Corações Feridos
20 Ele quer que eu mude, não sei se consigo.
Notas iniciais
Adiantando também que vão acontecer coisas horríveis com a Julie e com o Daniel (Principalmente com ele) depois do nascimento do bebê...
– É melhor deixar ele dormir, ele deve estar muito cansado... — Daniel ouviu sua mãe dizer para Bia, ele foi abrindo os olhos aos poucos. Já acordado. Sua mãe continuou. — Tadinho, ele acordou cedo... Foi lá para o outro lado da cidade. Quando ele acordar a gente dá a notícia.
– Q-que noticia?! — Logo se levantou da cadeira, seu coração estava acelerado. — Como a Julie está?
– Calma querido. — Sua mãe riu. — Ela está bem, já teve o neném...
– O meu filho. — Sorriu abobalhado. — O meu filho já nasceu... — Seus olhos brilharam com a noticia.
– É, já nasceu. A enfermeira já levou e já trouxe pra Julie de volta. Ele é lindo, acabamos de sair do quarto. — Bia comentou.
– Ele... Ele parece mais comigo ou mais com ela?
– Acho que é a mistura dos dois. — Sua mãe respondeu.
– E-eu... Eu quero ver!
Bia o levou para o quarto de Julie. Mas dessa vez ela deixou os dois sozinhos, Daniel entrou no quarto, a primeira coisa que fez foi olhar para Julie. Viu que a mesma estava dormindo, era um sono profundo, tão profundo que ela nem sentiu o beijo que ele lhe deu na testa. Ele viu um bercinho ao seu lado. Foi se aproximando.
Ele não contia a alegria e a emoção que sentia. O fruto do amor dos dois já tinha nascido. E era lindo. Era branquinho, quase pálido, como Daniel. Os cabelos eram lisos e loiros, o rostinho era redondo. Daniel pegou sua mãozinha, era tão pequena e frágil que ele sorriu involuntariamente. Ele sentiu o neném segurar seus dedos, o indicador e o dedo do meio. — Q-que esperto... — Sussurrou. Estava orgulhoso de ter feito um neném tão lindo. Ele queria pega-lo no colo mas estava um pouco nervoso, tinha medo de machucar seu filho.
– Da-n. — Julie abriu os olhos aos poucos, sorriu fracamente ao ver Daniel ali.
– Julie... — Ele veio se aproximando. — Eu não queria te acordar. — Tocou em seus cabelos, Julie foi puxando sua blusa e seus lábios se encontraram ao mesmo tempo. Suas línguas traçaram uma guerra por exploração. Queriam se beijar para comemorar o nascimento do fruto do amor deles.
Juliana foi enroscando seus dedos nos cabelos de Daniel. Enquanto o mesmo tentava encontrar uma posição melhor para ficar. O beijo se tornava mais intenso e urgente a cada segundo. Mas o ar foi se fazendo necessário, precisavam se afastar um pouco para recuperar o fôlego.
Mas quem disse que eles queriam se afastar?
Já fazia tempo que não se beijavam assim. — S-sent-i tan-tas sau-d-ades... s-suas. — Julie disse entre os selinhos.
Ele não respondeu, apenas pôs a mexa de cabelo dela atrás da orelha, e nisso desceu as mãos para o pescoço de Julie. A beijou novamente, um beijo de língua, mesmo sem fôlego. Ela retribuiu sorrindo entre o beijo, enquanto alisava o peitoral dele. Estava quase desabotoando sua blusa.
Até que ele se afastou, respirava com dificuldade e a olhava com um pingo de reprovação. — Não podemos fazer amor dentro de um quarto de hospital. — Disse abotoando sua blusa novamente Ela riu e sussurrou '' Bem que poderíamos... ''. Ele se sentou em uma cadeira, a arrastando para o seu lado. Pegou sua mão e entrelaçou seus dedos. — Me desculpe pelo o atraso.
Isso a fez lembrar que ele não estava com ela em um dos momentos mais importantes da sua vida, na verdade, no momento mais importante da sua vida. — O que estava fazendo de tão importante para não chegar a tempo?!
– Eu estava resolvendo nossos assuntos, lá na cidade! E eu pensei que você só teria o neném no dia seguinte. — Reclamou. — Que moleque apressado... Custava esperar mais um dia pra nascer?
– Hum... — Ela olhou para os lados.
– Julie... Você não está chateada, não é?
– Poxa, fiquei te esperando! Optei por sentir dores por mais tempo, só para te ver e ganhar um beijo. — Pausou. — Fiquei em trabalho de parto por horas...
– O parto não foi cesariano, né?
– Foi sim. — Sua resposta deixou Daniel confuso. Quando ela ia explicar escutou um choro fraco, olhou para o lado e viu o neném. Ela o pegou, colocou delicadamente no seu colo e começou a acariciar seu rostinho. Daniel foi se aproximando também para ver seu filho. — O médico começou com o parto normal, mas fiquei horas e horas tentando expulsa-lo mas não consegui. Aí ele fez a cesária. Eu acho que ele viu o cordão umbilical preso no pescoço, e teve mais cuidado na hora de tirar... — Explicou. — Aí... — Sorriu. — Nasceu essa coisinha linda. — Admirava seu bebê. — Olha só esse tamanho de mão. Eu nunca vi uma mão tão pequena assim.
Daniel riu. — Eu até queria pega-lo, mas fiquei nervoso. Sei lá... Tenho medo de pegar ele e quebrar o braço... A perna...
– Já viu os olhos dele? — Julie perguntou e ele negou. — São iguais aos seus. São pretos! Lindos! Só que são amendoados... e grandes... Que nem os meus. — Sorriu.
– Bem que a minha mãe disse que ele era a mistura de nós dois.
– Nossa... A minha mãe nem sabe que eu já tive o neném... — Disse beijando a mãozinha de Diego.
– A gente avisa ela depois. — Daniel se sentou ao seu lado. — Julie, o neném nasceu... E nós precisamos mudar nossas vidas.
– É. — Interrompeu. — Precisamos fazer uma rotina...
– Não é nada disso! — Gritou e pela primeira vez Julie ficou assustada com o Daniel. Sentiu medo do seu tom de voz. — Desculpe amor. — Tocou no seu rosto. — Eu só queria que você mudasse um pouco...
– Como assim?
– Eu não sei... — Não conseguia falar, estava enrolado. — Esse seu jeito.
– Não gosta do meu jeito?
– Não é isso... S-só qu-e... Ach-o qu-e...
– Daniel Castellamare, está gaguejando porque?
– Droga, voc-cê me deixou nerv-oso. — Respirou fundo. — Só a-cho que você poderia melhorar um pouco as suas manias...
Ela suspirou. Disfarçou, amamentando o neném. — Você quer que eu melhore? É que... E-eu... Eu sempre acreditei nessas loucuras... E tá... Admito que sou um pouco maniaca...
– Um pouco?
– Daniel não força!
– ...
– Eu vou mudar então, vou mudar completamente.
– Não. — Ele beijou sua mão. — Completamente não. — Pausou. — Eu só acho que depois que nos casamos você ficou mais supersticiosa. — Suspirou. Olhando em seus olhos. — Não quero que mude completamente, não vai ser você mesma se isso acontecer.
– Tá bom. — Sorriu. — Eu te amo, e por você eu vou melhorar. Tá?
– Te amo também. — Lhe deu um beijo na testa. E os dois ficaram ali, admirando seu filho recém-nascido.
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