Corações Feridos

64 Depois da viagem


Notas iniciais
ooi, passando aqui para dizer que amei o review de TODAS! Queria dar uma estrelinha dourada para cada uma de vocês, cada leitora tem uma opinião diferente e isso me anima muito! Obrigada! >< '
Meu mouse está com problema, a setinha fica sumindo e reaparecendo e isso está me irritando '-'
Talvez eu responda aos comentários só mais tarde, quando eu comprar um outro ainda hoje.

Julie chega até a casa de Bia, estava com as malas, mas ainda ia esperar o táxi. Ela bate na porta da casa da amiga e ouve um ‘’já vai’’ lá dentro. Bia abre a porta depois de alguns segundos de espera.

As duas se olham e suspiram ao mesmo tempo. Com certeza sentiriam saudades uma da outra. — Entra. — Bia disse abrindo mais a porta.

Julie assentiu, entrou lentamente, olhou em sua volta. — Onde está a Nanda?

- Na creche, Félix foi buscar ela. — Pausou. — Vai esperar eles? Ela sai daqui a meia hora.

Julie faz uma careta, queria muito se despedir de Félix e Fernanda. — Não vai dar. — Respondeu desanimada. — Daqui a pouco eu tenho que ir. Não posso deixar o voo atrasar.

Bia concorda com a cabeça. As duas se sentam no sofá. Bia estica suas pernas, alisando sua barriga que a essa altura, já estava de um tamanho mediano. Ela percebe que Julie a encarava. — Você não vai chegar da Noruega grávida, vai? — Bia não pensa antes de dizer.

Julie arregalou os olhos interpretando de uma outra maneira. — É que... Não sei... Você olha tanto para a minha barriga... D-desculpa. — Corou.

- Eu olho sim, porque... Queria ter mais um filho.

- Você não sabe o que quer né! Passou a noite com o meu irmão semana passada, porque não engravidou?

- Não é tão fácil assim, ele não é mais meu.

- O Daniel sempre será seu.

- Não Bia, acorda pra realidade! Isso é o que ele diz, mas ele está noivo! Você acha que eu ia fazer o que? Engravidar dele e… A Débora? A minha familia? O que iam pensar? Ele está noivo!


- Noivo ou não, ele continua louco por você. Essa é a verdade.

- Não, a verdade é que ele escolheu a Débora. É com a Débora que ele vai ficar, vai casar, formar família... Filhos...

- Ele estava tão triste Julie. Ele não ama a Débora e isso ele deixa claro — Bia interrompe, olhando seriamente para a amiga. — Ele chegou pra mim ontem e disse que a alma dele vai junto com você pra Noruega. — Julie se arrepiou com as palavras. — E concluiu falando que se sentia morto por dentro. Ele disse isso me olhando nos olhos, os olhos dele estavam vermelhos, parecia ter passado a noite inteira chorando. F-foi... Muito profundo.

Juliana ainda se sentia arrepiada quando perguntou. — Acha que eu devo ir falar com ele?

- Sinceramente, não sei se isso ia melhorar ou piorar as coisas. — Pausou, pensativa. Acabou sussurrando. — Pode deixar as coisas ainda mais difíceis para ele. — Suspirou. — Julie, você não parou para pensar que ele pode realmente ficar deprimido?

- Tá. — A cortou, se sentindo um pouco mau com essa conversa, não gostava de ver Daniel triste. — Mas se eu for pensar assim, eu nunca vou conseguir fazer as coisas que eu quero.

- Que você quer não, que você planejou. Isso é diferente. O Daniel não sempre te dizia que você deveria deixar a vida caminhar sozinha? Não se planeja as coisas. As coisas da vida são bem mais fortes do que você. Com certeza você não planejou perder o emprego, o casamento, nem o filho. O Daniel também não planejou te conhecer, se apaixonar, se casar, perder o filho, virar alcoólatra…

- Assim você vai me deixar deprimida. — Se levantou sentindo um certo remorso. — Você fez o que a minha mãe não conseguiu, me convenceu a ir falar com ele. Acho que se eu fosse sem falar com ele seria… Muito errado. Não posso fazer isso. — Bia sorriu com as palavras da amiga. - Então, é isso. — Julie concluiu olhando para Bia. — Sei que são só seis meses. — Disse abrindo os braços. — Mas vou sentir saudades.

