Notas iniciais
Acho que pelo titulo vocês já vão entender. rs. Gostei do capitulo, espero que vocês também...
Ahh,! Amei os reviews! Mas eu devo responder só mais tarde! *-----*

Desligou o telefone. Afundou seu rosto molhado pelas lágrimas no travesseiro. Não conseguia esconder a tristeza que sentia nem para si mesma. Pensou em ligar para a sua mãe e desabafar um pouco. Mas achou melhor não, não queria envolver sua mãe nos seus problemas. Já se sentia madura o suficiente para lidar com eles sozinha.

Se remexeu na cama, sabia que com tantos pensamentos seria difícil dormir. Ainda mais porque as lágrimas deixavam seus olhos mais irritados. De alguma forma, tentava tirar o Daniel da sua mente, mas não conseguia.

Lembrou do rapaz carinhoso e alegre pelo qual se apaixonou. Apesar de não ter muito tempo para o filho deles, Julie sabia que Daniel era um ótimo pai, sempre que podia brincava com o neném… Tinha até mais paciência do que ela.

Seriam uma família perfeita. Se não fosse pela tragédia que estragou a vida dos três.

‘’ Diego me matou… E agora estou matando o Daniel… ‘’ — Esse pensamento a dominava.

Ela esticou o braço para alcançar a foto que estava sobre o criado-mudo. Era antiga, mas foi um dos dias mais marcantes de sua vida.

Na foto estavam os três, na frente da maternidade. No primeiro dia de alta depois do parto.

Ela abraçou aquela foto. — Eu amo vocês dois…

[...]

Juliana chegou no seu trabalho meia hora atrasada. Se sentou, sem coragem de ir até o escritório de Daniel e lhe explicar sobre seu atraso. Começou cumprindo com o seu trabalho, era um dia normal. Recebia ligações e anotava recados importantes. Mas não conseguia entender o que estava acontecendo com ela. Não parava de chorar. Mesmo tentando pensar em coisas alegres. As palavras da sua ex-sogra passeavam pela sua mente. ‘’ Saia da vida dele. ‘’ Era uma ordem.

Mas será mesmo que ela deveria fazer isso? Estava confusa com os seus sentimentos. Sabia que Daniel foi o único homem que ela amou de verdade. E de repente, esse amor acaba? Ou apenas não quer ficar com ele porque Diego, ‘’o fruto do amor dos dois’’, como Julie dizia, morreu?

Tudo isso era por causa das suas superstições bobas?

Ela acordou dos pensamentos, percebeu que o papel que anotava estava molhado de lágrimas, manchando a tinta da caneta, ainda fresca. Levantou o rosto, olhando para o teto. Não queria borrar seu rímel então não se atreveu a limpar as lágrimas.

Se levantou. Precisava se demitir.

Caminhou até a porta onde a separava de Daniel e sem bater, entrou.

Lá estava ele. Digitando algo no computador, mas parou assim que ouviu a porta se abrir. Levantou da cadeira imediatamente ao ver que Julie estava ali. Ela se surpreendeu quando viu que já estava nos braços de Daniel.

Ele a abraçava com força, como se ela fosse uma pedra preciosa. Julie não resistiu e retribuiu aquele abraço, tocando e brincando com os cachos dourados. Ela chegou a fechar os olhos ali, faltava pouco para não adormecer nos braços de Daniel. Já que aquele abraço lhe passava uma proteção.

– Me perdoe. — Ele disse.

– O que? — Julie se soltou, se sentia confusa. — Perdoar?

– Minha mãe disse que te ligou ontem, devia estar nervosa… Me perdoe se ela falou alguma merda para você. Só quero que você apague tudo o que ela te falou, tá? — Tocou no seu rosto. — Apaga, esquece, deleta. Por favor.

– Você sabe o que ela me disse?

Ele pensava que era algo em relação à noiva dele. Já que iam noivar esse mês e ele estava aparentemente feliz com isso.

– Não. Ela não me disse, só falou que era coisa de mulher — Fez uma careta.

