Corações Feridos

44 Não posso me tornar como a Thalita.


Notas iniciais
Estou tão feliz com os comentários recebidos. Vou tentar responder todos agora, mas talvez eu não consiga e só responderei o restante mais tarde. Mas adorei todos os reviews! Obrigada! Vocês me inspiram *O* ~realmente não esperava um capitulo tão grande assim, pensei que chegaria à um pouco mais de três mil palavras. Só que chegou a quase cinco mil! o.o ' Desculpem! rs.

Daniel chegou em casa e a primeira coisa que fez foi ir direto no quarto da irmã. Estava extremamente preocupado com Beatriz. Ele não a viu direito no colégio hoje. E todo aquele boato sobre a gravidez dela o deixava ainda mais angustiado. Com tudo isso, ainda não teve tempo de chegar na irmã e ter uma boa conversa com ela.

Ele bateu na porta. — Entra. — Ouviu a voz fraca de Bia do outro lado, hesitou um pouco, afinal, não aguentaria ver a irmã chorando.

Mas entrou. Bia secou as lágrimas, estava com o notebook no colo e tentou disfarçar a tristeza com um sorriso. Porém, isso não convencia o irmão. — Não quero que fique assim, chorando pelos cantos... Como foi aqui em casa? — Daniel perguntou se sentando.

Ela suspirou. — Está me perguntando como foi minha conversa com o papai? — Ele assentiu. — Poxa... Para ser sincera, não esperava esse tipo de reação vindo dele.

– Como assim? Ele te bateu?

– Não. Muito pelo contrário. — Dessa vez deu um sorriso verdadeiro. — Ele apenas disse que quer me ver feliz. Ele... Disse que não esperava netos tão cedo, mas me desejou felicidade e até me abençoou.

– Viu, isso é muito bom. Você estava muito preocupada com a reação dele... E tudo ocorreu bem. Ele... Conhece o Félix, sabe que ele é um cara responsável e vai assumir você e a paternidade. — Pegou na mão da irmã. — Não quero te ver triste. Beatriz.

– Não estou triste por causa da gravidez, eu já aceitei isso... Eu tenho certeza de que o bebê vai me trazer muitas felicidades. — Sorriram juntos. — Mas... O que me incomoda agora são as pessoas comentando sobre mim, porque... Me perdi.

– Não ligue para o que essas pessoas falam, você não se perdeu. — Pausou. — Esqueça isso. Por favor.

– Sabe, tive uma longa conversa com a mamãe sobre isso ontem, e hoje pela manhã acordei até mais feliz. Só que... Chegou uma pessoa e espalhou a noticia para o colégio. E você sabe né? Todos do colégio se conhecem e então virou o assunto mais comentado em questões de minutos. — Daniel ouvia. — Você sabe quem fez isso?

– Não. — No fundo ele sabia quem era...

– Sua namorada.

Ele se levantou. — É. — Respirou fundo. — Me lembro que hoje ela e as amigas estavam falando sobre você.

– E tem mais. Além de ser a culpada pelo boato no colégio, enquanto eu passava pelo corredor ela me chamou de vadia! E ainda disse que o bebê não era do Félix. O que pensariam de mim? Que sou uma puta!

– Eu vou conversar com ela.

– Não. — Bia se levantou. — Você não vai! Não adianta conversar com ela! Ela vai continuar do mesmo jeito. — Pausou. — Sabe Daniel, eu acredito... Eu acredito de verdade que um dia você vai encontrar uma pessoa melhor do que ela.

– Não quero falar sobre a Thalita. — Notou o notebook. — Você estava no Face?

– Está mudando de assunto agora?

– Não. E-eu só não quero falar sobre ela...

– E porque?

– Tá, eu admito que esses dias ela anda mais implicante do que o normal. Mas ela gosta de mim e eu gosto dela. É isso que importa.

– Hum.

– Você estava no facebook?

– Porque tanto interesse?

– Me empresta o notebook? — Pediu e ela aceitou, Daniel se sentou na cama e entrou no facebook. Bia notou que seu irmão digitava muito, estava concentrado.

– O que está fazendo? — Perguntou se aproximando.

– Só... Uma pesquisa.

– Sobre?

– Hm. T-tartarugas.

