Corações em Missão Secreta
5 Capítulo 5 - Tec Color - Parte 1 - (Edward e Bella)
Notas iniciais
Depois daquela reunião, os detetives mal conseguiram dormir ou descansar, com medo do plano.
Tudo estava diferente: as ruas, as cores das coisas. Até as atividades que costumavam gostar de fazer no tempo livre pareciam um mergulho em água gelada.
Porém, não era possível fugir daquilo. Era como tentar escapar da própria sombra: impossível.
Na quinta-feira — o dia em que a missão aconteceria — tudo amanheceu em preto e branco para eles. Ninguém sequer tentou dirigir até o trabalho, pois se sentiam como se tivessem bebido litros e litros de álcool.
Assim que se reuniram na sala chamada “Ordem e Ação”, onde acontecia a reunião final antes de cada missão, todos — inclusive a policial militar — estavam sentados em cadeiras. Os detetives ocupavam a primeira fileira, já com seus disfarces.
Bella não passou maquiagem, deixou os cabelos bagunçados, não usou perfume e vestiu uma roupa que seu chefe havia comprado em um brechó, para parecer que não tinha condições de adquirir peças mais caras. Edward fez o mesmo.
O chefe começou a falar, e todos ficaram em silêncio.
— Bom dia — disse ele, recebendo o cumprimento de todos. — Hoje, vamos iniciar nossa missão. Os detetives Edward Cullen, Isabella Swan, Jacob Black e Renesmee Blackwood irão invadir a fábrica Tec Color. Vocês, policiais, ficarão entre as árvores que cercam o local.
“Dois dos nossos detetives, Edward e Bella, entrarão como funcionários às 11h30 e cuidarão dos guardas no interior da fábrica, enquanto Renesmee e Jacob cuidam dos guardas do exterior.”
“Precisamos pegar esse cara hoje, pois ele é responsável por muitos desaparecimentos de pessoas inocentes. Então, detetives, façam isso como se a vida de vocês dependesse disso.”
Para finalizar, disse:
— Obrigado.
Todos saíram da sala e foram para seus carros ou para as viaturas.
Bella e Edward seguiram cada um em seu carro. Renesmee e Jacob foram juntos em outro, pois iriam para um ponto próximo de onde o caminhão-pipa saía. Você pode achar que eles se despediram, mas não — eles acreditavam que se veriam novamente.
Bella dirigia pela rodovia que levava até a fábrica. Estava nervosa, mas se tranquilizou quando olhou pelo retrovisor e viu Edward dirigindo atrás dela, com sua habitual elegância.
Depois de alguns minutos, avistou a fábrica. Era grande e tinha uma aparência bastante tecnológica. Encontrou uma vaga no estacionamento e parou ao lado do carro de Edward, que havia chegado primeiro. Pegou sua bolsa e saiu do carro.
Edward não disse nada, mas o medo estava estampado em seu rosto.
Eles já possuíam carteiras de entrada e crachás de funcionários. Para se ter uma ideia do descaso da empresa, não se importavam com entrevistas nem com a origem das pessoas: apenas diziam quando poderiam começar e, no máximo, perguntavam o nome. Essa era a estratégia usada para “capturar” as pessoas e lucrar com elas.
Edward e Bella caminhavam em direção à portaria quando o rapaz perguntou:
— Você está com medo?
Bella soltou um longo suspiro antes de responder:
— Estou.
— Bem — começou ele —, vai ficar tudo bem.
Alguns passos depois, chegaram à portaria e apresentaram seus crachás na catraca, fazendo o portão se abrir.
A fábrica era maior do que eles imaginavam, tão grande que lembrava um castelo dos antigos reinos. Havia outras pessoas reunidas diante de um portão identificado como “Funcionários Novos”. Os guardas que Jacob e Renesmee precisariam nocautear estavam espalhados pelo enorme pátio — e eram muitos.
Eles seguiram os demais funcionários quando um homem alto, de aparência assustadora, chamou a atenção de todos.
A fábrica tinha uma boa aparência: salas com equipamentos que pareciam inovadores e tecnológicos, mas sem ninguém trabalhando nelas. Ao final do grande corredor, chegaram a um pátio com um palco à frente. Em cima dele, segurando um microfone, estava o alvo deles: Emmett. Ele tinha uma aparência atraente, mas nenhum dos dois o via assim — sentiam apenas raiva daquele criminoso barato.
— Bom dia, meus novos e queridos funcionários — começou ele, com um sorriso forçado. — Espero que todos se sintam bem-vindos à minha empresa. Como ainda estamos ajustando os setores, todos, no primeiro dia, vão ajudar limpando a fábrica.
Ninguém gostou da ideia, é claro, mas não tinham escolha.
Bella e Edward foram pegar vassouras no canto do pátio, onde os outros funcionários também se dirigiam.
— Essa é uma boa chance de conseguirmos pegá-lo — disse Edward.
— É — concordou Bella. — Eu posso… tentar flertar com ele.
— O quê?! — Edward quase gritou.
— Fica quieto. É só para distraí-lo. Assim, Jacob e Renesmee ganham mais tempo.
Edward não gostou da ideia e se sentiu mal, mas não tinha um plano melhor.
— Ok — respondeu, rabugento. — Grave qualquer coisa com a câmera.
Eles haviam colocado câmeras escondidas nas roupas e estavam gravando desde a saída da delegacia.
Bella pegou a vassoura e caminhou em direção a Emmett. Ao se aproximar, sentiu uma enorme vontade de agredi-lo, mas se conteve.
— Chefe — disse ela, suavizando a voz e deixando-a levemente sedutora —, quer que eu limpe sua sala?
Ele a encarou como se ela fosse louca, mas respondeu no mesmo tom:
— Pode fazer o que quiser, garota.
— Onde fica sua sala?
— No último andar.
— Estou indo — disse ela, seguindo em direção à escada que levava ao topo do prédio.
Sentiu nojo por precisar fazer aquilo, mas era necessário. Subiu os longos lances de escada até encontrar uma porta com a inscrição “CEO” e, abaixo, “Emmett”. Ela entrou.
O local parecia um zoológico de tão bagunçado — e, ainda assim, um zoológico seria mais limpo e organizado. Bella não prestou atenção na desordem, mas nas anotações e nos quadros nas paredes. Porém, assim que começou a ler, alguém a atacou por trás, nocauteando-a. Tudo escureceu.
Assim que Bella subiu para o escritório de Emmett tentando distraí-lo, Edward ficou furioso. Era como se fogo percorresse seu corpo. Ele olhou para o relógio e percebeu que Renesmee e Jacob estavam quase chegando.
Para não levantar suspeitas, seguiu pelo corredor por onde haviam passado antes. Aproximou-se das portas com cuidado, mas, ao espiar por uma que estava entreaberta, foi puxado por trás e apagado também.
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