Notas iniciais
Olá pessoas... desculpem pela demora. Enjoy!!!

I Believe

Início de tarde. Em seu pequeno escritório na delegacia Emma passara a manhã inteira tentando falar com Regina enquanto havia indicado uma equipe de reconhecimento até a barreira misteriosa: David, Killian, Gold e Ruby. Tinha esperanças que os quatro retornassem com alguma coisa concreta, mesmo que essa coisa fosse a certeza de ser a Rainha da Neve causadora de todo aquele desconforto e apreensão. Quando teriam um momento de paz naquela cidade? Tudo parecia se complicar cada vez mais.

A pilha de papéis na mesa a sua frente a deixava ainda mais nervosa. Problemas na delegacia, na prefeitura, reclamações, pedidos, pessoas desesperadas batendo na porta todos os dias e lhe cobrando soluções.

Leva as mãos à cabeça e arruma os cachos dourados para trás.

E Regina? A morena parecia impassível na ideia de fingir odiá-la mas aqueles olhos castanhos da noite anterior, naquele milésimo de segundo quase infinito, não podia estar enganada, não existia ódio ali, não um ódio real.

Os pensamentos da loira são cortados pela voz de David:

–Não encontramos nada. Nenhum rastro, nem nada que pudéssemos fazer pra ultrapassar a barreira. Gold tentou de tudo. — David fala entrando na delegacia e atualizando Emma da situação na floresta.

A "cúpula" de proteção ainda estava intacta. Quanto mais tentavam descobrir sobre, maior ela parecia ser.

– Nem com magia? — Emma pergunta diretamente para o homem mais velho. Gold nega com um balanço de cabeça. Os presentes: David, Gold, Killian e Ruby, haviam retornado tão sem resposta quanto haviam ido.

Emma respira fundo fechando os olhos por alguns segundos. Senta na cadeira de xerife. Olha o celular que tinha em mãos. A morena não retornara nenhuma das ligações. Não podia dizer com certeza, era apenas um sentimento confuso, mas sabia que alguma coisa acontecia e não era nada de bom.

Os quatro “patrulheiros” iniciam uma pequena conversa cheia de especulações enquanto a loira apenas observa com os pensamentos longínquos. David vez ou outra olhava pra filha. Há dias ‘Charming’ vinha percebendo seu comportamento distante e introvertido. Dava a isso o fato de Emma sentir-se responsável demais por todos da cidade, mas sabia que havia algo a mais.

Aproxima-se da loira.

– Você está bem? – Pergunta apoiando uma das mãos na mesa da xerife.

– De novo preocupado comigo. – Fala tentando parecer confiante.

– Sempre vou me preocupar com você Emma. Sou seu pai, esqueceu?

– Não, não esqueci. Só estou preocupada. Não neva desde a noite de ontem.

– Isso não seria bom?

– Talvez. Mas..., não sei. Alguma coisa aconteceu.

Mal a xerife termina de falar Robin Hood adentra a sala com seu lança flechas em mais três de seus companheiros de floresta ao lado:

– Xerife...! Xerife...! – Diz exasperado andando o mais depressa possível até a mesa de Emma.

A loira olha os olhos verdes do homem a sua frente que denunciavam seu desespero.

– O que aconteceu? – Pergunta preocupada.

– Marian..., Sumiu!

– Como assim Sumiu? — Pergunta olhando para o rosto de todos ali presentes,

– Não sabemos, xerife. — Fala um dos companheiros de Robin.

– Ela estava conosco no Granny's ontem. Você viu. De lá fomos pro nosso acampamento na floresta. Todos dormimos e, hoje pela manhã, ela havia sumido. Procuramos a manhã inteira e não encontramos. Nenhum rastro. Nada.

Todos voltam seus olhos para Emma.

– Acho que só tem uma pessoa que gostaria de ver Marian bem longe da cidade. — Killian se intromete na conversa ao perceber que ninguém havia de pronunciado quanto a possíveis formas de uma pessoa desaparecer como fumaça no ar: – Regina!

A expressão de Emma muda completamente ao ouvir o nome da morena.

– Não acredito que Regina tenha feito isso. — Diz com firmeza na voz.

– Quem mais poderia ser? — Hook pergunta olhando para todos os presentes.