- Assim quem chora sou eu. — Bia se levanta.

As duas se abraçam forte, ambas controlavam as lágrimas. — E quando eu voltar… — Julie sorriu. — A primeira coisa que vou fazer é vir te visitar e ver o seu bebê. — Disse alisando a barriga de Bia. — E olha, vai ser menino.

- Ah, amiga. — Elas se abraçam novamente. — Quando chegar lá, você me liga? Tá? — Julie assentiu. — E… Me faz um favor?

- Faço sim.

- Você vai falar com o Dani né?

- Vou.

- Olha, eu sei que você está aborrecida com ele. M-mas… Seja boa com ele, poxa… Você vai pra Noruega! Já está sendo complicado para ele, imagina se… Você partir pra lá brigada.

Julie entendeu. — Tá, vou ser boazinha com ele. — Sorriu. — Eu prometo. — Se abraçam de novo.


[...]

Daniel estava na sala, passava os canais da TV, entediado. Pensou em marcar um encontro com a noiva, mas não estava animado para isso. Parecia que havia chegado de um enterro. Se sentia péssimo. ‘’ Serão longos seis meses… ‘’ — Pensava, angustiado.

Estava ansioso também, Heloísa prometeu que Julie viria se despedir. Ele queria muito vê-la…

Até que o seu celular toca. Ele revira os olhos, imaginando ser Débora. Mas muda de expressão quando ve no visor que o número era da casa de Julie. Ele atende animado. — Alô?

- Oi Daniel. — Era Heloísa novamente, sua voz parecia fraca. Ele percebeu e como a conhecia, sabia que ela estava chateada. — A Julie já saiu faz… Meia hora… E olha, eu tentei… Falei com ela para ir te visitar, mas… A Julie é tão teimosa! — Ela reclama, Daniel só ouvia, a cada palavra sentia seu coração se despedaçar. — Ela me disse que não ia te ver… Então… Eu te liguei só para você não ficar ai… Esperando. Me desculpe mesmo, me desculpe pela minha filha. Um dia eu sei que ela vai se arrepender por não ter te dado valor.

- Tá certo… — Ele suspira. — Obrigado por me avisar, eu realmente estava esperando. — Ele ri pelo nariz. — Mas… Ela não vem… — Daniel desligou.

Olhava para a TV, seus olhos pesavam de tristeza.

Até que escuta alguém bater na porta, ainda sentado, ele olha para o lado, encarando a porta de madeira da sala. Suspira. Não queria se levantar para atender, mas depois da terceira batida, ele resolve mudar de ideia.

Dá passos lentos até a porta, imaginando ser sua irmã ou sua mãe, não é a primeira vez que ela esquece as chaves.

Ele destranca a porta.

Era Julie.

Os dois se olham, ela dá um sorrisinho fraco enquanto a rapaz continua parado ali. Não esconde sua expressão triste, porém, o sorriso de Julie o deixava feliz, seu amor por ela era tão forte que só de ver ela ali, Daniel sorriu.

Ela corre e o abraça forte pela nuca. Daniel retribui na mesma hora, alisando sua cintura com uma mão, enquanto a outra tocava delicadamente seus cabelos.

- Eu te amo, eu te amo tanto. — Sussurrou isso no ouvido de Julie, enquanto aproveitava aquele abraço apertado que recebia da amada. Afagava seus negros cabelos com as mãos. — Por favor, Julie. Volte logo.

- É um intercâmbio. Só devo voltar daqui a uns seis meses. Já te disse… — Explicou.

- Seis meses é uma eternidade para mim. — Abaixou a cabeça, se soltando do abraço que desejava ser eterno. — Amo muito você... Muito.

- Sch... — Ela tocou no seu rosto. — Parece uma despedida. É só... Um ''até logo''. Entenda isso, Daniel. Eu vou voltar. — Disse com toda a certeza.

Lhe deu um beijo no rosto. Um beijo fraco e demorado no rosto, fez Daniel abaixar a cabeça e suspirar. — Já são quase duas horas, preciso pegar o avião. — Disse Julie, se afastando. Pegou suas malas.

