Coração Vago
4 Capítulo 3
Notas iniciais
"But I crumble completely when you cry,
It seems like once again you've had to greet me with goodbye,
I'm always just about to go and spoil a surprise,
Take my hands off of your eyes too soon"
505 — Arctic Monkeys
A comoção foi geral, Bruno estava em pânico gritando pelo porteiro. Fatinha continuava descordada.
-O que aconteceu? –Severino perguntou assim que apareceu.
-Meu Deus! Fatinha! –Marcela estava desesperada.
-Ela escorregou na escada, precisamos levá-la para o hospital agora! –Bruno dizia.
-Já estou ligando para a emergência. –O porteiro disse.
Vários moradores haviam aparecido para ver o que acontecia, dentre eles estavam Ju e Lia.
-Lia! Liga para o seu pai e pede para ele vir pra cá com urgência. –Marcela ordenou.
-Ele está na sua casa? –Ela perguntou
-Sim. Rápido Lia! –Marcela respondeu.
Em poucos momentos Lorenzo apareceu.
-Eu preciso que vocês se afastem. –O médico pediu às pessoas que rodeavam a garota desacordada. –A ambulância já está a caminho?
-Eles já estão chegando doutor. –Severino informou.
Enquanto Lorenzo prestava os primeiros socorros a ambulância chegou.
-Quem vai acompanhá-la até o hospital? –O paramédico perguntou.
-Eu! –Bruno e Marcela disseram ao mesmo tempo.
-Só uma pessoa pode ir.
Eles trocaram olhares e Marcela acabou cedendo. Afinal, Fatinha agora era responsabilidade dele.
-Eu vou de carro, pode ir com ela na ambulância.
-Ótimo, vamos. –Lorenzo disse.
Fatinha já havia sido colocada na maca e estava sendo levada até a ambulância pelos paramédicos.
-Bruno, -Lorenzo chamou. –você sabe se ela esta tomando algum medicamento?
-Ela está grávida, Lorenzo. É a única coisa que eu sei.
Bruno estava tão preocupado que sequer notou os diversos conhecidos que estavam envolta deles. Rapidamente os cochichos começaram.
-A paciente está grávida, prepare o equipamento de ultrassonografia. –Lorenzo pediu aos paramédicos.
O hospital parecia não chegar nunca. Bruno segurava a mão de Fatinha em uma prece silenciosa.
Se algo acontecer com ela ou com o meu filho, eu nunca vou conseguir me perdoar. –Ele pensava.
No meio de toda a confusão, em algum momento Bruno percebeu que nada do que ele tinha dito a ela no apartamento fazia sentido. Ela era o pai dessa criança sim e não havia dúvidas a respeito disso.
-Bruno, nós vamos levá-la para fazer alguns exames. Eu preciso que você avise aos pais dela, ok?! –Lorenzo disse assim que chegaram no hospital.
-Certo.
Bruno que já estava com o telefone de Fatinha procurou pelo número de contato dos pais dela. Ele preferiu ligar para mãe, que ele já conhecia.
-Alô?
-Oi, dona Vilma aqui é o Bruno. A gente se conheceu quando você veio visitar a Fatinha, ta lembrada?
-Ah, oi Bruno. Lembro de você sim. Aconteceu alguma coisa com minha filha? –Ela perguntou preocupada.
-Então, na verdade aconteceu sim. Ela sofreu um pequeno acidente e está aqui no hospital. –Disse ele tentando amenizar a situação.
-Acidente? Que tipo de acidente? Como está a Maria de Fátima? Quero falar com ela agora! –A mulher perguntava em pânico.
-Calma. Ela não está podendo falar agora pois foi levada para fazer alguns exames. –Bruno omitiu o fato de que ela estava desacordada há pelo menos vinte minutos. –Assim que o médico voltar, ele dará notícias a respeito do estado dela.
-Estou indo para aí agora! Me diga qual o hospital vocês estão.
