Notas iniciais
Ia postar só amanhã, mas terminei de escrever agora. Então tá ai. Vou responder os reviews mais tarde, mas to adiantando aqui que amei muito todos eles! Obrigada! Espero que gostem do capitulo, comentem! (Leitoras fantasmas, vocês também) :p

Duas horas depois, o médico fez alguns exames no Daniel para ver se ele ainda estava ferido, descobriram pelos exames que ele quebrou uma costela e fraturou a perna esquerda, perto do joelho. Precisaram colocar alguns pinos para aliviar a dor… Nada de mais...


Ele passaria mais uma semana internado antes de receber alta.


O médico conversava com Beatriz, os dois estavam no corredor. — Então doutor, o que eu faço? — Ela perguntou cruzando os braços, estava preocupada. — Ele não para de perguntar quanto tempo se passou.


– Não diga nada, continue calada. Vai ser um grande choque para ele se descobrir que passou mais de um ano da sua vida dormindo.


– Tudo bem. — Ela respirou fundo, apesar desse pequeno probleminha, Bia estava feliz. — Eu vou avisar para o restante da minha família que ele acordou. — Disse e o médico assentiu, passando por ela.


Bia pegou seu celular, a primeira pessoa que pensou em avisar foi para a sua mãe. — Ela vai ficar tão feliz. — Continuou com um sorriso grande no rosto enquanto discava os números.


Beatriz passou quase meia hora no corredor, ligou para todos os seus parentes, até mesmo para o seu pai que estava no Estados Unidos e mesmo distante, sabia do acidente. — Agora… A pessoa mais importante para ele. — Bia sussurrou, discou os números.


Ligou para a casa da Julie. — Alô? — Heloísa, que estava na cozinha, atendeu.


– Oi dona Heloísa, é a Bia! — Sua felicidade era visível.


– Oi Bia! Tudo bem?


– Tudo ótimo! A Julie está?


– Ah, está dormindo, até agora não saiu do quarto e nem tomou café. — Ela suspirou. — Não sei quando essa tristeza vai passar viu…


– Vai passar agora! — Respondeu animada. — Eu tenho que contar uma novidade para vocês duas! — Heloísa continuou calada, só esperando Bia prosseguir. — O Daniel acordou!


– Está de brincadeira?! — Ela sorriu animadissíma.


– Não! Estou falando sério! — Bia ria. — Ele acordou já a um tempinho, o médico fez alguns exames nele, ele só tem algumas fraturas, fora isso está bem!


– Que ótimo! — Sentiu um cheiro de queimado. — O arroz! Bia… Preciso desligar! — Ela colocou o telefone no gancho da parede, correu apressada para o fogão, conseguiu salvar o arroz que estava em tempo de queimar.


Desligou o fogo, correu e subiu as escadas. Abriu a porta do quarto de Julie com força, a mesma estava dormindo quando acordou assustada com o barulho. — Filha, tenho uma noticia sobre o Daniel.


Ela olhou fixamente para sua mãe, Heloísa estava séria, mas se olhasse bem, ela sorria fracamente.


Julie se levantou com os olhos marejados. — Ele morreu?! — Heloísa desfez o pequeno sorriso. — Eu sabia! É culpa das Acácias!


– Julie! Por favor! — Sua mãe segurou seus ombros e a balançou. — Não é nada disso!


– Então o que houve com ele? — Ainda chorava, Heloísa revirou os olhos.


– Filha, ele acordou!


– O que?! — Ela sorriu, seus olhos brilharam, foi a melhor sensação que teve depois de um ano, foi a melhor noticia de toda a sua vida. — Acordou?! Ele está bem?! — Sua mãe confirmava com a cabeça. Julie não conteve sua alegria, abraçou forte sua mãe que mal retribuiu. — Eu preciso ver ele! — Disse se soltando, correu para o guarda roupa, tentando encontrar um vestido florido.


Enquanto isso, no hospital.


Daniel conversava com Beatriz, ela tentava fugir das perguntas do tipo ‘’ Quanto tempo eu dormi? ‘’ — Eu quero falar com a Julie. — Ele afirmou.


– Eu sei. Já liguei pra casa dela, disse que você acordou.


– E o que ela respondeu? — Daniel sorriu.


