Corações Indomáveis Reylo

30 Capítulo 30 Planos Secretos


O cheiro nauseabundo do local invadia as suas narinas o fazendo se sentir doente. Tentava ver os contornos do ambiente e quem estava ao seu lado, tudo girava a sua volta, subiu sua mão até a ferida em sua cabeça A luz parca da cela o turvava a vista. Percebeu que havia uma gaze em volta de sua testa. Tentou falar, porém sua voz estava fraca, sua boca ressequida, não poderia dizer quanto tempo esteve inconsciente, tudo que lembrava era o rosto aflito de sua amada e um golpe duro em sua testa. Neste momento ouviu a voz de Tomie.


— Não faça muita força, você foi ferido, mas não foi sério. — Respirou fundo. — Ainda bem que o soldado tinha uma péssima pontaria e lhe raspou a testa, nosso amigo grandalhão lhe limpou a ferida e colocou este curativo. — Assim o chefe da cozinha acenou dando um sorriso tímido. Kylo Ren se recostou na parede com a ajuda de seu imediato.


— Obrigado, amigos, pela ajuda. — Fez uma pequena careta de dor. — Como ficou minha esposa, prenderam ela também?


— Não. — Tomie respondeu de imediato. — Só nós estamos encarcerados aqui. Isto é um alívio, não? — Tentou consolar seu capitão que meneou a cabeça de modo positivo, contudo podia sentir toda a tristeza que o pirata carregava em sua alma.


O recinto estava silencioso, seus homens o analisava, sabiam que o homem tentava mascarar sua preocupação com a mulher que deixou para trás, no entanto, os subordinados de Kylo estavam interessados em saber o real motivo de seu líder em plena fuga ter decidido tão repentinamente o retorno para buscar Rey, este arrojo lhe custou a liberdade, com possibilidades de perder muito mais, até mesmo a vida. Estavam vulneráveis naquele cubículo imundo. Precisavam estar em constante vigília. Ren tentou se levantar, não conseguiu ainda se sentia tonto e nauseado devido ao ferimento em sua cabeça. Tomie se aproximou e o ajudou a se levantar. O convalescente se apoiou no ombro do homem se erguendo muito lentamente. O imediato foi interrompido antes mesmo de se pronunciar, ao notar Kylo Ren meneando a cabeça sutilmente em direção da escuridão.


— Quem está aí? — Falou num tom enérgico. Neste momento, o grupo apurou mais os seus sentidos, se voltando para a penumbra, algo parecia mover-se com cautela em direção a parca luz do ambiente. Neste momento surgiu diante deles um homem com o rosto marcado pelo tempo, tinha os ombros arqueados como se o peso do mundo pairasse em suas costas, sua respiração era pesada, como se estivesse com muita dificuldade para respirar. Levantou as mãos com muita lentidão.


— Não me machuquem, por favor sou apenas um velho inofensivo. — Sua voz saiu fraca.


Os marinheiros se entreolharam com um ar desconfiado tudo no sujeito parecia suspeito, sua aparência era de quem sofria muito devido às condições adversas em que se encontrava, no entanto, ele não parecia uma pessoa inofensiva, mesmo envelhecido e com roupas surradas, sua expressão era de um homem arguto. Encurtou a distância que havia entre o grupo e parou próximo do homem ferido, o examinou com cautela, avaliando a ferida com muito anelo.


— Cuidaram muito bem do ferimento do pirata. — Olhou com cautela para o homenzarrão que tinha uma postura protetiva. — Seu amigo soube fazer bem as ataduras.


Ren percebeu que o sujeito criava um diálogo para ter mais liberdade em suas colocações. O homem ferido não interrompeu o velho e suas afirmações. Os companheiros do Pirata dobraram os seus cuidados para não expor ainda mais o seu capitão. Neste momento ouvem um ruído vindo dos cômodos superiores, e o homem corre para se esconder na penumbra. Aquela atitude deixou o grupo ainda mais curioso em identificar quem era o senhor que tentava fazer uma ponte de comunicação com eles.


— Acredito que não irão descer agora. — Kylo falou com a voz mais firme.


— Não são homens de confiança. — Mais uma vez puderam olhar a face engelhada. O homem encarava o grupo com um semblante sombrio. — Capitão, só posso adiantar que se continuarem aqui correm muito perigo. Seria melhor planejarem uma fuga o mais rápido possível.


Kylo Ren não conhecia aquele homem, não podia confiar nele, no entanto, as palavras daquele homem eram verdadeiras. O grupo continuando ali estariam expostos à corrupção dos manipuladores daquela emboscada. O Pirata olhou com firmeza para o homem misterioso.


