Notas iniciais
*A cronologia nessa segunda fase não é linear. Então, é preciso estarmos atentos para não nos perdermos; *Hoje, a ‘viagem no tempo’ aponta para as reações de Bruce e Diana após o episódio do apartamento.

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♪ What I would do to take away this fear of being loved/

Allegiance to the pain/

Now I'm fucked up and I'm missing ya/

Never be like you ♫

♪ O que eu faria para tirar este medo de ser amado/

aliado à dor/

Agora, eu estraguei tudo e eu estou sentindo sua falta/

Nunca serei como você ♫

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Bruce não dormia nada há três dias. À noite, antes da patrulha, Dick começou com suas piadas insuportáveis sobre Diana, quando estavam descendo as escadas da mansão para caverna.

— Eu não sei como você conseguia se conter quando ela estava por perto?! Ela é maravilhosa... Se você entende o que eu digo. Só alguém burro, mas muito burro, iria tirá-la daqui e deixá-la livre para que um outro cara a conquiste. – Dick pressionou Bruce enquanto caminhavam para o computador principal.

Bruce levantou uma sobrancelha sob o capuz: – Tenho certeza que Bárbara ficaria feliz em saber o quanto você se mantém a cobiçar Diana.

— Babs sabe que ela não tem nada com que se preocupar. Di e eu somos apenas amigos. Mas isso não me impede de apreciar como ela é linda, afinal eu não sou cego. – Dick deu a Bruce um olhar significativo.

Bruce tentou ignorá-lo, como sempre fazia quando ele trazia o nome de Diana à tona. Dick tinha um enorme prazer em cutucar Bruce com relação a ela. Normalmente, ele simplesmente o ignoraria até que ele mudasse de assunto, mas esta noite Bruce estava com o emocional esmagado para lidar com tais provocações.

— Eu decidi que não preciso de qualquer ajuda esta noite. Quero patrulhar sozinho – Bruce sentou-se e começou a digitar no computador os arquivos que ele achava que poderiam mantê-lo ocupado esta noite, em Gotham, rejeitando a companhia do menino prodígio.

— Tá legal, velho! – Robin deu meia-volta para subir as escadas – Mas vê se não se mete em encrencas.

Bruce parou de digitar assim que seu filho adotivo desapareceu. Ele olhou pra baia médica e rememorou os beijos de Diana. O Batman em sua mente tentou convencê-lo de que seu mundo era escuro e frio e ela merecia bem mais que isso, mas tudo que ele conseguia pensar era no sorriso e na presença dela iluminando a mansão, em como ela se encaixava tão bem em sua vida, com Alfred, Dick e sua missão.

Bruce lembrava de como ele e Dick brigavam bem menos quando ela estava por perto. De como Alfred sentia-se feliz ao redor dele, como se tivesse orgulho de quem ele era, na presença dela. Lembrou-se de quando voltou para casa depois da patrulha em que fora baleado. De acordar e ver seu rosto bonito e amoroso, dormindo, sentada ao lado de sua cama, na enfermaria. Lembrou do quanto ele a queria naquele momento, do beijo, da dor, mas de não querer parar de beijá-la. Ele não queria parar de segurá-la em seus braços e ele não teria parado, mas ela se afastou por causa do seu maldito gemido de dor. Lembrou-se do pânico que seu coração experimentou depois de um pesadelo naquele mesmo dia, onde ele a via morrer nas mãos de seus inimigos.

Foi quando ele deixou o Morcego assumir e decidiu afastá-la para o bem dela. Ele mandou que redecorassem um de seus apartamentos corporativos em Washington rapidamente, para se adequar a ela e dar-lhe o melhor que ele podia. Conseguiu uma identidade civil para ela e usou as conexões entre ele e Sargento Steel para dar-lhe uma chance no Departamento de Assuntos Meta-Humanos (DMA).

Ele queria mais dela, mas ele sabia que não podia ter o que queria e ela era o que ele mais queria nesta vida acima de tudo. Essa foi a força motriz final que o empurrou naquele momento, porque se ela não estivesse viva, aqui neste mundo, ele não tinha nenhum desejo de ser uma parte do mundo. Salvar sua vida era tudo que importava para Bruce.

