Notas iniciais
* Para quem tem dúvidas sobre a cronologia, basta reler o capítulo 26 e se situar na estória; *Para os que me pediram: eis aí um pouco de tranquilidade para o casal de protagonistas; *Beijos e até o próximo capítulo!

*** Dias atuais, mansão Wayne ***

(...)

— Esse casamento é um erro... Ela não deveria se casar!

— Bem, mestre Bruce. Eu não acho que o senhor deva se preocupar com isso porque o casamento foi cancelado. – Alfred notou quando o sorriso de Bruce se acentuou.

— Como... Como você sabe disso, Alfred? – Ele duvidou.

— Mestre Kent ligou, senhor ­– Alfred respondeu.

Bruce Wayne engasgou e Helena riu. Ele derramou seu café, mas não prestou atenção em tudo. Agora ele percebeu a extensão do que sua namorada estava falando. Diana estava livre... livre pra ele! E ele – com a saída de Selina, também estava. Ele não conseguiu esconder o sorriso bobo do rosto. Ele teria uma nova chance e não ia desperdiçá-la.

— Alfred, eu... é... – Ele estava sem palavras.

— Notícias perturbadoras, Mestre Bruce, ou devo dizer, encorajadoras? – Alfred continuou. – O senhor quer que eu faça uma chamada para Miss Diana para que o senhor possa oferecer-lhe suas condolências?

— Alfred... as reuniões... eu preciso... – Havia um nervosismo inconfundível em sua voz.

— Considere-as canceladas, Mestre Bruce. Enquanto isso, devo orientá-lo a vestir-se adequadamente e seguir para a reunião que Miss Diana organizou hoje, no início da tarde, para apresentar seu projeto e garantir investidores para construção da Embaixada de Themyscira. – Alfred Pennyworth olhou nos olhos de Bruce Wayne.

Bruce Wayne havia perdido a capacidade de falar, mas não de sorrir. Quando o telefone tocou, o mordomo Inglês informou que Clark queria falar com Bruce, mas ele se deteve a responder que não teria tempo de falar.

— Muito bem, senhor. – Alfred não conseguiu segurar o sorriso enquanto falava com o senhor Kent ao telefone, enquanto Helena também sorria tomando seu café. Pelo canto do olho, ele viu Bruce literalmente subindo correndo as escadas para se vestir.

(...)

— Eu tenho certeza que podemos chegar a um acordo, princesa – Ele tinha os olhos maliciosos sobre ela – Que tal um encontro?

— Eu não tenho certeza se é uma boa idéia, senhor Wayne – Diana estava com o rosto em chamas de tanta vergonha.

— Vamos lá, princesa, pense na paz mundial, nas criancinhas órfãs... Você pode fazer o sacrifício, não pode? – Ele estava se levantando, indo em direção a ela.

— Se serve de consolo, Mulher Maravilha, ele é assim com todas as mulheres. Basta ignorá-lo. – um dos empresários veio em seu auxílio.

— Obrigada senhor... Bem, já que tenho o meu financiador, acho que esta reunião está encerrada. – Diana apertou as mãos dos homens que começaram a se despedir.

Ela ouviu, com a audição melhorada, trechos de conversas e risos, a maior parte focada em Bruce Wayne e seu apetite insaciável por mulheres. E se encolheu. Bruce andou até ela e serpenteou seu braço em volta sua da cintura.

— Então, Mulher Maravilha, a que horas eu devo buscá-la?

Seu estômago caiu ao encarar o sorriso de lobo que ele estava dando a ela: faminto, sagaz, um animal feroz que não soltaria sua presa. Ela tirou a mão, tentando não corar sob o escrutínio de tantos olhares curiosos. Quase sem fôlego, ela sussurrou: "O que você está fazendo, Bruce?".

— Tornando público que Bruce Wayne é apaixonado pela Mulher Maravilha e vai fazer de tudo para conquistá-la.

Ela tentou parecer indignada com sua presunção, mas falhou miseravelmente.