- Me dá o número do seu celular. E-eu... Não vou aguentar passar todo esse tempo sem ouvir a sua voz.

Ela sorriu com aquilo. ''Também não conseguiria. '' — Pensou.

- Eu não posso. — Desfez o sorriso. — Vou trocar o meu celular quando eu chegar na Noruega. Mas eu vou ligar para a Bia. Ela vai ficar com o número.

Daniel assentiu. — E eu posso ligar para você?

- Claro que pode.

Com essa resposta, ele se aproximou, pegou a mão de Julie, a mesma encarou o pulso do rapaz, olhando mais uma vez para aquela tatuagem com o nome dela, ele entrelaçou seus dedos mas Juliana nem percebeu. Com isso, Daniel puxou seu braço e a fez segurar sua nuca, ele abraçou sua cintura e avançou, tentou beija-lá, mas Julie se afastou. — Nem tente isso... Por favor…

- Claro. — Apenas deu um sorrisinho sem graça, mas esperava conseguir um beijo dela... — É só um até logo? Me promete?

- Prometo. Não vou demorar.

- Seis meses sem você. — Fechou os olhos. — Não sei como vou sobreviver à isso…

- Não seja tão dramático. — Balançou a cabeça. — Eu preciso ir, não posso mais ficar aqui...

Pegou suas malas e entrou no táxi. Da janela, conseguia ver Daniel a olhando. O táxi começou a andar, mas mesmo de longe, Julie conseguia ver os olhos melancólicos do rapaz para ela. Ela soltou um suspiro triste. Tão triste que até o motorista percebeu, deu uma olhadinha para ela pelo espelho retrovisor do táxi e jurou que viu algumas lágrimas nos olhos dela.

O aeroporto era à uns quarenta minutos dali, não demorou muito para chegar. — Obrigada. — Disse a morena, lhe dando o dinheiro da carona. O motorista ajudou com as malas. Ela agradeceu novamente.

Levantou o rosto e olhou para o aeroporto. Era um grande passo para a sua vida. Não sabia se o intercâmbio lhe traria algum beneficio profissional, já que não cursou a faculdade. Ainda nem sabia o que queria ser... Na verdade, Daniel a fez parar de planejar cada passo da sua vida, pelo menos um pouco.

Mas no fundo, ela sabia que esse intercâmbio para a Noruega era para esquecer um pouco o Daniel. Desde a confusão que teve entre ele e Débora, Julie agora queria esquece-lo de vez. Mesmo sabendo que no cantinho do seu coração, ainda sentia algo por ele.

'' Algo que eu espero conseguir acabar em cinco meses... '' — Suspirou e entrou no aeroporto.

Esperou um pouco, até que o seu voo foi chamado. Ela passou pelo detector de metais. Precisou passar por lá umas três vezes pois encontraram chaves, brincos... Etc...

Até que entrou no avião. Colocou suas malas no compartimento em cima do banco e se sentou.

~ Três semana depois. ~

Beatriz estava deitada no sofá, com as pernas para o ar, alisava sua barriga. Pois daqui a dois dias completaria cinco meses de gravidez, e Julie estava certa.

Era um menino.

Ela tomava um pouco de chocolate quente quando ouviu alguém bater na porta. — Quem será? — Se perguntava.

Mas levantou e foi atender. Era Daniel. Ela sorriu para o irmão, mas ele não retribuiu. Estava com uma expressão estranha no rosto. Parecia de preocupação. — Entra. — Ela abriu mais a porta. — O que foi?

- Você tem o número do celular da Julie?

- Tenho sim, ela já me ligou. Conversamos bastante.

- Ela perguntou por mim?

- AH, perguntou como você estava e eu disse que... Estava bem. — O olhou, parecia um pouco desarrumado. Seu terno estava amarrotado e a gravata frouxa. — Você está bem?

- Liga para ela? — Fugia das perguntas.

- Hm, ligo... — Tirou o telefone do cancho. Daniel se sentou no sofá, passava a mão pelos seus cachos com força enquanto Beatriz discava os números.

Colocou no modo viva-voz. Porém, a secretária quem atendeu. Dizia: O número que você discou está fora de área ou desligado, por favor, tente mais tarde.

