minha mão. O coração do diabo, o coração de Sasuke.

Sua mão segurava a minha ali, contra a sua pele, e eu sentia o coração dele bater. Ele fez meus olhos encontrarem os dele e eu vi um sorriso gentil em seus lábios, apesar de suas sobrancelhas franzidas fazerem aquela expressão parecer um pedido de desculpas.

— Essa é a prova que eu posso aprender a amar. — um coração de carne, batendo contra a minha mão. — Eu aprendi a amar minha Maiko, aprendi a amar o meu irmão que me abandonou, aprendi a me amar, Naruto. — ele afastou minha mão de si e deu dois passos para trás. — Por que eu não poderia aprender a te amar? Você já foi tudo nessa vida para mim: meu inimigo, meu rival, meu amigo, meu namorado, meu ex-namorado, meu quase-amante, meu motivo de ira e meu segundo motivo de paz. — ele me olhou de forma sagaz e sorriu de lado. — Está me pedindo em namoro, Uzumaki Naruto? — estreitou o olhar daquele jeito tão “Sasuke”.

Deuses! Como diabos ele faz isso? Mudar da água para o vinho em segundos. Depois diz que eu sou exagerado quando falo que ele é bipolar. Agora me digam, é ou não é bipolar?

— Olha, minha intenção não era essa, mas até que não é má ideia. — sorri, mordendo o lábio. — Você quer namorar comigo, Sasuke?

Ele riu de forma tão espontânea, daquela forma que abrimos bem a boca ao ponto de quase fecharmos os olhos, que eu quase vomitei um arco-íris. Sasuke veio até mim e agarrou com pegada a minha cintura, encostando-me contra o carro, seu rosto voltando a se aproximar do meu e eu sentia que a qualquer momento seria beijado da exata forma como quero.

— Sem restrições, exatamente como eu sou a cada dia? — indagou, subindo suas mãos por minhas costas. Seu sorriso se desfez e ele suspirou, olhando-me com intensidade.

— Sim, com você. — subi minhas mãos para seu pescoço e as enlacei ali. — Do jeito que você é, não com um personagem que você criou. — devolvi o olhar.

— Eu aceito. — sussurrou, baixando mais o rosto para beijar o meu rosto. — Aceito te namorar, Naruto, e prometo não fingir ser quem não sou… — outro beijo em minha bochecha. Eu sorri, satisfeito.

Ele me olhou e suspirou, deixou as minhas chaves em minhas mãos e deu a volta no veículo, para poder entrar nele. Sentou-se no banco do carona e ficou lá, quieto, esperando-me. Eu estava tão feliz que nem me importei em achar aquele comportamento estranho. Respirei fundo, ainda sorrindo que nem um retardado e entrei no carro também.

Não tive tempo de assimilar bem as coisas. Num instante eu estava admirando o rosto do meu, enfim, namorado, completamente orgulhoso de ter conquistado esse feito. No outro, eu estava sentado no colo de Sasuke, beijando-o com tanta vontade e tanto desejo que não sei como não tive uma ereção. E quem se importa de entender? Eu só quero beijá-lo.

Preciso deixar claro uma coisa aqui: sentar no colo de Sasuke, enquanto o beijo vorazmente, e passar a mão em seu peito suado e desnudo é uma situação interessante, MUITO interessante.

Nos soltamos para buscar ar e aproveitei esse tempo para montar em seu colo. Dane-se, eu não aguento mais, eu quero essa boca e quero agora! Sasuke abocanhou meus lábios e afundou no estofado do banco, me puxando mais para si e me beijando sem um minimo de pudor. Ele abraçava o meu corpo de tal forma que me parecia estar dizendo que eu era dele e só dele, e ninguém, absolutamente ninguém poderia mudar essa máxima. A verdade? Era isso mesmo. Eu era dele. Ora eu chupava seus lábios, ora ele chupava os meus, mas nós dois arfávamos completamente envolvidos pelo ósculo.

