Corações Indomáveis
12 Cap 12
Notas iniciais
10 de Abril — Segunda-feira
Faltam 357 dias
Sakura Haruno
Eu não acredito que aquele primitivo idiota teve a audácia de me humilhar daquele jeito na frente de todo mundo! Mas ele ía ver só! Eu vou fazer esse Uchiha e todos dessa fazenda maldita se arrependerem de terem cruzado meu caminho. Se bem que fui eu que cruzei o caminho deles né. Mas isso não vem ao caso agora.
Quase sem conseguir enxergar nada por conta dessas lágrimas idiotas, corri até o meu quarto e revirei tudo em busca do documento que a advogada da minha mãe enviou no sábado
Sakura: Achei!!!
Graças a Deus o documento estava guardado dentro do livro idiota que o Itachi insistiu pra eu trazer da biblioteca. Como se eu fosse ler! Sem pensar duas vezes peguei uma caneta e comecei a rubricar todas as páginas, nem me preocupei em ler o que estava escrito. O que importa é que com esse documento eu iria conseguir ferrar com esse bando de imbecis
Sakura: Você vai ver só Uchiha... – resmunguei enquanto assinava a última página com meu nome completo – Eu vou botar a mão em cada centavo seu! Eu vou arrancar de você até o último metro quadrado dessa porcaria de fazenda que você tanto ama!
Pronto! Agora era só postar! Antes que o calor do momento passasse, saí correndo do quarto pra procurar pela governanta abusada que só me aparece nas horas mais inconvenientes. Como se o universo estivesse conspirando ao meu favor, assim que termino de descer as escadas, a loira peituda entra pela porta da frente com as mãos cheias de sacolas de supermercado
Sakura: Governanta... eu preciso de um carro agora! – falei sem nem dar tempo de ela assimilar as coisas
Tsunade: Ah... oi Sakura… você por aqui?! – ela indagou meio surpresa — Ué… não era pra você estar no rancho?!
Sakura: Não... não era! Agora me diz... onde posso encontrar um carro nessa merda de fazenda!
Por um momento, a governanta para e me olha bem fundo nos olhos. Droga! Espero que ela não perceba que eu estava chorando!
Tsunade: Sakura... você estava chorando?! – desgraça! – Aconteceu alguma coisa?!
Sakura: Não interessa governanta… — ralhei já mais irritada do que o normal – Agora será que você pode me dizer onde eu consigo um carro?! Vamos... é pra hoje!!!
Pelo silencio dela, achei que a governanta não iria me responder. Mas então, por fim ela tirou uma chave do bolso de trás da calça e me entregou, mesmo a contra gosto
Tsunade: Na garagem… é da S10 preta. — respondeu — Sakura eu posso te ajudar com alguma coisa?!
Sakura: A agência de correios mais próxima… onde fica?!
Tsunade: No centro da vila à uns quinze quilômetros… é só seguir reto pela estrada!
Ótimo! Carro e localização de uma agencia de correios, tudo que eu precisava pra acabar de vez com a pompa de Sasuke Uchiha. Sem dizer mais nada, dou as costas a governanta e sigo na direção da porta pra saída
Tsunade: Hey Sakura… você não quer que eu te leve?!
Espero que a batida de porta que eu dei na cara dela tenha sido resposta suficiente!
De fato a governanta estava certa, foi só entrar dentro do carro e seguir reto por uns quinze quilômetros que logo já cheguei na tal da Vila Konoha. Confesso que fiquei surpresa com esse lugar! Estava esperando uma vilazinha mixuruca formada só por uma rua de chão batido e mais ou menos meia dúzia de casas, cada uma com uma velha mexeriqueira apoiada na janela observando a vida alheia. Mas não, até que o lugar era bem movimentado! Ruas de calçamento, vários estabelecimentos, gente atarefada andando pra todos os lados, uma velha mexeriqueira aqui, outra ali. Óbvio! Parecia mais uma daquelas cidadezinhas de novela de época da Globo! Tem até uma pracinha com uma fonte no centro da vila! Estou chocada! Bom, deixando isso de lado, estacionei a S10 e resolvi dar um giro a pé pelas ruas a procura da agencia de correios. Não foi muito difícil, na primeira esquina que virei, já dei de cara com a bendita
Moça: Muito boa tarde! – falou a atendente com um sorriso de orelha a orelha assim que botei meus pés no recinto. Como é que essa gente consegue sorrir em plena segunda-feira?! – Em que posso ajuda-la?!