Os dois se olharam ao mesmo tempo, Bia estava visivelmente preocupada com o irmão. — Sinto falta dela, Bia... Estou com saudades.

- M-mas... Vocês nem estão mais juntos. — Ela alisou as costas dele.

- Eu sei, mas pelo menos eu via ela... Agora... Nem isso. — Pausou. — Preciso ouvir a voz dela.

- Calma. Quando ela me ligar eu mando o seu número pra ela, e ela te liga. Daniel, não fique assim...

- Estou desesperado. Não consigo parar de pensar nela. Eu quero ela de volta no Brasil. Eu sei que quando ela estava aqui, a gente discutia as vezes... Mas... — Fechou os olhos, Bia viu as lágrimas grossas percorrerem a bochecha de Daniel. Ele se levantou as secando rapidamente. — Estou indo.

- Vai pra casa, está tarde. São quase meia noite.

- Sabe o que é, Bia? — Daniel se virou para ela. — Eu estou cansado de tudo, é isso. — Ela ficava cada vez mais preocupada, sabia que Daniel estava agindo estranho desde a viagem da Julie. — Quero arrumar um apartamento, ir morar longe daqui... As vezes... Me dá vontade de sumir.

- Não diz isso.

- Eu não vou para casa, pelo menos não agora. — Pausou. — Quero sair um pouco. — Disse abrindo a porta, caminhou até a calçada e subiu na moto.

Acelerou e virou a esquina, sem ao menos acenar para a irmã que o vigiava pelo lado de dentro da sua casa. Ainda estava preocupada, na verdade. Se sentiu aflita com as palavras de Daniel. ‘’Ele quer sumir... ‘’ — Pensava, angustiada. Era como se ele tivesse perdido tudo. ‘’ A Julie significa muito para ele... ‘’ — Suspirou com isso, fechando a cortina da janela da sala. Olhou para o seu telefone, pensou em dar mais uma ligada para a Julie.

Ligou.

Porém, ouviu a mesma mensagem de antes.

Enquanto isso, Daniel estava em um bar. Bebia uma garrafa de cerveja pensando que aquilo o ajudaria a esquecer seus problemas. A cada noite que passava ele bebia mais, mais e mais... Já estava se tornando um habito viciante. E agora não era apenas nos finais de semanas. Era sempre depois do trabalho. O que o deixava de ressaca todos os dias. Seu chefe já lhe chamou a atenção por isso, ele não estava se importando mais com o seu trabalho nem com a sua noiva, os dois já brigaram várias vezes por causa desse novo hábito dele. Daniel bebia desde o dia em que Julie foi viajar.

Ele termina de gastar seus últimos centavos, se levanta do bar cambaleando. — A-agor-a v-vou pra c-asa. — Falava sozinho, quase tropeçou na calçada. Um pedestre que passava até tentou ajuda-lo. — Ee-stou bem! — Mas ele quis se levantar sozinho.

Pegou as chaves da moto.

- P-po-rcari-a. — Ele tentava encaixar as chaves. Mas estava tonto e bêbado, via tudo girando e demorou quase meia hora para colocar as chaves e por fim ligar a moto.

Ele subiu na moto.

Olhou para frente mas via tudo rodando. Estava cada vez mais difícil dirigir aquela coisa. — Daniel? — Félix atravessou a rua, ele sempre passava por ali quando voltava do trabalho, era o caminho para a sua casa. — O que é isso?! Tá maluco?! — Estava claro que Daniel estava bêbado. — Desce da moto! É perigoso! Quer sofrer um acidente?! — Félix segurou seu braço, mas com isso Daniel acelerou.

Os dois quase caem da moto. — Eu vou te levar pra casa! — Félix consegue por fim retira-lo dali.

[...]

Era quase duas horas da madrugada quando a mãe de Daniel escuta alguém bater na porta. Ela não dormia, estava preocupada com o sumiço do filho e torcia mentalmente para que ele chegasse logo.

Felizmente sua tensão acabou quando ela abriu a porta, suspirou aliviada quando viu Daniel. Félix segurava o braço dele. Dava para notar que ele mal se aguentava em pé. Marta abre mais a porta e os dois entram. — Félix, o que houve?

