Coração de Porcelana
8 Capítulo 8 - Coração de Porcelana.
Estavam virados um para o outro. O vento jogava os cabelos de Sophia em seu rosto, o garoto ficou admirado com a beleza dela. Mas ele nem esperou para pensar.
Nessa hora ele pegou as mãos da garota jogadas no espaço entre as pernas dela. Com o toque Sophia sentiu um arrepio passando pelos nervos de seu corpo. Ele – prestando a maior atenção na expressão dela – colocou as mãos de Sophia em seu rosto. E as deixou lá, enquanto, agora, suas mãos caiam por sobre o colo.
Sophia passou a ponta dos dedos em seu rosto, seu coração estava batendo tão forte que a respiração além de ficar ofegante, se prendia em um bolo em sua garganta. Ela foi sentindo a textura da pele dele enquanto seus olhos ainda encaravam o nada atrás dos ombros do garoto. Era macia e lisa, mas ao apertar um pouco mais os dedos, podia se sentir que sua pele era forte. Sophia sorriu um pouco, também dava choques elétricos em seus dedos.
Ela foi explorando o rosto dele, era tudo muito perfeito.
Sophia passou a mão pelos cantos do rosto, desenhando cada traço dele em sua mente, ela não se importava em estar tensa, porque podia sentir ele do mesmo modo.
Ela puxou o ar que circulou em sua garganta, mas pareceu nem mesmo entrar em seus pulmões. Ela não odiava aquilo. Só achava estranho. Não sabia o que queria realmente significar, nunca havia sentido isso por alguém ou por algo em sua vida.
Stefan estava parado, ele sentia os dedos dela tremerem sobre o seu rosto, as vibrações ainda o faziam tremer. Ele a amava e não tinha nada que ele pudesse fazer contra, e não conseguia nem mesmo ficar assustado por estar apaixonado por uma garota que acabara de conhecer. Mas quem disse que ele era contra? Ele só queria estar ali com ela, ele queria deixar que ela o tocasse todos os dias de sua vida. Ele podia viver só com aquilo, só com ela, e estava mais que satisfeito. Saber que ela estava ali com ele era melhor do que viver. Stefan tinha uma vontade enorme de colocá-la em seus braços, protegê-la de qualquer coisa se a pudesse machucar. Queria saber a cada segundo do dia se ela estava bem, queria ele mesmo cuidar dela.
Ele a olhou, os olhos brilhando e o coração batendo contra seu peito, ameaçando perfurá-lo.
Que duvidas havia que ele a amava? O seu corpo já não estava respondendo muito a essa pergunta? Tanto a ele quanto a ela.
Sophia passou os dedos pelas maças do rosto, nariz, olhos, testa, ouvidos... Ela decorava tudo, decorava-o como a pessoa mais perfeita do mundo. Ela não duvidava que pudesse estar certa.
O perfeito dela, eu podia entender bem, não era ele não cometer ou não ter erros, e sim que ele era perfeito para ela.
Sophia hesitou um pouco, mas mesmo assim sentiu que cada ponta de seu dedo encontrava nos dois lados da boca dele. Ela não esperou muito e começou a sentir seus lábios, tão cheios, macios e quentes. Tão desejosos.
Sophia tremeu um pouco.
Stefan fechou os olhos para sentir como ela estava sentindo.
Ela tinha certeza que não estava mais respirando, e por um momento quis voltar a abraçar a árvore que lhe oferecera um ar puro. Talvez assim ela voltasse a respirar.
Quando seus dedos se encontraram no meio dos lábios dele, ela percebeu que as emoções estavam muito fortes, seu coração poderia sair de seu peito. Então ela largou as mãos.
— Desculpe – sussurrou entorpecida.
Ele abriu os olhos com um novo brilho, uma nova chama. Stefan não encontrou a voz entre as emoções bagunçadas que havia em seu peito.
Ele ainda estava preso na necessidade de protegê-la, de cuidar dela. Então sem saber o que falar ele preferiu agir.
A abraçou pela cintura tão rapidamente que ela teve que parar um pouco para entender. Se fosse outra pessoa, ela teria muito medo. Mas isso não aconteceu, para sua surpresa. Então jogou os braços em volta de seu pescoço. Os dois ficaram abraçados — Stefan com os olhos fechados -, nenhum dos dois via nada. Só sentiam o calor do outro penetrando em seus poros.
— Soph – ele havia encontrado um pouco de sua voz e Sophia tremeu com o sussurro em suas orelhas – Quer... Quer ir ao baile de formatura... Comigo?
O nervosismo de Stefan era evidente, ele parecia uma criança aprendendo a falar. Mas era tão linda que a garota deitou a cabeça em seu ombro, confortável e se sentindo segura... Mais do que já se sentiu em qualquer lugar.
A palavra baile de formatura a atingiu como uma flecha em seu peito e a alegria irradiou seu rosto. Era a primeira vez que se sentiu assim ao pensar em ir ao baile.
- Se eu quero? – Sophia se afastou gentilmente e seu olhar foi novamente para trás do ombro do garoto. Ele riu alto, mas soou meio rouco.
Stefan levantou o queixo dela com delicadeza, como se fosse fácil de quebrar, muito rara e muito frágil. Como se ela fosse de porcelana.
Ele gostou da comparação e sorriu.
- Vai se acostumar com minha altura? – brincou.
— Sim.
— Sim para qual das duas perguntas?
— Para as duas! – sem perceber, a lágrima, que estava segurando faz um tempo, conseguiu driblá-la e escorreu pelo rosto.
Stefan olhou a lágrima caindo de seus olhos perdidos. Passou o dedo – novamente com cuidado – por sobre o rosto e fez com que a lágrima se misturasse com a pele.
Stefan – mesmo desejando – não queria apressar nada, então simplesmente a abraçou novamente para ter certeza de que ela estava ali com ele. E de que ela estava segura.
— Você tem um coração frágil, perfeito e lindo Soph... – disse em seu ouvido – Um coração de porcelana.
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