Notas iniciais
Ando fazendo capítulos mt grandes, vou começar a encurtá-los. '-'

Faltava apenas dois dias para o neném nascer. Daniel e Julie estavam ansiosos para finalmente verem e tocarem no seu filho. Ver quem puxou mais, a cor dos olhos, se eram mais escuro como os de Daniel, ou um pouco mais mel, como os olhos de Julie. Se teria cachos ou não. Se teria cabelos loiros ou cabelos negros. Estavam mais do que ansiosos, Daniel não escondia o sorriso no trabalho, não parava de pensar no filho por um só instante. Juliana também não estava diferente.

Era dez horas da noite, os dois estavam no quarto, deitados abraçadinhos. Daniel alisava a barriga de Julie enquanto a mesma anotava algumas coisas. — Precisamos ver as pernas dele... As minhas pernas são mais finas. As suas são mais grossas. — Julie dizia, anotando. — Espero que ele puxe as suas pernas.

– Que isso amor, você tem pernas lindas. — Disse alisando a coxa de Julie, descendo até o joelho.

– Ai, para! — Gargalhou. — Isso me faz cócegas. — Continuou anotando mais coisas. — Eu adoro suas bochechas, quero que o nosso neném seja bochechudo, que nem você. — Sorriu.

– É isso mesmo Juh? Você está tentando controlar até como o neném vai nascer?

– Eu estou muito ansiosa! É só isso... E-eu não quero controlar o jeito como nosso filho vai nascer... Ele é nosso filho, por isso vai nascer lindo. — Olhou para a barriga. — Não é neném? — Sorriu, fazendo biquinho. — Você é o neném mais lindo.

– Julie, não acha que já está na hora de ir dormir? — Daniel perguntou, mas Julie ainda alisava a barriga.

Parou, olhando para o espelho do guarda-roupa, viu o reflexo dos dois abraçados na cama, lhe veio vários pensamentos em mente, Daniel tentava ''acorda-lá'' daquilo carinhando seu rosto, mas ela continuava calada. — D-Dan

– O que foi?

Levantou o rosto para ele. — O médico disse que o parto não poderá ser normal, vai ser cesariana. — Pausou. Mordendo os lábios. — E se... Sei lá... Na hora de puxar o neném da minha barriga o... Cordão enforcar o pescoço dele e ele morrer? — Fez uma careta de preocupação.

– E-eu... Não posso negar que... Os médicos realmente puxam o neném sem muito cuidado, eles puxam rápido... Precisamos avisar a eles que o cordão está preso em volta do pescoço dele. E eles vão ser mais delicados. — Sorriu. — Tá?

– N-não sei... E-estou com medo agora. Ele vai nascer depois de amanhã...

– Sabe. — Beijou sua testa, e apagou a luz do abajur. — Acho que você deveria descansar um pouco, relaxa, esquece isso, tá? Vai dar tudo certo. — Lhe deu um selinho rápido. — Amanhã de manhã vou para o centro da cidade, vou ao banco pegar o meu salário. — Julie assentiu, ainda em ''transe''. Nem prestou muito a atenção. Apenas desligou o outro abajur, ao seu lado e se ajeitou, puxando o cobertor e segurando a mão de Daniel, fechou os olhos e dormiu.

Acordou no meio da noite. Sentia o neném chutar lá dentro do feto, suspirou, lembrando que faltava pouco para ele nascer. A ansiedade tomava conta do seu corpo, ela se virou para o lado e viu Daniel dormindo, sua respiração era lenta e calma. Ela mexeu em seus cachos, sorrindo fracamente. Se aproximou mais, tocando seus narizes. Beijou seus lábios lentamente, Daniel deu um sorrisinho, ainda adormecido entre os beijos, Julie alisou o rosto de Daniel e aprofundo mais o beijo, chupando e mordendo seus lábios inferiores. Queria acorda-lo e foi o que aconteceu. Daniel acordou, gungunou algo inaldivel, ainda sendo beijado por Julie, levantou seu rosto, esfregou os olhos. — Ainda está acordada?

– Dani. — Beijou seus lábios mais uma vez. — Seus beijos me acalmam e muito. Você não tem noção... — Deitou-se em seu peito. Mas se levantou, eufórica. — É isso!