– Ela me disse muitas coisas. Disse que eu quero ver você sofrer. Que se enganou sobre mim, pensou que eu fosse uma boa pessoa mas na verdade não sou, me chamou de sádica, cruel, fria… Que eu estou te torturando.

Ele cerrou os punhos. — Vou ligar para ela… — Disse indo em direção à mesa, pegando seu celular.

– Não. — Mas Julie segurou sua mão. — Deixa isso pra lá.

– Não! Porque agora, do jeito que você é, vai achar que tudo isso é verdade, que essa ligação da minha mãe foi um sinal para você sair da minha vida.

‘’ É exatamente isso que estou pensando. ‘’ — Era incrivel como Daniel a conhecia bem.

Mas Julie não admitiria isso, não queria deixar ele nervoso, triste… Ou melhor, não queria fazer ele sofrer. — Não é verdade, não pensei assim… Eu… Pensei que… Ela… Me fez abrir os olhos. — ‘’ Para me demitir e sumir da sua vida. ‘’ — Para… Ah… Quer sair comigo?

Um sorriso se moldou nos seus lábios. Não conseguia acreditar naquilo e Julie precisou repetir a pergunta para ele ‘’acordar’’. — Quer?

– Quero. — Segurou sua cintura. — Claro que quero. — Continuava sorrindo quando aproximou seu rosto do dela.

– Huh. — Mas Julie se soltou. — Só que tem condições.

– Cumpro com todas.

– Ótimo. A primeira é que vamos de carro, não quero andar de moto. — Contava as condições nos dedos. — A segunda… Você não vai beber. — Ele assentia com a cabeça. — E a terceira… Não tente me beijar. Como você fez agora!

– Não posso te beijar como fiz agora?

Ela cruzou os braços. — Não.

– Então… — De um modo rápido, ele puxou fracamente os cabelos soltos de Julie. Tomando controle sobre seu rosto. — Posso te beijar de um outro jeito? — O coração de ambos acelerou com a pergunta. Daniel segurava a cabeça dela, alisando seus cabelos. Deitou a cabeça de Julie no ombro dele. Enquanto a mesma estava apavorada com esse tipo de atitude.

– O que é isso?! — Via que Daniel aproximava seus lábios. — M-me solta!

Ele não soltou, apenas deu um sorriso de lado. Seus lábios se encostaram para um selinho demorado. Ela sentia a ponta da língua de Daniel, ele tentava aprofundar o beijo mas Julie não cedia.

Até que com raiva, a mesma mordeu os lábios dele. Mordeu com força.

Daniel tentou se afastar, mas não conseguia. Parece que a morena cravou seus dentes ali. Ele segurou o seu rosto, tentando desesperadamente se soltar, já que começava a doer.

Mas Julie estava com raiva daquele beijo. ‘’Ele pensa que esses beijos não significam nada para mim, mas na verdade… Significam muitas coisas. Ai eu fico pensando nos beijos enquanto ele volta para a sua noiva e esquece tudo. ‘’ — Com esse pensamento, Juliana agarrou o pescoço dele. Aprofundando aquela mordida.

Ele segurou sua cintura, queria se soltar a todo custo.

Julie sentiu gosto de sangue. Abriu seus olhos, arregalando os mesmos.

O soltou.

Daniel passou a língua pelos lábios, olhando triste para ela.

– Me deixa ver. — Ela pediu mas o loiro se afastou. — Daniel, eu te machuquei? — Ele apenas assentiu com a cabeça. — Ai não… Me deixa ver isso. — Ele negava com a cabeça, se afastando e indo até a porta.

Mas antes de sair, ele cuspiu sangue na lixeira e Julie teve a plena certeza de que seus dentes o cortaram.

Julie o seguia. — Por favor, me perdoa!

Ele se virou para ela. — Já está perdoada. — Balançou a cabeça, mas parecia sério. — Eu fui o culpado, certo? Não deveria ser carinhoso com a mulher que amo.

Ela quase sorriu com isso, só não sorriu porque se sentia culpada de mais com o que fez. — Disse amo?

– Disse amei. — Fechou a porta com força.

[...]