— Isso é realmente necessário? – Ela questionou.

Ele se inclinou para frente. Sua voz era baixa, fazendo cócegas nos ouvidos de Diana: "Se você vai ser a namorada de Bruce Wayne, sim."

Ela reconheceu que aquilo era promissor. Não haveria mais pretensão de outras mulheres, nem Selina. Não haveria mais motivo para ciúme da parte dela. Ela ignorou a maneira como o seu coração parecia se expandir em dois tamanhos.

Como os homens continuaram a sair da sala, Bruce e ela eram as duas únicas pessoas. Ela podia senti-lo em pé atrás dela.

— Parabéns, Diana. Eu estou orgulhoso de você. Você foi magnífica.

Ela sentiu quando ele segurou a mão dela, entrelaçando seus dedos. Ele se inclinou para frente, pressionando os lábios suavemente em sua têmpora, e ela fechou os olhos, inalando o cheiro familiar de sua loção pós-barba.

Por Hera, ela queria ceder. Ela estava cansada de afastá-lo quando tudo o que ela queria que ele fizesse era segurá-la. Exausta de ter que fingir a força que ela não tinha, sabendo o tempo todo que ele estava oferecendo a sua própria. E agora que ele estava fazendo tudo em seu poder para estar com ela, ela temia que se ela o empurrasse muito longe, ele iria desaparecer. Seus olhos começaram a arder com o pensamento de perdê-lo novamente, mas ela afastou as lágrimas.

Ele a levou até a porta, mas ela o deteve antes de entrar no corredor.

— Se fizermos isso, Bruce, vai ter que ser diferente. Não podemos simplesmente começar de onde paramos. Temos que recomeçar do zero.

— Eu faço qualquer coisa que você quiser, princesa.

*** Almoço em Nova York ***

Era 12h30 quando Diana e Bruce entraram no restaurante e foram imediatamente recebidos por um maitre magro de cabelo castanho, vestindo um smoking elegante. Ela observou o homem de cavanhaque levá-los até uma mesa, no que parecia ser o lugar mais refinado do restaurante ‘Per Se’, considerado o melhor da cidade e o sexto melhor do mundo, localizado no quarto piso do elegante Time Warner Center, na praça Columbus, bem próximo ao Central Park. A grande porta azul na entrada, com detalhes em dourado, chamou atenção da princesa pela beleza e sofisticação.

— Se eu não o conhecesse, Bruce, acharia que você está tentando me impressionar. – Diana sorriu para o homem que a tomara pelo braço para acompanhá-la.

Ela agradeceu aos deuses estar vestida adequadamente diante da elegância dos clientes que se apresentavam: homens vestindo ternos caros e mulheres com vestidos de igual padrão.

Bruce notara os olhares em sua direção. Ele já estava acostumado a tais interações, mas a diferença é que desta vez, sua acompanhante parecia chamar mais atenção que ele. Os braceletes a denunciavam. Sussurros de ‘Oh, é a Mulher Maravilha!’ foram ouvidos por ambos, independente da habilidade diferenciada de suas audições, já que os clientes não estavam sendo nada discretos.

Além da atenção que sua acompanhante chamava por ser um dos membros fundadores da Liga da Justiça, havia ainda o fato de que a mulher em seus braços era bonita ao extremo. O que fez Bruce Wayne sorrir com o melhor de seus sorrisos de playboy. Ambos sentaram-se, em frente ao outro, ocupando cadeiras em lados opostos.

— Você está divina, princesa! – Ele flertou.

Diana estudou seu rosto com suavidade e tomou para si o pensamento de que o terno azul marinho que ele vestia tornava seus olhos vantajosamente mais lindos. Ela lutou para não passar tempo demais contemplando a aparência do homem à sua frente, mas precisava admitir para si que ‘decididamente era o homem mais atraente que já tinha visto em sua vida’

— Obrigada, senhor Wayne. O senhor também não está nada mal.