Sakura: Preciso postar isso aqui! – respondi colocando o documento no balcão com a escrita virada pra baixo
Moça: Hum.... deixa eu adivinhar… é uma cartinha romântica para o namorado?!
É o que moça?! Vê se eu tenho cara de quem manda cartinha romântica?!
Sakura: Não! – rebati bem amarga mesmo – É a entrada pra um processo judicial!!!
Moça: Ah… certo! – o sorriso Colgate dela até deu uma vacilada depois dessa – Er… ok! E qual tipo de postagem você quer?! Temos a Normal... a Registrada... tem o Sedex… o Sedex 10...
Sakura: Eu preciso da que for mais rápida!!! De preferência uma que chegue ao destino ontem!
Moça: Hehehehe... parece que você está com pressa! – brilhante dedução minha querida! – Aqui… a mais rápida é o Sedex Max… o destinatário vai receber amanhã na primeira hora comercial!
Sakura: Ótimo… é essa que eu quero!
A garota sorridente me entrega um envelope timbrado com a logo Sedex Max e eu preencho com o endereço da advogada que anotei do e-mail que recebi, colocando o documento dentro e fechando o envelope em seguida
Sakura: Pronto! Quanto fica?!
Moça: Jóia! Fica setenta e três e setenta!
Sakura: O que?! – eu ouvi direito?! – Tudo isso?! Só pra postar um envelope?!
Moça: Bem… é que quanto mais ágil é o serviço… mais caro! – que absurdo! – Er... temos outras postagens mais baratas se preferir!
Sakura: Não… eu tenho muita pressa nesse documento! Vai ser isso aí mesmo! – retruquei tirando meu cartão de crédito da carteira. O que não se faz por uma vingança hoje em dia – Espero que valha a pena o investimento!
A atendente pega meu cartão e passa na maquininha que – para o meu desespero – apita prontamente
Moça: Er… desculpe mas… aqui diz que seu cartão está bloqueado!
Sakura: Ai não… não acredito! – arranquei o cartão da mão dela e entreguei outro — Pega… tenta esse!
Ela tenta de novo e mais uma vez a maquininha apita.
Moça: Bloqueado também!
Ah meu Deus! Não vai me dizer que cheguei até aqui pra agora ter o meu plano sabotado por conta de uma merda de uma máquina de cartão! Já nervosa, remexi na minha carteira e encontrei um cartão esquecido em uma das divisórias. Esse tem que passar!
Sakura: Aqui!
Novamente a moça passa o cartão e nós duas esperamos alguns instantes. Mentalmente eu escutava uma vinheta de suspense, dessas que tocam em programas de perguntas que valem prêmios em dinheiro. Aqui no caso, o meu prêmio é só uma postagem de correio. Quando eu já não aguentava mais de aflição, a moça arregaça aquele sorriso de novo e me passa a maquininha
Moça: Pronto! Pode digitar a senha!
Sakura: Ah… ufa!
Digitei a senha e em seguida o recibo é emitido. Ainda estou indignada com o valor abusivo dessa postagem, mas enfim, depois esse dinheiro vai voltar pra minha conta com juros exorbitantes! Enquanto eu guardava minha carteira, acompanhei todo o trajeto do envelope, meio que pra ter certeza de que ele não se perderia. Do balcão, ele foi para as mãos da moça, que por sua vez colou alguns selos e bateu alguns carimbos. Depois de digitar algumas informações no computador, a jovem levou meu envelope até uma urna de madeira no final da sala. Não sei se foi ilusão da minha cabeça, mas parece que todo o percurso – do balcão até a urna – se passou em câmera lenta pelos meus olhos. Quando a atendente por fim larga o envelope dentro da urna, senti uma sensação muito estranha, como se meu coração tivesse dado um pulo até minha garganta, girado um mortal e voltado para o lugar. Que diabos foi isso gente?!
Moça: Moça?! Está tudo bem?!
Sakura: Oi?! – acordei do meu torpor percebendo só agora que a atendente já estava ali na minha frente de novo – Er... sim... tudo ótimo!
Moça: Hehe… perfeito então! Sua encomenda chegará amanhã na primeira hora do dia! Posso ser útil em mais alguma coisa?!
Sakura: Não! Era só isso mesmo! Obrigada!
Ainda com aquela sensação esquisita de que alguma coisa estava fora do lugar, saí da agencia e voltei pra casa. Durante o caminho ainda fiquei pensando no que havia me dado agora a pouco. Que sentimento estranho foi esse?!