O restante da tarde foi normal, Daniel não tentava se mostrar muito animado com o encontro dos dois logo mais e Julie… Bom, ela ainda se sentia confusa com seus sentimentos. As vezes achava que não deveria sair com ele, outras vezes pensava que era o mais certo a fazer, afinal, assim teria certeza de seus sentimentos.

‘’É o que eu espero.’’ — Pensava.

Chegando em casa, Daniel abriu a porta animado, completamente diferente da última vez. Sua mãe se levantou afobada do sofá, assistia a novela da tarde quando viu Daniel chegar com toda aquela empolgação. — Filho? — Ela sorriu ao ver que ele parecia… Sóbrio. — Tudo bem?

Daniel não respondeu, apenas abraçou e beijou com carinho o rosto da sua mãe. — Eu te amo! — Disse apenas isso. Já que se não fosse sua mãe ligar para a Julie, ele não teria a oportunidade de sair com ela.

– Huh. — Ela viu seu filho subir as escadas com animação e rapidez. — Também te amo! — Gritou, mas ele não ouviu.

Se trancou no quarto. Não queria se atrasar então correu para o chuveiro.

Terminou de tomar o seu banho, se arrumar… Agora apenas penteava o cabelo, ou melhor, bagunçava, deixando de um jeito relaxado. ‘’Sei que a Julie odeia o meu cabelo assim… ‘’ Por isso deixou seus cachos desarrumados, para Julie ajeitar…

Se perfumava até que ouviu o telefone tocar. Logo imaginou que fosse Julie. Pegou o celular, sorrindo, mas em poucos segundos o sorriso desapareceu.

Débora. — Ela ligava.

– Não… — Ele sussurrou, pensou em desligar mas sabia que a mesma ia suspeitar aquilo. Resolveu atender logo. — Alô?

– Oi amor.

– Oi. — Suspirou.

– Nossa, mas quanta animação. — Ele ficou calado, Débora continuou. — Você vai passar aqui em casa?

– Hoje?

– Claro querido. — Pausou. — Vamos sair, né?

– A-ah… Sa-ir? — Não trocaria Julie por nada. — E-eu… Eu vou passar a noite no trabalho.

– Trabalho? Porque? Não é lá que a sua ex trabalha também?

– É… m-mas… El-a não vai estar l-á.

– Hm. Está nervoso?

– Mas porque tantas perguntas?! Não estou nervoso! Estou atrasado!

– Nossa, me desculpe se estou ocupando o seu tempo.

Daniel desligou.

Estava um pouco atordoado depois daquela ligação, realmente tinha se esquecido da promessa que fez para sua noiva, que sairia com ela hoje.

Pegou dinheiro e desceu.

Encontrou mais um obstáculo: Sua mãe ainda assistia a novela.

Ela se levantou, parando na frente da porta. Notou que Daniel estava muito bem arrumado. — Onde vai querido?

Ele não queria dizer que ia sair com a Julie, já que as duas discutiram e sua mãe estava irritada com ela. — Vou encontrar minha noiva.

Ela sorriu. — Isso é ótimo, Dan. — Tocou no seu rosto. — Eu sei que um dia você vai esquecer a Julie. A Débora é a mulher da sua vida.

Daniel só balançou a cabeça, sorrindo. Estava tão feliz que não se importava com aquelas palavras. — Claro…

Ele andava apressado pela rua, a cada minuto olhava para o seu relógio de pulso. Estava vinte e cinco minutos atrasado e já que Julie não queria andar de moto, ele precisava ir à pé.

[...]

Chegou na frente do cinema, logo encontrou Juliana sentada em um banco, com uma cara de poucos amigos, porém, absurdamente linda. Ele parou ali, ainda um pouco afastado para admira-la secretamente.

Usava um vestido delicado, porém, preto. Um salto simples com spikes e uma jaqueta de couro azul escura.

Se aproximou lentamente dela, Julie olhava para o lado oposto e não percebeu ele ali. Daniel se sentou ao seu lado no banco e cutucou seu ombro.

Julie se virou. Reparou rapidamente nele. Estava lindo, usava um blazer preto com uma blusa por baixo, calça jeans e um tênis da Nike. — Está trinta e sete minutos atrasado. — Juliana cruzou os braços.