David olha para Emma que olhava para Hook com uma expressão longe da amistosidade. A xerife volta o olhar para Robin logo em seguida, perguntando:

– O que você acha?

– Eu..., eu não sei. Não quero acreditar que Regina tenha feto isso mas...

– Mas tudo indica que foi ela. Afinal, quem mais iria querer Marian longe? — Conclui um dos companheiros de Robin.

– Não sei, não sei mesmo. — Diz o arqueiro visivelmente chateado.

Emma conseguia ver uma espécie de decepção em seu olhar.

Reflete por alguns segundos e logo em seguida formula uma pergunta para Gold:

– Existe alguma possibilidade de o tempo ter sido modificado de novo e isso ter feito Marian retornar ao passo? — Todos se surpreendem. Ninguém havia pensado naquilo. Se Marian havia sido trazida do passado qual a seria a garantia de que ela permanecesse no presente? Mas Emma pensara e pensaria Em tantas outras possibilidades desde que elas levassem a culpa para bem longe de Regina. Já havia não acreditado na morena uma vez e agora, mesmo que tudo apontasse para a morena, Emma não cometeria o mesmo erro.

– É uma possibilidade muito remota, Swan. Pra isso seria possível uma viagem no tempo novamente. E você viu que uma já foi bem difícil de acontecer.

– Ok, então... Vou falar com Regina. — Diz pegando sua jaqueta vermelha de cima do descanso da cadeira e vai como uma bala em direção a saída da delegacia.

Assim que põe os pés na rua é surpreendida por Hook, que a breca segurando-a pelo pulso.

– Por que ir atrás de Regina? Temos problemas maiores na cidade, Emma!

– Um problema que não conseguimos resolver. Talvez ela ajude.

– E talvez ela tenha causado um desses problemas.

– Qual o seu problema? Regina está passando por um momento difícil agora. Não podemos deixar que volte a ser a rainha má.

– E se ela nunca tiver deixado de ser a rainha má?

– Não acredito nisso. Eu vi a rainha má, nós vimos, não é a mesma pessoa.

– Não entendo por que se importar tanto com a felicidade de alguém que destruiu a vida de todos nessa cidade.

– Na sua tentativa de vingança, quantas vidas você destruiu, capitão?

Hook fica completamente mudo. Não esperava aquilo de Emma.

A loira olhava para ele numa expressão séria. Regina nunca foi a única vilã naquela história, mas todos pareciam esquecer.

– Desculpe. — pede a loira.

– Tudo bem. Você está certa. Eu mudei, Emma...

– Regina também.

O pirata demonstrava impaciência. A loira parecia não compreender onde ele queria chegar e isso o irritava.

– Emma..., sobre nós..

A loira suspira fundo. Olha pra cima e em seguida de volta para o pirata.

– Killian..., não estou com cabeça pra pensar nisso.

– Sim. Você só tem cabeça pra correr atrás de Regina! – Diz impaciente. – Desde que Marian reencontrou Robin que você só corre atrás da Regina. Parece estar fugindo de mim!

– Está sendo tolo.

– Talvez. Mas acontece que amo você, Swan. E queria nos ver bem longe de tudo isso.

– Como assim nos ver bem longe? De Storybrooke? Dos meus pais? De Henry?

– Não. Henry poderia vir conosco. Nos três navegando por lugares incríveis. O garoto iria adorar. – Fala com um sorriso no cantos dos lábios e os olhos meio cerrados.

–Não criei meu filho para ser um pirata! — Emma fala meio irritada e em seguida lembra que todos aqueles anos que passara com Henry eram memórias falsas, de Regina, provavelmente e, aquela resposta irritadiça com certeza seria algo que a morena diria: “Não criei o meu filho para ser um pirata”, até conseguia ouvir o tom de sua voz naquelas palavras. Emma sorri internamente. O que acontecia com ela para lembrar-se de Regina o tempo todo?