Bruce tomou a liberdade de fazer o pedido, ordenando ao maitre que trouxesse-lhes o de sempre.

— Você sempre decide por suas acompanhantes, senhor Wayne?

— Sim... e elas não costumam reclamar – Ele sorriu.

— Não me admira... Já que elas não parecem ter cérebro suficiente para fazer as próprias escolhas!

— Ei... – Ele sorriu fingindo estar ofendido – Não vamos começar com ofensas.

— Tudo bem – Diana completou – O que você pediu para mim?

— Peito de pato assado com cenouras, aspargos, avelã e marinado no merlot.

— Eu também devo supor que você irá me alimentar, senhor Wayne? – Diana deu-lhe um sorriso irônico e Bruce não conseguiu conter seu divertimento.

— Se você me quiser, minha cara, eu posso alimentá-la... de muitas maneiras. – O acréscimo dissimulado veio em boa hora: no mesmo momento que uma senhora passava por eles. Bruce não quis perder a oportunidade de perpetuar sua fama.

Diana também parecia divertir-se com o jogo de sedução:

— Por hora, não será necessário, Bruce.

Bruce estava olhando para ela tão intensamente que ela sentira sua pele corar. Tentando acalmar-se, ela pegou seu copo de vinho e sorveu o líquido generosamente, mas com lentidão. Sentiu sua pele queimar ainda mais, ao contrário do relaxamento pretendido.

Desde seu encontro com ele no escritório, ela sabia que precisava colocar uma distância entre eles. Cada vez que ele a tocava, ela sentia-se insegura, confusa e tinha vertigens. Eram sentimentos profundos demais para lidar enquanto ela tentava conversar com a mente mais brilhante do mundo. Como se não bastasse, ‘o maldito era absolutamente sedutor’, ela pensou.

Quando ela colocou o copo de volta na mesa, Bruce colocou sua mão sobre a dela e começou a acariciá-la. Foi quando Diana decidiu que era hora de colocar os pingos nos “i”s.

— Bruce, se você quer mesmo que as coisas dêem certo, eu preciso saber agora se você está disposto a seguir em frente comigo, sem reservas. Eu não quero ser um brinquedo nas suas mãos. Eu mereço mais que isso. Eu quero sua honestidade!

Ele foi surpreendido com a honestidade de Diana. Não era uma novidade, mas a postura madura em um relacionamento o deixou orgulhoso. Ainda sim, ele manteve sua mão a acariciar a dela porque gostava de ver suas bochechas coradas.

— Nós vamos fazer as coisas de forma lenta, Bruce. Primeiro porque eu não quero magoar o Tom e segundo, porque eu não quero passar por tudo de novo. – Ela baixou a cabeça.

Quando mais uma pessoa se aproximou da mesa para espiar, Bruce lançou-se no papel de conquistador mais uma vez.

— Eu adoro mulheres dominadoras, princesa. Mas se eu não posso avançar o sinal, como eu normalmente faço em meus encontros, o que é que você sugere que façamos para nos entreter? – Seus olhar predatório estava em pleno funcionamento.

— Nós podemos conversar, Bruce. Você já experimentou?

— Não parece emocionante – A mulher na mesa ao lado riu e Bruce e Diana acabaram rindo também. Eles tinham que admitir, estavam tempo uma tarde agradável.

O garçom escolheu o instante certo para trazer o prato principal. O cheiro do pato deu água na boca. Para diversão de ambos, Diana disse que estava delicioso e Bruce respondeu que isso era suficiente para dar-lhe suporte de escolher sempre as refeições de ambos.

— Isso quer dizer que vamos ter novos encontros, princesa?

— Você quer isso, Bruce?

— Eu quero. Mas... eu posso pelo menos beijar você?

— Talvez!

Ele estreitou os olhos um pouco, considerando as feições da mulher do outro lado da mesa: – Você não vai facilitar a minha vida, não é?

— Não sei... Será?