– Huh, o que?

– Seus beijos amor! É isso que vai me dar a tranquilidade e a paz na hora do parto!

– Lá vem... — Revirou os olhos. — O que inventou agora, hein?

– O beijo da sorte! — Sorriu. — Antes de ir para a sala do parto, eu quero que você me beije, tá?

– Para quê?

– Para dar tudo certo na hora do parto... Seus beijos me trazem muita sorte, quando você me beija de manhã eu passo o dia inteiro bem. — Daniel a olhava com reprovação. — Ah, qual é o problema de um beijinho antes do parto, hein?

Ele estava realmente cansado, lembrou que teria que acordar cedo amanhã. Sempre achou que essas manias de Julie eram apenas besteiras que passavam de geração em geração pela sua família. Resolveu aceitar logo. — Tudo bem. Já que vai dar sorte. — Beijou seus lábios. — Agora vamos dormir, né?

– É. — Ela sorriu, toda satisfeita, se deitou enlaçando suas pernas no corpo de Daniel, enquanto o mesmo apertava sua cintura, retribuindo o abraço.

Juliana acordou já de manhã, os raios de sol batiam sobre seu rosto, deixando-a incomodada, foi abrindo os olhos e percebeu que abraçava vários travesseiros. Daniel já tinha ido. E sua ausência foi motivo suficiente para acordar de mau humor, precisou arrumar a cama, tomou um banho quente e vestiu um roupão. Desceu as escadas, sabia que deveria fazer o café, e só de pensar em trabalho já sentia um cansaço sobrenatural.

Chegou na sala e encontrou uma rosa vermelha na mesinha. Se aproximou, séria. Pegou a rosa e viu um pequeno bilhete agarrado nela.

Comece o dia bem.

Sorriu com aquilo e guardou a flor em um copo com água. Beijou o bilhete e guardou dentro de uma caixinha de cartas e chocolates que Daniel lhe dava. Ele nunca soube dessa caixinha, era um grande segredo de Julie. Quando sentia saudades de Daniel ela se abaixava, e pegava de baixo da cama essa caixinha, lia e relia as diversas cartas de amor que recebeu, desde que namoravam...

Desceu novamente, agora mais animada. Foi até a cozinha e preparou o café, fez algumas torradas e passou um pouco de geleia, devorou tudo com fome.

Passou a manhã assistindo TV. Até que recebeu a visita de Bia. — Oi amiga!

– Oi Juh! O Daniel me pediu para passar aqui e ver como você está. — Se sentou ao seu lado no sofá.

– Sério? M-mas eu vou ter o neném só amanhã.

– Ah, sabe como o Daniel é né, todo preocupado com você... Principalmente agora, que já está no final da gravidez. Julie! Já são quase onze horas, ainda não fez o almoço?

– Acordei um pouco tarde hoje, tomei o café da manhã agora pouco. Estou sem fome.

– E acha que vou deixar você pular o almoço, nada disso! — Se levantou. — Eu faço para você.

– Não Bia, que isso! Não quero que se incomode! — Se levantou também.

– Sch! Pode ficar sentadinha ai!

Juliana sorriu, gostava do jeito como sua amiga a tratava. Bia começou a preparar o almoço, enquanto Julie tentou dar uma ligadinha para Daniel. — Alô?

– Dani? — Estranhou, geralmente ele não atende o celular. — Já está no banco?

– Não, peguei trânsito, estou dirigindo...

– Ah! Então eu vou d-d-esligar, não posso te atrapalhar assim...

– Espera, porque ligou? Você está bem?

– Estou! — Riu. — E porque incomodou sua irmã para vir me visitar? É cedo, ela está cansada. E eu vou ter o neném só amanhã.

– Sei lá, e se de repente nasce hoje?

– Para com isso. Tá previsto para nascer amanhã.

– Previsto.

– Eu vou desligar amor, dirige com cuidado. Beijos. — Desligou, sentindo o cheiro da sopa que Bia esquentava.

[...]