–Emma.., eu quero ter uma família com você! – Hook diz ignorando as últimas palavras e se aproximando da loira carinhosamente. Seus olhos azuis estavam sérios ao olhar os verdes esmeralda. Nessa hora, Emma é pega de surpresa. Aquele era o ideal de família feliz para Killian, mas não a agradava em exatamente nada e nem conseguia compreender toda aquela ansiedade do pirata. Haviam de beijado, era verdade, mas até aquele momento, Emma não havia se dado conta, ainda, que o beijo nutrira mais esperanças do que estava disposta a dar. Não conseguia se imaginar naquele momento num relacionamento sério daquele jeito. Uma família. Ela já tinha uma família. Não precisaria sair de Storybrooke num navio para provar isso para si mesma. Storybrooke era seu lugar e Henry era sua família. Nada parecia mais completo, exceto pela distancia de Regina.

–Realmente não tenho cabeça pra isso agora. — Diz num certo desconforto. — Preciso encontrar Regina pra que todos vejam que ela não sequestrou ninguém.

– Vou com você. — A voz de Robin se faz ouvida. O homem vinha de dentro da delegacia com a mesma expressão cabisbaixa e decepcionada.

– Tudo bem. — Confirma a xerife. Dá um sorriso amarelo a Killian e segue com o arqueiro até o fusca. – Nos falamos depois. – Diz entrando no carro.

O pirata fica parado como um poste. Não diz que sim ou que não. Havia lutado tanto tempo e agora, que parecia finalmente ter reconhecido seus sentimentos, via tudo lhe escorrer pelas mãos.

**

– Qual o problema com o pirata? Não querendo me intrometer mas... – Robin pergunta.

– Não tem problema. Não com ele. Comigo talvez. — Responde sem tirar os olhos do lado de fora do carro.

– O coração é um lugar confuso. Sei exatamente como se sente.

Emma olha o homem de relance com uma enorme interrogação na cabeça. Do que ele estava falando?

–Está falando de Regina? – Pergunta sem conseguir se conter.

O arqueiro confirma com a cabeça e diz logo em seguida:

– Regina é uma mulher incrível. Muito diferente do que sempre ouvi sobre ela. Na verdade o que ouvi sobre a rainha má. Ela é doce, um doce meio agridoce, mas ainda assim, doce.

Emma sorri da comparação e Robin continua:

– Ela é carinhosa, atenciosa, inteligente, acolhedora e ninguém irá negar, linda! Eu me apaixonei por ela, mas..., Marian é a mulher que sempre amei e vou amar independente de qualquer coisa. Já sentiu algo assim, xerife?

Emma se concentra nas palavras dele. Se já sentirá amor? Sim, mas também já fora muito machucada. Era difícil responder aquela pergunta.

– Então não acredita que tenha sido Regina? — Pergunta mudando de assunto.

– Não quero acreditar.

Ambos permanecem calados todo o caminho até a mansão. Minutos depois batem com insistência no número 108. Não ouvem resposta do lado de dentro.

–Alguma coisa aconteceu. – Emma diz apreensiva.

–Posso? – Hood pergunta pronto para demonstrar sua experiência como ladrão.

–A vontade.

O homem abre a porta com facilidade. Chamam por Regina olhando todos os cômodos da casa, nada.

–Isso significa algo ruim. Muito ruim. – Hood diz se aproximando de Emma no escritório da mansão.

A loira olhava fixo para a janela aberta.

–O que quer dizer com isso?

–Que talvez Regina tenha...

–Não, ela não fez isso. – Diz interrompendo-o com certeza na voz.

–Por que acredita tanto nela? – Pergunta observando a expressão longínqua da xerife.

– Um dia eu resolvi acreditar que Regina queria mudar porque eu vi nos olhos dela. Não sei explicar direito como é isso. Sei quando as pessoas estão mentindo. – Fala se afastando da janela, mas sem parar de observá-la e sentando numa das poltronas logo em frente. — Chamo isso de super poder, já me ajudou muito, mas não é 100%, ou nunca foi até conhecer Regina.

–Por quê?