Sakura: Aff... deve ter sido o almoço que engoli as pressas hoje! – concluí por fim – Agora Sakura... é só esperar o processo correr... e cair na gargalhada quando esse Uchiha jagunço se estrepar!
Pensar na cara daquele caipira quando ele souber que eu tomei tudo que é dele até melhorou o meu humor! Quando cheguei de volta na fazenda, nem me preocupei em avisar ninguém, só larguei a chave do carro na primeira mesa que vi na sala e subi até meu quarto. Só agora eu percebi que fui até a vila naquele estado calamitoso, com os cabelos virados num farrapo e as roupas sujas e fedorentas daquele rancho horroroso. Eu precisava de um bom banho e roupas limpas, mas estava tão acabada, tão cansada! E aquela cama estava parecendo tão macia! Eu preciso de um cochilinho! Só uma fechadinha de olhos! Uns minutinhos só!
Claro que o cochilo de alguns minutinhos se transformou em um sono de horas! Quando acordei já passava de sete da noite, logo Tsunade iria trazer o meu jantar, mas eu precisava de um banho pra tirar essa inhaca de fazenda primeiro. Quando me senti devidamente limpa, vesti minha camisolinha de seda e me joguei na cama de novo pra esperar a governanta subir com meu jantar. Peguei meu celular pra dar uma olhada no Instagram, mas ao ver as fotos dos meus amigos – da onça diga-se de passagem – nas festas desse fim de semana, já senti um ranço crescendo, então resolvi largar o celular de novo no criado mudo. Nesse momento eu me deparo de novo com o livro que eu trouxe da biblioteca e resolvo pegar ele pra ver mais de perto
Sakura: Hum... Morte no Nilo... Agatha Christie... do que será que fala esse livro hein?! De uma morte que aconteceu no Nilo né Sakura... dãã!
Já que não tinha outra opção de entretenimento mesmo, resolvi ler a sinopse. Depois resolvi ler uma página, daí mais uma, depois outra. Quando já estava quase no final do capítulo, alguém bate na minha porta
Sakura: Entra Tsunade!!!
Sasuke: Não é a Tsunade!
Quando escutei aquela voz odiosa, dei um pulo da cama e agarrei meu robe. Sasuke foi entrando no meu quarto assim sem permissão mesmo. Esse cara não tem um setocômetro não?!
Sakura: O que é que você quer aqui! — perguntei já com quatro pedras na mão enquanto cobria minha camisola curta – Eu já estou com roupas de dormir… não está vendo?!
Sasuke: Ah… agora você está bancando a recatada?! Ontem você não estava preocupada em tampar essas pernas de saracura!
Sakura: Fala logo o que quer!!! – antes que eu perca a paciência e fure seus olhos com o que sobrou das minhas unhas
Sasuke: Eu vim saber onde você esteve o resto da tarde! Eu já falei que o expediente da fazenda termina as cinco não falei?!
Sakura: Eu fui resolver um problema pessoal! Nada que seja da sua conta!
Sasuke: Da minha conta ou não… saídas antecipadas devem ser comunicadas previamente a mim! Eu coordeno toda a mão de obra da fazenda… preciso saber quando alguém não vai estar no seu posto!
Sakura: Não se preocupe irmãozinho… não vai acontecer de novo! – porque se Deus quiser em questão de dias eu saio dessa fazendo e levo comigo toda a herança!
Como se ele pudesse ler os meus pensamentos, Sasuke cruza os braços e me encara fixamente. Será que ele sabe do meu plano de arrebatar a herança inteira?! Será que por descuido eu esqueci meu outlook aberto no sábado e Itachi leu meu e-mail?! Meu Deus, se eles sabem do meu plano está tudo acabado!
Sakura: Que foi?! – perguntei tentando esconder meu nervosismo – Já não falou o que tinha pra falar?! Pode ir!
Sasuke: Sabe de uma coisa… — ele disse por fim — Eu achei que por um momento nessa sua vidinha cor de rosa você tivesse sido inteligente!
Sakura: O que você quer dizer com isso? – eu sou inteligente em todos os momentos
Sasuke: Achei que você tivesse escutado o meu conselho... e tivesse ido embora… voltado pra sua casa na capital! Mas não… você é burra mesmo… ainda está aqui!
Então é isso! Ele achou que aquele monte de desaforos de hoje cedo iria me fazer desistir da minha grana. Esse cara me toma pelo que?! Por uma menininha frágil que arrega no primeiro obstáculo?! Por uma garotinha que foge da briga no primeiro instante?! Pois ele está muito enganado. Eu vou mostrar pra esse caipira medíocre com quem ele está lidando!