Bia riu. — Sério isso? — Puxou o notebook. — Para! D-Daniel me solta! — Ele pulou em cima dela, tentando pegar de volta. — Espere, porque você está fuxicando o meu perfil no facebook?

– Tá bom. — Suspirou. — Você tem um blog e por causa disso tem quase todos os alunos do colégio no face, além de ser repetente e conhecer mais pessoas também... Eu... Só queria ver se você tinha... Uma menina no seu face... Chamada Juliana.

– Tenho muitas. — Cruzou os braços. — Qual é o sobrenome?

– Eu não sei, só... Sei que é da classe da Thalita.

Bia acabou se lembrando, na verdade, sabia muito bem de quem o seu irmão falava. — Conheci ela hoje. Mas não solicitei amizade no facebook, nem sei se ela tem. Por quê?

– Hm, poxa... É que... E-eu... Sabe... — Se embolava, Bia sorriu com o nervosísmo do irmão. — Fiquei sabendo que ela tem uma scooter e me interessei.

– Por ela ou pela scooter? — Bia riu.

– Engraçadinha você. Pela moto! — Respondeu irritado. — Será que pode me ajudar a procurar?

– Claro.

Os dois se sentaram juntos, Bia entrou na página oficial do colégio no facebook, procurou por ‘’Juliana’’ na search. Tinha muitos resultados por ser um nome comum, porém... Acharam. — É ela. — Bia disse com certeza pela foto.

– Sim, é ela mesmo. — Daniel clicou, foram no perfil da menina. — Droga, o álbum de fotos está trancado. — Pausou. — Parece que vou ter que adiciona-lá, Thalita não vai gostar disso...

– Você não tem que se preocupar com a Thalita. — Bia cruzou os braços. — Tem que se preocupar se ela vai te adicionar ou não. — Dessa vez, disse séria.

– M-mas... Porque? Lógico que vai.

– Tem certeza?

– Tenho poxa, nos conhecemos no bebedouro. Eu disse que ela era a garota que não gostava da minha namorada e ela revirou dizendo que eu sou o namorado da garota que não gosta dela. — Sorriu. — Divertida essa menina, né? — Agora se calou, pensativo. — É por isso. Por eu ser o namorado da garota que não gosta dela. Por isso ela não vai me aceitar... Droga.

– Não é por isso Daniel! — Bia gritou. — Eu estive conversando com ela, apesar de não conhece-lá, ela foi uma das poucas pessoas que me deu forças e um bom conselho. Mas ela também me disse coisas sobre você que... Sinceramente me chocaram.

– O que?

– Que você humilhou ela no pátio do colégio.

– Quando?

– Não sei, ela só me disse que você foi grosso.

Ele encarou o nada. — A única vez que falei com ela foi... No bebedouro. — Sussurrou, concentrado.

Lembrou do que fez.

‘’ — Ela me detesta sem motivo algum! A única coisa que eu faço é me sentar na cadeira e prestar atenção na aula, ou ler um livro! Nunca falei com ela, nunca! E se parar para pensar, ela que é a estranha! Fica implicando com pessoas que não conhece!

– Você é bonita. — Interrompeu.

Julie se acalmou, não acreditava naquelas palavras... Talvez tenha escutado mau. — O que?

– Você é bonita. — Pausou, ela o encarava tentando não sorrir. — É só... Soltar o cabelo, passar mais maquiagem... Que... fica mais linda ainda. — Daniel balançou a cabeça. — É por isso que ela implica com você. Ela... Detesta concorrência.

– Então você... — Dessa vez ela sorriu, deu um sorriso lindo, que encantou Daniel. — M-e... Ach-a bonita? É isso? Me acha mesmo bonita?

Ele ia responder, mas viu Thalita se aproximar, Julie estava de costas, por isso não a viu. Certamente Thalita escutou a pergunta de Juliana. — Hein? — Ela insistia. Enquanto Daniel não tirava os olhos de Thalita, a loira apenas cruzou os braços. Também esperando a resposta.

– Não. Não acho. ‘’

Fechou os olhos com força e respirou fundo. Sentiu raiva de si mesmo, porque fez isso? Porque mentiu?