–Não sei. Com ela é diferente. É como se eu conseguisse ver através dos olhos delas. Ela me deixa ultrapassá-los e ver por dentro. Eu sempre sei quando ela está mentindo, quando diz a verdade, quando está insegura, quando está feliz ou triste. Eu vi o bem que você fez a ela, via aquele sorriso e dizia a mim mesma: é ótimo que ela esteja feliz mesmo que essa felicidade tenha me parecido um pouco repentina. Nada contra você, já vi que é um homem bom, mas..., não sei. Se tratado de Regina confesso que achei esse romance meio precipitado, mas quem sou eu, né? Não somos amigas nem nada, não podia me intrometer. Mas, voltando ao que estava dizendo: eu a conheço pelos olhos, pelos gestos e um dia eu deixei de acreditar nela, na inocência dela, no quão ela realmente estava se esforçando por Henry pra ser uma pessoa melhor e assim como todos na cidade a acusei de algo que ela não fez e lhe falei coisas cruéis. Me arrependo disso até hoje e ainda não lhe pedi perdão. Aconteceram tantas coisas desde então que não deu.

– Sua ligação com Regina é bem maior que o filho então.

– Acho que não. Ela me odeia agora.

– Queria acreditar assim como você. Mas..., eu não consigo ter toda essa segurança.- Diz aproximando-se da loira, quando vê no chão, próximo a mesa do escritório um pedaço de alguma coisa que reluzia. – O que é aquilo? – Pergunta aproximando-se do pequeno brilho.

Emma levanta da poltrona e vai até ele.

Robin abaixa-se para pegar a coisa brilhante.

–É neve? – Conclui meio assustado. – É frio.

Abre espaço para que Emma faça o mesmo e no instante em que a loira toca os dedos no objeto, que mais parecia um floco de neve gigante, sente o frio, aquele mesmo frio que tomava o corpo de Regina no dia anterior e a silhueta de uma mulher se desenha em sua cabeça.

De olhos fechados via um vestido longo azul turquesa, como um céu sem nuvens. Cabelos loiros compridos presos numa longa trança a andar de um lado a outro num cômodo feito de gelo.

–Emma...! – O arqueiro sacudia a xerife e que retoma o ar dos pulmões de uma única vez e a bre os olhos assustada.

–Regina...., ela levou Regina!!!

As pupilas marrons chocolate se contraíram rapidamente. A luz forte quase cegava seus olhos. Tateia o chão para reconhecer o local, Sente apenas o frio e o gelo seco que tomava conta do ambiente. Mais um pouco de esforço e conseguia ver o branco gelo que rodeava seu corpo. Era uma cela. As grades de gelo, o chão, o teto, tudo de gelo. Senta-se e leva ambas as mãos à cabeça que girava feito peão. Aquela sensação fria por dentro e por fora de seu corpo parecia não ir embora nunca. “Elsa”. Lembra-se dos acontecimentos recentes que já nem sabia se eram realmente recentes. Por quanto tempo tinha ficado desacordada?

–Bom dia, bela adormecida. Finalmente resolveu abrir os olhos. Pensei até que pudesse estar morta. – Fala uma voz terrivelmente familiar.

Regina concentra os olhos do lado de fora das grades de gelo. Elsa estava parada ali, olhando pra ela como quem olha um cachorrinho e fingi sentir compaixão.

–Trouxe seu café da manhã. – Diz empurrando entre as grades uma bandeja.

–Guarde sua comida, majestade! Não estou com fome! – Fala de forma esquiva levando as mãos à cabeça mais uma vez.

–Hum...ok. Está um pouco enjoada, eu sei. Vai passar logo, garanto.

–O que fez comigo?

–Nada. Apenas trouxe você para o meu humilde castelo.

–Como prisioneira?

–E você viria de outro jeito?

Regina vira o rosto levantando-se do chão vagarosamente.

–Vai pagar por isso, Elsa e vai pagar muito caro! – Fala se aproximando das grades e olhando profundamente os olhos frios da loira.

Elsa sorri.

–É ótimo ver toda essa raiva. Espero que ela só aumente.

–Alguém virá atrás de mim. – Regina diz num misto de confiança e medo.

–Eu sei que virá. Estou esperando por isso, querida. Enquanto ela não aparece, trouxe uma companhia pra você. Fique a vontade para matá-la. É apenas um aperitivo. – Diz fazendo um movimento com a mão direita. Uma das paredes da cela de Regina desaparece. Ao fundo outra cela, agora interligada. Dentro, uma mulher morena cabelos compridos com roupas simples da floresta encantada, olhava para ela assustada.

–Você?!

Notas finais
Então? Me digam o que estão achando da fic. É importante. Obrigada e até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.