— Você não pode responder uma pergunta com outra pergunta, Princesa.

— Não foi isso que o Batman me ensinou e ele é o melhor, senhor Wayne! – Ela colocou um sorriso de satisfação em seu rosto antes de colocar um delicioso pedaço de carne e purê de cenouras na boca.

— Diana, eu posso fazer uma pergunta?

— Claro, Bruce!

— Por quê? Por que você me quer? Por mais que isso me deixe lisonjeado, eu não entendo!

Ela lhe deu um sorriso deslumbrante: – Você é encantador, Bruce. É bonito, generoso, confiante, brilhante, benevolente. Você é um homem admirável, Bruce.

— Você esqueceu de dizer que sou bom de cama!

Diana começou a rir, pensando no que as pessoas diriam se soubessem que aquele homem petulante e engraçado era o temível Batman.

— Se você me permite dizer, princesa, eu sempre achei que você era uma mulher assertiva. Além de imensamente teimosa e – bom, eu não sei se é um defeito ou não. Você é forte, mas de forma feminina. A mulher mais linda que já pus os olhos e , finalmente, a sua ingenuidade é muito atraente.

Ela olhou para ele tentando decifrar se estava sendo ofendida ou elogiada. – Eu não sou tão ingênua!

— Então eu não sou o homem brilhante que você diz se você está me questionando em minhas avaliações.

Sua boca se abriu em resposta, mas depois fechou-a e sorriu em vez disso. Bruce passou os dedos delicadamente em torno da haste de sua taça, e olhou para o líquido vermelho com divertimento. Ele pensara que, se a farsa de Bruce com Diana deveria ser assim, ele de fato iria considerar divertido, ao invés de entediante, como costumava ser com suas outras acompanhantes estúpidas.

Eles acabaram se divertindo ao observar as pessoas chegarem mais perto de sua mesa, para ouvir a conversa. Tudo parecia muito divertido, ao invés de enfadonho e Bruce não foi capaz de esconder uma gama crescente de satisfação. É bem verdade que Diana também não, assumindo um personagem junto com ele.

— Você já considerou em repensar seu uniforme, princesa? Deve ser complicado ser uma porta-voz das mulheres usando tão pouca roupa. Usando um maiô, algumas pessoas não vão levar você a sério – Ele não queria ofender, mas a naturalidade dos assuntos o levaram a uma questão que o incomodava. Ele odiava vê-la com tão pouca roupa.

Uma pequena ruga se formou nos lábios e na fronte dela e ela tentou agora com tranquilidade: – Não é uma roupa de banho, senhor Wayne. É uma armadura de duas peças que destacam a cintura. O senhor deveria saber, já que costuma se envolver com modelos.

‘Ela estava indo bem’, Bruce ironicamente observou. Ele conseguiu encobrir seu sarcasmo, porém: – Você não vai me deixar beijá-la, mas está me dando informações sobre como tirar a sua roupa?

— Eu li sobre isso em uma revista a bordo de um navio, Bruce. Chama-se: ‘deixe-o querendo mais’!

Ele limpou a garganta, tentando não rir: – Não me provoque, princesa!

Eles saíram pelos fundos do restaurante, tentando se desvencilhar dos repórteres que se aglomeravam em frente ao Time Warner Center. Conseguiram fugir dos olhares curiosos e andaram de mãos dadas pelo Central Park. Aquilo parecia familiar para Bruce e ele não conseguiu fugir do sentimento de medo que latejava em seu peito, embora estivesse disposto a tentar um relacionamento.

Eles ficaram em silêncio por alguns momentos, olhando um para o outro. De alguma forma, o medo de ambos se deteve na baía de seus corações e tudo que fizeram foi aproveitar a tarde juntos. Beijos foram dados e olhares trocados, mas nada lascivo ou faminto. Eles estavam alimentando-se de um quinhão de paz que os invadira. Amanhã seria mais um dia em que a realidade os abateria, mas por hora, os braços um do outro era mais que suficiente.