Notas iniciais
Olá, leitores! Espero que estejam gostando dos capítulos de ação. Eu não sou uma especialista no quesito, então peço paciência comigo. No mais, obrigada por acompanharem a estória!

Clark voltou literalmente voando em direção ao navio sequestrado depois de inutilizar o satélite, danificando sua estrutura física com a visão de calor. Um fato incomum o chamara a atenção enquanto ele executava sua parte do plano: A logomarca da LexCorp anexada na estrutura externa dele. Mas saber que Luthor tinha algum tipo de envolvimento em algo escuso e mundialmente destrutivo não o surpreendia. O problema é que ele também viu uma logomarca da WayneTech. E Bruce precisava saber disso!

Mas antes, era preciso seguir com o plano e rezar para que todos estivessem fazendo sua parte para que tudo desse certo.

Ele voou em baixa altitude para não chamar a atenção de nenhum radar pela costa americana mar adentro, até chegar onde o navio estava. Ele circulou a embarcação até encontrar o barco dos sequestradores, atracado a alguns pés de distância. Ele não se aproximou de imediato, para não ser visto por algum terrorista remanescente que ficara de guarda. E usou a visão raio-x para encontrar a rota ideal – sem ocupantes – para dar sequência ao plano de Bruce.

Clark viu que haviam apenas quatro homens no barco: dois estavam no convés, vigiando qualquer movimentação na parte externa e dois estavam na cabine de controle – provavelmente um para pilotar o barco para fuga e outro para dar cobertura – todos fortemente armados com fuzis, à exceção do controlador do barco. Eles também estavam com comunicadores, o que indicava que Clark deveria entrar e sair sem ser visto, para não ser denunciado imediatamente.

Ele traçou a melhor rota de entrada pela ala oeste e decidiu que usaria uma janela aberta no momento em que o vigia da área desse as costas. Ele mergulhou e esperou o melhor momento de entrar.

Kent não era tão furtivo e capaz de entrar e sair de locais sem ser notado como o Batman. Ele não tinha técnicas para se camuflar ou se tornar ‘invisível’ como as técnicas ninjas do seu amigo morcego, mas ele podia flutuar – para não provocar nenhum ruído com seus passos – e podia usar a visão de raio-x para saber onde não havia ninguém. Por isso Bruce o escolhera.

Ele deveria espalhar pelo barco vários localizadores que Bruce lhe entregara, para aumentar suas chances de sucesso caso algum fosse detectado. Ele fez o que Bruce mandou e espalhou vários mini-localizadores pelo barco, tentando escondê-los e torcendo para que não fossem encontrados.

Agora era hora de seguir com o combinado e torcer que Bruce, Diana e Lois fizessem sua parte e ficassem bem!

(...)

Lois olhou para o encapuzado alto à sua frente e sorriu. Seus lindos olhos violetas brilharam e chamaram a atenção dele. Lois era uma mulher bonita, com uma personalidade forte e determinada que lhe garantiam capturar o coração de quem quer que fosse. Ela era daquelas mulheres que sabiam o que queriam e que assustava homens tolos, atraindo apenas o tipo que ela queria: os fortes e seguros de si!

Clark Kent parecia destoar de toda essa ‘ciência do amor’, à medida que parecia um rapaz tímido e pacato do interior. O típico namorado ‘bobão’ da garota mandona que fazia-lhe todas as vontades e que ela usava até que encontrasse alguém que tivesse a personalidade que ela queria. Mas não era bem assim...

Lois era uma garota esperta. Um par de óculos jamais a confundiria... Jamais! Mas Clark nunca se abriu com ela, nunca sequer fez menção de revelar a ela quem ele realmente era e isso a magoava profundamente. Ela tinha a impressão de que ele não confiava nela. Não como confiava em Diana. Não como confiava em Bruce. E ela nunca disse a ele que sabia... ou que pelo menos desconfiava.