– Ah… Na verdade, a mãe dela atendeu. Ela estava no quarto, dormindo.


– Dormindo?


– É. — Suspirou. Isso ela precisava explicar. — Lembra quando a Julie perdeu o bebê? — Daniel assentiu. — Ela ficou muito triste, certo?


– Ela ficou doente. — Ele corrigiu.


– Então… É assim que ela está, por causa do seu acidente.


– Não. — Sussurrou triste. — Eu não quero ver ela assim. — Daniel ameaçou se levantar da cama. Mas sentiu seu corpo inteiro doer. Gemeu de dor. Levou a mão esquerda para a costela. Era uma dor insuportável. Bia o ajudou e ele se deitou novamente. — Eu quero ver ela.


– Calma, a mãe dela vai dar o recado, ela deve vir para cá.


Ele acabou concordando, mas estava tão ansioso que queria ver ela naquele momento. — Estou cansado. — Reclamou.


– É melhor descansar um pouco. — Bia disse enquanto afofava seu travesseiro.


– Também acho. — Ele se ajeitou. — Estou com dor de cabeça e… — E foi interrompido.


Alguém abriu a porta, eram suas tias, seus tios e claro, sua mãe.


Bia e Daniel fizeram uma careta, eles carregavam alguns pratos de plástico, copos, bolo, salgados, refrigerantes e doces. Sua mãe correu dando a garrafa de refrigerante para a Bia segurar. — Meu filho querido! — Ela abraçou forte o Daniel que gemeu de dor. — Me desculpe. — O soltou, alisando seu rosto. — É que eu estou tão feliz! — Em pouco segundos uma rodinha se formou em volta da cama de Daniel.


Faziam perguntas para Daniel, perguntava se ele estava se sentindo bem, se ainda estava ferido, e o que aconteceu na noite do acidente. Daniel olhava para a sua família, se sentia atordoado com tantas perguntas e vozes falando ao mesmo tempo.


Todos os seus parentes e conhecidos estavam no quarto, até mesmo Martim, que azarava uma de suas primas.


O quarto era grande, mas ficou pequeno com tantas pessoas. — Bia. — Daniel puxou o braço da irmã. — Eu não acredito que você armou uma festa! — Cerrou os dentes, estava mau humorado, cansado, queria descansar.


– Eu não armei nada! Isso é coisa da mamãe! — Se defendeu sussurrando.


Os dois viam suas tias enfeitarem o quarto todo com balões coloridos, Daniel revirou os olhos. Já não via a hora de todo esse pessoal ir embora. — E se a Julie vir, hein? — Bia sorriu. — Vai ficar mais animadinho?


– Um pouco. — Sussurrou balançando a cabeça. — O problema é que eu estou muito cansado. E aqui está a maior gritaria!


– Ah Daniel, são nossos tios! Não acredito que você ia fazer essa desfeita. — Bia cruzou os braços.


– Hm. — Ele notou seus parentes, estavam um pouco diferentes, até sua prima de quinze anos aparentava ter uns dezessete agora. — Bia, me diz quanto tempo se passou. Quanto tempo eu dormi. — Pediu segurando o braço de Beatriz. — Porque não vi seus filhos ainda? E o Félix?


– Félix está trabalhando. — Ela mentiu, na verdade seu marido estava com as crianças, Daniel não podia ver o bebê, nem a menina mais velha, que agora tinha sete anos. — E as crianças estão… Na creche.


– Na creche? — Estranhou. — Até o seu neném de três meses?


– E ai, Daniel! — Bia respirou aliviada, felizmente Martim chegou para interromper aquela conversa, ela já estava se enrolando. — Como vai, está melhor?! — Perguntou dando algumas batidas no seu ombro.


– Porra, está me machucando! — Reclamou. — É, eu… Estava melhor, há poucos segundos atrás.


– Hm. — Martim deu um sorriso malicioso, não tirava os olhos da saia da prima de Daniel, que subia em um banquinho para colocar os balões. — Sua prima está gata.


– Ela só tem quinze anos. — Rosnou. — Vai pegar alguém da sua idade.


– Não. Ela me disse que vai fazer dezessete, eu não estou pegando ela, só estamos conversando, qual é o proble--- Bia beliscou sua barriga. — Qual foi?! Isso dói! — Martim reclamou enquanto Beatriz fazia umas caretas dizendo ‘’ Cala a boca ‘’


– Dezessete? — Daniel repetiu perplexo. — Como assim?