Bruno passou todas as informações para a mulher e tentou acalma-la, sem sucesso. Ela chorava desesperadamente enquanto tentava explicar a situação para o marido. Por fim Bruno explicou a situação para o pai de Fatinha, e este disse que já estava a caminho.
-Já tem alguma notícia dela?- Marcela perguntou assim que o encontrou na sala de espera.
-Não. O Lorenzo disse que iam fazer alguns exames e depois ele viria aqui. Acabei de conversar com os pais dela, e eles estão a caminho. –Bruno informou.
-Como esse acidente aconteceu? –A professora perguntou.
-Foi tudo graças a minha estupidez. Ela foi lá conversar comigo, nós acabamos discutindo e eu disse coisas que eu não deveria. Agora ela está no hospital.
-Não vai adiantar de nada você se culpar agora. Tudo o que nós podemos fazer é esperar e torcer para que nada aconteça com ela ou com o bebê.
Enquanto eles esperavam por notícias, Ju estava na casa de Lia em estado de choque.
-Você ouviu o que ele disse Lia? –Ela perguntava à amiga. –A Fatinha está grávida! Como isso foi acontecer? Não consigo acreditar que o Bruno foi tão burro a ponto de engravidar aquela garota!
-Ju, você precisa manter a calma. –Lia dizia a amiga.
-Como eu você espera que eu fique calma? Meu irmão arruinou a vida dele por causa daquela piriguete de quinta! Ele terminou o namoro com a Rita e com a Ana, tudo por causa das armações da Fatinha! Eu estou surtando!
-É, dá pra perceber. Acho melhor nós irmos para a sua casa conversar. No estado de nervos que você tá, vai acabar acordando a Tatá. Só vou avisar a minha avó e nós já vamos.
-Tá, desculpa pela confusão Lia. –Ju pedia envergonhada.
-Não se preocupa, amigas são para isso mesmo.
Depois de ter avisado a dona Paulina, as duas foram juntas até o apartamento da Ju. Ao chegarem lá as duas tiveram uma grande surpresa.
-Mãe! Pai! –Ju gritou correndo para abraça-los.
-Gostou da surpresa? –O pai dela perguntou.
-Se eu gostei? Amei!
-Oi tia Marta, tio Olavo. –Lia cumprimentou abraçando-os.
-Vocês voltar pro Rio de vez ou estão só de visita? –Ju perguntou.
-Viemos para ficar de vez com os nossos filhotes. –Marta disse apertando a bochecha da filha.
-Mas porque vocês não avisaram que estavam vindo? Nós teríamos buscado vocês no aeroporto. –Ju disse abraçada ao pai.
-A sua mãe decidiu que seria melhor se nós fizéssemos uma surpresa. –Olavo respondeu.
-É, e acabou que nós é que fomos surpreendidos ao encontrar a casa vazia. Não esperava que os meus filhos estivessem na rua em plena quarta-feira. –Marta disse.
-Eu estava na casa da Lia, então tecnicamente eu sequer sai do prédio.
-E o Bruno, onde ele está? Tentei ligar mas ele não atende.
-Tia Marta e tio Olavo foi ótimo rever vocês, mas acho melhor eu ir pra casa agora. Amanhã nós conversamos direito Ju. Tchau gente, beijos! –Lia disse saindo do apartamento.
Já tenho barracos de família demais pra me envolver em mais um. –A roqueira pensava no corredor.
-E então Ju, cadê o seu irmão? –Marta perguntou novamente.
-O Bruno? –Ju tentou disfarçar.
-E você tem outro irmão por acaso, querida? –Olavo brincou.
-Então, aconteceu um pequeno incidente aqui no prédio e ele foi com a garota até o hospital.
-A garota que caiu na escada é amiga do seu irmão?
-Mais ou menos. Mas como vocês ficaram sabendo do acidente? –Ju perguntou intrigada.
-O Severino comentou alguma coisa enquanto nos ajudava com as malas. –O pai dela respondeu.
-Entendi. Vocês estão com fome? Que tal comermos alguma coisa? –Ju sugeriu tentando mudar de assunto.