— Quem é você? Qual é o seu nome?


— Sou apenas um amigo. — O homem sorriu de modo horripilante.


O grupo se entreolharam e a curiosidade cresceu ainda mais para saber a identidade do homem encarcerado com eles.


(...)


A mente girava em um turbilhão de pensamentos, não conseguia firmar sua cabeça em nada tudo parecia um terrível pesadelo em que não conseguia se livrar. Tudo que viu negava para si, acreditando que se mantivesse esta mentalidade, nada daquilo que testemunhou não seria verdade, teria sido apenas um fruto de sua imaginação. O corpo todo estava dolorido, mas o que mais a afligia era não saber o que estava acontecendo com o seu marido.


Lembrava com muito pesar como o levaram de seus braços e ainda conseguiam sentir o cheiro metálico do sangue de seu amado. Uma lágrima se precipitou em sua face abatida. Estava de mãos atadas na noite do incidente, correu até o advogado amigo do marido e tudo que ouviu dele foi "para ficar em casa aguardando notícias." O que mais a consumia era exatamente isto: a falta de informações de saber como ele estava, se inteirar sobre as suas condições, se eram precárias, se cuidaram de suas feridas, se ele morreu. Cerrou os olhos com toda a sua força com o intuito de afugentar este último pensamento. Deveras esta hipótese não queria nem cogitar a possibilidade. Seu corpo inteiro tremeu e um choro incontrolável rompeu de sua alma. Os momentos sem saber nada sobre Kylo a deixava mais desesperada e deprimida.


O quarto estava numa penumbra desesperadora, o ar do ambiente era melancólico. A mulher estava encolhida na cama sem qualquer perspectiva, a ideia de um futuro sem o seu marido era desolador. Os olhos estavam inchados de tanto choro. Bea entrou no quarto com cautela indo em direção da janela, abrindo as cortinas, a claridade invadiu o ambiente ferindo os olhos de Rey, que escondeu a face com a mão.


— Bea que horas são? — Sua voz saiu embargada.


— São quase nove horas da manhã — Falava com hesitação.


— Preciso ir falar com Geoffrey. — Colocava a sapatilha em seus pés pequeninos.


— O doutor está na sala aguardando a patroa.


— Ele está há muito tempo me esperando? — A garota apenas assentiu com a cabeça. — Ah! Meu Deus porque não me avisou antes?


— A senhora estava tão triste, pensei precisar ficar sozinha mais um pouco. — Falou com um tom triste.


— Agora isto não importa, me ajude a me vestir para receber o doutor Chewbacca. — Suspirou. — Oro a Deus que ele traga boas notícias.


(...)


Na fazenda Millenniun todos estavam agitados com as notícias que chegara da vila, era absurda demais para ser verdade. O ar frio da manhã, não trazia nenhum acalento para os moradores da propriedade. Um choro copioso preenchia toda a sala de estar dos Solo.


— Não pode ser verdade! — Enxugava a face com veemência. — Ele não pode ter morrido!


— Minha vida se acalme. — Ben tentava consolar a sua querida esposa. — Não sabemos se de fato algo aconteceu com meu irmão. Irei agora mesmo para a vila para me inteirar o que realmente está acontecendo com Kylo e Rey. — Alisou suavemente a face da mulher chorosa.


— Vou com você! — Se levantou rapidamente.


— Melhor ficarmos aqui Desirée, esperando que meu filho traga as notícias. — Arrazoou sua sogra. — Sei que está preocupada com sua irmã e cunhado, mas sair assim sem qualquer preparativo seria muito imprudente.


— Não me importo com nada. — Estava totalmente desequilibrada. Não raciocinava claramente, tudo que desejava era estar perto de Kylo Ren. — Vou me arrumar e buscar um coche de aluguel.


— Se acalme meu amor! — Ben de modo conciliador tentando acalmar sua mulher atormentada se adiantou. — Vou te levar comigo, — ela beijou sua face com energia — mas você precisa se arrumar rapidamente. — Olhou para sua mãe com carinho. — Quer vir conosco?


— Eu irei amanhã. — Sorriu sem humor. — Preciso organizar algumas coisas em nossa casa, depois me juntarei a vocês. Espero que tudo já tenha se acertada quando eu for.


— Sim, mamãe, quero me inteirar dos fatos e ajudar da melhor maneira possível.


Neste momento, ele olhou para o seu lado e percebeu um lugar vazio sua esposa já havia se retirado para se aprontar para a longa viagem para a cidade.