Sakura: Eu acho que você não entendeu uma coisa Uchiha… eu não vou sair daqui sem a minha grana!
Sasuke: Que sua grana menina?! Não tem grana nenhuma aqui pra você!
Sakura: Tem sim… um terço de tudo que foi do seu pai é meu! – mas eu vou abocanhar a outra parte também! – Eu sou filha biológica do Fugako… eu tenho direito a parte da herança!
Sasuke: Você é uma golpistazinha suja igual a sua mãe! – ele ralha já começando a ficar com raiva – Meu pai já devia conhecer o seu tipinho… aposto que ele inventou essa condição de convivência porque já sabia que você não ia aguentar muito tempo e ia desistir da herança por conta própria.
Sakura: Pois se a idéia era essa o tiro saiu pela culatra… porque eu não vou desistir!
Sasuke: Por que?! – ele esbravejou – Me diz por que desperdiçar o meu tempo e o seu?! Volta lá pra sua cidade Haruno! Aposto que deve ter um bando de velhos milionários querendo casar com uma novinha bonitinha e cheirosinha como você.
Sakura: Ah então você me acha bonitinha e cheirosinha?! Estamos progredindo na relação!
Sasuke: Larga de ser sonsa! Volta pra sua terra! Vai arrumar um velho rico e burro pra se casar! Você pode dar o golpe da barriga em qualquer um!
Sakura: Escuta aqui... você não pode ofender a minha moral desse jeito!
Sasuke: Ah… eu estou ofendendo a sua moral?! – ele disse assim bem cínico – Mas você pode ofender a moral da minha família não é?! Você pode chegar aqui na minha casa… durante a missa de um mês da morte do meu pai… se exibindo como a bastarda dele! Exigindo o que é seu de direito! Você não tem direito a nada! Sua golpista!!!
Sakura: Cala essa boca! – vociferei dando um empurrão nele, que não fez ele se mover nem um milímetro – Sai do meu quarto! Sai do meu quarto agora!!! Não quero mais ouvir nada de você!
Sasuke: Ah... mas você ainda vai ouvir… porque eu ainda tenho muito pra dizer!
Sakura: NÃO!!!
Chega! Eu estava farta, pelo menos por hoje daquele troglodita! Sem raciocinar direito, comecei a estapear ele por todos os lados pra ver se conseguia expulsar ele do meu quarto. Claro que os meus tapas não faziam nem cócegas naquele homem alto e forte, duro feito uma pedra, mas eu tentei né
Sasuke: Para com essa palhaçada garota! – ele debocha enquanto tenta repelir a minha chuva de tapas patética – Você vai acabar quebrando uma unha!
Sakura: Eu vou quebrar é essa sua cara... seu trasgo! Sai do meu quarto! Sai agora!
Não sei como aconteceu, nem de que jeito. Só sei que no meio da confusão de bate e apanha, empurra e repele, eu e Sasuke acabamos caindo na cama. E como eu sou uma pessoa muito da azarada, claro que ele caiu por cima de mim e conseguiu segurar os meus pulsos acima da minha cabeça
Sasuke: Agora você vai me escutar menina! – ele sussurrou com o nariz quase colado no meu
Merda, merda, merda! Mil vezes merda! Essa situação passou de ridícula pra perigosa. Muito perigosa! Essa proximidade toda fez com que uma corrente elétrica percorresse todo o meu corpo. Meu coração parecia que queria quebrar as minhas costelas e sair do meu peito. De raiva claro! Pelo menos era disso que eu estava tentando me convencer!
Sakura: Sai de cima de mim seu cavalo! – ordenei tentando parecer autoritária, mas saiu mais como um pedido desesperado
Sasuke: Primeiro me escuta! Esse é o último aviso que eu vou te dar… desiste de uma vez da herança e some daqui…
Essa conversa de novo! Ele achava que ía me botar medo com ameaças! Mal sabe ele que as palavras dele na verdade me servem é de combustível. Aliás, combustível que nesse exato momento estava queimando dentro de mim
Sakura: E se eu não quiser desistir?! – desafiei sustentando aquele olhar rígido dele. Não é porque eu estava por baixo, literalmente, que eu tinha que afrouxar.
Sasuke: Se você não desistir… eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance pra tornar a sua vida um inferno!
Sakura: Ótimo! Vamos ver quem vai tornar a vida de quem um inferno!