Depois de almoçar, Bia e Julie conversaram, mas Bia precisou voltar para casa. Já era duas horas da tarde, Daniel ainda não tinha chegado e Julie não se preocupou, já que o mesmo disse que pegou trânsito. Ela só se sentia um pouco sozinha. Resolveu ir para o quarto e dormir um pouco. Sonhou com várias coisas ao mesmo tempo, cada sonho mais louco do que o outro. Sonhou com várias pessoas, seus pais, Bia, Félix, sua sogra, sonhou com Thalita, Nicolas... Até mesmo com Daniel.

Sonhou que Daniel segurava uma bebê, a bebê era risonha, parecia ter quase um ano de idade. — Amor, coloca ela no chão! Olha só como ela é esperta! – A bebê era linda, tinha a cor morena clara de Julie, mas os cabelos eram mais claros, lisos e nas pontas cacheavam. Daniel a colocou no chão, a bebê começou a engatinhar, enquanto engatinhava, se segurava em alguns móveis, até que ficou em pé. — Eu disse que ela é esperta! Já está ficando em pé! — A voz que falava era dela, da Julie. A bebê foi andando com cuidado, ainda um pouco atrapalhada, até que de repente, correu até a escada que ia para a sala e caiu de cabeça, rolando pelos degraus.

Julie acordou com o coração disparando. Estava pálida e suava frio. Nunca foi de acreditar muito em pesadelos. Mas esse a assustou. — Daniel? Já chegou?

Não recebeu resposta, não tinha ninguém. — Tá. — Suspirou. — V-vamos recapitular isso... Esse pesadelo... Porque era menina? D-eve ser porque o Daniel queria menina... — Sussurrou. — Ai, mas esse pesadelo horrível... E-ela... Caia!... — Passou a mão por seus cabelos. Descendo para seu pescoço e seu peito, sentiu seu coração agitado. — Eu preciso me acalmar. — Respirou fundo, e depois de soltar todo o ar para fora sentiu uma dor forte, mais forte do que qualquer outra dor que já sentiu na vida.

Eram contrações. — Não... — Gemeu. Se levantou com dificuldade e assim que se levantou, escorreu um líquido entre suas pernas. A bolsa tinha estourado.

Se desesperou, a dor aumentou, correu para o telefone e ligou para sua mãe, mas lembrou que Heloísa ia sair hoje. Desligou e discou outro número, não se lembrava se esse era o número da casa da Bia... Mas sabia que era de alguém da familia do Daniel.

Felizmente atenderam, pelo ''alô'' Julie reconheceu a voz e viu que era a mãe de Daniel. Juliana estava afobada, sentia muitas dores e mau conseguia falar direito. Apenas pediu para que sua sogra viesse imediatamente para sua casa. — Aconteceu alguma coisa? — Dona Marta perguntou.

– S-si-m! M-inha bol-sa estou-rou e n-ão tem ningu-ém para me le-var a-o hos-pital!

– Eu vou pegar o carro, chego ai em dez minutos!

Julie desligou o telefone, se sentou no sofá, não conseguia nem se manter em pé e subir as escadas para pegar sua bolsa no quarto. Na verdade, estava com medo daqueles degraus por causa do pesadelo, tinha medo de subir e de repente cair, bater com a barriga no chão e ferir o neném.

A dor era infinita. Ela gemia, deixando as lágrimas quente escorrerem por sua bochecha. — Huh, vou mandar o Daniel comprar um estoque de camisinhas, não quero engravidar nunca mais... Essa dor vai me matar. Huh. — Gemeu. E escutou uma buzina de um carro, levantou o rosto e viu pela janela da sala que sua sogra estava com o carro parado em frente a calçada, se levantou rápidamente, sentindo a dor aumentar. Dona Marta ajudou Julie a se sentar no banco da frente.

Sua sogra dirigiu até o hospital, que não era muito longe da casa de Julie, demorou um pouco mais de vinte minutos para chegar. Porém, para Julie, vinte minutos era como uma eternidade. Era uma tortura sentir aquelas contrações. Julie sempre achou que a dor do parto não era tão forte... Lembrava que ria quando sua mãe falava das contrações fortes que sentia quando ela nasceu. Mas agora percebeu que aquela era a pior dor.

Ela fechou os olhos, já respirava com dificuldade quando chegaram no hospital. Sua sogra abriu a porta da Julie e a ajudou a andar, pegaram o elevador e chegaram na maternidade.