– Esquece Daniel, não é nada. — Bia interrompe, Martim continuava confuso. — Me trás um pedaço de bolo? — Ela pediu para Martim, ele entendeu e saiu.


Daniel ainda tentava encontrar resposta, quando ouviu a porta do quarto se abrir, ele tentou esticar seu corpo para ver quem era, na esperança de encontrar Juliana. Mas o quarto estava tão cheio que ele nem conseguiu ver. E acabou desistindo pois sua costela voltou a doer.


Mas sim, era Julie. Ela entrou no quarto, não esperava encontrar tantas pessoas ali. Era uma falação só. Ela sabia que se tratava de uma festa pela recuperação do Daniel. Porém, não se sentiu bem ali. Não fazia mais parte da família, apesar de sentir uma imensa vontade de falar e ver ele, não queria ficar ali, com todo esse pessoal. Se sentia excluída e se sentiu pior ainda ao ver sua ex-sogra ali, cortando o bolo e entregando um pedaço para Martim.


Fazia um ano que as duas não se viam mais, porém, Julie continuava com medo, não queria causar problemas com a família de Daniel. Ela deu meia volta e saiu antes que Bia a visse, ela sabia que se ela a encontrasse ali, ia insistir para ficar.


Juliana decidiu se sentar em uma das cadeiras do corredor. Não ia embora, preferia esperar a festa terminar para falar com ele, não tinha pressa.


Mas Daniel, estava ansioso. — Bia. Bia… — Ele sacudiu o braço da irmã, ela acabou derrubando um pedaço de bolo na cama dele.


– Quer dar licença, eu estou com fome! — Ela reclama.


– Liga para a Julie. Por favor.


– Ela já deve estar vindo.


– Mas liga!


Beatriz revirou os olhos. — Tá bom. — Pegou o celular do bolso. Ela discou os números que sabia de cabeça. Olhou para o irmão e viu que ele sorria, acabou sorrindo junto.


– Alô? — Julie atendeu no primeiro toque. — Oi Bia!


– Juh, onde você está?


– Ah… — Pausou, pensou em mentir, sabia que se contasse a verdade Beatriz ia obriga-la a entrar no quarto. — Eu… Estou no hospital.


– Está? — Ela sorriu animada. — Vem logo! O Daniel quer muito te ver.


– E-eu… — Não deixou de sorrir com isso. — Quero muito ver ele também! — Disse feliz. — Eu estou no corredor, aqui em frente ao quarto.


– Então entra logo! É só abrir a porta! — Bia tampou o celular. — Ela está no corredor. — Afirmou para Daniel.


– Não posso… — Julie balançou a cabeça. — Está tendo uma festa ai! E é de família. E-eu não posso entrar…


– Porque não? Claro que pode!


– Eu não sou da família.

– Você é minha irmã, lembra? — Bia sorriu. Sentiu Daniel sacudindo seu braço, mas uma vez ela tampou o celular e sussurrou. — A Julie está no corredor, mas não quer entrar porque acha que estaria sendo penetra. E porque diz ela, que não é da nossa família.


– Por mim ela seria da nossa família. — Ele responde irritado. — Manda ela entrar! O Martim veio de penetra!


– Julie, para de fazer cú doce e vem! — Bia insiste. Ela suspira e coloca o telefone no bolso. — Ela desligou.


– Mas não é possível… — Daniel revirou os olhos. — Isso é tortura. — Reclamou enquanto Beatriz estava pensativa, em outro mundo. Tentava se por no lugar de Julie. — Eu quero ver ela, estou louco para ver ela, dizer o quanto eu a amo… — Daniel dizia. — E ela me tortura assim… Estamos separados por uma parede! — Cruzou os braços.


– Não Daniel. — Bia continuava pensativa quando interviu. — Ela está certa. — Balançou a cabeça. — Enquanto você estava em coma, a Julie veio te ver muitas vezes… Só que a nossa mãe não gostou disso. Perdi as contas de quantas vezes as duas discutiram. E… Agora, depois de… — Ia dizer um ano, mas repensou nas suas palavras. — Alguns meses. Você acorda, e de repente ela entra no quarto, no mesmo quarto que a nossa mãe. — Apontou com a cabeça para a mulher que cortava o bolo. — Entende? — Daniel concordou com a cabeça. — Ela tem medo de arrumar mais problemas.