– Droga, eu fui um idiota... Mas... Ela é muito boba para não entender que... Eu só disse isso porque a Thalita estava por perto. — Daniel falava ‘’sozinho’’, Bia o encarava, boiando. — Eu... Não humilhei ela! Ela é que... Aumenta de mais as coisas! Eu... Só disse que não acho ela bonita. Ela poderia entender que... Eu acho ela linda. M-mas... Preferiu pensar que aquilo foi uma grande humilhação! — Agora acordou e viu sua irmã na sua frente. — Quer saber Bia? A Thalita tem razão. Essa Julie é muito estranha... Tem mais! Ela... É louca! É louca!

– Você não conhece ela, não pode sair julgando!

– Eu também pensava assim... Mas agora é diferente! Ela... Não tem amigos Bia, vive sozinha e quando eu falo com ela... ela nem responde! Pegou metade do meu chocolate e também anda revidando as provocações da Thalita, acredita?

– Sério? — Bia sorriu. — Parece que ela seguiu o meu conselho. — Sussurrou.

– O que?

– Eu falei com ela, eu disse que ela deveria revidar!

– Bia! Ficou doida? Sabe como a Thalita é... Se essa menina começar a revidar pode piorar tudo. Hoje no ponto de ônibus, a Thalita quase partiu pra cima dela eu que apartei a futura briga. Porque deu esse conselho?

– Sabe Daniel. — Beatriz andou em direção a porta. — Você parece preocupado de mais com uma... Louca. — Abriu a porta. — Saia do meu quarto.

– Mas que mudança de humor hein...

– Só estou chateada com você! Precisa parar de defender sua namorada! Porque não defende a menina?! Ela quem está certa! Ela não está mexendo com ninguém!

Daniel foi para o seu quarto. Se trancou lá e nem ao menos quis jantar. Ficou deitado na cama, olhava para o teto. Pensava em várias coisas. Thalita, a gravidez da sua irmã e Juliana.

Sabia que no fundo a Thalita estava errada, ela era o tipo de pessoa que implicava com todos. Por causa disso, era uma das garotas mais arrogantes do colégio. As vezes, ele achava que Bia tinha razão. Ela sempre dizia que ele e a Thalita não tinham nada a ver.

‘’ Não deveria ter chingado aquela garota de louca. ‘’ — Ele pensava. — ‘’ Estou me tornando mais parecido com a Thalita a cada dia que passa... Preferi ficar ao lado dela do que defender a minha irmã. Vi que a Thalita e suas amigas foram fofocar sobre ela, e o que eu fiz? Nada. ‘’

[...]

– O que foi? — Thalita tentava segurar sua mão, mas Daniel sempre se soltava. — Tá tudo bem? — Perguntou enquanto caminhavam pelo campos do colégio, era oito horas da manhã. Horário da educação física na turma da Thalita, e na classe de Daniel era espanhol, só que a professora se atrasou. — Responde!

– Estou bem.

– Você está muito seco comigo, isso sim. Para com isso amor. — O abraçou, ele passou seu braço em volta do ombro dela. Thalita sorriu ao ver que estava sendo retribuída.

– Posso te pedir uma coisa?

– Claro. — A loira sorriu.

– Posso adicionar a Juliana no facebook?

– Hm. — Mudou de expressão. Ficou séria. — Por que amor? — Forçou um sorriso, não queria que Daniel suspeitasse que estava com raiva.

– Queria conversar com ela sobre motos.

Ela riu fracamente. — Mas essa garota não tem mais a moto, e era uma scooter Daniel. Scooter. — Pausou. — Espera. Ela tem facebook?

– T-tem. A... Bia q-ue me dis-se. — Modificou a verdade, afinal, ele não queria que Thalita descobrisse que ele a caçou pelo facebook por conta própria, logo acharia que ele estava interessado na garota.

– Hm. E ela tem alguém do colégio no face?

– Na verdade, não.

– Ah, e porque você acha que ela ia te adicionar? — Thalita estava com medo. Tinha uma leve desconfiança de que Julie gostava do seu namorado. — E-ela é tão anti-social. Não fala com ninguém. Já estamos na metade do ano e até hoje ela não fez nenhum amigo. É por isso que todos acham ela estranha, vive no mundinho dela. Louquinha.

– Você pode estar errada.

– Só sei que ninguém quer ser amigo dela.

– Se ela me adicionar no facebook, quem sabe... Nós podemos virar colegas. — Daniel sorriu, já Thalita deu um sorrisinho fraco, não estava gostando nada daquele assunto. — Bom, eu vou falar com os meus amigos. — Saiu do abraço. — Depois a gente se vê. — Deu um beijo no seu rosto.