Bruce confiava nela. Ela sabia de suas atividades noturnas desde que eles namoraram por um tempo, antes dela e Clark finalmente começarem a namorar – quando Clark ainda era apaixonado por Lana. Ela sabia que Bruce tinha sido apaixonado por Diana e se ressentia por ela tê-lo deixado – mas Bruce não lhe contara os detalhes da história, só o suficiente para que ela soubesse porque ele estava tão emocionalmente danificado. Ela sabia sobre Diana e seus poderes, porque Diana nunca escondeu sua origem de seus amigos, apesar de não expor-se ao público em geral como uma guerreira amazona abençoada pelos deuses olimpianos.

Todos os seus amigos de faculdade e alguns que já não faziam mais parte dela, como Bruce, Ollie e Hal não escondiam dela seus ‘dons’ ou o que quer que fosse, menos Clark. Ele era o único a manter-se apenas como Kent para ela. Mesmo quando a encontrava como Superman... Era como se fossem duas pessoas diferentes: Clark era doce, gentil e tímido. E o Superman era másculo, aguerrido e seguro de si. Tudo que a atraia num homem.

Não poucas vezes ela se perguntou se não amava apenas o Superman. Se estava com Clark porque ele era o Superman, muito embora não demonstrasse. Mas ela também amava Clark e ela sabia disso. Talvez o que a incomodasse fosse o fato dela amar essa personalidade que ela não admira e isso a assustava, de certa forma e Lois não era mulher de ter medo... Ela era segura e firme. E o fato de se tornar frágil nos braços de um homem que contrária seu ideal de segurança deve ter causado um curto-circuito em sua mente.

Saindo de seu transe, ela deu sequência à sua parte:

— Ei, você de capuz... – Ela sorriu, iniciando uma conversa trivial, com a naturalidade de quem está falando com um colega de classe – o que está havendo?

— Fica de boca fechada e você não vai ter com que se preocupar! – o encapuzado respondeu mantendo a guarda se segurando o rifle.

— Nossa... desculpa. Eu só queria entender o que estava havendo! – Ela tentou ser cortês e sexy, procurando não provocar a fúria do homem armado e não chamar a atenção dos demais.

— Você não precisa entender nada, garota. Cala essa boca e fica quieta. – Ele rosnou, mas sem qualquer ameaça de violência contra ela.

Se isso acontecesse, segundo Bruce, ela deveria continuar: – Vocês vão explodir o navio com a gente dentro? – Ela sussurrou para o terrorista, insinuando medo, como se fosse um segredo descoberto.

— O quê? – Ele perguntou visivelmente assustado. – Do que você está falando, sua louca? Nós estamos aqui apenas para limpar a conta dos ricaços. Ninguém vai explodir nada!

— Mas e aquelas caixas com um relógio na cabine de controle e na casa de máquinas, lá embaixo? – Ela insistiu, com mais pânico na voz, tendo o terrorista já abaixado para ouvi-la dizer tudo que sabia ao pé d’ouvido. – Eu as vi quando fui levar o jantar do capitão. Haviam três caixas grandes embaixo dos consoles de controle com um relógio nelas marcando uma contagem decrescente. Parecia regressiva. Além disso, meu namorado também está no navio... ele é um dos engenheiros da casa de máquinas. Ele disse que uns caras estranhos entraram lá ontem a tarde com seis caixotes imensos de madeira e ninguém podia abrir.

— O que tinha neles? – A voz do homem era de pânico.

— Ele disse que olhou por uma das frestas dos caixotes e havia em cada um uma caixa preta com um relógio marcando uma contagem. Mas ele não sabia o que era – Lois havia feito sua parte e tentou esconder o sorriso.

Ela viu quando o homem se afastou e chamou seus companheiros. Ela os viu arregalar os olhos e começar a discutir o que fazer. Eles não falavam em inglês e ela não conseguiu identificar que língua era aquela. Mas ela sabia que eles iriam à cabine... e era hora de Clark terminar a sua parte.

(...)