Ele quer guerra?! Então é guerra que ele terá! Porque eu também sei como fazer um homem chamar pela mãe em dez línguas diferentes. Ah se sei!
Sasuke: Garota… veja bem o que você está fazendo! Você está comprando briga com a pessoa errada!
Sakura: Você é que está mexendo com quem não deve irmãozinho!
Tenho que admitir que esse jogo de ameaças estava me divertindo. E excitando também! Claro que não tinha nada a ver com o fato de o corpo forte dele estar por cima do meu, muito menos com o fato de a boca dele estar a centímetros da minha! Era tudo uma questão de raiva mútua mesmo. Com certeza era! Quando Sasuke ía dar mais uma resposta, escutamos o som de uma batidinha na porta. Instantaneamente todo aquele calor ardente de antes foi resfriado com um balde de gelo. Como dois gatos que levaram um banho de água fria, Sasuke e eu pulamos da cama e demos de cara com Tsunade de braços cruzados, só assistindo tudo de camarote. Puta merda! Ele tinha deixado a porta aberta!
Tsunade: Atrapalho alguma coisa?! – ela pergunta assim como quem não quer nada
Nunca na minha vida eu quis tanto que o chão me engolisse! Pelo sorrisinho de quem estava era se divertindo com a situação, era óbvio que aquela governanta pervertida estava achando que estava acontecendo alguma depravação agora a pouco. E o pior é que no lugar dela, eu pensaria a mesma coisa!
Sasuke: Olha Tsunade… não é o que você está pensando… — ele tenta se explicar
Tsunade: Ué... eu nem estou pensando nada! – imagina se não – Só vim avisar que Itachi está convocando uma reunião na sala!
Sasuke: Uma reunião?! Bom... então é melhor a gente ir né! Meu irmão odeia ficar esperando!
Se a ideia era não dar bandeira, Sasuke foi reprovado. Totalmente sem jeito, ele se retirou do quarto e me deixou sozinha com a Tsunade. Droga, eu estava com tanta vergonha que não conseguia tirar os olhos do tapete. O que essa governanta ia fazer agora?! Ia zoar com a minha cara também?!
Tsunade: Itachi está convocando você também Sakura! – ela respondeu por fim – É reunião de família!
Sakura: Ok… vou vestir algo melhor! – rebati batendo pé para o meu closet ainda sem olhar pra cara dela – Já vou descer!
Quando escutei a governanta fechar a porta, comecei a bater com os pés no chão e dar socos no ar igual a uma criancinha que escutou um não dos pais
Sakura: Maldito... maldito... maldito!!! Eu ainda vou acabar com a sua raça Sasuke Uchiha!
Depois que estava vestida com algo mais apropriado, desci as escadas e encontrei a família Buscapé toda reunida na sala só esperando por mim. Itachi e Mey estavam sentados abraçadinhos no sofá, Sasuke estava esparramado numa poltrona com sua habitual cara de bunda e Tsunade estava apoiada no braço da poltrona dele
Itachi: Ah... oi Sakura! Estávamos te esperando pra começar a reunião!
Sakura: Hump... obrigada pela consideração! – respondi sarcástica me largando na outra poltrona vaga – Bom... agora que eu já estou aqui... podem começar!
Itachi: Er bem… eu chamei vocês aqui pra comunicar que amanhã bem cedo eu vou viajar pra Coreia do Norte! – ele falou um tanto animado
Mey: Você conseguiu agendar a visita?! – ela parecia animada também
Itachi: Sim! Eu consegui!!! Nessa tarde eu marquei uma reunião com os coreanos pra semana que vem!
Tsunade: Ai graças a Deus!!!
Sasuke: Itachi... isso é uma baita de uma notícia!!!
Eu não estava entendendo por que eles estavam todos animados com essa viagem do Itachi. Até o Sasuke desfez a cara de bunda dele e ficou empolgado. Viagem pra Coreia do Norte, que sem graça! Se ainda fosse Paris, ou Milão, eu até entenderia! Não acredito que me tiraram do aconchego do meu quarto só pra falar isso!
Itachi: Sakura... acho que você deve estar meio perdida não?! – estava tão na cara assim?!
Sakura: É... de fato eu não estou entendendo o porquê dessa empolgação toda! Coreia do Norte?!
Itachi: Hehe... é que a empresa que compramos os novos maquinários da fazenda é coreana! Devido ao bloqueio da herança pelo tempo que o nosso pai estipulou... eu e Sasuke estamos sem dinheiro pra quitar a dívida conforme foi negociado. Então amanhã eu vou pra Coreia. Vou conversar com os coreanos e renegociar o parcelamento. Por isso estamos todos tão empolgados... essa visita é muito importante!