– Me diz algo que ela não tem medo. — Ele reclama. — A minha mãe está feliz, eu acho que ela não ia discutir com a Julie, principalmente agora que eu estou bem.


– Ah, sabe como a Julie é…- Pausou. — Você pode esperar a festa terminar?


– Acontece que eu não queria nem que começasse!


– Dani… Por favor. — Ela pede carinhosa. — Assim que a festa terminar e o movimento acabar… Ela vem te ver. — Sorriu.


Daniel mordeu seu maxilar, ainda não concordava com isso, queria ver Juliana agora. Nesse momento. Ele apenas torceu o nariz, ainda com raiva, Bia riu da sua expressão. — Eu vou pegar algo para beber… — Disse ela, enquanto se afastava.


[...]


A festa só foi terminar lá pras sete da noite, quando o médico entrou no quarto e leu os pensamentos de Daniel. Disse que ele estava cansado e precisava descansar. O pessoal arrumou as coisas, deixou o quarto como estava antes. — Obrigado. — Ele agradeceu ao médico que apenas assentiu com a cabeça. — O que está fazendo? — Perguntou ao ver que o mesmo furou um potinho de vidro e puxou o líquido com a agulha.


– É um calmante. — Explicou. — Sua pressão está alta, deve ser por causa de toda essa bagunça…


– N-não, m-mas… Eu estou bem.


– É bom você descansar.


– Antes disso eu queria falar com uma pessoa. — Pediu.


– Relaxe o braço. — Mas o médico ignorou.


– Espere, isso… Vai me fazer dormir?


– Claro, precisa repousar. Deve acordar só amanhã de manhã.


– Não por favor, o senhor não entende… Eu… — Sentiu seu corpo relaxado, o médico aplicava a injeção. — Preciso falar com a Julie. — Seus olhos se fechavam contra a sua vontade, ele sentia suas pálpebras pesadas.


Quando o médico retirou a agulha, Daniel já dormia.


Ele saiu do quarto, Julie o barrou no corredor, se levantando da cadeira que se sentava. — Oi. — Ela sorriu. — Lembra de mim?


– Lembro. Você é a moça paranóica das agulhas.


Ela riu fracamente. — Posso ver o Daniel?


– Pode. Se não se importar de ver ele dormindo. — Julie desfez o sorriso com isso. — Apliquei uma anestesia nele.


– Ah. — Suspirou. Virou seu rosto para trás e encarou Beatriz que estava sentada ao seu lado. Bia deu um sorrisinho e balançou a cabeça. — E-então… Eu vou entrar. — Anunciou e os dois assentiram.


Julie parou na frente da porta do quarto, hesitou um pouco antes de abrir, mas tomou coragem para entrar.


Se aproximou lentamente da cama de Daniel, ela sorria, sabia que ele dormia apenas por causa da anestesia, já não estava em coma, estava fora de perigo e esse era o principal motivo para a sua alegria.

Ela ajeitou a coberta para ele. Tocou no seu rosto, ele dormia profundamente. — Será que o médico não aplicou muito? — Ela se perguntava, já imaginando que o doutor errou a doze. — Minha avó morreu assim, de erro médico, acabaram aplicando muita anestesia e ela não acordou mais. — Suas paranóias surgiram. — Não, nada a ver… — Balançou a cabeça afastando seus pensamentos.


Arrastou um banquinho e se sentou ali ao lado dele. Pegou sua mão, brincou com os seus dedos.


Passou meia hora, ela estava ansiosa para ver Daniel acordado, encarar seus lindo olhos castanho escuro. Mas nada, ele continuava dormindo profundamente.


Depois de uma hora e meia, Julie soltou sua mão. Deixou passar duas horas, começou a mexer no celular. Não tinha o que fazer.


Três horas depois, Daniel ainda dormia. Sua ansiedade aumentava ainda mais.


Após quatro horas no quarto, ouvindo apenas o som do ar condicionado. O sono começava a surgir. Mas Julie não queria ir para casa, já que esperou esse tempo todo, não se importava de esperar mais um pouco.