Sasuke tirou as mãos do meu corpo, colocou-as em minha cabeça e iniciou uma série de beijos por cada ponto do meu rosto e do meu pescoço que sua boca alcançava. Quando ele começou a beijar meu pescoço, aproveitei para matar a minha saudade do dele. Parecíamos dois vampiros bebendo seus sangues mutuamente, dada a fome dos beijos. Sasuke agarrou meus cabelos e me afastou do seu pescoço. Fitou-me com desejo e arfou.

— Eu quero tanto te fazer gritar meu nome enquanto te fodo. — eu senti sua mão apertar minha bunda possessivamente. Ele me trouxe de volta para seus lábios e nos entregamos ao ósculo de novo. Sua boca beijava-me como se há anos não nos tocássemos.

Minha nossa! Esse homem acaba com a minha vida desse jeito! Como diabos ele fala uma coisa dessas logo agora? Puta que pariu! Sasuke não é gente, minha gente!¹ Ele só soltou a minha boca para respirar, sem parar de me encarar.

— Então faz, mas faz logo, por favor! — murmurei, ofegante e meio desesperado.

Ele negou e se aproximou de mim de novo para me beijar.

— Não posso… Não sem você me conhecer antes. — sussurrou em meu ouvido. — Se depois que souber quem eu sou… — suas mãos pararam de me provocar. — Ainda me quiser, eu vou te fazer gritar enquanto te fodo. — beijou a minha bochecha e acariciou meu cabelo.

Encostei minha cabeça em seu ombro e gemi, frustrado.

— Isso vai demorar muito? — perguntei, quase choramingando. — Eu juro que não me responsabilizo pelos meus atos se você disser que sim.

— Não… — ele ergueu meu rosto e sorriu. — Amanhã eu e você vamos conversar… Vamos nos entender e se tudo correr bem, talvez… — deu de ombros. — Quem sabe? Amanhã, às dez na minha empresa, eu vou me reunir com você para conversarmos. Consegue aguentar por mais um dia? — sussurrou, deixando um beijo carinhoso em um dos meus olhos. Sério. Sinceramente, como não se apaixonar por uma criatura dessa?!

Assenti, sorrindo. O que é mais um dia próximo da insanidade, não é? Fazer o que? Estamos falando de Sasuke. Ninguém seria capaz de fazê-lo mudar de ideia quando ele está decidido a algo. Só posso concordar e esperar ansiosamente. Ficamos alguns minutos “namorando”, só trocando beijos dentro do meu carro, quando o motorista de Sasuke chegou para buscá-lo. Ele foi embora dizendo que iria me esperar com ansiedade. Aí eu te pergunto: como eu vou sobreviver até amanhã depois de uma dessa?

Entrei no meu carro e dei a partida, mas senti uma presença conhecida ao meu lado. Fitei o banco do carro e lá estava ela, sua sombra, de braços cruzados e me olhando. Droga, Sasuke sabe mesmo como me mimar. Parece que vou viver mais um dia.

Notas finais
DiAngelo: SOCORRO!!! Alguém vem me levantar do chão! Não consigo parar de rolar!!! :') Alguém me explica o q foi isso!!! FINALMENTE, eles se acertaram! Será q agora vai? E o q será q está empatando Sasuke de consumar seu desejo por Naruto? Cenas para os próximos caps! muahahahahaha Comentem, recomendem, favoritem, acompanhem, façam zuada nas redes sociais, ou seja, nos ajudem! Até :* ¹ Essa frase é patenteada por nossa leitora Lyly Uzumaki, desculpa por ter utilizado ela sem te avisar, querida! kkkkkkkkk Nonna: To correndo atrás de DiAngelo, tentando fazê-la parar de rolar, porque esse capítulo teve de tudo no mundo! Como a gente a lida com esse capítulo? :') Será que agora vai pra frente, será que agora vai dar certo?! Parece que vai, hein! E aí, negada, quero ver as opiniões de vocês sobre o que será que empata Sasuke de pegar Naruto, o que será hein? Muahahahaha! O próximo capítulo está SEN-SA-CI-O-NAL, então não percam! Comentem, recomendem, favoritem e compartilhem com seus amigos essa fic. Só digo essa: vai ser O capítulo.