Coração é terra que ninguém vê
36 Revanche – Parte II
Notas iniciais
Na Torre de Vigilância, John e Shayera caminhavam em direção a sala de reuniões. J’onn os convocara telepaticamente para uma reunião de emergência reivindicada pelo Batman. Eles sabiam, a partir dos relatórios de missões, que Diana e ele tinha enfrentado Tala, Aresia e Safira Estrela e já imaginavam que convocação tinha algo a ver com isso.
— Por que a reunião de emergência? – O velocista escarlate perguntou.
— Estamos aqui porque o Batman convocou a reunião. Ele e Diana tiveram um ‘encontro’ nada amigável ontem e ele acha que há algo errado – Superman explicou.
— Aresia, Tala e Safira Estrela roubaram artefatos de um museu de Gotham ontem – Batman começou
Antes que ele pudesse terminar, Flash interrompeu: – Por que alguém iria querer roubar um monte de tralhas velhas, Morcegão? – O olhar que o Batman o dirigiu o fez encolher-se na cadeira.
— Quatro artefatos gregos foram roubados no curso de duas semanas, a partir de três cidades – Bruce acionou um dispositivo e a tela do computador mostrou as imagens dos artefatos – São itens que acreditamos possuírem poderes mágicos, especialmente a ‘Gladius de Alkyone’.
— Grade de Al Capone? – O Flash abriu um sorriso que se desvaneceu segundos depois do ‘bat-olhar’ de reprimenda do Morcego.
— Ela se casou com Aquiles, quando ele foi nomeado rei de Themyscira. Depois ela o matou para assumir o trono. Tudo indica que as armas que ela usou (armadura, seu escudo e a espada) foram banhadas com o sangue do herói grego e isso lhes deu poderes mágicos – Diana explicou – Gladius é um tipo de espada curta, para um combate próximo, Flash – Ela sorriu docemente para Wally.
— Nós sabemos o que os artefatos podem fazer? – Perguntou o Superman enquanto cruzava os braços sobre o peito. Seus olhos azuis se estreitaram de preocupação, já que magia era também uma vulnerabilidade para o Homem de Aço.
— Nada até agora, mas assim que eu descobrir, chamo vocês pelo comunicador – Respondeu Batman – O outro aspecto perigoso é que temos Aresia, safira e Tala envolvidas em algo grande.
Uma imagem de Aresia, Tala E Safira Estrela brilhou na tela, com uma lista de estatísticas e poderes.
— Nós pensamos que ela estivesse morta! – John Stewart cruzou as mãos atrás das costas, em sua tradicional posição de disciplina militar adquirida após os anos servindo a Marinha americana.
— Será que ela é um zumbi? – Disse Wally rindo.
— Você assiste muitos filmes, Flash! – Respondeu John.
— O melhor curso de ação é cobrirmos os alvos mais prováveis – Batman interrompeu a conversa, visivelmente irritado – Elas podem recrutar ajuda e precisamos estar preparados.
—Concordo – Disse o Caçador de Marte – Você já deve ter um plano certamente. Quais os membros mais eficazes para os prováveis alvos?
— Sim, eu tenho – respondeu o Cavaleiro das Trevas – Você e Clark vigiarão o museu de arte moderna de Metrópoles. Flash e Lanterna podem cobrir a casa de Grant Garner, um colecionador de antiguidades gregas de Star City. Diana vai cobrir o trem que está chegando à Nova York transportando relíquias gregas recém-escavadas. Eu vou cuidar do Museu Histórico de Gotham.
— Batgirl, Robin ou Asa Noturna irão com você? Você vai precisar de ajuda – Questionou a Mulher Maravilha.
— Batgirl e Robin vão cobrir a cidade enquanto eu cuido dos negócios da Liga. Nightwing estará patrulhando em Blüdhaven – Bruce respondeu secamente.
— Aresia é uma amazona treinada. Isso faz dela um inimigo perigoso. Se ela, Safira e Tala atacarem juntas de novo, tudo que você vai conseguir com a sua teimosia é uma morte rápida. Não seja tolo, Batman. Deixe-me ir com você?! – Diana bradou.