Sakura: Hump... entendi! – mas continuo nem aí pra isso
Sasuke: Nem sei pra quê você perdeu seu tempo explicando isso pra ela Itachi! Está na cara que essa garota está cagando e andando para os nossos problemas!
Sakura: Cala a boca seu caipira!
Sasuke: O que?! Vai dizer que você liga pra nossa dívida de certo!
Itachi: Sasuke... não começa vai!
De certa forma esse roceiro ignorante não estava errado. Eu não ligava mesmo para os problemas deles. Por mim, se o Itachi conseguisse renegociar a dívida deles ou não, não ía fazer diferença. Se bem que, se os coreanos não toparem um novo parcelamento, é bem provável que eles irão cobrar juros pelo atraso na quitação dos pagamentos. Então quando a herança estiver liberada, Sasuke e Itachi terão de pegar mais dinheiro pra cobrir os juros. Consequentemente, vai sobrar menos pra mim! Ah não! Dessa parte eu não gostei!!!
Sakura: Pois saiba que você está muito enganado Uchiha! – retorqui agora mais convicta e me virei para o Itachi – Eu torço sim Itachi... pra que você tenha sucesso nessa sua reunião aí com os coreanos!
Itachi: Obrigado Sakura!
Sasuke: Háh... você torcendo pra outra pessoa que não seja você mesma?! Essa é boa!
Sakura: Vem cá... por que você não cuida da sua vida hein?!
Itachi: Parem vocês dois!
Sasuke: Na certa você percebeu que a água vai bater na sua bunda também caso o Itachi não consiga renegociar a dívida né?! Por isso está torcendo a favor!
Sakura: Você sempre tem que distorcer tudo que eu falo!
Sasuke: Sínica!!!
Sakura: Caipira!!!
Itachi: CHEGA! Chega vocês dois! – ele esbravejou se levantando do sofá – Será que vocês não podem se comportar como dois adultos?!
Sakura: Ele que começou!
Sasuke: Olha a adulta falando aí!
Itachi: Quietos... os dois!!! Olha só... enquanto eu estiver fora... pelo amor de Deus... se comportem como pessoas civilizadas!
Sasuke: Tsc... quanto tempo vai ficar fora?!
Itachi: Eu não sei! Se o resultado da reunião for positivo eu estava pensando em aproveitar o gancho pra fazer uma prospecção de clientes... fechar negócios novos... resgatar antigos! Talvez uns dois meses ou pouco mais eu fique fora!
Sasuke: Ótimo! Dois meses na minha mão... e essa patricinha cor de rosa vai estar dançando conforme a banda toca!
É o que?!
Sakura: Itachi... você ouviu isso?!
Itachi: Mas que porra é essa Sasuke!!!
Sasuke: KKKKKKKKKK... – o imbecil ainda ri – Eu só estava zoando... KKKKKKK... relaxem!
Mey: Não achei nenhuma graça! – até que enfim alguém do meu lado!
Tsunade: Eu também não!
Sasuke: Vocês também né! Não dá nem pra fazer uma brincadeirinha!
Itachi: Agora não é momento pra brincadeiras Sasuke! – ele ralhou e Sasuke revirou os olhos. Bem feito pra esse caipira! – Prestem atenção agora... os dois! Pelo amor de Deus... por tudo que vocês considerem mais sagrado... enquanto eu estiver na Coreia não se matem... não derrubem a casa... nem destruam a fazenda!
Sasuke: Relaxa irmão... essa garota não compensa a mão de obra!
Sakura: Não acredito que eu estou tendo que escutar isso!
Itachi: Sasuke... Sakura... é sério! Se não conseguem conviver em paz... então pelo menos finjam que não estão na presença um do outro!
Mey: Sakura... quando meu cunhado for desagradável com você... faz de conta que você é autista. O mesmo vale pra você também Sasuke!
Sasuke: Adorei a ideia Mey... vou começar a pôr em prática agora!
Sakura: Eu é que vou ter o prazer de pôr essa ideia em prática!
Itachi: Maravilha! Os dois botam a ideia da Mey em prática! – ele exclamou jogando as mãos para o alto e encerrando de vez a treta – Agora que encontramos a solução para metade dos nossos problemas... eu preciso deixar algumas coisas da fazenda alinhadas com vocês antes de ir viajar! – e lá vem mais blá blá blá sem sentido – Sasuke... Mey... eu fiz uma cotação das vacinas para os bezerros e os seis laboratórios ficaram de mandar os valores ao longo da semana. Preciso que um dos dois fique responsável por fechar essa compra!