Slade levou Diana a uma suíte isolada do navio. Com toda tripulação rendida – homens no saguão principal e mulheres no deck, funcionários no refeitório e seus guardas vigiando cada um dos grupos – ele não tinha que se preocupar com ninguém os incomodando. Ele a deixou com as algemas apenas nos pulsos, tirando as do tornozelo, para que ela pudesse caminhar com facilidade enquanto ele a puxava com firmeza pelo braço.

Diana estava tentando pensar no que fazer sem comprometer Bruce. Ao mesmo tempo que não poderia, de modo algum, deixar que aquele homem a tocasse. Seria uma desonra à memória de suas irmãs, outrora obrigadas pelos homens de seu tempo à sofrer esse tipo de violação, se ela se deixasse usar por ele sem lutar. Ela agradeceu aos deuses o fato de estarem isolados e ninguém poder ouvir os pedidos de socorro dele. Intimamente, Diana sorriu.

Slade fez um sinal para que ela entrasse, quando ele abriu a porta. Ela obedeceu e caminhou calmamente para dentro da suíte, praticamente igual a que ela partilhara com Bruce. Ele fechou a porta atrás dele e olhou fixamente para ela. Ficaram regiamente postos, um de frente para o outro, a apenas quatro passos de distância, encarando-se sem desviar o olhar. Eram dois guerreiros preparando-se para batalha.

— Vamos lá... estou esperando você começar, mulher! – Ele deu o primeiro passo quebrando o silêncio.

— Você não vai me tocar... Eu estou avisando. É melhor ficar onde está! – Ela o preveniu com o olhar desafiador que ele vira no convés.

— Eu e você sabemos que essas algemas não estão prendendo você, não é? Porque não começa livrando-se delas? – Slade afirmou com uma convicção que assustou Diana. ‘Será que ele descobriu o plano?’, ela pensou. – você não parece uma mercenária, então, eu imagino que deva ser algum meta trabalhando pro Governo. Quem mandou você? Amanda? Faraday?

Diana sentiu-se aliviada por ele achar que ela era a única envolvida em um possível plano de investigação ou de contingência das ações terroristas e decidiu que revelar-se para ele garantiria que Bruce ficasse incógnito em seu envolvimento ou participação. Então ela moveu cada um dos pulsos na direção contrária e partiu as algemas com uma facilidade que surpreendeu Slade, muito embora ele disfarçasse a surpresa.

Ele estava desconfiado que ela era uma meta-humana enviada pelo Governo. PONTO. Ele imaginou que ela fosse bem treinada o suficiente para ser enviada em uma missão como esta. O que ele não esperava era que ela fosse MUITO forte... E o que ele estava prestes a descobrir é que ela era cem vezes mais forte do que ele imaginava.

— Bom, eu estava mesmo entediado... – Ele praguejou com um sorriso irônico e pôs-se em posição de combate. – Quando eu terminar com você, nós vamos começar a nos divertir de verdade.

— Eu... disse... que... você... não... vai... me... tocar... – Diana cuspiu com tamanha ferocidade que seus olhos se iluminaram com o leve lacrimejar produzido pela fúria mortal daquela zombaria.

Ela voou pra cima dele, atingindo seu estômago com tanta força que eles atravessaram as paredes de duas suítes. Slade era um soldado bem treinado e suas técnicas corpo-a-corpo eram infinitamente superiores ao treinamento amazônico recebido por Diana – desatualizado há centenas de anos em comparação às técnicas aprimoradas e aperfeiçoadas do ‘mundo do homem’, em constante atualização – mas ele não estava preparado pra isso e recebeu toda força do golpe que tirou-lhe o ar e o equilíbrio.

