Coração é terra que ninguém vê
4 'Preciso de ajuda!'
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Clark se dirigiu apressadamente ao escritório da WayneTec recém-instalado em Metrópolis. Já passava das 11h quando ele adentrou no prédio e isso significava que ele estava atrasado há meia hora. Assim como Bruce, Clark não gostava de atrasos. A diferença é que Bruce não tolerava os atrasos alheios, enquanto Kent se incomodava profundamente com seus próprios atrasos.
Na rígida e disciplinada visão de Bruce, atrasos significavam um nível de irresponsabilidade que o irritava profundamente. Sua obcessão por controle de tudo – da mente, do físico, do emocional, da vida como um todo (o que incluía as relações pessoais) – fazia com que sua tolerância a esse tipo de comportamento fosse praticamente nula. Especialmente em se tratando das relações pessoais mais próximas, que o conheciam de fato, fora do personagem do playboy multi-milionário, mulherengo, irresponsável e esbanjador. Não era uma questão de polidez ou etiqueta social. Para Bruce, era uma questão de controle e disciplina!
No caso de Clark, o sentimento estava muito longe disso. No fundo, era muito mais um desconforto do que raiva, propriamente dita. Ele odiava decepcionar as pessoas, ainda mais aqueles que lhe eram mais caros. Não importava quão simples ou aceitável fosse o motivo. Para o rapaz bem criado do interior, a docilidade era um sentimento inato.
‘Bruce vai me matar!’, ele pensou, enquanto se identificava na portaria, na recepção do elegante prédio de 26 andares recém-adquirido pelas indústrias Wayne, destinado exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a WayneTec, mais especificamente.
— O escritório do senhor Wayne fica na cobertura, senhor Kent – Disse a recepcionista! – A secretária informou que ele o aguarda.
Enquanto se dirigia ao elevador, Clark pensou nos motivos de seu atraso e da noite que passou com Lois. Um sorriso bobo se formou em seu rosto enquanto ele apreciava a vista para o Central Park de Metrópolis, do elevador panorâmico. Decidiu que iria encarar, como sempre, o discurso irritadiço de Bruce com ainda mais paciência e tranquilidade do que de costume, tendo em vista os momentos preciosos da noite anterior, causadores do seu atraso.
A verdade é que a personalidade do jovem Kryptoniano era muito diferente da de seu amigo mais próximo. Contudo, apesar da imensa contraditoriedade de suas personalidades, que seguindo a lógica natural, indicaria a impossibilidade para estreitamento e profundidade das relações de amizade, eles conseguiram se estabelecer como grandes amigos. Aliás, não apenas grandes, mas melhores amigos.
Clark guardava consigo a impressão de que Bruce lhe revelaria os motivos por trás de sua vinda à Metrópolis. Suspeitas que viriam a ser confirmadas à posteriori.
Após uma breve identificação, a secretária o conduziu à sala principal, onde, segundo ela, o senhor Wayne já o aguardava, dispensando uma ligação para informar sua chegada. Ele não conseguiu esconder o sentimento imediato de admiração quando adentrou o lugar. A sala de Bruce era imensa, ocupando todo o andar. Com a visão de raio-x ele pode observar que a cobertura tinha um heliporto amplo e moderno, semelhante à decoração e disign do escritório.
— Senhor Wayne, com licença, o senhor Kent está aqui – Disse a secretária enquanto apontava para o Clark!
— Obrigada, Sandy. – Respondeu Bruce. – Isso é tudo. Pode nos dar licença?!
Após a saída dela, Bruce começou sua breve explanação sobre o quanto Clark o fez desperdiçar seu precioso tempo por causa do seu atraso. Como de costume, ele se desculpou e deu uma desculpa inofensiva, mas que estava longe da verdade, porque sua timidez o impedia de dizer que o real motivo era a noite tórrida de amor que perdurou até a manhã seguinte nos braços de sua namorada. O que destoou desta vez foi a brevidade do discurso de Bruce. Que apesar de irritadiço, não perdurou. ‘Ele realmente quer me dizer alguma coisa’, pensou. ‘Só uma preocupação mais urgente é capaz de fazer Bruce esquecer suas chateações recorrentes’.
– E então, velho amigo, o que me trouxe aqui? – Perguntou.
— Preciso discutir algumas coisas com você, Clark. Sobre os reais motivos da minha vinda a Metrópolis. – indicou Bruce. – Vamos, fiz uma reserva no Fellini’s. Espero que goste de comida italiana!
(...)
— Por aqui, senhor Wayne! – Indicou o Sommelier, que fez questão de atender Bruce. – Posso indicar nosso melhor vinho, senhor?
— Não para o momento – Respondeu Bruce. – Estamos numa reunião de negócios.
— E então, Bruce, o que o traz à Metrópolis? – Perguntou Kent, curioso.
— Estou numa investigação há cerca de um mês e meio que começou em Gotham e acabou me trazendo aqui. – Informou. – Um cruzeiro recheado de milionários acompanhados de suas respectivas amantes, para fins ilícitos como aventuras sexuais e jogos ilegais envolvendo altos montates de dólares, foi cercado por bandidos. Normalmente não é minha prioridade, já que isso é realizado fora da cidade, mas depois de uma das minhas patrulhas, prendi um bandido de quinta chamado Joe Philip, que carregava uma alta quantia em dinheiro.
Bruce continuou: — Achei que ele havia assaltado um banco ou algo assim. Quando o confrontei, ele entregou parte de um esquema sobre extorsão, sequestro que começaria com os milionários de Gotham, mas que em breve se estenderia à empresários de Metrópolis, Nova York, entre outros. – Então resolvi investigar!
— Não ouvi falar nada sobre isso. – Disse Kent – Você acha que há mais nisso do que os fatos indicam?
— Acredito que sim... é o que diz minha intuição! – A notícia foi abafada tendo em vista a discrição do evento que envolvia essas pessoas. Eles estavam envolvidos em atividades ilícitas e vexatórias. Não iriam envolver a polícia em qualquer processo investigativo.
— Você tem ideia de quem está fazendo isso e porquê? – Perguntou Kent, curioso.
— Ainda não. Mas é por isso que estou aqui. Tenho um plano e vou precisar de ajuda para colocá-lo em prática. Isso vai envolver alguns dos nossos amigos! – Disse Bruce com seu tom de seriedade costumeira.
— Você pedindo ajuda?! Isso é completamente novo pra mim – revelou Clark, sem esconder o sorriso irônico. – Vamos lá... me conte o plano!
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