Mey: Eu posso tomar a frente disso! Acho que o Sasuke já está bem atolado de serviço na fazenda!
Sasuke: Mey... eu já falei que você é a melhor cunhada do mundo hoje?!
Hump, puxa saco!!!
Itachi: Beleza... Mey fica com a compra das vacinas! Tsunade... a dona Marieta... nossa lavadeira disse que a irmã dela vai fazer uma cirurgia de catarata daqui a dez dias... e ela pediu férias pra poder cuidar da irmã. Como estão as coisas aqui na casa?! Tem como remanejar as outras empregadas pra dona Marieta poder sair?!
Tsunade: Claro! Eu reorganizo o trabalho das meninas... se for preciso eu mesma vou para o tanque! Mas pode liberar ela sim!
Ai que saco! Não acredito que estou perdendo meu tempo com isso! Até aquele livro idiota é mais interessante do que as vacinas dos bezerros e as férias de uma lavadeira. Não estou entendendo o que eu ainda estou fazendo aqui nessa sala! Nem sei por que Itachi achou que seria válido me chamar pra essa reunião idiota só pra avisar que ele vai viajar. Poderia só ter deixado um bilhete em cima da mesa. Ou não, nem me importo com a presença nem dele, nem de ninguém. Droga! Quer saber?! Acho que a hora é perfeita pra uma saída a francesa!
Enquanto Itachi e Sasuke discutiam a respeito da estocagem do feno – pelo menos eu acho que era isso! – levantei da poltrona e saí de fininho. Estavam todos tão absortos na conversa que nem perceberam a minha fugidinha. E se percebessem, também não ia fazer diferença, já que nada do que eles conversavam me dizia respeito. Quando cheguei no meu quarto, voltei direto para o meu closet pra vestir minha camisolinha de seda confortável de novo. Nesse momento, vendo minha coleção inestimável de roupas lindas e maravilhosas, decidi que deveria dar uma vasculhada pra ver se encontrava algo que eu pudesse usar amanhã naquele rancho sujo e fedorento
Sakura: Huum... vamos ver... será que eu uso essa camisa aqui?! – me perguntei olhando pra uma camisa de seda branca maravilhosa que comprei em Nova York – Ai não essa é uma Channel... jamais correria o risco de estragar uma preciosidade dessas nessa fazenda horrorosa! E essa calça aqui?! – olhei pra uma calça de linho que estava até com a etiqueta da loja ainda – Ai não... essa eu ainda nem usei... não vou inaugurar ela nesse fim de mundo!
Procurei, procurei e procurei com todas as minhas forças dentro daquele closet abarrotado de peças em busca de alguma coisa que eu pudesse usar amanhã, mas não encontrei nada! Todas as minhas peças eram muito lindas, muito caras e muito refinadas pra usar nesse fim de mundo infernal. Nem sapatos apropriados eu não tinha, eram todos de salto alto. Só nesses sete dias em que estive aqui, eu já tinha quebrado o salto de três sandálias, manchado quatro calças e rasgado cinco blusinhas. Desse jeito eu vou perder todas as minhas peças até conseguir botar a mão na herança!
Tsunade: Sakura?!
Sakura: Ai que susto governanta! – estava tão concentrada no meu problema que nem reparei na chegada dessa loira Maria Breteira – Já não falei pra você bater antes de entrar?!
Tsunade: Eu bati... mas você não respondeu! Então entrei e deixei seu jantar no criado mudo!
Sakura: Ótimo! Agora já pode ir!!!
Tsunade: O que você está fazendo aí parada no meio do closet?!
Revirei os olhos com impaciência! Gente, como é que essa governanta consegue ser tão intrometida?! Minha vontade era de ignorar completamente a presença dessa mulher, mas quando dei por mim já estava respondendo
Sakura: Estou procurando algo que eu possa usar amanhã! Mas não consigo encontrar nada!
Tsunade: Você está brincando né?! – pareço estar brincando mulher?! – Olha pra esse closet?! Está socado de roupas!
Sakura: Bem observado governanta! – rebati assim bem ácida mesmo – Eu estava me referindo a algo à altura dessa fazenda! Ou seja... alguma peça barata e sem valor emocional pra mim... pra combinar com esse lugar sabe!