- O que houve?! Ele está colocando a própria vida em risco! Atravessei a rua e vi ele saindo completamente bêbado do bar e a primeira coisa que ele faz é subir naquela moto possante!

- Meu Deus. — Ela leva as mãos a boca. — Ainda bem que você estava por perto Félix. — Agradeceu ao genro.

- É, ainda bem mesmo senhora, porque se não eu… Eu acho que ele ia sofrer um acidente.

- M-m-e lar-guem você-s d-ois. — Ainda estava tonto.

- Oh meu filho, me diz porque está bebendo tanto?!

- E-eu… Quero falar com a Julie!

Essa frase irritou sua mãe. — Eu sabia! Eu sabia que era por causa dessa mulherzinha! Arrg! MAS COMO EU ODEIO A JULIANA!

- M-ma-s… E-eu não od-eio… Eu te-nto odi-ar mas nã-o consig-o!

- Eu não quero te ver assim meu filho, por favor pare de beber! — Sua mãe suplicou, olhando para Daniel, Félix ainda segurava seu braço pois se o soltasse era capaz de Daniel ir direto para o chão.

Passou-se mais meia hora, Félix ainda estava na casa da sogra. Ele e ela estavam sentados na sala enquanto a porta do banheiro estava fechada, só ouviam Daniel tossir lá dentro. — Eu vou lá… — Sua mãe disse se levantando, abriu a porta do banheiro.

Encontrou Daniel de joelhos no chão, sua cabeça estava quase dentro do vaso. Ela deu umas batidinhas nas costas dele. Ele colocava tudo o que bebeu para fora. — Félix! — Sua sogra chamou.

Félix se levantou hesitante, não queria se aproximar, não gostava de ver ninguém passando mal pois passava mal junto. — Me ajuda. — Ela pediu, Félix ficou só na porta, tentando não olhar para Daniel. — Você tem o celular da Julie? — Marta perguntou: Era só isso que Daniel queria o tempo todo. Queria pelo menos ouvir a voz de Juliana.

- Tenho. — Félix pegou seu celular. Discou os números enquanto os três torciam mentalmente para Julie atender.

Felizmente, Bia passou a noite inteira ligando para o celular de Julie. Uma hora ela precisou ligar o aparelho e viu que tinha algumas chamadas perdidas. Sabia que era da Bia, ela retornou a ligação, as duas conversaram e ela resolveu deixar o celular ligado. — Está chamando! — Félix disse animado.

Daniel sorriu enquanto sua mãe amarrou a cara, esses dias, sua raiva por Julie aumentou ainda mais.

Do outro lado, Julie saí do banheiro as pressas, ia tomar um banho quente quando escutou seu celular tocar em cima da cama. Viu no visor que o número era de Félix, logo imaginou que Bia ligava pelo celular dele. — Bia?

Félix fez um sinal de positivo ao ouvir a voz dela.

Daniel esticou os braços, ainda de joelhos não chão e um pouco bêbado, respondeu. — Julie? — Continuava sorrindo.

Ela sorriu também ao reconhecer aquela voz. Seu coração disparou. Juliana se sentou no colchão. — Oi Daniel. — Disse sorrindo. — Tudo bem?

Daniel gesticulou com as mãos para que sua mãe e Félix saíssem, eles entenderam e assentiram, fechando a porta do banheiro e o deixando lá. Por fim ele respondeu. — Estou melhor agora.

Julie suspirou, lembrando do que Bia disse para ela: ‘’Daniel disse que estava cansado de tudo, que queria sumir… Eu não sei para onde ele foi, Julie, só sei que ele queria falar com você. ‘’

- Eu não estou tomando seu tempo? — Daniel pergunta a acordando dos pensamentos.

Na verdade, ele estava sim. Depois do banho ela ia fazer a apostila do intercâmbio, era importante. — Claro que não.

- Tem certeza? — Estava um pouco na dúvida. — Estou com tantas saudades suas que… Eu acho que… Quero conversar com você a noite inteira.

- A noite inteira? — Ela ri.

- É, a noite inteira… — Suspirou. — Se não for te incomodar.