No quarto não precisava dissimular apatia ou despreocupação, seu amor estava ferido, preso ou pior morto. Seu corpo todo tremia em desespero, lágrimas vertiam em desespero tudo estava embaçado, não conseguia concatenar nada, nem seus pertences e muito menos seus pensamentos. Neste momento, Lireth entra no cômodo trazendo uma xícara de chá fumegante.


— Tome um pouco, vai te fazer bem. — deixou a porcelana perto de Desirée. Começou a arrumar as roupas e pertences da patroa num baú grande. Fazia tudo de modo calmo e eficiente. Cantarolando uma canção antiga. Uma voz embargada a retira dos seus pensamentos.


— Acredita que Ren morreu as mãos do delegado?


— Claro que não morreu! — Fez um sinal da cruz. — Quem seria capaz de matar o diabo?


— Verdade! — Enxugou o rosto. — Kylo é muito forte e inteligente, não está morto, mas está preso por contrabando. — Suspirou.


— Ele é Pirata há muito tempo, creio que irá se safar logo.


— Assim espero. — Num tom mais controlado. Ela continuou suas divagações. — Ele é um homem inteligente, forte, másculo não merece estar com uma criatura insignificante como a minha irmã. — Suspirou. — Merece uma mulher...


— Como a senhora, patroa? — Sorriu maliciosamente.


Ben Solo entrou repentinamente no local deixando as mulheres nervosas.


— Quem merece você meu amor? — Estava com o semblante confuso.


— Eu... — Tentava responder convincente. — Claro que é você que Lireth estava se referindo. — Se entrelaçou no corpo de seu marido. Beijou suavemente o queixo que tinha o despontar de uma barba.


Ben se aconchegou no contato mais estreito no corpo lindo de sua esposa e a beijou nos lábios com carinho. — Sim, viverei todos os meus dias para merecer o seu amor. — Tornando a aprofundar o beijo, ela devolveu o carinho com um entusiasmo dissimulado, não aguentava mais fingir afeto, quando, na verdade só sentia repulsa, tudo que queria era estar nos braços de Kylo Ren.


Lireth saiu do quarto para terminar seu trabalho no quarto de vestir da patroa, sabia que precisaria terminar tudo muito rapidamente, pois o casal iria viajar rapidamente. Pensou em tudo que sua patroa fez para conseguir um casamento tão rentável e de boa visibilidade social. Não conseguia entender essa obsessão pelo diabo, afinal de contas ele não mais se interessava por ela, muito menos a procurava, porque perder tudo por um homem que nem a amava mais, deu de ombros e continuou com suas tarefas.


Os baús e malas estavam na carruagem esperando os viajantes se juntarem as bagagens para dar começo a jornada. Ben e Desirée adentraram no veículo e rumaram para a vila, no intuito de resolver as questões importantes e dar consolo a Rey que estava sozinha.


(...)


Na sala um homem alto caminhava de um lado para o outro. Seu semblante era nebuloso.


Rey caminhou até a frente Geoffrey avaliando sua postura. O homem fez um relatório da situação do pirata, ouviu tudo o que o advogado havia contado sobre a situação de seu marido que estava preso injustamente. Pesou todos os fatos e percebeu que o amigo de Ren estava sendo prudente em passar a informação que tudo aquilo era uma armadilha para pegar o pirata algo ilegal. Se levantou e rodeou a poltrona que Chewbacca estava sentado.


— Meu marido está ferido na cabeça, a bala pegou de raspão. Ele está bem, no entanto, não será tratado fora da prisão para que ele não fuja. — Fungou para não chorar novamente. — Preciso ver ele urgentemente. Preciso tocar nele, saber por mim mesma como está. Não me diga que não posso, pois, não vou aceitar, vou lá eu mesma exigir meu direito de ver Kylo Ren!


— Sim, Rey, tem o direito de ver seu esposo. Por isso vim até aqui para te falar sobre a situação dele e também te levar até lá. — Se levantou calmamente. — Vamos até lá agora mesmo.


Rey enxugou as lágrimas e buscou seu xale para cobrir a cabeça e os ombros e se encaminhou até a delegacia junto com o advogado.


O ambiente era pesado pouco iluminado, móveis velhos e mal conservados o cheiro viciado de suor, álcool e bolor fez o estômago da mulher ter uma revirada respirou para controlar a sensação e também estar forte para transmitir confiança ao seu marido.


— Viemos ver Kylo Ren. — O advogado falou com autoridade.