— Desta vez eu estou pronto para elas – O Batman replicou.
— Eu acho que Diana pode estar certa – Interrompeu Superman – Você não acha que...
— Gotham é minha cidade, meu território. Eu lido com isso. Eu não preciso de ninguém! – Ele olhou para Diana especificamente.
— Está certo! NÃO ligue se precisar de ajuda! – Diana latiu furiosa.
Flash levantou uma sobrancelha, notando algo entre os dois. Ele estava no modo velocidade extrema, o que abrandou a passagem do tempo. Para uma pessoa média, apenas um segundo ou dois haviam passado, mas para o Flash é como se fossem minutos estudando as reações do Batman e da Mulher Maravilha diante de seus olhos, que se arregalaram com espanto. Ele permitiu-se tempo para voltar ao normal e um largo sorriso vertiginoso cortou seu rosto.
Logo cada membro da Liga voltou aos seus respectivos afazeres até que pudessem por em prática o plano do Morcego. John ainda estava com o coração partido depois de uma briga com Hawkgirl. Ele estava decepcionado por não ver em seus olhos esmeralda o mesmo brilho intenso de antes. Wally tentou animá-lo, mas sem sucesso. Ele disse a Diana e a J’onn que o Lanterna já poderia se juntar ao Batman na dança da solidão.
Batman voltou à Gotham para se preparar. Ele ainda não sabia exatamente o que as vilãs pretendiam roubar, mas bastava colocar as mãos em uma suspeita para que, depois de interrogada, ele tivesse suas respostas.
(...)
Grundy abriu uma entrada alternativa derrubando a porta da frente do Museu de História, em Gotham. Aresia estava orgulhosamente à frente da linha de vilões. Parecia um general invasor de um exército amazônico, trazendo um olhar de confiança. Além de Grundy, Safira e Tala, juntaram-se a ela Dora Smithy, Plastique e Katana.
— Aresia! – O som da voz do Morcego de Gotham ecoou em meio à escuridão do salão principal. – O que você está planejando? Não me diga que agora é uma ladra comum?
—Comum? Comum? – Aresia resmungou procurando o Batman.
Batman estudava seus inimigos e sabia que precisaria de ajuda, contudo, hesitou em pedir. Quando de repente, um borrão vermelho e azul passou em velocidade por ele até a entrada, fazendo sua capa balançar.
Diana pegou de vislumbre o movimento da capa do Cavaleiro das trevas entre as vigas do teto e pôs-se bem a frente dos vilões, tentando ganhar tempo para ele dar vazão ao seu plano de contenção do grupo.
— Grundy, lembra-se de mim? Lutamos juntos com sua amiga, a mulher pássaro? Você lembra? – Ela continuou.
O grande homem pálido simplesmente ficou ali olhando fixamente enquanto estava em transe algum tipo de transe. Era um outro mistério como Solomon Grundy havia retornado desde que testemunharam sua morte. Solomon não era um dos vilões mais inteligentes, mas estava claramente óbvio para Diana que ele estava sob um transe de algum tipo, já que seus braços fortes estavam pendurados frouxamente ao seu lado. Grundy nem sequer respondeu em terceira pessoa, como sempre fazia. Era como uma concha vazia.
— Diana, o que eu, Tala e Safira queremos é para o bem de todas as mulheres, incluindo você. Saia do nosso caminho agora! – Aresia balbuciou, ordenando ao zumbi que atacasse.
— Aresia, você nem é uma amazona. Você nunca completou sua formação – Diana provocou.
— Ei, eu pensei que ela era uma amazona igual a Mulher Maravilha – Safira olhou para Tala com desdém.
Aresia virou-se para responder, quando o Batman a surpreendeu, disparando um batarangue preso a um cabo em sua direção. O bumerangue prendeu as mãos da loira e o Batman sentiu o puxão em sequência, fazendo-o cair das vigas onde estava empoleirado.