– Me desculpe, eu precisei vir a pé.

– Hm. — Continuou de braços cruzados. — Perdemos a sessão das oito. As próxima é só as nove e vinte.

– Está chateada?

– Na verdade, estou. — Empinou o nariz. — Não gosto da sessão das nove, sempre enche mais.

– Vai continuar chateada mesmo se… — Ele mostrou algo que escondia nas costas. — Ganhar uma rosa?

Ela não conseguiu esconder o sorriso. Era uma rosa vermelha. Julie pegou.

– Que linda. — Estava grande, cheia de pétalas. O cheiro era delicioso e forte. Eles se olharam, foi quando Julie perguntou. — Você não pode me dar essa rosa, ou… Pode?

Ele fez uma expressão confusa, mas respondeu. — Claro.

Julie balançou a cabeça. — Não sabe do que eu estou falando né? Sobre simbologia. As rosas vermelhas significam amor, paixão e carinho…

– Então eu deveria ter te dado um buque de rosas vermelhas. — Ela corou com aquilo. — Mas porque você me fez essa pergunta?

– Ah. — Ela cheirou a rosa mais uma vez. — N-não sei… Me senti estranha de aceitar… — Riu fracamente. — Me lembro que você sempre me dava rosas vermelhas.

– Te dava todo o tipo de rosa. — Eles recordavam. — Te dava cartas… — Sentiu seu bolso vibrar. Suspirou. — Só um momento. — Viu que era uma mensagem da Débora. Nem olhou, apenas apagou. Sem se importar. Se virou novamente para a Julie. — Lembra das cartas?

Ela sorriu. — Lembro. — ‘’Tenho até hoje.’’ — Sempre gostei muito.

– Agora uma coisa que você não vai se lembrar, tenho certeza. — Juliana ouvia com atenção. — Aquele livro que eu te dei. — Sorriu.

– Não vou lembrar? Tenho ele guardado..

– Tem? — Ele arregalou os olhos. — Mas você leu?

– Claro que li. Quando terminei eu guardei e… — Novamente foram interrompidos pelo toque do celular de Daniel. Agora Débora ligava.

– Mas que droga… — Ele já estava começando a ficar nervoso.

– O que foi? — Julie sussurrou.

Daniel se levantou do banco.

– Não é nada, vou comprar os ingressos para o filme… — Caminhou até o balcão. Parou lá e atendeu o celular. — O que quer hein?

– Poxa, você desligou na minha cara!

– Eu disse que estava atrasado! — Rosnou. — Estou trabalhando.

– Senhor, a pipoca grande é doze reais. — O rapaz do balcão disse.

– Quer calar a boca?!

– Daniel, quem é que está ai? — Perguntou Débora, confusa.

– Ninguém.

– M-mas… Eu ouvi uma voz… Falando sobre pipoca…

– Você ouviu outra coisa. — Forçou um sorriso.

– Daniel. — Julie tocou no seu ombro. — Que filme vamos assistir?

Nervoso com a situação, Daniel desligou novamente o celular. ‘’Débora vai acabar comigo, primeiro foi o anel, agora isso...’’ Mas nada o deixaria triste naquela noite perfeita. — Pode escolher, Julie. — Sorriu para ela.

– Pode ser romance? Sempre gostei de romances.

– Ah, pode sim. Sei que gosta de romances. — Disse isso puxando sua cintura e surpreendentemente, Julie deixou. Queria abraça-lo também, talvez até mais do que ele.

Chegaram na sala de cinema quando deu a hora. Estava lotado como Julie pressentiu. Além de lotado, estava completamente escuro. Tão escuro que ela nem viu o degrau. — Ah. — Mas Daniel a segurou por trás. — Obrigada, sou uma desastrada né? — Sussurrou. — Vou usar minhas mãos para enxergar... — Foi andando, conseguiu subir alguns degraus. Daniel estava ao seu lado. — O que é isso?

– Julie, tire a mão daí.

– Nossa, desculpe!

– É só me seguir... Vem, me dá a sua mão... — Ela deu. E seguiu o Daniel.

