Corações Feridos
9 '' Pride ''
Daniel guardava as sacolas de compra dentro do carro. Não queria voltar para casa pois sabia que Julie estava em choque com a noticia. Mas ele entendia o lado dela, não deve ter sido fácil descobrir que está grávida ouvindo a conversa escondida do seu marido e do médico. Daniel ainda estava com medo do que aconteceria quando ele chegasse em casa. A reação de Julie não foi uma das melhores quando descobriu tudo. Daniel pensou que ela ficaria até calma por estar em um mercado, mas as pessoas a sua volta não a intimidaram.
Ele suspirou e entrou no carro.
Enquanto isso, Julie conversava com a sua mãe pelo telefone, ela estava deitada no sofá da sala. Sua mãe tentava defender Daniel. — Filha, ele te conhece... Tudo que ele faz é para o seu bem.
- Porque ele me escondeu? — Estava indignada. — Não seria mais fácil ter contado logo a verdade?
- Filha! Ele estava com medo de como você ia reagir!
- Tá. Eu... Admito que não estou animada com essa história de gravidez, mas eu não ia ter nenhum ataque de fúria ou algo do tipo... — Pausou. — Mas sinto que esse neném vai complicar muito a minha vida, eu não pretendia engravidar tão cedo. Queria arrumar meu emprego, amar meu marido, ajeitar a casa.
Sua mãe riu. — Você precisa aprender que as coisas acontecem naturalmente. — Disse. — Eu também não pretendia engravidar, mas ai eu tive você.
- Hum, até que não foi tão ruim, não é?
- Sei que você só está assustada. — Pausou. — Mas quando você pegar o seu neném pela primeira vez vai sentir algo tão bom. Querida, você vai ser uma ótima mãe, disso eu tenho certeza... — Julie não prestava a atenção nas palavras da sua mãe. Na verdade ela ficou em choque depois que pensou e repensou nas palavras de Heloísa.
'' Eu também não pretendia engravidar, mas ai eu tive você. '' - Essa frase ecoou por sua cabeça. — Mãe. — Julie disse, em choque. — E-eu... Quando eu nasci... Começaram os problemas entre você e o meu pai. — Balançou a cabeça, olhando para a sua barriga. — E quando o neném nascer e acontecer o mesmo comigo e com o Daniel? E se a gente... Se separar?! Eu não quero isso mãe!
- Sch, mas quanta besteira! Não é porque eu e o seu pai nos separamos que você vai se separar do Daniel. Mas que coisa! E-eu preciso desligar Julie, se não o arroz vai queimar. Beijos. — Desligou.
Julie colocou o telefone no gancho, se deitou no sofá, abraçando a almofada enquanto olhava para a sua barriga.
Daniel chegou com as compras, viu Julie deitada no sofá e pensou que ela estivesse dormindo. Levou as sacolas até a cozinha e deixou em cima da mesa. Voltou para sala, se aproximou lentamente do sofá. — ATÉ QUANDO PRETENDIA ESCONDER MINHA GRAVIDEZ?! — Ele deu um pulinho com o grito.
- Eu só... Precisava do momento certo. Você... Nem para desconfiar dos seus sintomas. E isso me deixou ainda mais nervoso para te contar.
Ela se acalmou com a explicação de Daniel. Lembrou que deveria ter mais paciência com ele. O abraçou, deitando a cabeça no peito de Daniel e fechando os olhos. Ele retribuiu — Me perdoa, Daniel. — Beijou seu peito. Alisando o mesmo. — Eu só estou um pouco nervosa com isso, não queria... Não planejava um filho.
- Quer abortar? — Perguntou, pensando que era isso que ela queria.
- Não! — Respondeu imediatamente, se afastando e alisando a barriga. Sorriu fraco. — Eu não vou abortar não. — O olhou. — A não ser que você... Queira...
- De jeito nenhum. — Ele balançou a cabeça. E voltou a abraça-lá.
- Só não sei se vou ser uma boa mãe, não tenho experiência para isso. N-não est-tou preparada. — Disse insegura.