Ela se levantou do banquinho, tonta de sono. Viu que era onze e meia da noite e hoje seu dia foi muito cansativo. Julie se ajeitou no sofá do quarto depois de desligar a luz. Adormeceu quase imediatamente.


Três horas depois. As duas da madrugada, o efeito da anestesia começava a passar, mas Daniel ainda sentia seus olhos pesados, ele lutava contra o sono quando abriu os olhos. Por um momento pensou que não estava no hospital e não estava ferido.


Fez um movimento brusco, acabou sentindo uma dor forte na costela, ele gemeu fracamente, até que virou o rosto e mesmo na escuridão, conseguiu enxergar que alguém dormia no sofá, de costas para ele.


– Bia… — Ele chamou com a voz fraca, estava com tanto sono que mal conseguia falar. — Bia…- Tentou novamente.


Avistou um abajúr ao seu lado, esticou o braço sentindo uma dor aguda na costela. Estava quase alcançando a cordinha do abajúr. Porém, foi vencido pela dor. Ele se encolheu de novo, resolveu apenas chamar. — Bia! — Conseguiu falar um pouco mais alto, sentindo sua garganta arranhar.


Julie fez uma careta enquanto dormia. Ouvia uma voz chamando… Acordou pensando que fosse algum tipo de assombração. Se encolheu, com medo de se mexer muito e ser puxada pelo pé. — Psiu! — Daniel continuava chamando, agora tinha certeza de que a pessoa acordou. Ele já perdia a paciência, avistou uma bandeja de alumínio, e em cima dela havia um copo de vidro.


Estava perto, conseguiu alcançar.


Jogou com força no chão.


Julie gritou. Se virou para trás. — Por favor alma, me deixe em paz! — Gritou. E assim que abriu os olhos, viu que era Daniel.


E Daniel viu que não era a Bia.


Os dois se olharam. Julie sorriu. — Oi. — Daniel quebrou o silêncio.


Ela se levantou hesitante. — Oi. — Se aproximou.


Continuaram se olhando, não sabiam o que dizer. Estavam loucos de vontade de se verem, mas na hora, não tinham o que falar.


Julie se sentou no banco, ligou o abajur e iluminou um pouco o quarto. Conseguiram reparar no rosto um do outro. — Eu… — A voz de Daniel estava rouca, além de se sentir sonolento. — Estou com sede, tem.. Água?


– Água até tem, mas… Você jogou o copo no chão.


– Você não queria acordar. — Ele reclama. — Estava com medo de se virar e se assustar comigo.


– Não é isso. — Balançou a cabeça. — É porque você está com a voz diferente, rouca… E eu pensei que fosse outra pessoa. — Fez uma careta. — Quer que eu busque um copo? — Se levantou.


– Não. — Ele negou na mesma hora. — Fica aqui, por favor. — Daniel pegou a mão dela com as duas mãos. Eles se olharam de novo. — Sua voz me faz tão bem… — Ela corou. — Não sei por quanto tempo eu dormi, mas… Eu… Ouvia a sua voz. Conversando comigo. — Seus olhos continuaram focados um no outro.


– Eu… Vinha aqui te ver todos os dias. — Pausou. — Te doei sangue. — Sorriram juntos.


– Obrigado. — Ele tocou no seu rosto.


– E-espera… — Estava um pouco nervosa, virou o rosto para o outro lado. — Eu vou me aproximar… — Disse arrastando o banco mais para perto. Ele sorriu com isso.

Voltou a tocar no seu rosto, ela quase fechou os olhos com o carinho.


– Julie. — Ele a chama delicadamente. — Eu sei que posso confiar em você. — Começou, Julie ouvia atentamente. — Por favor, me diz a verdade. Me diz quanto tempo se passou, quanto tempo eu fiquei aqui.


Ela suspirou, hesitava em responder. — Por favor. — Ele insistiu.


Julie abaixou a cabeça, ainda sentindo seu rosto sendo acariciado por ele. Ela pegou a sua mão, a tirando do seu rosto, porém, entrelaçando seus dedos. — Você não sabe?


– Eu não faço a menor ideia… — Balançou a cabeça. — Me conta. Por favor Juh, por favor…


– Você… — Ainda hesitava, Daniel estava ansioso por uma resposta. — Dormiu por mais de um ano.


