Coração de Prata
1 Capítulo 1: Primavera.
Notas iniciais
-Isso é para você e só para você. – sorria forçado.
-Mas... – e beijou-a.
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O cheiro das flores já pairava no ar. A primavera havia florescido mais bela naquele ano. Sem pressa, caminhava pela estação de trem coberta pelas pétalas rosadas das grandes cerejeiras. O vento balançava os galhos fazendo com que o azul do céu e o rosa das pétalas se difundissem em um só. Não parava por um só momento de fitar a paisagem que durava por apenas uma semana ao ano. Levou a mão a altura do peito, em instinto as suaves que caiam sobre a menina, e sentiu o frio chegar aos seus dedos. Sem desviar o olhar do cenário, rodeou o objeto com os dedos, relembrando tudo o que passara.
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-Vai ficar tudo bem... Talvez nos reencontremos. – nenhum dos dois encarava entre si.
-E se não conseguirmos? E se... – seus olhos começavam a garoar lagrimas.
E o vento soprou trazendo mais uma rajada de solidão.
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Já sabia fazer isso sem olhar. Parada, ao meio da multidão, abriu separando o coração de prata em dois, sentindo as ranhuras desenhadas e relembrando o menino. Uma voz cortou-a.
-Vamos, senão iremos nos atrasar!
-Já vou – a jovem respondeu. A outra garota, ruiva, esperava a frente das portas do trem, com uma bolsa na mão.
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Entre a paisagem branca, destacava-se o trem. A neve encobria tudo, e os ventos gélidos não poupavam ninguém. As portas fecharam-se e o trem logo partiu, deixando a menina ajoelhada na neve, sozinha. Os olhos do menino a fitaram até o horizonte apagá-la de sua visão turva pela lágrima que segurara. Para não chorar na frente da morena. E um barulho estridente, por alguns instantes, tornou o tempo mais lento. O trem, que passava sob uma ponte, que atravessava um vasto abismo, derrapara.
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Tirou o colar so pra ver a foto do garoto em uma das metades do coração, e a sua foto na outra. Não conseguia aceitar aquelas vagas lembranças, que insistiam em bater em seu coração. Fechou o pingente e se pôs a correr, alcançando a ruiva.
“e nós nunca nos reencontramos...” pensou.
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