Voando em direção a ele, Mulher Maravilha desviou os raios de gelo atirados por Dora Smity que iriam atingi-lo, deslealmente, pelas costas. Os braceletes desviaram o raio, que fez um caminho de volta certeiro e atingiu Dora, que vaiou de dor com o raio congelante.
Batman navegou através do ar, usando a capa para planar. O fluxo dos raios de Safira beliscaram o traje, enquanto ele executava manobras de desvio. Ele jogou várias pelotas explosivas no rosto de Solomon, cegando o zumbi e fazendo-o tropeçar, enquanto desembarcava ao lado das vilãs.
Aresia novamente entrou em batalha com Diana, que estava também cercada por Plastique e Katana. A princesa usou sua força contra ela em um movimento Aikidô – que Bruce a ensinara em um dos treinamentos que eles executavam no Sentinela – jogando-a contra Dora Smithy e Plastique, formando uma pilha.
Shayera entrou voando com a maça empunhada com as duas mãos, quando Tala mirou um raio de energia em sua direção. Desviando o raio com a maça, a Mulher Gavião golpeou a feiticeira, fazendo-a voar vários metros em direção a um dos pilares de mármore do Museu. O poder da arma thanagariana era mais que eficiente contra magia.
Diana começou um combate com Katana, que usava sua espada, bem como a princesa. Isto permitiu ao Batman se concentrar em Grundy, que meio desorientado, estava se levantando. Mas o Batman o saudou com um uppercut bem executado em seu queixo. Shayera observou a cena e sentiu um pouco de pena do grande homem pálido, vendo-o cair, quebrando uma fileira de mesas e armários.
A princesa amazona percebeu que Dora acertou um dos raios congelantes em Shayera, dando a Tala tempo suficiente para pegar o último artefato de Alkyone. A bruxa, como que por encanto, reuniu as relíquias em torno de si, juntamente com as outras já roubadas, flutuando com elas em torno de uma bolha de energia, que brotava de seus olhos malignos.
— Tala, o que você está fazendo? – Safira gritou incrédula.
— Eu vou controlar todos vocês. E com a ajuda do Morcego, da princesa das amazonas e da Mulher Gavião, darei um passo importante para executar meus planos. – A feiticeira era puro ódio.
— Sua traidora. Nós estamos juntas. Somos mulheres, temos que nos unir. _ Aresia latiu.
— Sua estúpida! – Tala desdenhou – Poupe-me de seus discursos feministas. Eu só sirvo aos meus propósitos. Você era apenas um meio para um fim.
O som dos gritos de Katana sinalizou ao Batman que Diana havia vencido o duelo. Ela voou até o Batman trazendo Shayera.
— O que estão fazendo aqui? – O Batman latiu – Eu disse que chamaria se precisasse de ajuda.
— Você não chamaria ajuda nem se estivesse sendo moído por Bane, Batman. – Diana retrucou furiosa.
Shayera estava voltando ao normal depois de ser atingida por Dora. Ela estava com o corpo gelado e sentia muito frio e Diana a embalou com abraços para tentar aquecê-la.
— Eu tive um pressentimento que você precisaria de reforços, então pedi a Shay pra vir comigo. E pelo visto, eu estava certa – Ela olhou de soslaio para o Morcego.
— Abaixe-se! – O Batman gritou quando e colocou sua capa sobre as duas. Os raios de energia de Tala alcançaram todo o salão. O Feitiço da bruxa foi lançado a partir das armas, como se retirasse delas a força necessária para realizar a ação.
De repente, todas as mulheres no recinto pareciam estar sob um tipo de controle da mente. Elas olhavam com o olhar fixo para Tala, que ria diabolicamente. Contudo, os olhares não eram catatônicos, como o dos zumbis, era como se elas estivessem todas concentradas em uma idéia fixa.
O que a bruxa não contava era com o fato de que o feitiço dispersado pelo poder das armas não era o de controle da mente. Era um tipo de descontrole... para o qual ninguém estava preparado. Especialmente, os homens!
Continua...
Fale com o autor