- Não está preparada? — Riu, se lembrando do favor que os dois fizeram para Bia. — E o jeito como você cuidou da Nandinha, lembra? — Ela levantou a cabeça com aquela pergunta, mas só assentiu. Ainda triste. — Julie, é claro que você está preparada para ser mãe. — Beijou levemente os seus lábios. — Você será a melhor mãe do mundo. — Ela sorriu com aquilo.
[...]
Algumas semana depois. Daniel e Julie já estavam mais a vontade com a noticia de ter um bebê. Julie até contou para Bia, que ficou toda boba com a noticia de que em nove meses será tia. Ela até lhe comprou um livro.
Julie estava sentada na mesa da cozinha. Estava terminando de tomar seu café com leite quando Daniel chegou. — Bom dia minha princesa. — Disse se agachando e lhe dando um selinho enquanto alisava ao mesmo tempo a barriga de sua esposa.
- Não pode chamar o bebê de princesa, ainda nem sabe o sexo.
- Eu estava falando de você. — Piscou. Mas suspirou fracamente, Daniel queria uma menina, mas não estava muito confiante. Pegou um copo de café e tomou em um só gole. Ajeitou a gravata. — Vou trabalhar.
- Mas já? — Julie se levantou. — Não acha que está cedo?
- Cedo? Vou pegar muito trânsito. — Disse a abraçando, mas Julie não retribuiu. Estava emburrada. — O que foi?
- Você não me dá mais atenção!
- O que? E na noite retrasada, não foi atenção o suficiente? — Sorriu malicioso enquanto as bochechas de Julie corava.
- O que adianta ganhar beijo, amor e carinho durante uma noite enquanto o restante da semana sou ignorada?!
A conversa foi interrompida com o bip do relógio de Daniel, ele suspirou. Sabia que já estava na hora de ir, mas não queria deixar sua esposa triste. — Amor. já está na hora de eu ir trabalhar. — Segurou seu ombro por trás, mas ela se soltou. — Sabe o quanto eu te amo. Não sabe?
- Hum. — Virou seu rosto de lado para tentar encarar seu marido, mas não tinha coragem de se virar totalmente para Daniel. — Talvez eu saiba.
Ele a abraçou por trás, Julie fechou os olhos. Jamais pensaria que teria um marido tão carinhoso. — E você, me ama?
- Talvez. — Ele a soltou com a resposta, ajeitou sua abotoadora. Os dois se doeram com aquela resposta, Julie se arrependeu na mesma hora de ter dito ''talvez'' e não um ''eu te amo''. Sabia que estava desse jeito por puro ciúmes, ela o amava de mais, e por amar tanto queria sua atenção o tempo todo.
- Eu já vou. — Disse Daniel, se afastando.
- N-não vai me dar um beijo? — Perguntou a morena, com um certo remorso. Ele não respondeu, só se aproximou, Julie sorriu fracamente, pousando suas mãos no pescoço de Daniel. Ele lhe deu um selinho lento e sem vontade. Se afastaram e olharam no olho um do outro. — Desculpa. — Julie sussurrou arrependida.
- Aham. — Daniel balançou a cabeça e respondeu com um pouco de frieza. — Tchau.
[...]
A manhã se passou, Julie tentou se distrair lendo o livro que ganhou da Bia, arrumando a casa ou batendo um bolo. Mas nada disso tirava o Daniel de seus pensamentos. Ela precisava parar de discutir com ele. Mesmo tendo algumas mudanças de humor devido a gravidez ou até mesmo por ciúmes. — Preciso ser mais compreensiva. — Disse e deixou a vassoura no canto, correu até a sala e pegou seu telefone, ligou para o celular de Daniel, mas estava desligado.
Revirou os olhos, detestava quando Daniel se esquecia de ligar o celular.
Mas não desistiu, discou os números do seu escritório, queria pedir desculpas de verdade por ter sido tão seca. — Boa tarde, escritório do Daniel Castellamare, com quem falo? - Ouviu uma voz atender.
Era uma voz feminina, isso foi o suficiente para Julie mudar de humor. — Não, eu é quem pergunto, quem é que está falando?
- Juliana? - A voz feminina no escritório reconheceu a morena.
- Sim, sou eu. Me conhece de algum lugar? Quem é você? — Julie perguntou com uma certa grosseria.
Mau sabia a morena que falava com uma ''velha amiga'' do ginásio.
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