"Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
Em cima dele, tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer!"

Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor — Roberta Campos


–O que essa piriguete desclassificada esta fazendo aqui?

–Eu estou no apartamento errado? –Fatinha perguntou confusa.

–Você está no apartamento errado, na rua errada, no bairro errado e até no planeta errado! –Ana disse furiosa, e depois perguntou para os outros. –Essa fulana ainda finge fazer parte do C.R.A.U.?

–Ok, eu estou muito confusa. –A loira disse.

–O que está te confundindo queridinha? –Ana perguntou irônica. –Eu sei que você tem dificuldade em assimilar as coisas então eu vou esclarecer: SOME DA MINHA FRENTE AGORA OU EU VOU TE DAR OS TAPAS QUE EU ESTAVA DEVENDO!

–Ana, não exagera. –Bruno pediu.

–Você tem algum problema garota? –Fatinha perguntou. –Não vou nem comentar, vai que é doença...

–Doença?! Você está pedindo para apanhar! –Ana disse voando em cima da loira, mas ela foi impedida por Bruno. –Você é o meu problema Facinha!

–Não me chama de Facinha! –Fatinha disse lentamente tentando controlar a raiva. –Quem você pensa que é para falar assim comigo?

–Qualquer um pode te chamar de Facinha, já que é isso o que você é. –A patricinha disse.

–Você está muito enganada garota.

–Eu estou enganada?! Eu já te disse isso uma vez e vou repetir: você é uma vagabunda de quinta. Para ficar com você é preciso estar bêbado e escondido naquele quartinho imundo do Hostel, não é Bruno?!

–Você está passando dos limites Ana. –Bruno alertou.

–Exagero Bruno. Só estou lembrando a Fatinha do que ela é. –Ana disse cínica.

–E o que eu sou? –A loira perguntou a ponto de explodir.

–Isso é fácil: um brinquedinho descartável que o Bruno usa para se divertir e joga fora.

Fatinha respirou fundo para controlar a raiva que sentia.

–Olha aqui garota, não sei quem você é e não tenho a mínima vontade de saber. Se não gosta de mim, a porta da rua é a serventia da casa. –Disse a loira.

–Pois então que você se retire, afinal eu cheguei bem antes que você.

–Nossa garota você está bem desinformada ein?! Acho muito legal isso de você ter chegado primeiro, mas eu moro aqui, então, por favor, se retire. –Fatinha disse abrindo a porta para a garota.

–Como assim você mora aqui? –Ana perguntou rindo. –O Bruno é quem mora aqui.

–E depois sou eu que tenho dificuldade de assimilar as coisas... –Fatinha murmurou. –Vou te dar uma dica ok?! Duas pessoas podem facilmente morar no mesmo apartamento.

–Bruno, não vai me dizer que você está morando com essa piriguete, né?! –Ana perguntou ao moreno.

–E ela continua me ofendendo... –Fatinha falou abismada, sentando no sofá.

–Achei que o Severino tinha te contado que eu estava morando com a Fatinha. –Bruno comentou.

–Não acredito nisso! –Ana disse incrédula, se apoiando na mesa. –Você está morando com a Fatinha?! Logo você que dizia que era cedo demais para morar comigo quando a gente namorava?!

–Só pra deixar bem claro, eu e o Bruno não estamos namorando. –Fatinha esclareceu.

–Vocês estão o que?! Noivos? Casados? –Ana perguntou furiosa.

Bruno encarava a ex sem saber o que fazer. Ele nunca tinha visto ela tão surtada.

–Essa garota é louca? –Fatinha perguntou para Rasta.

Ana pegou a primeira coisa que viu para jogar na loira, e coincidentemente era um dos livros que Marta tinha dado para a garota. Quando a patricinha ia lançar o objeto em Fatinha ela viu a capa do livro e parou.

–“O que esperar quando você está esperando”. Tem alguém grávida aqui? –Ana perguntou rindo.