Ele então a levou para capital americana. Eles fizeram compras, comeram e foram ao apartamento, onde ele lançou a bomba que a devastou. Ele havia ensaiado todos os argumentos possíveis e estava pronto para convencer Diana que isto era o melhor pra ela. Ele sentiu os joelhos fracos quando viu seu olhar triste. Ele não gostava de ver a dor e a confusão nos olhos de sua princesa. Ele quase a agarrou e puxou-a para seus braços, para embalá-la quando a viu chorar. Ele queria dizer-lhe que era tudo um engano e que ela poderia ficar na mansão para sempre. Mas o Batman em sua cabeça mostrava as imagens de sua morte para manter-se no controle.

Bruce lutou com seu autocontrole, a guerra que estava sendo travada dentro dele era cada vez mais intensa: Desejo versus lógica. Coração versus mente. Paixão versus missão. Bruce versus Batman. No final, ele sabia que o Batman tinha que vencer. Não havia nenhum outro resultado aceitável.

Emocionalmente, ele não poderia ser o que ela precisava que ele fosse. Ele não poderia deixar a escuridão e a raiva dentro dele se extinguirem. Era essa fúria e hostilidade que davam vida ao Morcego. Ele tinha que deixá-la ir. Mas era como se a lâmina de uma faca perfurasse seu coração. Só em pensar que ela poderia amar outro homem. Mas ele teria que aprender a viver com a dor e ele tinha bastante prática nisso. Se ele aprendeu alguma coisa nos últimos 30 anos era que a vida estava longe de ser justa.

Ele jantou sozinho naquela noite, já que Diana e Dick não quiseram se juntar a ele. Era o retorno dos velhos tempos de refeições solitárias para Bruce. Por duas semanas Alfred e Dick quase não lhe dirigiram a palavra. Batman tinha conseguido o que queria e agora ele estava solitário novamente, vivendo na escuridão e totalmente dedicado à missão.

(...)

Cerca de uma semana depois de Diana sair da mansão, Batman encontrou Catwoman durante a patrulha, quando tentava impedir que ela roubasse uma joalheria. Quando Selina começou suas propostas sedutoras, Bruce não resistiu. Ele decidiu enterrar o seu desejo e necessidade por Diana com uma noite de sexo sem compromisso com Selina. E isso acabara por se repetir algumas vezes por alguns meses... Mas ele não teve o êxito esperado. Apesar das noites quentes com uma amante maravilhosa como Selina, o desejo pela amazona não foi enterrado, fazendo-o acumular mais dor causada pela sensação de vazio em seu coração. A infelicidade de perder a mulher que ele amava.

Ele fez uma nota mental que deveria tratar Selina com carinho, porque ela não merecia ser usada dessa maneira. Noite após noite, sempre que as noites luxuriosas com a mulher gato eram vigorosas, ele voltava para a caverna, lavava seus resíduos com um banho fervente, como se estivesse tentando limpar a alma. Sentia-se enojado por suas ações e não conseguia parar de pensar Diana. Nada adiantava... Nada!

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♪ I'm only human can't you see/

I made, I made a mistake/

Please just look me in my face/

Tell me everything's okay/

Cause I got it/

He’ll never be like you ♫

♪ Eu sou apenas humano, entende?/

Eu cometi, eu cometi um erro/

Por favor, olhe para mim/

Diga que está tudo bem/

Porque eu entendo/

Nunca serei como você ♫

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(...)

Ser mordomo do príncipe de Gotham tinha lá suas regalias e Alfred bem sabia disso. Dada a propensão de Bruce para namorar modelos, ele tinha acesso a todos os agentes, empresários e donos das maiores e mais importantes agências de modelo do mundo. Eles estavam sempre tentando emplacar suas tuteladas e viviam em contato com Alfred para oferecer suas modelos para acompanhar o playboy em algum evento e, consequentemente, conseguir a publicidade desejada: ser vista com Bruce Wayne alavancava a carreira de qualquer uma e fazia muito bem aos negócios.

Alfred usou suas conexões para conseguir um contrato para Diana em uma agência de alto padrão. Em seguida, a ajudou a mudar o visual para evitar problemas futuros – já que a Liga acabara de ser criada com os sete fundadores – Shayera, Bruce, Diana, Clark, Wally, John e J'onn – mas não ainda nos moldes do que viria a ser, com a construção do Sentinela).

Eles tingiram seu cabelo de castanho médio e o iluminaram com algumas mechas californianas discretas, além de um corte que manteve o comprimento, mas trouxe leveza ao seu rosto, através de camadas. As mudanças sutis tiveram o efeito pretendido: ela estava bem diferente!