- Não vai ser incomodo. — Tirou seus chinelos e se deitou na cama. — Você… Parece diferente. — Ela sabia que Daniel estava bêbado e sabia que ele tentava disfarçar isso, mas queria ouvir da sua boca. — Como foi sua noite?

- Fiquei no bar. Ai o Félix me encontrou e me trouxe pra casa.

- Pensei que ia parar de beber… — O repreendeu.

- Também pensei, mas agora estou bebendo mais do que nunca.

- Não faz isso Daniel… — Ela balançou a cabeça.

- Acredite, esse é o único jeito de te esquecer, pelo menos por algumas horas.

Ela sente seu coração se partir. — Existe outras formas… Você está noivo… Tenta… — Suspirou triste, imaginando a cena. — Passar mais tempo com a Débora.

- Eu já não gostava dela e depois que descobri que ela é sua prima me deixou pior ainda. — Pausou. — Tenho que aturar a minha mãe falando o dia todo no meu ouvido, ela fala mal de você, diz que você está me fazendo sofrer muito… Que está me matando.

Daniel estava sendo sincero por estar sob o efeito do alcóol, mas sua sinceridade fez Julie começar a chorar baixinho, ele nem percebeu. — Ela fala muito mal de você, a Débora também fala… Acho que até a sua mãe já me disse que você me faz sofrer. A única pessoa que nunca falou isso foi a Bia, deve ser porque vocês são amigas… M-mas… Acho que pelo menos uma vez ela pensou isso também, mas nunca falou para mim… Só guardou pra ela mesma.

- …

- Mas eles não percebem que falando isso me faz sofrer ainda mais porque… Apesar de tudo eu não penso assim. — Julie sorriu fracamente. — Eu penso que você foi a única garota que me amou de verdade. Mesmo com tantas brigas e tantos problemas, você foi a pessoa que mais me amou. Ficou comigo quando o meu pai foi para o Estados Unidos… Quando a Bia ganhou a Nanda… V-você é tão diferente da Thalita e da Débora. — Pausou. — Thalita ficava comigo só para me usar, ela não me entende, só pensa nela mesma… — Suspirou. — A Débora… Diz que me ama mas acho que ela só quer te fazer inveja. Antes talvez não, antes de descobrir que você era minha ex… Ela até podia… Gostar um pouco de mim, mas depois disso e depois que eu disse que tenho Hemofilia ela até perguntou se era contagioso.

- Que idiota… — Julie sussurrou.

Daniel percebeu sua voz fraca. — Está chorando?

- N-não. — Mentiu.

- Tem certeza? E-eu… Não quero te fazer chorar.

- Está tudo bem. Acho que… Eu também já te fiz chorar várias vezes, nada mais justo…

- Não… M-mas...

- Daniel, deixa. — Julie interrompe. — São… Lágrimas de alegria… Porque… Estou ouvindo sua voz, senti saudades de você. — Balançou a cabeça.

- É verdade? — Seus olhos brilharam com aquelas palavras.

- Sim, é verdade. — Pausou. — Achava que… Eu não sentia saudades ou eu não pensava em você?

- …

- Penso ainda mais em você agora, que estou aqui. Estou estudando em um campos enorme, que nem o nosso colégio… Me lembra muito o passado, as vezes nem presto a atenção na aula, só fico viajando em pensamentos.

- Já fez amigos?

- Ah, hm... é... ah, alguns amigos… Não falo muito com os outros…

- Hm, amigos… Homens?

Ela riu. — Ciúmes? — Levantou uma sombrancelha

- Curiosidade. — Corrigiu. — Mas então… Amigos homens?

- Você quer a verdade? Não fiz amizade com ninguém ainda. Acho que todos me acham estranha, que nem na época do colégio. Não sei se sou só insegura ou anti social, paranoica ou desconfiada… Mas a verdade é que eu tenho medo de todos!

- Então eu vou aí e te protejo desses gringos.

- É por isso que eu me lembro muito de você aqui. Porque você me protegia… — Sorriu.

Do outro lado da porta, Marta e Félix tentavam escutar alguma coisa. Mas só ouviam as risadas de Daniel. ‘’ Parece que ela fez mesmo o meu filho se sentir bem… ‘’ — Sua mãe pensava, porém, isso não a fazia mudar de opinião. — Nossa, já são três horas! — Félix se espanta ao ver o seu relógio de pulso. Precisava ir para casa pois se não Bia ia ter um surto.