Se sentaram nas poltronas de trás, eram sempre as melhores. O filme não demorou para começar. Eles conversavam mas precisaram parar.

– Quero pipoca... — Julie pediu esticando o braço, mas foi no mesmo momento em que ele lhe deu a pipoca. Ela acabou derramando algumas na poltrona da frente. — Oh. — Um senhor alto e forte sentiu algumas pipocas caírem sobre sua careca, era bem mau encarado.

Os dois logo ficaram com medo.

Ele se virou para trás, Daniel e Julie disfarçaram. Ela deitou a cabeça no seu ombro enquanto ele alisava seu rosto e sussurrava. — Meu amor, porque não quis comprar pipoca? — Daniel sussurrou.

– Ah, sabe que eu detesto pipoca...E ainda tem gente mau educada que joga nos outros né, coisa feia... — Respondeu encostando seus narizes.

O homem se virou para frente novamente, tinha certeza que não foi os dois jovens apaixonados, atrás dele.

Julie se afastou, encarando Daniel. Os dois riram. — Não é a primeira vez que você faz isso... — Ele comentou enquanto balançava a cabeça.

Ela ainda ria quando respondeu. — Acho que é a quarta vez que eu derrubo pipoca em alguém. — Julie parou de falar e encarou o telão. O filme ainda estava no começo, dava para entender e assistir se parasse de conversar.

E foi o que ela fez. Começou a prestar a atenção no filme. Comia um pouco de pipoca e bebia o refrigerante.

Daniel não assistia o filme, só mexia no celular e muito mau olhava para o telão. Detestava romances, mas até hoje, nunca disse isso para Julie.

– Desculpe. — Ela sussurrou ao ver que encostou sua mão na de Daniel. Ele apenas assentiu com a cabeça.

Colocou o celular no bolso. E olhou a sua volta, mesmo escuro, ele conseguia perceber que a maioria das poltronas eram formadas por casais. Até mesmo o homem mau encarado que ganhou um banho de pipoca estava com sua mulher.

Daniel percebeu Julie ali, estava sentada ao seu lado, mas parecia tão separada...

Lembrou da época que saiam muito para ir no cinema. Os dois se agarravam o tempo todo, mau prestavam a atenção no filme. E Julie precisava ver o resumo do filme pela internet só para sua mãe não suspeitar que ficaram de agarramento o tempo todo. — Huh. — ''Saudades daquele tempo...'' Com isso, Daniel esticou o braço. Passando o mesmo por cima do ombro de Julie.

Ela se virou para ele e sussurrou. — O que é isso?

– É... o meu braço...

– Hm. — Segurou seu braço, o tirando do seu ombro. — Sabia que o seu braço é pesado?

– Você não reclamava disso antes. — Sem desistir, ele conseguiu pegar a mão de Julie e entrelaçar os seus dedos. Isso ela deixou. Ele aproximou seus rostos, beijou a bochecha dela sussurrando. — Já percebeu que você é a única nessa sala que está prestando a atenção no filme? — Daniel perguntou.

– Já. — Ela sussurrou de volta. — Os outros estão se atracando, como se isso aqui fosse um motel.

Ele riu, ainda beijando o seu rosto, Julie não se esquivava.

– Vem cá, chega mais perto.

– Daniel, não tente nada se não eu vou sair daqui e vou embora.

– Tá. Pode confiar em mim. Só quero você mais perto... Por favor...

Julie cedeu, se deitando no peito dele, Daniel passou seu braço por sua cintura, a abraçando mais. Os dois suspiraram juntos... Pareciam aguardar ansiosos aquele momento.

Daniel até desligou o celular, não queria que nada no mundo interrompesse aquele abraço. Voltou a beijar o rosto e cabelos de Julie. Ela estava extremamente cheirosa. Julie fechou os olhos, quase adormecendo com o carinho. Estava tão bom.

Juliana sentiu que alguém de trás lhe tacou uma pipoca. Ela virou seu rosto para ver quem era, mas acidentalmente, acabou mais próxima de Daniel. Os dois fitaram os lábios um do outro. Enquanto suas mentes se enxiam de pensamentos.