A loira ficou parada no gramado enquanto via seu namorado se afastar, indo em direção aos amigos, Martim e Félix.

Ela mordeu seus dentes. Seu rosto ficou vermelho de raiva. Achava Daniel um pouco diferente, eles quase não se desgrudavam no intervalo mas agora... Pareciam mais afastados do que nunca.

Thalita passou a mão por seu rosto, na bochecha, onde recebeu o beijo. ‘’ Foi na bochecha... ‘’ — Lembrou que hoje, Daniel ainda não a tinha beijado. Se virou, pela primeira vez no ano estava sozinha. Não estava com o namorado e suas amigas ainda não tinham chegado.

Isso só aumentou mais a sua raiva.

Ela olhou para o lado, dentro do pátio. Viu a garota que tanto detestava sentada no chão, apoiando suas costas em uma das colunas dos corredores, lia o mesmo livro do ponto de ônibus.

Um rancor, um ódio intenso crescia no peito de Thalita. Julie tinha o dom de acabar com a paciência da loira, sem nem ter feito nada.

Caminhou em direção a morena. Julie ouviu passos e por poucos segundos tirou sua atenção do livro, levantou seu rosto e viu a loira se aproximar.

Thalita puxou seu livro das suas mãos. — Olha garota, não quero você perto do meu namorado, não quero que fale e nem que olhe para ele. — Foi direta.

Julie a olhou confusa, não entendia o motivo da ameaça. — OUVIU?!

– …

– Estou falando com você!

– Devolva o meu livro.

– Ah. O livro. Entendi. — A loira sorriu, folheando as páginas finas do livro, passava página por página, sem o menor cuidado. — Você me escutou, não é? Se caso o Daniel venha te pedir amizade pelo facebook... Recuse.

– Pra que eu ia querer ele como amigo? Não quero ser amiga de ninguém desse colégio, muito menos dele.

– É bom mesmo. — Fechou o livro com força, amassando algumas páginas.

– Agora me devolve o meu livro! — Julie esticou o braço.

– Hm, o que tem de tão especial em um livro bobo, hein? — Encarou o livro. — A Culpa é Das Estrelas. — Riu. — Só você mesmo para ler isso. — Abriu novamente. — Vou desamassar essas folhas para você. — Dito e feito, Thalita desamassava as folhas que dobrou ao fechar o livro. Porém, quando chegou nas ultimas páginas notou algo rabiscado ao fundo.

‘’ Você é bonita. É só soltar o cabelo, passar mais maquiagem... Que... fica mais linda ainda. É por isso que ela implica com você. Thalita... Detesta concorrência. ‘’ — Daniel Castellamare.

Ao terminar de ler aquilo, cravou o olhar em Julie. A mesma abaixou a cabeça, tinha certeza do que Thalita acabara de ler. — Parece que nunca recebeu um elogio de um homem, não? Para... — Leu de novo. — Anotar isso no livro. — Riu. — Viu como é ridicula?!

Ela levantou o rosto. — Só achei bonita as palavras dele e pensei em anotar...

– Não é por causa disso. — Balançou a cabeça. — O Daniel pode ser muito cego para perceber, mas eu não sou assim. Sei que você gosta dele. Do meu namorado. — Pausou. — Sabe o que eu faço com esse livro?

– Não, por favor... Devolva. Eu apago se quiser Thalita, mas esse livro foi um presente do meu pai. Nunca gostei de ler, m-mas... Esse livro é especi-- Thalita nem esperou Juliana terminar com suas palavras, ela rasgou a última página do livro. Isso fez com que as oito últimas páginas do livro se desgrudassem.

Julie fechou os olhos com força. Aquilo foi a gota d’água para ela. Não pensou duas vezes ao abrir os olhos. Viu que a garota ainda estava em pé na sua frente.

Juliana mordeu com força a sua perna. Fez Thalita soltar um grito forte e agudo. Um grito que se ecoou pelo colégio inteiro. Seus dentes cravaram na batata da perna de Thalita. Julie mordia com força, muita força, como se a perna dela fosse um Big Mac.