- Acha que seria loucura de mais eu viajar para a Noruega, atrás de você? — Daniel sussurrou.

Julie sente um calor dominar seu peito, lembrou que desde sempre Daniel corria atrás dela. Desde quando eram meros ‘’colegas’’. — Se você vir pra cá… Trás a Bia também. — Ela brinca.

Daniel escuta alguém bater na porta. — Daniel, devolve meu celular! Eu preciso ir pra casa! — Era a voz de Félix.

Ele se levanta quase imediatamente, do outro lado, Julie conseguia ouvir os gritos. — NÃO!

- Como não?! Você vai me devolver e vai devolver agora!

- VOCÊ QUE PENSA! VOU FICAR AQUI A NOITE INTEIRA, SEU CELULAR É MEU E ACABOU!

- Daniel, por favor, abre essa porta! — Sua mãe bateu do outro lado.

- NÃO! — Ele se agacha para pegar o celular. — Julie, está ai? — Sua voz mudou imediatamente. Estava manso com ela.

- E-estou… Eu… Ouvi gritos, o que está acontecendo ai?

- É que esse celular é do Félix, e ele está aqui em casa e precisa ir embora… Então ele quer pegar o celular de volta.

- Devolve então Daniel, não discuta com ele por causa disso… Não quero te ver nervoso.

- Mas eles não entendem que eu quero falar com você! Quero isso desde o dia em que você partiu!

- Amanhã a gente conversa. — ‘’Ainda tenho tarefas para fazer.’’

- Não Julie, por favor, não desliga. Você me deixa mais calmo…

- Tá. — Ela suspira. — Não vou desligar, prometo que vamos conversar a noite inteira.

[...]

- Você ainda está ai? — Daniel pergunta.

Ela sorri, abrindo os olhos. — Estou. — Julie quase se deixava vencer pelo sono, a conversa já durava quase duas horas, mas a saudade que ambos sentiam um do outro era bem maior. — Então quer dizer que o segundo filho da Bia é um menino?

- É.

- Eu sabia! Eu falei com ela, estava chutando muito… Geralmente meninos são bem mais levados.

Daniel fica calado por alguns segundos. — Nossa, quanto deve estar custando uma ligação do Brasil para a Noruega? Eu vou ter que pagar para o Félix…

- Meu Deus, é mesmo. — Ela levanta seu corpo, se sentando no colchão da cama, pega o celular que estava em cima do criado-mudo de madeira. Eles usavam o celular no viva-voz. — Você vai desligar? — Ela pergunta um pouco chateada.

- Não, eu pago até mil reais se for preciso. Não ligo.

Eles sorriram ao mesmo tempo.

- Sabe o que é engraçado? — Julie pergunta.

- Não, o que?

- É que... Acho que pessoalmente a gente não ia conversar tanto.

- Também acho. — Ele concorda. — Mas eu faria de tudo para te ver agora...

- Também queria te ver Dan...

- E se prepara, porque quando eu te ver de novo eu vou te abraçar muito forte. V-vou… Te beijar.

- Daniel… — Ela corou.

- É a verdade, estou sendo sincero. Foda-se tudo Julie, ainda sou louco por você.

- Mas…Você… Prefere a Débora.

- Posso preferir a Débora agora porque… Ela é minha noiva e prometi que íamos nos casar, mas… Mesmo assim eu ainda quero você.

- Vai mesmo se casar com ela?

- Vou, m-mas… O meu coração é só seu.

Julie bufou. Daniel não percebeu. Aquela resposta a chateou profundamente. — Seja sincera Juh… Você ainda me ama?

‘’ Tu tu tu…’’ — É só o que ele escuta.

Daniel se levanta do chão do banheiro, onde estava deitado. Pega o celular. — Bateria… 0%.

Notas finais
No próximo capitulo estou pensando em colocar um flash back de como eles conheceram o Nicolas! rs. Então comentem bastante, leitoras fantasmas comentem também. Quero saber o que vocês acham da ideia. ^^