Ninguém respondeu a pergunta da garota, eles apenas ficaram em silêncio trocando olhares. E foi então que Ana realmente olhou para Fatinha e percebeu que a bata branca que a loira usava estava mais alta na região da barriga.

–Você não está... grávida, está? –Ana perguntou olhando para Fatinha que apenas assentiu. –Inacreditável!

–Ana, acho melhor você ir embora. –Bruno sugeriu.

Antes que alguém pudesse impedir a patricinha já estava na frente de Fatinha.

–O golpe da barriga é um clássico, mas juro que não esperava que você fosse chegar a esse nível. Eu tenho pena de você, sabe por quê? Porque o Bruno só te assumiu quando obrigado. –Dito isso Ana foi até a porta. –Eu estou fora do C.R.A.U., não contem comigo na Balaiada.

E assim a garota saiu, e com sorte para nunca mais voltar.

–Então, eu não entendi nada. Quem é essa garota, e o que eu fiz para ela? –Fatinha perguntou quebrando o silêncio que havia se instalado no local.

–A primeira pergunta é fácil de responder, aquela é a Ana ex-namorada do Bruno. –Nélio esclareceu.

–E o que eu fiz para ela? –Fatinha perguntou novamente.

–Hn, digamos que o término do namoro tenha a sua participação. –Rasta disse amenizando a situação.

–Entendi. Situação desagradável. –A loira disse. –Então, quem vai querer o Temaki?

–Eu quero um Hot Filadélfia. –Rasta pediu.

–E eu um Ebi. –Nélio disse.

–Nélio e Rasta, acho melhor nós irmos comer lá no Sushi Bar. –Rita finalmente se pronunciou.

–Mas por quê? A Fatinha já vai pedir, e é tão bom comer no conforto de casa. –Nélio disse.

–Só que essa não é a sua casa Nélio. Vamos? –Rita lançou um olhar ameaçador aos dois que obedeceram imediatamente. –Tchau Bruno! Tchau Fatinha, até amanhã.

Eles se despediram e rapidamente foram embora.

–Eles podiam ter ficado para comer com a gente. –Fatinha comentou. –Pensando melhor, vou quer dois Temakis. E você Bruno, vai querer o quê?

–Eu faço o pedido, pode ser? –O rapaz sugeriu.

–Ok, já sabe o que eu quero não é?! –Bruno assentiu. –Então eu vou tomar banho.

Enquanto Fatinha tomava banho, ela tentou não pensar no que a tal Ana havia dito. Já fazia algum tempo que a loira não se sentia assim, como se não se conhecesse. E as coisas que a patricinha tinha falado eram terríveis.

“Então o Bruno só ficou comigo quando estava bêbado? Quando não tinha ninguém olhando? No final das contas eu fui só uma diversão?” –Fatinha pensava.

Ela não entendia o porque, mas só de pensar que tudo aquilo era verdade ela sentia uma dor enorme no peito. Algumas lágrimas escaparam, mas ela logo as controlou.

De banho tomado e com a cabeça mais leve Fatinha voltou até a sala e viu que a comida tinha acabado de chegar.

–Delicia! Estava morrendo de fome. –Ela disse sentando a mesa.

Bruno também se sentou a mesa e começou a comer.

–Fatinha, eu queria te pedir desculpas por toda a situação com a Ana. Se eu soubesse que ela ia fazer esse escândalo todo, nem tinha deixado-a entrar.

–Não é preciso pedir desculpas Bruno. Metade do que ela disse não fez o menor sentido para mim. Eu só preciso que você me prometa uma coisa.

–O que?

–Que nenhuma outra ex-namorada histérica vai aparecer por aqui.

–Prometo. –Bruno disse entre risadas.

–Sério mesmo, se eu tivesse no nono mês eu sequer conseguiria me levantar do sofá para me defender.

–Exagerada. –Ele disse. –Falando nisso eu comprei uma coisa hoje.

–O que? –Fatinha perguntou curiosa.

Bruno comeu o último sashimi que havia no prato e se levantou indo até o quarto. Quando ele voltou, estava com uma sacola nas mãos.