Pelos próximos seis meses, Diana fez inúmeros trabalhos como modelo, que cabiam dentro de sua programação na Liga e com seu trabalho em Washington. Ela tinha uma agenda lotada e mesmo assim recusava inúmeras ofertas que fervilhavam sobre ela. Todos a queriam! Alfred teve a ousadia, inclusive, de contratá-la para acompanhar Bruce em algumas ocasiões, o que deixara ambos sem graça.

Apesar das quantias muito atraentes de dinheiro que ela recebia pelos trabalhos e como acompanhante, ela odiava esse trabalho. As pessoas costumavam ser rasas e insípidas e isso a incomodava em demasia. Sua carreira fora tão bem sucedida que a agência recomendou-lhe um gerente de negócios, que cuidava de seus impostos e depositava todo dinheiro dos cheques em sua conta. Alfred mostrou-lhe como pagar suas próprias despesas online e fazer investimentos. O dinheiro da princesa rendeu muito. Bem mais que o esperado.

Depois de seis meses contados, ela tinha ganhado mais do que o suficiente para pagar Bruce Wayne, centavo por centavo, com as devidas correções monetárias. Ela pediu ao gerente de negócios que avaliasse o valor do apartamento e das roupas e fez um cheque com o valor declarado. Imediatamente, ela foi ao salão de beleza para retornar a cor natural de seus cabelos. Então se trocou e se dirigiu à Gotham, para Wayne Enterprises.

Ela encantou todos por quem passou, dos guardas no Lobby à secretária na recepção. Trazia um sorriso luminoso no rosto e uma sensação de conquista indescritível. Chegando à sala de recepção do escritório de Bruce, ela pediu para vê-lo e quando sua secretária perguntou se ela tinha hora marcada, ela respondeu: “Diga ao senhor Wayne que Diana Prince está aqui, por favor”.

Ela entrou em seu escritório com um ar régio de confiança. Bruce se levantou e cumprimentou-a com entusiasmo. Ele estava feliz em revê-la, mas recuou quando viu sua postura altiva.

— Diana, a que devo o prazer desta visita? – O olhar desconfiado em seus olhos desmentia o sorriso em seu rosto.

— Eu vim para devolver-lhe algo, Bruce – Ela sorriu quando ela o entregou o envelope contendo o cheque e o cartão de crédito.

— O que é diabos isso, Diana? – Bruce perguntou, olhando para o cheque e o cartão em sua mão.

— É todo o dinheiro que lhe devo pelo apartamento e pelas roupas que você comprou para mim. Está devidamente contabilizado e as correções monetárias também foram acrescidas. Eu também encerrei a conta que você fez pra mim e abri a outra por conta própria – Ela tinha um brilho no olhar.

— Eram presentes, Diana. Eu só queria cuidar de você. Garantir que você estivesse bem. Você não me deve nada. Você não tinha que me pagar nada! – Ele respondeu com raiva. No fundo ele estava com medo de que seu último vínculo com ela (o cuidado) fosse quebrado.

— Desculpe, Bruce, mas eu não posso aceitar. Não como presentes. Eu me convenci que foram empréstimos... E agora eu estou pagando por eles. – Ela rebateu, com confiança.

— Eu não preciso do dinheiro! – Bruce disse com um certo desapontamento.

— Então doe, Bruce. Faça o que quiser. O dinheiro é seu. – Diana olhou-o nos olhos quando ela falou, desafiando-o a negar-lhe esta vitória – A questão não é a sua necessidade Bruce, mas o fato de que eu posso cuidar de mim e você não precisa mais fazer isso. Eu segui o seu conselho, Bruce: Eu sou independente agora.

Ele então cedeu e deu-lhe um sorriso: – Tudo bem se um amigo convidar esta mulher independente para um almoço? – Ele estava com os olhos brilhantes pela primeira vez desde que ela chegou.

— Esta amiga ficaria muito feliz em aceitar – Diana sorriu. Ela sabia que ela tinha ganhado o respeito dele. Ela sempre teve seu respeito como uma heroína e uma guerreira, mas daquele dia em diante ela tinha o seu respeito como mulher.

O almoço foi maravilhoso e Bruce parou de evitá-la. Sentia-se perto dele novamente. Ele não se opôs que ela continuar a visitar a mansão algumas vezes por mês para ver Alfred e Dick, além de conhecer Tim, seu filho recém-adotado. Ela mais uma vez começou a esperar por mais entre eles depois disso. Pena que ela mais tarde ela perceberia que estava esperando em vão.