Ela era forte e veloz... Não! Ele era MUITO forte e veloz. Ela era um míssil, tamanha a potência do golpe e a velocidade da ação. E, ‘merda! Ela podia voar ou ele estava delirando por causa do impacto?’, ele pensou. Ele precisava de outra estratégia agora para detê-la... Na verdade, foi a primeira vez em que ele não pensou em ‘dar um boa surra nela, pra mostrar quem manda – sem estragar aquele lindo rosto – e depois tomá-la para mim’ e sim em uma forma de sair dali e reagrupar. O plano de ação de transferências bancárias havia sido impedido, provavelmente pelo governo, como o garoto nerd sugeriu, então não havia motivos para ele ficar lá e lutar com aquela mulher pelo controle do barco.

Ele e Diana continuaram trocando socos e chutes. Com o treinamento aprimorado, Slade era mais eficaz em atingir Diana e em conseguir bloquear os golpes dela. Mas embora seus socos a atingissem com mais frequência do que os dela a ele, os estragos que ela fazia em seu corpo eram bem maiores que os que ele fazia nela. Ele se regenerava, mas não imediatamente... então, cada soco gerava mais um hematoma, mais uma costela quebrada, mais um corte, mais dor. Ele tinha que sair dali.

Diana aguentou firme, mesmo sabendo que numa luta corpo-a-corpo estaria em desvantagem, então, deixou-se receber todos os golpes do adversário, para conseguir a aproximação necessária para encaixar seus golpes, mesmo que em menor quantidade. Ela lembrou-se de quando ela e Bruce assistiram um filme chamado ‘Rocky – o Lutador’. Ela não entendia porque aquele homem deixava que o adversário o batesse tanto, só se defendendo e aplicando um ou outro golpe de vez em quando. E no fim, ele venceu e ela não entendia porquê. ‘Ele está usando as armas que têm, princesa. Seu adversário é mais forte, mais ágil, mais novo. Ele é mais resistente. Ele quer levar a luta ao último round onde o adversário estará cansado e ele pode aplicar seus golpes com eficiência. Use sempre o que você tem a seu favor e o que seu inimigo tem contra ele’, Bruce havia lhe dito.

Slade era melhor que ela como estrategista e em combate, mas ela era mais forte, então sua estratégia era deixar que ele batesse nela para tê-lo próximo o bastante para atingi-lo algumas vezes com força suficiente para fazer estragos. Estava dando certo e ela viu que ele queria sair dali. Diana sinceramente queria acabar com ele. Deixá-lo incapacitado o suficiente para levá-lo às autoridades e fazê-lo pagar pela morte de Bob, mas ela não podia... Se ela fizesse isso, o plano de Bruce estaria arruinado.

Slade percebeu que ela estava cansada da luta. ‘Apesar de forte, ela não devia ter treinamento adequado ainda’, ele pensou. Consequentemente não tinha resistência e ele poderia se aproveitar disso. Foi quando ele arremeçou uma escrivaninha em uma das claraboias na lateral da suíte, abrindo um rombo no casco imediatamente, dada sua força. Ele pulou para fora do navio, mergulhando em alto mar e permaneceu submerso até ter certeza de que ela não estava o seguindo, sobrevoando a área e dirigiu-se ao barco que os trouxe lá. Ele pensou que ela poderia ter recebido ordens de não mostrar seus poderes metas em público, logo, não poderia voar e seguir o barco.

O Exterminador não demorou para seguir seu caminho de volta com os apenas quatro tripulantes da embarcação, deixando para trás seus comandados e o rapaz com o computador. Nenhum deles sabia que haviam sido abandonados e permaneceram em suas posições.

(...)

Diana suspirou quando o viu fugir. Ela não estava cansada. Ela não queria deixá-lo ir. Mas ela precisava fazer isso por Bruce e para descobrir quem está por trás de tudo e o que queria.

Ela voou em direção contrária, rumo à cabine onde provavelmente haviam trancado Bruce. De repente, ela olhou para o chão e viu alguns respingos de sangue. ‘De onde vem esse sangue?’, ela se perguntou, pouco antes de ver a parte de baixo de sua camisa de seda verde e a saia branca completamente encharcada do lado esquerdo.

Era ela quem estava sangrando... O sangue vinha dela!

Notas finais
Diana está ferida! E agora, master Bruce? ;)