Enquanto isso, Daniel e seus amigos estavam do outro lado do pátio, conversavam sobre o jogo de futebol que marcariam no fim de semana. Mas a conversa foi interrompida pelo grito alto, agudo e infernal. — Pela voz enjoada. Com certeza é a Thalita. — Martim disse o óbvio.

– É melhor eu ir ver o que é... Depois eu volto. — Félix e Martim assentiram.

Daniel apertou seus passos, pois Thalita ainda gritava.

Ao longe, ele viu a cena: Thalita em pé, na frente de Julie, enquanto a mesma encravava seus dentes na perna da namorada.

Aquilo o deixou chocado, no fundo, Daniel sabia que essas briguinhas chegariam longe de mais.

Dessa vez ele correu. — Para! L-larga ela! Larga! — Daniel tentava puxar a namorada, mas Julie não a soltava de jeito algum. Isso só a machucava mais. Ele se agachou no chão. — Nossa, mas tá mordendo mesmo! S-solta! — Só conseguiu separa-las quando abraçou Julie por trás e a puxou.

Thalita se sentou no chão, apesar de achar o chão do pátio sujo e repugnante. Ela não aguentou aquela mordida. Seus olhos se enxeram de lágrimas. — Minha maquiagem. — Isso era o que mais a preocupava: Não queria borrar seu rímel. — Sua maldita! Olha o que me fez!

Daniel e Julie levaram o olhar para a mordida. Não estava tão profundo, mas tirou sangue e até inchou um pouco.

– Vê se aprende agora e para de mexer comigo. — A morena respondeu, catando as páginas soltas do seu livro. — Vou lavar minha boca, não sei por onde você andou. — Julie disse se levantando, não ousou em olhar para Daniel, afinal, estava completamente vermelha já que quando ele a abraçou, ela acabou caindo no seu colo.

– Ai, ai Dan... Dói muito. Ai...

Daniel esperou a morena se afastar totalmente. — É melhor você parar de implicar com ela Thalita, estou te avisando. — Olhou para a mordida. — Você colhe o que planta.

– Olha só que coisa horrível! Que mordida feia! Ela acabou com a minha perna!

– Calma, foi só uma mordida, daqui a dois dias vai sarar...

– Ai. Eu nunca senti tanta dor na minha vida. — Daniel revirou os olhos com a reclamação e a frescura da namorada. — Ainda bem que eu tenho você para cuidar de mim. — Viu Thalita sorrir.

– Eu? M-mas... É só um machucado. Você não quebrou a perna! Só levou uma mordida! E... Garanto que ela te mordeu porque você foi implicar com ela, não é?

– N-não! — Mentiu. — E-eu... Fui me desculpar com ela, e ela me mordeu!

– …

– Eu juro Dan, acredite em mim. Sou sua namorada. Fui humildemente me desculpar por ter sido grossa esse tempo todo, mas ai ela disse que sentia inveja de mim, por eu ser linda assim... E quando me dei conta, ela já estava com os dentes na minha linda perna!

Ele suspirou. Cruzando os braços. — Por favor Dan, não faça essa cara! Estou falando a verdade! — Passou a mão pelo seu rosto. — MEU RÍMEL! — Ele fechou os olhos com aquele grito.

Daniel a fitou, ela estava com o rímel borrado, suas lágrimas estavam pretas, os olhos vermelhos e, de tanto passar a mão no rosto, acabou borrando as bochechas de batom.

– Estou feia?

– N-não a-amor. — Ele forçou um sorriso. — Você está linda. — ‘’ Misericórdia... Como está feia. ‘’

– Eu sei, eu sou perfeita. — Ela sorriu. — M-mas... Ai... Não sinto minha perna.

– Pare de frescura Thalita, levanta. Daqui a pouco o sinal vai bater.

Ela esticou os braços. — Me carrega.

Daniel suspirou. Mas como era cavalheiro, assentiu, pegou o salto da namorada e a levantou.

Levou a Thalita até sua classe, mas o que os dois não imaginavam era encontrar Julie lá.

Julie só abaixou a cabeça ao ver os dois. Daniel a carregou até a cadeira, perto da janela. Se sentou ao lado dela, afinal, ele não deixaria as duas sozinha novamente. Thalita pegou seu espelho. Se viu e tentou disfarçar o susto. — Porque não me disse que estou parecendo uma palhaça?!

‘’ Você não me perguntou... ‘’

– Preciso do meu creme, base, rimel, batom... Pega a minha bolsa, Daniel.