Se passou alguns minutos, Julie já estava no quarto do hospital. Ela não conseguia pensar em mais nada a não ser na dor. O médico chegou, felizmente era o mesmo médico que estava cuidando dela e do bebê durante a gravidez. Ela só sorriu aliviada, ainda suando frio.

– Vamos tirar esse moleque daí. — Doutor Miguel disse enquanto vestia as luvas.

Ela respirou fundo e assentiu.

Enquanto isso, no corredor, em frente ao quarto de Julie estava sua sogra e Beatriz, que suspeitou do parto quando viu sua mãe levar Julie para dentro do carro. As duas estavam ansiosas, queriam que fizessem o parto o mais rápido possível. — Mãe, vou ligar para o Daniel. — Marta assentiu enquanto a morena discava os números.

Daniel estava dentro do banco, enfrentava uma fila gigantesca para conseguir pegar seu salário. Estava estressado pois além de enfrentar a fila, precisou enfrentar um trânsito terrível para chegar. Seu telefone tocou. — Mas que droga! — Reclamou ao sentir o aparelho vibrar no seu bolso, sabia que não podia atender o celular dentro do banco, precisou sair. Saia lentamente, precisava pedir licença para as pessoas que estavam na sua frente. Isso só demorava mais. Já estava no vigésimo segundo toque, Bia já estava desistindo, pensando '' Ele sabe que sou eu que está ligando, não vai querer me atender. '' — Porra Bia, qual é o seu problema? sabe que eu estou no banco! Vou ter que entrar na fila de novo! Faltava pouco para ser a minha vez! — Gritou.

– Nossa, é assim que você me trata?!

Sei que está me ligando só para jogar conversa fora!

– Aham, é isso ai! Vamos jogar conversa fora, já que eu não tenho o que fazer mesmo, não é? — Daniel ficou calado. Bia continuou. — Só liguei para avisar que a Julie vai ter o neném agora.

O QUE?

– É, a imprestável da sua irmã só ligou para te fazer perder tempo...

Eu não disse que você era imprestável. — '' Não em voz alta. '' — Pensou — E-eu.. Eu precisava mesmo pegar o meu salário, m-mas a Juh é mais importante. — Pausou. — Só vou dar uma passadinha na loteria, quero ver se consigo pegar pelo menos mil reais.

Bia balançou a cabeça, já ia desligar quando ouviu um grito. — DANIEL!

– Que grito foi esse? – Ele perguntou.

– Você escutou?! Nossa, foi alto mesmo.

E-era a Julie?

– N-não sei, parece a voz dela, né? — Estava confusa, Bia jurava que o grito vinha do quarto de Julie. Gesticulou com as mãos, falando para sua mãe que entraria no quarto de Juliana.

Bia entrou e viu o médico colocando os aparelhos na morena, viu o rosto dela completamente molhado pelas lágrimas. — Bia! — Ela estendeu os braços, Beatriz entendeu e a abraçou.

– Fica calma Juh... — Alisou seus cabelos.

– Só vou ficar calma quando o Daniel ficar aqui comigo. — Disse lagrimando.

– Olha, não sei se isso ajuda muito, mas ele está aqui. — Balançou o celular.

Julie esticou os braços, mesmo ainda sentindo dores, queria ouvir a voz de Daniel, necessitava ouvi-lo para se acalmar. — A-amor? Você está ai?

Julie, e-eu ainda estou no banco.

– Eu vou ter o neném. — Alisou a barriga. — Mas eu quero você aqui, preciso do seu beijo.

Ele suspirou. - Dessa vez não vai ter beijo da sorte, amor. Vou pegar trânsito para chegar ai, devo demorar horas...

– Não, Dan. Por favor. — Gemeu, sentindo as dores. — Faça o possível e o impossível para chegar a tempo.

Ia protestar, mas Julie continuou. — Antes de sentir as contrações, tive um pesadelo. Agora estou mais nervosa ainda...Tente chegar aqui a tempo, por favor. — Apelava.

Daniel não conseguiria negar, mesmo sabendo que não chegaria a tempo, afinal, Juliana já estava no quarto, esperando para fazer o parto. Respirou fundo. — Tá bom amor, eu vou ir aí. Prometo.

Notas finais
Será que tudo vai correr bem no parto? hum... Comentem! s2