Ele parou, olhou para o chão. Não esperava que fosse tanto tempo, achou que dormiu apenas por uns seis ou sete meses. Mas estava redondamente enganado. — Perdi um ano da minha vida? — Estava em choque, Julie alisou seus cabelos, tentando lhe passar consolo. — Tenho… Vinte e três anos agora? Passei meu aniversário dormindo… Desperdicei trezentos e sessenta e cinco dias da minha vida.


– Calma, por favor… Eu não deveria ter contado. — Se lamentava.


– Não. Você fez o certo, eu já estava enlouquecendo com isso. Precisava saber a verdade. — Sorriu. — Mas… Me sinto… Me sinto tão fraco… — Balançou a cabeça. — Em vez de passar um ano com você, acordado, tentando te fazer feliz e te reconquistar… Eu desperdicei essa chance. — Se lamentava.


– Você não perdeu nenhuma chance. — Pausou. — Quem disse que você precisa me reconquistar? — Respirou fundo. — Tudo o que aconteceu… Você… Não faz ideia do quanto eu sofri enquanto você estava em coma. Me senti culpada.


– Você não tem culpa.


– Sch… Quem está querendo enganar? — Suspirou. — Eu tenho sim. Essa é a verdade. — Sentiu as primeiras lágrimas começando a cair. — Daniel… — Disse triste, ele ouvia atentamente, do mesmo jeito. — Me perdoe por tudo.


– Julie… — Tentou interromper.


– Por favor. Não diga nada. — Pediu passando o polegar no seu olho esquerdo. — Me perdoe se te fiz sofrer, eu não queria. — Daniel sussurrou ‘’ Eu sei. ‘’ ela continuou. — Aquele divórcio… — Ela balançou a cabeça arrependida. — Peguei a sua casa, o seu carro…


– Não Juh, você não pegou de mim. Eu te dei. — Ele disse colocando a mão no seu próprio peito. — Eu te dei de coração.


– Não deu. Eu peguei… Era o seu carro e a sua casa. E ainda te fiz pagar pensão, peguei metade do seu salário que você conseguia com tanto custo, aturando a Thalita e o seu chefe… Coloquei a culpa da morte do bebê em você. Disse que você matou ele. — Voltou a chorar. — Eu me arrependo muito de tudo isso… — Balançou a cabeça. — Nunca vou me esquecer que te fiz tanto mal…


– Você também me fez bem, sempre me senti feliz do seu lado. Apesar de tudo isso, por favor Juh… Não coloque a culpa toda em cima de você. Eu estou bem agora.


– Mas se não estivesse? Se… Não resistisse ao acidente? Você… Não sabe quantas vezes acordei pensando em você, com a minha consciência pesada por isso… Eu não ia me perdoar se acontecesse o pior com você. — Suspirou. — Eu só quero que você me perdoe, por favor, por tudo o que eu te fiz.


Ela não parava de chorar, Daniel pegou sua mão. E com a outra, limpou suas lágrimas, já que Juliana estava perto o suficiente para ele esticar o braço sem sentir dor. — Você é a pessoa mais doce que eu conheço. — Ela negou com a cabeça.


– Eu sou a pior pessoa do mundo, eu merecia ficar em coma. Não você.


– Nunca mais diga isso. — Ele respondeu sério e ríspido. — Eu acordei por sua causa. Você conversava comigo, eu lembro. — Sorriu fracamente. — Eu ouvia sua voz… Sentia você me tocando. — Ela acabou sorrindo também, mas ainda se sentia triste. — Se quer saber, todos os dias que fiquei em coma e você estava aqui comigo. Eu… Estava preparado para morrer feliz, só de ouvir sua voz…


– Daniel. — Ela o repreendeu levantando o rosto e encarando o teto, não queria deixar mais nenhuma lágrima cair. Só que não conseguia. Virou seu rosto para ele de novo. — P-por-que v-voc-ê me f-az cho-rar tan-to? — Soluçava.


Eles se olharam de novo, Daniel também estava quase chorando. Ele se ajeitou na cama, se sentando, tentando se aproximar. Ele gemeu levando a mão para a costela esquerda. — O q-que foi? — Julie pergunta limpando as lágrimas. Mas ele não conseguia responder. Ela percebe que Daniel sentia dor. — Vou chamar o médico.