– Você já é linda, não precisa de tudo isso.

– Não pedi sua opinião! — Estava estressada. — Pega a minha bolsa!

O loiro se virou para pegar a bolsa da namorada, que estava ao seu lado, porém no chão. Assim que se virou, ele e Julie se olharam por poucos segundos. Até ela levantar o livro, escondendo o rosto. Daniel voltou a atenção para sua namorada, que agora se pintava novamente.

Ele bufou: De um lado, uma garota estressada, arrogante e preocupada apenas com si mesma e com a sua aparência. Do outro, uma garota que mal conhecia. Tímida, sozinha e triste. Sim, mesmo não a conhecendo dava para perceber o quão Julie era triste. Qualquer um notaria isso, seus olhos melancólicos nos dava toda a certeza disso. Além de sorrir poucas vezes e ser aparentemente ‘’séria’’.

Os dois viram Juliana se levantar, ela colocou o celular no bolso, deu mais uma última olhada para Daniel antes de caminhar até a porta e sair.

Ele virou seu rosto e percebeu que Thalita estava distraída de mais se maquiando. — Amor, esqueci meu celular com o Martim, vou descer para buscar. — Deu um selinho.

– Tá, tanto faz... Não me borra!

Daniel revirou os olhos. ‘’ Não sei... Acho que ela se esqueceu que o meu celular está no bolso dela. Ou foi isso ou nem ao menos presta a atenção em mim. ‘’ — Balançou a cabeça, se levantando.

Passou apressado pelos corredores. Felizmente avistou a garota caminhando no corredor esquerdo, estava de costas para ele, a quase vinte metros de distância.

Daniel deu uma corridinha e conseguiu alcança-lá. Puxou seu braço, a virando para sua frente.

Seus rostos ficaram bem próximos, ambos sentiram um arrepio assim que seus olhos se encontraram, porém, Julie fez questão de se soltar. — Está me seguindo?

– Na verdade, estou. Quero saber porque mordeu a minha namorada.

– Pergunte a ela.

– Já perguntei.

– Então já sabe a resposta.

’ — E-eu... Fui me desculpar com ela, e ela me mordeu!

– …

– Eu juro Dan, acredite em mim. Sou sua namorada. Fui humildemente me desculpar por ter sido grossa esse tempo todo, mas ai ela disse que sentia inveja de mim, por eu ser linda assim... E quando me dei conta, ela já estava com os dentes na minha linda perna!

Ele suspirou. Cruzando os braços. — Por favor Dan, não faça essa cara! Estou falando a verdade! ‘’

– Então ela não estava mentindo. — Sussurrou, acordando de seus pensamentos, viu Juliana se afastar. Correu até ela e puxou seu braço novamente. Dessa vez a segurou. — Qual é o seu problema garota! Porque fez isso?!

– E-está me machucando, me larga!

– Ia gostar se alguém mordesse a sua perna, hein?! — Ele a apertou mais, puxando seu corpo e colando ao seu.

Ele não controlava sua própria força, só estava com raiva. Daniel era uma pessoa certa e não gostava de injustiças. Na mente dele, achava que sua namorada veio se desculpar e acabou levando uma mordida. Pela primeira vez, ele pensava que estava certo em defender Thalita.

Só que ele não percebeu o quanto a machucava, torcia o braço de Julie e ela já não tinha forças para se soltar como na primeira vez. Porém, mais forte do que a dor no braço, era a dor no peito que sentia. Julie chegou a pensar que estava enganada a respeito do Daniel, afinal, depois da conversa que teve com a irmã dele pensou que ele fosse diferente da Thalita.

Mas naquele momento percebeu que estava enganada. — Po-r favo-r, me s-solta. — Pediu em um fio de voz. Até que uma lágrima grossa escorreu de seus olhos. Assim que viu, Daniel a soltou.

Agora segurou o rosto de Julie, percebeu seu rostinho tão meigo... Quase sorriu. Ia sorrir se não fosse a raiva gigantesca que sentia da garota. — Me s-solta. — Ela virou seu rosto. — Não me machuque mais, por favor.

– Machucar? — Ele não percebeu a força que aplicou no braço dela. Estava cansado de tanta reclamação. — Deixe de frescura garota! Não te machuquei! Só te repreendi!