-Boa ideia. Vou pedir uma pizza, certo? –Olavo disse indo até o telefone.
-Será que o Bruno vai chegar a tempo de comer conosco? –Marta perguntou. –Afinal, quem é essa garota que se acidentou?
-É uma menina da minha sala. –Ju respondeu sem entrar em detalhes.
-E por que o seu irmão foi acompanhá-la?
-Porque... Ah, não me faz pergunta difícil mãe. Eu vou no meu quarto dar uma olhadinha em... uma coisa.
-Juliana Menezes, você não vai a lugar nenhum enquanto não me disser o que está acontecendo aqui. –Marta disse.
-Não está acontecendo nada mãe.
-Então por que você está tão nervosa assim?
-Eu? Nervosa? É impressão sua. Estou cansada, o dia hoje foi longo.
-Estou decepcionada com você Juliana. Você não tinha o costume de mentir para mim. –Marta disse.
Esse comentário foi o que faltava para a it-girl começar a chorar e logo contar o que estava acontecendo.
-Grávida? –Marta perguntou escandalizada. –E quem é essa garota, é a tal Rita? Mas eles não estavam terminados? Grávida?
-Não mãe, não é a Rita. O nome dela é Fatinha, quer dizer, Maria de Fátima. Não sei como o Bruno foi se envolver com ela. A garota é toda errada! Foi por causa dela que o namoro do Bruno com a Rita, e o com a Ana terminaram. Para você ter uma ideia, o apelido dela na escola é “Facinha”.
Ju contava toda a história para a mãe que estava atônita.
-O que está acontecendo aqui? Por que você está chorando Juliana? –Olavo perguntou.
-Querido, acho melhor você se sentar. –Marta disse ao marido.
(...)
-Como está a Fatinha, Lorenzo? –Bruno perguntou assim que o médico apareceu.
-Ainda é preciso esperar os resultados dos exames para dar qualquer certeza, mas ela parece estar bem.
-E o bebê? –Marcela perguntou.
-A criança não foi afetada pelo acidente.
-E eu posso vê-la? –Bruno pediu.
-Claro, mas devo avisar que ela ainda não acordou.
Bruno acompanhou Lorenzo até o quarto onde ela estava.
-Você pode ficar um tempo aqui, mas não incomode a paciente. –Lorenzo advertiu.
-Certo. Obrigado Lorenzo.
-Por nada.
Depois que o médico os deixou sozinhos na sala, Bruno se sentou em uma cadeira ao lado da cama e ficou observando Fatinha que parecia estar em um sono profundo e tranquilo.
-Como eu queria que você estivesse acordada agora para poder me desculpar com você. Não só pelo que eu te disse hoje, mas pela maneira como eu tenho agido com você no geral. Eu sempre te culpei pelos meus términos e nunca assumi a minha participação nessa história, afinal eu é que era o comprometido. O que acontece é que você me tira do sério de uma maneira que eu nunca pensei que fosse possível, eu não consigo me controlar quando estou com você. Eu nunca passei por uma situação como essa, me sinto perdido. Mas o meu orgulho é maior que muitas coisas, e é isso o que me fez arrepender de ficar com você. Agora você esta grávida! Eu ainda não me acostumei com a novidade, mas sei que sou o pai dessa criança. –Ele colocou a mão sobre a barriga dela ainda sem volume. –Me desculpa, por favor?
E assim ele ficou por vários minutos, se culpando por tudo o que estava acontecendo.
-Hn, onde eu estou? –Fatinha perguntou com uma voz fraca.
-Fatinha! Que bom que você acordou! Como você está se sentindo? Você caiu na escada e está no hospital, vou chamar o Lorenzo e avisar que você acortou. –Bruno disse contente.
-Moço, você poderia pegar um copo de água para mim por favor? –Ela pediu.
-Claro. –Bruno foi serviu a água e entregou para a garota. –Moço? Por que você me chamou assim?
-É...-Ela estava sem graça. –Eu não sei o seu nome. Você trabalha aqui no hospital?
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