Tsunade: Ah sim... agora entendi! – congratulations! – É... acredito que vai ser difícil achar alguma coisa mais baratinha aí nesse monte de roupas de marca mesmo!
Continuei procurando algo menos refinado entre as minhas peças, mas não tinha nada! Não é possível que eu não consiga encontrar nem uma mísera camiseta de malha. Até as minhas roupas mais pobrinhas são chiques demais pra esse buraco fedorento!
Sakura: Ai desisto! – falei desanimada por fim – Não acredito que vou ter que estragar mais um look incrível amanhã!
Tsunade: Sakura... por que você não usa as roupas que foram da dona Mikoto?! – ela sugeriu assim na cara e na coragem – Seu Fugako guardou todas bem arrumadinhas num baú lá no quarto dele! Itachi já disse que você pode pegar quantas você quiser!
Olhei pra ela com uma cara de quem não acreditava no que estava ouvindo. Eu sei que o Itachi disse que eu posso pegar as roupas que foram da falecida Mikoto! Até o Sasuke sugeriu isso na semana passada! Que absurdo!!! Como é que essa gente tem coragem de propor que eu use as roupas de uma defunta?! De fato o bom senso passou voando na cabeça desse bando de boiadeiros!
Tsunade: Vamos lá no quarto do seu Fugako... eu te mostro as peças e você escolhe o que vai querer!
Sakura: Vocês só podem ser loucos se acham mesmo que eu vou usar as roupas da falecida né?! Olha pra mim! Eu sou uma influencer... uma it girl! Eu dito tendências! Não uso roupas que foram de uma mulher que morreu antes da minha certidão de nascimento ser emitida!
Tsunade: Ah mas as roupas não são feias! Dona Mikoto sempre se vestiu muito bem! – imagino! – E as peças estão em ótimo estado ainda!
Sakura: Não me interessa governanta! Eu não quero usar as roupas de uma defunta e ponto final!
Tsunade: Mas você vai estragar suas roupas caras lá no rancho!
Sakura: Quando isso for um problema seu eu te aviso! – retruquei já super irritada – Olha aqui... se você já terminou o que tinha que fazer aqui... pode se retirar!
Tsunade: Bom... tudo bem... você que sabe! – ela respondeu branda – Mas se mudar de ideia e quiser as roupas me avise! Tem umas peças muito boas que devem te servir!
E finalmente ela se foi e me deixou em paz! Agora posso voltar a escolher qual look vou sacrificar amanhã naquele rancho. Ai dá até uma dor no meu coração pensar que por mais cuidadosa que eu seja, sempre acabo me sujando! Dona Mikoto sempre se vestiu muito bem a governanta disse!!! Imagino as peças maravilhosas que a falecida deveria ter. Moda country anos 80 e 90, saia e jaqueta de franja, cintos com fivelas gigantes, colete imitando pelagem de vaca! Deus me livre!!! Só imagino o show de horrores que não deveria ser o closet da falecida! Se bem que pra esse fim de mundo bem que essas bizarrices vem a calhar né?! Talvez eu devesse dar uma olhadinha naquele baú, nem que seja pra dar algumas risadas. E vai que tem alguma coisa usável no meio das bizarrices. Pode ser que tenha algumas camisas de botão mais discretas ou umas calças jeans! Os jeans daquela época eram de uma qualidade ótima, eu não me surpreenderia se as calças estiverem como novas! Ai gente, será que eu peço as roupas da defunta emprestadas?! Será que eu teria coragem de me fantasiar de Maria Breteira pra poupar as minhas roupinhas de grife?!
Sakura: Ai meu Deus! Não acredito que vou fazer isso!
Respirando fundo pra reunir toda a minha coragem e saio do closet pra ir atrás da governanta. No que eu abro a porta do meu quarto, dou de cara com a loira parada no corredor de braços cruzados
Sakura: O que você está fazendo aí parada governanta?! – perguntei pasma
Tsunade: Estava esperando você mudar de ideia e me pedir pra ver as roupas!
É o que?! Como essa mulher sabia que eu ía mudar de idéia?! Ela é bruxa ou o que?! Ai quer saber, esquece!
Sakura: Olha só... eu ainda não mudei de ideia completamente tá! Mas eu topo dar só uma olhadinha nas roupas... assim só pra desencargo de consciência!
Ela deu uma risada e eu não entendi qual foi a graça!
Tsunade: Muito bem então! Vamos dar uma olhadinha! Vem comigo!
E assim, com o coração na mão, eu fui vistoriar o baú da falecida. Seja o que Deus quiser!!!
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