— Ora, ora, ora... — O delegado olhou os dois com desdém. — Vejam se não é o cão sarnento de Ren e sua pobre esposa. — riu pelas narinas. Se levantou se apoiando na mesa. — Creio que não poderão ver o prisioneiro.


— Vou ver meu marido, nem que para isso passe por cima do senhor! — O encarou com coragem.


— Vejam só a convivência com um selvagem fez uma moça de família ficar tão barbara quanto ele.


— Não me interessa saber se sou ou não barbara... selvagem... — O avaliou com raiva nos olhos. — Tudo que sei é que irei ver meu marido.


— Viemos com o nosso direito garantido por lei para ver o recluso. — Encarou Hux. — Você sabe muito bem que não pode impedir da esposa ver seu marido.


Hux olhou os dois com desprezo, então chamou o soldado.


— Cabo! — Saia saliva de seus lábios. — Levem eles até o prisioneiro.


O rapaz seguiu as orientações e levou a dupla até Kylo Ren.


(...)


O corredor estreito e escuro, não dava para enxergar por onde pisava, o lugar todo era úmido e bolorento. Se ouvia os gemidos dos trancafiados nas celas. Seu coração se apertou ao se dar conta no ambiente terrível que seu amor estava, respirou para controlar as emoções para ele sentir que ela estava forte e seria sempre seu porto seguro de frente ao local o soldado chamou Kylo Ren.


Ele apareceu com um semblante abatido e cansado, uma tocha acesa iluminava o seu rosto contorcido de dor. Ele sorriu ao ver Rey. Ela se aproximou da grade que os separava com cautela para não dissipar, caso fosse um sonho.


Geoffrey falou baixo. — Vocês têm 15 minutos vou me afastar com o cabo para terem mais privacidade, assim que os homens se afastaram, Kylo puxou Rey para mais perto para sentir o calor de sua mulher. A grade os impedia de se abraçarem completamente, mas não de sentir seus corações e o amor compartilhado por ambos. Eles se beijaram com muita paixão e vontade, podiam atravessar as barras e se beijar com mais intensidade. Então Rey afastou seu lábio.


— Kylo, vou tirar você daqui, nem que seja a última coisa que faça na vida. — Estava agitada e preocupada. — Suas feridas estão sendo cuidadas? Está limpando para não infeccionar?


— Meu Amor! — A beijou mais uma vez como se pudesse lhe dar a sua vida. — Vou sair daqui, não se atormente. Quanto as feridas não se preocupe, estou cuidando dela? — Abaixou o tom de voz. — Vou fugir daqui! Você viria comigo? — Alisou seu rosto com suavidade.


— Sim! Iria até o fim do mundo com você. — Tocou seus lábios suavemente.


— Então vamos sair daqui o mais rápido possível. Tenho um plano de fuga e Chewie sabe dele, vai passar todos os detalhes depois. — Neste momento segurou o rosto de Rey na tentativa de ler a sua alma. — Você virá mesmo comigo?


— Sim, irei — Falou com convicção.


— Ótimo! — Sorriu para a esposa com carinho. — Lembre-se não conte para ninguém sobre isso, nem mesmo para o seu pai ou padre. — Segurou a mão dela com delicadeza. — Jura para mim que não contará para ninguém.


— Juro pela minha vida, não contarei a ninguém. — Selou o juramento com um beijo profundo de amor e verdade em seu marido que respondeu ao carinho lendo a verdade nos gestos de sua esposa.


Chewbacca interrompeu o casal enamorado de modo cauteloso.


— Vamos ter que ir agora. — Sorriu para Ren. — Vamos cumprir o tempo de Hux para vocês poderem se ver mais vezes. — Olhou para os dois com um semblante curioso. — Você contou a ela sobre suas coisas? — Kylo afirmou com a cabeça. — Maravilha então levarei Rey para casa para detalhar o resto.


Os dois ficaram um minuto a mais antes de ir embora, Rey o beijou com carinho e se despediu com relutância.


— Vou embora, mas em breve estaremos juntos novamente.


— Sim, meu Amor, em breve estaremos juntos.


Rey se afastou da cela com o coração partido por deixar Kylo Ren sozinho e naquele estado ferido e vulnerável, mas de certo modo conformada, pois sabia que iria fugir dali com o seu amor e juntos estariam mais fortes para enfrentar todos que se levantasse contra eles, respirou suave na determinação de fazer tudo ao seu alcance para ver seu marido livre e seguro longe daquele lugar

horrível. Todavia sabia que precisaria de toda força e coragem para superar todos os obstáculos à frente.


Ela sabia ser capaz, junto de Kylo Ren ela venceria tudo.