– Não. P-or fa-vor. — Sua voz estava rouca e fraca. — Se e-ele vi-r aq-ui eu vou dor-mir de n-ovo. Não v-ou conseg-uir ver o seu ro-stinh-o.


– Mas está sentindo dor! — Ela começou a ficar nervosa. E então percebe, que mesmo com dor, Daniel ainda tentava se sentar na cama. Ele aproximava seu corpo. Julie começou a entender, corou com isso. — Agora não… — Ela sussurrou. Preocupada.


– Agora não? Esperei um ano por isso. — Tocou no seu rosto.


Os dois sorriram juntos. — J-Juli-e, por fav-or. — Fez uma careta. — Est-á doe-nd-o mu-it-o.


Ela alisou seu rosto também, tentava ser rápida, mas não conseguia. Queria aproveitar aquele momento. Seus narizes se encostaram, ela ouvia Daniel gemer baixinho mas ela o calou quando terminou com o espaço entre eles. Beijou seus lábios com vontade, ele retribuiu na mesma hora. Seus lábios se moviam ao mesmo tempo, era um beijo doce e simples, ainda sem língua. Era um beijo dolorido para Daniel, porém, um dos melhores. Ele carinhava seu rosto com uma mão, enquanto a outra continuava sobre sua costela, apertando a mesma para aliviar a dor. Julie tocava nos seus cabelos já cacheados, sorriram entre o beijo. Ela desceu sua mão e pousou delicadamente no seu queixo e afastou seus lábios. — Ainda dói? — Pergunta tocando no seu rosto.


– N-nã-o. — Gemeu.


– Daniel… Eu preciso chamar o médico.


Ele a beijou de novo. — N-não. — Disse entre o beijo, seus lábios estavam quase se encostando novamente. — F-ica aq-ui. — Ela sorriu. — Eu te amo.


– Também te amo.


Voltaram a se beijar de novo. Dessa vez o sentimento falou mais alto, trocaram beijões. E mesmo com toda a dor do mundo, Daniel não queria parar aquele beijo e se deitar de novo, mesmo sabendo que se sentiria mais aliviado assim. Ela abraçou sua nuca, Julie estava quase caindo do banco, mas nada ia fazer os dois pararem de se beijar. Era como se precisassem se alimentar daquele beijo. Depois de um ano separados, isso era o mínimo que conseguiam fazer. — Esperei o dia todo para te ver. — Daniel disse colocando uma madeixa negra atrás da orelha de Julie, ela sorriu corando. — Não vou deixar você sair daqui, mesmo morrendo de dor. — Ele a beijou de novo. Julie retribuiu fechando os olhos. Continuaram nos beijos por alguns segundos, quando ela se afastou.


– Eu não posso te deixar assim. — Balançou a cabeça. — Deita. — Pediu o cobrindo.


Lhe deu um beijo no rosto. — Eu vou chamar o médico.


– Não. — Ele segurou seu braço. Ela apenas se virou e torceu seus lábios, os dois sabiam que aquilo era o mais certo a se fazer.

Julie se soltou, foi até a porta e saiu. Deixando Daniel ali.


Caminhava pelo corredor largo e grande. Porém, enquanto andava, reparou que a luz no fim do corredor estava piscando. Piscava sem parar.


Era apenas mal contato.


Porém, foi o suficiente para Julie sentir medo. Ela hesitou um pouco, deu mais alguns passos.


Foi quando a luz se apagou completamente. Juliana arregalou seus olhos castanhos. Se sentia dentro de um filme de terror. Deu meia volta e correu para o quarto do Daniel novamente. Fechou a porta com força. Respirava com dificuldade, estava com medo.


– Dani, a luz apagou… — Ela comentou enquanto se aproximava. — Daniel? — Viu que seus olhos estavam fechados.


As duas mãos estavam sobre a costela.


Daniel havia desmaiado de dor. — Hm. — Ela sorriu, não queria acorda-lo. — Dormiu. Boa noite amor — Beijou seu rosto e se acomodou no sofá, onde voltou a dormir.


Notas finais
Hmmm, será que agora eles ficam juntos de uma vez?