Julie ainda se sentia na dúvida se beijava ele ou não, mas quando se deu conta, seus lábios já se colavam.

E não era apenas um selinho. Já começou com um beijão. Um beijão para matar a saudade. Daniel segurou seu rosto, encaixando seus dedos nas madeixas pretas de Julie. Enquanto a mesma retribuia o beijo como se precisasse disso para sobreviver. Era um beijo desesperado, ardente. Daniel até se ajeitou na poltrona para encontrar uma posição melhor.

Suas línguas se tocavam, batalhando por espaço. Julie tocou levemente no seu rosto, subindo sua mão até os seus cachos.

Pararam para recuperar o fôlego. Julie levantou o braço da poltrona que atrapalhava os dois. E com isso, Daniel puxou sua cintura e ela caiu em seus braços de novo. Voltaram a se beijar com tudo, esse beijo foi ainda melhor do que o outro. Daniel a beijava com carinho e luxuria. Escutavam os estalos das suas línguas e sorriam entre aquele beijo molhado. Ele tentava controlar sua mão, mas faltava pouco para não pousa-la no bumbum dela. Pararam de novo. Agora seus narizes se encostavam, recuperavam o ar perdido enquanto seus lábios ainda se tocavam levemente. Julie desceu sua mão para o toráx dele. Daniel apertou a sua coxa e ela deu um leve pulinho.

Se encaravam com desejo, até que avançaram ao mesmo tempo. Eram selinhos que logo se transformaram em beijões.

Mas dessa vez Julie se soltou rápido. Se afastou um pouco, parecia assustada. Daniel a olhou em entender.

A morena pegou sua bolsa e se levantou. Ele ficou sentado, realmente não entendia aquela atitude.

Viu Julie passar pelas pessoas e sair. Daniel se levantou e a seguiu.

Puxou o seu braço. Viu os olhos de Julie marejados. — Mas o que foi? — Ele perguntou.

– O que você sentiu com o beijo? — Ela perguntou deixando uma lágrima escapar.

– Senti muitas coisas. — Disse a abraçando pela cintura. Julie pousou sua mão no seu peito.

– Sabe o que eu senti?

– Não.

– Sangue.

Ele ficou calado. — Daniel. — Tocou no seu rosto. — Você ainda está sangrando por causa daquela mordida? Hein?

– Esquece isso, vamos voltar.

– Não. — Ela puxou o seu braço e insistiu. — Ainda está sangrando?

Ele olhou em seus olhos. Julie esperava um ''Estou'' sair dos seus lábios mas Daniel respondeu. — Com certeza.

Ela pegou sua mão. Os dois saíram do cinema, caminhavam pela rua. Julie estava mais apressada do que ele. — Porque está correndo?

– Eu vou te levar para o hospital. — Estava preocupada com ele.

– Não Julie... Por favor... Essa noite foi tão boa, eu não quero me lembrar dos problemas. Por favor...

Ela parou na calçada e suspirou. — Tudo bem. — ''Não seria justo fazer ele lembrar disso agora...'' — Eu vou para casa então...

– Eu te levo. — Pegou na sua mão.

– Não, Dan... Está tarde.

– Por isso mesmo.

– Não seria justo te fazer caminhar daqui até a minha casa e da minha casa até a sua.

– Eu não me importo.

– Sch, não precisa, tá? — Tocou nos seus cachos, tentando arruma-los. — Obrigada pelo filme.

– Você nem assistiu todo. — Sussurrou triste.

– Mas eu gostei do mesmo jeito. — Disse o abraçando. — Obrigada pela rosa também. — Se soltou. — É muito linda.

– É. — Ele sorriu fracamente. Puxando sua cintura. — Mais um beijo?

Ela se soltou. — Acho melhor não.

– Porque? — Tocou no seu rosto.

– P-porque... Eu... Acho que foi errado.

Ele riu pelo nariz. — Errado? Como pode achar que isso foi errado?!

– Daniel. — Disse tirando sua mão do seu rosto. — Eu não quero discutir com você. — Balançou a cabeça e foi andando.

Deixando o rapaz parado na calçada.


Notas finais
tanta coisa, rs. O que acham? Cometem!