– Não é? Não me machucou? — Mostrou seu braço, estava com a marca da mão dele. Estava vermelho, bem vermelho. Só ai ele percebeu que Julie não era tão fresca quanto Thalita.

Eles se olharam de novo. — D-desculpe. — Pediu. — Desculpe. Deixe-me ver isso...

Julie se afastou, negando com a cabeça.

[...]

Daniel voltou para a classe da namorada, chegou da porta e viu que a loira ainda se maquiava. Bufou, revirando os olhos. — Daniel, aproveite que está ai e ligue o ventilador, tá quente aqui dentro. — Thalita pediu retirando o espelho. — Porcaria de ar condicionado... Essa droga não presta! LIGA LOGO!

Ele apertou o interruptor. Todos os três ventiladores começaram a funcionar, jogando um vento gelado pela sala, refrescando o lugar. Até que alguns papéis começaram a voar. Isso chamou a atenção de Daniel, pois os papéis vinham da mesa de Julie.

Olhou para a Thalita, mas ela se via no espelho novamente. Caminhou até o fundão, se agachou, catando os papéis, eram mais ou menos dez. — Hm, páginas... — Sussurrou, se levantando. Encarou a mesa da garota, viu que as páginas se soltaram do seu livro.

– Daniel, o que faz ai?

– Nada amor, só catando alguns papéis. Acho que são da garota. — Abriu o livro e colocou as páginas dentro dele. Sem se importar com a ordem. — Estranho é que ela não parece ser uma pessoa desorganizada.

– Muito bonito o jeito como você nota as coisas nela.

– Só estou dizendo o que eu acho, parece ser uma garota caprichosa. Não ia estragar um livro assim...

– Ah, isso dai foi que eu... — Estava tão distraída com o espelho que por um momento se esqueceu que falava com Daniel. Chegou a pensar que fofocava com uma das suas amigas.

– Dizia?

– Nada. — Passava o blush quando perguntou — Achou seu celular?

Daniel estranhou o modo como ela mudou o rumo da conversa. — Me fala agora. — Foi se aproximando.

– O que baby? Não sei de nada.

– Eu juro Thalita, que se você não me contar eu termino com você.

– Não faria isso. — Se levantou.

– Duvida é? — Pegou sua mochila. Já se preparando para sair da classe.

– Não! E-eu... Conto! — Segurou seu braço.

– Hm. — Sorriu. — Quero a verdade.

– Tá. — Suspirou. — É que quando você foi falar com os seus amigos eu... Vi a Julie e aí eu lembrei do que você me disse sobre a moto e o facebook, sabe? que você queria ser colega dela e eu admito que fiquei com ciúmes, então eu fui até lá e mandei ela... Se afastar de você.

– Como quer que ela se afaste de mim se nem somos amigos?!

– Calma, não fica com raiva. — Pausou. — Me deixa terminar.

Ele cruzou os braços, mas assentiu. — Ai. Ela disse que não queria ser sua amiga, mas eu ainda estava com ciúmes então peguei o livro dela e ela disse que foi um presente especial do pai dela, não sei, nem prestei a atenção. — Fez uma careta. — Só lembro que eu rasguei o livro e ela me mordeu.

Se encararam, ela deu um leve sorrisinho mas Daniel se mantinha sério. — Como pode fazer isso com ela? Se era um presente especial você nem parou para pensar?! O pai dela pode estar doente, ou até morto!

– Não briga comigo meu mô. Olha, ela também não deixou barato! Ela me mordeu! E eu só fiz isso porque senti ciúmes e porque eu te amo. Daniel, está me ouvindo?

Ele passou a mão pelos seus cachos. — Droga... — Sussurrou, lembrando do que fez com Juliana. — Eu fiz uma coisa horrível com ela! Acreditando na sua mentira! Pensei que... Você tinha se desculpado com ela... E... Ela tinha te mordido... Droga... E-eu machuquei ela... Com... Palavras e com a minha mão.

– Você bateu nela? — Thalita tentou não sorrir.

– Mais ou menos, torci o braço dela. E por sua culpa!

– Ount amor, foi cruel com ela só para me defender. É por isso que eu te amo tanto. — Ela o abraçou.


Notas finais
Julie agiu certo ou perdeu a razão?
E o Daniel? Deveria pedir desculpas pra ela né... rs. Comentem!