–O que é? –Ela perguntou novamente quando ele entregou o embrulho.

–Eu vi isso na vitrine de uma loja e me vi obrigado a comprar. O primeiro presente da nossa filha. Falando nisso, temos que escolher um nome imediatamente.

–Que lindo! –Fatinha exclamou ao ver o macacão rosa.

http://www.aovivonet.com/wp-content/uploads/2012/06/roupas-para-bebe-recem-nascido.jpg

Naquele momento a loira achou que o coração dela fosse explodir de felicidade.

–Estava dando uma olhada nesse livro de nomes aqui e já tem vários grifados. Foi você quem escolheu? –Bruno perguntou.

–Não, todos esses livros são presentes das sua mãe. Ela que selecionou os nomes favoritos dela. –Fatinha respondeu mordendo o último pedaço do segundo Temaki.

–E você gostou de algum?

–Gostar eu gostei, mas...

–Vem aqui, vamos dar uma olhada nos nomes. –Bruno a convidou para se sentar com ele no sofá.

Fatinha obedeceu.

–Clarice não, Eduarda não, Geórgia muito menos. –O moreno disse. –Catarina... Talvez.

–Seu pai sugeriu Helena. –Fatinha comentou.

–Não. –Bruno descartou a ideia.

Assim eles ficaram por mais de uma hora, só rabiscando nomes em um caderno.

–Mas Bruno, Laura é um nome tão bonito! –Fatinha argumentou.

–Se eu tive que abrir mão de Bruna, você tem que abrir mão de Laura. –Ele disse inflexível.

–Bruno e Bruna seria ridículo e você sabe disso. E também qual seria o apelido dela? Bubu? Não, discordo totalmente.

–Ótimo, Laura também está descartado. –Bruno riscou o nome da lista. –Só sobraram dois nomes aqui.

–Quais? –Fatinha perguntou.

–Catarina e Beatriz.

–Vou olhar os significados aqui. –A loira disse folheando o livro. –De acordo com a sua mãe Catarina significa pura ou casta.

–E Beatriz?

–Beatriz: “aquela que traz felicidade”. –Ela disse. –Qual dos dois você prefere?

–Não sei... Cat ou Bia?

–Bem, eu voto em Beatriz. É o nome de uma das músicas favoritas do meu pai, sabia?

–Não conheço nenhuma música de titulo Beatriz.

–É do Chico Buarque, e diz assim: “Sim, me leva pra sempre, Beatriz. Me ensina a não andar com os pés no chão. Para sempre é sempre por um triz. Aí, diz quantos desastres tem na minha mão. Diz se é perigoso a gente ser feliz.” –A loira cantarolou.

–Gostei. Agora vamos ver se ela gosta. –Bruno disse colocando a mão na barriga de Fatinha. –Você gosta do nome Beatriz filhota?

Um chute foi sentido logo depois da pergunta, quase como concordância.

–Então está decidido, o seu nome vai ser Beatriz. –Fatinha disse.

–Bruna seria muito mais bonito, mas ok. –Ele disse encostando o ouvido na barriga. –Bia, a primeira letra do seu nome é a mesma da do papai.

–Bobo. Eu vou contar a novidade para a galera da escola e para os meus pais. Manda uma mensagem para os seus pais, para a sua irmã, e para quem mais você quiser.

–Vou mandar agora. –Ele disse pegando o celular.

Fatinha fez o mesmo e logo digitou a mensagem:

O nome da minha filhota já está decidido. A partir de hoje todos podem chamá-la de Bia, ou Beatriz se preferirem.

Depois de ter enviado a mensagem a todos os interessados, Fatinha ficou observando Bruno digital. Ele sorria como um bobo, irradiando felicidade.

E foi naquele momento que Fatinha percebeu que estava perdidamente apaixonada por um certo moreno.


Notas finais
Esse capítulo foi um pouquinho mais curto, mas espero que tenham gostado.
E o que acharam do nome? Quero comentários!