Diana sacudiu-se fora de seu devaneio. Ela não queria pensar em más recordações ou ferir ainda mais os próprios sentimentos. Sua vida estava boa agora, seis meses depois. Pensar em Bruce e em tudo que não deu certo entre eles não lhe traria bem algum. Sempre que ela fora por este caminho, não conseguiu chegar a lugar algum. Era hora de seguir em frente também no amor.

(...)

Bruce estava no computador central da caverna, hipnotizado por uma imagem na tela imensa que se projetava. Ele estava vendo fotos de Diana. Seus trabalhos como modelo, fotos dela publicadas na internet fazendo algum salvamento, fotos que ele tinha, que Alfred tirara enquanto ela estava na mansão. O sorriso dela, seu olhar penetrante, a fé que ela tinha nele, tudo nela renovava seu sentimento de propósito. Ela o fazia querer ser alguém melhor. Ele olhou atentamente para as imagens e perdeu-se no desejo de beijá-la, dormir ao seu lado, sentir seu cheiro, perder-se em seu abraço.

Cortar esses laços com ela estavam quebrando seu coração, mas era melhor do que ela perder sua vida por causa dele. Então ele decidiu que seria seu melhor amigo e o melhor protetor que ela poderia ter na vida.

De repente, Alfred estava de pé ao seu lado, trazendo-lhe chá: – Mestre Bruce, o senhor está machucado. Deveria estar descansando!

— Como você sabe que eu me machuquei na patrulha hoje, Alfred? – Bruce suavemente bufou, mas um pequeno sorriso brotou curvando os cantos da boca.

— Mestre Bruce, devo lembrar-lhe com que o senhor aprendeu a maioria de suas habilidades como detetive? – Alfred arqueou a sobrancelha.

— Tenho trabalho a fazer! – Bruce respondeu.

— E? – Alfred insistiu.

Bruce suspirou, sabendo que Alfred iria ver através de sua resposta. Alfred sempre sabia de tudo que se passava em seu coração.: – Muita coisa na cabeça.

— Algo a ver com uma princesa amazona?

Bruce olhou para a tela por vários momentos, em silêncio, cultuando ‘sua deusa’. Dúvida e incerteza queimavam sua mente: – Não... Eu já tomei minha decisão!

Bruce esperou pela resposta de desaprovação que ele sabia que viria. Ele sabia que Alfred queria que ele tivesse algo próximo a uma vida normal e que Diana era a mulher que dominava as preferências do mordomo neste sentido.

— Eu tenho certeza que o senhor tomou a decisão certa, Mestre Bruce.

Isso não era de todo a resposta que ele estava esperando de Alfred: – Como é?

— Eu tenho certeza que você tomou a decisão certa, mestre Bruce. Nunca iria dar certo. – Alfred se manteve impassível.

Os olhos de Bruce se estreitaram de raiva, mas ele ponderou antes de responder. – Por que não?

— O senhor é um homem quebrado. Sua missão é muito mais importante que ela. O senhor é um garoto rico com problemas e ela nunca iria entender essa vida dupla que o senhor vive, não é? Afinal, ela é só uma companheira de equipe. Além disso, se o Coringa a capturar, ele pode corrompê-la... O senhor quer que eu continue, mestre Bruce? – Alfred parecia estar se divertindo por trás da postura estoica.

Bruce sentiu o peito apertar com cada palavra. Ele sentiu como se pregos tivessem sido apregoados à tampa de seu caixão.

— Você está usando psicologia reversa em mim, não é?

— Por que eu precisaria fazer isso com o senhor? Você é um gênio, mestre Bruce. – Desta vez, o mordomo sorriu – Durma bem, mestre Bruce.

Bruce não conseguiria dormir… mais uma vez.

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♪ I'm falling on my knees/

Forgive me, I'm a fucking fool/

I'm begging, darling, please/

Absolve me of my sins, won't you? ♫

♪ Eu estou ajoelhado/

Perdoe-me, eu sou uma tolo/

Estou implorando, querida, por favor/

Liberte-me de meus pecados, você irá? ♫

Notas finais
Música introduzida no texto Never be like you [ Flume ] https://www.youtube.com/watch?v=-KPnyf8vwXI